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A Santa ira.

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A Santa ira.

Às vezes pintamos São Francisco de Assis como um anjinho de roupinha marrom a cantar pelos bosques junto aos animaizinhos. Patrono da ecologia, propagador da paz e do bem. Como nos enganamos. Francisco de Assis era cabra macho. Um homem forte, um grande líder. Cheio da Santa ira. Não era um palerma como querem pintar os defensores da ideologia hippie do: “paz e amor, bicho”. Todos os grandes líderes da humanidade são homens cheios de ira. E estou falando aqui da Santa ira. Aquela que dá forças para seguir uma meta, um objetivo. Nosso seráfico Pai caminhou cerca de duzentos quilômetros de Assis até Roma para falar com o Papa e pedir a aprovação para a Regra. Imagine você, meu amigo, minha amiga ter que caminhar duzentos quilômetros sem nem saber se seria atendido pelo Papa. Sem nem saber se seria ouvido. Em uma caminhada moderada podemos fazer cerca de cinco quilômetros por hora e assim levar cerca de uma semana para percorrer o mesmo trecho que Francisco e seus companheiros percorreram, mas acredito que eles devem ter levado mais tempo, pois andavam descalços por terrenos muito irregulares. O que impediu que o desânimo abatesse e fizesse com que desistissem da empreitada? A Santa ira. Em uma corrida quando você parece não ter mais forças para continuar, quando você percebe que está chegando ao fim, está se aproximando dos últimos dez metros, vem uma força que você tira não sei de onde, uma espécie de raiva que te move e faz concluir a prova. É a Santa ira.

Um frade, certa vez veio visitar São Francisco. Mas veio sozinho, sem obediência, ou seja, não tinha pedido permissão para o seu superior. Francisco poderia ter sido amável com o tal frade. Ido ao encontro dele com um abraço. Afinal, de onde ele vinha? Estava cansado? Com fome? Francisco poderia ter sido mais acolhedor, mais hospitaleiro, mas, ao invés disso, avançou no capuz do frade, arrancou-lhe da cabeça e o atirou numa fogueira. Até posso ver Jesus com o chicote nas mãos expulsando os vendedores da porta do templo. Até posso ver padre Pio esbofeteando alguém como fez inúmeras vezes. O capuz não queimou, pelos méritos do Santo, mas o importante aqui é a atitude de Francisco, a forma como ele encontrou para demonstrar àquele frade que o que ele fez, sair assim sem permissão foi errado, pois São Francisco sempre deu muita importância à obediência.

Frei Almir Guimarães em um artigo nos mostra os fundamentos da obediência, ele diz que: “Desde que o pecado veio a romper a harmonia da natureza, o homem se opõe a Deus. Esse desacordo, aberto ou velado, se manifesta por meio de uma tenaz resistência a Deus. Voltando as costas para Deus, o que se rebela se erige em ídolo e se adora. Cria-se um abismo entre o homem e Deus. Com suas próprias forças, o homem não consegue restaurar-se. Essa é a situação do homem digno de pena. E Deus vem em socorro do homem pela salvação trazida por Cristo. ‘Ele subsistindo na condição de Deus, não se apegou à sua igualdade com Deus. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se solidário com os seres humanos. Apresentando-se como simples homem, humilhou-se feito obediente até à morte numa cruz’ (Fl 2, 6-8) Assim, ‘como pela desobediência de um só, todos se tornaram pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos’ (Rm 5, 19). O aniquilamento de Cristo, obedecendo até à morte, nos deu a salvação. A vida de penitência se impregna da obediência na medida em que abençoada Redenção de Cristo pode operar seus efeitos na alma. Faremos progressos na obediência na medida em que tivermos em nós os mesmos sentimentos de Cristo e que a obediência ao Senhor possa produzir seus frutos na alma”.

Portanto, por melhor que fosse a intenção do frade em ir ao encontro de Francisco, por maior que fosse a sua devoção, em primeiro lugar ele deveria ser obediente. A obediência é a primeira e a mais importante das virtudes. Quem obedece não erra. Para os frades e monges que vivem em comunidades e tem um superior direto, se o seu superior o mandar fazer algo errado e o monge assim o fizer em nome da santa obediência, o erro não será dele, e sim do superior. Mas quando sabemos que nosso superior está agindo de má fé podemos conversar com ele e tentar explicar que aquilo não está certo e que neste caso convém obedecer antes a Deus do que aos homens.

Sempre devemos procurar o caminho do diálogo, mas há casos em que não adianta conversar. Um bandido entra na tua casa, mata teu pai, estupra tua mãe, e agora está indo na direção da tua irmãzinha e você diz: “Vem cá seu bandido, não faz isso não. Vamos conversar. Senta aí. Eu não concordo com essa sua atitude. Acho que você deveria rever os seus conceitos.” Não funciona não é mesmo? Então há casos em que devemos usar a Santa ira para combater o mal. Há casos em que não podemos ser palermas, precisamos lutar contra o mal, precisamos fazer um chicote de cordas e expulsar os vendedores da porta do templo. Precisamos arrancar o capuz da cabeça do irmão e lançá-lo nas chamas para ver se a partir desse ato de amor promovido pela Santa ira, ele acorda para a vida e abandona o pecado.

Que assim seja. Amém.

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