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Ainda temos que mastigar muito esterco

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Ainda temos que mastigar muito esterco

Hoje em dia vemos com que facilidade as pessoas ofendem umas às outras sem se preocuparem com o bem estar do outro. Não está contente, vá procurar outro amigo, é o que ouvimos dizer. A fila anda como se diz. Em tempos de rede social as pessoas se agridem facilmente e depois excluem ou bloqueiam uns aos outros como se assim o problema estivesse resolvido. Mesmo quando você tenta uma reconciliação, uma reaproximação, as pessoas parecem que sentem prazer, sentem-se orgulhosas por te escorraçar.

Mas são Francisco de Assis não era assim, ele estava sempre disposto a perdoar e a pedir perdão. E seus filhos espirituais, os frades menores aprenderam com ele este exemplo, mas eram seremos humanos como eu e você. Ninguém tem sangue de barata. Às vezes ficamos muito irritados e dizemos coisas que não gostaríamos de dizer. Fazemos coisas que não gostaríamos de ter feito. A palavra dita não volta mais e a pessoa que foi ofendida terá em seu coração uma ferida que talvez leve muitos anos para cicatrizar. Todo ser humano que goza perfeitamente de suas faculdades mentais tem a capacidade de lá no seu íntimo reconhecer seus erros, mas são poucos os que são capazes de admiti-los em público.

Existem pessoas que depois que a raiva passa, depois que deitam a cabeça no travesseiro e percebem que cometeram um erro, ao invés de se desculparem, aí sim que sustentam o seu erro pelo resto da vida só para não dar o braço a torcer de que estavam erradas.

Nas fontes franciscanas encontramos um episódio onde o Frei Bárbaro injuriou um outro frade na frente de um nobre da ilha de Chipre. Ora, são seres humanos e cometem erros. Talvez não tivesse feito intencionalmente, mas a questão é que fez. E quando Frei Bárbaro viu que o outro tinha ficado magoado com suas palavras, poderia não dar mínima importância pra isso. Poderia ter dito como lemos nas redes sociais hoje em dia: “Não gostou? Morre que passa”. Mas, não, ao invés disso ele enfiou esterco de burro em sua própria boca para vingar-se de si mesmo e disse: “Que mastigue esterco essa língua que soltou o veneno da ira em cima do meu irmão”.

Soltar veneno da ira contra o irmão é algo que devemos evitar ao máximo, pois como já disse, a palavra dita não volta mais e muitas vezes causa grandes estragos, mas muitas vezes somos tomados de assalto por uma ira incontrolável e despejamos palavras maldosas ao vento como uma metralhadora que não quer mais parar. Depois de dito o que não deveria ser dito, depois de feito o que não deveria ser feito, como remediar? Como consertar o estrago?

Miremo-nos no exemplo de Frei Bárbaro que mastigou esterco, isso é, devemos nos humilhar, ir ao encontro do outro, dar o primeiro passo, estender a mão. Se mesmo assim o outro não quiser falar com você, te destratar, te humilhar, te expulsar da frente dele, não desista. Foi apenas uma primeira tentativa. Talvez o coração dele ainda não esteja pronto e você tenha que mastigar muito estrume até que ele perceba que você o ama e não quer perder a amizade dele. Tenha paciência! É muito comum hoje em dia ouvir expressões do tipo: “Eu não vou ficar correndo atrás” ou “Eu tentei, mas se ele não quer que se lasque”. Mas não é bem assim. Sabemos que muitos frades atiravam-se ao chão e beijavam os pés daqueles que eles ofendiam. E isso era agradável aos olhos de São Francisco como também creio que seja agradável aos olhos de Deus.

Que assim seja. Amém.

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