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Os bons cristãos ficam confusos com as obras dos maus cristãos

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Os bons cristãos ficam confusos com as obras dos maus cristãos

Os bons frades ficam confusos com as obras dos frades maus, dizia nosso seráfico pai, Francisco de Assis. E isso nunca foi tão verdadeiro como nos dias de hoje. Eu diria que os bons cristãos ficam confusos com as obras dos maus cristãos e com isso passam a acreditar que tudo pode, que tudo é permitido, pois, afinal, foi o padre que disse. Mas qual padre disse? Um mau padre certamente.

Certa vez um jovem que estava tendo dificuldades para viver a castidade no namoro, ele vivia um verdadeiro combate espiritual, ali no dia a dia, aquela luta diária para conseguir viver um namoro santo, com suas fraquezas, suas limitações, era o tempo todo tentado e resolveu pedir ajuda para um sacerdote. Este jovem procurou o seu pároco naturalmente e expôs a ele toda a sua angústia ao que o padre respondeu: “mas meu filho, isso não é pecado. O que você faz com sua namorada entre quatro paredes ninguém precisa saber”.

O jovem saiu dali confuso, pois havia lido no catecismo, havia estudado os documentos da igreja e agora aquele padre tinha dito que ele poderia ter relações com a namorada, que isso não era pecado. Chegou a casa dela, conversaram, ele disse a ela o que o padre havia falado e eles não resistiram mais e se entregaram ao pecado. Aí eu me pergunto, e se esse jovem morresse por aqueles dias? Morresse naquele estado, em pecado grave, o que aconteceria com sua alma? Afinal, foi o padre que o aconselhou errado. Os maus cristãos acabam conduzindo muitas vezes os bons cristãos para o inferno com seus ensinamentos deturpados.

Muitos anos mais tarde, esse jovem depois de ter vivido na lama do pecado, assistiu a um vídeo na internet de uma pregação de um bom padre. E este bom cristão, em sua pregação, abriu os olhos daquele jovem e o fez enxergar que o caminho que ele estava trilhando não o levaria para o céu. Fez o enxergar que o conselho que ele recebera de seu pároco anos antes, tinha sido um mau conselho. Ele resolveu então conversar com a namorada, que, aliás, nem era a mesma, pois neste tempo de pecado teve várias namoradas, e esta atual não o entendeu. Disse que ele era um atrasado, um fanático papa hóstias, mas ele estava determinado a mudar de vida e profundamente arrependido de seus pecados procurou um sacerdote para se confessar.

Não foi se confessar com seu pároco, pois já sabia a opinião dele, já sabia que ele não era um bom cristão. Escolheu outro. Escolheu um padre de outra paróquia. E depois de relatar suas falhas, seus pecados, depois de mostrar-se profundamente arrependido e suplicando pela misericórdia de Deus, a absolvição de seus pecados e a reconciliação com a Igreja, ouve do padre: “meu filho, isso não é pecado. Todo mundo faz isso. Você não está fazendo mal pra ninguém”. E aquele jovem que já não era mais tão jovem assim, novamente foi para casa confuso. Os bons cristãos ficam confusos com as obras dos maus cristãos.

Conheci também um padre que por preguiça de ouvir os fiéis em confissão começou a praticar uma tal de confissão comunitária. Ora, confissão comunitária não existe, pois de fato ninguém confessa nada. O que existe é uma absolvição comunitária, que está prevista somente em alguns casos de extrema necessidade e que de fato não é nem de longe o caso deste mau cristão.

Há tempos que tenho evitado participar da missa presidida por ele, por causa dos diversos abusos litúrgicos que podem ser conferidos em suas celebrações, mas outro dia, eu estava na cidade dele, me atrasei, não daria tempo de ir a missa em outro lugar e acabei ficando por ali mesmo. E neste dia ele convidou o povo a participar da tal confissão comunitária que seria dali a dois dias. Pseudoconfissão, diria eu, pois o povo é induzido ao erro. A pessoa vai numa celebração dessa e acha que foi válida. Não abriu a boca, não disse uma palavra, não confessou nada, mas acredita que seus pecados foram perdoados. Os bons cristãos ficam confusos com as obras dos maus cristãos. E o pior é que o padre afirmava categoricamente que a brincadeira de confissão dele tinha o mesmo valor que a confissão verdadeira.

Estamos dando aqui apenas alguns exemplos, pois não podemos nos alongar muito, mas poderíamos falar de todas as barbáries que acontecem na liturgia e que quando vamos questionar a equipe de liturgia por que fizeram deste jeito todo errado, eles alegam que foi o padre que mandou. Claro, são pessoas sem estudo, sem conhecimento litúrgico, pessoas inocentes por assim dizer. Bons cristãos, cheios de boas intenções, mas que se deixam levar pelos ensinamentos dos maus cristãos.

Outro dia fui numa famosa novena que tem aqui perto, e lá vi todo tipo de abuso litúrgico, vi nosso Senhor ser esquecido, abandonado num canto, uma coisa simplesmente horrível que nem consigo descrever. Mas as pessoas saíam de lá maravilhadas, emocionadas: “nossa como a novena estava linda”.

São Francisco falava apenas da Ordem por ele fundada, porém os maus exemplos estão espalhados por toda a igreja. Mas para não falar que eu sou muito pessimista, ainda há esperança e muita esperança. Aqui mesmo em nossa cidade existem muitos jovens piedosos, bons cristãos de verdade, que conduzidos por bons pastores tem colaborado com a liturgia da missa e mesmo nos bancos são ótimos exemplos a serem seguidos e imitados. A eles eu agradeço de todo o coração. É de jovens como vocês que precisamos para promover a reforma da reforma!

Que assim seja. Amém.

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