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Não se entregue às futilidades nem à ociosidade

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Não se entregue às futilidades nem à ociosidade

Muitas vezes vimos São Francisco exortar os seus frades a pedirem esmolas. E com isso podemos ter a falsa impressão de que era um bando de vagabundos, que não queriam saber de trabalhar, por isso mendigavam. Mas sabemos ao estudar profundamente a vida de nosso seráfico pai, Francisco de Assis, que não era assim. Da mesma forma que São Bento escreveu em sua regra de vida “ora et labora”, o “poverello” também queria que seus frades trabalhassem e a esmola era somente para a humilhação. Quero que meus frades trabalhem, dizia Francisco, e estejam sempre ocupados, e os que não tiverem nenhum ofício que o aprendam. Se frei Francisco mandava os frades pedirem esmolas era para que exercitassem sua humildade, pois, de fato, ter que mendigar é algo realmente humilhante.

Certa vez eu fui para outra cidade e na volta, quando cheguei à rodoviária, certo de que iria embarcar para ir pra casa, me dei conta de que não tinha o dinheiro da passagem. Não me lembro ao certo se eu perdi o dinheiro na rua, ou se gastei mais do que podia, mas o fato é que eu não tinha dinheiro suficiente para viajar. Também não podia ir à pé, pois era muito longe, muito menos ficar ali naquela cidade e dormir na rua. Então a única forma que encontrei para solucionar o problema, foi mendigar. É difícil explicar o que senti. É de fato, uma humilhação muito grande. As pessoas não acreditam em você, te olham como se você fosse um bandido, um marginal, um vagabundo, alguém que quer dinheiro para comprar drogas, bebidas ou coisa parecida e não é fácil encontrar alguém que te dê uma moedinha. E de moedinha em moedinha fui juntando o dinheiro para comprar a passagem. Mendigar é um exercício de humilhação e paciência, onde somos tentados a xingar, a amaldiçoar e até mesmo a perder a fé. Por outro lado, quem já não sonhou um dia em ganhar na loteria, não é mesmo? Ter uma montanha de dinheiro na poupança para nunca mais precisar trabalhar na vida. Quando não temos nada, precisamos nos humilhar, mendigar, ou às vezes até mesmo aceitar qualquer emprego só para não passar fome, como quando eu morei sozinho na adolescência depois de ter sido expulso de casa e me sujeitei a trabalhar como borracheiro, metalúrgico, servente de pedreiro, entre outras coisas. Não que estas não sejam profissões dignas, muito pelo contrário, mas eu é que não era apto para exercer tais profissões. Não tinha qualificação para isso, nem jeito, nem força física. E mesmo assim tive que encarar para não passar fome. Mas se temos muito dinheiro, como quando ganhamos na loteria, corremos o risco de ficar ociosos, de não querer mais trabalhar, de querer viver uma vida de sombra e água fresca, como se diz. Só viajando e passeando por aí e os outros que trabalhem para mim.

Francisco de Assis não queria seus frades na ociosidade, pois cabeça vazia é a oficina do diabo, como se diz, e ele mesmo era um excelente exemplo de perfeição. Estava sempre ocupado e trabalhava com as próprias mãos sem deixar que se perdesse nada do valioso dom do tempo. Dizia que os preguiçosos que não se ocupam habitualmente com algum trabalho, deviam ser logo vomitados da boca de Deus. E ocupava sempre o seu tempo, não só com trabalhos manuais, mas também com a pregação, e com a oração. Assim eu volto ao “ora et labora” de São Bento. Oração e trabalho. Devemos dosar nosso tempo, não ficar ociosos, pois quanto mais ficamos ociosos mais preguiça nós temos e mais nos tornamos rabugentos. Aquele seu dia de folga em que você passa o dia inteirinho na cama em frente à TV, comendo e dormindo, é um dia terrivelmente chato. E a cada hora que passa, você mesmo está ficando mais e mais insuportável. É isso que a ociosidade faz conosco. Por isso precisamos mandar a preguiça embora com oração e trabalho. Encontre momentos para orar durante o dia, seja o santo terço, ou uma outra devoção particular. Ou ainda a liturgia das horas que vai santificando todas as horas do dia, com as laudes, a hora media, as vésperas e as completas. Rezar sem pressa de acabar, sem se distrair e sem estar pensando naquilo que vai fazer depois da oração. São Francisco condenava quando os frades logo após a oração, já vinham com conversinhas inúteis. Terminou a oração? Volte ao trabalho e não se entregue à futilidades nem à ociosidade, certamente seria um conselho de nosso Seráfico Pai.

Que assim seja. Amém.

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