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Deixar o conforto para ir pelo mundo cantar os louvores do Senhor

O melhor conforto é o que vem da oração.
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Deixar o conforto para ir pelo mundo cantar os louvores do Senhor

O cântico de Daniel diz: “Baleias e peixes, bendizei o Senhor! Pássaros do céu, bendizei o Senhor! Feras e rebanhos, bendizei o Senhor! Filhos dos homens, bendizei o Senhor!” E o salmo 148 diz: “Na terra, louvai o Senhor, cetáceos e todos das profundezas do mar; fogo e granizo, neve e neblina; vendaval proceloso dócil às suas ordens; montanhas e colinas, árvores frutíferas, árvores silvestres; feras e rebanhos, répteis e aves; reis da terra e todos os seus povos; príncipes e juízes do mundo; jovens e donzelas; velhos e crianças! Louvem todos o nome do Senhor, porque só o seu nome é excelso”.

Pássaros do céu, bendizei o Senhor, pois seu nome é excelso. Todos nós e todas as criaturas são convidadas a louvar a Deus o tempo todo e devemos louvar e dar glórias ao Criador com a nossa vida. Vivemos em grandes centros urbanos e não vemos nem ouvimos mais os passarinhos a não ser quando os encontramos cruelmente encarcerados em gaiolas. Mas eu gosto muito de mato, de sítio, de lugares retirados. Durante minha lua de mel, todos os dias acordava com o canto dos pássaros. E o que é o canto dos passarinhos senão um louvor ao Deus altíssimo? Como é lindo. Tudo é perfeito. Tudo é tão belo. A natureza toda criada por Deus dá louvores a Deus com sua própria existência. E o homem, ser racional, que deveria ser o esplendor da criação é um ingrato. Egoísta, fechado em seu pequeno mundo, em frente ao seu computador, o homem moderno não perde seu tempo louvando a Deus. Que desgraça! Que coisa mais triste! E ainda acusam a idade média de ter sido a idade das trevas, mas foi o tempo em que o homem voltava piedosamente seu coração para Deus e todo o mundo conhecido era católico.

Francisco de Assis nosso seráfico Pai, foi um homem medieval, viveu neste tempo tão rico e sabia louvar a Deus com a própria vida. Cantava em francês pelos bosques por onde passava, os louvores do Senhor e às vezes até chorava amargamente porque o Amor não é amado. Conta-se que quando o pobrezinho de Assis estava atravessando de barca o lago de Rieti, a caminho do eremitério de Gréccio, um pescador ofereceu-lhe um passarinho aquático, para que se alegrasse no Senhor. Ele aceitou e o passarinho não quis mais ir embora, aninhando-se em suas mãos. O passarinho, ser irracional, não poderia saber que estava nas mãos de um religioso ou coisa parecida. Simplesmente não quis ir embora porque encontrou nas mãos do Santo, o colo de Deus. Ali ficou bem aconchegado como que convidando Francisco a louvar junto com ele.

O santo levantou os olhos e se pôs a orar. Depois de um bom tempo, como se estivesse voltando a si de um outro mundo, ordenou com bondade à ave que voltasse sem medo para sua primitiva liberdade. Recebendo a licença, e a sua bênção, o passarinho demonstrou sua alegria com um movimento do corpo e voou. Por mais que fosse agradável ficar ali nas mãos aconchegantes daquele homem santo, que rezava fazendo com que o céu e a terra se tocassem e como se o mundo todo parasse, o passarinho por obediência e tendo recebido a benção de Frei Francisco, foi embora. Quanto exemplo podemos tirar para nós na vida desta pequena ave que soube deixar o conforto para ir pelo mundo cantar os louvores do Senhor.

E santa Teresinha do Menino Jesus escreveu: “Por tanto tempo quanto quiseres, ó meu Bem-amado, o teu passarinho ficará sem forças e sem asas; permanecerá sempre com os olhos fixos em Ti. Quer ser fascinado pelo teu divino olhar, quer tornar-se a presa do teu Amor… Um dia, assim o espero, Águia adorada, virás buscar o teu passarinho e, subindo com ele para o Fogo do Amor, mergulhá-lo-ás eternamente no ardente Abismo desse Amor, ao qual se ofereceu como vítima…”

Portanto, que da mesma forma que aquele passarinho se aconchegou nas mãos de Francisco de Assis, possamos nós, como frágil ave, nos entregarmos às mãos do Senhor.

Que assim seja. Amém.

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