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São Francisco e a cigarra

Os cientistas dizem que a cigarra não canta, ela grita. E grita para atrair a fêmea para o acasalamento. A fêmea logo depois de colocar seus ovos, morre. Os ovos eclodem e as ninfas caem no chão e entram na terra onde podem ficar até dezessete anos dependendo da espécie e se alimentam da seiva das raízes. Depois, cavam túneis, sobem nas árvores e sofrem uma metamorfose se tornando adultas e prontas para o acasalamento que geralmente acontece nos meses quentes do ano.

A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a Esopo, um escritor da Grécia Antiga a quem se atribui a paternidade das fábulas como gênero literário. É uma fábula muito conhecida que conta que num dia de quente de verão, uma alegre cigarra estava a cantar e a tocar o seu violão, com todo o entusiasmo. Ela viu uma formiga a passar, concentrada na sua grande labuta diária que consistia em guardar comida para o inverno. “Dona Formiga, venha e cante comigo, em vez de trabalhar tão arduamente.”, desafiou a cigarra “Vamo-nos divertir.” “Tenho de guardar comida para o Inverno”, respondeu a formiga, sem parar, “e aconselho-a a fazer o mesmo.” “Não se preocupe com o inverno, está ainda muito longe.”, disse a outra, despreocupada. “Como vê, comida não falta.” Mas a formiga não quis ouvir e continuou a sua labuta. Os meses passaram e o tempo arrefeceu cada vez mais, até que toda a Natureza em redor ficou coberta com um espesso manto branco de neve. Chegou o inverno. A cigarra, esfomeada e enregelada, foi a casa da formiga e implorou humildemente por algo para comer. “Se você tivesse ouvido o meu conselho no Verão, não estaria agora tão desesperada.”, ralhou a formiga. “Preferiu cantar e tocar violão?! Pois agora dance!” E dizendo isto, fechou a porta, deixando a cigarra entregue à sua sorte.

Existem outras versões da mesma fábula, mas menos cruéis em que as formigas convidam a cigarra para entrar e passar o inverno com elas e dividem o alimento com a cigarra. Embora pudéssemos falar muitas coisas sobre a fábula de Esopo, sobre a importância do trabalho, a importância da partilha e etc. nós gostaríamos de falar sobre outra cigarra, uma que apareceu para Frei Francisco, se esta é fábula ou verdade, eu não sei, mas quem nos conta é Tomas de Celano que havia na Porciúncula, ao lado da cela do santo, uma figueira onde uma cigarra costumava cantar com suavidade. E que o santo a pegava em suas mãos e a convidava a louvar o Senhor. E os dois cantavam juntos por horas a fio, louvando e bendizendo a Deus. Até o dia em que nosso seráfico Pai disse a seus companheiros: “Vamos despedir nossa irmã cigarra, que já nos alegrou bastante aqui com o seu louvor, para que isso não seja causa de vanglória para nós”. E tendo a permissão de Francisco, a cigarra foi embora e não voltou mais. Provavelmente encontrou uma fêmea para acasalar e morreu em seguida ou então com a chegada do inverno foi bater na porta do formigueiro e foi acolhida pelas irmãs formigas que com ela se alegraram por ela ter passado tanto tempo junto à São Francisco.

Que assim seja. Amém.

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