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Onde há sacrifícios, há mais generosidade.

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Onde há sacrifícios, há mais generosidade.

Padre Pio traça um paralelo entre sacrifício e generosidade. São duas coisas totalmente entrelaçadas, interligadas de forma que não existe uma sem a outra. A generosidade é uma virtude. A pessoa generosa é aquela que se sacrifica em benefício de outra pessoa. Então para sermos generosos precisamos sacrificar algo, abrir mão de algo. Ser generoso não é dar a sobra, o resto. Certo dia você preparou um almoço na tua casa e sobrou muita comida. Aquela comida foi pra geladeira para ser consumida outro dia, mas novamente sobrou e sabendo que iria estragar, sabendo que acabaria indo para a lata do lixo, você a deu para um mendigo na rua. Isso não é generosidade, isso não é sacrifício. Sacrifício é quando você tem apenas um sanduíche para comer, nada mais do que isso e alguém te pede o sanduíche. Você para e pensa: poxa vida, isso é tudo o que eu tenho. Se eu der esse sanduíche eu vou ficar sem nada para comer. Mas mesmo assim você dá. Você é generoso. Você faz um sacrifício em benefício de outra pessoa. Num dia de inverno, você está com apenas uma blusa e está sentindo um pouco de frio, mas passa por uma pessoa na rua que está totalmente desagasalhada e você tira a sua única blusa e dá para aquela pessoa se esquentar. Isso é ser generoso. Isso exigiu um sacrifício. Mas quando você está fazendo uma arrumação no seu guarda-roupa que não tem mais nem espaço de tanta roupa que você tem e encontra lá umas blusas velhas, desbotadas, que você não quer mais usar, então resolve doar aquelas roupas para uma instituição de caridade, qual foi o sacrifício que você fez? Onde está a generosidade? A mesma coisa podemos aplicar com as ofertas que fazemos na Igreja e tantos outros exemplos (não que não sejam muito importantes este atos, mas a análise aqui é outra).

No momento do ofertório na missa, acontecem dois sacrifícios. O sacrifício ofertado pelo padre que é o corpo e o sangue de Cristo e o sacrifício ofertado pela assembléia. Antes do Concílio Vaticano II e a reforma litúrgica isso ficava muito claro quando o padre dizia: “Oráte fratres, ut meum ac vestrum sacrifícium acceptábile fiat apud Deum Patrem omnipoténtem”. Ou seja: “Orai irmãos para que o meu e o vosso sacrifício sejam aceitos por Deus Pai todo poderoso”. Percebem a diferença? Hoje o padre diz: “Orai irmãos e irmãs para o que nosso sacrifício…”, como se o sacrifício fosse um só, mas antes ficava claro que são dois sacrifícios distintos, o sacrifício do padre, o sacrifício sacerdotal, pois só ele pode consagrar o pão e o vinho e pelo poder do espírito santo transubstanciar as oferendas em Corpo e Sangue de Nosso Senhor e o sacrifício do povo que coloca na patena, suas dores, suas angústias, suas dificuldade, mas também suas alegrias e vitórias.

No momento do ofertório podemos ser generosos, sacrificando os frutos do nosso trabalho e antigamente as pessoas levavam ao altar, galinhas, porcos, frutas e verduras e tudo o mais que produziam, por este motivo o padre tinha de lavar as mãos, pois muitas vezes as sujava coletando essas ofertas. Hoje o lavar as mãos simboliza a pureza da alma, necessária para oferecer o santo Sacrifício. O padre diz baixinho: “Lavo as minhas mãos entre os inocentes, e me aproximo do vosso altar, ó Senhor, para ouvir o cântico dos vossos louvores, e proclamar todas as vossas maravilhas. Eu amo, Senhor, a beleza da vossa casa, e o lugar onde reside a vossa glória. Não me deixeis, ó Deus, perder a minha alma com os ímpios, nem a minha vida com os sanguinários. Em suas mãos se encontram iniquidades, sua direita está cheia de dádivas. Eu porém, tenho andado na inocência. Livrai-me, pois, e tende piedade de mim. Meus pés estão firmes no caminho reto. Eu te bendigo, Senhor, nas assembleias dos justos”. E a oferta que antes era da lavoura ou da criação passou hoje a ser feita em dinheiro que é muito mais prático.

Quando fazemos jejuns, penitências, mortificações, quando oferecemos quaresmas e etc. precisamos ser generosos. Pois onde há sacrifícios há mais generosidade e não há generosidade sem sacrifícios. Sempre que eu falo em sala de aula com meus alunos sobre pequenos sacrifícios que podem ser feitos durante a quaresma como por exemplo, ficar quarenta dias sem jogar vídeo game ou quarenta dias sem comer chocolate, vem um engraçadinho e diz: “E que tal se eu ficar quarenta dias sem vir pra aula, pois como eu gosto muito do colégio, isso seria para mim um grande sacrifício”. Praticamente todo ano em toda turma tem um espertinho que solta essa. E eu respondo: “Isso não se chama sacrifício, isso tem outro nome: hipocrisia”.

Quantos mártires deram a vida por amor à Cristo e à Igreja! Foram generosos derramando seu próprio sangue. Fizeram um grande sacrifício. Mas nenhum sacrifício foi maior do que o do próprio Jesus por nós morrendo no madeiro da cruz. Tudo o que Ele sofreu, tudo o que Ele passou, tudo o que Ele sentiu em sua paixão por amor de nós foi sinal da imensa generosidade de Deus. No Evangelho escrito por João, capítulo quinze, versículo treze Jesus diz: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”. E Ele deu a vida por nós. Ele foi generoso e se sacrificou, pois como diz padre Pio onde há sacrifícios há mais generosidade e eu diria ainda que não há generosidade sem sacrifícios.

Que assim seja. Amém.

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