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Viver santamente, sofrendo a cruz de cada dia em resignação

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Viver santamente, sofrendo a cruz de cada dia em resignação

Frei Francisco fazia várias quaresmas durante o ano, que na vida do santo, além do aspecto penitencial e de conversão, encontrava um sentido maior em conformar-se a Cristo para assim reviver os mistérios do ano litúrgico, fazendo dessa forma cinco quaresmas: A primeira quaresma é a mais conhecida de todas, aquele tempo em que nos preparamos para a festa da páscoa. Conta-se que Francisco, certa vez, vivendo esta quaresma, levou somente dois pãezinhos e, durante estes quarenta dias comeu metade de um deles. Imagine, em um período de quarenta dias, comermos apenas meio pãozinho.

A segunda quaresma era vivida no tempo do advento para celebrar o mistério da encarnação do filho de Deus. Ela ia da Festa de todos os Santos até a vigília do Natal. Foi nesta quaresma que, no ano de 1223, aconteceu o presépio de Gréccio. A terceira quaresma era chamada de quaresma da Epifania. Com esta quaresma São Francisco pretendia estabelecer o laço entre o tempo do Natal e da Páscoa. A quarta quaresma que nós franciscanos seculares conhecemos muito bem e é muito cara para nós é a quaresma de São Miguel Arcanjo. Começando no dia da festa da Assunção de Nossa Senhora, e terminando no dia da festa dos santos arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael.

Foi durante uma destas quaresma, em honra de São Miguel que nosso seráfico pai recebeu os estigmas, sinal de sua mais alta conformidade com Cristo. E a quinta quaresma ia da Festa dos Apóstolos Pedro e Paulo até a Assunção. Eram cinco períodos de quarenta dias no ano, somando-se assim duzentos dias de jejum, penitência, oração e mortificação. E nós, franciscanos seculares, que deveríamos ser irmãos e irmãs da penitência, que deveríamos nos esforçar em imitar São Francisco, dificilmente jejuamos. Quando na sexta-feira santa nos propomos a não comer carne vermelha, substituímos por uma bela moqueca de peixe com camarão.

Francisco costumava retirar-se durante as quaresmas, subia ao alto de montanhas que em muitas épocas do ano eram lugares extremamente frios, e pouco agasalhado, amiúde apenas com o hábito e com os pés descalços, levava nada ou quase nada para comer, ficava também longas horas sem beber nada, mas tinha consigo um vaso de barro que procurava nele guardar água. Geralmente Francisco ficava em cavernas, mas certa vez os frades construíram em uma montanha uma cabana para que ali ele fizesse sua quaresma. Quando terminou o tempo e ele saiu, a cela ficou abandonada e desocupada. Lá ficou largado o pequeno vaso de barro em que o santo tomava água. Quando algumas pessoas foram àquele lugar para reverenciar o santo, encontraram o vaso cheio de abelhas. Nele tinham construído seus admiráveis favos, simbolizando a doçura da contemplação que o santo de Deus tinha bebido nesse lugar. E aqui nós vemos mais uma vez como as criaturas, por causa do Criador, veneravam frei Francisco por ele ser aquele que mais amou o Senhor de todas as criaturas. As abelhas encontraram na doçura da vida de Francisco, na doçura das palavras que saiam de sua boa, na doçura da bondade de seu coração e na doçura da contemplação do Santo ao Criador nestes quarenta dias de penitência, um lugar propício para construir seus favos.

E se Deus quiser construir seus favos no teu e no meu coração? Encontrará neles a doçura necessária ou apenas rancor e amarguras? Nosso coração é um vaso de barro de contemplação onde o Criador pode construir seus favos ou uma pipa de azedar repolho? Precisamos voltar nosso coração para Deus, e vivermos santamente cada dia de nossa vida, com jejuns e abstinências, sofrendo a cruz de cada dia em resignação.

Que assim seja. Amém.

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