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A carne logo vai morrer e ela é inimiga da alma

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A carne logo vai morrer e ela é inimiga da alma

Eu, naturalmente sou muito chato. Quem me conhece pessoalmente e convive comigo sabe muito bem disso. Sou exigente, sou implicante, sou perfeccionista, mas quando fico doente consigo me superar, pois sou ainda mais chato. Manhoso, me entrego à doença como se o mundo estivesse acabando. Gosto de ser mimado, de ter todos por perto me rodeando, gosto de ser servido e faço corpo mole até que a doença se vá totalmente. Às vezes uma simples gripe me derruba. Contudo, nunca falto ao trabalho, sempre estou de pé dando aulas, mesmo quando estou completamente sem voz, mas em casa quando doente sou um bebezão. Nosso seráfico pai, Francisco de Assis escreveu em uma de suas regras: “Rogo a todos os meus irmãos doentes que em suas enfermidades não fiquem irados ou perturbados contra Deus ou contra os irmãos. Não peçam remédios com muita insistência e não tenham muito desejo de livrar a carne que logo vai morrer e que é inimiga da alma. Saibam ser agradecidos por tudo, desejando ser aquilo que Deus também deseja deles.” De fato eu não fico irado ou perturbado com Deus, mas como eu disse, fico manhoso e embora não goste muito de tomar remédios desejo logo me livrar da doença. Eu conto isso, porque sei que muitas pessoas se identificam comigo e esse testemunho serve para repensarmos nossas vidas. Eu estou aproveitando essa reflexão para repensar meu modo de agir e me comprometer em mudar, em ser diferente, em não desejar livrar a carne que logo vai morrer e que é inimiga da alma e ser agradecido a Deus por tudo, desejando ser aquilo que Deus também deseja de mim. Sim, em tudo dar graças a Deus. Agradecer também pela doença e se compadecer pelos enfermos.

Na correria do dia a dia, muitas vezes nos esquecemos dos enfermos, nos esquecemos que nossos hospitais estão repletos de pessoas que precisam de carinho, de atenção, de tratamento adequado, mas que muitas vezes estão morrendo pelos corredores, sendo maltratados e desprezados.

São Francisco tinha muita compaixão para com os doentes e muita solicitude pelas suas necessidades. Ele mesmo vivia doente, pois não cuidava devidamente do irmão corpo, e quando levavam remédios para ele, ao invés de usá-los distribuía aos doentes. Chegava até a comer nos dias de jejum, para que os doentes não ficassem com vergonha de comer. E não se envergonhava de pedir carne publicamente, pela cidade, para dar a um irmão doente. Uma vez levou para a vinha um doente que sabia estar com vontade de chupar uvas. Sentando-se embaixo da parreira, começou ele mesmo a comer, para dar coragem ao outro. Mas exortava os doentes a sofrerem as privações com paciência e a não se escandalizarem quando não eram satisfeitos em tudo.

Francisco quando doente, e quase sempre estava doente, não fazia manha, não queria ser mimado, não queria se livrar logo da doença, mas sofria as privações com paciência, era agradecido a Deus por tudo, desejando ser aquilo que Deus também desejava dele e não tinha o desejo de livrar a carne que logo vai morrer e que é inimiga da alma. Mas era o primeiro a confortar os doentes e incentivá-los a se cuidarem e se alimentarem direito.

Aí está o morrer para si mesmo e viver pelos irmãos. Negar-se a si mesmo e seguir Jesus. Carregar a sua cruz por amor a Deus e a favor dos necessitados, dos sofredores, dos enfermos. Não tem a ver com a luta de classes da teologia da libertação que infelizmente consegue corromper os franciscanos aqui da América Latina. Não é a carne, mas o espírito. Não são apenas as necessidades carnais, as necessidades deste plano terreno que devemos tentar suprir em nossos irmãos e irmãs, mas as necessidades da alma, pois como disse Francisco a carne logo vai morrer e ela é inimiga da alma.

Que assim seja.

Amém.

1 Comentário

  1. marinei correa ignacio disse:

    e isso mesmo deixar os desejos da carne e viver mais nos desejos de Deus

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