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Soframos com santa resignação na terra, ofereçamos com generoso amor as nossas cruzes para que passemos do leito de morte direto ao paraíso

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Soframos com santa resignação na terra, ofereçamos com generoso amor as nossas cruzes para que passemos do leito de morte direto ao paraíso.

Quando pecamos e nos arrependemos sinceramente em nosso coração e fazemos o propósito de não cometer mais aquele pecado, procuramos um sacerdote e fazemos uma confissão. Ele, “in persona Christi”, perdoa os nossos pecados e desta forma a nossa amizade com Deus é restituída. Isso quer dizer que estamos em estado de graça, podemos comungar da Eucaristia e se morrermos não iremos para o inferno. Mas não quer dizer que sejamos santos o suficiente para irmos direto para ao céu, pois no céu só entra santo. Para irmos para o céu é necessário antes pagarmos pelos pecados cometidos, isto é a chamada pena temporal e a pagamos no purgatório. Por ex.: você roubou um carro. Roubar é um pecado grave. Você se arrependeu, se confessou com o padre, mas é necessário ainda devolver o automóvel roubado e cumprir a pena devida por lei, na prisão.

Você caluniou alguém. Se arrependeu, confessou o pecado para o sacerdote, pediu desculpas para a pessoa caluniada, mas agora como vai fazer para se redimir daquela culpa? Isso significa, que todo pecado, mesmo depois de nos arrependermos, nos confessarmos e sermos absolvidos, deixa uma pena que precisa ser paga. E aí temos duas opções: pagar nesta vida ou na outra, no purgatório. Existem numerosos exemplos de santos que, mesmo convertidos e livres dos pecados mortais, continuavam a fazer penitência, pois sabiam que precisavam purificar-se dos “resquícios” dos pecados cometidos que ainda ficavam em sua alma. Isso quer dizer que talvez possamos escapar do purgatório fazendo penitências. E é isso que padre Pio nos ensina com a frase de hoje: “Soframos com santa resignação na terra, ofereçamos com generoso amor as nossas cruzes para que passemos do leito de morte direto ao paraíso”. Como passar do leito de morte direto ao paraíso? Sofrendo com santa resignação na terra. Resignação se refere a experienciar uma situação sem a intenção de mudá-la. Ou seja, aceitar os sofrimentos como sendo justos, como sendo merecidos por causa de nossos muitos e graves pecados. Oferecer com amor generoso as nossas cruzes, as nossas dores, as nossas angústias, as nossas dificuldades.

Nós, franciscanos seculares, somos irmãos e irmãs da penitência. Quando São Francisco fundou nossa ordem, nos deu um hábito penitencial. Ele não servia para identificar que aquela pessoa fazia parte da ordem, mas para dizer que éramos penitentes. O hábito não era bonito, não era motivo de orgulho ou de vangloria, mas algo rude, grosseiro, que machucava a pele, que incomodava e que ajudava desta forma a controlar as paixões. Hoje nossos estatutos não permitem mais o uso do hábito, dizem que nosso sinal visível é o TAU e tentam reduzi-lo a um pequeno broche que praticamente passa despercebido. Se um franciscano secular usa um TAU grande de madeira pendurado ao pescoço é considerado um exibido. Mas de nada adiantaria voltarmos a usar o hábito da penitência se não tivermos um coração penitente. Muitas vezes nos deixamos levar apenas pelo social. A razão do meu jejum é dar aos pobres o dinheiro que economizei com a comida, dizem os teólogos da libertação adeptos do marxismo cultural. Claro, que é importante ajudarmos os pobres, mas se por um lado o próprio Jesus sempre mostrou uma preferência pelos pobres, foi Ele mesmo que disse no evangelho de João, capítulo doze, versículo oito: “Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis”. De fato, precisamos ajudar os pobres, certamente, sem sombra de dúvida, mas o nosso jejum é penitência e serve para pagar os pecados, a pena temporal que é justa por causa de nossas culpas.

Nossos jejuns, nossas orações, nossas mortificações, nossas peregrinações, tudo isso sendo vivido em resignação e com reta intenção, podem ajudar a pagar nossas faltas, pois precisamos nos purificar dos “resquícios” dos pecados cometidos e assim ir do leito de morte direto ao paraíso.

Que assim seja,

Amém

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