fundo parallax

Há maior alegria em dar do que em receber

E18T03 – Como ousaremos ler a Bíblia sem um coração reto e submisso ao Senhor?
30 de abril de 2018
E19T03 – Eles querem destruir a família
7 de maio de 2018
 


Há maior alegria em dar do que em receber

Há maior alegria em dar do que em receber, disse o evangelista Lucas nos Atos dos Apóstolos, capítulo vinte, versículo trinta e cinco. Nesta passagem Lucas diz que o Apóstolo Paulo está na Ásia, manda chamar os anciãos e começa ali um discurso onde ele atribui esta frase à Jesus, embora não a encontremos nos evangelhos: “Há maior alegria em dar do que em receber”. E Francisco de Assis nos ensina que é dando que se recebe. Não que quando damos algo a alguém devemos esperar algo em troca, esperar receber alguma coisa, pelo contrário, devemos dar com alegria sem querer nada em troca, mas mesmo assim sabemos que só o fato de termos dado com despojamento e alegria faz com que recebamos de Deus dons inimagináveis.

Os frades franceses pediram a túnica de nosso seráfico pai não porque eles não tivessem nada para vestir, mas porque acreditavam que a túnica do Santo era uma espécie de relíquia e a queriam guardar. Francisco a deu sem hesitar. Ficou quase nu na frente de todos e iria voltar para casa assim sem nenhum problema, não tivessem os frades dado a ele, em troca, uma outra túnica mais pobrezinha. Francisco dava tudo que pediam. No evangelho escrito por Mateus, capítulo cinco, versículos trinta e oito e seguintes, estamos ainda no sermão da montanha e Jesus diz: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: ‘Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado’”.

Houve uma época em que as pessoas pediam meu TAU. Isso agora acabou, mas no passado, passei por essa situação dezenas de vezes. Pra quem não sabe, o TAU é a última letra do alfabeto hebraico e o sinal que nos identifica como franciscanos seculares e eu sempre tive o hábito, nada discreto, de usar um TAU grande, de madeira, pendurado ao pescoço. Muitas vezes quando eu conhecia alguém em um retiro ou encontro de oração me pediam o TAU. E lá voltava eu pra casa sem o TAU e no dia seguinte me dirigia à uma livraria católica para comprar um novo. Houve um tempo em que eu tinha uma livraria itinerante e então quando me pediam o TAU e já tinha outro em casa para substituir aquele. Mas nunca hesitei em dar o TAU. Estava tão acostumado com o fato de as pessoas me pedirem o TAU que as vezes antes da pessoa pedir eu já oferecia. Alguém achava o TAU bonito e comentava e eu já dizia: “Quer pra você?” E já ia tirando do pescoço e colocando na pessoa.

Acredito que este seja mais ou menos o sentimento de São Francisco ao dar a túnica e tudo o mais que lhe pediam e talvez seja essa a alegria que São Paulo se refere em dar que é maior do que receber. Mas não se resume a coisas materiais. Dar amor, dar carinho, dar atenção, dar paciência, dar cuidados, dar um bom dia, dar um sorriso, tudo isso sem esperar nada em troca, tudo isso gratuitamente. O “poverello” estava disposto não só a dar coisas, mas até a si mesmo, e entregava com muita alegria tudo que lhe pedissem. Dar a vida, sacrificar-se mesmo sem ser reconhecido, fazer o bem mesmo que não tenha ninguém olhando. Fazer o bem não esperando uma recompensa no céu, mas fazer mesmo que não existisse céu, mesmo que não existisse Deus, mesmo que não existisse o amanhã, fazer o bem hoje, sem esperar nada em troca, simplesmente pela alegria de fazê-lo.

Que assim seja.

Amém.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *