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A coroa da humildade

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A coroa da humildade



Na época de São Francisco os frades faziam a tonsura, um corte de cabelo em forma de coroa em sinal de sua consagração a Deus. Nos dias de hoje ainda é comum vermos alguns religiosos tonsurados como é o caso dos filhos da pobreza do santíssimo sacramento, mais conhecidos como toqueiros. Eu também já andei por aí exibindo uma tonsura, mas a minha era tão minúscula que podia ser confundida com uma calvície natural. Para quem não sabe do que estou falando, a tonsura é justamente isso, uma calvície artificial.

Tomás de Celano nos conta que quando Frei Francisco ia ao barbeiro pedia para fazer uma coroa, ou seja, uma tonsura não muito grande, pois até algo que deveria ser um sinal de humildade e submissão, um sinal de obediência e de consagração a Deus, podia virar motivo de vanglória, de orgulho e ostentação. Quanto maior a tonsura, mais santo! Por isso mesmo o “poverello” pedia ao barbeiro: “Cuidado para não me fazeres uma coroa grande!”

Ele não queria que houvesse disputas dentro da Ordem e que a Ordem fosse a mesma tanto para os pobres e os iletrados como para os ricos e os sábios. Que cada um soubesse administrar os dons recebidos de Deus para o bem dos irmãos. Costumava dizer que diante de Deus não há acepção de pessoas, e o ministro geral da Ordem, que é o Espírito Santo, pousa do mesmo jeito sobre o pobre e o rico. De fato, aos olhos de Deus somos todos iguais. Cada um com seu jeito, com suas particularidades, com seus dons, mas todos iguais em dignidade diante de Deus. Deus não tem preferências. Ama todos os seus filhos por igual, independente de etnias, sexo ou crenças.

Deus ama tanto você que reza, que pratica a caridade, que se confessa e comunga quanto aquele que está perdido no mundo das drogas, do crime ou da prostituição. E dentro de nossas fraternidades da Ordem Franciscana Secular, Deus ama a todos por igual. O ministro, os membros do conselho, e os irmãos que participam dos encontros às vezes sem nem entender muito bem o que está acontecendo. Quando meditamos um texto de espiritualidade em nossas reuniões, às vezes algum irmão quer falar, fazer um comentário sobre o texto, e diz uma tremenda asneira que não tem absolutamente nada a ver com o tema, ou ainda solta uma heresia que ouviu de algum padre da teologia da libertação, mas sei que Deus o ama mesmo assim. Ama os cultos e os iletrados. Ama a nós teólogos e também aqueles que foram enganados por doutrinas vãs. E assim também era Francisco de Assis, amava a todos os irmãos da Ordem e queria que todos tivessem parte com ele. Nosso seráfico Pai dizia que o Espírito Santo era o ministro geral da Ordem, que a conduzia e como Ele sopra onde quer, pousa do mesmo jeito sobre o pobre e o simples.

Que assim seja,

Amém.

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