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Benção não se desperdiça!

Francisco passava oras a fio em êxtase de oração. Homem contemplativo, vivia tão profundamente mergulhado no mundo espiritual que às vezes acaba se esquecendo do mundo material, de forma que chegava até mesmo a não cuidar devidamente da própria saúde. Passava a maior parte do tempo em sua cela e saía apenas raramente em momentos em que estava com muita fome. Fazia jejuns muito longos. Muitas horas sem comer e sem beber nada, sem falar com ninguém, completamente imerso na contemplação e na adoração ao Senhor.

Aconteceu que dois frades, homens santos, chegaram a Greccio com o justo propósito de ver Frei Francisco e conseguir a sua benção, mas não o encontraram, pois ele raramente saía de sua cela.

Esperaram um bom tempo, mas acabaram desistindo e indo embora. Ninguém ousava interromper a oração de Frei Francisco e incomodá-lo em sua cela. Os frades foram embora desolados e muito tristes, acreditando que aquilo era merecido.

De repente, sem que ninguém esperasse, quando os frades já estavam um pouco distantes, São Francisco os chamou. Foi uma surpresa para todos.

O Santo de Deus disse a um dos seus companheiros: “Vai dizer àqueles meus irmãos que aqui vieram que olhem para mim”. Quando os frades mesmo de longe, olharam para ele, nosso seráfico Pai, fez-lhes o sinal da cruz e os abençoou com muito afeto. Eles ficaram muito satisfeitos por terem atingido seu objetivo e voltaram para seu lugar louvando e bendizendo a Deus.

Vale lembrar, que estamos estudando o espírito profético de São Francisco. Se Frei Francisco saía muito pouco de sua cela, se ninguém ousava interromper os seus momentos de oração e se os frades que vieram de longe para vê-lo já estavam indo embora desolados, como foi que de repente o pobrezinho de Assis surpreendeu a todos abençoando os frades mesmo de longe traçando sobre eles o sinal da cruz?

Muitas pessoas iam à Greccio para ver o santo e logicamente que Francisco não recebia todos, aliás, essa devoção, essas peregrinações das pessoas para vê-lo não o agradavam. Mas certamente em seu êxtase de oração, Deus revelou para ele o que estava no coração daqueles dois frades que eram homens justos e que eles não estavam ali apenas por um devocionismo, mas que certamente tinham um desejo puro de receber a benção do Santo para assim seguirem cada vez mais perfeitamente nos caminhos do Senhor. Quando são Francisco recebeu do Senhor esta revelação, que também mostrava o quão tristes e desolados eles estavam indo embora, pensando que não eram dignos de ser recebidos por tão venerável Pai, correu ao encontro deles.

Talvez por suas limitações físicas não pôde alcançá-los e por isso pediu auxílio a um companheiro. Nisso vemos a necessidade de contarmos com nossos irmãos. De não tentarmos abraçar o mundo inteiro. De dividirmos as tarefas e reconhecermos as nossas limitações. Desta forma, Francisco pediu a um de seus companheiros que os chamasse. Isso me faz lembrar da ressurreição do Senhor. Quando os apóstolos receberam a notícia de que o túmulo estava vazio, Simão Pedro e João evangelista correram, mas João correu mais rápido. Pedro era mais velho, não tinha as mesmas forças físicas que o jovem João, mesmo assim Pedro era o líder, o escolhido pelo próprio Jesus. O Papa é o sumo pontífice da Igreja de Cristo, mas não faz tudo sozinho. Conta com a ajuda de diversos colaboradores no vaticano. Da mesma forma o ministro em nossas fraternidades franciscanas não pode querer fazer tudo sozinho, tem que saber dividir as tarefas e contar com a ajuda de todos os membros do conselho. Francisco de Assis sempre fraquinho, por ficar longos períodos de jejum, com sua saúde sempre fragilizada, não alcançou os dois frades, mas os abençoou de longe o que já foi o suficiente para deixá-los muito satisfeitos.

Em nossos dias, com toda a tecnologia que nós temos, podemos acompanhar em tempo real as catequeses do Papa, o ângelus e outras solenidades e receber a benção do Papa pela TV, pela rádio, pela internet e etc. Esta benção é válida? Nosso seráfico pai, Francisco de Assis abençoou os frades de longe traçando sobre eles o sinal da cruz. Quando o Papa nos abençoa lá do Vaticano, recebemos sim, a benção aqui no Brasil. Até mesmo quando vejo vídeos gravados, antigos, em que um sacerdote dá a benção, eu traço o sinal da cruz recebendo aquela benção. Benção não se desperdiça.

Os frades poderiam ter pensando que aquela benção não era válida, ou pensar que Francisco fez pouco caso deles abençoando de longe, mas pelo contrário, ficaram muito alegres, muito satisfeitos e foram embora louvando a Deus.

Espelhemos-nos nestes frades. Muitas vezes somos rápidos demais para mostrar nosso descontentamento e parece que nada nos satisfaz. E confiemos mais em Deus, pois Ele conhece nossos corações, nossas intenções e quando elas são puras, Deus não nos deixa sem resposta e nunca se esquece de nós.

Que assim seja. Amém.

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