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Como Francisco voltou de Roma para o vale de Espoleto

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Como Francisco voltou de Roma para o vale de Espoleto



Depois de visitar o túmulo de São Pedro, eles estão sem muita pressa voltando para casa. Alegres pela aprovação da Regra e conversando várias coisas sobre o caminho, para melhor definir como seria o modo de vida da nova ordem. Essas preocupações dos frades parecem não atingir Francisco. Nosso seráfico pai parece estar alheio a toda essa conversa, por não confiar na sua própria sabedoria e sim colocar em oração tudo nas mãos de Deus, pois sabia que a missão recebida era a de conquistar almas que satanás se empenhava em arrebatar. Coisas exteriores acabam ficando sem grande importância diante da dimensão daquilo que Deus havia sonhado em seu coração para a ordem.

Os frades menores eram uma ordem dos penitentes, uma ordem mendicante, que não produz coisa alguma. Não tem parada. Não tem morada fixa. E vive da providência divina. De doações. Dependendo da boa vontade das pessoas em ajudá-los. As ordens mendicantes eram muito comuns naquela época, mas havia algo de especial em Francisco e em seus companheiros para terem a regra aprovada pelo Papa.

Quando Jesus diz no evangelho: “As raposas têm tocas, as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”, isto é de uma profundidade tamanha que não podemos nos ater apenas a pobreza material, de não ter parança, mas precisamos entender que Jesus fala das três virtudes evangélicas. Da pobreza, da castidade e da obediência. Sim. As três virtudes, não só a pobreza. E isso Francisco certamente entendeu muito bem. O significado de não ter onde repousar a cabeça, e foi isso que ele quis para si e para a ordem. Diferente do trabalhador que ao fim do dia chega em sua casa e vai ser reconfortado pela esposa e filhos. O frade é um homem que por mais que viva em fraternidade, ele não tem onde repousar a cabeça, não tem uma companheira para dividir as angústias e felicidades do dia a dia, mas tem Nosso Senhor Jesus Cristo, o único em quem deposita toda a sua confiança. E claro que para conseguir viver a pobreza e a castidade é preciso amar a Santa Obediência e entregar a vida a Deus de forma totalmente oblativa, oferecendo-se em sacrifício agradável ao Senhor, na certeza de que será recompensado na vida eterna.

Tomas de Celano nos diz que os frades chegaram num lugar onde não havia povoado. Pra quem mendigar? Com quem contar num lugar ermo como aquele? Mas diz o texto das fontes franciscanas que: “Subitamente, porém, por graça de Deus, encontraram um homem com um pão. Lhes deu o pão e se foi”. Quiçá fosse o próprio Cristo que foi ao encontro deles para com eles partir o pão material que também se faz tão necessário para o sustento do corpo como o pão espiritual da eucaristia para o sustento da alma. Admirados, resolveram com ardor no coração abraçar definitivamente a pobreza, pois tinham a certeza de que quem está a serviço de Deus, por Ele nunca será esquecido.

Que assim seja.

Amém.

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