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Faça penitência de meditar com arrependimento nas ofensas feitas a Deus.

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Faça penitência de meditar com arrependimento nas ofensas feitas a Deus; a penitência de ser constante na prática do bem, a penitência de combater seus defeitos. (Padre Pio)



Padre Pio nos fala hoje sobre fazer penitência e nos mostra outros tipos de penitências possíveis. Mas em primeiro lugar, por que devemos fazer penitência? Você já percebeu que uma palavra que usamos para designar a cadeia, ou prisão, o lugar onde ficam detidas as pessoas que cometeram crimes neste mundo é penitenciária? Penitenciária é um lugar de pagar penitência. A palavra penitência indica uma pena imposta para pagar por um determinado erro.

Os atos mais comuns de penitência são os jejuns, orações, esmolas, vigílias e peregrinações. Devemos fazer penitência para pagar pelos nossos pecados. Quando você peca, se arrepende profundamente, faz o firme propósito de não pecar novamente e procura um sacerdote para se confessar, a Igreja perdoa o seu pecado, mas impõe uma penitência, um ato de reparação daquele erro cometido. E assim pagamos pela pena temporal. Se não pagarmos aqui nesta vida, fazendo penitências, deveremos pagar depois, no purgatório, o que de fato é muito pior.

Disse-nos Santo Tomás de Aquino que: “Sendo o pecado um ato desordenado, é evidente que todo o que peca, age contra alguma ordem. E é, portanto decorrência da própria ordem que seja humilhado. E essa humilhação é a pena” O catecismo da Igreja Católica quando nos fala sobre penitência diz que: “O quarto mandamento (‘Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja’) determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração”.

Somos chamados a fazer penitência sempre, mas a Igreja determina momentos específicos do ano litúrgico como dias de penitência. São eles: todas as sextas-feiras do ano. Isso mesmo, eu disse todas as sextas-feiras, a não ser que um solenidade caia na sexta, aí não, aí não precisa, nem se deve fazer penitência. E tem muita gente que achava que penitência era só pra sexta-feira Santa, não é mesmo? Enfim, todas as sextas-feiras do ano inteiro e o tempo da quaresma. Lembrando que durante a quaresma só não se faz penitência aos domingos, pois, afinal domingo é dia do Senhor, ou seja, todo domingo é Páscoa, todo domingo é um dia solene.

No tempo da Quaresma, por exemplo, a Igreja ensina e estimula o católico a praticar o jejum, a oração e a esmola. Essas três formas de penitência são um remédio para o combate das doenças espirituais, sendo que o jejum auxilia no combate à gula, a oração no combate ao orgulho e à soberba, e a esmola no combate à avareza. Quando falamos em jejuar na quaresma sempre surgem muitas dúvidas. Primeira: “qual a diferença entre jejum e abstinência?”.

Basicamente, jejuar é ficar sem comer nem beber nada. Sabemos que Jesus jejuou quarenta dias no deserto e que nosso seráfico pai, Francisco de Assis, também costumava fazer longos jejuns, não só ele, mas muitos outros santos também. A Igreja nos pede jejum em apenas dois dias, que são: a quarta-feira de Cinzas e a sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. No jejum, o fiel faz apenas uma refeição completa naquele dia e pode fazer até duas outras refeições parciais, mas não pode ficar comendo nos intervalos entre uma refeição e outra. Quem está obrigado a jejuar? Estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Mas, nós pais, devemos incentivar nossos filhos a jejuarem mesmo quando criança, pois isso só fará bem para a salvação deles. Principalmente após alcançarem a idade da razão aos sete anos. E já em relação à abstinência, a expressão abster-se significa privar-se, deixar de fazer alguma coisa.

A Igreja pede a abstinência de carne para todas as sextas-feiras do ano e para o tempo da quaresma. Lembrando que a única carne que está liberada é o peixe. Todas as outras são proibidas. E quem está obrigado à lei da abstinência são aqueles que tiverem completado catorze anos de idade. Mas o cânon diz que devemos observar a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos. Então haveria aí a possibilidade de fazermos abstinência de outro alimento que não a carne, embora eu ainda acredite que a carne por ser um alimento que demora mais tempo para ser digerida, e mata a fome por mais tempo, é o alimento ideal para nos abstermos.

Mas vejamos o que diz a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sobre esse cânon, já que ela teria autoridade para criar prescrições próprias sobre este assunto. A CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou comutar a carne por um outro alimento. Aí fica fácil demais não é mesmo? Não tem desculpa pra não fazer penitência. Ainda mais quando temos a plena consciência de o quanto a penitência faz bem para nós mesmos e ainda pode ser oferecida pelas almas do purgatório.

Mas padre Pio vai um pouco mais além, ele fala em penitência de meditar com arrependimento nas ofensas feitas a Deus. Será que quando deixamos de comer carne nas sextas-feiras ou na quaresma, nós não estamos apenas fazendo um ato mecânico? Apenas cumprindo um preceito? Padre Pio diz que devemos meditar, pensar sobre nossos erros, pensar sobre nossos pecados, e pensar com arrependimento. Chorar amargamente nossas culpas, por termos ofendido a Deus. E fazer o firme propósito de não mais fazer o mal, mas não só deixar de fazer o mal como fazer o bem, ou seja, a prática da caridade. Padre Pio chama de: a penitência de ser constante na prática do bem. Ser constante, não desistir, aconteça o que acontecer, fazer sempre o bem, pagar o mal com o bem, ser bom sempre, ser caridoso sempre.

E, por fim, padre Pio fala sobre a penitência de combater nossos defeitos. Como é difícil não é mesmo? É muito mais fácil dizer: “eu sou assim mesmo, quem gostar de mim tem que me aceitar como eu sou”, do que olhar no mais profundo do espelho da alma e reconhecer nossos defeitos, e não só reconhecê-los, mas combatê-los. Ir contra aquilo que parece que é a nossa natureza, mas de fato, não é, é uma natureza afetada pelo pecado, e tentar superar, tentar derrotar. É uma luta interior muito grande. Você lutando com você mesmo para ser uma pessoa melhor, para ser um ser humano todo de Deus.

Que assim seja.

Amém

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