A conversão é um processo e mentiroso é aquele que já se diz convertido

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Hoje em dia é muito comum vermos pessoas que se dizem convertidas. Eu era um bêbado, que vivia drogado, hoje estou curado, encontrei Jesus. Mas a conversão é um processo. Ninguém está convertido, nem o Papa. Estamos todos a caminho. A conversão é dolorosa e todos os dias enfrentamos o homem velho e temos que matar nossos desejos com mortificações para buscamos uma vida de santidade.

Nossos irmãos protestantes como não acreditam que ser santo é possível, que acreditam que no céu entraremos pecadores revestidos da graça de Deus, para eles basta aceitar Jesus, eu acho engraçado este termo, aceitar Jesus, e pronto, já estou convertido, mas a conversão é um processo e mentiroso é aquele que já se diz convertido

Bonita é a história da conversão de Frei Pacífico, que era um cantor mundano, cheio de seguidores, mas que ao conhecer São Francisco, mesmo sem saber de quem se tratava teve uma visão de espadas brilhantes em sua boca. E depois quando Francisco começou a pregar o evangelho foi ele atingido por uma espada que penetrou-lhe a alma fazendo que ele pedisse ao santo para entrar na ordem.

Quantas são as histórias de conversão. Podíamos citar aqui a história de São Paulo, de Santo Agostinho e tantos outros santos que andavam por caminhos obscuros até encontrarem a fé. Mas nada como falarmos sobre a nossa própria história de vida como testemunho. Emílio, eu vou narrar aqui um pouquinho sobre como se iniciou o meu processo de conversão e você fica a vontade pra interromper quando quiser ok? Hoje, com quase 40 anos eu aprendi a beber cerveja com moderação, ou melhor, a degustar cerveja. A ideia é beber menos para beber melhor. Não bebo cerveja industrial, somente artesanal e sempre em pequenas quantidades, mas eu era alcoólatra. Dá pra acreditar? Alcoólatra mesmo, doente. E bebia todos os dias. Mas no fim de semana era o ápice da bebedeira. Que começava na sexta à noite e ia emendando até domingo à noite. Passava o fim de semana inteiro inconsciente, sem saber quem eu era, só bebendo mais e mais e mais. E quantas vezes, por ter ficado tão bêbado, não tinha nem condições de ir trabalhar na segunda-feira e ligava para a empresa inventando que estava doente. Era casado na Igreja, embora meu casamento fosse nulo e eu ainda nem soubesse, mas jamais ia à missa. Era o ano de 2003 e eu já tinha pesadelos terríveis há alguns anos. Sonhava com o demônio que tentava me matar apertando-me o pescoço. Eram sonhos muito reais e acordava sempre angustiado. Minha esposa estava se bandeando paro lado do espiritismo e queria que eu fosse ao centro espírita receber um passe, pois segundo ela, eu era sensitivo. Minha mãe e irmã que frequentavam a renovação carismática católica, não permitiram que eu fosse ao centro espírita e me convidaram para ir ao grupo de oração. Comecei a participar timidamente. Minha irmã ensinou-me a oração de São Bento e todas as noites antes de dormir eu rezava. Dessa forma os pesadelos acabaram. Comecei a ir à missa aos sábados à noite, mas, devido ao meu problema com a bebida, muitas vezes ia à missa alcoolizado. Minha esposa me deixou. Trocou-me por outro homem e meu filho foi morar com eles.

Eu morava sozinho em uma quitinete e saía com muitas mulheres. Até que um dia me convidaram para ir num evento chamado dia de penitência, na cidade de Brusque. A princípio eu não queria ir. Resisti principalmente porque não sabia como iria ficar o domingo inteiro sem minha cervejinha, mas acabei indo. O evento era o dia inteiro. Quando chegou meio dia fui almoçar e tive muita vontade de tomar um chope, mas fiquei com vergonha por causa dos jovens que estavam almoçando perto de mim e também estavam no encontro. Ao chegar em casa despejei na pia da cozinha todas as minhas garrafas de vinho, uísque, cerveja e etc. Também me livrei de muitas outras coisas que eu tinha em casa que naquele momento me pareceram estar impedindo minha libertação. Este encontro em Brusque foi em 2004. De lá pra cá foram 12 anos vivendo como puritano, sem colocar uma gota de álcool na boca, mas foi um processo. Estou convertido? Definitivamente não.

Convertidos estaremos apenas no céu, mas acredito que foi um grande passo. A vida do homem na terra é mesmo uma batalha diária. Dia-a-dia caminhamos em busca de nossa conversão. Às vezes damos um passo na direção do Senhor, mas tem dias que damos passos para trás. O importante é não desistir. Continuar caminhando. Estar no caminho, como diz o Papa Francisco. Pois se erramos, Deus nos dá a oportunidade do arrependimento e da reconciliação através dos sacramentos. E se acertamos, não somos melhores do que ninguém. Somos servos inúteis que buscam nas dificuldades desta vida estar mais próximos do Senhor.

Que assim seja.

Amém.

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