A cura física está atrelada a uma cura espiritual

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Vamos nos recordar da mulher que tinha as mãos contraídas e foi curada por Francisco de Assis. Quando Jesus cura a sogra de Pedro, o evangelista nos diz que ela logo pôs-se a servi-los. Da mesma forma percebemos que esta mulher, ao ser curada, prepara para o Santo de Deus uma fogaça de queijo. Ou seja, a mulher coloca-se à serviço também. Imagine como esta mulher, uma dona de casa italiana, gostaria de preparar bolos e outras coisas com suas próprias mãos, mas era impedida pela doença! E a alegria que ela sentiu ao seu curada pelo Nosso Seráfico Pai, de forma a querer não só retribuir, presenteando-o com a fogaça, mas mostrar que agora era uma pessoa útil, que podia fazer as coisas com as próprias mãos sem mais depender de ninguém.

A cura física está atrelada a uma cura espiritual. E há uma tendência natural da pessoa que recebeu a cura voltar mais o coração para Deus. Na Igreja Católica não vamos ao encontro de Jesus buscando uma cura. Seguimos o ensinamento do mestre que diz: Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e tudo o mais lhe será acrescentado. Buscamos em primeiro lugar Jesus. Conhecê-lo, encontrá-lo. Imitá-lo. E as outras coisas vem em acréscimo. As curas, os milagres, os prodígios, os sinais que Jesus realiza em nossas vidas só acontecem por que já O encontramos, já O amamos e já sabemos que Ele é o Santíssimo Sacramento de nossas almas.

Nossos irmãos separados, das comunidades protestantes evangélicas, pentecostais e neo-pentecostais fazem uma grande propaganda em cima de milagres. Noite dos milagres. Noite das curas. E as pessoas vão a estes lugares para buscar um milagre e não para conhecer Jesus. Não para ouvir a boa nova e buscarem a conversão de sujeito. É triste também quando vemos isso em alguns movimentos dentro da própria Igreja Católica. Hoje a noite, missa de cura e libertação. Ora, toda missa é de cura. Toda missa é de libertação. Jesus Sacramentado é o remédio de imortalidade pelo qual somos salvos, curados e libertos de todos os males.

Durante a missa, no ofertório, colocamos sobre a patena todas as nossas enfermidades, todo nosso pecado, nossas misérias, nossas angústias e oferecemos em sacrifício agradável a Deus Pai, pelo Filho, na unidade do Espírito. Às vezes ouço pessoas dizerem: Hoje não vou a missa, pois não estou me sentindo bem. Ora, se não está sentindo-se bem, então é hora de ir a missa!! Se estamos fracos, abatidos, aí sim que devemos ir ao encontro de Jesus, mas não só nestes momentos. Também quando está tudo bem.

Vemos que São Francisco às vezes se recusava a realizar as curas. Mas qual o motivo pra isso? Em primeiro lugar a humildade de São Francisco. Ele sabia que Deus estava com ele. Ele sabia que se pedisse à Deus a cura para alguém, Deus não negaria. Mas, ele não queria aparecer. Não queria ser exaltado. E, além disso, não queria apenas curar o corpo sem curar a alma. Fazer milagres, curas e etc. sem que acontecesse uma verdadeira conversão para Deus. Aí está o sentido. Aí está o porquê de Francisco não ter ficado com a fogaça toda. Tomás de Celano narra que: “Bondoso, ele aceitou um pedaço e mandou que a mulher comesse o resto com a família”.

Francisco de Assis não aceitou um pedaço da fogaça por que estivesse com fome ou por que não resistisse ao sabor do bolo. Pelo contrário, sabemos que o Santo de Deus se mortificava. Fazia longos jejuns e tirava o sabor da comida misturando a ela água ou cinzas para assim suprimir e eliminar todo tipo de paixão terrena. Mas por bondade, pra não fazer desfeita como costumamos dizer, Francisco aceitou um pedaço.

Não como uma espécie de pagamento pela cura. De jeito nenhum. Isso nunca! De graça recebestes, de graça deveis dar. Mas nosso Angélico Pai aceita o pedaço do bolo como forma de entender que aquela mulher agora estava curada. Do corpo e da alma. E que agora estava colocando seus dons a serviço da Igreja.

Perceba caríssimo irmão que Francisco mandou que a mulher comesse o resto com a família. Qual o sentido disso? Você tem família mulher! Você tem marido e filhos. Vá servi-los! Esta é a sua primeira missão. Esta é a vocação que você recebeu de Deus.

Muitas vezes encontramos pessoas que depois do seu encontro pessoal com Jesus, depois de terem iniciado um processo de conversão, acham que se tornaram santos. Agora eu não peco mais. Agora eu vou passar o dia inteiro na igreja rezando. E acabam esquecendo-se de suas obrigações na vida em sociedade. No trabalho, na família. Principalmente na família. Às vezes aquela mulher piedosa que não sai de dentro da igreja, está sendo pedra de tropeço dentro do seu casamento. O marido que nunca encontra a mulher em casa, pois vive na barra da batina do padre, acaba desgostoso da vida indo para o boteco com os amigos. Por isso São Francisco diz: Tudo bem, fostes curada, já viestes aqui e me destes um pedaço do bolo de queijo. Que bom! Mas, agora vai pra casa. Vai comer o resto com a tua família. Vai cuidar deles. Não se esqueça deles. Que são o bem mais precioso que Deus te deu.

E agora quero convidar você, meu irmão, minha irmã, que já fez o seu encontro pessoal com Jesus. Que já está vivendo diariamente o seu processo de conversão. Com lutas, com tribulações, como co-redentores sofrendo na carne a beleza de carregar a cruz de cada dia. Você esposa, que dobra os joelhos dia e noite pela conversão do seu marido. Você marido que ora pela conversão da sua esposa. Vocês, pai e mãe, que colocam na patena, no altar da cruz, a conversão dos seus filhos. Não se esqueçam jamais. Não basta amar. É preciso que eles se sintam amados. E é através do teu amor, do teu carinho, da tua paciência, da tua dedicação e serviço, que as pessoas que te são queridas, vão se achegar ao Pai, por Jesus Cristo que com Ele vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

Que assim seja.

Amém.

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