parallax background

A vã satisfação leva à vaidade

Para consolar uma alma na sua dor, mostre-lhe todo o bem que ela ainda pode fazer.
6 de junho de 2017
#PE01 – Quem somos
7 de junho de 2017

Sabemos que nosso seráfico pai, Francisco de Assis era tão humilde ao ponto de não apreciar elogios e confessar-se pecador diante de todos para dessa forma evitar que o louvassem. Pessoas de todos os lugares costumavam ir a suas pregações. Queriam vê-lo e tocá-lo e isso é uma coisa muito comum em nossos dias também. Padres que fazem belíssimas pregações, que cantam, fazem shows para multidões e por mais que as intenções sejam retas, por mais que o fundamento seja a evangelização, sempre tem gente que acaba indo buscar o padre famoso e não Jesus. E isso precisa verdadeiramente ser mudado. Não podemos louvar os padres e sim a Deus. Ele é o único digno de todo louvor, de toda glória, agora e para sempre, pois do contrário, os pregadores, os padres, os músicos podem acabar se enchendo de vanglória e não obstante isso muitas vezes acontece.

Francisco queria evitar isso a todo custo. Certa vez quando as pessoas foram vê-lo em uma pregação de natal ele confessou ter usado banha em suas refeições durante a quaresma. Vocês acham que sou santo, dizia ele? Vieram aqui pra me ver? Pois saibam que usei banha em minha comida durante toda a quaresma. Parece uma coisa engraçada, mas Francisco levava muito a sério. Às vezes por causa de sua doença ele não podia fazer os jejuns rigorosos que gostaria, mas aquilo não o tornava menos santo. Porém nosso seráfico Pai ficava tão incomodado com isso que por menor que fosse sua falta ele a transformava em algo enorme e não se conformava até que tornasse público. Com igual fervor, se tinha alguma tentação de vanglória, confessava-o logo com simplicidade diante de todos. Quando certa vez encontrou uma velhinha pedindo esmolas e não tinha nada para lhe dar, deu a capa e sentiu-se bem com tal ato. Acredito que todos nós somos assim. Sentimos felicidade por fazer o bem. Diria que sentimos um calorzinho no coração, um conforto na alma quando ajudamos alguém. E isso é bom, mas frei Francisco viu como se fosse vanglória e correu confessar aos outros, pois para ele era uma vã satisfação que leva à vaidade.

São Paulo na primeira carta aos Coríntios, capítulo dez, versículo doze nos diz: “Quem está de pé, cuidado para que não caia”. E há muita gente que se acha convertida, que acha que é um super-herói e gosta de brincar de anjo. Somos todos humanos, todos fracos, todos falhos, todos propensos ao mal e ao pecado. E era isso que o poverello de Assis tentava explicar para as pessoas. Vocês olham pra mim e acham que sou santo, cuidado para não se decepcionarem, eu posso cair a qualquer momento, pois sou humano assim como vocês. E dizia ainda: “Não se deve louvar ninguém que ainda tem um fim incerto”.

Que assim seja.

Amém.

Os Cooperadores
Os Cooperadores
Apologética Católica pela Hermenêutica da Continuidade. Apostolado pertencente ao Centro de Estudos São Francisco de Sales, de Itajaí/SC.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *