A vã satisfação leva à vaidade

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Sabemos que nosso seráfico pai, Francisco de Assis era tão humilde ao ponto de não apreciar elogios e confessar-se pecador diante de todos para dessa forma evitar que o louvassem. Pessoas de todos os lugares costumavam ir a suas pregações. Queriam vê-lo e tocá-lo e isso é uma coisa muito comum em nossos dias também. Padres que fazem belíssimas pregações, que cantam, fazem shows para multidões e por mais que as intenções sejam retas, por mais que o fundamento seja a evangelização, sempre tem gente que acaba indo buscar o padre famoso e não Jesus. E isso precisa verdadeiramente ser mudado. Não podemos louvar os padres e sim a Deus. Ele é o único digno de todo louvor, de toda glória, agora e para sempre, pois do contrário, os pregadores, os padres, os músicos podem acabar se enchendo de vanglória e não obstante isso muitas vezes acontece.

Francisco queria evitar isso a todo custo. Certa vez quando as pessoas foram vê-lo em uma pregação de natal ele confessou ter usado banha em suas refeições durante a quaresma. Vocês acham que sou santo, dizia ele? Vieram aqui pra me ver? Pois saibam que usei banha em minha comida durante toda a quaresma. Parece uma coisa engraçada, mas Francisco levava muito a sério. Às vezes por causa de sua doença ele não podia fazer os jejuns rigorosos que gostaria, mas aquilo não o tornava menos santo. Porém nosso seráfico Pai ficava tão incomodado com isso que por menor que fosse sua falta ele a transformava em algo enorme e não se conformava até que tornasse público. Com igual fervor, se tinha alguma tentação de vanglória, confessava-o logo com simplicidade diante de todos. Quando certa vez encontrou uma velhinha pedindo esmolas e não tinha nada para lhe dar, deu a capa e sentiu-se bem com tal ato. Acredito que todos nós somos assim. Sentimos felicidade por fazer o bem. Diria que sentimos um calorzinho no coração, um conforto na alma quando ajudamos alguém. E isso é bom, mas frei Francisco viu como se fosse vanglória e correu confessar aos outros, pois para ele era uma vã satisfação que leva à vaidade.

São Paulo na primeira carta aos Coríntios, capítulo dez, versículo doze nos diz: “Quem está de pé, cuidado para que não caia”. E há muita gente que se acha convertida, que acha que é um super-herói e gosta de brincar de anjo. Somos todos humanos, todos fracos, todos falhos, todos propensos ao mal e ao pecado. E era isso que o poverello de Assis tentava explicar para as pessoas. Vocês olham pra mim e acham que sou santo, cuidado para não se decepcionarem, eu posso cair a qualquer momento, pois sou humano assim como vocês. E dizia ainda: “Não se deve louvar ninguém que ainda tem um fim incerto”.

Que assim seja.

Amém.

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