A vocação do pobrezinho de Assis era para a vida consagrada

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Hoje em dia é muito comum vermos pessoas idolatrarem o sexo. Parece que tudo na vida gira em torno do ato sexual.

Agora com o advento das redes sociais na internet, as pessoas postam muitas coisas relacionadas ao sexo como um tipo de autoafirmação. Como se fosse necessário dizer pra todo mundo que você é feliz porque é realizado sexualmente.

É uma carência afetiva tão grande que fazem qualquer coisa para chamar a atenção. E tudo tem sido visto como algo absolutamente normal. Mas não é normal! Repito: não é normal!

E aí me lembro daquela canção medíocre que dizia: consideramos justa toda forma de amor. O amor de fato pode ser considerado justo, mas será que toda manifestação sexual vem do amor?

Será que podemos afirmar que dois homens de fato se amam e por isso eles fazem sexo? Ou será que eles fazem sexo apenas por prazer e libertinagem e tentam justificar esse ato dizendo que é amor?

E no caso de duas mulheres? E no caso da pedofilia, zoofilia, necrofilia e assim por diante? E no caso de casais que apenas vivem juntos sem serem casados? Tudo é justificado por um pseudoamor?

E quanto as pessoas, casais católicos, casados, que receberam o sacramento do matrimônio, mas não estão abertos a vida? Simplesmente não querem filhos, como fica? Sexo é só prazer?

E o que falar das pessoas que resolveram viver sem sexo, viver uma vida consagrada em castidade, para a nossa sociedade certamente eles são considerados malucos, não é mesmo?

Nem todo mundo tem vocação para o matrimônio, alguns são chamados para o sacerdócio ou para a vida religiosa.

E quanto à São Francisco de Assis? Nós sabemos que na Igreja existem muitos santos e santas que foram casados. Francisco era jovem e rico, por que não casou?

O catecismo da Igreja Católica em seu número 2362 diz que: Os atos pelos quais os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro com alegria e gratidão. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer: Foi o próprio Criador Quem estabeleceu que, nesta função [da geração], os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal ao procurar este prazer e gozar dele. Aceitam o que o Criador lhes destinou. No entanto, devem saber manter-se dentro dos limites duma justa moderação.

A sexualidade humana sempre foi rodeada por muitos tabus não é mesmo? Mas não há mistério, não há segredo, é algo muito fácil de se entender. Sexo é bom, é saudável, é fonte de alegria e de prazer como diz o catecismo, desde que seja vivido dentro do casamento. Pois fora do casamento ele se torna algo desregrado, algo totalmente sem sentido, totalmente desconexo. O amor entre os esposos os faz se unirem intimamente e se entregarem um ao outro em uma relação aberta à procriação. O amor deve ser fecundo.

Desde a revolução sexual da década de 1960 e o advento da pílula e outros métodos anticoncepcionais como a camisinha, as pessoas vem se fechando à fecundidade. Não querem mais filhos, mas como disse o Papa Paulo VI, “Deus fez do casal humano a nascente da vida”. Deus quis precisar de nós. Se Deus nos quer fecundos, e nós nos fechamos à fecundidade usando métodos de barreira, estamos indo claramente contra a vontade de Deus. Claro que devemos viver uma paternidade responsável, mas existem os métodos naturais de controle de natalidade.

O fato é que as pessoas não casadas querem viver a sexualidade sem a responsabilidade. E o querem fazer cada vez mais cedo. Sempre digo aos meus alunos: “A fruta não deve ser colhida do pé antes de estar madura, do contrário vai dar uma imensa dor de barriga em quem a comer”. Você acha que está pronto para ter uma relação sexual então me diga: “Está pronto para ser pai? Está pronta para ser mãe?”. Se a resposta for negativa, então também não está pronto para ter relações sexuais. E é assim que eu interpreto determinada passagem da vida de São Francisco de Assis quando o demônio o tentou para a luxúria e todos os dias nós também somos tentados. Alguns de nós por causa de nossa fé, de nossas convicções, consegue continuar firme no propósito de amar a Deus sobre todas as coisas e fazer sempre a vontade dEle. Mas a nossa sociedade hedonista que é, para a obtenção de prazer fácil, usa as pessoas como objetos descartáveis e se ocorre uma gravidez indesejada, arranca a criança do ventre da mãe e a joga na lata do lixo, pois o governo a conta para se conseguir isso facilmente pelo SUS.

Nosso seráfico pai, Francisco, atirou-se nu na neve para vencer a tentação e fez sete bonecos de neve como nos conta Tomas de Celano. Colocou-os à sua frente e começou a dizer para si mesmo: “Esta é tua mulher, estes são teus filhos e filhas e teus criados, mas se te parecer difícil demais dedicar a tua vida a eles, a esta família, a esta mulher e a estes filhos, então é porque na verdade tens que servir somente a Deus”. São Francisco havia prometido a Deus uma vida de castidade plena. Todos nós somos convidados a viver a castidade, mas a forma como Francisco a escolheu foi o celibato, a entrega total a Deus. Por isso ele faz esta reflexão com os bonecos de neve.

A vocação do pobrezinho de Assis era para a vida consagrada, outros tem vocação para o sacerdócio, outros para o matrimônio, mas somente quem tem uma verdadeira vocação para o matrimônio, para construir uma família e oxalá uma numerosa família é que poderá gozar dos prazeres do sexo. Pois o sexo não é um brinquedo, não é uma diversão, um objeto fruto do hedonismo, mas sim uma benção de Deus que disse: “Crescei e multiplicai-vos”. Portanto, primeiro crescei. Primeiro buscai a maturidade suficiente. E quando ela chegar, vós fareis um pacto, uma aliança com Deus, que é o matrimônio. Um compromisso até a morte. Aí sim estareis preparados para ter relações sexuais e dar à Deus e à Sua Igreja muitos filhos e filhas.

Que assim seja.

Amém.

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