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	<title>Penitência &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<title>Penitência &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>Com que frequência os santos se confessavam?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2020 15:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Penitência]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Com-que-frequência-os-santos-se-confessavam.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Com que frequência os santos se confessavam" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Com-que-frequência-os-santos-se-confessavam.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Com-que-frequência-os-santos-se-confessavam-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Com-que-frequência-os-santos-se-confessavam-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Com-que-frequência-os-santos-se-confessavam-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Com-que-frequência-os-santos-se-confessavam-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>As almas mais santas são as que mais assiduamente frequentam o sacramento da Confissão. Pode-se crer que algumas já não cometem pecado leve consciente ou voluntário. Que matéria então têm para acusar tão assiduamente ? Não seria absurda a sua praxe? O assunto agora abordado tem certa afinidade com a questão das «imperfeições morais», que [&#8230;]</p>
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<p><em>As almas mais santas são as que mais assiduamente frequentam o sacramento da Confissão. Pode-se crer que algumas já não cometem pecado leve consciente ou voluntário. Que matéria então têm para acusar tão assiduamente ? Não seria absurda a sua praxe?</em></p>



<p>O assunto agora abordado tem certa afinidade com a questão das «imperfeições morais», que já foi considerada em «P. R.» 48/1961, qu 3 Trata-se, em última análise, de saber se de fato pode haver algum deslize moral que esteja isento de culpa e, por conseguinte, não seja de modo algum matéria do sacramento da Confissão.</p>



<p>Já no citado artigo de «P. R.» dissemos que a escolha voluntária de um ato menos perfeito em lugar de outro mais perfeito constitui pecado, desde que seja devida a covardia ou descaso. Pergunta-se agora se a omissão de um ato mais perfeito ou a prática de ato menos perfeito devem ser tidas como pecados, desde que o individuo proceda sem deliberar previamente ou de maneira inconsciente. Em outras palavras: a índole inconsciente, repentina, indeliberada, de uma atitude pode torná-la isenta de culpa?</p>



<p>Em resposta, observaremos os seguintes itens:</p>



<p>1) De maneira geral, é preciso precaver-se contra a tendência, assaz comum em nossos dias, a julgar que o pecado não existe ou, ao menos, é coisa rara; o homem moderno apresenta por vezes, frente ao pecado, uma consciência assaz embotada, como notava o Santo Padre Pio XII em uma de suas alocuções:</p>



<p>«Talvez hoje o grande pecado do mundo seja o fato de que os homens começaram a perder a noção do pecado» (Ao Congresso de Catequistas dos<strong>&nbsp;</strong><strong>EE.UU.i 26/X/1946;</strong>&nbsp;Atti e Discorsi di Pio XII, v.<strong>&nbsp;</strong><strong>VIII&nbsp;</strong>pág.<strong>&nbsp;398).</strong></p>



<p>Fazendo eco a estas palavras, o escritor francês E. Gilson dissertava sobre o desmoronamento da Moral em nossos dias nos seguintes termos: O que caracteriza nossa época não é a multiplicação dos pecadores, mas o desaparecimento do pecado» (cf «Documentation Catholique», 20/IV/1952, col. -457).</p>



<p>2) Em particular com referência aos movimentos da natureza ou da sensibilidade humana que antecedem qualquer deliberação da vontade e por isto parecem subtraídos à liberdade e à responsabilidade da pessoa, note-se:</p>



<p>A sensibilidade e suas tendências ou reações espontâneas são, sem dúvida, algo que o homem tem de comum com os animais irracionais e irresponsáveis. No homem, porém, a sensibilidade recebe uma dignidade própria pelo fato de pertencer a um ser racional e livre. Unida à razão, ela participa, de certo modo, da liberdade que caracteriza todo ser racional, de modo que até mesmo os movimentos espontâneos da natureza humana nem sempre são meramente «mecânicos», como se diz, nem sempre são algo de puramente biológico ou fisiológico, mas têm algo de racional, de livre, de responsável&#8230; Com outras palavras: existem atos indeliberados,<strong>&nbsp;</strong><strong>no</strong>&nbsp;homem, que são indeliberados por culpa do individuo, ou seja, porque este, cedendo a negligência, não empregou os possíveis esforços para implantar em si o pleno domínio da inteligência e da livre vontade que ele poderia e deveria implantar. O homem foi feito, sim, para estender progressivamente o império de sua vontade livre sobre as diversas atitudes de seu<strong>&nbsp;</strong><strong>comportamento</strong><strong>.</strong>&nbsp;Naturalmente, isto não quer dizer que possa chegar a evitar lodo e qualquer movimento espontâneo e indeliberado. Não. Sempre ficarão, em sua conduta, ímpetos e reações que os moralistas tacharão de irresponsáveis. Contudo quem ousaria afirmar que tal ou tal impulso está totalmente isento de responsabilidade (responsabilidade ao menos atenuada ou remota)? A indisciplina geral dos sentidos frente&nbsp;<strong>à</strong>&nbsp;razão não se<strong>&nbsp;</strong><strong>devem</strong><strong>,</strong>&nbsp;muitas vezes, a omissões e descuidos habituais da<strong>&nbsp;</strong><strong>nossa</strong>&nbsp;parte?<strong>&nbsp;</strong><strong>Os</strong>&nbsp;santos tiveram, e têm, a intuição de que, se houvessem correspondido mais fielmente à graça de Deus, teriam acalmado um pouco mais a sua natureza, evitando algumas de suas desregradas manifestações. É justamente essa tibieza ou lentidão habitual, mais ou menos voluntária e covarde, que os leva<strong>&nbsp;a</strong>&nbsp;afirmar a existência de pecados que outros cristãos, de consciência menos apurada ou lúcida, não chegam a perceber.</p>



<p>Não se poderia dizer que os santos, ao falar assim, exageram &#8230; Muito menos seria lícito asseverar que, ao acusarem tal ou tal falta aparentemente involuntária ou indeliberada, nada acusam de culpado e, por conseguinte, abusam do sacramento da Penitencia. — Pode haver, sim, casos de escrúpulos, perturbações nervosas, complexos de inferioridade doentios, etc.; contudo tais casos hão de ser comprovados, e não simplesmente pressupostos.</p>



<p>São estas as ideias que justificam o recurso e frequente dos santos ao sacramento da Confissão. Tal comportamento dos justos merece respeito, e não menosprezo, por parte de seus irmãos; a Deus e aos homens de Deus (principalmente àqueles que têm a graça de estado, os confessores) é que compete julgar as consciências, uma por uma individualmente.</p>



<p>A propósito vejam-se os textos em que Santo Tomás ensina que no homem a sensibilidade é “<em>rationalis per participationem</em>”, isto é, participa da dignidade da natureza intelectual e livre do homem: Suma Teológica I. II. qu. 46. a.4 e 6; qu. 56. a. 4; qu. 74, a. 3;<em> II/II</em> qu. 175, a. 2 ad 2. De Veritate qu. 25. a. 3 ad 3 e 4; De Malo qu. 7. a. 6.</p>
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		<title>Por que a absolvição perdoa a pena eterna mas não a pena temporal?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2020 16:09:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Penitência]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Por que a absolvição perdoa a pena eterna mas não a pena temporal" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Por que, ao recebermos a&#160;absolvição&#160;sacramental,&#160;temos perdoada a pena eterna, mas não a temporal? A pergunta tem sua base na vida civil; quando um juiz absolve um réu, o caso é encerrado; o delinqüente não tem de sofrer mais alguma pena. Então por que não se dá o mesmo entre o homem pecador e Deus? Eis [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Por que a absolvição perdoa a pena eterna mas não a pena temporal" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Por-que-a-absolvição-perdoa-a-pena-eterna-mas-não-a-pena-temporal-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p><em>Por que, ao recebermos a&nbsp;</em><strong><em>absolvição&nbsp;</em></strong><strong><em>sacramental,&nbsp;</em></strong><em>temos perdoada a pena eterna, mas não a temporal?</em></p>



<p>A pergunta tem sua base na vida civil; quando um juiz absolve um réu, o caso é encerrado; o delinqüente não tem de sofrer mais alguma pena. Então por que não se dá o mesmo entre o homem pecador e Deus?</p>



<p>Eis a resposta:</p>



<p>Todo ser humano traz em seu íntimo um conjunto de tendências desordenadas: egoísmo, cobiça do alheio, orgulho, vaidade,&nbsp;intemperança&#8230;&nbsp;Essas más tendências se&nbsp;exteriorizam&nbsp;em atos correspondentes ou em pecados. Quando o pecador realmente arrependido recebe a absolvição&nbsp;sacramental,&nbsp;ele volta à vida com Deus ou é eximido da separação definitiva que nós chamamos &#8220;inferno&#8221;. Todavia permanecem em seu coração as raízes do pecado, tanto que muito freqüentemente a pessoa absolvida volta a cometer o mesmo pecado do qual se arrependeu sinceramente.</p>



<p>Ora, somos chamados a ver Deus face-a-face na bem-aventurança celeste. Na presença de Deus não pode subsistir a mínima sombra de impureza. Daí, como diz o amigo, a necessidade de passar pela &#8220;pena temporal&#8221;. Esta expressão presta-se a mal-entendidos; pode sugerir que Deus, depois de absolver, ainda&nbsp;imponha&nbsp;um castigo. Isto é falso. &#8220;Pena temporal&#8221;, no caso, significa a tarefa de eliminar as raízes do pecado mediante a&nbsp;mortificação&nbsp;das paixões desregradas &#8211; o que é sempre doloroso; requer&nbsp;ascese&nbsp;na vida presente e, se esta não conseguir&nbsp;desarraigar&nbsp;toda impureza, é dada uma oportunidade ao pecador de se libertar do impuro no chamado &#8220;purgatório póstumo&#8221;. Este não é uma punição; antes é uma concessão da misericórdia divina para que a alma do cristão se liberte de tudo que ela tenha de desregrado mediante um arrependimento profundo ou radical. Esta purificação é dita &#8220;temporal&#8217;, porque ela tem um fim;&nbsp;a alma acaba por erradicar todas as más tendencias&nbsp;com&nbsp;que&nbsp;morreu&nbsp;a&nbsp;pessoa.</p>



<p>Usando&nbsp;uma imagem&nbsp;bíblica, diremos: se,&nbsp;quando Deus&nbsp;nos chamar para a&nbsp;ceia&nbsp;da vida eterna,&nbsp;não tivermos&nbsp;acabado de preparar&nbsp;nossa&nbsp;veste nupcial,&nbsp;deveremos fazê-lo&nbsp;no&nbsp;além;&nbsp;na&nbsp;verdade&nbsp;é que no&nbsp;além não há tempo como no aquém,&nbsp;mas&nbsp;há&nbsp;o evo, que é a&nbsp;duração&nbsp;de&nbsp;quem começou&nbsp;a existir, mas&nbsp;jamais morrerá&nbsp;(como se&nbsp;dá com&nbsp;a alma humana); o evo é&nbsp;também&nbsp;dito &#8220;o&nbsp;tempo&nbsp;psicológico&#8221;,&nbsp;pois&nbsp;consta de&nbsp;sucessivos atos&nbsp;do intelecto e da&nbsp;vontade&nbsp;do respectivo&nbsp;sujeito.</p>



<p>Para ilustrar a&nbsp;purificação&nbsp;póstuma, podemos recorrer a uma figura:&nbsp;um jovem&nbsp;motorista facilita no&nbsp;trânsito, cometendo pequenas transgressões,&nbsp;que&nbsp;não incomodam ninguém. Um belo dia, porém, é afetado por um acidente e deve ficar imobilizado durante semanas. Nesse período, ele repudia a leviandade do seu comportamento e nunca mais há de querer &#8220;brincar&#8221; com o trânsito, mesmo em casos de aparente pouca importância. -Assim quem vê seriamente o que é o pecado, horroriza-o e não volta a cometê-lo.</p>



<p>O pecado está profundamente arraigado em nós, e exige vigilância contínua para que não sejamos vencidos na luta em prol do encontro definitivo com Deus.</p>
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		<title>Há pecados imperdoáveis?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2020 20:58:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Penitência]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Há pecados imperdoáveis" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Que dizer dos textos da epístola aos Hebreus (6,4-6; 10,26-31; 12,16s) que parecem denegar todo perdão a certos pecadores? Não haverá realmente culpas tão graves que Deus não as queira mais perdoar? Antes do mais, eis os trechos de que se trata no cabeçalho acima: HEBREUS 6, 4 «Aqueles que foram uma vez iluminados, provaram o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Há pecados imperdoáveis" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p><em><em>Que dizer dos textos da epístola aos Hebreus (6,4-6; 10,26-31; 12,16s) que parecem denegar todo perdão a certos pecadores? Não haverá realmente culpas tão graves que Deus não as queira mais perdoar?</em></em></p>



<p>Antes do mais, eis os trechos de que se trata no cabeçalho acima:</p>



<p><strong>HEBREUS 6, 4</strong> «Aqueles que foram uma vez iluminados, provaram o dom celestial, se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 saborearam também a bela palavra de Deus e as maravilhas do mundo vindouro, 6 e, não obstante, caíram, é impossível renová-los outra vez para a penitência, pois crucificam por sua conta o Filho de Deus e O expõem publicamente à ignomínia».</p>



<p><strong>HEBREUS 10, 26</strong> «Se, depois de ter recebido e conhecido a verdade, a abandonarmos voluntariamente, já não nos restará sacrifício para expiar este pecado; 27 só teremos que esperar um juízo tremendo e o fogo ardente que deve devorar os rebeldes. 28 Se alguém transgride a lei de Moisés — e isto é provado com duas ou três testemunhas —, deve ser morto sem misericórdia (cf. Num 35, 30). 29 Quanto pior castigo então não julgais deverá merecer quem calcar aos pés o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, autor da graça ?! 30 Pois conhecemos aquele que disse: &#8216;Minha é a vingança; eu a exercerei&#8217; (Dt 32,35), e outra vez: &#8216;O Senhor julgará o seu povo&#8217; (SI 134, 14). É horrendo cair nas mãos de Deus vivo».</p>



<p><strong>HEBREUS 12, 16</strong> «Não haja entre vós algum sensual ou profanador como Esaú, que, por um prato de lentilhas, vendeu o seu direito de primogenitura. 17 Sabeis que, desejando ele em seguida receber a bênção de herdeiro, foi rejeitado e não pôde obter mudança de sentimentos, se bem que a tivesse procurado com lágrimas».</p>



<p>Os três textos acima, por sua aparente dureza, muito chamaram a atenção de leitores e comentadores cristãos, principalmente na antiguidade. No séc. III montanistas e novacianos abusavam de tais dizeres para negar pudessem ser perdoados alguns pecados graves, mormente os de apostasia, adultério e homicídio. A fim de evitar esta tese, certos cristãos tinham a epístola aos Hebreus na conta de não canônica ou não inspirada por Deus; em certas regiões, nem era lida em público. Dentre mesmo aqueles que admitiam a autoridade canônica de Hebr, houve exegetas que deram aos textos acima citados interpretações artificiais, pouco condizentes com as regras da sadia hermenêutica.</p>



<p>Nenhuma dessas atitudes pode ser sustentada&#8230; Visto que a epístola aos Hebreus pertence realmente ao patrimônio da Sagrada Escritura, ela tem o valor de autêntica Palavra de Deus e há de ser portadora de ensinamentos profundos e construtivos. Estes, porém, só se apreenderão devidamente caso se analise o texto sagrado à luz tanto da linguística antiga como dos demais escritos do Novo Testamento. É o que nos esforçaremos por fazer nas páginas seguintes, considerando sucessivamente cada uma das três passagens citadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>HEBREUS 6, 4-6</strong></h2>



<p>1. Tenha-se em vista a categoria de leitores aos quais se dirige o hagiógrafo: eram judeus convertidos à fé cristã que atravessavam uma crise religiosa. No início de Hebr c. 6 (vv. 1-3), o Apóstolo diz que não voltará a ensinar os rudimentos da catequese, pois a iniciação na fé e na vida cristã deve ser algo de definitivo, algo que cada fiel percorre uma vez por todas e não repete. E, para provar que não se repete a iniciação, o autor nos vv. 4-6 considera o caso daqueles que apostataram da fé e, por conseguinte, parecem precisar de nova catequese: estes, diz ele, de modo nenhum se beneficiariam de mais uma catequese, pois a sua situação é irremediável !&#8230;</p>



<p>2. É justamente aqui que surge o problema: porque irremediável? Será por que o Senhor não perdoa, não dá aos apóstatas a graça de voltarem à fé e ao amor de Deus? Ou será talvez porque os próprios apóstatas estão de todo insensíveis à graça do Senhor? Ademais, será a situação irremediável de maneira absoluta ou admitirá exceções?</p>



<p>Eis como se delineia a resposta do hagiógrafo:</p>



<p>a) nos vv. 4-5 ele focaliza cristãos que receberam grandes graças e fizeram uma experiência consciente e profunda do que é o Cristianismo.</p>



<p>Quatro são os favores divinos que o autor sagrado se compraz em enunciar, de antemão visando chamar a atenção dos leitores para a gravidade da apostasia:</p>



<p>«<strong>Iluminados</strong>». O verbo «iluminar», photizein, no Novo Testamento refere-se geralmente à luz da verdade e da salvação que Jesus veio trazer ao mundo mergulhado nas trevas do erro (cf. Ef 1,18; 2,9; 2 Tim 5,10; Jo 1,9). Dessa luz os homens participam mediante a fé. A fé, por sua vez, está intimamente associada ao sacramento do batismo, que, por isto, na antiga Igreja era chamado phottsmós ou «iluminação». Em Hebr 6,4, o hagiógrafo parece ter em vista simultaneamente as graças da fé e do batismo.</p>



<p>«<strong>Provaram o dom celestial</strong>». À metáfora da luz sucede-se a do alimento. Alguns comentadores julgam tratar-se aqui da S. Eucaristia. Outros, mais acertadamente, entendem o conjunto dos benefícios messiânicos, ou seja, a vida de filhos de Deus que Cristo trouxe aos homens e da qual um dos mais ricos elementos é, sem dúvida, a S. Eucaristia.</p>



<p>«<strong>Tornaram-se participantes do Espírito Santo</strong>». É assim designada não somente a graça dos sacramentos, mas também a multiplicidade de carismas ou dons extraordinários (profecias, línguas, curas&#8230;) com que frequentemente eram agraciados os cristãos antigos (cf. 1 Cor 12-14).</p>



<p>«<strong>Saborearam a bela palavra de Deus e as maravilhas do mundo vindouro</strong>». A «bela palavra» é a Boa Nova do Evangelho, que desperta nos fiéis o sabor da vida eterna (cf. Zac 1,13: a Palavra de Deus é Palavra boa e consoladora). «As maravilhas (literalmente: as potências) do mundo vindouro» não equivalem propriamente à vida póstuma celeste, mas, por já serem saboreadas na terra, são as energias sobrenaturais que inauguram o Reino de Deus em cada alma justa, Reino que vai desabrochando lentamente dentro do cristão e estará consumado na vida futura.</p>



<p>b) Após descrever tão eloquentemente a riqueza sobrenatural que Deus outorga a seus amigos, no início do v. 6 o autor sagrado admite uma hipótese muito misteriosa, mas bem comprovada pela realidade: imaginemos que um desses amigos do Senhor, apesar das suaves experiências anteriores, venha a cair para o lado ou para fora&#8230; (o texto grego não diz apenas piptein, cair, mas parapiptein, cair para o lado ou para fora), isto é, venha a sair da trilha da fé e da vida cristã, abandonando tudo de maneira consciente e voluntária&#8230;, voltando-se diretamente, face a face, contra Deus Pai, contra Cristo e contra o Espírito Santo. Trata-se, sem dúvida, de uma falta muito grave, comparável ao pecado contra o Espírito Santo, que é o pecado de endurecimento, de obstinação deliberada no erro, com desprezo formal das graças e dos apelos de Deus para a conversão (cf. Mt 12,31s e «P. R.» 12/1958<sub>t</sub> qu. 2).</p>



<p>c) Pois bem; a esses tais (prossegue o autor sagrado no v. 6) é impossível <strong>renová-los de novo para a penitência</strong>&#8230; Esta expressão (redundante, sem dúvida) significa a volta à fé e ao amor de Deus. A conversão para tais apóstatas vem a ser impossível, a menos que Deus queira intervir de maneira extraordinária (coisa que não se pode supor nem prever de antemão); humanamente falando, a reconciliação de tais pecadores não é viável, porque se fecham numa atitude radicalmente contraditória ao chamado e à graça de Deus. Note-se bem que o que o escritor sagrado declara impossível não é o perdão da parte de Deus, mas o arrependimento da parte do pecador; caso este quisesse voltar ao Senhor, seria, por certo, recebido e agraciado, como o filho pródigo (cf. Lc 15,20-24); nas relações de Deus com o homem, portanto, Deus jamais se nega ou se fecha; é, antes, o homem quem se subtrai, com detrimento para si mesmo.</p>



<p>d) Corroborando a sua afirmação, o escritor sagrado, na terceira parte do v. 6, salienta dois aspectos da revolta ou da ingratidão do pecador: aos quatro grandes dons de Deus, este responde «<strong>crucificando</strong>&nbsp;por sua iniciativa o Filho de Deus e expondo-o à burla pública».</p>



<p>Que querem dizer tais expressões ?</p>



<p>«<strong>Crucificam o Filho de Deus</strong>»&#8230; O apóstata imita os judeus infiéis: rejeita Cristo, declara-O impostor, falso Messias, condena-O à cruz e como que aí O prega com suas próprias mãos; o escritor sagrado realça bem essa iniciativa pessoal do pecador ou esses seus sentimentos contrários a Cristo: «&#8230; por sua conta, na medida em que está em seu poder», diz ele. — Assim (mencione-se de passagem) vê-se que a Paixão do Senhor não constitui mero acontecimento passado, mas é um drama que se vai desdobrando no decorrer dos séculos, pois todo homem, em última análise, ou se coloca do lado de Cristo e é crucificado com Ele (cf. Gál 2,19; 4,19) ou toma posição do lado oposto, com os carrascos, reproduzindo então a atitude de quem crucifica o Cristo.</p>



<p>«<strong>Expõem o Filho de Deus à burla pública</strong>»&#8230; Renegar abertamente a Cristo, abandonar a fé são atitudes que o hagiógrafo compara com a dos soldados que escarneceram o Senhor (cf. Mt 26,67 ; 27,38-43); o apóstata é alguém que despreza a Deus.</p>



<p>Os comentadores observam significativa particularidade do texto grego: os verbos «crucificar» e «expor à burla» estão no particípio presente, ao passo que «cair para o lado» se acha no particípio «aoristo» (com significado de pretérito). A mudança de tempos indica bem que a queda ou o ato de apostasia é algo de transitório (aoristo), transitório, porém, que dá origem a um estado de crime ou de revolta permanente (sempre presente) no coração do pecador.</p>



<p>Deve-se notar outrossim a construção da sentença grega que constitui os versículos 6, 4-6 de Hebr: é dominada por duas expressões: adynaton, «impossível», logo no limiar da frase, e purapésontas, «tendo Caído», no meio da mesma. «Do ponto de vista literário, todos os comentadores, desde S. João Crisóstomo (+407), chamam a atenção para o caráter particularmente enérgico de adynaton colocado no início da frase» (Spicq, L/Epitre aux Héhreux II. Paris 1953, 149). Quanto ao particípio «tendo caído», ele se segue à enumeração de quatro dons de Deus; é uma expressão breve que interrompe bruscamente o ritmo da frase solene e harmoniosa; dá assim a impressão de um choque brutal, de uma queda, que significa, no caso, a apostasia ou o abandono total da fé. Toda a passagem é destarte enfática: ela afirma a impossibilidade — existente da parte do homem, não da parte de Deus — de que um pecador&nbsp;deliberadamente obstinado no vício se converta ao Senhor. Seja lícito, porém, repetir: mesmo neste último caso, de acordo com a mensagem geral do Novo Testamento, resta a possibilidade de que Deus tome diretamente a iniciativa de modificar o estado de espírito do apóstata, dando-lhe luz e força especiais para que se salve. A Deus é possível mesmo aquilo que, do&nbsp;ponto&nbsp;de vista humano, é impossível, lembra Jesus no Evangelho (cf. Mt 19,26; Mc 10,27; Lc 1827).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>HEBREUS 10, 26-31</strong></h2>



<p>Esta passagem enuncia as mesmas verdades que as do c. 6,4-6. Acrescenta apenas uma comparação com o regime de salvação do Antigo Testamento, a fim de corroborar a admoestação aos leitores. Aqui procuraremos sublinhar um ou outro tópico da secção 10,26-31 que comprove quanto acabamos de dizer.</p>



<p>No v. 26 o hagiógrafo acentua fortemente o caráter voluntário e plenamente deliberado das faltas que ele focaliza; logo no início do v. 26 está o advérbio «voluntariamente» (ekousioos). Trata-se de faltas contra a luz ou contra a evidência da verdade, contra a Palavra de Vida que cada cristão abraça quando é «iluminado» ou chamado à vida cristã. O hagiógrafo supõe que tais faltas cometidas com toda a advertência sejam pertinazmente reafirmadas pelo pecador; este se fecha então numa atitude de resistência habitual à graça de modo nenhum quer mudar de disposições e render-se à luz (é o que sugere o particípio presente amartanontoon, em vez do aoristo amartontoon).</p>



<p>As consequências práticas desse estado são logo enunciadas pelo autor sagrado: o sacrifício de Cristo, que por si é apto a expiar toda e qualquer culpa, não pode ser aplicado a tal pecador, justamente pelo fato de que este não o quer; não é a gravidade das faltas materialmente consideradas (assassínio, furto, adultério&#8230;) que fecha a via à reconciliação, mas é unicamente a atitude negativa em que se obstina a alma; Deus não lhe força a liberdade de arbítrio; não obriga criatura alguma a se converter.</p>



<p>Endurecendo-se no mal, acrescenta o hagiógrafo no v. 27, o pecador vai experimentando já aqui na terra o terrível tormento de ter abandonado a Deus, tormento que chegará ao auge na vida póstuma ou no inferno, onde não haverá os paliativos ilusórios que as criaturas oferecem neste mundo.</p>



<p>O texto sagrado menciona «fogo ardente que deve devorar os rebeldes». Não se entenda tal fogo estritamente à semelhança do que se vê sobre a terra; já em «P.R.» 3/1957, qu. 5 dissemos que a pena primária do inferno é a «pena de condenação», ou seja, a tremenda dilaceração que as almas dos réprobos experimentam por se perceberem inelutavelmente feitas para Deus, mas, não obstante, incompatibilizadas com esse Supremo Bem por livre alvitre da sua vontade. À pena de condenação sobrevém a chamada «pena dos sentidos», ou seja, a ação de um agente corpóreo, dito «fogo», sobre os réprobos, os quais, pecando, abusaram das criaturas corpóreas. Ulteriores explicações se encontram no citado artigo de «P. R.».</p>



<p>Os vv 28-31 se referem a textos do Antigo Testamento que inculcam, em termos aparentemente indignos de Deus («vingança, sem misericórdia, coisa horrenda»&#8230;), a intervenção do Senhor na punição do pecado. O teor veemente desses dizeres não deve surpreender o leitor: a Bíblia e, no nosso caso, o autor da epístola aos Hebreus, utilizam a linguagem rude dos judeus antigos para dizer verdades grandiosas e perenes. Deus é perfeitíssimo; por isto é justo e, como tal, reprime a injustiça ou o pecado; nunca, porém, deixa de ser Pai bondoso, mesmo quando inflige a devida sanção ao pecado; diante dos juízos do Altíssimo compete à mente humana, limitada como é, uma atitude de entrega confiante, e não de arrogância crítica e de suspeita. Estejamos certos de que, se a criatura tem o senso da justiça, o Criador o tem infinitamente mais apurado.</p>



<p>Consequentemente, dir-se-á que, mesmo nos casos de endurecimento do pecador no mal, a Onipotência Divina possui recursos para o abalar. Já, porém, que tais recursos são extraordinários, ficando fora das vias normais da Providência, a ninguém é licito contar certeiramente com tais meios, pois isto equivaleria ao que se chama «tentar a Deus».</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>HEBREUS<em><strong><em> </em></strong></em>12, 16s</strong></h2>



<p>No v. 16 o autor sagrado, desejando dissuadir os leitores de toda mancha de pecado, cita o caso de Esaú, o qual vendeu por um prato de lentilhas seus direitos de primogênito ou de herdeiro das bênçãos messiânicas; destarte tornou-se desprezador dos preciosos dons que Deus lhe outorgara.</p>



<p>A consequência deste gesto vem exposta no v. 17, texto cujo significado é controvertido pelos exegetas.</p>



<p>Uma corrente numerosa de autores antigos, medievais e modernos julga que o escritor sagrado aludia à penitência de Esaú; este não terá podido conceber verdadeira penitência apesar das suas lágrimas, pois os seus sentimentos não terão sido puros.</p>



<p>Outra sentença, porém, afirma que o hagiógrafo tem em vista a retratação de Isaque. Esaú, arrependido de sua venda interesseira, terá pedido a seu pai, Isaque, retratasse a maldição que merecera, e lhe desse a bênção. Não obteve, porém, retratação, ficando consequentemente excluído da plenitude das bênçãos messiânicas. Este modo de entender o texto é preferível ao anterior, pois respeita melhor a oposição, certamente intencionada pelo hagiógrafo, entre «desejar» e «não conseguir»; parece necessário deixar a estes dois verbos o mesmo objetivo : Esaú desejou, mas não obteve, a retratação da maldição que seu pai lhe infligira.</p>



<p>Contudo, qualquer que seja a interpretação dada ao texto bíblico, seu ensinamento para os cristãos fica sendo sempre o mesmo, a saber: caso os discípulos de Cristo renunciem, como Esaú, aos seus títulos de herdeiros do Pai Celeste e do reino messiânico, arriscam-se a cair numa situação irreparável. Irreparável, sim, no sentido que expusemos ao analisar Hebr 6,4-6 e 10, 26-31: a situação será, humanamente falando, insolúvel; não será, porém, desesperada aos olhos da Onipotência Divina.</p>



<p>Eis o que se pode apurar sobre a pretensa irremissibilidade de pecados na epístola aos Hebreus. Como se vê, só há um obstáculo real ao perdão das culpas humanas: é a recusa que o pecador possa opor à Misericórdia de Deus; desde, porém, que a criatura a deseje com sinceridade, passa a usufruir da Liberalidade das graças do Salvador. É, aliás, neste mesmo sentido que se devem compreender as passagens sobre o pecado contra o Espírito Santo e sobre o pecado para a morte (cf. 1 Jo 5,16s).</p>
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