Aviso do Papa Francisco para tempos de coronavírus: Cuidado com o “veneno” da preguiça e da reclamação

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(Catholic Herald. Traduzido por Gabriel Gomes) O Papa Francisco alertou os cristãos a evitarem viver em uma “neblina” de tristeza, acídia, e reclamação, ao invés de alegrarem-se pela cura espiritual que receberam de Cristo.

Existem “muitos cristãos que vivem em um estado de acídia, incapazes de fazer nada além de reclamar de tudo,” disse o Papa na Missa da Capela de Santa Marta, no dia 24. 

“A acídia é um veneno, é uma neblina que cerca a alma e não a deixa viver,” ele continuou. “Também é uma droga, porque se você a prova muitas vezes, você acaba gostando. E termina como um dependente da tristeza e da acídia;”

Francisco acrescentou que a acídia é “muito comum entre nós,” algo que o diabo “pode usar para aniquilar nossa vida espiritual, bem como nossa vida como pessoas.”

Ele impeliu as pessoas a refletirem na água curadora dos seus batismos, pela qual Cristo deu-lhes nova vida, e pela qual eles encontraram salvação. 

Francisco rezou nesta terça-feira (24) de maneira particular pelos médicos e padres que morreram de coronavírus depois de tratarem ou visitarem os doentes.

“Eu fiquei sabendo que alguns médicos e padres faleceram nos últimos dias, não sei se enfermeiras também morreram,” disse o Papa no dia 24 de março.

“Nós rezamos por eles, por suas famílias, e eu agradeço a Deus pelo exemplo de heroísmo que eles nos deram ao cuidarem dos doentes,” ele acrescentou. 

Em sua homília, o Papa Francisco refletiu na história da cura do homem que estava doente por 38 anos, por Jesus, como descrita no Evangelho de São João.

Quando Jesus pergunta ao enfermo se ele quer curar-se, ele responde reclamando dos outros e da sua situação, disse o Papa. 

“Isso nos leva a pensar sobre a atitude desse homem,” frisou Francisco. Ele podia ser um paralítico, mas ele também estava “doente no coração, enfermo na alma, padecendo pelo pessimismo, pela tristeza e pela acídia.”

Francisco explicou que a enfermidade do homem não era o seu pecado, o seu pecado era “reclamar da vida dos outros: o pecado da tristeza que é a semente do demônio, daquela inabilidade de tomar uma decisão sobre a sua própria vida.”

“Sim, olhar a vida dos outros para reclamar. Não para criticá-los: para reclamar. ‘Eles vão primeiro, eu sou uma vítima dessa vida,” disse Sua Santidade.

O Papa Francisco nota que o cego curado por Jesus no Evangelho do último domingo respondeu de uma maneira diferente: ele respondeu com “muita alegria.”

Ele recomendou que as pessoas leiam o capítulo 5 do Evangelho de São João para verem a doença espiritual em que podem estar caindo. 

“Jesus curou-me: vocês não veem a reação dos outros que foram curados, que pegam suas macas, dançam, cantam, dão glórias, espalhando o acontecimento pelo mundo todo?” ele disse. 

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