Breve comentário sobre as suspensões das Missas por conta do coronavírus

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Uma nova peste assusta a humanidade: coronavírus é o nome do agente causador da referida. Casos e mais casos de contágios e óbitos vem sendo confirmados pela mídia, o que tem causado pânico em parte das pessoas mundo afora. Muitas, por sinal, já se encontram em quarentena, com direito a estoques de supermercados armazenados nas despensas. Ao que parece, há uma união internacional formada para combater o tal vírus, união essa entre órgãos governamentais, empresas, associações e demais setores. Não sendo diferente, a Igreja Católica também tem tomado atitudes para impedir contágios, visto que a maior vulnerabilidade se encontra em grupos de crianças e idosos. 

Mas o que tem assustado muitos fiéis são certas medidas que, em primeiro momento, podem parecer precaução e cuidado com a saúde do próximo, o que as aproximariam da caridade cristã, que visa a preservação da vida e da saúde do irmão, pois o Cristo nele habita. Contudo, o medo ocasionado pelo coronavírus tem feito o que nunca se ouviu dizer que aconteceu durante a peste negra medieval: Igrejas fechadas, Santas Missas e confissões suspensas por medo de qualquer propagação da doença.

Aqui é necessário ponderar sobre dois aspectos: não se está criticando a prudência com que o assunto é tratado, pois as ações de via sobrenatural (Santa Missa e os demais sacramentos) não obstam os cuidados a serem tomados por via natural (higienização das mãos com álcool gel, evitar aperto de mãos), mas, ao mesmo tempo, o natural não deve obstar o sobrenatural. Assim, causa estranhamento que tantos cuidados sejam tomados humanamente, ao passo que orações públicas entre os fiéis estejam suspensas.

Como exemplo, cita-se o Vaticano, que anunciou que neste ano, as celebrações da Semana Santa acontecerão sem a presença dos fiéis. Já no Brasil, a justiça decretou a suspensão de todas as Missas públicas e celebrações no Santuário Nacional de Aparecida, mas a visita, por parte dos fiéis, no caso do Santuário Nacional, continua liberada. Até o momento, todavia, não se ouviu dizer que houve sanções por parte do poder público a outros grupos religiosos, tal como protestantes (que também possuem templos cuja aglomeração de pessoas é considerável), e, assim, espera-se que haja manifestação também sobre esses aglomerados, senão, caso contrário, parecerá que são dois pesos e duas medidas para os católicos.

Por graça de Deus, cada diocese, por meio de seus respectivos bispos, já tem tomado as atitudes para evitar o contágio (alguns com a medida um tanto controversa de que a recepção da comunhão deva ser somente na mão), ou seja, nota-se sim cautela por parte da Igreja. Porém, rezemos para que nossos pastores não caiam no erro de dispensar as orações, sobretudo o Santo Sacrifício Eucarístico, a fim de que tão logo esse terror passe, permanecendo somente na memória. A oração é imprescindível para alcançar a graça da saúde e da proteção contra as pragas, e, sem ela, mesmo com todos os meios de proteção, como subsistirá o homem se Deus não se compadecer dele? 

Em suma, o coronavírus é um perigo, e tanto a ciência quanto a fé podem auxiliar no combate. Mas o maior perigo é a perdição da alma, e, contra essa, somente os sacramentos são eficazes. Que não se perca a fé no Senhor e na sua santa presença Eucarística, pois, sem esse ato de fé, não será possível passar pela atual turbulência. Que Jesus tenha misericórdia de seu povo, e que os anjos venham ao auxílio do povo de Deus!


  1. https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/15/vaticano-anuncia-que-celebracoes-da-semana-santa-serao-realizadas-sem-fieis-na-praca-sao-pedro.ghtml
  2. https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2020/03/14/justica-suspende-missas-no-santuario-nacional-de-aparecida-por-causa-do-coronavirus-sp.ghtml

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