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Cantar a missa

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Certo dia o santo de Deus fez um pedido um tanto incomum a um frade. Sabendo que o frade antes de sua conversão era músico, pediu para que tocasse alguma música agradável aos ouvidos, que se diferenciasse das músicas do mundo, mas que confortasse e desse alívio ao irmão corpo cheio de dores. Estranho ver Francisco preocupado com o irmão corpo, mas será que de fato era isso? Ou havia outra intenção no pedido de nosso seráfico pai? Francisco explica ao frade que originalmente os instrumentos musicais foram criados para o louvor a Deus, mas que com o tempo foram se desvirtuando e passaram somente a ser utilizados para agradar o ouvido humano.

No antigo testamento encontramos o livro dos salmos. Cento e cinquenta salmos e pelo menos metade deles foram compostos pelo Rei Davi. Os salmos são louvores que eram cantados acompanhados ao som da cítara suave, mas também com tambores e outros instrumentos, por isso na missa não convém ler o salmo, mas cantá-lo.

Mesmo assim, o frade se recusa a tocar, argumentando que aquilo era algo que o fazia recordar sua vida de pecado e as pessoas ao verem-no tocar poderiam imaginar que ele deu um passo para trás em sua conversão. Não que nós devamos estar o tempo todo preocupados com o que as pessoas vão pensar de nós, mas de certa forma o frade estava certo. Temos uma reputação a zelar. Não podemos fazer coisas que possam se tornar motivo de escândalo para os irmãos. Por isso eu sempre falo sobre as redes sociais na internet. São úteis, podem e devem ser usadas para a evangelização, mas, às vezes, corremos o risco de ao curtir ou compartilhar determinadas coisas acabarmos sendo ocasião de queda para outrem. Francisco concordou com o frade ao dizer: “Então vamos esquecer isso, irmão. Há muitas coisas que é melhor deixar de fazer para não ferir a boa fama”, e foi dormir.

Eu gostaria de meditar um pouco sobre o que disse São Francisco: “A má inclinação dos homens passou a usar os instrumentos de música, destinados antigamente aos louvores divinos, só para agradar os ouvidos”. Em que o homem, ser racional, transformou a música? Se viajarmos pela história da música, passaremos por peças tão belas, coisas tão lindas e eu nem estou falando da música sacra, me refiro apenas a música profana mesmo, mas hoje em dia é só um pancadão com letras obcenas. Sem querer me alongar citando os clássicos: Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Wagner, Strauss entre outros, mas focando um pouco aqui na música brasileira, a nossa música já foi aclamada no exterior como sendo de grande qualidade e hoje nossa juventude ouve apenas lixo. Uma poluição musical que só pode ter vindo dos confins do inferno.

E o que aconteceu com o gregoriano? Com a música sacra? Com a música da missa? Aquela música que nos levava para bem pertinho de Deus. Foi substituída por guitarras elétricas, contrabaixo e bateria? Pra quê meu Deus? Pra quê? Existe uma grande diferença entre música sacra e música religiosa. Musica religiosa você escuta na sua casa, no seu trabalho, no seu carro, mas música sacra é a música da missa. Não se deve cantar na missa como a gente ouve o povo dizer, isso é errado. Devemos cantar a missa. Com cada canto adequado ao respectivo momento litúrgico.

Também não há espaço para a dança na liturgia como vemos em tantas e tantas igrejas aqui no Brasil, transformando a celebração eucarística em um terreiro de candomblé. Não! Chega! Tá na hora de parar! Tá na hora de voltar o coração para Deus. Para as coisas do alto. Deus deve ser o centro e não o homem. Precisamos voltar-nos para o transcendental. Os ministérios de música estão perdendo totalmente a noção do sagrado, e pior, os padres são coniventes.

Cantam músicas tão ridículas que chega a ser engraçado. Você vai para o santo sacrifício da missa para mergulhar no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor, mas às vezes perde a concentração por causa da música. É preferível deixar sem música do que tocar canções em ritmo de forró, de baião, de sertanejo, entre outros. Desculpem-me, mas eu não consigo entender, como é possível pedir perdão dançando, como estou cansado de ver em nossas igrejas. Isso é uma paganização do cristianismo! Ao invés de converter as pessoas usando os instrumentos musicais para verdadeiramente louvar a Deus, usam ritmos mundanos para atrair as pessoas que acabam acreditando que é tudo a mesma coisa. Que tanto faz ir para o baile funk ou para a missa, as músicas que são tocadas são as mesmas. Tanto faz ir para o pagode ou para a missa, as músicas que são tocadas são as mesmas. Tanto faz ir para o show de rock ou para a missa, as músicas que são tocadas são as mesmas.

Era disso que aquele frade tinha medo. No passado ele tocava música mundanas e abandou a cítara desde que se converteu e entrou para a ordem dos frades menores. Ele foi radical. Poderia sim ter atendido ao pedido de São Francisco e tocado uma canção de louvor, mas preferiu não arriscar. Preferiu afastar a tentação. Mas Deus em sua infinita bondade, naquela noite, enviou um anjo para tocar uma linda melodia para nosso seráfico Pai.

Que assim seja.

Amém.

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