Cardeal Burke critica ‘distorção’ dos sacramentos durante pandemia

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(LifeSiteNews. Traduzido por Petter Martins) “Distorções” dos sacramentos que ocorreram durante a quarentena, e que continuam ocorrendo com as aberturas das igrejas, podem resultar em católicos perdendo o senso do sagrado, diz o cardeal Raymond Burke.

O sagrado, no sentido mais alto, no sentido que vemos e experimentamos, o sagrado é o próprio Cristo em nosso meio, agindo para nos santificar“, disse ele a Thomas McKenna, da Catholic Action for Faith and Family, em uma entrevista em 24 de maio.

Por meio dos sacramentos Cristo age “para perdoar nossos pecados, para nos fortalecer com o dom de seu corpo e sangue na Santa Eucaristia, para perdoar nossos pecados e nos fortalecer em doenças graves“, destacou Burke.

Mas temos que entender que é Cristo quem está agindo. Não é algo que inventamos, você sabe, onde podemos manipular o sagrado para atender às nossas circunstâncias.”

No entanto, com as missas públicas canceladas durante a pandemia de coronavírus, essas manipulações ocorreram, sugeriu Burke, advogado canônico e conhecido defensor da ortodoxia.

Um exemplo é a missa “virtual” da Primeira Comunhão planejada por um pároco da Irlanda, que “entregou as sagradas hóstias aos pais com antecedência” para levar para casa e dar ao filho enquanto assistia à missa transmitida ao vivo.

Isso é muito ruim“, disse Burke. 

Essas crianças perdem todo o sentido do fato de que a Sagrada Comunhão vem do sacrifício em que participam, unindo-se a Cristo.”

Outro exemplo é que os padres da Itália precisam “distribuir a Santa Comunhão usando luvas de plástico e com a máscara no rosto”.

Burke também referiu a proposta dos bispos italianos de que os padres pudessem deixar as hóstias consagradas em sacos plásticos para os católicos, uma prática que o La Nuova Bussola Quotidiana relatou em maio já havia sido adotada em algumas partes da Alemanha.

Não podemos colocar a Sagrada Comunhão, a Sagrada Hóstia, em um saco plástico ou em uma caixa, com as pessoas levando para casa“, disse ele.

Essas são distorções do sinal sacramental. E eles simplesmente não podem ser permitidos.”

Burke também fez referência à proposta de um bispo americano de que os enfermeiros administrem o óleo para a unção dos enfermos em pacientes com coronavírus, para que os padres não sejam expostos à doença.

A Igreja sempre entendeu que apenas um padre pode administrar extrema unção, “porque é Cristo quem chega à pessoa doente e ora sobre a pessoa doente, e unge a pessoa doente para dar-lhe força em sua doença“, disse Burke.

Oramos sempre pela cura física, mas ao mesmo tempo rezamos para que pela força espiritual a pessoa abrace qualquer doença que tenha e se una ao sofrimento de Cristo“, disse ele.

E sugerir que isso poderia ser feito por outra pessoa que não um sacerdote é uma perda evidente de fé no próprio sacramento.

Burke disse que teme que o cancelamento de missas públicas tenha causado uma erosão da crença dos católicos na centralidade da Eucaristia e de sua obrigação de comparecer à missa no domingo.

Ele leu relatos de “até pessoas boas que disseram, de certa forma, que preferiam participar da missa em casa, no conforto de sua casa, com a televisão”, observou o cardeal.

Mas com isso não se está participando da Santa Missa. É uma coisa santa assistir à Missa e admirá-la, mas não é participação. Cristo não está presente na tela da televisão. E ele não está em sua casa dessa maneira”, ele disse.

Os católicos que sabem o que é a missa voltarão “de todo o coração ao cumprimento da obrigação de participar da Santa Missa no domingo“, observou Burke.

Mas para aqueles que não puderam ser tão catequizados, eu temo muito que a facilidade com que as igrejas foram fechadas e com que foi dito, que os bispos estavam dispensando as pessoas da obrigação da Missa Dominical por esse longo período de tempo, poderia dar ao povo a impressão de que a missa dominical é apenas mais uma prática na igreja, que o bispo pode dispensar.”

De fato, o arcebispo Víctor Manuel Fernández, de La Planta, Argentina, escritor fantasma (ghostwriter) do Papa e confidente de Francisco, sugeriu em uma entrevista em abril que a obrigação de ir à missa aos domingos e dias santos “não é indispensável” e “é algo que poderia cair.” 

Mas a Igreja não tem autoridade para abandonar a obrigação de ir à missa no domingo, que é um mandamento de Deus, observou Burke. Quando, durante a crise atual, foi impossível para os fiéis comparecerem à missa, a obrigação não os vincula, mas a obrigação permanece.

Não é correto dizer que o bispo dispensa os fiéis da obrigação da missa dominical, porque a missa dominical é uma resposta ao Terceiro Mandamento. Esta é a lei divina”, enfatizou.

Fica claro, na sequência do que os bloqueios de pandemia de coronavírus provocaram ou trouxeram à luz, que os católicos precisam ser catequizados com base nas crenças fundamentais de sua fé.

Vamos ter que restaurar muito a catequese com relação à Eucaristia e todo o sentido da obrigação da missa dominical, porque posso ver que houve uma certa erosão“, disse ele. 

Burke também criticou o acordo secreto do Vaticano com a China, observando que os bispos fiéis à Igreja que perseveraram como membros da Igreja clandestina, apesar da perseguição, agora estão sendo solicitados a assinar um juramento de lealdade ao Partido Comunista da China, que considera o único aceitável religião como a própria China.

Ele pediu às pessoas que prestassem atenção às mensagens de Nossa Senhora em Fátima.

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