Defenda os fracos. Console os que choram.

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Defenda os fracos. Console os que choram

Outro dia quando meditava sobre a frase de Padre Pio, fiquei pensando em mil coisas. O que ele quer dizer com fraco? Defenda os fracos. Quem são estes fracos que precisam ser defendidos? Em uma guerra os homens, os guerreiros, os mais fortes, defendiam as mulheres e crianças. Mas será que fraco para padre Pio é aquele a quem falta a força física? Ou será que ele está falando dos fracos em espírito? Se fizéssemos uma análise Gramsciana embasada no marxismo cultural, poderíamos dizer que fracos são os pobres que são oprimidos pela classe dominante e nós como Igreja deveríamos defendê-los, mas, claro que isso é apenas balela da enfadonha teoria da libertação. Digo teoria e não teologia, porque de teológica ela não tem nada.

Mas e se fracos forem aqueles que fraquejam? Aqueles que caem em pecado frequentemente? Aí eu poderia dizer, por favor, alguém me defenda, pois eu sou um fraco. Será que este fraco a quem padre Pio se refere somos nós, pobres pecadores? Se for assim só os santos para nos defender. E a cada dia são mais raros.

Felizes os pobres em espírito, disse Jesus no sermão da montanha, porque deles é o reino dos céus. Seriam estes pobres em espírito que padre Pio pede para serem defendidos? Os fracos. Como diz Bento XVI no livro Jesus de Nazaré: “São pessoas que não fazem alarde dos seus préstimos diante de Deus. Não se apresentam diante d’Ele como uma espécie de sócios em pé de igualdade nos negócios, que, em troca das suas ações, pretendem ser adequadamente recompensados. São pessoas cientes de ser, também interiormente, pobres; pessoas que amam, e, por isso mesmo, vivem intimamente de acordo com a essência e a palavra de Deus. A afirmação de Teresa de Lisieaux de que ela um dia havia de apresentar-se diante de Deus de mãos vazias e estendê-las abertas para Ele, descreve o espírito destes pobres de Deus: ‘chegam com mãos vazias, não com mãos que agarram e seguram, mas que se abrem e oferecem e, assim, estão prontas para a bondade de Deus que Se dá’”.

Mas padre Pio também nos pede para consolarmos os que choram. E não podia deixar de continuar recordando o sermão da montanha, pois Jesus diz: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!” Console os que choram, diz padre Pio e Jesus diz: “Eles serão consolados”. Mais uma vez quero recorrer ao livro de Bento XVI, Jesus de Nazaré que diz: “Há duas espécies de tristeza: uma tristeza que perdeu a esperança, que já não confia no amor nem na verdade e que por isso desagrega e arruína o homem por dentro; mas também há a tristeza que vem do abalo, da comoção provocada pela verdade, que leva o homem à conversão, à resistência contra o mal. Esta tristeza cura, porque ensina o homem a acreditar e a amar de novo”.

Então ao final das contas, eu posso estar errado, mas acredito que essa frase de padre Pio hoje, não é dirigida a mim nem a você amigo leitor. Embora seja utopicamente bonito acreditar que deveríamos ser espécies de super-heróis defensores dos fracos e oprimidos e que deveríamos defender os fracos e consolar os que choram, porque como disse nosso seráfico Pai, Francisco de Assis, mais vale consolar do que ser consolado, acredito que esta frase de hoje, padre Pio a tenha dirigido a Jesus.

E é só colocar a palavra Jesus ou Senhor antes da frase que fica mais fácil entendê-la. Jesus defenda os fracos. Senhor console os que choram. E aí então a coisa parece que de repente ficou clara como o sol. Nós somos os fracos que precisamos ser defendidos, nós somos os chorosos que precisam ser consolados. E o único capaz de nos defender, o único capaz de nos consolar é o Senhor Jesus.

Mas, por sermos membros de seu corpo pelo batismo, temos o dever, a obrigação de morrermos para nós mesmos para vivermos para o outro e suprimindo nossas fraquezas agir em defesa dos que são ainda mais fracos que nós, e engolindo nosso choro, sufocando nossas tristezas, consolarmos os que agora choram, pois um dia certamente eles herdarão o reino dos céus onde haverá a eterna consolação e quem sabe nós também, não por nossos méritos, mas por graça e misericórdia de Deus possamos participar desta consolação.

Que assim seja. Amém.

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