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Deixe que vivam como quiserem!

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Vivam como quiserem! Teria sido a resposta que, de acordo com Tomás de Celano, São Francisco de Assis teria dado à um frade quando questionado se não iria mudar os ministros provinciais que há tanto tempo abusam da liberdade. Não dá pra imaginar nosso seráfico pai sendo rude ou grosseiro, mas o que muitos não sabem é que Francisco não era apenas o irmão sempre alegre a cantar pelos bosques da Itália. Ele era cabra macho. E já doente e muito cansado, teria proferido essa resposta talvez porque como pai que sempre lutou por seus filhos, que sempre aconselhou, que sempre instruiu e foi ignorado por aqueles superiores que pareciam terem o cargo como uma propriedade, estaria agora, no fim da vida, entregando-os à própria sorte, pois como ele mesmo afirmou, é preferível o mal de poucos que a perdição de muitos! Francisco não os estava condenando, mas as atitudes deles os condenava automaticamente, então antes que outros se perdessem, os deixou livres para viverem como quisessem.

É engraçado como às vezes achamos esta atitude de Frei Francisco um tanto quanto radical e nos esquecemos que é justamente assim que Deus age conosco. Ele nos dá o livre arbítrio. Vivam como quiserem! Eu os amo, mas não posso obrigá-los a me amar. O primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas, mas o homem prefere amar mais as coisas do que à Deus e Deus não interfere, não o obriga, deixa-o livre. Vivam como quiserem! Querem se prostituir? Se drogar? Roubar, matar, enfim, afundar no pecado? Isso tudo entristece muito o coração de Deus, mas Ele os deixa livres.

A mesma coisa acontece em relação aos nossos filhos. Nós cuidamos, protegemos, ensinamos, educamos e até certa idade eles fazem tudo aquilo que nós gostaríamos que eles fizessem. Mas com o tempo eles começam a tomar decisões que muitas vezes nos desagradam, muitas vezes nos entristecem, mas o que podemos fazer? Reclamamos com eles, exortamos a mudarem de ideia e não desistimos deles com facilidade, mas quando percebemos que não tem jeito, deixamos que vivam como quiserem, afinal, sabemos que vão bater com a cabeça na parede, que vão se dar mal. E um dia voltarão arrependidos das burradas que fizeram.

O mesmo acontece com meus alunos. Tanto que eu falo, tanto que eu ensino, tanto que eu tento guiá-los pelo caminho do bem e quando eu vejo, estão envolvidos com drogas, fumando, bebendo, as meninas engravidam, os meninos começam a se envolver com o crime e as gangues. O que posso fazer? Creio que o que podia fazer, eu já fiz. Amei, eduquei, instrui, mas agora, deixe que vivam como quiserem, afinal um dia vão lembrar das minhas aulas, das minhas palavras e chorarão amargamente de arrependimento.

Cristo esteve nesta terra ensinando, exortando, e até morreu na cruz por nós e olhe como este mundo está perdido. Veja como há uma tremenda inversão de valores. Às vezes eu penso que Jesus deveria voltar e começar tudo de novo. Falar de amor, falar do reino dos céus e exortar as pessoas a se converterem, mas outras vezes eu penso: “vivam como quiserem. Logo será o fim, e o julgamento. E quem estará preparado para ele?”.

Que assim seja

Amém.

Os Cooperadores
Os Cooperadores
Apologética Católica pela Hermenêutica da Continuidade. Apostolado pertencente ao Centro de Estudos São Francisco de Sales, de Itajaí/SC.

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