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Desprezar-se a si mesmo

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No versículo 24 do capítulo 16 do evangelho escrito por São Mateus, Jesus nosso Senhor disse a seus discípulos e hoje diz a cada um de nós: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.
Renunciar-se a si mesmo. Algumas traduções trazem: Desprezar-se a si mesmo e outras ainda: Odiar-se a si mesmo.

O que significa desprezar-se a si mesmo?

Desprezar-se a si mesmo pode ser uma palavra dura de ser entendida e mais dura ainda de colocar-se em prática. Mas nosso seráfico Pai, Francisco de Assis entendeu a radicalidade de seu significado e corajosamente a colocou em prática deixando para o povo de Assis e redondezas e para todos nós até os dias de hoje, oitocentos anos depois, o exemplo. O exemplo da entrega total a Deus e do desprezo de todas as coisas matérias inclusive o próprio corpo.

Em seu testamento Francisco diz: “E procedo assim porque do mesmo altíssimo Filho de Deus nada enxergo corporalmente neste mundo senão o seu santíssimo corpo e sangue, que eles consagram e somente eles administram aos outros”.

Assim podemos concluir que em nossa vida tudo o que é belo, tudo que é puro, tudo que é santo é espiritual e por assim dizer deveríamos desprezar tudo o que é material. Menos o Santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor. Que é a única coisa que devemos enxergar corporalmente com adoração e ação de graças.

O pobrezinho de Assis olhava primeiro os defeitos espirituais dos frades, depois os exteriores, e por último tratava de remover todas as ocasiões que costumam abrir as portas aos pecados.

E se Francisco fazia isso com os frades é por que certamente já havia cuidado primeiramente dos seus próprios defeitos espirituais e exteriores. Nosso seráfico Pai não fazia como os fariseus e como muitos de nós fazemos hoje em dia que procuramos tirar o cisco do olho do irmão e não enxergamos a trave de nosso próprio olho.

Francisco era um pai amoroso que sabia admoestar com carinho, mas com a firmeza necessária. Corrigir com amor, com caridade, mas corrigir. E a melhor forma para isso era certamente o próprio exemplo de nosso angélico Pai.

Quantas vezes em casa, ficamos fazendo luxo pra comer, querendo escolher, e se não tiver para comer exatamente aquilo que queremos, aquilo que estamos com vontade parece que não nos satisfazemos. Por que desejamos satisfazer ao paladar ao invés de apenas alimentar o corpo? E quantas vezes reclamamos que não gostamos disso ou daquilo. São Francisco chegava a misturar cinza ou água com a finalidade de tirar o sabor. É a mortificação. Nosso Senhor Jesus Cristo não prometeu paraíso aqui na terra. Aqui é cruz, é sacrifício, é abnegação, é desprezar-se a si mesmo.

Quando passei uns dias na casa da Toca de Assis em Curitiba, aprendi com eles a dormir no chão, exatamente com os primeiros frades menores faziam. Cama era para os acolhidos. Para os enfermos e idosos que a fraternidade tirava das ruas. Os toqueiros como são conhecidos e eu como visitante também, dormíamos no chão duro e sem travesseiro. E não é para vanglória e sim para mortificar-se, para desprezar-se a si mesmo. Tomas de Celano diz que Francisco de Assis tratava de remover todas as ocasiões que costumam abrir as portas aos pecados.

E nós? Será que não estamos fazendo justamente o contrário? Se que não estamos escancarando as portas de nosso coração para o pecado entrar? Quando ligamos a TV em determinados programas, quando ouvimos determinadas músicas, quando usamos determinadas roupas, quando falamos ou pensamos determinadas coisas, será que não estamos abrindo as portas para o pecado? Quando nos deixamos enganar por horóscopos, mensagens de Chico Xavier, teorias reencarnacionista e tantas outras coisas contrárias a fé Cristã, como o aborto, uso de camisinha, sexo fora do casamento, será que não estamos permitindo que o mal entre em nossas vidas?

Vigiai e orai disse o Senhor, pois o filho do Homem virá como um ladrão e ninguém sabe nem o dia nem a hora. Joelho no chão e terço na mão. Sejamos sensatos. E entreguemos nossas vidas nas mãos de nossa Mãe Maria Santíssima, como coisa e propriedade que somos, como escravos da rainha. Que ela nos ajuda e nos conduz aos caminhos de Seu amado Filho, Jesus Cristo Senhor nosso.

Que assim seja.

Amém.

Os Cooperadores
Os Cooperadores
Apologética Católica pela Hermenêutica da Continuidade. Apostolado pertencente ao Centro de Estudos São Francisco de Sales, de Itajaí/SC.

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