Devemos devolver o dízimo ou ajudar os pobres?

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Hoje em dia existe um grupo de meia dúzia, talvez mais, de exploradores, lobos em pele de cordeiro, que extorquem dinheiro do povo fundamentando-se em determinados textos bíblicos e tocam o terror nos crentes ameaçando o inferno para quem não contribuir ou ainda males nesta vida, como enfermidades, desamor, insucesso e morte.

Pequenas Igrejas, grandes negócios? Talvez. A verdade é que alguns pastores de pastor não tem nada, usam a ridícula teologia da prosperidade para tirar todo o dinheiro dos fieis, os deixando cada vez mais pobres e alegando que eles não tem fé. Enriquecem de forma descontrolada e não ajudam nenhuma família necessitada, nem mesmo as que freqüentam suas igrejinhas. Pelo contrário, iludem as pessoas dizendo que quanto mais doarem para a igreja, mais Deus vai retribuir a elas. Mas a dúvida é: Devemos devolver o dízimo ou ajudar os pobres?

Hoje quero recordar de uma mulher que sofria da vista e tinha a mesma doença que são Francisco. Nosso seráfico Pai foi tratar-se com um médico no palácio do bispo de Rieti e lá encontrou essa mulher. Não sabemos de onde vinha Francisco, mas certamente de Assis. De Assis para Rieti são mais de cem quilômetros e que foram percorridos possivelmente a pé ou a cavalo.

O guardião da fraternidade de Rieti deve ter acolhido o santo Pai muito bem, dado-lhe pouso e alimento e também comprou para ele uma capa. Eu fico imaginando a cena. São Francisco e o guardião, sentados lado a lado, esperando para serem atendidos pelo médico no palácio do bispo de Rieti e Francisco incomodado por estar usando uma capa nova. A qualquer momento ele iria encontrar uma maneira de se desfazer daquela capa, mas sem ofender o guardião, sem parecer uma desfeita, simplesmente porque era algo natural dele. Ao ver aquela pobre mulher sofrendo da mesma doença que ele, não teve dúvidas. Era pra ela que daria a capa, já que não suportava encontrar ninguém que fosse mais pobre do que ele. E começa assim a provocar o guardião dizendo-lhe que deviam devolver a capa que foi emprestada pela pobre mulher. Eu acho muito interessante a maneira como São Francisco via as coisas. Devolver. Ele sempre falava desse jeito. Devolver aos pobres o que deles pegamos emprestado. Se eu tenho roupa, carro, casa, celular, computador, eu na verdade estou apenas usando algo que me foi emprestado. Algo que não é de fato meu. Mas que deveria ser devolvido aos pobres.

Em minha maneira de ver as coisas quem nos empresta tudo o que temos é Deus. Mas como não há forma de devolver a Ele, devolvemos aos pobres. Porque afinal de contas, Deus não está nem um pouco interessado em ficar com o seu dinheiro, mas Ele quer que você faça bom uso do dinheiro ajudando os mais necessitados. Aí fica um alerta para os adeptos do dízimo. Alegam que o dízimo é bíblico e que temos que devolver a Deus dez por cento de tudo aquilo que Ele nos deu. Nem vou entrar hoje aqui nesta questão, pois afinal de contas o dízimo bíblico do antigo testamento não corresponde com os ensinamentos de Jesus que nunca pediu dinheiro pra ninguém. E a Igreja Católica apesar das suas pastorais do dízimo que eu insisto que deveriam mudar de nome, não cobra dez por cento de ninguém e sim aconselha aos fieis que façam uma colaboração espontânea de qualquer valor para a manutenção do templo cumprindo assim o quinto mandamento da Igreja que diz: “ajudar a igreja em suas necessidades”.

A Igreja é mãe e se preocupa com as necessidades de seus filhos: as espirituais e as materiais; por isso reclama dos fiéis orações, sacrifícios e esmolas. Com estes bens pode ajudar os mais necessitados: os pobres, as missões, os seminários… A ajuda material que os cristãos tem obrigação de oferecer à Igreja serve também para atender a dignidade do culto: edifícios, vasos sagrados, ornamentos etc.

Mas a conversa que ouvimos de pseudopastores evangélicos é bem diferente, não é mesmo? Querem o dízimo e ainda fazem campanhas extraordinárias para arrancar grandes quantias de dinheiro do povo, prometendo em troca uma prosperidade que de fato nunca virá, e usam o dinheiro para quê? Para ajudar os pobres? Para devolver aos pobres como pensava São Francisco de Assis? Ou para comprar carros, aviões e fazendas com não sei quantas mil cabeças de gado?

Então, aqui fica registrado um conselho, você não precisa fazer o que estamos dizendo, pois é apenas a nossa opinião e não um ensinamento da Igreja. Por isso vale para todos os cristãos, de todas as denominações. Ajude a sua igreja em suas necessidades materiais, mas não entregue todo o seu dinheiro nas mãos do seu pastor. Seja sensato. Procure fazer obras de caridade e ajudar o pobre diretamente. Doe sacolões para famílias que não tem o que comer. Doe roupas, cobertores, enfim, ajude o pobre. Devolva aos pobres, aquilo que Deus te emprestou, sem deixar de ajudar a igreja, claro. Mas priorizando sempre o pobre, pois no pobre está Cristo.

Que assim seja.

Amém.

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