O compromisso dos fiéis católicos ante o Sínodo da Amazônia

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O Sínodo da Amazônia (site oficial) mal começou e já é alvo de debates não somente por parte dos católicos, mas entre membros de outros credos, em razão de o referido envolver assuntos polêmicos, como, por exemplo, a possibilidade da ordenação sacerdotal de homens casados e a nomeação de mulheres para se tornarem “diaconisas”. 

Antes de tudo, deve-se esclarecer quais foram as motivações para a convocação deste Sínodo, e porque alguns eclesiásticos, entre eles o Cardeal Raymond Burke, o Cardeal Sarah, o Bispo Dom Athanasius Scheneider, e no Brasil Dom Azcona, Dom Rifan (este último o fez timidamente), levantaram-se contra essa assembleia, mencionando inclusive um possível cisma da Igreja se tais progressismos forem acolhidos, quais sejam, uma ruptura total com a fé que, nas palavras de Thomas Woods Jr, “construiu a Civilização Ocidental”.

O anúncio da convocação do Sínodo Pan-Amazônico, feito pelo Papa Francisco, ocorreu no dia 15 de Outubro de 2017, logo após a canonização dos mártires brasileiros de Cunhaú e Uruaçu, na Praça São Pedro do Vaticano. Na ocasião, o Santo Padre mencionou que o objetivo do Sínodo seria “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”.

Após tal discurso, a mídia começou a alardear que a Igreja Católica abriria suas “portas ao mundo”, modernizando-se, e tais boatos, além de gerarem confusão, causam insegurança em relação à preservação da Sã Doutrina, do Sagrado Magistério, e da Santa Tradição, todos constituídos ao longo desses 2.000 anos, principalmente depois da afirmação de Dom Franz-Josef Overbeck, bispo da Diocese de Essen, na Alemanha, que disse em entrevista que o Sínodo de outubro causará uma “ruptura” na Igreja e que “nada será como antes.

Isso porque o Instrumentum Laboris do Sínodo apresenta elementos que não condizem com os ensinamentos da Igreja. Senão, vejamos alguns deles:

II Parte – Ecologia Integral: o Clamor da Terra e dos Pobres

44. A segunda parte enfrenta os graves problemas causados pelos atentados contra a vida no território amazônico. A agressão contra esta área vital da “Mãe Terra” e contra seus habitantes ameaça sua subsistência, sua cultura e sua espiritualidade. Isto afeta também a vida da humanidade inteira, de modo particular a dos pobres, dos excluídos, dos marginalizados e dos perseguidos. A situação atual exige urgentemente uma conversão ecológica integral.

Ora, o catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 279, 280 e 281 aponta que somente Deus é o Criador do Mundo, afirmando, inclusive que a “A criação é o fundamento de «todos os desígnios salvíficos de Deus», «o princípio da história da salvação» (103), que culmina em Cristo. Por seu lado, o mistério de Cristo derrama sobre o mistério da criação a luz decisiva; revela o fim, em vista do qual «no princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1, 1): desde o princípio, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo.

Alguns podem alegar, inclusive, que a expressão “Mãe Terra” se encontra de modo figurativo, aludindo ao modo através do qual os povos indígenas se referem à natureza, à criação. Todavia, o questionável é o fato de tal linguagem ser adotada num documento oficial da Igreja, que diferentemente de buscar a conversão dos povos mediante a apresentação da Boa-Nova de Cristo, faz uma aproximação a uma linguagem que não condiz com a revelação que nos foi dada.

Tomemos como exemplo São José de Anchieta. Conforme exposto por historiadores, o Santo aprendeu a língua indígena, com a finalidade de lhes ensinar o Evangelho, catequizando-os assim. Ademais, nas palavras do Papa Emérito Bento XVI:

O anúncio de Jesus e de seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estranha. Para os povos pré-colombianos, a evangelização significou conhecer e acolher a Cristo, o Deus desconhecido que seus antepassados, sem sabê-lo, procuravam em suas ricas tradições religiosas. Cristo era o Salvador que desejavam silenciosamente. Significou também ter recebido, com as águas do batismo, a vida divina que os fez filhos de Deus por adoção; ter recebido, além disso, o Espírito Santo que veio a fecundar suas culturas, as purificando e desenvolvendo os numerosos germens e sementes que o Verbo encarnado tinha posto nelas, as orientando assim pelos caminhos do Evangelho. A utopia de voltar a dar vida às religiões pré-colombianas, separando as de Cristo e da Igreja universal, não seria um progresso, a não ser um retrocesso. Em realidade seria uma involução para um momento histórico ancorado no passado.

Nesse sentido, entende-se a atitude do Cardeal Raymond Burke, bem como a de Dom Athanasius, Dom Azcona, e Dom Rifan: preservar a ortodoxia da fé católica diante de tanta abertura àquilo que não é sagrado. Os dois primeiros convocaram, inclusive, a adesão dos fiéis a uma cruzada de orações e jejum a partir do dia 17 de setembro, até o dia 26 de outubro, véspera do Sínodo da Amazônia. Para tal, basta rezar ao menos uma dezena do Santo Rosário por dia, assim como jejuar ao menos um dia da semana nas seguintes intenções:

1. Que durante a assembleia sinodal, os erros teológicos e heresias incluídos no Instrumentum Laboris NÃO SEJAM APROVADOS;

2. Que, em particular, o Papa Francisco, no exercício do ministério petrino, confirme seus irmãos na fé, com uma CLARA RECUSA DOS ERROS do Instrumentum Laboris e NÃO CONSINTA com a ABOLIÇÃO DO CELIBATO sacerdotal na Igreja Latina, com a introdução da prática de ordenação de homens casados, os chamados “viri probati”.

Os eclesiásticos destacam também outros erros do Instrumentum Laboris:

1. SUPERSTIÇÕES PAGÃS como FONTES da Revelação Divina e “caminhos alternativos” para a salvação;

2. DIÁLOGO INTERCULTURAL EM VEZ DE EVANGELIZAÇÃO;

3. Uma CONCEPÇÃO ERRÔNEA da ORDENAÇÃO SACRAMENTAL, que POSTULA os ministros do culto de AMBOS OS SEXOS, para até mesmo realizar rituais xamânicos;

4. Uma “ECOLOGIA INTEGRAL” que REBAIXA A DIGNIDADE HUMANA;

5. Um COLETIVISMO TRIBAL que mina o caráter único da pessoa e sua liberdade.

Assim, cabe-nos à fidelidade ao VERDADEIRO MAGISTÉRIO DA IGREJA. Que espelhemo-nos nos mártires, naqueles que de tudo despojaram-se (inclusive da própria vida), e mesmo que nós não sejamos mártires de sangue, martirizemos nossa própria alma, para que Deus possa nela habitar em plenitude. Tudo por amor ao crucificado e à sua Igreja, que tal qual seu esposo está sendo alvo dos piores escarros e calúnias por parte daqueles que dizem a Ela servir. Lembremo-nos de que um corpo somente subsiste se todos os membros se unirem para sustentar sua unidade. Assim, que acolhamos então o pedido desses eclesiásticos fiéis e não tenhamos medo, pois conforme as palavras de São Paulo, “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. (Rom. 8, 31).

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