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O irmão “mosca”

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Hoje em dia tem tanta gente que anda por aí muito ocupada em não fazer nada. Quando a gente sai a caça de um padre para poder nos ouvir em confissão, por exemplo, nunca encontramos, mas se entramos no facebook, lá está o padre, acabou de curtir uma publicação não muito católica, compartilhar uma mensagem comunista, ou postar uma foto de sunga na praia. Francisco de Assis chamava em seu tempo, os desocupados de irmão mosca, talvez porque a mosca vive na bosta, não é mesmo?

Na época de Francisco de Assis havia muitos mendicantes e penitentes. A ordem dos frades menores sempre teve esta característica, de pedir esmolas e fazer penitência.

Nosso seráfico pai fazia questão de que os frades saíssem para pedir esmolas, moldando assim o orgulho e a vaidade deles. E sempre os exortava a não se envergonharem da pobreza, pois Jesus também era pobre.

Francisco costumava dizer que ao pedir esmolas os frades estariam garantindo sua herança celestial. E dizia também que os frades não podiam se envergonhar de pedir esmolas, pois muito mais o Filho de Deus havia feito por eles.

Você pode se perguntar, afinal, porque os frades não trabalhavam? Por que ao invés de trabalhar pediam esmolas? Não é bem assim. Os frades trabalhavam sim, e trabalhavam muito. Em casa, nos afazeres da casa, na horta e etc. Mas eles não desenvolviam nenhuma atividade lucrativa como monges de um nobre mosteiro simplesmente porque Francisco repugnava o dinheiro. Eles até podiam comer verduras que plantaram na horta, mas não poderiam ter por exemplo criações como galinhas, porcos e gado, pois eles não podiam possuir nada de próprio. Por isso mesmo que saiam para esmolar. E é sempre bom lembrar que não podiam aceitar a esmola em dinheiro. Seria mais prático não é mesmo? Receberiam em dinheiro e passariam no mercado para comprar comida. Mas não era este o objetivo do santo. Ele queria que os frades esmolassem, se humilhassem por um pedaço de pão. E assim sendo, eles ganhavam restos de comida, pão velho, amanhecido e se alegravam muito com isso. Não comiam sozinhos. Não eram egoístas. Não funcionava assim. Ao invés de cada um comer o que conseguiu, cada um levava as suas esmolas para serem repartidas entre todos. Eu às vezes fico me perguntando, o que será que os frades menores comem hoje em dia? Eu nunca vi um frade de nossas paróquias sair para pedir esmolas, você já viu?

Mas, enfim, conta-se que havia um frade que só comia, mas não saía para pedir esmolas. Você conhece alguém assim? Alguém que não faz nada, que não ajuda em nada, e só quer colher os frutos do trabalho alheio? Será que tem alguém assim, na sua casa, na sua empresa, na sua paróquia, no seu movimento ou pastoral? Ou será que esse alguém é você mesmo? Francisco chamou este frade de irmão mosca e o comparou com o zangão que não trabalha, mas é o primeiro a comer o mel. Quantos irmãos “mosca”, nós conhecemos não é mesmo? Pessoas que estão muito ocupadas em não fazer nada. Como já dizia São Paulo, quem não quer trabalhar também não coma.

Você já parou pra pensar que às vezes nós temos irmãos “mosca” dentro da nossa própria casa? A mulher, mãe de família, dona de casa, lava, passa, cozinha, limpa a casa, lava a louça, faz tudo sozinha e os demais moradores da casa só sujam e não são capazes de lavar um garfo sequer. Quantos irmãos “mosca”! Desculpe a expressão chula, mas é verdade: “a mosca vive na merda!” Aquele frade a quem o pobrezinho de Assis chamou de irmão mosca, ao invés de mudar de vida, mudar de atitudes, preferiu sair da ordem, porque de fato, nunca foi convertido. Ao contrário dele, Frei Francisco, elogiou a outro frade que vinha cantando pelo caminho, feliz da vida após ter mendigado. Este foi digno de receber do santo um beijo no ombro.

Que possamos refletir: quem nós queremos ser? O frade que faz seu serviço, que cumpre sua obrigação, mas faz tudo com alegria, cantando e louvando a Deus, ou um irmão mosca que quer ficar sem fazer nada e se aproveitar dos outros irmãos?

Que assim seja.

Amém.

Os Cooperadores
Os Cooperadores
Apologética Católica pela Hermenêutica da Continuidade. Apostolado pertencente ao Centro de Estudos São Francisco de Sales, de Itajaí/SC.

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