O mistério da lua

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A lua é um astro opaco, ou seja, não tem luz própria e no entanto quando olhamos para o céu vemos a lua brilhar. E quem já morou na roça como eu, sabe que as noites são completamente escuras que não é possível enxergar um palmo sequer a frente do nariz. Mas nas noites de luar, tudo fica bem clarinho, que se pode andar a noite tranquilamente, enxergando tudo. E costumamos nos referir ao brilho da lua. Mas a lua não brilha, a lua não tem luz. O que brilha é o sol refletido na lua. A lua como que um espelho reflete a luz do sol e dessa forma a vemos brilhar. Na Igreja, o Sol é Jesus. Ele é a luz do mundo e pede também para que sejamos luz. Mas somos opacos, sem brilho, sem luz própria. Apenas refletimos a luz de Cristo. Uns com mais e outros com menos intensidade. Quantas pessoas se aproximaram de Jesus por causa de um determinado padre, ou de uma liderança na Igreja, um catequista, um comunicador de rádio e etc. Pois viram nele uma luz. Algo que atraía, mas que não atraía para si mesmo e sim para Jesus. Este é o mistério da lua. E este mistério acontece também com a virgem Maria e com todos os Santos. Muitas pessoas são devotas deste ou daquele Santo, que não passam de lua refletindo a luz de Cristo. Desta mesma forma Francisco de Assis, que se sentia pequeno, inferior, servo inútil, era visto pelo povo como um grande homem de Deus e de fato o era, por assim refletir a luz de Cristo de forma tão intensa, capaz de ser usado pelo Senhor de forma extraordinária e assim realizar muitos milagres em vida.

E disse Pedro para o coxo na porta do templo: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. E tomando pela mão direita, o levantou, e logo seus pés e artelhos se firmaram. E, saltando ele pôs-se em pé, e andou e entrou com eles no templo, andando e saltando e louvando a Deus. Mais tarde vemos narrativas onde o povo quer proclamar os apóstolos como deuses e estes rasgam suas vestes em sinal de desaprovação. Pois, não eram deuses. Eram humildes operários da vinha do Senhor. Hoje em dia quando ligamos a TV e vemos certas encenações de milagres, coisas combinadas entre as pessoas para convencer os ignorantes e assim angariar mais seguidores para estas novas seitas e movimentos religiosos sem história, nem ritos, nem tradição, ficamos até mesmo envergonhados. Sim. É uma vergonha as pessoas enganarem, ludibriarem, inventarem falsas curas. Usarem o nome de Jesus para se promoverem como se fossem curandeiros.

Vejamos a atitude de São Francisco. Quando foi chamado para curar a criança, ele se recusou. Não é falsa modéstia, mas sim, realmente o poverello de Assis se viu impotente, incapaz de realizar tão grande obra. Deus que é todo poderoso vai usar a mim um pobre pecador para curar esse menino? Mas depois cedeu pela insistência do pai da criança, orou por ela e ela ficou curada. Quando eu fui eleito ministro de nossa fraternidade franciscana pensei: que erro terrível meus irmãos cometeram. Escolheram o pior de todos, o mais pecador. Se eles soubessem como sou miserável não teriam votado em mim. E todas as vezes que alguém me convida para pregar a palavra de Deus em algum lugar, dar uma palestra ou um curso sobre algum tema relacionado a fé, eu penso a mesma coisa. Deus que é todo poderoso vai usar de mim pobre pecador para tocar os corações das pessoas??

Mas quem pode sondar os pensamentos do Senhor? É o mistério da lua. Ele é quem brilha, nós apenas refletimos o seu brilho. E para refletirmos o seu brilho precisamos estar em comunhão com a Igreja de dois mil anos. Transmitir aquilo que aprendemos dos apóstolos e dos Santos Padres da Igreja e não aquilo que achamos. Isso é ser conservador. Conservar o tesouro que recebemos de Jesus.

Que assim seja.

Amém.

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