Os que morrem sem batismo vão para o inferno?

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Não há salvação fora da Igreja. Esta é a doutrina católica perene e nós podemos afirmar com toda a segurança que aqueles que não pertencem à Igreja Católica serão condenados ao inferno. A Igreja sempre afirmou que o batismo é necessário para a salvação, mas, paradoxalmente, jamais afirmou que os não-batizados são condenados.

“É verdade que na prática do Batismo das crianças se verificou um certo retrocesso, no decurso do século IV. Nessa época, em que os próprios adultos adiavam a sua iniciação cristã, levados pelo temor dos pecados futuros e com o medo da penitência pública, muitos pais, movidos pelas mesmas razões, adiavam o Batismo dos seus filhos. Mas deve-se observar também que Padres e Doutores, como um São Basílio, um São Gregário de Nissa, um Santo Ambrósio, um São João Crisóstomo, um São Jerônimo ou um Santo Agostinho — que tinham sido eles próprios batizados na idade adulta, em virtude deste estado de coisas — reagiram em seguida vigorosamente contra uma tal negligência, pedindo com insistência aos adultos para não retardarem o Batismo , necessário para a salvação, e muitos de entre eles insistiram igualmente para que o mesmo fosse administrado também às criancinhas.”

(Lumen Gentium)

Isso porque é possível conceber que há dois modos de pertencer à Igreja: o modo visível e o modo invisível. O primeiro é o modo ordinário, o qual nos tornamos filhos adotivos de Deus, membros da sua Igreja, à partir do batismo e seguindo na vida cristã. O segundo é um modo extraordinário, o qual se reconhece que Deus pode chamar alguém para adentrar invisivelmente na Igreja pelo que se chama de Batismo de Desejo — explícito e implícito.

“Diante dos olhos de Deus não tem culpa aqueles que estão sujeitos a uma ignorância invencível da religião, pois bem, quem se atreverá a fixar os limites dessa ignorância? Elevemos nossas orações e não faltarão os dons da graça divina para aqueles que desejarem e pedirem com um sincero coração.”

(Pio IX, Singulari Quadam)

“Para os catecúmenos que morrem antes de seu Batismo, seu desejo explícito de recebê-lo, juntamente com o arrependimento de seus pecados e a caridade, garante-lhes a salvação que não puderam receber pelo sacramento. Sendo que Cristo morreu por todos e que a vocação última do homem é realmente uma só, a saber, divina, devemos sustentar que o Espírito Santo oferece a todos, sob forma que só Deus conhece, a possibilidade de se associarem ao Mistério Pascal”. Todo homem que, desconhecendo o Evangelho de Cristo e sua Igreja, procura a verdade e pratica a vontade de Deus segundo seu conhecimento dela pode ser salvo. Pode-se supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o Batismo se tivessem conhecimento da necessidade dele.”

(CIC 1259, 1260)

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