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Quando vês um pobre, meu irmão, tens à frente um espelho do Senhor e de sua pobre Mãe

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Francisco não admitia que falassem mal dos pobres. Aliás, que falassem mal de ninguém. Lembro-me de um trecho do filme sobre a vida do padre Pio, quando alguém comenta com ele sobre um bispo que era corrupto. Padre Pio dá um bofetão na pessoa e esbraveja: “Quem és tu para falar de um bispo da Igreja?”. De fato aquele bispo era corrupto, mas mesmo assim padre Pio não admitiu que se falassem mal dele. Da mesma forma ao refletirmos sobre a atitude de São Francisco ao repreender um irmão por ter falado mal de um pobre, podemos também entender o lado deste irmão. Quem sabe de fato ele tivesse razão. Quem sabe de fato aquele pobre era pobre em bens materiais, mas rico em desejo, ou seja, era ambicioso.

Francisco amava a pobreza, e seus frades também, mas aquele pobre que eles encontram poderia sim ser um pobre que ambicionava muitas coisas, um pobre que era ganancioso, invejoso talvez. Não estou aqui afirmando que ele era de fato, mas estou supondo que talvez houvesse a possibilidade de ser. E que aquele irmão percebeu isso. Fez um comentário infeliz, mas que talvez fosse verdade. Mesmo sendo verdade Francisco o faz se humilhar diante do pobre e pedir perdão. Disse-lhe: “Tira já o teu hábito, ajoelha-te aos pés do pobre e confessa a tua culpa! Não peças apenas o perdão, roga também que reze por ti!”. O frade pela Santa Obediência, fez como mandou o seráfico Pai, mas talvez isso tenha doído mais do que a bofetada que padre Pio deu no homem que falou mal do bispo que de fato era corrupto.

Na verdade aqui não importava para Francisco naquele momento a conduta moral do pobre, pois nele, o santo de Deus via o próprio Cristo. Francisco se incomodava com a conduta moral dos seus frades e queria lhes ensinar a tratar bem os pobres. “Quando vês um pobre, meu irmão, tens à frente um espelho do Senhor e de sua pobre Mãe. E da mesma maneira, nos doentes deves ver as enfermidades que ele assumiu por nossa causa!” – dizia Frei Francisco.

E este é um belíssimo ensinamento. Quantas vezes quando vemos um pobre de rua, maltrapilho, cheirando mal, com uma garrafa daquelas de plástico com um pouco de cachaça dentro andando por aí, nós desviamos o olhar não é mesmo? Quando estão dormindo nas calçadas, atravessamos para o outro lado. Quantas vezes os julgamos dizendo que são bêbados, vagabundos, drogados, que não querem trabalhar e nos esquecemos de que neles está Cristo. No Cristo pobre, desfigurado, humilhado, flagelado, despido na cruz. É a figura do Cristo chagado que vemos no pobre, no marginalizado, no excluído. Sem nos importarmos com suas condutas morais, sem nos importarmos com o que eles fizeram ou deixaram de fazer. Isso é tema para outro momento. Num outro momento, podemos ajudá-los a mudar de vida. A tomar um banho. A deixar as drogas. A arrumar um emprego. A se reintegrar na sociedade.

Lembrando que muitos deles querem isso, mas também muitos não querem e precisamos respeitar a suas decisões. Mas num primeiro momento, precisamos amar. Ele é o nosso próximo, aquele que precisa de nós. Não apenas de um prato de comida ou de um trocado para comprar a cachacinha, mas de uma palavra amiga, de um abraço, de um minuto de nosso tempo. Precisa de nosso olhar. Um olhar generoso, um olhar fraterno, um olhar que cuida, que ama, que protege, que se preocupa, que acolhe, que faz com que ele se sinta gente.

Tirar o hábito, como Francisco mandou ao irmão, é um ato de despojamento. Despir-se no nosso orgulho e pedir perdão. Precisamos fazer isso. Não estou dizendo que agora você deva ir para as ruas e se ajoelhar diante de cada pobre que encontrar e pedir perdão por cada vez que você o ignorou, que falou mal dele e assim por diante. Mas num momento de contrição, num exame de consciência, poderia ser adequado, diante do santíssimo sacramento, ajoelhar-se e pedir perdão a Jesus por não O ter reconhecido no pobre. Por tê-lO julgado, por tê-lO humilhado além de todas as humilhações e privações que Ele já passou por amor de nós.

Que assim seja.

Amém.

Os Cooperadores
Os Cooperadores
Apologética Católica pela Hermenêutica da Continuidade. Apostolado pertencente ao Centro de Estudos São Francisco de Sales, de Itajaí/SC.

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