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	<title>Destaques &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<description>Apologética Católica</description>
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	<title>Destaques &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>Por que não comemos carne como penitência?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deirlan Jadson]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Feb 2020 22:31:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Cristo nos ensinou que nunca chegaríamos ao Céu se não nos penitenciarmos. Para garantir que faremos penitências, a Igreja impõe sobre nós a abstinência de carne, além do jejum, em determinadas ocasiões. Mas sendo a abstinência um tipo de penitência, não a entenderemos se não soubermos o que é e para que serve uma penitência. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/02/Carne-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Cristo nos ensinou que nunca chegaríamos ao Céu se não nos penitenciarmos. Para garantir que faremos penitências, a Igreja impõe sobre nós a abstinência de carne, além do jejum, em determinadas ocasiões. Mas sendo a abstinência um tipo de penitência, não a entenderemos se não soubermos o que é e para que serve uma penitência. Vejamos primeiro a penitência e depois a abstinência de carne em específico.</p>



<p>Com respeito à moralidade dos nossos atos, eles sao de três natureza:</p>



<p>a) Há atos que DEVEMOS fazer, que são as coisas morais (p. ex. honrar os pais, adorar a Deus, etc.).</p>



<p>b) Há atos que NÃO DEVEMOS fazer, que são as coisas imorais (p. ex. mentir, furtar, etc.). </p>



<p>c) E há atos que em si mesmos não são nem morais nem imorais.  Não somos obrigados nem a fazê-los nem a não fazê-los, que são as coisas amorais (p. ex.tomar sorvete, viajar, etc.).</p>



<p>Quando o ato AMORAL é prazeroso e abrimos mão dele por amor a Deus, então estamos fazendo penitência. Se a penitência é imposta pela Igreja ou por uma promessa que fizemos a Deus, somos obrigados a cumpri-la.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mas qual a finalidade disso?</h2>



<p>São duas:</p>



<p>a) Compensar os pecados que cometemos: nossos pecados, especialmente os mortais, são atos de extrema ingratidão para com Deus. Sendo o pecado um ato extremo de ingratidão, mesmo após a confissão, é justo que busquemos algo para compensar o mal que fizemos. Ao pecarmos, trocamos Deus pelos prazeres deste mundo. Então é justo que, para compensar o mal que fizemos, troquemos os prazeres deste mundo por Ele. </p>



<p>b) Conseguir o controle sobre nós: após o pecado, estamos numa situação em que os nossos instintos nos puxam em direção oposta ao que a razão nos mostra como bom. Queremos fazer o bem, mas nossos instintos nos puxam para o pecado. E a melhor forma de combater os vícios que se originam no corpo (gula, luxúria e preguiça) é através de punições infligidas contra ele. Quem vive dado aos prazeres, nunca conseguirá controlar seus instintos e jamais conseguirá manter uma vida de oração frutífera por muito tempo. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Mas resta uma pergunta, por que não comer carne?</h2>



<p>Por duas razões: é um alimento altamente saboroso e dá muita energia para o corpo.</p>



<p>E isso nos é claro. Quase todos os alimentos de que mais gostamos têm carne em sua receita: coxinha, lasanha, pizza, hambúrguer, churrasco (!!!), etc. Então, ao exigir que nos abstenhamos de carne, a Igreja nos limita a uma refeição menos saborosa e menos calórica, gerando um sacrifício em nós e proporcionando aqueles dois frutos que mencionamos acima: a reparação pelos pecados que cometemos e o domínio sobre nosso corpo.</p>



<p>Entendendo o sentido da penitência, podemos cumpri-la com mais proveito para nossa alma e nos livrarmos de um mero cumprimento vazio ou de um relaxamento na observância da Lei.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Post Scriptum:</h3>



<p>1. A Igreja impõe essa obrigação apenas aos maiores de 14 anos e nestas três ocasiões: Quarta de Cinzas, Sexta Santa e demais sextas do ano (exceto em dias de solenidade).  Nas demais sextas, que não sejam a Sexta Santa,  a Conferência Episcopal do Brasil (CNBB), conforme permite o Código de Direito Canônico, autoriza que os fieis troquem a abstinência de carne por alguma obra de devoção ou ato de misericórdia com o próximo. Todos aqueles que se enquadram nos requisitos definidos no Código de Direito Canônico são obrigados a cumprir.</p>



<p>2. Na Quarta de Cinzas e na Sexta Santa, além da abstinência de carne, todos os maiores de 18 anos e menores e 59 estão obrigados a não comerem nada além de uma refeição completa  e dois pequenos lanches que juntos não deem a quantidade da refeição completa ( é o que se chama mais propriamente de jejum). </p>



<p>3. Existem pessoas que estão liberadas da obrigação por determinadas necessidades. Para saber quais são os motivos que desobrigam o cumprimento da penitência, deve-se consultar o Código de Direito Canônico.</p>
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		<title>Devemos fazer abstinência em todas as sextas-feiras do ano?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jan 2020 11:31:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Não há dúvidas de que vivemos em uma época de profunda crise nos fiéis da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, crise que pode ser observada em vários aspectos da vivência da fé católica. Dentre eles, um dos aspectos mais esquecidos e vilipendiados é o da ascese e da penitência. Por isso, não é incomum [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/jejum-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Não há dúvidas de que vivemos em uma época de profunda crise nos fiéis da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, crise que pode ser observada em vários aspectos da vivência da fé católica. Dentre eles, um dos aspectos mais esquecidos e vilipendiados é o da ascese e da penitência. Por isso, não é incomum encontramos, hodiernamente, católicos que não sabem do dever que temos de fazermos abstinência em todas as sextas do ano. Vejamos o que diz o Código de Direito Canônico, em seus cânones 1249-1253:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Cân.  1249. Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes.</em></p><p><em>Cân.  1250. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas- feiras do ano e o tempo da quaresma.</em></p><p><em>Cân. 1251 Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.</em></p><p><em>Cân. 1252 Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados a lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade.</em></p><p><em>Cân. 1253 A Conferência dos Bispos pode determinar mais exatamente a observância do jejum e da abstinência, como também substituí-la, totalmente ou em parte, por outras formas de penitência, principalmente por obras de caridade e exercícios de piedade.</em></p><cite>Código de Direito Canônico</cite></blockquote>



<p>Podemos ver, pois, que, além da Quarta-feira de cinzas e da Sexta-feira Santa, estamos obrigados a fazer abstinência, caso não coincida com um dia de solenidade, em todas as sextas do ano. Essa abstinência pode ser de carne, o que é de praxe entre a maioria dos católicos, ou de outro alimento; podendo ser substituída pela Conferência dos Bispos por outra forma de penitência, como prevê o cânon 1253 do CDC. No Brasil, a CNBB dá aos fieis as seguintes possibilidade de substituição: por uma obra de caridade, por um exercício de piedade ou por outro alimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-benef-cios-espirituais-da-abstin-ncia-e-do-jejum">Os Benefícios Espirituais da Abstinência e do Jejum</h2>



<p>Pois bem, agora que vimos nossas obrigações canônicas, falemos um pouco sobre os benefícios espirituais que a prática do jejum e da abstinência nos traz. É salutar que ressaltemos que o jejum e a abstinência são formas de <em>penitência interior,</em> que é definida pelo CIC como: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça. Esta conversão do coração vem acompanhada de uma dor e de uma tristeza salutares chamadas pelos Padres de “animi cruciatus&nbsp;(aflição do espírito”, “compunctio cordis&nbsp;(arrependimento do coração)” (§ 1431).</em></p><cite>Catecismo da Igreja Católica</cite></blockquote>



<p>Destarte, o jejum e abstinência têm como frutos nossa santificação através da ruptura com o pecado, alcançada pela educação da nossa vontade de acordo com nossa alma, ao invés da carne; do desejo ardente de afastar-se do mal e aproximar-se do bem; ou seja, do próprio Deus; da firme resolução de mudar de vida.</p>



<p>Por fim, fiquemos com essa reflexão feita por São Pedro Crisólogo sobre o Jejum: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo</em><br><em>O que a oração pede, o jejum o alcança</em><br><em>e a misericórdia o recebe</em><br><br><em>Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.</em><br><br><em>O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda às súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.</em><br><br><em>Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.</em><br><br><em>Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.</em><br><br><em>Peçamos, portanto, destas três virtudes — oração, jejum, misericórdia — uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.</em><br><br><em>Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: &#8220;Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado&#8221; (cf. Sl 50, 19).</em><br><br><em>Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.</em><br><br><em>Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.</em><br><br><em>Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.</em></p><cite><em>Sermo 43: PL 52, 320.322</em></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Por que preciso de um diretor espiritual?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 19:18:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Diretor Espiritual" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Por «direção espiritual» entende-se o auxílio que alguém — geralmente um sacerdote — proporciona a outra pessoa a fim de a fazer progredi-la na vida de união com Deus. A direção propriamente dita supõe certa continuidade; conselhos esporádicos não merecem tal designação. — Também não basta a simples confissão sacramentai feita assiduamente ao mesmo sacerdote; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Diretor Espiritual" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/01/diretor-espiritual-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Por «direção espiritual» entende-se o auxílio que alguém — geralmente um sacerdote — proporciona a outra pessoa a fim de a fazer progredi-la na vida de união com Deus.</p>



<p>A direção propriamente dita supõe certa continuidade; conselhos esporádicos não merecem tal designação. — Também não basta a simples confissão sacramentai feita assiduamente ao mesmo sacerdote; embora a direção seja frequentemente dada no confessionário, supõe, da parte do dirigido, mais do que a acusação dos pecados: o dirigido abre, por completo, a alma ao diretor, manifestando-lhe suas tendências positivas e negativas, suas dificuldades e aspirações; em troca, espera receber as luzes e os incentivos que o encaminhem para mais elevada santidade.</p>



<p>Por muito oportuno que pareça este instrumento de perfeição, têm-se levantado dúvidas sobre o seu verdadeiro valor. Examinaremos, pois, qual a mente da Igreja a propósito.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1. Necessária ou não?</h2>



<p>Há quem duvide da utilidade da direção espiritual, apoiando-se nos seguintes argumentos:</p>



<p>a) Tal prática pode concorrer para criar ou entreter nas almas hábitos infantis ou mesmo deformados, os quais desfiguram, em vez de nobilitar, a personalidade.</p>



<p>Assim, sob o pretexto de procurar direção espiritual, alguém se tornaria introspectivo, tendente a chamar a atenção para si mesmo, com vã complacência e vaidade. Faria perder tempo ao diretor espiritual, ocupando-o com bagatelas e questões secundárias, que só se tornam «problemas» porque se lhes dá atenção.</p>



<p>b) A direção pode degenerar em uma espécie de tirania por parte do diretor. Caso este seja dotado de vontade prepotente, intervirá com autoridade em assuntos que não são da sua alçada, sufocando a liberdade e a iniciativa do dirigido; poderá mesmo prejudicar a ação do Espírito Santo nas almas, efeito este totalmente contrário ao que visa a direção espiritual.</p>



<p>Ponderando, portanto, tais inconvenientes, certos autores desaconselham a direção espiritual.</p>



<p>Tal conclusão negativa, porém, não corresponde à mente da Santa Igreja. Esta julga, de um lado, que os perigos apontados podem ser devidamente removidos e que, de outro lado, os benefícios resultantes da direção espiritual anda são muito mais pon derosos do que os riscos enunciados. É o que se verá no parágrafo abaixo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">2. «Sim!&#8230; Porque&#8230;»</h2>



<p>1. Quais seriam então os argumentos valorizados pelo magistério da Igreja em favor da direção espiritual?</p>



<p>— Ei-los em poucas palavras:</p>



<h3 class="wp-block-heading">O testemunho da Sagrada Escritura.</h3>



<p>A Bíblia mostra que uma das grandes características do proceder divino é «guiar os homens mediante os homens»; assim Javé confiou seu povo, no Antigo Testamento, a Moisés e aos profetas. A Heli Ele entregou a tutela de Samuel, e a este a direção do rei Saul.</p>



<p>Tomando carne humana, o Filho de Deus tratou de maneira humana com aqueles que o interpelaram, propondo a cada qual a orientação no respectivo caso; assim fez a Nicodemos, à Samaritana, ao jovem rico, a Natanael e aos Apóstolos em geral. Conhecia suas ovelhas de per si, «chamando cada qual pelo nome» (cf. Jo 10,3), «discernindo o que há dentro do homem» (cf. Jo 2,25).</p>



<p>É principalmente nos inícios da história da Igreja que se manifesta como a Providência se serve do instrumento dos homens; mandou, sim, Paulo recém-convertido ter com Ananias para receber as ordens de Deus; mandou São Pedro à casa do centurião Cornélio, a fim de introduzir a este e à sua família na comunhão dos fiéis; enviou, com o mesmo objetivo, o diácono Filipe ao encontro do eunuco da Etiópia. São Paulo, por fim deixou cartas «pastorais» a Timóteo e a Tito, além do bilhete a Filemon, que bem podem ser equiparados a escritos de direção espiritual.</p>



<p>Estes poucos traços bíblicos insinuam quanto é consentâneo com o processo de santificação das almas o regime da direção espiritual.</p>



<p>Ao ensinamento da Escritura Sagrada associa-se:</p>



<h3 class="wp-block-heading">O testemunho dos Sumos Pontífices</h3>



<p>O documento mais importante a tal propósito fica sendo a carta «Testem benevolentiae» do S. Padre Leão XIII ao Cardeal Gibbons (22 de janeiro de 1899). O Pontífice aí tratava do Americanismo, tendência naturalista que, negando o valor da obediência, exaltava uma pretensa docilidade «às inspirações interiores do Espírito Santo», com menosprezo dos conselhos de um diretor espiritual. Observava então o S. Padre:</p>



<p>«Rejeitam (os modernos) toda direção espiritual, como se fosse supérflua e quase inútil para quem quer tender à perfeição cristã; o Espírito Santo, dizem, derrama hoje em dia nas almas fiéis dons ainda mais ricos e abundantes do que outrora; Ele as ilumina e dirige,, sem intermediário, por uma espécie de instinto secreto. Ora seria assaz temerário querer fixar os limites das comunicações de Deus com os homens&#8230;</p>



<p>Firme esta verdade, não há quem negue que o Espírito Santo trabalha nas almas justas de maneira misteriosa e as estimula com as suas inspirações e os seus impulsos; se assim não fosse, todo auxílio e todo magistério extrínsecos ficariam vãos&#8230; Mas (é a experiência mesma quem no-lo ensina) essas advertências e moções do Espírito Santo, na maioria dos casos, são percebidas mediante o auxílio e o preparo oferecidos pelo magistério extrínseco&#8230; A lei geral da Providência dispôs que os homens fossem, via de regra, salvos por outros homens e que também os que Ela chama a mais elevado grau de santidade, fossem guiados por outros homens até esse termo&#8230; É preciso considerar outrossim que aqueles que tendem a maior perfeição, pelo fato mesmo de enveredarem por via desconhecida à maioria das almas, estão mais expostos a se enganar e, em consequência, mais do que os outros necessitam de mestre e guia.</p>



<p>Estas ideias têm norteado constantemente a praxe dos cristãos; têm sido unanimemente professadas por todos os que, no decorrer dos séculos, vêm brilhando pela ciência e a santidade, de tal modo que ninguém as poderia rejeitar sem incorrer em temeridade e perigo» (Acta Sanctae Sedis 31, 474s).</p>



<p>À guisa de breve comentário, pode-se observar que a direção espiritual, neste texto, é apresentada</p>



<p>&#8211; como algo de tradicional na Igreja;</p>



<p>&#8211; como necessidade decorrente da inexperiência das almas chamadas à santificação e à perfeição sobrenaturais (e — note-se bem — não há quem não se deva julgar chamado à santidade e à perfeição: «Sede perfeitos como o Pai celeste é perfeito», diz a todos os homens o Senhor Jesus em Mt 5,48).</p>



<p>Seria, sim, temerário quem presumisse reconhecer com exatidão os seus diversos estados de alma, de modo a dispensar as luzes de um mestre familiarizado com as vias de Deus. Quantos e quantos não se têm enganado a respeito dos fenômenos que se dão em sua vida espiritual, confundindo reações nervosas com visões e profecias, cedendo à soberba e à autossuficiência, como se já estivessem muito adiantados, etc.! Perdem tempo, esbanjam a graça de Deus, tornando-se muitas vezes vítimas de Satanás&#8230;</p>



<p>Após Leão XIII, o Papa Pio XII recomendou eloquentemente a direção espiritual, levando de novo em conta a mentalidade moderna e as objeções levantadas por nossos contemporâneos contra tal prática. Eis o que escrevia S. Santidade na exortação «Menti Nostrae», expondo o valor da direção para os próprios seminaristas e sacerdotes:</p>



<p>«Entrando na vida espiritual e caminhando por ela, não confieis demais em vós mesmos, mas com humildade e simplicidade aceitai os conselhos e pedi o auxílio daqueles que, com sábia discrição, vos podem guiar e de antemão anunciar os perigos que vos ameaçam, indicando-vos outrossim os remédios adequados; em todas as dificuldades interiores e exteriores, eles estarão habilitados a vos orientar com retidão e propósito, e a vos dirigir ao encalço de uma santidade cada vez mais sublime, santidade para a qual vos convidam e chamam os exemplos dos santos e os ensinamentos abalizados dos mestres da ascese cristã. Com efeito, sem esses prudentes diretores de consciência, é muito difícil corresponder devidamente às inspirações do Espírito Santo e da graça divina» (Acta Apostolicae Sedis 42 [1950] 674).</p>



<p>Adiante no mesmo documento S. Santidade estimulava também os diretores espirituais:</p>



<p>«Desejamos dirigir a nossa exortação paterna de modo particular aos sacerdotes que, com humildade e ardente caridade, se esforçam pela santificação de seus irmãos a titulo de conselheiros, confessores ou diretores espirituais. O bem incalculável que eles fazem à Igreja, permanece, na maioria dos casos, oculto; será manifesto, porém, .no grande dia, na glória do reino de Deus. Há poucos anos, e com grande alegria, concedemos as supremas honras do altar ao sacerdote de Turim José Cafasso, o qual em tempos muito difíceis foi o guia espiritual, sábio e, ao mesmo tempo, santo, de numerosos sacerdotes, sacerdotes que ele fez progredir na virtude e cujo santo ministério ele tornou maravilhosamente fecundo; com plena confiança esperamos que, pelo poderoso patrocínio de tal santo, nosso Divino Redentor suscite numerosos sacerdotes dotados de igual santidade, os quais saberão guiar a si mesmos e dirigir seus irmãos para tal perfeição de vida que os fiéis, admirando seus exemplos, se sintam estimulados a imitá-los com generosidade» (Acta Apostolicae Sedis ib. 681).</p>



<p>As palavras de Leão XIH e Pio XII podem ser tidas como a resposta que a S. Igreja dá à questão : é recomendável ou não. a direção espiritual? O elevado valor que os Sumos Pontífices atribuem a esta,&nbsp;toma-se tanto maior quanto mais elevado é o grau de perfeição a que uma alma se destina. E, já que ninguém pode contentar-se com a mediocridade ou deixar de aspirar à santidade (não há meio-termo entre «querer ser santo» e «deixar-se ficar no pecado»; quem não aspira diretamente à santidade, recua na vida espiritual e facilmente cai no pecado), deduz-se que todas as almas hão de estimar grandemente a direção ministrada por um mestre perito: sacerdotes, religiosos e religiosas, assim como leigos e seculares, são assim exortados pela suprema autoridade da Igreja a que, na medida do necessário e do possível, procurem a orientação de um diretor espiritual, principalmente nas grandes encruzilhadas e opções da vida.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um canal de Santificação</h3>



<p>A necessidade de direção pode variar de acordo com as diversas fases de vida de cada um dos interessados; há, sem dúvida, épocas que mais a exigem (assim os inicios da vida espiritual, os da vida claustral regular, os períodos de graças divinas mais esmeradas, às quais é preciso dar maior atenção&#8230;, os de tentações especiais&#8230;, tribulações e provações&#8230;); em outras fases poder-se-á admitir direção mais espaçada e pálida. — Saiba-se, porém, que a direção não é, de um lado, uma exceção ou um recurso extraordinário nem, de outro lado, um meio de necessidade constante e equiforme para todas as pessoas e todas as épocas. Ela é, sim, um necessário canal de santificação.</p>



<p>Podem-se apontar alguns tipos de personalidade, para os quais se faz mais premente a necessidade de direção:</p>



<p>&#8211; as pessoas dadas à escrupulosidade;</p>



<p>&#8211; as pessoas de temperamento fogoso, que fàcilmente se deixam levar aos extremos;</p>



<p>&#8211; as almas que o Senhor chama de modo especial à vida de união e que precisam de ser tranquilizadas, principalmente nos períodos de provações dolorosas.</p>



<p>Poder-se-ia asseverar que alguém, pelo fato de não procurar receber direção espiritual, comete pecado? — É preciso responder que não. A pecaminosidade da omissão há de ser&nbsp;<strong>avaliada à</strong>&nbsp;luz das circunstâncias próprias e dos problemas de cada pessoa; o critério para se dizer se há pecado ou não (e, no primeiro caso, se há pecado grave ou leve) é o risco de esbanjar a graça de Deus e frustrar o. ideal sobrenatural, risco a que alguém se sujeita quando se quer guiar por si mesmo. Pode haver períodos de vida mais ou menos longos em que não surjam grandes problemas religiosos; nessas fases entende-se que alguém não procure diretor espiritual. Pode haver também períodos atribulados, sim, por problemas espirituais, períodos, porém, nos quais o Senhor Deus não suscita a pessoa do diretor espiritual adequado para tal alma (não qualquer diretor é idôneo para qualquer alma, como se dirá adiante); nesses casos a ausência de direção espiritual não constitui pecado. Só se pode falar de culpa em tal setor, na medida em que há, por parte das almas, negligência ou descaso da perfeição espiritual.</p>



<p>As normas acima se tornam ainda mais dignas de ponderação desde que se leve em conta a advertência do Pe. Godinez:</p>



<p>«Dentre mil pessoas que Deus chama à perfeição, dez apenas lhe correspondem; e, dentre cem que Deus chama à contemplação, noventa e nove frustram o convite&#8230; É preciso reconhecer que uma das causas principais desse estado de coisas é a falta de mestres espirituais&#8230; Estes são, depois da graça de Deus, os pilotos que guiam as almas através do desconhecido mar da vida espiritual. E, se nenhuma ciência, nenhuma arte, por simples que seja, pode ser aprendida sem mestre, muito menos se pode aprender sem mestre a elevada sabedoria da perfeição evangélica, na qual se encontram tão profundos mistérios&#8230;» (Awisi e Sentenze Spirituali: Del Maestro spirituale).</p>



<p>Em conclusão pode-se dizer que a via normal para se fazerem progressos na vida espiritual consiste em seguir os conselhos de sábio diretor. Fora dos casos normais, existem os excepcionais e extraordinários, também regidos pela Providência Divina, casos, porém, que não se podem tomar como padrão.</p>



<p>Se não for dado a uma alma encontrar o diretor oportuno, não desista de o procurar; antes do mais, ore para que Deus o suscite. Enquanto a Providência não lho apresenta, saiba que nem por isto sua vida espiritual está condenada à estagnação e perplexidade; não há fase alguma neutra ou destituída da graça necessária para que as almas bem intencionadas se santifiquem cada dia mais. Na falta, portanto, de um diretor, a alma sincera procurará tirar o máximo proveito dos meios de santificação que lhe estejam à disposição : os sacramentos, a leitura do S. Evangelho, da S. Escritura e de livros de doutrina segura; a oração praticada de acordo com as inspirações do Espírito Santo&#8230; O Senhor Deus dispensa os tesouros de sua graça como quer, mas é certo que os dispensa sempre; valorize, pois, cada alma os instrumentos de santificação que estão ao seu alcance em cada momento, e não estará perdendo tempo.</p>



<p>Poder-se-ia ainda citar longa série de documentos de Papas, concílios ou autoridades eclesiásticas que muito recomendam a direção espiritual. Bastam, porém, os que foram aqui transcritos para não deixar dúvida sobre a mente da Igreja no tocante a tal assunto.</p>



<p>Inegavelmente, será sempre necessário levar em conta os perigos de abuso apontados pelos adversários da direção espiritual. As perdas de tempo, a introspecção mórbida, a vaidade&#8230; poderão ser evitadas pela observância das normas a ser enunciadas na resposta n° 3 deste fascículo.</p>



<p>Quanto ao perigo de prepotência por parte do diretor, será superado não somente pela fidelidade a essas mesmas normas, mas também por uma tomada de posição esclarecida diante da questão abaixo:</p>



<h2 class="wp-block-heading">3. Voto de obediência ao diretor?</h2>



<p>Antes do mais, considere-se que a direção espiritual pertence à esfera da orientação e dos conselhos, não à dos mandamentos; portanto os alvitres do diretor não se impõem, nem se podem impor, como preceitos; a violação desses alvitres em si não é pecado; só se tornaria pecado, caso a matéria violada fosse matéria de pecado ou caso o transgressor as violasse com desprezo formal do bem.</p>



<p>Em outros termos: o diretor não é por si o superior do dirigido; sobre este ele não possui poder de jurisdição; por conseguinte não deve tratar o dirigido como um súdito, ao qual ele possa dar ordens sem apresentar razões (é claro, porém, que há casos nos quais não convém que o diretor dê explicações ao dirigido).</p>



<p>O diretor há de ser tido, antes, como um conselheiro, cuja autoridade lhe vem toda da livre escolha feita pela alma dirigida. —<em>&nbsp;As</em>&nbsp;relações entre diretor e dirigido se desenvolvem num clima de liberdade; ao executar as normas dadas pelo diretor, o dirigido fica sendo responsável pelos atos que ele assim pratica.</p>



<p>O diretor também não é o senhor despótico das almas, habilitado a guiá-las como queira; é, sim, mero instrumento do Espírito Santo, consistindo o seu papel apenas em ajudar o dirigido a discernir os desígnios do Espírito de Deus.</p>



<p>Contudo acontece que, a exemplo de alguns santos, certas almas desejam fazer voto de obediência ao-diretor espiritual. Julgam que assim estarão mais obrigadas a seguir os caminhos da perfeição. Será tal voto recomendável?</p>



<p>— Não; em si mesmo, tal voto não é recomendável.</p>



<p>As razões da inconveniência são, em grandes linhas, as seguintes:</p>



<p><strong>a) </strong>o voto de obediência afeta a noção mesma de direção espiritual. Esta se baseia num magistério ou em relações de mestre (diretor) a discípulo (dirigido); tais relações, suposto o voto, passam a ser relações de superior a súdito, o que facilmente provoca situações de constrangimento, situações bem diferentes daquelas em que a direção espiritual se deve desenvolver;</p>



<p><strong>b) </strong>os motivos que inspiram ao dirigido a emissão do voto de obediência ao diretor, podem não ser sempre sobrenaturais: algo de neurótico ou psicopatológico (escrupulosidade indevida, insegurança no agir, imaturidade&#8230;) talvez tenha sua influência em mais de um caso; o voto entretém essa situação neurótica; fecha a alma numa atitude de passividade exagerada, entravando o devido amadurecimento da personalidade.</p>



<p>Também uma ponta de erotismo ou de amor desregrado pode por vezes sugerir o voto.</p>



<p>Admitem-se, porém, situações excecionais em que o voto é justificado por inclinações próprias e legítimas da alma do dirigido (desejo de morrer mais inteiramente a si mesmo, por exemplo). Ao consentir então na emissão do voto, o diretor cuidará para que se estenda por prazo de curta duração e tenha matéria bem determinada (versará sobre tais conselhos&#8230;, proferidos em tais circunstâncias&#8230;).</p>



<p>Conhecem-se casos famosos, e bem sucedidos, de voto de obediência ao diretor espiritual: são, por exemplo, o de S. Teresa de Ávila ao Pe. Graciano da Mãe de Deus; o de S. Joana Frémiot de Chantal a S. Francisco de Sales; o da ursulina Maria da Encarnação a Raimundo de S. Bernardo e, posteriormente, a Jerônimo Lallemant; o de Adelaide Cicé ao Pe. Pierre de Clorivière. Referem-se, porém, casos infelizes, como o da própria S. Joana de Chantal, da qual narra o seu biógrafo:</p>



<p>«Contente por ter essa santa ovelha nas mãos, (um religioso férvido) resolveu ligá-la à sua direção por quatro votos: pelo primeiro, ela professava obedecer-lhe; pelo segundo, &#8230; jamais mudar de diretor; pelo terceiro, &#8230; ser-lhe fiel, guardando o segredo a propósito de tudo que ele lhe dissesse; pelo quarto, &#8230; só tratar da sua vida interior com o respectivo diretor» (Fr. de Chaugy, Mémoires sur la vie et les vertus de J. — Fr. de Chantal, Ire. p., ch. 10, em «Oeuvres complètes» da Santa, t. 1. Paris 1874, pág. 44).</p>



<p>Quem fez o voto «do mais perfeito» (isto é, de praticar sempre o que seja mais perfeito), obriga-se à docilidade total para com o diretor; note-se, porém, que não se trata, no caso, de um voto de obedecer ao diretor, mas de tender a maior perfeição mediante maior renúncia a si mesmo.</p>



<p>Pode alguém fazer a Deus o voto de ser dócil ao diretor espiritual, obriga-se então a seguir o alvitre do diretor todas as vezes que este seja definitivo. Tal voto não altera as relações normais entre o dirigido e o diretor, nem liga diretamente um ao outro.</p>



<p>Em conclusão: as restrições feitas ao voto de obediência ao diretor espiritual não são, de modo algum, restrições à direção como tal; visam, ao contrário, fazer que esta se desenvolva com toda a pureza e integridade.</p>
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