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Vede como eles se amam

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Jesus nos deu um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei. E no princípio do cristianismo, as pessoas comentavam: “Vede como eles se amam”. Os cristãos eram reconhecidos pelo amor. E Deus é amor, dizia João, o discípulo amado do Senhor. Como era lindo fazer parte de uma comunidade cristã nos primeiros séculos. Partilhavam tudo, tinham tudo em comum e viviam o mandamento do amor.

Muita coisa, infelizmente se perdeu com o passar do tempo e nosso seráfico Pai Francisco veio pra restaurar a Igreja. Fazê-la voltar às raízes, ao princípio do cristianismo. Que lindo quando Celano diz que para os frades era pesado estarem separados, e ficavam muito felizes quando estavam juntos, pois se amavam. E por terem abraçado a Santa Pobreza, nada tinham a perder. Quantos casamentos hoje em dia não dão certo por causa do dinheiro, não é mesmo? Ou por causa da falta dele.

Deveríamos a exemplo dos frades, nos desapegarmos das coisas materiais e viver como se não tivéssemos nada a perder. E assim quem sabe aprenderíamos a amar, como os primeiros cristãos se amavam. Amar com amor fraterno, amor puro e não esse pseudo-amor que os meios de comunicação propagam, principalmente as novelas. Amor físico, amor atração, amor erotizado. Isso não é amor! Deus caritas est. Deus é o amor verdadeiro e é deste amor que precisamos. É amar como Deus nos ama, o que nós precisamos. E na oração da paz atribuída a Francisco de Assis, embora saibamos que não foi ele que escreveu, bem que poderiam ser palavras suas, pois não era incomum vê-lo proferir coisas semelhantes, diz assim: Mestre, fazei que eu procure mais, amar que ser amado, pois é dando que se recebe. E nos atos dos apóstolos, Paulo nos diz: Há maior alegria em dar do que em receber. É a felicidade do amor fraterno.

O texto de Celano ainda fala sobre as mortificações, o que eu acho fundamentalmente interessante. Fora as privações que os frades já sofriam, ainda se mortificavam todas as vezes que percebiam ter exagerado, excedido, mesmo que fosse no mínimo, mas eles tinham plena convicção de que precisavam se corrigir. Estavam tão acostumados com o pouco que tinham que se por ventura um dia comessem um pouquinho a mais, já faziam abstinência por vários dias para a sua mortificação.

Sempre procuravam fazer coisas puras de forma a não escandalizar ninguém. Falavam o mínimo possível para evitar que de suas bocas saíssem palavras frívolas. E quando falavam cuidavam para que fossem apenas palavras de edificação. E em especial uma frase me chamou muito a atenção neste texto: “Tinham os olhos na terra, mas o pensamento no céu.” Nós somos estrangeiros nessa terra. Nosso lugar é o céu. Claro que precisamos fazer o reino dos céus acontecer aqui, agora. Mas temos a certeza de que não somos desse mundo, que nosso lugar não é aqui. Temos os olhos voltados para o céu. O céu é o nosso objetivo. É pra lá que queremos ir.

Os frades venderam tudo o que tinham, deram aos pobres e foram seguir Jesus através dos passos de nosso seráfico Pai Francisco de Assis que os instruía, os corrigia e os amava com pleno amor fraterno. Eles também se amavam e não tinham nada a perder. Procuravam agir em tudo retamente e não escandalizar ninguém. E quando faziam qualquer coisa que eles consideravam errada, mesmo sendo algo muito pequeno, procuravam corrigir com severas mortificações.

E nós? Como temos agido? Estamos desapegados dos bens materiais? Ou somos gananciosos e dinheiristas? Nós tomamos o cuidado em dar testemunho às pessoas ou fazemos coisas que constantemente escandalizam? Procuramos falar o mínimo necessário ou falamos pelos cotovelos e constantemente falamos coisas que nunca deveriam ser ditas? Somos moderados em nosso proceder ou nos excedemos na comida, na bebida e nos prazeres da carne? E por fim, nós nos amamos como os primeiros cristãos e como os frades franciscanos no amor fraterno? Ou vivemos de forma individualista olhando apenas para o nosso próprio umbigo?

Que Deus nosso Pai, por intercessão de Francisco de Assis, nos ajude a nos convertermos, pois é tarde e o dia declina.

Que assim seja.

Amém.

Os Cooperadores
Os Cooperadores
Apologética Católica pela Hermenêutica da Continuidade. Apostolado pertencente ao Centro de Estudos São Francisco de Sales, de Itajaí/SC.

1 Comment

  1. Fabio Grana disse:

    Obrigado por me lembrar. A frase final tirada da passagem dos discípulos de Emaús me inspirou e despertou. Eu completo com a parte que faltou: Fica conosco, Senhor!

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