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	<title>Eucaristia &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<title>Eucaristia &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>Objeções filosóficos à doutrina da Transubstanciação e suas devidas respostas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Petter Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jan 2025 13:40:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2025/01/Objecoes-filosoficos-a-doutrina-da-Transubstanciacao-e-suas-devidas-respostas.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Objeções filosóficos à doutrina da Transubstanciação e suas devidas respostas" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2025/01/Objecoes-filosoficos-a-doutrina-da-Transubstanciacao-e-suas-devidas-respostas.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2025/01/Objecoes-filosoficos-a-doutrina-da-Transubstanciacao-e-suas-devidas-respostas-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2025/01/Objecoes-filosoficos-a-doutrina-da-Transubstanciacao-e-suas-devidas-respostas-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2025/01/Objecoes-filosoficos-a-doutrina-da-Transubstanciacao-e-suas-devidas-respostas-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2025/01/Objecoes-filosoficos-a-doutrina-da-Transubstanciacao-e-suas-devidas-respostas-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A doutrina católica da transubstanciação, um mistério central da fé, afirma que, durante a consagração na Santa Missa, a substância do pão e do vinho se transforma no Corpo e Sangue de Cristo, enquanto os acidentes (como forma, cor e sabor) permanecem inalterados. Defendida no Concílio de Latrão (1215), confirmada no Concílio de Lion (1274) [&#8230;]</p>
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<p>A doutrina católica da transubstanciação, um mistério central da fé, afirma que, durante a consagração na Santa Missa, a substância do pão e do vinho se transforma no Corpo e Sangue de Cristo, enquanto os acidentes (como forma, cor e sabor) permanecem inalterados. Defendida no Concílio de Latrão (1215), confirmada no Concílio de Lion (1274) e definida dogmaticamente no Concílio de Trento (1545), essa doutrina tem sido objeto de debate, especialmente sob a lente da metafísica aristotélica, que considera os acidentes como propriedades inerentes de uma substância (Aristóteles, <em>Metafísica</em>, Livro VII).</p>



<p>Para compreender essa doutrina, é fundamental explorar a filosofia de Santo Tomás de Aquino, que oferece uma defesa robusta baseada em princípios metafísicos clássicos (<em>Summa Theologiae</em>, III, q.75, a.1-6). Este artigo busca aprofundar-se nessa defesa e responder às objeções mais comuns, explorando não apenas o conceito de acidentes e substância, mas também a relação entre causalidade e intervenção divina no contexto sacramental.</p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-obje-o-1-acidentes-s-o-rela-es-de-uma-subst-ncia-com-o-mundo-rela-es-sem-sujeito-seriam-absurdas">Objeção 1: &#8220;Acidentes são relações de uma substância com o mundo. Relações sem sujeito seriam absurdas.&#8221;</h1>



<p>Essa objeção argumenta que os acidentes, como cor, sabor, textura e dimensão, são modos de manifestação de uma substância no mundo. Esses acidentes, segundo a metafísica aristotélica, são propriedades ou modos de ser que existem&nbsp;<strong>em</strong>&nbsp;uma substância, não de forma independente. Argumenta-se que, sem uma substância subjacente, a existência de acidentes isolados seria contraditória, pois sua definição mesma envolve a ideia de um suporte substancial.</p>



<p>A raiz dessa objeção está na teoria aristotélica, especialmente no&nbsp;<em>Livro VII da Metafísica</em>, onde Aristóteles define acidente como aquilo que existe&nbsp;<strong>em outro</strong>&nbsp;e não por si mesmo. Os acidentes não têm existência própria, mas apenas&nbsp;<strong>inerente</strong>&nbsp;à substância, como a cor branca existe em um objeto branco e não independentemente.</p>



<p>Portanto, afirmar que, na Eucaristia, os acidentes do pão e do vinho (aparências sensíveis como cor, forma, sabor) permanecem enquanto a substância foi convertida no Corpo e Sangue de Cristo parece, à primeira vista, violar esse princípio fundamental da metafísica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resposta"><strong>Resposta:</strong></h2>



<p>Essa objeção, embora coerente no contexto da ordem natural, não se sustenta quando aplicada a um&nbsp;<strong>milagre sobrenatural</strong>&nbsp;como a transubstanciação, onde Deus age de forma direta e além das leis naturais ordinárias. A chave para entender a resposta tomista está na distinção entre o que podemos chamar de&nbsp;<strong>causalidade ordinária e causalidade divina</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-causalidade-ordin-ria-vs-causalidade-divina"><strong>1. Causalidade Ordinária vs. Causalidade Divina:</strong></h3>



<p>No contexto&nbsp;<strong>natural</strong>, os acidentes dependem da substância para existir. A cor branca, por exemplo, é uma qualidade que só pode existir em algo branco, como o leite. Isso ocorre porque a substância age como&nbsp;<strong>causa material</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>causa formal</strong> dos acidentes.</p>



<p>Entretanto, no contexto&nbsp;<strong>sobrenatural</strong>&nbsp;e no caso específico da transubstanciação, Deus age diretamente como&nbsp;<strong>causa primeira</strong>. Isso significa que Ele sustenta os acidentes do pão e do vinho&nbsp;<strong>imediatamente</strong>, sem a mediação de uma substância material.</p>



<p>Na&nbsp;<em>Summa Theologiae</em>, III, q.77, a.1, Santo Tomás afirma que a manutenção dos acidentes sem substância ocorre pela intervenção direta de Deus, que, sendo o Ser por essência, tem o poder de sustentar diretamente os efeitos de uma substância sem a própria substância.</p>



<p>Essa causalidade direta não contraria a lógica, pois a manutenção dos acidentes sem a substância não é uma contradição, mas uma&nbsp;<strong>suspensão da causalidade ordinária</strong>. Deus, como causa primeira, pode agir sem a intermediação das causas segundas, pois é o próprio Ser necessário (<em>Ipsum Esse Subsistens</em>).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-suspens-o-da-ordem-natural"><strong>2. Suspensão da Ordem Natural:</strong></h3>



<p>Milagres, como a transubstanciação, não representam uma&nbsp;<strong>violação</strong>&nbsp;das leis naturais, mas uma&nbsp;<strong>suspensão</strong>&nbsp;temporária da ordem natural. A ordem natural continua válida, mas, no caso da Eucaristia, Deus, por ser a causa primeira, intervém diretamente no plano da realidade.</p>



<p>Em&nbsp;<em>De Potentia</em>, q.6, a.1, Santo Tomás explica que a ordem natural está subordinada à vontade de Deus, e Ele pode suspendê-la quando desejar, sem que isso implique uma contradição formal.</p>



<p>Essa suspensão é comparável a um pintor que, ao criar uma pintura, normalmente precisa de uma tela como suporte. No entanto, esse mesmo pintor, se onipotente, poderia fazer com que a imagem flutuasse no ar, sem a necessidade de uma tela. Assim, Deus mantém os acidentes do pão sem a substância subjacente.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-consist-ncia-metaf-sica-e-a-defini-o-de-acidente"><strong>3. Consistência Metafísica e a Definição de Acidente:</strong></h3>



<p>Santo Tomás aborda essa questão de forma cuidadosa, reformulando a definição de acidente no contexto do milagre eucarístico. Ele distingue entre:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>O que um acidente é em sua essência:</strong>&nbsp;algo que normalmente inere em uma substância.</li>



<li><strong>O modo de existência de um acidente:</strong>&nbsp;normalmente unido a uma substância, mas, em caso de milagre, pode existir sustentado diretamente por Deus.</li>
</ul>



<p>Na&nbsp;<em>Summa Contra Gentiles</em>, IV, c.63, Santo Tomás afirma que, no contexto da Eucaristia, os acidentes não são sustentados pela substância do pão, mas diretamente pelo poder de Deus, que pode operar além das leis ordinárias.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-o-fundamento-ontol-gico-da-preserva-o-dos-acidentes"><strong>4. O Fundamento Ontológico da Preservação dos Acidentes:</strong></h3>



<p>Deus, como causa primeira, é a fonte de todo o ser. Portanto, Ele pode conceder existência a um acidente sem a necessidade de um sujeito material, pois Ele mesmo é o&nbsp;<strong>fundamento do ser</strong>.</p>



<p>Essa preservação não implica que os acidentes existam de forma autônoma ou que tenham se tornado substâncias. Continuam sendo acidentes, mas sustentados&nbsp;<strong>por Deus</strong>, não por uma substância natural.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-por-que-a-obje-o-falha"><strong>Por que a objeção falha?</strong></h3>



<p>A objeção de que “acidentes são relações de uma substância com o mundo e não podem existir sem ela” falha por não considerar a distinção entre:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ordem natural:</strong>&nbsp;onde acidentes realmente dependem de uma substância.</li>



<li><strong>Ordem sobrenatural:</strong>&nbsp;onde Deus pode, por milagre, sustentar acidentes diretamente.</li>
</ul>



<p><strong>Em resumo:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não há contradição formal, pois não se afirma que os acidentes existem e não existem ao mesmo tempo.</li>



<li>Deus, como causa primeira, tem poder de sustentar os acidentes diretamente.</li>



<li>A suspensão da ordem natural não é uma violação da razão, mas uma exceção providenciada pelo próprio Autor do ser.</li>
</ul>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-obje-o-2-acidentes-s-o-predicados-de-uma-subst-ncia-dizer-que-algo-branco-sem-um-objeto-branco-contradit-rio">Objeção 2: &#8220;Acidentes são predicados de uma substância. Dizer que algo é branco sem um objeto branco é contraditório.&#8221;</h1>



<p>Essa objeção baseia-se no princípio aristotélico de que os acidentes são necessariamente&nbsp;<strong>predicados de uma substância</strong>. Em outras palavras, os acidentes, como a cor branca, a forma ou o sabor, não possuem existência própria, mas são modos de ser de uma substância. Dizer que algo é branco sem um objeto branco pareceria contraditório, pois a brancura não possui uma existência independente, mas existe&nbsp;<strong>em</strong>&nbsp;algo, como o branco do leite ou da neve.</p>



<p>Este argumento se apoia na concepção aristotélica de&nbsp;<strong>substância e acidente</strong>&nbsp;encontrada no&nbsp;<em>Livro VII da Metafísica</em>, onde Aristóteles define os acidentes como “o que não existe em si mesmo, mas em outro”. De acordo com essa visão, afirmar que os acidentes podem existir sem uma substância parece violar a própria definição de acidente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resposta-1"><strong>Resposta:</strong></h2>



<p>Santo Tomás de Aquino, ao responder a essa objeção, faz uma distinção crucial entre a&nbsp;<strong>essência</strong>&nbsp;de um acidente e o seu&nbsp;<strong>modo de existência</strong>, o que permite uma compreensão mais ampla da realidade em contextos sobrenaturais, como o milagre eucarístico. Essa distinção metafísica, juntamente com a noção de causalidade divina, é suficiente para refutar essa objeção.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-ess-ncia-vs-modo-de-exist-ncia-dos-acidentes"><strong>1. Essência vs. Modo de Existência dos Acidentes:</strong></h3>



<p>A chave para entender a resposta tomista está em diferenciar dois aspectos fundamentais dos acidentes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Essência do acidente:</strong>&nbsp;A essência de um acidente é a qualidade ou propriedade em si. Por exemplo, a cor branca é uma qualidade que pode ser identificada conceitualmente, independentemente de onde ela se manifesta. A brancura, enquanto conceito, pode ser pensada de forma abstrata.</li>



<li><strong>Modo de Existência do acidente:</strong>&nbsp;Normalmente, um acidente existe em uma substância, pois esta é a&nbsp;<strong>causa material</strong>&nbsp;e o&nbsp;<strong>sujeito</strong>&nbsp;no qual o acidente se manifesta. Por exemplo, o branco do leite está no leite como suporte material.</li>
</ul>



<p>Porém,&nbsp;<strong>em um contexto sobrenatural</strong>, Deus pode&nbsp;<strong>suspender esse modo de existência ordinário</strong>&nbsp;sem anular a própria essência do acidente. No milagre da Eucaristia, os acidentes do pão e do vinho (cor, forma, sabor, cheiro, textura) continuam a existir, mas de um modo&nbsp;<strong>não natural</strong>, sustentados diretamente pelo poder divino e não por uma substância da ordem natural.</p>



<p>Santo Tomás explica na&nbsp;<em>Summa Theologiae</em>, III, q.77 que é possível, por poder divino, que o acidente exista sem o sujeito, pois a essência do acidente não exige absolutamente o sujeito, mas sim seu modo ordinário de existir.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-causalidade-divina-direta"><strong>2. Causalidade Divina Direta:</strong></h3>



<p>No milagre eucarístico, ocorre uma&nbsp;<strong>suspensão da causalidade ordinária</strong>. No mundo natural, a substância sustenta os acidentes como causa material e formal. Contudo, em um milagre, Deus age diretamente como&nbsp;<strong>causa primeira</strong>, sustentando os acidentes de forma imediata, sem a mediação de uma substância criada.</p>



<p>Isso não é uma contradição, pois o que é modificado não é a natureza do acidente, mas o modo pelo qual ele continua a existir. Deus, sendo o Ser absoluto, é a fonte de toda realidade e, portanto, pode manter os acidentes existindo&nbsp;<strong>diretamente pelo Seu poder</strong>.</p>



<p>Na sua&nbsp;<em>Summa Contra Gentiles</em>, IV, c.63, Santo Tomás afirma que, na Eucaristia, os acidentes permanecem sustentados pela causalidade divina, pois Deus pode agir além das leis ordinárias, sem violar a razão.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-n-o-h-contradi-o-l-gica"><strong>3. Não há contradição lógica:</strong></h3>



<p>A objeção de que “dizer que algo é branco sem um objeto branco é contraditório” se baseia em uma confusão entre&nbsp;<strong>contradição lógica</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>milagre sobrenatural</strong>.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Contradição lógica:</strong>&nbsp;É afirmar algo impossível em si mesmo, como “um círculo quadrado” ou “uma montanha sem vale”.</li>



<li><strong>Milagre sobrenatural:</strong>&nbsp;Não é uma violação da razão, mas uma suspensão de uma relação natural, sem negar a essência das coisas.</li>
</ul>



<p>O erro da objeção está em assumir que o modo&nbsp;<strong>natural</strong>&nbsp;de ser dos acidentes (sustentados por uma substância) é o único possível. No entanto, o tomismo afirma que, no contexto sobrenatural da Eucaristia, Deus pode sustentar os acidentes diretamente, pois Ele é o fundamento último do ser.</p>



<p>Assim como uma chama ilumina um ambiente e a luz continua miraculosamente presente mesmo que a chama desapareça enquanto sustentada por uma fonte externa, os acidentes do pão e do vinho continuam presentes, miraculosamente sustentados diretamente por Deus.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-deus-como-ato-puro-do-ser"><strong>4. Deus Como Ato Puro do Ser:</strong></h3>



<p>Santo Tomás ensina que Deus é o&nbsp;<strong>Ipsum Esse Subsistens</strong>, ou seja, o próprio ato puro de ser (<em>Summa Theologiae</em>, I, q.4, a.2). Sendo a própria fonte do ser, Deus pode conceder existência a qualquer ente, inclusive acidentes,&nbsp;<strong>sem a mediação de uma substância criada</strong>.</p>



<p>Deus não apenas&nbsp;<strong>criou</strong>&nbsp;o mundo, mas&nbsp;<strong>sustenta continuamente</strong>&nbsp;todas as coisas no ser. Se Ele retira seu ato de sustentação, a criação deixaria de existir. Assim, se Ele pode manter uma substância existindo sem outra, não há contradição em afirmar que Ele sustenta acidentes sem substância de um modo extraordinário.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-por-que-a-obje-o-falha-1"><strong>Por que a objeção falha?</strong></h3>



<p>A objeção de que “acidentes são predicados de uma substância e não podem existir independentemente” falha porque:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Confunde o conceito de contradição lógica com uma exceção sobrenatural:</strong>&nbsp;A existência de acidentes sem substância não é uma contradição, mas uma&nbsp;<strong>suspensão da ordem natural</strong>.</li>



<li><strong>Desconsidera a causalidade divina:</strong>&nbsp;Deus, como causa primeira, pode sustentar os acidentes diretamente, pois Ele é o fundamento de todo ser.</li>



<li><strong>Não reconhece a distinção entre essência e modo de existência:</strong>&nbsp;Um acidente pode ter sua essência preservada enquanto seu modo de existência é alterado pelo poder divino.</li>



<li><strong>O milagre não contradiz a razão, mas a transcende:</strong>&nbsp;A Eucaristia, como sacramento, é um mistério que supera, mas não contradiz, a razão filosófica.</li>
</ul>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-obje-o-3-acidentes-expressam-a-subst-ncia-um-acidente-sem-subst-ncia-elimina-o-fundamento-do-acidente">Objeção 3: &#8220;Acidentes expressam a substância. Um acidente sem substância elimina o fundamento do acidente.&#8221;</h1>



<p>Essa objeção se baseia no princípio aristotélico de que os acidentes existem para&nbsp;<strong>manifestar</strong>&nbsp;a substância à qual pertencem. Em termos simples, um acidente, como a cor, o sabor ou a textura, não apenas&nbsp;<strong>subsiste em uma substância</strong>, mas tem como função&nbsp;<strong>torná-la perceptível aos sentidos</strong>.</p>



<p>Por exemplo, a brancura de um pedaço de mármore ou o sabor doce de uma maçã não existem como entidades independentes, mas são formas pelas quais as substâncias desses objetos se tornam perceptíveis. Segundo essa visão, remover a substância, mas manter os acidentes, eliminaria o próprio&nbsp;<strong>fundamento ontológico</strong>&nbsp;dos acidentes, já que eles deixariam de ter uma substância para manifestar.</p>



<p>A objeção argumenta, portanto, que os acidentes do pão e do vinho na Eucaristia deveriam expressar a substância do pão e do vinho. Como a substância é convertida no Corpo e Sangue de Cristo, os acidentes não teriam mais razão de existir, o que pareceria uma contradição filosófica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resposta-2"><strong>Resposta:</strong></h2>



<p>A crítica, embora coerente quando aplicada à ordem&nbsp;<strong>natural</strong>, não se sustenta quando examinada no contexto do&nbsp;<strong>milagre eucarístico</strong>, onde a causalidade divina intervém de forma direta e excepcional.</p>



<p>A resposta tomista se baseia em quatro pilares fundamentais: a distinção entre&nbsp;<strong>ordem natural e ordem sobrenatural</strong>, a&nbsp;<strong>função sacramental dos acidentes na Eucaristia</strong>, a&nbsp;<strong>sustentação divina direta dos acidentes</strong>, e o&nbsp;<strong>propósito final e misterioso do sacramento</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-ordem-natural-vs-ordem-sobrenatural"><strong>1. Ordem Natural vs. Ordem Sobrenatural:</strong></h3>



<p>No âmbito&nbsp;<strong>natural</strong>, os acidentes realmente têm como propósito&nbsp;<strong>expressar</strong>&nbsp;e manifestar a substância à qual pertencem. A textura do pão, seu sabor, seu odor e sua forma são modos pelos quais o intelecto humano reconhece a substância do pão.</p>



<p>Contudo, na&nbsp;<strong>Eucaristia</strong>, ocorre uma&nbsp;<strong>intervenção sobrenatural e miraculosa</strong>: a substância do pão e do vinho são convertidas no Corpo e Sangue de Cristo, enquanto os acidentes permanecem&nbsp;<strong>sem um sujeito material subjacente</strong>.</p>



<p>Por que isso não contradiz a filosofia aristotélica? Porque o que está sendo alterado não é a&nbsp;<strong>natureza</strong>&nbsp;do acidente em si, mas seu&nbsp;<strong>modo de existência</strong>. O acidente continua sendo um acidente, mas sustentado diretamente por Deus, e não mais pela substância criada.</p>



<p>Na&nbsp;<em>Summa Theologiae</em>, III, q.77, Santo Tomás explica que pelo poder divino, os acidentes podem permanecer sem a substância, pois não é da essência do acidente estar em um sujeito, mas ser uma qualidade de algo. Deus pode sustentar diretamente esse modo de ser.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-fun-o-sacramental-e-sinais-sens-veis"><strong>2. Função Sacramental e Sinais Sensíveis:</strong></h3>



<p>Os acidentes do pão e do vinho na Eucaristia não existem&nbsp;<strong>por acaso</strong>. Eles possuem uma&nbsp;<strong>função sacramental</strong>&nbsp;e catequética fundamental: servir como&nbsp;<strong>sinais visíveis</strong>&nbsp;da realidade invisível.</p>



<p>A Igreja ensina que os sacramentos são&nbsp;<strong>sinais visíveis da graça invisível</strong>. Na Eucaristia, os acidentes do pão e do vinho permitem que o fiel perceba externamente a realidade espiritual oculta da presença de Cristo.</p>



<p><strong>Por que manter os acidentes?</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Os acidentes tornam o mistério acessível aos sentidos humanos.</li>



<li>Eles preservam a continuidade sensível entre o pão comum e o Corpo de Cristo, para que a fé não se baseie em evidências físicas, mas espirituais.</li>



<li>E ainda servem como&nbsp;<strong>meios pedagógicos e espirituais</strong>, facilitando a adoração e a recepção digna do sacramento.</li>
</ul>



<p><em>Catecismo da Igreja Católica</em>, §1376: “pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue”</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-sustenta-o-pela-causa-primeira"><strong>3. Sustentação pela Causa Primeira:</strong></h3>



<p>Outro fundamento essencial da resposta tomista está na distinção entre&nbsp;<strong>causas segundas</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>causa primeira</strong>.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ordem Natural:</strong>&nbsp;Normalmente, a substância é a&nbsp;<strong>causa material</strong>&nbsp;dos acidentes. Ela sustenta e dá ser aos acidentes.</li>



<li><strong>Ordem Sobrenatural:</strong>&nbsp;No caso da Eucaristia, Deus, como&nbsp;<strong>causa primeira</strong>, sustenta os acidentes diretamente.</li>
</ul>



<p>Deus não precisa de causas intermediárias para manter os acidentes, pois Ele é a&nbsp;<strong>fonte de todo ser</strong>&nbsp;e pode agir diretamente, preservando os acidentes enquanto tais, sem a substância.</p>



<p>Assim como um pintor pode sustentar a imagem de um quadro em sua mente mesmo após apagar a tela, Deus pode sustentar os acidentes diretamente, sem a substância.</p>



<p>Diz o Aquinate na&nbsp;<em>Summa Contra Gentiles</em>, IV, c.63 que a mesma potência divina que dá ser à substância pode manter os acidentes no ser, pois o poder de Deus não está limitado às causas ordinárias.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-mist-rio-e-finalidade-teol-gica"><strong>4. Mistério e Finalidade Teológica:</strong></h3>



<p>A manutenção dos acidentes sem a substância também está relacionada à&nbsp;<strong>finalidade do sacramento</strong>. Na Eucaristia, os acidentes são preservados para favorecer a fé, a devoção e o respeito ao mistério eucarístico.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Finalidade espiritual:</strong>&nbsp;Os acidentes permitem que o fiel participe da realidade espiritual de forma acessível aos sentidos.</li>



<li><strong>Finalidade de fé:</strong>&nbsp;Se os acidentes fossem eliminados, o mistério seria invisível e poderia dificultar a compreensão do sacramento pelos fiéis.</li>



<li><strong>Finalidade litúrgica:</strong>&nbsp;A presença dos acidentes sustenta a adoração e o culto visível a Cristo presente na Eucaristia. A Eucaristia é um&nbsp;<strong>mistério de fé</strong>&nbsp;por excelência. Na celebração eucarística, o fiel é convidado a adorar o Cristo presente&nbsp;<strong>não pelo que vê, mas pelo que crê</strong>.</li>
</ul>



<p>Mais uma vez, na <em>Summa Theologiae</em>, III, q.75, a.1, Santo Tomás explica que os sentidos percebem os acidentes do pão e do vinho, mas o intelecto, iluminado pela fé, reconhece a presença real de Cristo.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-por-que-a-obje-o-falha-2"><strong>Por que a objeção falha?</strong></h3>



<p>A objeção de que “os acidentes expressam a substância e, sem substância, perdem seu fundamento” falha ao ignorar o seguinte:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Diferença entre essência e modo de existência:</strong>&nbsp;O acidente permanece sendo um acidente; apenas seu modo de sustentação foi modificado por um milagre.</li>



<li><strong>Causalidade Divina Direta:</strong>&nbsp;Deus sustenta os acidentes diretamente, sem a necessidade de um sujeito material.</li>



<li><strong>Função Sacramental:</strong>&nbsp;Os acidentes não estão presentes para expressar a substância anterior (pão), mas para servir como&nbsp;<strong>sinais</strong>&nbsp;sacramentais da presença real de Cristo.</li>



<li><strong>Finalidade Espiritual:</strong>&nbsp;A permanência dos acidentes facilita a participação sensorial e espiritual dos fiéis.</li>
</ul>



<p>Assim, fica claro que a objeção não se sustenta quando examinada à luz da filosofia tomista e da teologia sacramental.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não há contradição, pois os acidentes são sustentados diretamente por Deus.</li>



<li>A distinção entre ordem natural e sobrenatural resolve a questão metafísica.</li>



<li>Os acidentes possuem uma&nbsp;<strong>função sacramental essencial</strong>, que justifica sua permanência.</li>
</ul>



<p>Assim, Santo Tomás demonstra de forma clara e coerente que a permanência dos acidentes na Eucaristia, mesmo sem a substância do pão e do vinho, é perfeitamente consistente com a metafísica clássica e a doutrina católica.</p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-obje-o-4-seria-imposs-vel-para-deus-sustentar-acidentes-sem-subst-ncia">Objeção 4:&nbsp;<strong>Seria Impossível para Deus Sustentar Acidentes sem Substância.</strong></h1>



<p>Essa objeção levanta a questão de uma possível&nbsp;<strong>contradição lógica</strong>&nbsp;na doutrina da transubstanciação. Argumenta-se que os acidentes, por definição, são propriedades que inerecem em uma substância. Portanto, afirmar que acidentes possam existir&nbsp;<strong>sem substância</strong>&nbsp;pareceria contradizer o próprio conceito de acidente, pois sua natureza seria inseparável de um sujeito material.</p>



<p>A crítica central é que, se um acidente é, por definição, algo que&nbsp;<strong>existe em outro</strong>&nbsp;(como a cor branca existe em um objeto branco e não por si mesma), então seria impossível, mesmo para Deus, manter um acidente sem um sujeito. Essa objeção sugere que a doutrina da transubstanciação viola o princípio da&nbsp;<strong>não-contradição</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resposta-3"><strong>Resposta:</strong></h2>



<p>A doutrina tomista oferece uma resposta a essa objeção, esclarecendo a diferença entre o que constitui uma&nbsp;<strong>contradição lógica</strong>&nbsp;e o que é simplesmente uma&nbsp;<strong>limitação física</strong>&nbsp;ou uma ordem natural que pode ser suspensa por Deus.</p>



<p>A chave da resposta está em três pontos principais: a&nbsp;<strong>distinção entre impossibilidades lógicas e físicas</strong>, a&nbsp;<strong>onipotência divina como causa primeira</strong>, e a&nbsp;<strong>natureza do milagre e a ordem metafísica</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-distin-o-entre-impossibilidade-l-gica-e-impossibilidade-f-sica"><strong>1. Distinção entre Impossibilidade Lógica e Impossibilidade Física:</strong></h3>



<p>Santo Tomás diferencia duas categorias de impossibilidades:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Impossibilidade Lógica:</strong>&nbsp;Envolve contradições internas ao próprio conceito, como um&nbsp;<strong>círculo quadrado</strong>&nbsp;ou afirmar que “algo é e não é ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto”.</li>



<li><strong>Impossibilidade Física ou Natural:</strong>&nbsp;É a limitação das leis físicas ou das relações naturais, como um homem andar sobre as águas ou acidentes existirem sem substância.</li>
</ul>



<p>O que a objeção falha em reconhecer é que&nbsp;<strong>acidentes sem substância</strong>&nbsp;não constituem uma&nbsp;<strong>contradição lógica intrínseca</strong>, mas uma&nbsp;<strong>suspensão sobrenatural da ordem natural.</strong></p>



<p>Dizer que um círculo é quadrado é&nbsp;<strong>lógico e metafisicamente impossível</strong>, pois a própria definição de círculo exclui a de quadrado.</p>



<p>Porém, dizer que os acidentes podem existir sem uma substância não é contraditório&nbsp;<strong>em si mesmo</strong>, mas apenas algo que não ocorre na ordem natural ordinária.</p>



<p>Por isso Santo Tomás afirma na&nbsp;<em>Summa Theologiae</em>, III, q.77, a.1 que não é impossível que Deus sustente os acidentes sem a substância, pois Ele pode fazer o que é possível em si, ainda que fora da ordem natural.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-onipot-ncia-divina-deus-como-ato-puro-de-ser"><strong>2. Onipotência Divina: Deus Como Ato Puro de Ser:</strong></h3>



<p>O fundamento metafísico central da resposta tomista é o conceito de&nbsp;<strong>Deus como o ato puro de ser</strong>&nbsp;(<em>Ipsum Esse Subsistens</em>).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Deus é o próprio&nbsp;<strong>ser subsistente</strong>, a fonte de toda existência.</li>



<li>Sendo o fundamento do ser, Ele tem poder absoluto para&nbsp;<strong>sustentar qualquer realidade</strong>&nbsp;diretamente, sem depender de causas segundas.</li>



<li>A criação e a conservação do ser são continuamente sustentadas por Ele, de modo que manter acidentes sem substância é perfeitamente possível, pois tudo que existe já depende Dele.</li>
</ul>



<p>Na ordem criada, os acidentes dependem de uma substância porque a substância atua como&nbsp;<strong>causa material</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>sujeito do ser acidental</strong>.</p>



<p>No entanto, Deus pode, por Sua onipotência e de um modo extraordinário, sustentar os acidentes diretamente, já que Ele é a&nbsp;<strong>causa do ser</strong>&nbsp;de todas as coisas, inclusive das relações acidentais.</p>



<p>A <em>Summa Theologiae</em>, I, q.25, a.3 nos diz que Deus pode todas as coisas que não envolvem contradição, pois Ele é o próprio Ser, e tudo o que é, é sustentado por Ele.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-a-natureza-do-milagre-e-a-ordem-metaf-sica"><strong>3. A Natureza do Milagre e a Ordem Metafísica:</strong></h3>



<p>O conceito de milagre na teologia tomista não é uma&nbsp;<strong>violação</strong>&nbsp;das leis da natureza, mas uma&nbsp;<strong>suspensão ou exceção</strong>operada pelo poder divino.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Um milagre não nega a lógica ou a razão, mas suspende a forma como as causas ordinárias operam.</li>



<li>No caso da transubstanciação, Deus&nbsp;<strong>suspende a relação natural</strong>&nbsp;entre substância e acidentes, mantendo os acidentes diretamente como sinais sensíveis.</li>
</ul>



<p><strong>Exemplos Bíblicos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A multiplicação dos pães (Mt 14,13-21) envolveu a criação de matéria sem um processo natural.</li>



<li>Jesus caminhando sobre as águas (Mt 14,22-33) foi uma suspensão das propriedades físicas da água.</li>
</ul>



<p>Assim também na Eucaristia, os acidentes permanecem sem a substância, não por contradição, mas por uma ação divina extraordinária.</p>



<p>Por isso afirma Santo Tomás em&nbsp;<em>De Potentia Dei</em>, q.6, a.1, que a natureza obedece ao poder de Deus; e Ele pode agir fora das causas secundárias quando assim o deseja.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-o-milagre-na-eucaristia-e-sua-finalidade-sacramental"><strong>4. O Milagre na Eucaristia e sua Finalidade Sacramental:</strong></h3>



<p>A permanência dos acidentes sem substância na Eucaristia não é arbitrária, mas possui um propósito teológico e litúrgico:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Sinal Sacramental:</strong>&nbsp;Os acidentes visíveis de pão e vinho servem como&nbsp;<strong>sinais visíveis</strong>&nbsp;da realidade invisível do Corpo e Sangue de Cristo.</li>



<li><strong>Fé e Adoração:</strong>&nbsp;Manter os acidentes torna o mistério acessível aos sentidos humanos, convidando à fé.</li>



<li><strong>Continuidade Sensível:</strong>&nbsp;Os acidentes preservam a continuidade entre o pão e o Corpo de Cristo, facilitando a compreensão do mistério pelos fiéis.</li>
</ul>



<p><em>Catecismo da Igreja Católica</em>, §1380: “É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os seus sob forma visível, Cristo quis dar-nos a sua presença sacramental; e visto que ia sofrer na cruz para nos salvar, quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou &#8220;até ao fim&#8221; (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida. Com efeito, na sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós, e permanece sob os sinais que exprimem e comunicam este amor.”</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-5-por-que-essa-obje-o-falha"><strong>5. Por que essa objeção falha?</strong></h3>



<p>A objeção de que&nbsp;<strong>seria impossível para Deus sustentar acidentes sem substância</strong>&nbsp;falha por três razões principais:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Confusão entre Contradição Lógica e Suspensão Física:</strong>&nbsp;Acidentes sem substância não são logicamente impossíveis, mas uma exceção à ordem natural.</li>



<li><strong>O Poder Divino sobre o Ser:</strong>&nbsp;Deus, sendo a fonte de todo ser, pode sustentar diretamente os acidentes sem uma substância criada.</li>



<li><strong>Propósito Litúrgico e Sacramental:</strong>&nbsp;A permanência dos acidentes tem um propósito na economia sacramental: servir como sinais visíveis do Corpo de Cristo.</li>
</ol>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-conclus-o-a-coer-ncia-filos-fica-e-teol-gica-da-transubstancia-o"><strong>Conclusão: A Coerência Filosófica e Teológica da Transubstanciação</strong></h1>



<p>A doutrina da transubstanciação, embora à primeira vista possa parecer paradoxal ou até mesmo contraditória, revela-se profundamente coerente e filosoficamente defensável quando compreendida à luz da metafísica tomista e do ensinamento católico tradicional. As objeções analisadas, embora compreensíveis no contexto de uma análise puramente natural, falham ao ignorar distinções fundamentais na ordem do ser, especialmente a relação entre&nbsp;<strong>ordem natural e sobrenatural</strong>e o papel da&nbsp;<strong>causalidade divina</strong>.</p>



<p>A teologia eucarística, conforme articulada por Santo Tomás de Aquino e pela Tradição da Igreja, é sustentada por uma sólida base metafísica e teológica, que pode ser resumida em três princípios fundamentais:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-1-distin-o-entre-ess-ncia-e-modo-de-exist-ncia"><strong>1. Distinção entre Essência e Modo de Existência:</strong></h2>



<p>Um dos pilares mais importantes na defesa da transubstanciação é a distinção entre:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Essência do acidente:</strong>&nbsp;A natureza do acidente, como cor, sabor ou dimensão, permanece a mesma, independentemente de seu modo de existir.</li>



<li><strong>Modo de existência do acidente:</strong>&nbsp;Normalmente, os acidentes dependem de uma substância para existir, mas esse modo de sustentação pode ser excepcionalmente modificado por Deus.</li>
</ul>



<p>Essa distinção responde a todas as objeções que alegam que a separação entre acidentes e substância seria contraditória. Não há contradição, pois o acidente não perde sua essência. Ele continua sendo um acidente, mas seu&nbsp;<strong>modo de existir</strong>&nbsp;é mantido por Deus de forma milagrosa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-2-a-causalidade-divina-e-o-poder-sobre-a-ordem-natural"><strong>2. A Causalidade Divina e o Poder Sobre a Ordem Natural:</strong></h2>



<p>Outro aspecto central na defesa da transubstanciação é a distinção entre&nbsp;<strong>causas segundas</strong>&nbsp;(leis naturais) e a&nbsp;<strong>Causa Primeira</strong>&nbsp;(Deus).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Causas segundas:</strong>&nbsp;Na ordem natural, os acidentes dependem de uma substância como causa material e formal.</li>



<li><strong>Causa Primeira:</strong>&nbsp;Deus, como fundamento do ser, pode sustentar diretamente os acidentes, sem necessidade de uma substância criada.</li>
</ul>



<p>Essa distinção é fundamental para explicar por que Deus pode, de forma não contraditória, sustentar os acidentes do pão e do vinho após a consagração. A relação entre substância e acidente não é uma&nbsp;<strong>lei metafísica absoluta</strong>, mas uma&nbsp;<strong>relação contingente</strong>, mantida por Deus de acordo com a ordem natural criada por Ele mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-3-a-fun-o-sacramental-dos-acidentes"><strong>3. A Função Sacramental dos Acidentes:</strong></h2>



<p>A presença contínua dos acidentes após a consagração não é um detalhe secundário, mas possui um&nbsp;<strong>propósito sacramental profundo</strong>. Os acidentes servem como&nbsp;<strong>sinais visíveis</strong>&nbsp;de uma realidade invisível, que é a presença real de Cristo.</p>



<p>Essa função sacramental está ligada à natureza dos sacramentos enquanto&nbsp;<strong>sinais eficazes da graça</strong>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Sinal visível:</strong>&nbsp;Os acidentes permitem que o fiel perceba sensivelmente a realidade sacramental.</li>



<li><strong>Catequese e Mistério:</strong>&nbsp;A permanência dos acidentes ajuda a preservar o mistério, conduzindo o fiel à fé no que não se vê.</li>



<li><strong>Adoração e Reverência:</strong>&nbsp;A continuidade dos acidentes facilita o culto eucarístico, pois os fiéis veem o mesmo pão e vinho, mas adoram o Cristo presente. A permanência dos acidentes provoca o exercício da&nbsp;<strong>obediência da fé</strong>, ensinando que a realidade espiritual vai além do que é perceptível pelos sentidos.</li>
</ul>



<p>Essa abordagem sacramental mostra que a permanência dos acidentes não é arbitrária, mas parte essencial do mistério e do propósito do sacramento eucarístico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-4-consist-ncia-teol-gica-e-conformidade-com-o-ensino-da-igreja"><strong>4. Consistência Teológica e Conformidade com o Ensino da Igreja:</strong></h2>



<p>A doutrina da transubstanciação, conforme definida pelo&nbsp;<strong>Concílio de Trento</strong>, não apenas é coerente com a razão, mas também se fundamenta firmemente na tradição bíblica e patrística:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>João 6,51:</strong>&nbsp;“Eu sou o pão vivo que desceu do céu&#8230; o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.”</li>



<li><strong>São Cirilo de Jerusalém:</strong>&nbsp;“Não consideres o pão e o vinho como meros elementos; são, segundo a palavra do Senhor, o Corpo e Sangue de Cristo.” (<em>Catequeses Mistagógicas</em>)</li>
</ul>



<p>Essa doutrina é confirmada pelo&nbsp;<strong>Magistério da Igreja</strong>, especialmente no&nbsp;<em>Catecismo da Igreja Católica</em>&nbsp;(§1374-1376), e permanece como uma verdade de fé, protegida pela infalibilidade da Igreja.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclus-o-final"><strong>Conclusão Final</strong></h2>



<p>A análise tomista da transubstanciação demonstra que a doutrina:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Não é contraditória:</strong>&nbsp;A separação entre substância e acidentes não viola o princípio da não-contradição.</li>



<li><strong>Está enraizada em uma metafísica sólida:</strong>&nbsp;A distinção entre essência e modo de existência, e a causalidade divina, são chaves para a compreensão do mistério.</li>



<li><strong>Possui um fundamento sacramental:</strong>&nbsp;Os acidentes persistem para servir como sinais visíveis da presença real de Cristo.</li>



<li><strong>É consistentemente ensinada pela Igreja:</strong>&nbsp;Em continuidade com a Tradição e o Magistério infalível.</li>
</ul>



<p>Assim, a doutrina da transubstanciação, longe de ser uma imposição irracional, revela-se um mistério profundo, mas coerente, que respeita tanto a metafísica quanto a revelação divina. Ela convida os fiéis a uma&nbsp;<strong>experiência de fé e adoração</strong>&nbsp;ao Cristo realmente presente, reafirmando a verdade central da fé católica.</p>
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		<title>Podemos comungar em favor de alguém?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2020 16:30:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Podemos comungar em favor de alguém" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Para responder devidamente, distingamos dois aspectos da S. Comunhão: pode ser considerada em sentido estrito, como recepção de um sacramento, ou em sentido largo, como um ato bom, ato da virtude de piedade. O Sacramento da Comunhão A S. Comunhão&#160;entendida precisamente como sacramento&#160;produz em quem a recebe, frutos intransferíveis. Ela constitui a participação na ceia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Podemos comungar em favor de alguém" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Podemos-comungar-em-favor-de-alguém-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Para responder devidamente, distingamos dois aspectos da S. Comunhão: pode ser considerada em sentido estrito, como recepção de um sacramento, ou em sentido largo, como um ato bom, ato da virtude de piedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Sacramento da Comunhão</h2>



<p>A S. Comunhão&nbsp;<strong>entendida precisamente como sacramento</strong>&nbsp;produz em quem a recebe, frutos intransferíveis. Ela constitui a participação na ceia do Senhor, o nutrimento por excelência da vida espiritual. Por conseguinte, ela realiza seus efeitos à semelhança de um alimento; ora este, quando é sadio beneficia necessariamente a quem o recebe, independentemente da vontade ou dos desejos particulares de quem come: “Todos os efeitos que o alimento e a bebida materiais exercem em favor da vida corporal, a saber, sustento, aumento, restauração e deleite, isso tudo o sacramento da Eucaristia o produz no plano da vida espiritual” (S. Tomás, S. Teol. III 79, 1c).</p>



<p>Donde se vê que é impossível renunciar aos frutos diretos que a S. Eucaristia produz no comungante, por mais que este queira ser útil ao próximo; o alimento, como alimento, aproveita imediatamente a quem o ingere, e a este só.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Os Efeitos Diretos da Eucaristia</h3>



<p>Os&nbsp;<strong>efeitos principais</strong>&nbsp;da S. Comunhão são o aumento da graça santificante e o robustecimento das faculdades a esta anexas (as virtudes infusas, os dons do Espírito Santo); diz S.S. o Papa Leão XIII; «A Eucaristia é a fonte, enquanto os outros sacramentos são os filetes da graça» (Ene. «Mirae caritatis»). Em particular, a S. Eucaristia excita o fervor da caridade; o amor afervorado, por sua vez, concorre para a destruição do pecado venial, para a remissão das penas temporais, para a extinção dos ardores da concupiscência. Em uma palavra: a S. Comunhão torna a alma mais apta a produzir generosas obras meritórias.</p>



<p>Costuma-se propor a doutrina acima afirmando que a Eucaristia torna o- homem&nbsp;<strong>cristiforme</strong>, como o Batismo o torna&nbsp;<strong>deiforme</strong>. Isto quer dizer que a alma e o corpo do comungante participam mais intimamente da perfeição de que era ornada a santíssima humanidade de Cristo em virtude da união hipostática. Na verdade, o cristão, pela frequentação da Eucaristia, reflete mais claramente a imagem do Cristo Jesus; é mais estreitamente incorporado ao Corpo Místico e adquire novo penhor da ressurreição gloriosa de seu corpo.</p>



<p>«A S. Eucaristia, diz Bérulle (+1629), é como que uma imitação do mistério da Encarnação, uma aplicação e extensão deste a cada um dos cristãos e fiéis, assim como o mistério da Encarnação é uma imitação e extensão da comunicação suprema que se dá na Santíssima Trindade» (Discours de l&#8217;état et des grandeurs de Jesus).</p>



<p>«Sim, ensina por sua vez Bossuet (+1704), Jesus assume a carne de cada um de nós quando cada um de nós recebo a d&#8217;Ele. Então Ele se torna homem em nosso favor (e em nós, poder-se-ia dizer), e Ele nos aplica a sua Encarnação» (Méditations sur l&#8217;Evangile, 32e. jour).</p>



<p>Tais efeitos se verificam todas as vezes que a alma se apresenta em estado de graça à refeição sagrada. São, como se vê, efeitos que não podem ser cedidos a outrem.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Os Efeitos Secundários da Eucaristia</h3>



<p>Os&nbsp;<strong>efeitos secundários</strong>&nbsp;do Santíssimo Sacramento são alegria e deleite provenientes de dilatação da alma, que se vai emancipando do amor próprio. Estes dois frutos, porém, não são sempre percebidos experimentalmente pelo comungante&#8230; A alma lhes pode opor obstáculos, chegando-se à S. Eucaristia após preparação negligente, solicitada por distrações mais ou menos voluntárias. Da sua parte, o Senhor pode julgar oportuno privar de deleite sensível os cristãos fervorosos, submetendo-os a purificação salutar. Como norma geral, São Boaventura ensina que uma S. Comunhão bem preparada produz mais efeitos do que numerosas comunhões feitas com negligência (In IV Sent. dist. II, punet. II, art. 2, q. II).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um pouco de História</h2>



<p>Registraram-se nos primeiros séculos casos em que os fiéis recebiam a S. Comunhão, e até mesmo o Batismo, em favor dos mortos, julgando poder suprir a não recepção do sacramento por parte de pessoas já falecidas (em 1 Cor 15,29 é possível que São Paulo aluda a esse costume). Tal praxe, porém, e sua idéia inspiradora foram reprovadas em 393 pelo concilio regional de Hipona (cân. 4). Não obstante, o abuso continuou a ser cometido, suscitando novas intervenções da autoridade da Igreja no sínodo de Auxerre (585), no sínodo Trulano (692), nos Estatutos de S. Bonifácio (745).</p>



<p>Muito afim a esse costume errôneo era a praxe, assaz difusa no séc. IV, de se dar a S. Comunhão aos moribundos, de tal modo que as espécies sagradas estivessem em sua boca quando exalassem o último suspiro ; quando não se podia dar o&nbsp;sacramento antes do desenlace final, o mesmo ainda era colocado na boca do cristão após a morte. Os fiéis queriam beneficiar-se, em grau máximo, da S. Eucaristia entendida como viático ou alimento para a grande viagem da vida eterna e como penhor da ressurreição dos corpos. Já há muito que tal praxe caiu em desuso, pois se sabe que a Eucaristia, atuando à guisa de alimento, só produz seus efeitos quando chega ao estômago de quem a ingere (é o que se dá, aliás, com o nutrimento natural; todo sacramento sendo um sinal eficaz da graça, as leis da sua eficácia se depreendem, em boa parte, do modo como esse sinal atua no plano meramente natural).</p>



<p>Movidos por semelhantes idéias, os fiéis enterravam os mortos com as sagradas espécies; principalmente os bispos eram sepultados com uma hóstia consagrada sobre o peito; lê-se, por exemplo, na Vida de S. Basílio c. 4 (ed. Migne gr. XXIX 315) que, quando estava prestes a morrer, mandou celebrar a S. Eucaristia, consumindo então uma parte do sacramento e mandando colocar outra parte dentro do seu túmulo. Também este costume foi posteriormente ab-rogado pela autoridade da Igreja, pois se prestava ao abuso e à superstição.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Comunhão em favor de outros</h2>



<p>Até aqui falávamos da ação sacramental da S. Eucaristia, Demos agora um passo adiante em nossas considerações.</p>



<p>Além de ser recepção do Sacramento por excelência, o ato de comungar é um ato bom, ato de virtude. Os méritos desse ato redundam naturalmente em proveito do Corpo Místico ou da comunhão dos santos, podendo consequentemente ser aplicados a tal ou tal pessoa em particular; da mesma forma sabemos que é lícito fazer reverter em favor do próximo, seja vivo, seja defunto, os méritos de uma esmola ou de um sofrimento generosamente abraçado. A S. Comunhão, com todo o cortejo de atos fervorosos que a acompanham, tem diante de Deus grande valor para obter graças e pedir perdão. A recepção da S. Eucaristia é mesmo uma das maiores demonstrações de amor, por isto uma das obras mais agradáveis a Deus Pai e a Cristo. Por conseguinte, podem-se oferecer ao Senhor os frutos de uma boa Comunhão, rogando-Lhe que os faça redundar em proveito de determinadas pessoas ou intenções.</p>



<p>É principalmente após a recepção da S. Eucaristia, nos momentos de ação de graças, que se devem formular tais preces ao Pai do céu. Ensinam os teólogos que as orações da alma mais puramente unida a Cristo, enquanto dura a real presença do Senhor no comungante, gozam de eficácia toda especial; as preces dos fiéis são mais corroboradas pela recepção da S. Eucaristia do que pela doação de uma esmola. Donde se vê que os momentos subsequentes à S. Comunhão, por serem particularmente favoráveis à oração, devem gozar da grande estima dos cristãos.</p>
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		<title>A Eucaristia e a ressurreição do corpo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Petter Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2020 15:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/A-Eucaristia-e-a-ressurreição-do-corpo.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Eucaristia e a ressurreição do corpo" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/A-Eucaristia-e-a-ressurreição-do-corpo.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/A-Eucaristia-e-a-ressurreição-do-corpo-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/A-Eucaristia-e-a-ressurreição-do-corpo-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/A-Eucaristia-e-a-ressurreição-do-corpo-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/A-Eucaristia-e-a-ressurreição-do-corpo-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>(Por: Scott Hahn — St. Paul Center. Tradução por: Petter Martins) Bem antes de subir a via íngreme para o Calvário, Jesus disse a seus discípulos como nossa ressurreição aconteceria: &#8220;Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.&#8221; (João 6,51).   E o que é esse pão?&#160;Jesus nos diz na mesma linha: &#8220;E o [&#8230;]</p>
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<p>(Por:<a href="https://www.thecatholicthing.org/author/david-warren/"> </a><a rel="noreferrer noopener" aria-label=" (abre numa nova aba)" href="https://stpaulcenter.com/the-eucharist-and-the-resurrection-of-the-body/" target="_blank">Scott Hahn</a> — <a rel="noreferrer noopener" aria-label=" (abre numa nova aba)" href="https://stpaulcenter.com/the-eucharist-and-the-resurrection-of-the-body/" target="_blank">St. Paul Center</a>. Tradução por: <a href="https://cooperadoresdaverdade.com/autor/pettermartins/">Petter Martins</a>) Bem antes de subir a via íngreme para o Calvário, Jesus disse a seus discípulos como nossa ressurreição aconteceria: &#8220;<em>Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente</em>.&#8221;<em> </em>(João 6,51).  </p>



<p>E o que é esse pão?&nbsp;Jesus nos diz na mesma linha: &#8220;<em>E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo</em>&#8221; (João 6,51).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não é de surpreender que seus ouvintes judeus considerassem este plano de ressurreição decididamente inóspito.&nbsp;&#8220;<em>Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?</em>&#8221;&nbsp;eles perguntam (João 6,52).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Então, Jesus diz algo ainda mais específico:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.</p><cite>(João 6, 53–56)&nbsp;</cite></blockquote>



<p>Mais tarde, na Quinta-feira Santa, no Cenáculo, Ele nos mostra como isso é possível, segurando primeiro o pão e depois o cálice, dizendo: &#8220;<em>Este é o meu corpo&#8230; Este é o cálice do meu sangue&#8230;</em>&#8220;, e ordenou aos Doze que &#8220;<em>fizessem isso em memória de mim</em>&#8220;. No grego original do evangelho de Lucas, a palavra que traduzimos como &#8220;<em>memória</em>&#8221; é&nbsp;&nbsp;<em>anamnese</em>, o que significa muito mais do que simplesmente &#8220;<em>lembrar</em>&#8220;; sugere uma maneira de recordar eventos passados ​​de modo que efetivamente eles se tornem presentes. Em outras palavras, você não está repetindo a ação do passado; você está entrando nessa mesma ação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Portanto, quando Jesus diz aos apóstolos que &#8220;<em>façam isso em memória de mim</em>&#8220;, ele está ordenando que eles ofereçam o que ele ofereceria no dia seguinte, no Calvário, e oferecerá eternamente no céu.&nbsp;Eles não estão repetindo o sacrifício.&nbsp;Eles não podem.&nbsp;Você não pode repetir o que nunca acaba.&nbsp;Eles estão fazendo presente a própria oferta perpétua de Jesus Cristo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Os apóstolos nos permitem participar do Sacrifício da Nova Páscoa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Na Eucaristia, consumimos o Cordeiro de Deus como os israelitas consumiam o cordeiro sacrificial. O Cordeiro de Deus é o Cristo ressuscitado. Em toda missa, consumimos o corpo ressuscitado e glorificado de Jesus sob a aparência de pão e vinho. Comemos a carne e bebemos o sangue do Deus que se tornou homem, morreu e ressuscitou. O corpo que comemos é o mesmo que estava pendurado na cruz, deitado na tumba e que depois ressuscitou dos mortos. Esse corpo também é o mesmo corpo que atravessou paredes, que poderia estar com os discípulos Emaús num minuto e em Jerusalém no minuto seguinte, e depois subiu ao céu para sentar-se à direita do Pai.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Porém, Deus não ressuscitou Jesus dentre os mortos e depois o recebeu de volta ao céu na Quinta-feira da Ascensão, a fim de mantê-lo escondido atrás de algum trono celestial, a salvo de todos os homens mortais maus. Jesus também não subiu ao céu para se proteger ou se esconder do mundo no santuário de seu Pai. Na verdade, a ascensão de Jesus faz dEle o santuário. Faz dEle o lugar de refúgio para todos que acreditam nele. Também faz dEle o eterno sumo sacerdote, que pode se oferecer para sempre, e sempre se doar, sempre se comunicar conosco.&nbsp;</p>



<p>Como nosso sumo sacerdote, Jesus agora está sempre se oferecendo.&nbsp;E na Santa Missa, como membros de seu corpo, adotados na família de Deus através do batismo, estamos sempre recebendo-o.&nbsp;Essa recepção torna possível o que Jesus prometeu há muito tempo: <em>que quem comeu sua carne e bebeu seu sangue não pereceria, mas teria a vida eterna</em>.&nbsp;Na Santa Comunhão, Ele entra em nossos corpos mortais, para que, por sua vez, possamos entrar em seu corpo glorificado e imortal.&nbsp;</p>



<p>Quando comemos um hambúrguer, pizza ou maçã, esse hambúrguer, pizza ou maçã se torna parte de nós.&nbsp;Nós assimilamos estes alimentos em nossos corpos.&nbsp;Mas quando consumimos o Corpo e o Sangue de Jesus na Sagrada Comunhão, acontece exatamente o oposto.&nbsp;Em vez de nós assimilarmos Jesus em nossos corpos, Ele nos assimila ao seu corpo.&nbsp;Ele não se torna parte do nosso corpo.&nbsp;Nós nos tornamos parte do corpo dEle.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>É através deste misterioso intercâmbio de Graça que a Eucaristia se torna a causa instrumental de nossa Ressurreição. A Eucaristia age em nossas almas como alimento e remédio, alimentando-nos com a vida de Deus, curando nossas almas dos efeitos do pecado venial e nos transformando, dia após dia, em santos. É a Eucaristia que nutre nossas almas, fortalece nosso compromisso com a vida da Graça e nos une a nossos irmãos, formando-nos corporativamente no Corpo de Cristo. Por fim, é a Eucaristia que impregna nosso corpo mortal com a capacidade de ser divinizado, glorificado e ressuscitado no Corpo de Cristo. Como o Catecismo coloca, a Eucaristia é “<em>a semente da vida eterna e o poder da ressurreição</em>” (CIC 1524).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>É por isso que quase todas as aparições de Cristo ressuscitado nas Escrituras acontecem no contexto de uma refeição, e quando o dia é nomeado, num domingo.&nbsp;Essas aparições — no caminho de Emaús, no Cenáculo, na Praia — têm implicações eucarísticas.&nbsp;Jesus parte o pão com seus apóstolos e alimenta seus apóstolos e, ao fazê-lo, ele nos ajuda a entender que a ressurreição transforma seu corpo em algo que agora é distribuível, comunicável e comestível.&nbsp;Seu corpo foi glorificado e sua humanidade deificada e, ao entrar em nós, cria a capacidade dentro de nós de ser glorificado e deificado, e também de ressuscitar no último dia.&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>Como compreender a Transubstanciação?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2020 20:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Transubstanciação.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Transubstanciação" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Transubstanciação.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Transubstanciação-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Transubstanciação-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Transubstanciação-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Transubstanciação-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Ao tratar da Eucaristia, convém se lembre o estudioso de que está diante de um «mistério da fé» (por definição), mistério que não se pode pretender provar, mas no qual se pode mostrar não haver contradição. Supondo a Revelação sobrenatural, o católico entende unicamente evidenciar que o prodígio eucarístico é perfeitamente realizável pelo infinito poder [&#8230;]</p>
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<p>Ao tratar da Eucaristia, convém se lembre o estudioso de que está diante de um «mistério da fé» (por definição), mistério que não se pode pretender provar, mas no qual se pode mostrar não haver contradição. Supondo a Revelação sobrenatural, o católico entende unicamente evidenciar que o prodígio eucarístico é perfeitamente realizável pelo infinito poder de Deus.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. O significado do conceito de «transubstanciação»</strong></h2>



<p>A presença real do Senhor na Eucaristia é professada como consequência da transubstanciação do pão e do vinho, ou seja, consequência da conversão da substancia do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo.</p>



<p>O termo transubstanciação, na linguagem teológica, só se tomou corrente a partir do séc. XII, embora a realidade por ele expressa já fosse professada pela S. Escritura e pelas subsequentes gerações cristãs. Esse vocábulo representa todo o esforço da inteligência cristã que, procurando no decorrer dos tempos uma ilustração racional do depósito revelado ou do mistério da fé, finalmente a encontrou, e encontrou muito profunda e harmoniosa.</p>



<p>Pergunta-se então: quais as idéias que se prendem ao termo transubstanciação ?</p>



<p>Partamos das noções de substância e acidentes tais como o bom senso no-las sugere. Em todo ser há fundamento para distinguir entre um conjunto de notas contingentes,&nbsp;<strong>mutáveis</strong>, tais como o tamanho, a cor, o peso, o sabor, etc., e um substrato&nbsp;<strong>permanente</strong>&nbsp;que, conservando-se sempre o mesmo, dá unidade e coesão ao sujeito manifestado por suas notas sucessivas e variadas, ou seja, por seus acidentes. Esse substrato é, em Filosofia, chamado&nbsp;<strong>substância</strong>&nbsp;(= o que sub-está, o que suporta). Em qualquer pedaço de pão, por conseguinte, há um conjunto de notas acidentais, como a cor, as dimensões, o sabor, a posição no espaço, notas que podem sobrevir, mudar-se e desaparecer numa substância que as sustenta; esta substância, ninguém a vê como tal, pois só pode ser apreendida através das notas acidentais que dão a configuração externa a tal pedaço de pão; a substância, porém, é uma realidade cuja existência se impõe ao raciocínio.</p>



<p>Pois bem; a fé ensina que, quando as palavras da consagração são pronunciadas sobre o pão, a substância deste se muda ou converte totalmente em substância do corpo humano de Jesus (donde o nome «transubstanciação»), ficando, porém, os acidentes ou as notas externas do pão; sendo assim, sem mudar de aparência, o pão consagrado já não é pão, mas é substancialmente o corpo de Cristo. Análogo fenômeno se dá com o vinho ao serem pronunciadas sobre ele as palavras da consagração; sua substância se converte na do sangue do Senhor. — Não há dúvida, é este um caso de intervenção da Onipotência divina que não tem par em toda a ordem da natureza. Vê-se, porém, que, embora único, o fenômeno da transubstanciação não é absurdo; antes, tem seus pontos de contato com as categorias da filosofia e da inteligência humanas.</p>



<p>A concepção acima explica muito bem como o corpo de Cristo possa simultaneamente estar presente em diversas hóstias consagradas e em regiões múltiplas. Com efeito, Jesus não está presente na Eucaristia segundo as suas notas acidentais (entre as quais se enumera o ubi ou a localização no espaço); o ubi do corpo eucarístico de Cristo é-lhe dado pelo pão (isto é, pelo acidente ubi do pão). Ora, já que os fragmentos de pão se multiplicam com o seu ubi ou a sua localização própria no espaço, vê-se que onde quer que haja um pedaço de pão consagrado, ai pode estar, e de fato está, o corpo eucarístico de Cristo.</p>



<p>Em linguagem precisa, dir-se-á: a presença de Cristo eucarístico é presença no espaço, mas não é presença espacial ou local:</p>



<p>&#8211; é presença no espaço, porque, não há dúvida, o Cristo eucarístico entra nos nossos espaços, mas mediatamente, isto é, mediante o espaço que o pão ocupa;</p>



<p>&#8211; não é presença espacial ou local, porque Cristo na Eucaristia só existe como substância, substância da qual os acidentes «quantidade» e «localização no espaço», por disposição da Onipotência divina, não exercem seu efeito próprio. A substância, enquanto substância, é um puro princípio de ser; como tal, ela não implica localização; ela só entra em relação com o lugar ou o espaço mediante o acidente chamado «quantidade»,&nbsp;<strong>que</strong>&nbsp;lhe dá<strong>sua</strong>&nbsp;extensão e<strong>&nbsp;as suas</strong>&nbsp;dimensões próprias.</p>



<p>Isto faz que a presença do Cristo eucarístico se possa multiplicar (sem que o corpo de Cristo se multiplique), desde que se multipliquem os fragmentos de pão consagrados nas mais diversas terras do globo. Não há bilocação nem multilocação do corpo de Cristo, porque simplesmente não há locação do mesmo, mas apenas locação e multilocação do pão consagrado.</p>



<p>As idéias acima também explicam que o corpo de Cristo não se parta nem se divida quando se divide a hóstia consagrada, O corpo de Cristo sob os acidentes do pão nem tem extensão nem quantidade próprias; por conseguinte, não se pode dizer que a tal fragmento da hóstia corresponda tal parte do corpo de Cristo (é óbvio que as dimensões de uma hóstia pequenina não seriam comensuráveis com as do corpo do Senhor). Por conseguinte, quando o pão consagrado é partido, só se parte a quantidade do pão, não o corpo mesmo de Jesus.</p>



<p>Assim muitas hóstias e muitos fragmentos de hóstia não constituem muitos Cristos — o que seria absurdo —, mas muitas «presenças» de um só e mesmo Cristo. Analogamente a multiplicação dos espelhos não multiplica o objeto original, mas multiplica a presença desse objeto; também a multiplicação dos ouvintes de uma sinfonia não multiplica essa sinfonia, mas apenas a presença da mesma.</p>



<p>À luz de quanto acaba de ser dito, entende-se outrossim que, quando se deteriora o pão eucarístico por efeito do tempo, dos sucos digestivos ou de um agente corruptor, o que se estraga são apenas os acidentes do pão: quantidade, cor, figura&#8230; (estes acidentes é que evidentemente são atingidos pela deterioração); quanto ao corpo de Cristo, simplesmente deixa de estar presente sob os véus eucarísticos desde que estes sofram alteração tal que, segundo o bom senso, não possam mais ser identificados como tais; foi às espécies ou às aparências de pão e vinho, não às de algum outro corpo, que Cristo quis assegurar a sua presença sacramentai.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. Transubstanciação e Física moderna</strong></h2>



<p>A doutrina exposta não sofre contestação por parte da Física moderna.</p>



<p>Na verdade, a linguagem e a conceituação desta não interferem na linguagem e na conceituação da Filosofia e da Teologia. Ao falar de substância e matéria, por exemplo, o físico não tem em mira a mesma realidade que o filósofo e o teólogo. O físico descreve substância, matéria e, em geral, os corpos (a massa) de acordo com as reações dos mesmos ou os fenômenos que ele pode observar com os sentidos. O filósofo, ao contrário, entende por substância das coisas materiais&nbsp;<strong>uma entidade muito real, mas só perceptível pela inteligência</strong>. Os fenômenos, objeto único de que se ocupa o físico, são, para o filósofo, acidentes da substância; por conseguinte, as teorias da Física moderna, com as suas grandes inovações, se referem àquilo que em Filosofia se chama «<strong>acidentes</strong>», ao passo que a doutrina eucarística tem por objeto a&nbsp;<strong>substância</strong>, elemento de que as ciências naturais não tratam, porque não é objeto imediato de&nbsp;<strong>observação empírica</strong>.</p>



<p>Note-se, porém, que o magistério da Igreja, professando repetidamente a doutrina da transubstanciação (cf- Denzinger, Enchiridion 355 . 430 , 465 . 581. 698. 884), de modo nenhum associou o dogma a determinada escola filosófica. Embora os conceitos de substância e acidente tenham sido filosoficamente elaborados pelo Aristotelismo, é no seu sentido óbvio, acessível ao senso comum, que a Igreja entende estes dois vocábulos. Com efeito, mesmo a gente simples apreende o que é uma substância: a realidade que faz que um corpo seja e permaneça tal sob as mudanças de superfície (ou acidentais) que lhe possam ocorrer. Assim como o comum dos homens compreende o que se quer dizer quando se afirma que um corpo permanece substancialmente o mesmo sob as variações acidentais que se lhe possam infligir, assim entende também o que se quer asseverar quando se diz que, na Eucaristia, há mudança de substância, enquanto as aparências acidentais permanecem invariadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>3. Ainda uma dúvida</strong></h2>



<p>Mas ainda resta uma dificuldade: se há, de fato, transubstanciação, tem-se um milagre em cada consagração eucarística. Todavia consta da S. Escritura que os milagres realizados por Cristo sempre foram evidentes, impressionando os sentidos (em particular, a visão e a audição) dos que os presenciavam. Por conseguinte, caso se desse realmente o milagre da transubstanciação, ele deveria chamar a atenção dos homens, deixando o pão de parecer pão e o vinho de parecer vinho.</p>



<p>Responderemos que a Onipotência Divina é livre e soberana na distribuição de seus dons; pode outorgar benefícios às criaturas, ferindo os sentidos e impondo sua ação pela evidência, sem exigir explícito ato de fé. Mas Ela também pode produzir sua ação sem chamar a atenção da nossa sensibilidade, pedindo fé da nossa parte. Acaso estaria Deus obrigado a dispensar-nos as suas graças, fazendo-nos notar de cada vez por sinais extraordinários a intervenção de sua Bondade? Seria temerário pretender isto. — São Paulo mesmo nos ensina que a glossolalia (o falar línguas estranhas) é prodígio que Deus concede «não em favor daqueles que têm fé, mas em vista dos que não têm fé» (1 Cor 14,22); o que quer dizer que os portentos aptos a impressionar os sentidos não pertencem ao regime normal das relações de Deus com os seus fiéis.</p>



<p>Voltando agora ao tema eucarístico, verificamos que a S. Escritura atesta sobejamente que o Senhor quis fazer do pão o seu corpo e do vinho o seu sangue (cf. textos acima citados, qu. 3); ousaremos replicar-Lhe que Ele não tinha o direito de o fazer sem nos dar um sinal externo dessa mudança? Imporemos a Deus os moldes de suas graças?</p>



<p>Se, porém, alguém não queira chamar a transubstanciação «milagre», porque não impressiona os sentidos corpóreos, não a chame tal; está livre de se abster deste vocábulo; não queira, porém, negar a realidade da presença do Senhor por causa de um jogo de palavras!</p>
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		<title>Eucaristia: É&#8230; ou representa Jesus?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2020 19:56:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Eucaristia" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Introdução&#160; A Eucaristia é &#8220;Fonte de toda a vida cristã&#8221; A palavra Eucaristia vem do grego Eucharistein que quer dizer &#8220;Dar Graças a Deus&#8221;, c.f. Lc 22,19: &#8220;E tomou um pão, deu graças, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo: ‘Isto é o meu corpo&#8230;&#8221;. Este texto lembra as bênçãos judaicas que proclamam, sobretudo durante a [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Introdução&nbsp;</strong></h2>



<p>A Eucaristia é &#8220;Fonte de toda a vida cristã&#8221; A palavra Eucaristia vem do grego Eucharistein que quer dizer &#8220;Dar Graças a Deus&#8221;, c.f. Lc 22,19: &#8220;E tomou um pão, deu graças, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo: ‘Isto é o meu corpo&#8230;&#8221;. Este texto lembra as bênçãos judaicas que proclamam, sobretudo durante a refeição, as obras de Deus: a Criação, a Redenção e a Santificação.</p>



<p>É o sacrifício e Sacramento da nova lei, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual sob as espécies de &#8220;pão e vinho&#8221;, está presente e vivo, e o fruto é recebido. Enquanto Sacrifício a Eucaristia é chamada &#8220;Missa&#8221;, enquanto Sacramento é chamada &#8220;Sagrada Comunhão&#8221; ou &#8220;Santíssimo Sacramento&#8221;. A Eucaristia, quer como Sacrifício quer como Sacramento, é o centro de toda a vida e de todo o culto cristão, porque leva o homem a Deus e traz Deus ao homem.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Anúncios da Páscoa&nbsp;</strong></h2>



<p>A Ceia Pascal no Antigo Testamento&nbsp;</p>



<p>No Antigo Testamento, a Ceia Pascal era um memorial que pelos gestos e alimentos (Cordeiro Pascal, Pão sem fermento ou pães ázimos e Ervas amargas) lembrava a libertação milagrosa do povo de Israel da escravidão do Egito e sua partida para a Terra Prometida. Em Ex 12,5-6 lê-se: &#8220;O cordeiro será macho, sem defeito e de um ano. Vós o escolhereis entre os cordeiros ou entre os cabritos, e o guardareis até o décimo quarto dia desse mês; e toda a assembléia da comunidade de Israel o imolará ao crepúsculo&#8221;. (c.f. Lv 23, 4-14; Nm 28, 16-25). Comentário: &#8220;A Páscoa Judaica preparava assim a Páscoa Cristã: Cristo, Cordeiro de Deus, é imolado (cruz) e comido (ceia) no quadro da Páscoa Judaica (Semana Santa). Ele traz a salvação ao mundo, e a renovação mística deste ato de redenção torna-se o centro da Liturgia Cristã que se organiza tendo por centro a Missa, Sacrifício e Redenção&#8221; (c.f. nota ‘q’ &#8211; bíblia de Jerusalém, pág. 121).&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Eucaristia na Igreja hoje: Sacrifício</strong></h2>



<p>O Sacrifício foi instituído por Cristo para que, segundo suas palavras, fosse perpetuado pelos séculos, até a sua volta (c.f. I Cor 11, 23-26). &#8220;Os sacerdotes reapresentam e aplicam no sacrifício da Missa, o Sacrifício de Cristo, que como hóstia imaculada se ofereceu ao Pai.&#8221; (c.f. Lumen Gentium).</p>



<p>É necessário portanto que estejamos puros de alma para que, como visto acima, sirvamos ao Deus Vivo e festejemos a festa da vida eterna. Para finalizar este tópico, atentemos a Eucaristia como celebração. É impressionante que todas as orações se dirijam não a Cristo mas, através dele, ao Pai. Se tivermos que destacar um ponto culminante na Celebração enquanto tal, sem dúvida esse ponto seria na Doxologia: &#8220;Por cristo, Com Cristo e em Cristo&#8221;. E a história humana poderá encerrar-se quando o cristo da páscoa houver reunido em si todos os homens. &#8220;Deus será tudo em todos&#8221;.(c.f. I Cor 15, 28).&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Eucaristia na Igreja hoje: Sacramento</strong></h2>



<p>O que a Igreja vive ao nível da sua compreensão do mistério, ela o atualiza em sua vida litúrgica e sacramental, particularmente na Celebração da Eucaristia. Esta celebração está no centro da vida da Igreja, e não é um momento isolado de sua existência, mas é tudo na vida da Igreja e da qual procede toda a força do anúncio evangélico. Vejamos em Jo 3, 16: &#8220;Pois deus amou tanto o mundo , que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna&#8221;.&nbsp;</p>



<p>Comentário: a Igreja em nome de toda a humanidade, rende graças ao Pai, por seu incrível amor. Deus respondeu ao egoísmo dos homens com a caridade do dom de seu Filho, e enviou-lhe cheio dos dons do espírito. A Igreja sabe disso e dá graças.&nbsp;</p>



<p>Graças ao Concílio Vaticano II. nós nos demos conta, com vigor renovado, desta verdade: assim como a igreja &#8220;faz a Eucaristia, a Eucaristia constrói a Igreja&#8221;. A Igreja foi fundada como comunidade nova do povo de Deus, na comunidade apostólica daqueles doze que durante a &#8220;Última Ceia&#8221;, se tornaram participantes do Corpo e do Sangue do Senhor &#8220;sob as espécies do pão e do vinho&#8221;. Vejamos em 1 Cor 11, 23-26: &#8220;Com efeito, eu mesmo recebi do Senhor o que vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu Corpo que é para vós; fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo, após a Ceia, também tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu Sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’. Todas as vezes, pois, que comeis deste pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha.&#8221;&nbsp;</p>



<p>Comentário: Os Doze, cumprindo sua ordem, entram pela primeira vez em comunhão Sacramental com o filho de Deus, que é penhor de vida eterna. E a partir daquele momento, até o fim dos séculos, a Igreja se constrói, mediante a mesma comunhão com o &#8220;Filho de Deus&#8221; que é penhor da Páscoa Eterna. (c.f. Mt 26, 26-29; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20).&nbsp;</p>



<p>Para finalizar esta quinta parte do nosso estudo, vejamos a principal mensagem que a Igreja passa para os seus fiéis em relação à seriedade deste Sacramento: &#8220;Eis porque todo aquele que comer do pão e beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber deste cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação&#8221;. (1 Cor 11, 29). Vejamos também em Jo 6, 53-56: &#8220;Então Jesus lhes respondeu: ‘Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna. e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim, e Eu nele.&#8221;&nbsp;</p>



<p>Comentário:&nbsp;</p>



<p>A intenção da Igreja não é fazer com que os cristãos tenham receio de comungar, mas que cada um compreenda melhor que a comunhão obriga a imitar aquele que morreu perdoando, e a interiorizar plenamente uma conversão Pascal e Batismal. Aquele que recebe o pão aceita tornar-se ele mesmo pão, entendendo assim que deve doar-se aos irmãos como Cristo se doou para nós.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Presença real de Jesus na Eucaristia&nbsp;</strong></h2>



<p>Vimos anteriormente, o quanto Cristo é claro no que se refere a importância de seu corpo e sangue. Para crermos na presença real de Jesus na Eucaristia, vejamos algumas questões importantes:&nbsp;</p>



<p>1 &#8211; Os Evangelhos foram escritos na língua Grega, de alta cultura, na qual existem muitas expressões para os verbos simbolizar, significar (=em grego &#8220;Semanei&#8221;), representar, lembrar, etc. no entanto, os três evangelistas (Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20) e São Paulo (1 Cor 11,23-26) no descreverem a última Ceia de Jesus, usam exclusivamente a forma grega &#8220;Esti&#8221;, que somente significa &#8220;É&#8221;. Desta maneira transmitiram-nos, unanimemente a interpretação autêntica das palavras de Jesus: &#8221; Isto é o meu corpo&#8230;; este é o cálice do meu sangue&#8230;&#8221;.&nbsp;</p>



<p>2 &#8211; Na língua de Jesus, o aramaico, também escreveu-se, isto é o meu corpo e não, isto representa (simboliza, relembra) o meu corpo.&nbsp;</p>



<p>3 &#8211; Se não houvesse a presença real de Jesus na Eucaristia, São Paulo não escreveria em 1 Cor 11, 27-29: &#8220;Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação&#8221;.&nbsp;</p>



<p>4 &#8211; O evangelista São João em seu evangelho no capítulo 6, versículo 22 ao 71, nos fala do discurso de Jesus aos judeus e aos seus discípulos ( que eram centenas deles) na Sinagoga de Cafarnaum. Nesta Sinagoga Jesus diz com palavras claras e compreensíveis a todos: &#8220;Eu sou o Pão da vida&#8221;, &#8220;Eu desci do céu&#8221;, &#8220;Quem comer deste pão viverá eternamente&#8221;, &#8220;O Pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo; se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna&#8221;.&nbsp;</p>



<p>Os judeus e os seus discípulos entenderam, perfeitamente, que Jesus dissera comer a sua carne e beber o seu sangue, como diz o versículo 52: &#8220;os Judeus discutiam entre si dizendo: ’Como esse homem pode dar-nos a sua carne a comer ? ‘. Ora se Jesus tivesse falado algo que tivesse sido interpretado erroneamente, ele esclareceria o verdadeiro sentido das suas palavras, pois ele é o caminho, a verdade e a vida.&nbsp;</p>



<p>Mas não esclareceu. Diz o versículo 60: &#8220;Muitos de seus discípulos, ouvindo-o disseram: ‘Essa palavra é dura! quem pode escutá-la ? ‘ ; e Jesus fala no versículo 61: &#8220;&#8230; Isto vos escandaliza?&#8221;. Porém como nos narra no versículo 66: &#8220;A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele&#8221;. Parece até que os versículos 64 e 65 foram escritos para aqueles que negam a presença real de Jesus na Eucaristia, quando Jesus disse: &#8220;Alguns de vós,&nbsp; porém, não creem&#8221; .&nbsp;</p>



<p>Jesus sabia , com efeito , desde o princípio , quais os que não criam e dizia : &#8220;Por isso vos afirmei que ninguém pode vir a Mim , se isso não lhe for concedido pelo Pai&#8221;.&nbsp;</p>



<p>Importante: A clareza e a insistência destas palavras, exigem que sejam entendidas em seu pleno realismo. No versículo 52 é usado o verbo grego &#8220;Phagein&#8221; (comer), já no versículo 54 [&#8220;Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia&#8221;], o verbo usado é &#8220;Trogo&#8221; (dilacerar, mastigar).&nbsp;</p>



<p>Assim compreendemos que Jesus não desfaz nenhum mal entendido, porque simplesmente não há mal entendido!&nbsp;</p>



<p>A respeito desta questão, o humorista , crítico irônico, Erasmo de Rotterdam, que escrevia sobre as reformas Eucarísticas de Lutero e Zwínglio (fundadores do Protestantismo) disse em torno de 1529 o seguinte texto: &#8220;Jamais me pude persuadir de que Jesus, a verdade e a bondade mesmas, tenha permitido que por tantos séculos a sua Esposa, a Igreja, tenha prestado adoração a um pedaço de pão em lugar de adorar a Jesus mesmo.&#8221;. Há alguns casos de milagres Eucarísticos que parecem ter por finalidade pôr em evidência o realismo e a eficácia da presença de Cristo sob os sinais do pão e do vinho, é o que chamamos de milagre da Transubstanciação – muda-se a matéria sem mudar os acidentes. Podemos citar 130 milagres, dentre os quais os dois mais famosos são os de Lanciano e Turim.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os Milagres Eucarísticos&nbsp;</strong></h2>



<p>Uma antiga tradição, que vai desde a origem do Cristianismo até os nossos dias, atesta a existência de milagres Eucarísticos. De modo geral, revelam a presença de Cristo no Sacramento e manifestam a natureza e os efeitos da mesma. Há tempos, foi traçado um &#8220;Mapa Eucarístico&#8221;, que registra o local e a data de mais de 130 milagres, metade dos quais ocorridos na Itália.</p>



<p>Escolhemos dentre estes dois milagres verificados entre 700 e 1700. Selecionamo-los dentre os mais bem documentados e os mais eloquentes, visto que não há para todos, como se compreende, um abono de provas históricas e científicas igualmente rigoroso e persuasivo.&nbsp;</p>



<p>1– em Turim &#8211; em 1453, houve a queda do Império Romano do Oriente. Renato (Duque de Anjou e de Lorena – Itália) foi vencido em batalha muito sangrenta após a qual os Piemonteses saquearam todas as residências da cidade; ao chegarem a Igreja, forçaram o Tabernáculo. Tiraram o ostensório de prata, no qual se guardava o corpo de cristo ocultando-no dentro de uma carruagem juntamente com os outros objetos roubados, e dirigiram-se para Turim. Crônicas antigas relatam que, na altura da Igreja de São Silvestre, o cavalo parou bruscamente a carruagem – o que ocasionou a queda, por terra, do ostensório – dizem que então o ostensório se levantou nos ares &#8220;com grande esplendor e com raios que pareciam os do sol&#8221;.&nbsp;</p>



<p>Os espectadores chamaram o Bispo da cidade, Ludovico Romagnano, que foi prontamente ao local do prodígio. Quando chegou, &#8220;O ostensório caiu por terra, ficando o corpo de Cristo nos ares a emitir raios refulgentes&#8221;. O Bispo, diante dos fatos, pediu que lhe levassem um cálice. Dentro do cálice, desceu a hóstia, que foi levada para a catedral com grande solenidade. Era o dia 9 de junho de 1453. Existem testemunhos contemporâneos do acontecimento (Atti Capitolari de 1454 a 1456). No século seguinte, a Câmara Municipal mandou construir uma Capela ou Oratório sobre o lugar do milagre. O oratório foi destruído para ceder à construção da Igreja de &#8220;Corpus Domini&#8221; (1609), que até hoje atesta o prodígio.&nbsp;</p>



<p>2 – Em Lanciano – Estamos em data não claramente definida do séc. VIII. Um monge da ordem de São Basílio estava celebrando na Igreja dos santos Degonciano e Domiciano. Terminada a Consagração, que ele realizara provavelmente em estado de dúvidas interiores, senão de incredulidade, a hóstia transformou-se em carne e o vinho em sangue depositado dentro do cálice. Ao ver isto, o monge, perturbado e atônito, procurou ocultar o fato; mas depois, reagindo à emoção, manifestou-o aos fiéis, que, feitos testemunhas do milagre, espalharam a notícia pela cidade. – O exame das relíquias, segundo critérios rigorosamente científicos, ocorrido pela última vez em 1970, levou aos seguintes resultados muito significativos:&nbsp;</p>



<p>A) A hóstia, que a tradição diz ter-se transformado em carne, é realmente constituída por fibras musculares estriadas, pertencentes ao miocárdio. Acrescente-se que a massa sutil de carne humana que foi retirada dos bordos, deixando amplo vazio no centro é totalmente homogênea. Com outras palavras: não apresenta lesões, como os apresentaria se se tratasse de um pedaço de carne cortada com uma lâmina.&nbsp;</p>



<p>B) Quanto ao sangue, trata-se de genuíno sangue humano. Mais: o grupo sanguíneo ‘A’ que pertencem os vestígios de sangue, o sangue contido na carne e o sangue do cálice revelam tratar-se sempre do mesmo sangue grupo ‘AB’ (sangue comum aos Judeus). Este é também o grupo que o professor Pierluigi Baima Bollone, da universidade de Turim, identificou na Sagrada Mortalha (Santo Sudário).&nbsp;</p>



<p>C) Apesar da sua antiguidade, a carne e o sangue se apresentam com uma estrutura de base intacta e sem sinais de alterações substanciais; este fenômeno se dá sem que tenham sido utilizadas substâncias ou outros fatores aptos a conservar a matéria humana, mas, ao contrário, apesar da ação dos mais variados agentes físicos, atmosféricos, ambientais e biológicos. A linguagem das relíquias de Lanciano é clara e fascinante: verdadeira carne e verdadeiro sangue humano, na sua inalterada composição que desafia os tempos; trata-se mesmo da carne do coração, daquele coração do qual, conforme a fé, jorrou o sangue que dá a vida.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão&nbsp;</strong></h2>



<p>A Eucaristia é a maneira que Jesus escolheu para permanecer conosco e nos alimentar de sua própria vida. Deus quer que todos os homens tenham alimento para o sustento do corpo e busquem a Eucaristia para alimento espiritual. Alimento este para reforçar a vida daquele que participa deste banquete, a fim de poder realizar em nós, aqui na terra, as boas obras e um testemunho vivo da presença de nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Eucaristia.</p>
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		<title>Os Efeitos da Eucaristia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cooperadores]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2020 17:16:57 +0000</pubDate>
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<p>Entre 1508 e 1566 viveu o teólogo Francisco de Mendoza, também bispo e cardeal da Igreja. Devido às suas ocupações de dignatário eclesiástico pouco pôde escrever, embora tenha deixado um livro importante sobre a Eucaristia, publicado pela primeira vez apenas no século XX, após a Segunda Grande Guerra, o De Naturali cum Christo Unitate Libri [&#8230;]</p>
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<p>Entre 1508 e 1566 viveu o teólogo Francisco de Mendoza, também bispo e cardeal da Igreja. Devido às suas ocupações de dignatário eclesiástico pouco pôde escrever, embora tenha deixado um livro importante sobre a Eucaristia, publicado pela primeira vez apenas no século XX, após a Segunda Grande Guerra, o De Naturali cum Christo Unitate Libri V, surgido à luz em Roma no ano de 1948.</p>



<p>No &#8220;L&#8217;Eucaristia&#8221; de Antonio Piolanti, autor que foi o primeiro e também, segundo parece, até hoje o único editor do De Naturali Unitate encontram-se alguns comentários sobre a obra de Mendoza. Uma resenha do livro pode ser encontrada também num trabalho de Joaquin Blazquez publicado na Revista Española de Teologia de abril de 1944, antes, pois, do livro ter sido publicado pela primeira vez. No seu trabalho, Blazquez afirma ter lido os originais manuscritos da obra de Mendoza encontrados na Biblioteca Nacional de Madri e o termina sugerindo a importância de sua publicação.</p>



<p>O tema central desta obra do Cardeal Mendoza são os efeitos da Eucaristia. Por ter Santo Tomás de Aquino tratado deste mesmo assunto de um modo algo diverso de como o fêz o Cardeal, traduzimos a seguir as considerações de Piolanti e resumimos o trabalho de Blazquez para contribuir ao estudo deste tema, sem pretender, de momento, externar uma posição a respeito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Natureza dos Efeitos da Eucaristia</strong></h2>



<p>Os efeitos da Eucaristia são substancialmente comuns a todos os sacramentos. É, portanto, legítimo perguntar em que sentido podem ser atribuídos de modo especial a este sacramento. Este problema se colocou claramente no pensamento cristão apenas no século XVI. O Cardeal Mendoza, falecido em 1566, de quem até hoje ignorava-se a sua genuína doutrina, foi quem o resolveu pela primeira vez. A Eucaristia, diz ele, diversamente dos demais sacramentos, produz um efeito especial, que dura também após o desaparecimento das espécies, e é constituído pela participação na alma e no corpo do fiel das perfeições de que estava ornamentada a humanidade de Jesus Cristo em virtude da união hipostática. Este carisma especial, que deve ser identificado com a graça sacramental, é &#8220;um certo dom cristífico&#8221;, que torna cristiforme a alma de quem comunga, assim como a graça santificante torna deiforme o que se batiza. Por causa deste dom cristífico, o comungante se une de modo mais perfeito que nos demais sacramentos a Jesus Cristo, de quem participa as perfeições e reflete a imagem, une-se mais estreitamente ao seu Corpo Místico e possui um direito mais fundamentado à ressurreição gloriosa de seu corpo.</p>



<p>Estas colocações, bem entendidas, não poderiam ter recebido senão o consenso geral. No entanto, tendo sido expostas de modo bastante prolixo e com expressões ambíguas, como a de &#8220;união natural&#8221; e, mais ainda, em uma obra que nunca foi publicada, mas que todos em sua época presumiram conhecer, deu margem a discussões que duraram dois séculos e na qual entraram teólogos de clara fama, como Luiz de León, Diego de Tapia e Tomassin, a favor; Suarez, Vasquez e os Salmaticences, em forte oposição; e os Cardeais Cienfuegos e Belluga, com amplificações exageradas. As explicações de Mendoza, substancialmente verdadeiras, não são todavia completas porque não elucidam o modo como este dom cristífico da Eucaristia produz uma união mais perfeita entre a cabeça e os membros do Corpo Místico e um maior direito à ressurreição do corpo.</p>



<p>Quer nos parecer que esta lacuna possa ser preenchida considerando o dom cristífico, que deve ser identificado com a graça sacramental própria da Eucaristia, sobre o fundo geral da economia sacramental e à luz do pensamento de Santo Tomás de Aquino, o qual, mesmo que não tenha redigido uma síntese a este respeito, colocou, porém, os seus princípios e espalhou em muitas passagens de sua obra preciosos elementos.</p>



<p>A economia sacramental é assim ordenada: o Batismo e a Crisma foram instituídos para iniciar a vida sobrenatural; a penitência e a extrema unção para devolvê-la depois do pecado; a ordem e o matrimônio para estendê-la a outros, e a Eucaristia para levá-la à sua perfeição. Os Santos Padres, de fato, nos apresentam a Eucaristia como o último complemento e Santo Tomás de Aquino como a consumação da vida espiritual (Summa Theologiae III Q.73 a.3). Como tal deve completar todo o organismo espiritual no seu ser, que é a graça santificante; nas suas faculdades, que são as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo; na sua atividade, que é a graça atual; e nos seus frutos, que são as boas obras.</p>



<p>A Eucaristia, conforme se depreende de um conjunto de documentos dogmáticos e teológicos, produz uma graça habitual mais abundante:</p>



<p><em>&#8220;A Eucaristia é fonte, enquanto que os outros sacramentos são os rios da graça&#8221;. — Concílio Tridentino</em></p>



<p><em>&#8220;A origem de todos os bens espirituais é o Augusto Sacramento da Eucaristia&#8221;. — Leão XIII, Enc. Mirae Charitatis</em></p>



<p><em>&#8220;A Eucaristia contém como em uma suma e em capítulo o que está disperso em todos os demais sacramentos&#8221;. — Santo Tomás de Aquino, In Sententiarum IV D.8</em></p>



<p>A Eucaristia aumenta a caridade ao seu máximo grau:</p>



<p><em>&#8220;A sincera caridade emana e arde copiosamente da Santíssima Eucaristia&#8221;. — Leão XIII, Enc. Mirae Charitatis</em></p>



<p><em>&#8220;Em virtude da Eucaristia ocorre uma certa transformação do homem em Cristo por via de amor e este é o efeito próprio deste sacramento&#8221;. — Santo Tomás de Aquino, In Sent. IV D.12</em></p>



<p>Estimula, pela graça atual, o fervor, conforme a doutrina comum claramente expressa pelo Doutor Angélico:</p>



<p><em>&#8220;Por meio deste sacramento o amor é estimulado ao ato&#8221;. — Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae III Q.79</em></p>



<p>Ensina também Tomás de Aquino que o fervor da caridade, pela sua natureza, destrói os pecados veniais, perdoa a pena temporal, preserva os pecados futuros diminuindo e acalmando os ardores da concupiscência e revelando as insídias do demônio. Deste conjunto de dons sobrenaturais emanam, portanto, como conseqüência natural, mais numerosas e mais perfeitas as obras meritórias da vida eterna.</p>



<p>Já que tais efeitos, que no seu conjunto são verdadeiramente um &#8220;dom cristífico&#8221;, constituem, como é fácil de se entender, a plena incorporação a Cristo, a mais perfeita união entre os fiéis, o mais alto direito à glorificação da alma e do corpo, cada um dos fiéis, assim como a Igreja inteira, alcançam o cimo da perfeição espiritual e a maturidade para a visão beatífica. Depois da Eucaristia não resta senão a glória.</p>



<p>Um ponto apenas resta ser esclarecido, isto é, de que maneira a Eucaristia pode dizer-se causa especial da ressurreição do corpo. Tanto mendoza como Contenson, este falecido em 1674, supuseram que o dom cristífico fosse como um gérmen físico divinamente conservado nos restos mortais e que, no momento estabelecido por Deus, como uma brasa debaixo da cinza, reacenderia a vida onde reinava a morte. Já os Salmaticences pensam que a graça sacramental da Eucaristia, inerente à alma, se tornará, no dia do Juízo, instrumento nas mãos de Deus para vivificar os corpos. M. de la Taille nos apresenta, porém, a doutrina mais comum e mais segura: a Eucaristia, comunicando à alma o máximo dom sobrenatural, seria causa indireta de uma ressurreição mais gloriosa. De fato, a alma possui uma ordenação transcendental ao corpo, e esta tendência deverá ter sua realização no fim dos tempos, quando Deus reunir os corpos às respectivas almas. Naquele momento a alma, aperfeiçoada pela Eucaristia, comunicará, por uma certa redundância, o seu esplendor ao corpo. Deste modo é fácil entender que o corpo daqueles que tiverem recebido da Eucaristia graça mais perfeita e mais abundante brilhará com uma luz especial entre os demais corpos gloriosos.</p>
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		<title>A Eucaristia em João 6</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Flávio Ayres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2020 16:35:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Eucaristia" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>(Tim Staples. Traduzido por Flávio Ayres) Para milhões de cristãos não-católicos, Jesus estava se utilizando de puro simbolismo em João 6, 53 quando declarou aos seus seguidores “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. As [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Eucaristia" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Eucaristia-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>(<a rel="noreferrer noopener" aria-label="Tim Staples (abre numa nova aba)" href="https://timstaples.com/2019/the-eucharist-in-john-6/" target="_blank">Tim Staples</a>. Traduzido por <a href="https://cooperadoresdaverdade.com/autor/flavioayres/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label=" (abre numa nova aba)">Flávio Ayres</a>) Para milhões de cristãos não-católicos, Jesus estava se utilizando de puro simbolismo em João 6, 53 quando declarou aos seus seguidores <em>“Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”</em>. As razões que os não-católicos dão geralmente podem se resumir às seguintes: Primeiro, uma interpretação literal tornaria os cristãos canibais; Segundo, Jesus diz ser a “<em>porta</em>” em João 10, 9 e a “<em>videira</em>” em João 15, 5, os católicos acreditam que eles devem arrancar uma folha da videira ou engraxar as dobradiças da porta para ir para o céu? Os não-católicos dizem que Jesus está usando uma metáfora em João 6, assim como ele faz em outros lugares dos Evangelhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Católicos Canibais?</h2>



<p>A afirmação sobre o canibalismo não se sustenta por, pelo menos, três motivos. Primeiro, católicos não recebem Nosso Senhor sob uma forma canibalesca, católicos o recebem sob a forma de pão e vinho. O canibal mata sua vítima, Jesus porém não morre quando é consumido na comunhão. De fato, ele não é modificado em nada, quem o consome é a única pessoa que é transformada. O canibal come partes de sua vítima enquanto na comunhão o Cristo inteiro é consumido — corpo, sangue, alma e divindade. O canibal ainda derrama o sangue da sua vítima, mas na comunhão Nosso Senhor se dá em sacrifício a nós de modo incruento.</p>



<p>Segundo, se fosse verdadeiramente imoral em qualquer sentido, que Cristo nos entregasse sua carne e sangue para comer, seria contrário à sua santidade dizer a qualquer um que seja para que comesse seu corpo e sangue — mesmo que simbolicamente. Reproduzir um ato imoral simbolicamente seria por natureza imoral.</p>



<p>Ainda mais, as expressões “<em>comer a carne</em>” e “<em>beber o sangue</em>” já foram usadas simbolicamente no antigo testamento hebreu e no novo testamento grego, que foi muito influenciado pelo hebraico. Em Salmos 27, 1-2, Isaías 9, 18-20, Isaías 49, 26, Miquéias 3, 3 e Apocalipse 17, 6-16, nós encontramos essas palavras (<em>comer a carne e beber o sangue</em>) entendidas como simbólicas para <em>perseguir ou agredir alguém</em>. A “audiência” judaica de Jesus jamais pensaria que ele estivesse falando “<em>Se não me perseguirem e me agredirem, não tereis a vida em vós.</em>”. Jesus nunca encorajou o pecado. Esta pode, muito bem, ser uma outra razão para os judeus terem entendido Cristo, por sua palavra em João 6.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Metáfora?</h2>



<p>Se Jesus estivesse falando puramente em termos simbólicos, sua competência como professor teria de ser questionada. Ninguém ouvindo a Ele entendeu que estivesse falando metaforicamente. Ponha em contraste a reação de seus ouvintes ao ouví-los dizer ser a “<em>porta</em>” ou a “<em>videira</em>”. Em nenhum lugar encontramos alguém perguntando “<em>Como este homem pode ser uma porta feita de madeira?</em>”, ou “<em>Como pode este homem dizer que é uma planta?</em>”. Quando Jesus falava em metáforas, seus ouvintes pareciam entender completamente isso.</p>



<p>Quando examinamos o contexto de João 6, 53, as palavras de Jesus não poderiam ser mais claras. No versículo 51, Ele diz claramente ser o “<em>pão vivo</em>” que seus discípulos devem comer. E Ele diz em termos bem claros que “<em>o pão que eu darei é a minha carne</em>”. Então, quando os judeus discutiam, dizendo “<em>como é que ele pode dar sua carne a comer?</em>”, no versículo 52, Ele reitera mais enfaticamente ainda, “<em>Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós</em>”.</p>



<p>Compare isto com outras ocorrências nas Escrituras onde os discípulos do Senhor estão confusos sobre seus ensinamentos. Em João 4, 32, Jesus diz: “<em>Eu tenho um alimento para comer, que vós não conheceis</em>”. Os discípulos pensaram que Ele se referia a comida física. Nosso Senhor rapidamente esclarece o ponto, usando linguagem concisa para que não haja dúvidas no versículo 34: “<em>O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e levar a termo a sua obra”</em> (ver também Mateus 16, 5-12).</p>



<p>Quando consideramos a linguagem usada por João, uma interpretação literal — ainda que perturbadora — ela se torna ainda mais óbvia. Em João 6, 50-53 nós encontramos várias formas do verbo grego <em>phago, </em>“comer”, entretanto, após os judeus expressarem incredulidade diante da ideia de comer a carne de Cristo, a linguagem começa a se intensificar. No versículo 54, João começa a usar <em>trogo</em> em vez de <em>phago</em>. <em>Trogo</em> é definitivamente um termo mais “gráfico”, significando “mastigar” ou “roer” — como quando um animal está partindo sua presa.</p>



<p>Assim, no versículo 61, não são mais as multidões de judeus, mas os próprios discípulos que estão tendo dificuldade com as afirmações radicais de Jesus. Certamente, se Ele estivesse falando simbolicamente, esclareceria as dificuldades agora entre seus discípulos. Ao invés disso, o que Jesus faz? Ele reitera o fato de que Ele disse exatamente o que queria dizer “<em>Isso vos escandaliza? Que será, então, quando virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes?</em>” (61, 62). Alguém pensaria que ele queria dizer “<em>Que será, então, quando virdes o Filho do Homem subir simbolicamente</em>”? Dificilmente! Os apóstolos, de fato, viram Jesus literalmente subir para onde Ele estava antes (ver Atos 1, 9-10).</p>



<p>Por fim, Nosso Senhor se vira aos doze. O que Ele <strong>não</strong> diz a eles talvez seja mais importante do que o que Ele diz. Ele não diz “<em>Pessoal, eu estava enganando as multidões, os discípulos e todos os outros. Mas agora vou contar a vocês simplesmente a verdade: eu estava falando simbolicamente</em>”. Em vez disso, Ele diz a eles “<em>Vós também quereis ir embora?</em>”. Essa questão profunda de Nosso Senhor ecoa através dos séculos, chamando todos os seguidores de Cristo da mesma maneira. Com São Pedro, aqueles que ouvem a voz do Pastor, respondem “<em>A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna</em>”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Espírito vs Carne</h2>



<p>João 6, 63 é um dos versículos apontados pelos protestantes como contraponto aos que afirmamos até agora. Ao ver os judeus e os discípulos tendo dificuldades com a natureza radical de suas palavras, Nosso Senhor diz aos seus discípulos e a todos nós: “<em>O Espírito é que dá a vida. A carne para nada serve. As palavras que vos falei são Espírito e são vida</em>”. Os protestantes afirmam que aqui Jesus nos diz que falava simbolicamente ou “<em>espiritualmente</em>” quando Ele diz “<em>O Espírito é que dá a vida. A carne para nada serve</em>”. “Vêem? Ele não nos dará sua carne porque Ele diz &#8216;a carne para nada serve&#8217;”. Podemos responder a isso de algumas maneiras.</p>



<ol class="wp-block-list"><li>Se Jesus estava esclarecendo um ponto, Ele teria que ser considerado um professor ruim: Muitos de seus discípulos o abandonaram imediatamente porque achavam que suas palavras significavam o que Ele quis dizer.<br><br></li><li>Mais importante, Jesus não disse “<em><span style="text-decoration: underline;">Minha</span> carne para nada serve</em>”. Ele diz “<em><span style="text-decoration: underline;">a</span> carne para nada serve</em>”. Tem uma diferença grande entre as duas. Ninguém acreditaria que ele quis dizer <em>minha carne</em> para nada serve, porque Ele passou uma boa parte do mesmo discurso nos dizendo que sua carne seria “<em>dada pela vida do mundo</em>” (João 6, 51, 50-58). Então, ao que Ele se referia? <em>A carne</em> é um termo do Novo Testamento frequentemente usado para descrever a natureza humana à parte da Graça de Deus.<br><br>Por exemplo, Cristo disse aos apóstolos no jardim do Getsêmani “<em>Vigiai e orai, para não cairdes em tentação! O espírito está pronto, mas a carne é fraca</em>.” (Marcos 14, 38). De acordo com Paulo, se estamos “<em>na carne</em>”, nós somos “<em>hostis a Deus</em>” e “<em>não podemos agradar a Deus</em>” (Romanos 8, 1-14). Em 1 Coríntios 2, 14, ele nos diz “<em>O homem não-espiritual não aceita o que é do Espírito de Deus, pois isso lhe parece loucura. Ele não é capaz de entendê-lo, porque só pode ser avaliado pelo Espírito</em>”. Em 1 Coríntios 3, 1, Paulo continua <em>“Irmãos, não vos pude falar como a pessoas espirituais. Tive de vos falar como a pessoas carnais, como a crianças na vida em Cristo</em>”. É necessária uma graça sobrenatural na vida daquele que crê para acreditar no radicalismo da declaração de Cristo a respeito da Eucaristia. Como Jesus mesmo falou antes e depois de sua “fala difícil”: “<em>Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair</em>” (João 6, 44, 6, 65). A crença na Eucaristia é uma dádiva da Graça. A mente natural – ou aquela que está “na carne” – nunca vai poder entender essa grande verdade Cristã.<br><br></li><li>Em outro nível muito próximo do ponto anterior, Cristo disse “<em>O Espírito é que dá a vida. A carne para nada serve</em>” porque Ele quer eliminar qualquer possibilidade de um literalismo crasso que reduziria suas palavras a um entendimento canibalesco. É o Espírito Santo que realiza o milagre do Corpo de Cristo ser capaz de subir aos céus e ao mesmo tempo ser distribuído na Eucaristia para a vida do mundo. Um corpo humano, mesmo um perfeito, à parte do poder do Espírito não seria capaz de fazer isso.<br><br></li><li>Aquilo que é <em>espiritual</em> não necessariamente equivale ao que não tem substância material. Muitas vezes isso diz respeito ao que é dominado ou controlado pelo Espírito.<br><br>Uma coisa que não queremos fazer como cristãos é cair na armadilha de acreditar que, porque Cristo disse “<em>espírito e vida</em>”, ou “<em>espiritual</em>”, essas coisas não podem envolver a matéria. Quando fala sobre a ressurreição do corpo, São Paulo escreveu “<em>semeia-se um corpo só com vida natural, ressuscita um corpo espiritual</em>” (1 Coríntios 15, 44). Isso significa que não teremos um corpo físico na ressurreição? Claro que não. Em Lucas 24, 39, Jesus deixa claro após sua própria ressurreição: “<em>Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho</em>”.<br><br>O corpo ressurreto é espiritual, e nós podemos ser chamados “espirituais” como cristãos na medida em que somos controlados pelo Espírito de Deus. Espiritual não significa ausência do material. Essa interpretação é mais gnóstica do que Cristã. A confusão aqui se baseia mais na confusão entre <em>espírito</em> – o substantivo – e o adjetivo <em>espiritual</em>. Quando <em>espírito</em> é usado, por exemplo “Deus é Espírito” (João 4, 24), aí sim se refere ao que não é material. Entretanto, o adjetivo <em>espiritual</em> não necessariamente se refere à ausência do material, mas sim, se refere ao que é controlado pelo Espírito.<br>Assim, concluímos que as palavras de Jesus “<em>O Espírito é que dá a vida. A carne para nada serve</em>”. Tem um sentido duplo. Apenas o Espírito pode cumprir o milagre da Eucaristia e apenas o Espírito pode nos fortalecer e nos fazer crer no milagre.</li></ol>
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		<title>Isto é o Meu Corpo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Oct 2019 12:42:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Isto é meu corpo" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Em síntese:&#160;As Testemunhas de Jeová negam a real presença de Cristo na Eucaristia, alegando que na proposição &#8220;Isto é meu corpo&#8221;, o verbo &#8220;é&#8221; significa&#160;&#8220;simboliza&#8221;.&#160;—&#160;Ora a propósito parece evidente que Jesus não usou de expressão ambígua na sua última ceia, quando deixava as últimas instruções aos seus apóstolos; ademais o estudo do contexto de Mt [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Isto é meu corpo" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2019/10/isto-e-meu-corpo-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Em síntese:&nbsp;<strong><em>As Testemunhas de Jeová negam a real presença de Cristo na Eucaristia, alegando que na proposição &#8220;Isto é meu corpo&#8221;, o verbo &#8220;é&#8221; significa&nbsp;</em></strong>&#8220;simboliza&#8221;.<strong>&nbsp;—&nbsp;</strong><strong><em>Ora a propósito parece evidente que Jesus não usou de expressão ambígua na sua última ceia, quando deixava as últimas instruções aos seus apóstolos; ademais o estudo do contexto de Mt 26,26 prova que o verbo&nbsp;</em></strong>&#8220;ser&#8221;<strong>,&nbsp;</strong><strong><em>no caso, deve ser tomado no sentido próprio. Mais: a Tradição oral, a partir dos primeiros decênios do Cristianismo, abona a interpretação literal das palavras de Cristo. Querer ignorar esta Tradição, para ler a Bíblia como se não estivesse essencialmente ligada à Palavra de Deus oral (que lhe é anterior e que a acompanha), é sujeitar-se a arbitrariedades subjetivas e falsas.</em></strong></p>



<p>As Testemunhas de Jeová têm espalhado um número da revista A SENTINELA (15/01/1991), portador de artigo que contesta a tradução &#8220;Isto é o meu corpo&#8221; em Mt 26,26, e propõe a versão: &#8220;Isto significa o meu corpo&#8221;, como, aliás, se lê na tradução das Testemunhas (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas). Visto que este panfleto tem perturbado as mentes de muitos católicos, examinaremos o caso nas páginas subseqüentes.</p>



<p>#DicaCooperadores <a class="thirstylink" target="_blank" title="O Amor Divino Encarnado. A Sagrada Eucaristia Como Sacramento da Caridade, por Cardeal Raymond Burke" href="https://cooperadoresdaverdade.com/dica/o-amor-divino-encarnado-a-sagrada-eucaristia-como-sacramento-da-caridade-por-cardeal-raymond-burke/" data-shortcode="true">O Amor Divino Encarnado. A Sagrada Eucaristia Como Sacramento da Caridade, por Cardeal Raymond Burke</a></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1.&nbsp;</strong><strong>O&nbsp;</strong><strong>problema</strong></h2>



<p>As Testemunhas alegam que a forma verbal grega &#8220;esti&#8221; pode ser traduzida tanto por &#8220;é&#8221; como por &#8220;significa&#8221;. Como exemplos desta segunda alternativa, citam três textos do Antigo Testamento (Gn 41,26; Ez 5,5; Dn 7,17), que foram escritos em hebraico e não em grego (exemplos portanto inadequados), e textos do Novo Testamento como Lc8,11; Mt 13,38; 16,18; Gl 4,24; Ap 1,20.</p>



<p>Ora qual das duas versões mais convém ao texto de Mt 26,26? — Respondem as Testemunhas: a tradução &#8220;significa&#8221;, pois &#8220;Jesus estava vivo num corpo perfeito, quando proferiu as palavras daquele texto&#8221;; por conseguinte, &#8220;o pão que Ele ofereceu aos seus seguidores, não podia ser sua carne literal&#8221;.</p>



<p>Que dizer a propósito?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. A resposta</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>2.1.</strong>&nbsp;<strong>Metáfora ou sentido literal?</strong></h3>



<p>Jesus na última ceia, ao deixar as derradeiras instruções aos discípulos, terá evitado qualquer termo de sentido ambíguo (nas horas supremas e decisivas os homens costumam recorrer a linguagem precisa). Cristo, assentado à mesa com os Apóstolos, tinha diante dos olhos todas as gerações cristãs através da história; sabia previamente que de maneira geral, durante séculos e séculos, os seus discípulos haviam de interpretar os seus dizeres em sentido realista, prestando adoração ao SSmo. Sacramento. Não obstante, segundo as hipóteses racionalistas, Cristo, &#8220;que não queria ensinar a real presença na Eucaristia&#8221;, teria usado termos ambíguos, induzindo em erro seus primeiros discípulos, homens simples e rudes, e, depois deles, uma multidão de fiéis cristãos! Diga-se mais: Cristo teria usado termos aparentemente claros para ocultar um simbolismo assaz difícil de se apreender; com efeito, é árduo definir qual o significado metafórico que Jesus possa ter tido em mira ao proferir as suas palavras simples sobre o pão e o vinho; em 1577, sessenta anos após o surto do luteranismo, São Roberto Belarmino dizia ter aparecido, havia pouco, um livrinho que apresentava duzentas interpretações dos protestantes para as palavras &#8220;Isto é meu corpo&#8221;!</p>



<p>Contra a perspectiva de um Jesus a induzir em erro os seus discípulos, insurgia-se em 1529 o humanista, crítico irônico, Erasmo de Rotterdam, que escrevia a Bero a propósito das diversas sentenças &#8220;eucarísticas&#8221; dos Reformadores (Lutero e Zwingli):</p>



<p><strong><em>&#8220;Jamais me pude persuadir de que Jesus, a Verdade e a Bondade mesmas, tenha permitido que por tantos séculos a sua Esposa, a Igreja, haja prestado adoração a um pedaço de pão em lugar de adorar a Jesus mesmo.&#8221;</em></strong></p>



<p>Contudo ainda há quem levante objeções ao sentido literal das palavras de Jesus.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>2.2.&nbsp;</strong><strong>Objeções</strong></h3>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>1</strong><strong>) Os textos metafóricos</strong></h4>



<p>Vários são os textos da Sagrada Escritura em que Cristo ou os Apóstolos empregam o verbo &#8220;ser&#8221;&nbsp;<strong>ao</strong><strong>&nbsp;</strong>sentido de &#8220;significar, simbolizar&#8221;. Sirvam de exemplo</p>



<p>Jo 14,6:&nbsp;<strong><em>&#8220;Eu sou o caminho, a verdade e a vida&#8221;;</em></strong></p>



<p>Jo 15,1:&nbsp;<strong><em>&#8220;Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai o vinhateiro&#8221;;</em></strong></p>



<p>1Cor 10,4:<strong><em>&nbsp;&#8220;A pedra era o Cristo&#8221; (texto particularmente utilizado pela exegese protestante).</em></strong></p>



<p>Lc8,11:&nbsp;<strong><em>&#8220;Eis o que significa esta parábola: A semente&nbsp;é a&nbsp;Palavra de Deus&#8221;.</em></strong></p>



<p>Mt 13,38:&nbsp;<strong><em>&#8220;O</em></strong><strong><em>&nbsp;campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno&#8221;.</em></strong></p>



<p>Mt 16,18:&nbsp;<strong><em>&#8220;Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja&#8221;.</em></strong></p>



<p>Gl 4,24:&nbsp;<strong><em>&#8220;Isto foi dito em alegoria. As duas mulheres são as duas alianças.&nbsp;..&#8221;</em></strong></p>



<p>Ap 1,20:&nbsp;<strong><em>&#8220;As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas&#8221;.</em></strong></p>



<p>— Em resposta, far-se-á observar que o contexto de tais versículos indica suficientemente tratar-se de alegoria ou locução figurada, donde natural e evidentemente decorre o sentido simbolista do verbo ser nessas passagens. No contexto, porém, da última ceia, falta todo indício de simbolismo; arbitrário, portanto, e avesso aos princípios básicos da interpretação de qualquer trecho literário seria, na exegese de tais episódios, fugir ao sentido óbvio e literal do verbo ser.</p>



<p>Além disto, verifica-se que nas frases citadas o sujeito é um pronome pessoal ou um substantivo, sujeito bem determinado e por si mesmo diverso do respectivo predicado; a aproximação entre sujeito e predicado em tais sentenças só pode ser figurada ou metafórica. Ao contrário, nas frases da consagração eucarística o sujeito é um pronome demonstrativo, pronome que por si mesmo é indeterminado e vai receber sua determinação do substantivo com o qual ele é relacionado, podendo mesmo identificar-se com o significado deste substantivo. Na frase de Cristo, portanto, o pronome demonstrativo touto (em grego), isto ou este, relacionado com corpo, não somente não se opõe à identificação com corpo, mas exige-a, de tal modo é simples e clara a cópula é. Em outros termos: na afirmação do Senhor, o pronome &#8220;isto&#8221; (touto) designa uma substância existente sob as aparências externas do pão, substância cuja natureza é enunciada pelo predicado &#8220;meu corpo&#8221;. De resto, nota-se que &#8220;isto (ou este) é meu corpo&#8221;&nbsp;equivale a &#8220;Eis aqui meu corpo&#8221;, como incute a comparação de Ex 24,8 com Hb 9,20 (a fórmula &#8220;Este é o sangue&#8221; de Ex reaparece em Hb como &#8220;Eis o sangue&#8221;).</p>



<p>No tocante a 1Cor 10,4, onde São Paulo aplica a metáfora do Rochedo a Cristo, note-se que este texto não pode servir para ilustrar a fórmula da consagração eucarística, pois o Apóstolo em 1Cor 10 exprime formalmente sua intenção de recorrer a uma metáfora: &#8220;Nossos pais todos beberam do mesmo alimento espiritual; bebiam, com efeito, de um Rochedo espiritual que os acompanhava; e o Rochedo era o Cristo&#8221;. O adjetivo &#8220;espiritual&#8221;, duas vezes ocorrente nestes dizeres e diretamente associado a &#8220;Rochedo&#8221;, indica bem que o hagiógrafo quer empregar uma figura de linguagem. São Paulo mesmo, sem negar a realidade da história do êxodo, declarou explicitamente que ele a considerava em 1Cor 10 como figura do que se dá com os cristãos do Novo Testamento (cf. v.10). — Na fórmula de consagração eucarística, ao contrário, falta todo e qualquer indício de uso metafórico das palavras.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>2) A fórmula de Lucas e Paulo</strong></h4>



<p>Conforme Paulo e Lucas, Jesus disse: &#8220;Este cálice é a nova Aliança em meu sangue, que será derramado&#8221; (Lc 22,20; cf. 1Cor 11,25). Ora, assim como o cálice continuou a ser cálice após estas palavras, dir-se-á que também pão e vinho não deixaram de ser pão e vinho após os dizeres que, conforme Mt e Mc, Jesus proferiu sobre eles. Que replicar a isso?</p>



<p>— Na realidade a fórmula de 1Cor e Lc coincide com a de Mt e Mc quanto ao sentido doutrinário, incutindo ambas a real presença; apenas se diferenciam no plano filológico ou estilístico. Ao passo que Mt e Mc empregam uma construção de frase muito lisa e clara, a tradição de Paulo e Lucas recorre a dois artifícios de redação, mencionando sucessivamente o recipiente em lugar do respectivo conteúdo (o cálice em lugar da substância do vinho que ele continha) no sujeito da frase, e o efeito em lugar da causa (a Nova Aliança em lugar do sangue que a tornou possível e a selou) no predicado da mesma frase; por conseguinte, se quiséssemos fazer abstração dos artifícios de estilo, teríamos em 1Cor e Lc a construção: &#8220;Isto (ou esta substância que se acha contida no cálice) é o meu sangue, o sangue que acarreta e sanciona a Nova Aliança entre Deus e os homens&#8221;. A construção artificiosa de São Paulo e São Lucas serve para exaltar a realidade da Aliança selada pelo corpo e o sangue de Cristo imolados, enquanto a formulação simples de São Mateus e São Marcos realça principalmente a realidade da presença do corpo e do sangue do Senhor que selara essa Aliança.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>3)</strong>&nbsp;<strong>&#8220;Jesus estava vivo&#8230; &#8220;</strong></h4>



<p>&#8220;Jesus estava vivo e presente na última ceia; por isto o pão só podia ser símbolo do seu corpo&#8221;. — Quem assim fala, usa de um raciocínio meramente humano a priori. Deus pode fazer tudo que não seja absurdo, ainda que surpreenda as expectativas humanas. Ora os textos bíblicos são assaz eloqüentes e claros no sentido de incutir a conversão do pão em corpo e a do vinho em sangue do Senhor Jesus.&nbsp;<strong>A</strong><strong>&nbsp;</strong>teologia, por sua vez, mostra não haver aberração lógica neste processo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>2.3. A Tradição</strong></h3>



<p>Para entender os textos do Novo Testamento, estavam as antigas gerações cristãs mais habilitadas do que os leitores do século XX, como são as Testemunhas de Jeová. Conheciam muito melhor a língua e os hábitos do helenismo assim como as intenções dos Apóstolos e Evangelistas, que transmitiam a mensagem de Cristo. Ora as antigas gerações cristãs entenderam as palavras da consagração eucarística em sentido literal,([1]) iniciando assim a Tradição da Igreja que o protestantismo no século XVI contestou.([2])</p>



<p>É ousado e estranho pretender, nos tempos modernos, compreender melhor o Novo Testamento do que o fizeram os cristãos durante quinze séculos. Aliás, o Cristianismo tem sua fonte de doutrina não somente na Palavra de Deus escrita, mas também na Palavra de Deus oral, que é anterior àquela e que continua a ressoar na Igreja através da Tradição, da qual o Magistério da Igreja é o órgão credenciado e autorizado pelo Senhor Jesus (cf. Mt 16,19; Lc 22,31s; Jo 21,15-17). Separar a Palavra bíblica do seu berço oral e lê-la como se não houvesse um modo de entendê-la tão antigo quanto o Cristianismo é entregar-se a arbitrariedade e intuições subjetivas. Nas dúvidas relativas ao modo de entender uma palavra bíblica de duplo sentido, não há melhor alvitre do que o recurso à Tradição oral.</p>



<p>Vê-se, pois, que as objeções das Testemunhas de Jeová ao entendimento clássico de Mt 26,26 não procedem. É de concluir, de acordo com os testemunhos do Novo Testamento escrito e da Tradição oral, que o Senhor Jesus quis afirmar a&nbsp;<strong>sua</strong><strong>&nbsp;</strong>real presença no pão e no vinho consagrados.</p>
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		<title>Milagres Eucarísticos: Prova real da doutrina católica.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Padre Paulo Ricardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jun 2019 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eucaristia]]></category>
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<p>As páginas dos Evangelhos estão repletas de milagres: multiplicações de pães, ordens sobre as forças da natureza, curas de cegos e paralíticos, ressurreições de mortos etc. Quem lê tudo isso simplesmente com os olhos da carne diz que Jesus Cristo foi um grande taumaturgo;&#160;quem se atenta para o modo como Ele operava todas essas maravilhas, [&#8230;]</p>
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<p>As páginas dos Evangelhos estão repletas de milagres: multiplicações de pães, ordens sobre as forças da natureza, curas de cegos e paralíticos, ressurreições de mortos etc. Quem lê tudo isso simplesmente com os olhos da carne diz que Jesus Cristo foi um grande taumaturgo;&nbsp;<strong>quem se atenta para o modo como Ele operava todas essas maravilhas, no entanto, é obrigado admitir que esse homem era o próprio Deus.</strong></p>



<p>Homens antes de Cristo operaram milagres, é verdade — Moisés, por exemplo, fez descer várias pragas sobre o Egito, e muitos prodígios realizados por Elias estão todos narrados no&nbsp;<em>Primeiro Livro dos Reis</em>&nbsp;—, mas nenhum deles fazia tais coisas por força própria.&nbsp;<strong>Ninguém pode fazer milagres a não ser Deus</strong>: para que alguém os opere, precisa antes ter recebido a força d&#8217;Ele. Foi assim com Moisés, foi assim com Elias e foi assim com todos os patriarcas e profetas do Velho Testamento. De Jesus, ao contrário, d&#8217;Ele próprio, &#8220;saía uma força que curava a todos&#8221; (<em>Lc&nbsp;</em>6, 19).</p>



<p>Além disso, ninguém antes de Cristo jamais disse ser o Bom Pastor, o Pão do Céu ou o Filho de Deus. Em nenhum profeta do Antigo Testamento alguém lê frases como: &#8220;Antes que Abraão fosse, eu sou&#8221; (<em>Jo&nbsp;</em>9, 58), &#8220;Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim&#8221; (<em>Jo&nbsp;</em>14, 6), ou ainda &#8220;Eu e o Pai somos um&#8221; (<em>Jo&nbsp;</em>10, 30). Por isso, os milagres de Cristo atestam também a verdade da Sua pregação. &#8220;Se este ensinamento não fosse verdadeiro — ensina Santo Tomás de Aquino —, não poderia ter sido confirmado por milagres feitos pelo poder divino&#8221; [1].</p>



<p><strong>Também os chamados&nbsp;<em>milagres eucarísticos</em>&nbsp;são todos realizados para comprovar a verdade da doutrina cristã</strong>. Trata-se, sem dúvida, de um milagre típico deste tempo em que vivemos — o tempo da Igreja, da economia sacramental —, mas seu fundamento está nas próprias palavras do Senhor: &#8220;A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida&#8221; (<em>Jo&nbsp;</em>6, 55). Quando instituiu a Eucaristia, Cristo não queria fazer uma mera refeição, ou instaurar um memorial simbólico: Ele não disse, ao tomar o pão, &#8220;isto&nbsp;<em>representa</em>&nbsp;o meu corpo&#8221;, mas &#8220;isto&nbsp;<em>é</em>&nbsp;o meu corpo&#8221;; nem sugeriu, ao tomar o vinho, que aquele líquido&nbsp;<em>lembraria</em>&nbsp;o Seu sangue, mas afirmou solenemente: &#8220;este&nbsp;<em>é</em>&nbsp;o cálice do meu sangue&#8221; (cf.&nbsp;<em>Mt&nbsp;</em>26, 26-29;&nbsp;<em>Mc&nbsp;</em>14, 22-25;&nbsp;<em>Lc&nbsp;</em>22, 14-23;&nbsp;<em>1 Cor&nbsp;</em>11, 23-25).</p>



<p>O testamento de Cristo é forte e pode parecer até excessivo. — Crer que Ele foi concebido de uma virgem, que ressuscitou dos mortos, é até &#8220;tolerável&#8221;; mas que Se faça presente, todos os dias, num pedaço de pão? — Naturalmente, esse escândalo não foi diferente em outros tempos. Muitas vezes, pessoas dentro da própria Igreja foram tentadas a perguntar ao Senhor: &#8220;Isto é muito duro. Quem o pode suportar?&#8221; (<em>Jo&nbsp;</em>6, 60). É por isso que Deus operou e continua a operar inúmeros&nbsp;<em>milagres eucarísticos</em>, para mostrar aos homens que Ele é fiel às suas palavras, e que o sacramento da Comunhão não é um faz de conta, mas a Sua presença viva e real, nos altares do mundo inteiro.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Os primeiros milagres eucarísticos</h3>



<p>O primeiro relato que se tem de um milagre ligado a este sacramento se encontra em um escrito de São Cipriano de Cartago, ainda em meados do século III.</p>



<p>Em um texto chamado&nbsp;<em>De lapsis&nbsp;</em>(&#8220;Dos lapsos&#8221;,&nbsp;<em>lit</em>.) — sobre a readmissão, na Igreja, daqueles que negaram a Cristo na hora do martírio —, o santo relata alguns exemplos de como Deus castigou pessoas que se aproximaram indignamente da Santa Comunhão.</p>



<p>Depois de narrar o episódio impressionante de uma criança que, após ter comido um pouco de pão oferecido aos ídolos, começou a vomitar entrando em contato com o sangue do Senhor, ele prossegue em sua pregação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Uma mulher adulta e de idade avançada, que se introduziu secretamente em nosso meio enquanto celebrávamos o sacrifício, tomando para si não um alimento, mas uma espada, e recebendo em sua boca e coração como que um veneno letal, começou a se sentir sufocada e a debater-se depois de ter comido e, sendo pressionada não mais pela perseguição, mas por seu delito, desmaiou palpitando e tremendo. O crime de sua consciência dissimulada não ficou oculto nem sem punição por muito tempo. Aquela que tinha enganado o homem sentiu a vingança divina.&nbsp;</p><p>Outra mulher, que tentou abrir com suas mãos indignas a arca de Deus, na qual estava encerrado o Santo do Senhor, foi detida por um fogo que surgia de dentro e não ousou aproximar-se.&nbsp;</p><p>Um outro, que, manchado de pecado, ousou tomar parte com os outros no sacrifício celebrado pelo sacerdote, não conseguiu comer e trazer nas mãos o Santo do Senhor, porque, ao abri-las, viu que carregava cinzas.&#8221; [2]</p></blockquote>



<p><strong>Por que episódios como esses aconteceram?</strong></p>



<p>Porque, no tempo de São Cipriano,&nbsp;<strong>alguns pastores começaram a admitir qualquer um à Comunhão, banalizando o sacramento da Eucaristia</strong>. Eles diziam que não era preciso fazer penitência pelos pecados passados e que todos, independentemente da vida que levavam, podiam aproximar-se da mesa eucarística. Por isso, para mostrar que quem come e bebe indignamente o Corpo do Senhor&nbsp;<em>realmente</em>&nbsp;come e bebe a própria condenação, como sempre ensinou a Igreja, desde os tempos de São Paulo (cf.&nbsp;<em>1 Cor</em>&nbsp;11, 29), Deus realizou milagres desse gênero, a fim de incentivar os fiéis ao respeito e à reverência devidos ao Santíssimo Sacramento do altar.</p>



<p>Conta-se um relato parecido relacionado a São João Crisóstomo († 407), bispo de Constantinopla. Um homem levou a sua esposa, que pertencia à seita do arianismo, à igreja do bispo. Mesmo em heresia, a mulher entrou na procissão e recebeu a hóstia consagrada, guardando-a nas mãos até que chegasse em casa. Quando pôs a partícula na boca para comer, ela percebeu, para a sua surpresa, que a hóstia tinha se petrificado. Impressionada com o acontecimento, a mulher correu sem demora em direção ao santo, mostrou-lhe a pedra com as marcas dos seus dentes e implorou a absolvição de seus pecados.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Acreditaste porque me viste?</h3>



<p>Séculos mais tarde, as pessoas começaram a questionar outros aspectos da Eucaristia, principalmente o da presença real de Cristo no sacramento.</p>



<p>Foi então que começaram a surgir os grandes e mais conhecidos&nbsp;<em>milagres eucarísticos</em>, alguns preservados até os dias atuais:&nbsp;em Lanciano, no século 8.º; em Ferrara, em 1171; em Santarém, em Orvieto e em Paris, nos anos 1200; em Siena, em 1730 etc. Em alguns destes, as hóstias consagradas sangravam; em outros, elas se transformavam em carne humana, e a aparência do vinho, em sangue. Em outras ocasiões ainda, a hóstia simplesmente levitava, ou era preservada por um longo período de tempo.</p>



<p>Fatos semelhantes acontecem com bastante frequência no mundo inteiro, ainda hoje. Tome-se como exemplo&nbsp;o que aconteceu na cidade de Chirattakonam, no sul da Índia, em 5 de maio de 2001, quando uma figura de Nosso Senhor coroado de espinhos foi vista em uma hóstia exposta no ostensório. O pároco do lugar, Frei Johnson Karoor, dá o seu testemunho:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Abri a igreja para a celebração da missa, me preparei e fui abrir o Tabernáculo para ver que coisa tinha acontecido à Eucaristia que estava no Ostensório. Imediatamente reparei que nela estava figurado um rosto humano. Fiquei muito perturbado e pedi aos fiéis que se ajoelhassem e começassem a rezar. Pensava que só eu via o rosto e perguntei ao coroinha que coisa ele via no Ostensório. Ele respondeu: &#8216;Vejo a figura de um homem.&#8217; Notei que os fiéis olhavam fixamente o Ostensório. Começamos a adoração e a figura do homem, com o passar do tempo era cada vez mais nítida. Não tive a coragem de falar nada e comecei a chorar.&#8221;</p></blockquote>



<p><strong>A intenção de tantos prodígios é clara: manifestar aos homens a verdade da transubstanciação</strong>; mostrar que, quando o sacerdote pronuncia, na própria pessoa de Cristo (<em>in persona ipsius Christi</em>), as palavras da consagração, o pão não é mais pão, e o vinho já não é vinho, mas o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor. Os olhos de quem presencia ou lê um milagre eucarístico devem dirigir-se, portanto, a cada celebração da Santa Missa: a partir de tantos fatos extraordinários, somos chamados a enxergar, com os olhos da fé, a ação maravilhosa de Deus na celebração &#8220;ordinária&#8221; do sacramento.</p>



<p>No mais famoso milagre eucarístico já testemunhado pela Igreja, em Lanciano, a carne e o sangue vivos de Cristo apareceram nas mãos de um monge que duvidava. Ao chamar os fiéis para admirarem o que acabava de acontecer, ele não se envergonhou em dizer que &#8220;o Santo Deus quis desvendar-se e tornar-se vísivel&#8221; a fim de &#8220;confundir a minha incredulidade&#8221;. Uma vez curado desse mal, porém, o monge deveria renovar e fazer crescer todos os dias a sua fé. Lanciano não se repetiria mais. O milagre de toda Missa, no entanto, continuaria a acontecer diariamente, e ele precisava colher os frutos desses santos mistérios.</p>



<p>É por isso que todas as pessoas são chamadas a ir além dos milagres. Quando ficamos impressionados&nbsp;com o corpo de um santo incorrupto&nbsp;ou com alguma hóstia preservada de um milagre eucarístico, Jesus nos repete as mesmas palavras que dirigiu certa vez a São Tomé: &#8220;Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem ter visto!&#8221; (<em>Jo&nbsp;</em>20, 29). Felizes os que deram crédito às palavras de Cristo, mesmo sem terem visto milagre nenhum! Felizes os que ouvem as palavras do sacerdote na Missa e sabem que o próprio Deus está presente ali, porque não nos engana e nem pode enganar-Se! Felizes os que são capazes de afirmar, com o Catecismo de São Pio X, o motivo primeiro de nossa fé:&nbsp;<strong>&#8220;Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo,&nbsp;<em>porque Ele mesmo o disse</em>, e assim no-lo ensina a Santa Igreja&#8221;&nbsp;</strong>[3].</p>



<p>Que assim seja.</p>



<p>Amém.</p>



<p>— Padre Paulo Ricardo</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h4 class="wp-block-heading">Referências</h4>



<ol class="wp-block-list"><li>Suma Teológica, III, q. 43, a. 4.</li><li>De lapsis, 26 (PL 4, 486-487).</li><li>Catecismo de São Pio X, n. 596.</li></ol>
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