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	<title>Sagrada Escritura &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<description>Apologética Católica</description>
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	<title>Sagrada Escritura &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>O Purgatório está na Bíblia?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Petter Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2022 17:26:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dogmática]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Purgatório" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-1536x864.jpg 1536w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>(Por Tim Staples, para o Catholic Answers. Traduzido por Petter Martins.) Esta pode ser a pergunta mais comum que recebo sobre nossa fé católica, seja em conferências, por e-mail, correio tradicional ou qualquer outro local. Na verdade, eu já respondi duas vezes hoje, então pensei em escrever sobre isso no blog. Começaremos deixando claro o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Purgatório" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-1536x864.jpg 1536w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/06/Purgatorio-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>(Por <a href="https://www.catholic.com/profile/tim-staples">Tim Staples</a>, para o <a href="https://www.catholic.com/magazine/online-edition/is-purgatory-in-the-bible" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Catholic Answers</a>. Traduzido por <a href="https://cooperadoresdaverdade.com/autor/pettermartins/">Petter Martins</a>.) Esta pode ser a pergunta mais comum que recebo sobre nossa fé católica, seja em conferências, por e-mail, correio tradicional ou qualquer outro local. Na verdade, eu já respondi duas vezes hoje, então pensei em escrever sobre isso no blog. Começaremos deixando claro o que queremos dizer com “Purgatório”. O Catecismo da Igreja Católica ensina:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.</p><cite>Catecismo — 1030</cite></blockquote>



<p>Isso parece tão simples!&nbsp;É bom senso.&nbsp;A Escritura é muito clara quando diz: <em>“Mas nada impuro entrará [no céu]</em>” (Ap 21, 27).&nbsp;Hab.&nbsp;1, 13 diz: <em>“Teus olhos são tão puros que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade.”</em> Quantos de nós serão perfeitamente santificados no momento da nossa morte?&nbsp;Atrevo-me a dizer que&nbsp;<em>a maioria de nós</em> precisará de mais purificação para poder entrar pelos portões do céu depois de morrer, se, por favor, Deus, morrermos em estado de graça.</p>



<p>À luz disso, a verdade sobre o Purgatório é quase evidente&nbsp;<em>para os católicos.&nbsp;</em>No entanto, para muitos protestantes este é um dos mais repugnantes de todos os ensinamentos católicos.&nbsp;Representa <em>“uma invenção medieval que não pode ser encontrada na Bíblia”</em>.&nbsp;Muitas vezes é chamado de <em>“uma negação da suficiência do sacrifício de Cristo”</em>.&nbsp;Diz-se que representa <em>“uma teologia de segunda chance que é abominável”</em>.&nbsp;Recebemos essas e muitas outras acusações aqui no <em>Catholic</em> <em>Answers</em> quando se trata do Purgatório.&nbsp;E, na maioria das vezes, as perguntas vêm de católicos que pedem ajuda para explicar o Purgatório a um amigo, familiar ou colega de trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-lugar-muito-bom-para-come-ar">Um lugar muito bom para começar</h2>



<p>Talvez o melhor lugar para começar seja com a referência mais aberta a uma espécie de “Purgatório” no Antigo Testamento . Digo uma espécie de “Purgatório” porque o Purgatório é um ensinamento totalmente revelado no Novo Testamento e definido pela Igreja Católica. O povo de Deus do Antigo Testamento não o teria chamado de “Purgatório”, mas eles claramente acreditavam que os pecados dos mortos poderiam ser expiados pelos vivos, como provarei agora. Este é um elemento constitutivo do que os católicos chamam de “Purgatório”.</p>



<p>Em II Macabeus 12, 39-46, encontramos Judas Macabeu e membros de suas forças militares judaicas recolhendo os corpos de alguns camaradas mortos em batalha.&nbsp;Quando descobriram que esses homens carregavam <em>“sinais sagrados dos ídolos de Jâmnia, que a lei proíbe os judeus de usarem”</em> (v. 40), Judas e seus companheiros perceberam que haviam morrido como punição pelo pecado.&nbsp;Portanto, Judas e seus homens<em> “voltaram-se para a oração, suplicando que o pecado que havia sido cometido fosse totalmente apagado… Ele também fez uma coleta… e a enviou a Jerusalém para fornecer uma oferta pelo pecado.&nbsp;Ao fazer isso, ele agiu muito bem e honrosamente&#8230; Por isso fez expiação pelos mortos, para que fossem libertados de seus pecados”</em>.</p>



<p>Geralmente há duas objeções imediatas ao uso deste texto ao falar com protestantes.&nbsp;Primeiro, eles descartarão qualquer evidência apresentada porque não aceitam a inspiração dos Macabeus.&nbsp;E segundo, eles alegarão que esses homens em Macabeus cometeram o pecado de idolatria, que seria um pecado mortal na teologia católica.&nbsp;Segundo a Igreja Católica, eles estariam no Inferno onde não há possibilidade de expiação.&nbsp;Assim, e ironicamente, dirão, o Purgatório deve ser eliminado como uma possível interpretação deste texto&nbsp;<em>se você é católico</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A resposta católica:</h2>



<p>Rejeitar a inspiração e canonicidade de II Macabeus não nega seu valor histórico.&nbsp;Macabeus nos ajuda a saber, no mínimo puramente de uma perspectiva histórica,&nbsp;<em>que os judeus acreditavam em orar e fazer expiação pelos mortos pouco antes do&nbsp;advento de Cristo.&nbsp;</em>Esta é a fé na qual Jesus e os apóstolos foram criados.&nbsp;E é neste contexto que Jesus declara&nbsp;<em>no Novo Testamento</em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.&#8221;</p><cite>Mateus 12, 32</cite></blockquote>



<p>Esta declaração de nosso Senhor implica que há pelo menos&nbsp;<em>alguns</em>&nbsp;pecados que podem ser perdoados na próxima vida a um povo que&nbsp;<em>já creu nela</em>.&nbsp;Se Jesus queria condenar esse ensino comumente ensinado em Israel, ele não estava fazendo um trabalho muito bom de acordo com o Evangelho de São Mateus.</p>



<p>A próxima objeção apresenta um problema mais complexo.&nbsp;A punição pelo pecado mortal é, de fato, a autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e os bem-aventurados no inferno, segundo o ensinamento católico (ver Catecismo 1030).&nbsp;Mas é um <em>non sequitur</em> concluir deste ensinamento que II Macabeus não poderia estar se referindo a um tipo de Purgatório.</p>



<p>Em primeiro lugar, uma leitura cuidadosa do texto revela o pecado desses homens de carregarem pequenos amuletos <em>“ou símbolos sagrados dos ídolos de Jâmnia”</em> sob suas túnicas enquanto iam para a batalha.&nbsp;Isso estaria mais próximo de um jogador de beisebol cristão acreditando que há algum tipo de poder em seus rituais supersticiosos antes de ir rebater do que seria&nbsp;<em>do pecado mortal </em>da idolatria.&nbsp;Este foi, muito provavelmente, um pecado venial para eles.&nbsp;Mas mesmo que o que eles fizeram fosse uma questão objetivamente grave, os bons judeus nos tempos antigos — assim como os bons católicos de hoje — acreditavam que deveriam sempre orar pelas almas daqueles que morreram <em>“porque tu [ó Senhor], só conheces o corações dos filhos dos homens”</em> (II Cr. 6, 30).&nbsp;Só Deus conhece o grau de culpabilidade desses “pecadores”.&nbsp;Além disso, alguns ou todos eles podem ter se arrependido antes de morrer.&nbsp;Tanto judeus como cristãos católicos sempre mantêm a esperança na salvação dos falecidos deste lado do céu;&nbsp;assim, sempre oramos por aqueles que morreram.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um Texto Simples</h2>



<p>Em Mateus 5, 24-25, Jesus é ainda mais explícito sobre o Purgatório.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.&#8221;</p><cite>Mateus 5, 25-26</cite></blockquote>



<p>Para os católicos, Tertuliano por exemplo, em&nbsp;<em>De Anima</em>&nbsp;58, escrito em ca.&nbsp;208 d.C., este ensinamento é parabólico, usando o conhecido exemplo da “prisão” e da necessária penitência que representa, como metáfora do sofrimento Purgatorial que será exigido para transgressões menores, representadas pelos “kodrantes” ou “penny” de versículo 26. Mas para muitos protestantes, nosso Senhor está aqui dando instruções simples aos seus seguidores concernentes&nbsp;<em>exclusivamente a esta vida.&nbsp;</em>Isso não tem nada a ver com o Purgatório.</p>



<p>Esta interpretação protestante tradicional é muito fraca contextualmente.&nbsp;Esses versículos são encontrados no meio do famoso “Sermão da Montanha”, onde nosso Senhor ensina sobre o céu (vs. 20), o inferno (vs. 29-30) e os pecados mortais (v. 22) e veniais (v. 20). vs. 19), em um contexto que apresenta “o Reino dos Céus” como o objetivo final (ver versículos 3-12).&nbsp;Nosso Senhor continua dizendo que se você não ama seus inimigos, “que recompensa você tem” (v. 46)?&nbsp;E ele deixa bem claro que essas “recompensas” não são deste mundo.&nbsp;Eles são “recompensas de seu Pai que está nos céus” (6:1) ou “tesouros nos céus” (6, 19).</p>



<p>Além disso, como São João aponta em João 20, 31, toda a Escritura está escrita <em>“para que, crendo, tenhais a vida [eterna] em seu nome”</em>.&nbsp;As Escrituras devem sempre ser vistas no contexto de nossa plena realização da vida divina no mundo vindouro.&nbsp;Nossa vida atual é apresentada <em>“como um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece”</em> (Tiago 4, 14).&nbsp;Pareceria estranho ver a ênfase mais profunda e até mesmo “de outro mundo” em todo o Sermão do Monte, com exceção&nbsp;<em>desses dois versículos.</em></p>



<p>Quando acrescentamos a isso o fato de que a palavra grega para prisão,&nbsp;<em>phulake</em>&nbsp;, é a mesma palavra usada por São Pedro, em I Pedro 3, 19, para descrever o “lugar de detenção” ao qual Jesus desceu após sua morte para libertar o espíritos detidos dos crentes do Antigo Testamento, a posição católica faz ainda mais sentido.&nbsp;<em>Phulake</em>&nbsp;é comprovadamente usado no Novo Testamento para se referir a um local de retenção temporário e não exclusivamente nesta vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O texto mais simples</h2>



<p>I Coríntios 3, 11-15 pode muito bem ser o texto mais direto em toda a Sagrada Escritura quando se trata do Purgatório:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) irá demonstrá-lo. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o cons­trutor receberá a recompensa. 15. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo.&#8221;</p><cite>I Coríntios 3, 11-15</cite></blockquote>



<p>Nenhuma seita cristã que conheço sequer tenta negar este texto fala do julgamento de Deus onde as obras dos fiéis serão testadas&nbsp;<em>após a morte</em>&nbsp;.&nbsp;Diz que nossas obras passarão pelo “fogo”, falando figurativamente.&nbsp;Nas Escrituras, “fogo” é usado metaforicamente de duas maneiras: como agente purificador (Ml 3, 2-3; Mt 3, 11; Mc 9:49);&nbsp;e como aquilo que consome (Mt 3, 12; 2 Tes 1, 7-8).&nbsp;Portanto, é um símbolo apropriado aqui para o julgamento de Deus.&nbsp;Algumas das “obras” representadas estão sendo queimadas e outras estão sendo purificadas.&nbsp;Essas obras sobrevivem ou queimam de acordo com sua “qualidade” essencial (Gr. hopoiov –&nbsp;<em>de que tipo</em>&nbsp;).</p>



<p>O que está sendo referido não pode ser o céu porque há imperfeições que precisam ser “queimadas” (veja novamente Ap. 21, 27, Hab. 1, 13).&nbsp;Não pode ser o inferno porque as almas estão sendo salvas.&nbsp;Então o que é?&nbsp;O protestante chama isso de “o Julgamento” e nós católicos concordamos.&nbsp;Nós católicos simplesmente especificamos a parte do julgamento dos salvos onde as imperfeições são&nbsp;<em>purgadas</em>&nbsp;como “<em>Purgatório</em>&nbsp;”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Objeção!</h2>



<p>O respondente protestante imediatamente destacará o fato de que não há menção, pelo menos explicitamente, da “limpeza do pecado” em nenhum lugar do texto.&nbsp;Há apenas o teste de&nbsp;<em>obras.&nbsp;</em>O foco está nas recompensas que os crentes receberão por seu serviço, não em como seu caráter é purificado do pecado ou da imperfeição.&nbsp;E os crentes aqui observam suas&nbsp;<em>obras</em>&nbsp;passarem pelo fogo, mas&nbsp;<em>escapam</em>&nbsp;dele!</p>



<p><em>Primeiro, o que são pecados, senão obras</em>&nbsp;más ou más&nbsp;(veja Mateus 7, 21-23, João 8, 40, Gálatas 5, 19-21)?&nbsp;Se essas “obras” não representam pecados e imperfeições, por que elas precisam ser eliminadas?&nbsp;Em segundo lugar, é impossível que uma “obra” seja purificada à parte do ser humano que a realizou.&nbsp;Somos<em>,</em>&nbsp;em certo sentido, o que&nbsp;<em>fazemos</em>&nbsp;quando se trata de nossas escolhas morais.&nbsp;Não existe um “trabalho” flutuando em algum lugar separado de um ser humano que possa ser purificado separado desse ser humano.&nbsp;A ideia de obras separadas de pessoas não faz sentido.</p>



<p>Mais importante, porém, essa ideia de “obras” sendo “queimadas” à parte da alma que executou a obra contradiz o próprio texto.&nbsp;O texto diz que as obras serão testadas pelo fogo, mas <em>“se a obra sobreviver…&nbsp;ele&nbsp;receberá uma recompensa.&nbsp;Se a obra de alguém se queimar,&nbsp;sofrerá&nbsp;prejuízo”.</em>&nbsp;E, <em>“ele&nbsp;será salvo, mas somente como pelo fogo”</em> (Gr.&nbsp;<em>dia puros</em>).&nbsp;A verdade é que tanto as obras do indivíduo&nbsp;<em>quanto as do indivíduo</em>&nbsp;passarão pelo “fogo” purificador descrito por São Paulo para que “ele” possa finalmente ser salvo e entrar na alegria do Senhor.&nbsp;Soa muito como Purgatório.</p>
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		<title>Eu sou católico porque a Bíblia me diz para ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 May 2021 13:07:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Eu sou católico" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/Eu-sou-catolico-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>(Por Peter Kreeft. Traduzido por Gabriel Gomes)  Todos os cristãos confiam na Bíblia, incluindo (especialmente) o Novo Testamento. Mas a Bíblia me leva à Igreja. Isso acontece de duas maneiras. Primeiro, a Bíblia me diz que Cristo estabeleceu uma Igreja e deu a ela&#160;a&#160;Sua autoridade para ensinar em Seu nome. Então, a Bíblia me envia adiante para a [&#8230;]</p>
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<p>(Por Peter Kreeft. Traduzido por <a href="https://cooperadoresdaverdade.com/autor/gabrielgomes/">Gabriel Gomes</a>)  Todos os cristãos confiam na Bíblia, incluindo (especialmente) o Novo Testamento. Mas a Bíblia me leva à Igreja.</p>



<p>Isso acontece de duas maneiras. Primeiro, a Bíblia me diz que Cristo estabeleceu uma Igreja e deu a ela&nbsp;a&nbsp;Sua autoridade para ensinar em Seu nome.</p>



<p>Então, a Bíblia me envia adiante para a Igreja, de Cristo para Sua Igreja como Sua invenção.&nbsp;A Bíblia também me envia de volta à Igreja, pois a Igreja é a sua causa.</p>



<p>É um fato histórico que foi a Igreja (os apóstolos) que escreveu o Novo Testamento.&nbsp;Foi&nbsp;também a Igreja que definiu seu conteúdo, seu cânone &#8211; que nos disse quais livros faziam e quais&nbsp;livros não pertenciam ao cânone sagrado, os livros que foram divinamente inspirados e religiosamente&nbsp;infalíveis&nbsp;e&nbsp;autoritativos. De que outra forma qualquer cristão&nbsp;pode&nbsp;saber&nbsp;que o Evangelho de Tomé e o&nbsp;Evangelho de Judas não fazem&nbsp;parte da Bíblia, parte da infalível revelação divina, e que Tiago,&nbsp;Judas e Apocalipse são? Há uma e apenas uma resposta clara para essa pergunta: pela&nbsp;autoridade da Igreja.</p>



<p>Em outras palavras, a Igreja foi tanto a causa eficiente (o autor) quanto a causa formal (o&nbsp;definidor) do Novo Testamento. Esses são dados históricos. Que essa seja a premissa 1.</p>



<p>Mas nenhum efeito pode ser maior do que sua causa (que é logicamente evidente e indubitável), e o&nbsp;infalível é maior que o falível; portanto, o infalível não pode ser causado pelo falível. Isso é&nbsp;também logicamente evidente. Que essa seja a premissa 2.</p>



<p>Ou a Igreja é falível ou infalível. Isso também é logicamente evidente. Que essa seja a premissa 3.</p>



<p>Portanto, se o Novo Testamento é infalível, a Igreja deve ser infalível, e se a Igreja não é&nbsp;infalível, então o Novo Testamento também não o é. Logicamente, essas são as duas únicas possibilidades,&nbsp;a menos que neguemos os dados históricos (premissa 1) ou uma das suposições evidentes (2 ou3).</p>



<p>Repasse de novo. Se a Igreja é falível, como dizem os protestantes, ela não pode produzir um efeito&nbsp;infalível&nbsp;na Bíblia. E, portanto, se a Igreja é falível, então o Novo Testamento também é falível,&nbsp;como sua causa. Por outro lado, se o Novo Testamento é infalível, tanto como protestantes quanto os católicos dizem, então, a Igreja, que foi sua causa, também deve ser infalível. Só se ela for infalível&nbsp;ela pode produzir um efeito infalível.</p>



<p>Assim, vemos na história o que esperaríamos logicamente: que a maioria dos protestantes das “principais”&nbsp;denominações eventualmente abandonaram a alegação de infalibilidade para o Novo Testamento e&nbsp;abraçaram&nbsp;a teologia modernista ou liberal, pois essa é a conclusão lógica da negação do&nbsp;infalibilidade da Igreja. Mas nunca a Igreja Católica fez isso.</p>



<p>Então, se eu quero ser um cristão ortodoxo e acreditar que a Bíblia é infalível, eu tenho que ser um&nbsp;Católico&nbsp;e crer&nbsp;que a Igreja também tem esse dom divino. Igreja e Escritura andam juntas,&nbsp;como corpo e alma.</p>



<p>Provavelmente ofendi os cristãos modernistas ou liberais no que disse acima sobre a Bíblia.&nbsp;Agora provavelmente vou ofender os cristãos fundamentalistas com o que direi a seguir&nbsp;sobre a Bíblia.&nbsp;Por mim tudo bem. Jesus também ofendeu extremos opostos, partes opostas &#8211; os fariseus&nbsp;e os saduceus.</p>



<p>O fundamentalismo nega a natureza humana da Bíblia e o modernismo nega sua natureza divina,&nbsp;assim como o docetismo nega a natureza humana de Cristo e o arianismo nega sua natureza divina.&nbsp;Esse&nbsp;paralelo é mais do que uma coincidência, pois tanto a Bíblia quanto Cristo são chamados de&nbsp;“a Palavra de Deus”.</p>



<p>Aqui está minha ofensa aos fundamentalistas. A Bíblia é infalível em seus ensinamentos religiosos (e que&nbsp;incluem&nbsp;moralidade, que é uma parte essencial da religião para&nbsp;judeus&nbsp;e cristãos), mas não em sua&nbsp;gramática, ciência ou matemática. Deus não nos deu a Bíblia para nos&nbsp;ensinar&nbsp;gramática ou ciência ou&nbsp;matemática. A infalibilidade da Bíblia não se estende a essas coisas. É simplesmente um fato que existem&nbsp;algumas contradições e erros gramaticais, científicos e matemáticos na Bíblia.</p>



<p>Agora, aqui está o ponto, o paralelo entre a Bíblia e a Igreja. A Igreja também é falível em&nbsp;tudo, exceto&nbsp;em&nbsp;seus dogmas religiosos autoritativos. A Igreja ensinou algumas coisas&nbsp;muito estúpidas, como geocentrismo, e&nbsp;fez&nbsp;algumas coisas muito ruins, como a Inquisição, mas não&nbsp;infalivelmente, não com autoridade, não como magistério ou mestrareligioso. Papas cometeram erros,&nbsp;mas não&nbsp;<em>ex cathedra</em>.</p>



<p>Então, mais uma vez, a Bíblia e a Igreja estão juntas. Eles estão no mesmo barco. Cada uma&nbsp;envia&nbsp;você para&nbsp;a&nbsp;outra. Se você quer uma, precisa da&nbsp;outra. Não é&nbsp;<em>sola scriptura</em>.</p>



<p>Mesmo depois&nbsp;que percebi&nbsp;a lógica desse argumento, ainda era difícil para mim superar qualquer uma&nbsp;das minhas crenças protestantes (1) de que a Igreja era falível e (2) de que a Bíblia não era. Mas eu sabia, por&nbsp;razão, que&nbsp;teria de&nbsp;abandonar uma delas. Então, o que era mais certo para mim: que a Igreja era&nbsp;infalível&nbsp;ou que a Bíblia não era?</p>



<p>Minha fé era mais fundamentalmente anticatólica ou pró-Bíblia? Assim que uma pergunta apareceu&nbsp;desse modo, a resposta foi clara. Quando minha fé e minha razão se casaram, produziram um&nbsp;Bebê católico.</p>
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		<title>O Desejo de Partir e Estar com Cristo (Fl 1, 23)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 11:48:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/11/O-Desejo-de-Partir-e-Estar-com-Cristo.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="O Desejo de Partir e Estar com Cristo" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/11/O-Desejo-de-Partir-e-Estar-com-Cristo.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/11/O-Desejo-de-Partir-e-Estar-com-Cristo-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/11/O-Desejo-de-Partir-e-Estar-com-Cristo-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/11/O-Desejo-de-Partir-e-Estar-com-Cristo-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/11/O-Desejo-de-Partir-e-Estar-com-Cristo-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>O mês de novembro se abre com duas celebrações&#160;&#8211;&#160;a de Todos os Santos e a de Finados&#160;&#8211;&#160;que nos colocam diante da perspectiva da vida futura. A atitude do cristão assim situado pode&#160;inspirar-se&#160;nas palavras do Apóstolo São Paulo: &#8220;Para mim, viver é Cristo, e morrer é um ganho&#8230; Sinto-me num dilema: desejo partir e estar com Cristo, o [&#8230;]</p>
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<p>O mês de novembro se abre com duas celebrações&nbsp;&#8211;&nbsp;a de Todos os Santos e a de Finados&nbsp;&#8211;&nbsp;que nos colocam diante da perspectiva da vida futura. A atitude do cristão assim situado pode&nbsp;inspirar-se&nbsp;nas palavras do Apóstolo São Paulo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Para mim, viver é Cristo, e morrer é um ganho&#8230; Sinto-me num dilema: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito preferível. Mas permanecer neste mundo é mais necessário por causa de vós&#8221;</p><cite>(Fl 1,21.23).</cite></blockquote>



<p>Chama-nos a atenção, neste trecho, a expressão &#8220;<em>estar com Cristo</em>&#8220;, três palavras para designar a bem-aventurança celeste&#8230; Três breves palavras, sim, porque o que elas querem dizer é indizível: &#8220;<em>é aquilo que o olho não viu, o ouvido não ouviu, o coração do homem jamais percebeu</em>&#8221; (1Cor2,9). &#8220;<em>Estar com Cristo foi também a promessa feita ao bom ladrão</em>&#8221; (cf. Lc 23,43) e, de modo geral, é a locução usada pelo Apóstolo para designar a vida bem-aventurada; cf. 1Ts4,17; 5,10; 2Ts2,1; Rm14,8. &#8211; São Paulo sente ardente desejo desse estado final, ardente epithymía. o que se poderia traduzir por avidez.</p>



<p>Consciente disto, o Apóstolo julga que morrer não é perda, mas é um ganho, é passar da penumbra para a luz plena, é passar da fé para a visão face-a-face; essa transição, diz o Apóstolo, é preferível ao permanecer neste mundo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Sabemos que, enquanto habitamos neste corpo, estamos fora da nossa morada, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé, não pela visão&#8230; Estamos cheios de confiança e preferimos deixar a morada deste corpo para ir morar junto do Senhor&#8221; </p><cite>(2Cor 5,6-8).</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;O nosso objetivo não é o que se vê, mas o que não se vê, pois o que se vê é provisório, mas o que não se vê é eterno&#8221;.</p><cite>(2Cor4,18)</cite></blockquote>



<p>Todavia o Apóstolo não recusa ficar junto aos seus fiéis peregrinos na terra, pois o estar com Cristo não é prerrogativa exclusiva da vida póstuma; é algo que se realiza também entre as sombras da caminhada terrestre. O Cristo cujo consórcio faz a felicidade dos justos nos céus, está presente aos fiéis neste mundo; é o mesmo o Cristo da via e o da chegada; o Deus que faz o regozijo dos Santos no céu, é o Deus que se faz presente aos caminheiros deste mundo. Há, pois, continuidade entre o tempo e a eternidade, entre a vida da terra e a do céu. Esta já está contida em gérmen na graça santificante outorgada ao cristão pelo&nbsp;Batismo,&nbsp;a Eucaristia e os demais sacramentos; o Corpo glorioso de Cristo entregue ao cristão na Eucaristia prepara o seu corpo mortal para a feliz ressurreição no último dia (cf. Jo&nbsp;6,44; 1&nbsp;Cor&nbsp;15,23).</p>



<p>Por conseguinte, o que importa ao cristão, é&nbsp;unir-se&nbsp;a Cristo e&nbsp;entregar-se&nbsp;às suas santas disposições, quer se sinta ainda chamado a permanecer no claro-escuro desta vida a fim de servir ao Senhor e aos irmãos, quer tome consciência de que soou a hora de sua feliz partida para ir viver na plenitude da Luz.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;O nosso anseio é agradar-Lhe, quer permaneçamos em nossa morada, quer a deixemos&#8221;<em>.</em></p><cite>(2Cor5,9)</cite></blockquote>
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		<title>O Zinjântropo e Adão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2020 11:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/O-Zinjântropo-e-Adão.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="O Zinjântropo e Adão" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/O-Zinjântropo-e-Adão.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/O-Zinjântropo-e-Adão-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/O-Zinjântropo-e-Adão-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/O-Zinjântropo-e-Adão-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/O-Zinjântropo-e-Adão-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Poderia fazer um confronto entre a recente descoberta do «Zinjântropo», homem que terá vivido há 1.750.000 anos atrás, com a história bíblica de Adão e Eva? Não haverá incompatibilidade entre uma e outra? Antes do mais, importa referir brevemente os dados concernentes ao Zinjântropo; feito isto, estabeleceremos o confronto com as afirmações bíblicas. O Zinjântropo [&#8230;]</p>
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<p><em>Poderia fazer um confronto entre a recente descoberta do «Zinjântropo», homem que terá vivido há 1.750.000 anos atrás, com a história bíblica de Adão e Eva? Não haverá incompatibilidade entre uma e outra?</em></p>



<p>Antes do mais, importa referir brevemente os dados concernentes ao Zinjântropo; feito isto, estabeleceremos o confronto com as afirmações bíblicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Zinjântropo</strong></h2>



<p>Uma certa revolução nas concepções dos estudiosos se deu quando, aos 22 de julho de 1961, foram publicadas as conclusões de pesquisas empreendidas em torno de um fóssil recém-descoberto e denominado «o Zinjântropo» (Zinjanthropus Boisei) ou «o homem que quebra nozes».</p>



<p>O Zinjântropo e Adão</p>



<p>Eis o trâmite da descoberta:</p>



<p>Em julho de 1959, o sábio inglês L.B.S. Leakey, do Museu Coryndon, trabalhando no vale de Olduvai (território de Tanganika, África), defrontou-se com uma ossada craniana que parecia pertencer a um homem pequenino, não muito gracioso, mas em aparência muito mais antigo do que os fósseis até então conhecidos.</p>



<p>Transferidos para a Califórnia, esses achados foram entregues aos professores Jack F. Evernden e Garniss H. Curtiss, que lhes procuraram determinar a idade. Já que não há meios para identificar ossos que tenham mais de 50.000 anos, os pesquisadores resolveram analisar as rochas encontradas imediatamente acima e abaixo dos fósseis de Olduvai. Essas rochas eram provenientes de larvas vulcânicas e continham potássio. A fim de conseguir conclusões seguras, os estudiosos investigaram não menos de dez amostras de tais pedras, submetendo-as ao método recentíssimo «do potássio-argon» (o potássio 40 se decompõe regularmente, dando árgon 40). Averiguaram assim que os ossos de Olduvai contam a idade média de 1.750.000 anos, podendo esta cifra variar entre 1.600.000 e 1.900.000 anos (há probabilidades maiores para as datas mais antigas)&#8217;. Perto do crânio do «Zinjântropo», mas em camada inferior, o mesmo Prof. Leakey descobriu em 1960 outras ossadas, às quais os exames químicos atribuíram cerca de 50.000 anos mais que ao Zinjântropo; tais outros fósseis tomaram o nome de «Pré-Zinjântropo»; parecem ter pertencido a uma criança de 11 a 12 anos.</p>



<p>Uma vez determinada a idade dos detritos ósseos, restava adquirir a certeza de que haviam realmente pertencido a seres humanos; não seriam talvez ossadas de antropoides, ou seja, de animais semelhantes ao homem quanto ao corpo, mas destituídos de alma humana (inteligente, racional)?</p>



<p>A dúvida se resolveu com suficiente clareza. Com efeito; junto ao Zinjântropo foram encontrados ossos de pequenos animais (os únicos, aliás, que o Zinjântropo poderia atacar) assim como instrumentos de pedra lascada, intencionalmente adaptados a cortar à guisa de facões; eram indícios da «pebble culture» ou da civilização do seixo, civilização tipicamente humana, pois, embora seja extremamente rudimentar, atesta uma inteligência, ou seja, a apreensão das proporções existentes entre «tal meio» e «tal fim».</p>



<p>Como se sabe, em muitos casos da pré-história é difícil definir se determinado osso pertenceu a um homem primitivo ou a um macaco aperfeiçoado. A questão se resolve geralmente pela observação dos objetos que se possam encontrar junto aos fósseis; os antropologistas julgam que os fósseis representam verdadeiros homens todas as vezes que junto a eles se encontram:</p>



<p><strong>a) </strong>instrumentos intencionalmente burilados em vista de determinada atividade ou determinado objetivo a atingir. Este «burilar» é indicio seguro de inteligência, pois implica em reconhecimento das relações que associam tal meio a tal fim (perceber as relações entre meio e fim é prerrogativa da inteligência; por sua vez, a inteligência é característica inconfundível do homem; no animal irracional só há instinto; cf. «P. R.» <a href="http://www.pr.gonet.biz/revista.php?nrev=33">33/1960</a>, qu. 2);</p>



<p><strong>b) </strong>indícios de produção do fogo e detritos de cozinha (sem dúvida, somente o homem sabe produzir o fogo e fazer cozinha);</p>



<p><strong>c)</strong> sepultura e culto dos mortos (o animal infra-humano ou irracional não cuida dos mortos).</p>



<p>O Zinjântropo é, por conseguinte, o mais antigo tipo de homem pré-histórico que se conheça. A sua descoberta nos obriga a recuar por mais de um milhão de anos o aparecimento do homem sobre a terra: ao passo que até julho de 1961 se atribuía ao gênero humano a idade de 500 ou 600 mil anos, de julho para cá já se lhe assinalam cerca de 1.750.000 anos de existência. Daí a extraordinária importância da descoberta do Zinjântropo. Mas daí também as dúvidas que têm surgido na mente daqueles que querem estabelecer um confronto entre</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Zinjântropo e a Bíblia</strong></h2>



<p>Procuraremos resolver essas dúvidas recordando algumas proposições, das quais a maioria já foi estudada em anteriores artigos de «P. R.».</p>



<h3 class="wp-block-heading">Não há incompatibilidade entre a Bíblia e o evolucionismo do corpo humano.</h3>



<p>Resumindo quanto já foi dito em «P. R.» 4/1957, qu. 1, lembramos: a Sagrada Escritura não apresenta tese alguma sobre a formação do corpo humano. Quando diz que este foi tomado do barro (cf. Gên 2, 7), serve-se de uma figura de linguagem assaz comum na literatura dos antigos povos: os antigos costumavam apresentar a Divindade sob os traços de um Oleiro, querendo com isto dizer que, assim como o oleiro é sábio, poderoso e carinhoso senhor dos seus artefatos, assim também Deus é sábio, poderoso e carinhoso Senhor do homem; é a Deus que o homem deve a sua existência. Disto não se segue que tenha formado o corpo humano a partir do barro nem tampouco que o tenha plasmado diretamente, prescindindo da evolução da matéria. Deus pode ter incutido à matéria primitiva leis de evolução que a tenham feito chegar aos poucos, por etapas sucessivas, até o grau de complexidade e organicidade de um corpo humano. A essa matéria assim evoluída terá então infundido uma alma espiritual, racional, tipicamente humana; a partir desse momento então começou o gênero humano a existir sobre a terra.</p>



<p>Portanto, apenas com relação à origem da alma humana, tem a fé cristã (apoiada, aliás, na Bíblia e na própria razão natural) uma tese bem definida: a alma foi (e é) criada diretamente por Deus, pois ela não é material, mas pertence a um nível de ser superior. Ora, como ninguém dá o que não tem, a matéria não pôde (nem pode) por suas virtualidades próprias produzir o espírito. Deus teve que criar a alma do primeiro homem, como cria a de qualquer criança que nasça no decorrer dos séculos. Não se procurem nas rochas e nos fósseis vestígios diretos da infusão da alma humana. Esta, sendo espiritual, não deixa marca material de sua passagem ou de si mesma. Por isto os cientistas jamais poderão contradizer às ressalvas que fazemos no tocante à evolução da alma humana, alegando eles que não se encontram vestígios da sua entrada no corpo animal.</p>



<p>O darwinismo é rejeitado pela Igreja não por ser evolucionismo, mas por constituir uma forma de evolucionismo mecanicista, sem finalidade, regido apenas pela lei do mais forte, sem dar lugar à ação da Providência Divina, que tudo prevê e tudo governa.</p>



<p>A aceitação do evolucionismo para o corpo humano não quer dizer que se deva considerar a existência de Adão como algo de lendário ou figurado; tal conclusão não está contida naquela premissa; Adão e Eva foram personagens reais, constituindo o primeiro e único casal do qual depende o gênero humano atual (explicações mais amplas do assunto encontram-se em «P. R.» 20/1959, qu. 4).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Ou plenamente homem ou plenamente macaco.</h3>



<p>Admitindo a evolução, a fé cristã (em nome também da própria razão) lembra que não há meio termo entre o macaco e o homem; o antropoide é ou 100% macaco ou 100% homem, quanto à sua essência. A razão desta afirmação é o principio seguinte: a essência de cada ser é algo de imutável ou (como diz a linguagem filosófica) «indivisível»; ora o homem e o macaco constituem seres essencialmente diferentes um do outro; portanto a essência de um não se pode misturar com a do outro.</p>



<p>Dir-se-á: mas há ossadas que denunciam transição lenta entre o macaco e o homem; os fósseis se vão aperfeiçoando gradativamente. — Sim. Leve-se em conta, porém, que o que caracteriza o homem e o macaco, não são os ossos, mas o princípio vital; ora o princípio vital (a «forma», conforme os filósofos) é imutável ou indivisível: ou é de macaco simplesmente dito (macaco talvez dotado de corpo mais evoluído) ou é de homem (alma humana, espiritual, racional, colocada dentro de um corpo ainda rude e primitivo; contudo 100% alma humana.</p>



<p>As ossadas e o corpo podem evoluir, mas o principio vital que os anima não evolui, isto é, não muda a sua essência (se era de macaco, fica sendo de macaco, ora mais aperfeiçoado, ora menos aperfeiçoado, de geração em geração).</p>



<p>A essência do homem (que, repitamo-lo, é caracterizada pela alma, e não pelo corpo) não se confunde nem mistura com a do macaco.</p>



<p>Vê-se, pois, que o Zinjântropo era ou verdadeiro macaco ou verdadeiro homem. Se os cientistas estão de acordo em agregá-lo ao gênero humano, deve-se-lhe atribuir íntegra natureza humana, igual à nossa quanto à essência, diferente da nossa apenas por seus traços somáticos ou sua configuração externa, material (é claro que o Zinjântropo pode ter tido inteligência menos aguda do que a do homem moderno, mas, em qualquer caso, teve inteligência ou capacidade de apreender relações, proporções, valores abstratos, coisa que o macaco, em hipótese alguma, possui).</p>



<h3 class="wp-block-heading">A Bíblia não apresenta cronologia dos primeiros tempos da pré-história.</h3>



<p>A cronologia bíblica só começa a partir do Patriarca Abraão, que viveu por cerca de 1800 a. C. (cf. Gênesis c. 12). Os onze primeiros capítulos da Sagrada Escritura apresentam apenas «pinceladas» ou quadros avulsos e esquemáticos, que têm por fim explicar a vocação de Abraão, chamado de Ur da Caldeia para a terra de Canaã. Dizem-nos, pois, esses capítulos que há um só Deus, &#8230; Deus bom e sábio, ao qual o mundo e o homem (por via e modos que o livro sagrado não quer descrever) devem a sua existência; Deus não fez o mal; foi o homem quem, abusando da sua liberdade, introduziu a desordem e, por conseguinte, o sofrimento e a morte, no mundo. Ora, para remir da desordem e da morte o gênero humano, Deus sequestrou Abraão e o povo de Abraão, donde haveria de sair o Salvador para a humanidade. Estes poucos traços não estão acompanhados de indicação de datas (excetuada apenas a narrativa da vocação de Abraão).</p>



<p>Replicar-se-á: mas a Bíblia assinala quantos anos viveram Adão e cada um dos antigos Patriarcas, de modo que a soma dessas cifras sugere a duração aproximada de 5.000 anos para o gênero humano desde Adão até Cristo&#8230; — Na verdade, os números que parecem indicar a idade dos referidos Patriarcas são números meramente simbólicos, que não significam quantidades (duração de vida), mas qualidades (isto é, venerabilidade e autoridade). Com efeito; estudos modernos de linguística e literatura antigas deram-nos a saber que muito frequente era outrora o uso simbolista dos números: para indicar, por exemplo, o respeito e a reverência que alguém merecia da posteridade, atribuía-se-lhe imaginariamente uma longa vida; esta significava experiência, maturidade e, por conseguinte, venerabilidade e autoridade; ninguém, ao ler tais cifras, as tomava ao pé da letra como se indicassem real duração de vida. Errôneo, portanto, seria atribuir hoje em dia valor matemático ou cronológico a essas cifras; deixemo-las no seu sentido simbólico, como expressão da venerabilidade que toca aos Patriarcas bíblicos, sem querer dai deduzir alguma conclusão referente à idade do gênero humano. A Bíblia, neste particular, aceita tão bem a suposição de 600000 anos como a de 1.750.000 anos; a sua mensagem (que é religiosa, e não arqueológica ou biológica) não sofre alteração após a descoberta do Zinjântropo e do seu recuo nos séculos da pré-história.</p>



<h3 class="wp-block-heading">As Escrituras nada afirmam a respeito do aspecto ou do semblante de Adão.</h3>



<p>Há quem se desconcerte ao imaginar que Adão tenha tido uma configuração rude ou primitiva, semelhante à do Zinjântropo ou à de outros fósseis. Não há razão de ser, porém, para essa perplexidade.</p>



<p>Não há dúvida, é costume crer que Adão tenha tido um aspecto físico belo e gracioso, reflexo da graça sobrenatural que estava em sua alma. Esta tese é antiga e tradicional; nada impede que seja sustentada ainda hoje: Adão constituiu um caso único em toda a história do gênero humano; tendo perdido a graça santificante pelo pecado, terá perdido também o esplendor físico que manifestava essa graça interior; seus descendentes então terão caído no estado de primitivismo que a paleontologia revela, ficando sujeitos às leis do aperfeiçoamento paulatino e difícil que regem todos os seres vivos.</p>



<p>Note-se bem que a ciência de modo nenhum pretende ter encontrado o crânio de Adão; ela não diz estar de posse das ossadas do primeiro entre os primeiros homens; em outros termos: ela não assegura ter atingido a estaca zero da história do gênero humano; não se vê mesmo como se poderia distinguir o primeiro dos primeiros seres humanos. Isto torna vã qualquer tendência a confrontar com muito rigor os dados da Bíblia concernentes a Adão com as características de determinado fóssil, mesmo com as do Zinjântropo.</p>



<p>Pode-se também admitir que Adão não tenha feito exceção em relação ao aspecto dos demais homens primitivos. Terá tido então um corpo e uma aparência semelhantes aos que os fósseis atestam. Apenas em sua alma haverá possuído uma riqueza espiritual e invisível (a graça santificante e os dons preternaturais), riqueza que, por disposição do Criador, só se deveria manifestar através do corpo, caso Adão se comprovasse fiel aos desígnios de Deus ou obedecesse ao preceito dado no paraíso. Já que de fato não obedeceu, nunca se terão refletido no corpo humano os dotes extraordinários da alma de Adão.</p>



<p>Tanto a sentença mais tradicional como esta outra, mais recente, são compatíveis com os dados da Revelação bíblica. Inútil seria insistir nas probabilidades de uma e de outra.</p>



<p>Também não nos deve surpreender a possibilidade de que Adão tenha sido, humanamente falando, pouco civilizado e tenha vivido em condições de cultura rudimentar, tais quais as apresentam os documentos da pré-história. Adão podia ter em sua alma o dom da ciência infusa concernente à sua missão religiosa ou à sua responsabilidade de pai do gênero humano, sem ter necessariamente uma ciência profana referente à indústria ou à técnica das coisas deste mundo. A grandeza de Adão se situava exclusivamente no plano religioso, e não dependia do grau de cultura ou civilização em que ele se encontrava.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A Sagrada Escritura não exclui a existência de pré-adamitas.</h3>



<p>Os pré-adamitas seriam verdadeiros homens, dotados de corpo e de alma racional, semelhantes a nós (como dissemos, não há criatura que seja apenas 50, 70 ou 90% homem). Haveriam constituído uma estirpe humana que se teria extinguido com o aparecimento de Adão e Eva, de tal modo que toda a humanidade hoje existente deva ser tida como «adamitica» ou descendente de Adão.</p>



<p>Dizemos que a Sagrada Escritura não exclui a existência de tais pré-adamitas porque ela não indica a data em que viveu Adão; ela não nos afirma que Adão é o genitor de todos os homens cujas ossadas vão sendo encontradas nos estrados da crosta terrestre. Pode ser que algumas ou muitas dessas ossadas tenham pertencido a homens anteriores a Adão, homens cuja linhagem desapareceu, com os quais portanto não poderiam ser confrontados Adão e o gênero humano atualmente existente.</p>



<p>Aplicando tais observações ao estudo do Zinjântropo, dever-se-á dizer: este fóssil pode ser da linhagem de Adão, como também, a rigor, poderia ser anterior a Adão; neste caso, vão seria comparar as características do Zinjântropo com os dados da Bíblia concernentes a Adão.</p>



<p>Claro está que a existência dos pré-adamitas fica no plano das meras hipóteses. Por isto, ocioso seria desenvolver os seus pormenores, cedendo a vãs conjeturas. Trata-se de hipótese destituída de fundamento positivo na S. Escritura (a ciência lhe fica de todo indiferente); apenas se pode dizer que não entra em conflito com a Bíblia. Poderá ser adotada por quem a julgar oportuna (pergunta-se, porém: haverá argumentos suficientes para que alguém julgue oportuna tal hipótese?).</p>



<p>Eis o que convinha recordar a propósito do Zinjântropo e das dúvidas que ele veio despertar na mente de muitos estudiosos que desejam viver uma religião esclarecida, digna da sabedoria de Deus e da inteligência do homem.</p>
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		<title>Moisés, esposo sanguinolento?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2020 23:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Moisés.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Moisés" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Moisés.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Moisés-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Moisés-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Moisés-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Moisés-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Que quer dizer o texto de Êxodo 4, 24-26? Javé teria resolvido matar Moisés&#8230; Séfora, então, a esposa deste, haverá circuncidado seu filho, salvando assim a vida do Legislador&#8230; A seguir, terá declarado a Moisés: &#8216;És para mim um esposo sanguinolento!&#8217;. As dificuldades para entender a mencionada passagem se devem não somente à concisão do estilo, mas [&#8230;]</p>
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<p><em>Que quer dizer o texto de Êxodo 4, 24-26? Javé teria resolvido matar Moisés&#8230; Séfora, então, a esposa deste, haverá circuncidado seu filho, salvando assim a vida do Legislador&#8230; A seguir, terá declarado a Moisés: &#8216;És para mim um esposo sanguinolento!&#8217;.</em></p>



<p>As dificuldades para entender a mencionada passagem se devem não somente à concisão do estilo, mas também ao fato de estar o texto mal transmitido, havendo variantes de leitura nos códices antigos; donde se compreende que mais de uma elucidação é possível.</p>



<p>Procuraremos abaixo propor o que há de certo e o que fica incerto em tal secção do Êxodo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>É certo&#8230;</strong></h2>



<p>Como ponto de partida do nosso estudo, segue-se uma tradução plausível (embora não seja a única possível) do texto de Ex<strong> </strong>4,24-26:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Moisés, em viagem, deteve-se para passar a noite, quando o Senhor o abordou, procurando matá-lo. Séfora então tomou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e fez que tocasse o sexo de Moisés, dizendo: &#8216;Era verdade, és para mim um esposo sanguinolento!&#8217;. Assim Javé deixou Moisés. Séfora havia dito: &#8216;Esposo sanguinolento&#8217;, por causa da circuncisão.</p></blockquote>



<p>Já que o episódio se desenvolve em torno da circuncisão, convém antes do mais lembrar um ou outro traço do que dissemos em <a href="https://cooperadoresdaverdade.com/o-significado-da-circuncisao/">«P. R.» 12/1958, qu. 5</a>, a respeito de tal rito.</p>



<p>A circuncisão consistia em um talhe de pele ou, mais precisamente, na ablação do prepúcio. Parece ter estado em uso desde remotíssimas épocas, pois nos tempos relativamente recentes a que se refere a Escritura Sagrada (segundo milênio antes de Cristo, quando já havia metalurgia), ainda era praticada com lâminas de pedra afiada (o que lembra a idade da pedra talhada); cf. Jos 5,3. Tal rito era assaz comum entre os povos antigos, continuando até hoje em vigor na sétima parte, aproximadamente, da população do globo. A sua origem fica sondo assaz obscura: crê-se com verossimilhança que se tratava de um rito de iniciação ao casamento, rito destinado a favorecer a fecundidade e o ato sexual (tenha-se em vista o fato de que os vocábulos hebraicos que designam o genro — hathan — e o sogro — hothen — se derivam da mesma raiz hatan, que significa circuncidar em árabe).</p>



<p>Dado que a circuncisão fosse cerimônia pré-nupcial, entende-se que os pagãos a aplicassem geralmente aos adolescentes, e não às crianças; devia equivaler a um ato de declaração de plena virilidade.</p>



<p>Visto que tal rito era muito familiar aos antigos, o Senhor quis que servisse em Israel para assinalar a adesão do judeu ao povo escolhido; era, pois, a marca distintiva dos varões que aceitavam a aliança que Javé iniciara com Abraão, prometendo a este Patriarca a bênção messiânica (cf. Gên 17,9-14). Consequentemente, entende-se que a circuncisão entre os israelitas tenha sido praticada na infância, ou seja, no oitavo dia após o nascimento da prole masculina (e não na idade da adolescência).</p>



<p>Passemos agora ao trecho bíblico que interessa analisar.</p>



<p>Narra o livro do Êxodo c. 4 que Moisés, atendendo a um chamado de Deus, deixou a terra de Madiã e se pôs a caminho da corte de Faraó no Egito. Em uma etapa noturna, o Senhor Deus (ou, conforme a tradução grega dita «dos LXX», um anjo do Senhor) apareceu ao santo varão, procurando matá-lo&#8230; Sem metáfora, esta passagem quer simplesmente dizer que, durante a sua viagem, Moisés se viu na iminência de terrível castigo divino: grave moléstia ou sério perigo de morte o devem ter acometido&#8230; E por que motivo? — Embora o texto sagrado não o diga explicitamente, depreende-se que a punição se devia ao fato de não haver sido circuncidado Gersam, o filho de Moisés. Sim; logo que Séfora praticou tal rito, Moisés foi poupado e recuperou o vigor.</p>



<p>Já que vivera até então no território de Jetro, seu sogro, o qual não devia ter o costume de circuncidar criancinhas, Moisés ter-se-á deixado influenciar por este varão, omitindo a circuncisão de seu filhinho oito dias após o respectivo nascimento; ora isto equivalia a grave transgressão de solene preceito de Javé; não podia ser tolerado na família do futuro legislador de Israel. Justamente para fazer que Moisés compreendesse bem a incoerência de tal situação é que o Senhor houve por bem intimá-lo na citada etapa da sua viagem.</p>



<p>Consciente disto, Séfora fez as vezes de seu marido enfermo e achacado, realizando a circuncisão de seu filhinho. Em consequência, o Senhor fez cessar o grave perigo que pesava sobre Moisés.</p>



<p>Eis o significado geral do texto de Êx 4,24-26; não deixa margem a sérias hesitações. As dificuldades começam quando se analisam os pormenores referidos nos v. 25 e 26 (pode-se, de resto, notar que o v. 26 falta por completo na tradução grega dos LXX). — Abordemos, portanto, as dúvidas e suas possíveis soluções.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que fica incerto</strong></h2>



<p>A primeira fonte de hesitações exegéticas é o fato de que a forma hebraica original de Êx 4, 25s e a antiga tradução grega dos LXX não concordam entre si na transmissão do texto.</p>



<p>Veiamos, pois, separadamente cada uma dessas duas faces da secção bíblica.</p>



<h3 class="wp-block-heading">a) O texto hebraico</h3>



<p>Eis o teor do texto fielmente traduzido do hebraico:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Moisés, em viagem, deteve-se para passar a noite, quando o Senhor o abordou, procurando matá-lo. Séfora então tomou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e tocou os pés de Moisés com ele, dizendo: &#8220;Era verdade, és para mim um esposo sanguinolento!&#8217;&#8230;</p></blockquote>



<p>No trecho acima, a dificuldade de explicação provém principalmente da expressão «tocou os pés».</p>



<p>a&#8217;) Alguns exegetas observam que a palavra «pés» é não raro, na Bíblia, um eufemismo que designa as partes genitais (cf. Dt 28,57; Gên 49,10). Admitindo-se que tal seja o caso também em Êx 4,25, o autor sagrado afirmaria que Séfora tocou os órgãos genitais de seu esposo com o prepúcio de seu filho. Isto se explicaria na hipótese de que Moisés ainda não tivesse sido circuncidado até aquele momento; o sangue e a circuncisão do filho substituiriam o sangue e a circuncisão do pai, e aplacar-se-ia a justa ira de Deus.</p>



<p>Que dizer de tal interpretação?</p>



<p>Por mais verossímil que pareça, encontra obstáculos.</p>



<p>Com efeito. Pergunta-se: como chegar à certeza de que «pés», no texto, é tomado como eufemismo, e não ao pé da letra? Como admitir que Moisés não tivesse sido circuncidado até aquele momento? Qual o fundamento para crer que a circuncisão do filho valia pela do pai? Se Moisés estivesse diretamente em falta, não teria Séfora empreendido a circuncisão do próprio Moisés, em vez da do filho? Sabe-se que Abraão circuncidou não somente seu filho Isaque, mas também a si mesmo, embora estivesse em idade adulta (cf. Gên 17,23). Sabe-se também que os homens de Siquém e os guerreiros de Josué foram circuncidados como adultos (cf. Gên 34,24 e Jos 5,2-8).</p>



<p>Estas considerações levam o intérprete a procurar outra explicação do texto.</p>



<p>b&#8217;) Há autores que tomam a palavra «pés» na sua acepção própria ou literal. Lembram outrossim que algumas traduções antigas e abalizadas (Símaco, Teodocião, Peschitto, os LXX) entendem «tocar os pés», em Êx 4,25, no sentido de «cair aos pés» ou «abraçar os pés». Séfora teria feito isso, exclamando ao mesmo tempo : «És para mim um esposo sanguinolento!» Com tal gesto, ela haveria observado que seu esposo Moisés acabava de lhe custar o preço do sangue de seu filho; sim, o marido teria sido conservado em vida por efeito da circuncisão ou do derramamento de sangue da criança.</p>



<p>Contudo também esta hipótese fica sendo pouco provável, porque, como a anterior, supõe, não tenha sido Moisés circuncidado. Dai o recurso a nova explicação&#8230;</p>



<p>c&#8217;) Moisés fôra, sim, circuncidado, mas com circuncisão meramente carnal ou ritual, e não com uma circuncisão «de coração» (como diz o profeta Jeremias 9,26); isto é: a circuncisão de Moisés, praticada no Egito, não teria tido valor religioso; não terá sido a circuncisão completa e total que o Senhor Deus esperava dos filhos de Israel; a circuncisão de Gersam tornava-se assim necessária para assegurar a Moisés (por transferência simbólica) os benefícios da aliança com Javé. — Tal teoria é assaz arbitrária e inconsistente. Resta então tentar o exame de:</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>b) A versão dos LXX</strong></h3>



<p>Em vista dos pontos obscuros do texto hebraico, há exegetas que preferem elucidar a passagem na base da tradução grega dos LXX, que assim se apresenta:</p>



<p>25 «Séfora tomou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho, e caiu-Lhe aos pés, dizendo ; &#8216;Está entregue o sangue da circuncisão de meu filho!&#8217;» Falta o v. 26.</p>



<p>Neste caso, o pronome obliquo «Lhe» designaria não Moisés, mas o Senhor Deus. A Este então Séfora teria dirigido as palavras citadas, desejando salientar que a circuncisão acabava de ser realizada e que, por conseguinte, já não havia motivo para que Moisés continuasse a ser ameaçado de castigo ou morte. A exclamação de Séfora equivaleria assim a uma prece em favor de seu esposo, a fim de que o Senhor lhe poupasse a vida. O v. 26 do texto hebraico atestaria que tal oração foi de fato bem sucedida : «Javé deixou Moisés».</p>



<p>Esta hipótese supõe naturalmente que o Senhor tenha aparecido a Moisés e Séfora sob forma humana dotada de pés (coisa semelhante, aliás, se 16 em Gen. 16, 7-13). Tal suposição é plausível; somente vendo a forma humana de Javé é que Séfora podia compreender que o perigo de morte de Moisés não era meramente natural, mas se devia a intervenção extraordinária de Deus, motivada por um pecado.</p>



<p>Esta nova interpretação é bem mais simples. Recomenda-se por dispensar certas suposições que as explicações anteriores tornam necessárias. Apenas se lhe pode objetar que se baseia não no texto original, mas numa tradução, que, embora seja antiga, reproduz por vezes o pensamento dos tradutores, e não o do autor da forma original.</p>



<p>Diante de todas estas ponderações, fica sendo difícil optar por determinada explicação do texto de Êx 4,24-26, de preferência a qualquer outra. Numa conclusão serena e objetiva, dir-se-á, portanto, que é preciso renunciar a saber «demais» no caso; ao leitor toca a liberdade de avaliar os argumentos favoráveis e desfavoráveis de cada sentença, e formar pessoalmente o seu juízo no tocante aos pormenores (não ao teor geral) de Êx 4,24-26.</p>
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		<title>A Bíblia inteira é inspirada por Deus?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2020 12:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Bíblia-inteira-é-inspirada-por-Deus.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Bíblia inteira é inspirada por Deus" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Bíblia-inteira-é-inspirada-por-Deus.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Bíblia-inteira-é-inspirada-por-Deus-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Bíblia-inteira-é-inspirada-por-Deus-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Bíblia-inteira-é-inspirada-por-Deus-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Bíblia-inteira-é-inspirada-por-Deus-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Para quem aborda as Escrituras Sagradas, uma das dificuldades que em primeiro lugar se põem, é a de admitir a divina inspiração dessas páginas. Como pode a Bíblia ser Palavra inspirada por Deus, quando apresenta tantas deficiências do ponto de vista científico e literário? Que vem a ser inspiração bíblica? Para responder devidamente a tais [&#8230;]</p>
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<p><em>Para quem aborda as Escrituras Sagradas, uma das dificuldades que em primeiro lugar se põem, é a de admitir a divina inspiração dessas páginas. Como pode a Bíblia ser Palavra inspirada por Deus, quando apresenta tantas deficiências do ponto de vista científico e literário? Que vem a ser inspiração bíblica?</em></p>



<p>Para responder devidamente a tais questões, procuraremos, antes do mais, delimitar a noção de inspiração bíblica, dizendo o que ela não é. A seguir, consideraremos positivamente o conceito de inspiração. Por fim, examinaremos algumas importantes consequências da inspiração bíblica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. O que a inspiração bíblica não é</strong></h2>



<p>Faz-se mister estabelecer clara distinção entre inspiração bíblica e dois conceitos afins:</p>



<p><strong>a) Revelação</strong>. Na Revelação religiosa, Deus comunica ao homem verdades que este nunca poderia ter aprendido, ou de fato nunca aprendeu, na escola de seu tempo. Sob o efeito da revelação divina, um arauto sagrado, por exemplo, prediz o futuro, desvenda mistérios, sem que se possa assinalar uma fonte humana para o seu saber. Tal foi, sem dúvida, o caso do profeta Isaías (7,14), quando predisse o parto virginal de Maria mais de sete séculos antes que ocorresse; falava então estritamente por efeito de revelação divina.</p>



<p>Ora a inspiração bíblica não implica necessàriamente revelação de verdades desconhecidas ao autor sagrado. Este, sob o dom da inspiração divina, conserva simplesmente o cabedal (rico ou pobre) de noções cientificas, históricas ou religiosas, que ele tenha adquirido na escola de sua gente; o Senhor Deus nada acrescenta a essas noções. — Eis o que por ora nos interessa relevar.</p>



<p>Digamos ainda que inspiração bíblica também não é:</p>



<p><strong>b) Assistência meramente extrínseca</strong>. Pela assistência meramente extrínseca, o Espírito Santo apenas preserva de erro o trabalho humano de um pregador ou escritor sagrado, de modo tal que o raciocínio e a formulação das ideias exprimam certamente a verdade.</p>



<p>Ora a inspiração bíblica, se, de um lado, é menos do que revelação sobrenatural, de outro lado é mais do que assistência meramente extrínseca. Positivamente então, que vem a ser?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. O que é a inspiração bíblica</strong></h2>



<p><strong>2.1.</strong>&nbsp;Dizíamos que, pela inspiração bíblica, o Senhor nada revela ao autor sagrado. Deixa-o, portanto, desenvolver toda a atividade necessária para adquirir a verdade e formulá-la com clareza (e essa atividade foi assaz árdua para certos autores sagrados, como atestam os prólogos do Evangelho de S. Lucas 1,1-4 e do 2<sup>o</sup>&nbsp;livro dos Macabeus [2,26-31], assim como a conclusão do Eclesiastes [12,10-12]).</p>



<p>Pois bem. Em se tratando da redação de um livro, a atividade do autor abrange três etapas:</p>



<p>1) <strong>tarefa da inteligência</strong>, que procura angariar conhecimentos, investigar e estudar a matéria a ser explanada no livro;</p>



<p>2) <strong>tarefa da vontade</strong>, que deve decidir (e decidir com firmeza e perseverança) redigir tal e tal livro, correspondente às verdades adquiridas pelo estudo prévio;</p>



<p>3) <strong>tarefa das potências executivas</strong> do escritor, que deve conseguir o material (papiro, estilete, etc.) e manejá-lo (ou mandar manejá-lo por um secretário) de tal modo que se origine o livro como expressão fiel da verdade.</p>



<p>Ora, no caso da inspiração bíblica, o Senhor Deus, de um lado, não dispensa esse trabalho humano nem, de outro lado, lhe assiste apenas de maneira extrínseca, mas (por assim dizer) penetra-o e percorre-o juntamente com o escritor sagrado. O que quer dizer:</p>



<p>1) Ilumina, de maneira especial,&nbsp;<strong>a inteligência</strong>&nbsp;do hagiógrafo (= autor sagrado) a fim de que este, dentro do patrimônio cultural (religioso e profano) que possui, possa estabelecer uma seleção entre as noções que condizem com a mensagem de Deus e as que não condizem. Iluminado pelo Espírito Santo, o hagiógrafo vê, com a certeza do próprio Deus, serem tais e tais proposições (adquiridas na escola de seu tempo) aptas a exprimir os desígnios de Deus, ao passo que tais e tais outras não o seriam. Assim a inspiração bíblica, sem revelar coisa alguma, garante, não obstante, a autenticidade da mensagem.</p>



<p>2) Além de iluminar a inteligência, o Espírito Santo <strong>fortalece a vontade</strong> do escritor humano, a fim de que este, sem vacilação nem infidelidade, queira escrever a verdade, e somente a verdade. — Enfim, pelo dom da inspiração bíblica</p>



<p>3) O Senhor faz que <strong>a execução da obra</strong> não dê lugar a enganos e falhas que perverteriam a mensagem sagrada.</p>



<p>Em consequência, o livro assim oriundo pode e deve ser dito, todo ele, obra do homem e simultaneamente obra de Deus; é mensagem ou palavra divina envolvida dentro dos moldes da palavra humana, numa antecipação e numa prolongação estupendas do mistério da Encarnação, que ocupa o centro da história do mundo.</p>



<p>Voltando ao exemplo do parto virginal de Maria, lembramos que, além do profeta Isaías, também o Evangelista São Lucas (2,6s) nos refere o fato; contudo São Lucas o narrou depois de ocorrido&#8230; já não por efeito da<strong>&nbsp;revelação divina</strong>&nbsp;(revelação de que gozou o profeta Isaías para o poder consignar mais de sete séculos antes do acontecimento), mas unicamente sob o efeito da<strong>&nbsp;inspiração bíblica&nbsp;</strong>(pois S. Lucas foi informado do acontecimento por autênticos testemunhos humanos; o Senhor Deus, pelo dom da inspiração, apenas tornou evidente a S. Lucas que esses depoimentos eram fiéis à realidade histórica, podendo por conseguinte ser utilizados para a redação de uma página bíblica).</p>



<p><strong>2.2.</strong>&nbsp;Observe-se agora que a finalidade da inspiração bíblica é «comunicar mensagem religiosa, não doutrinas profanas (de astronomia, geologia, biologia, etc.)». Contudo, já que a mensagem religiosa se dirige a homens que vivem no tempo e no espaço, a Escritura Sagrada tem que aludir aos objetos do tempo e do espaço (objetos dos quais tratam as ciências profanas); alude a isso, porém, de maneira pré-científica, popular, servindo-se dos modos de falar aceitos entre os homens de determinada região e época. Tais modos de falar («o sol nasce, a baleia é um peixe, o morcego é uma ave&#8230;») não resistem sempre a um exame rigoroso da ciência; contudo não iludem o leitor, o qual sabe muito bem que a intenção do escritor não era ensinar ciências profanas, mas apenas chamar a atenção para tais objetos e mostrar o sentido religioso dos mesmos, a luz de Deus e da eternidade.</p>



<p>Por conseguinte, distinga-se na Bíblia Sagrada entre</p>



<p>a)&nbsp;<strong>objeto primário, diretamente visado</strong>&nbsp;pelo dom da inspiração: é a doutrina religiosa. Esta é exposta com veracidade absoluta e em termos perenes;</p>



<p>b)&nbsp;<strong>objeto secundário, indiretamente apenas visado</strong>&nbsp;pela inspiração bíblica: são as noções de ciência profana. Estas vêm mencionadas segundo o modo de falar comum (não científico, mas também não enganador), modo de falar suficiente para levar a mente do leitor à apreensão de verdades superiores.</p>



<p>Assim tenha-se em vista, por exemplo, a narrativa da criação do mundo em Gên 1,1-2,4&#8230; O autor sagrado não intencionava dizer em quantas etapas (dias ou eras) ela se deu nem em que ordem de sucessão apareceram os minerais, os vegetais e os animais sobre a face da terra. Essas noções todas são de pouca importância para a salvação eterna do homem; a pesquisa das mesmas ficou, por isto, entregue ao trabalho da inteligência humana no decorrer dos tempos&#8230; Mas o que o autor sagrado queria dizer é o que o mundo e o homem (assim e assim discriminados pelo vocabulário pré-científico de um judeu do séc. XIII a.C.) valem à luz de Deus e da eternidade. Donde se vê que não seria lícito querer deduzir da narrativa bíblica teses de cosmologia ou biologia (tais como «.o mundo foi feito em seis eras, o gênero humano tem cinco ou sete mil anos de existência, há evolução ou não há evolução dos seres vivos&#8230;»); mas apenas se depreenderão verdades de índole religiosa cujo valor paira acima de qualquer cultura ou vocabulário; tais verdades são:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>o mundo não é eterno, mas começou no tempo;</li><li>há um Criador, Deus bom, de todas as coisas;</li><li>as criaturas não são más por si (nem mesmo as materiais), mas são obra boa de um Deus Bom;</li><li>não há, portanto, dualismo cósmico ou dois seres supremos (o Princípio Bom, da Luz, e o Princípio Mau, das Trevas) que disputem entre si a história do mundo;</li><li>o mal entrou no mundo, porque o homem abusou da liberdade que Deus lhe deu, desfazendo a harmonia inicial da criação.</li></ul>



<p>Tais verdades (e estas só) constituem a mensagem da Bíblia no tocante à origem do mundo; é sobre elas que recai diretamente o dom da inspiração bíblica; as proposições de ordem profana ligadas com tais verdades têm na Escritura significado relativo, isto é, destinam-se a ser veículo (ou vestiário inteligível à luz da mentalidade do povo de Israel antigo) que não deve deter a atenção do leitor e, sim, levá-lo ao entendimento da mensagem religiosa. Cf. «P.R.» 26/1960, qu. 4.</p>



<p>Na Bíblia, portanto, os meios ou veículos de expressão podem ter sua «moda», podem ter perdido seu uso na linguagem moderna, não, porém, as proposições religiosas assim expressas, as quais são eternas.</p>



<p><strong>2.3.</strong>&nbsp;O conceito de inspiração bíblica é bem ilustrado pela analogia do homem que, com um pedaço de giz, escreve sobre o quadro-negro. O efeito produzido na pedra se deve atribuir tanto ao escritor como ao seu instrumento; um sem o outro não o produziria. E nesse efeito encontram-se inevitàvelmente os vestígios de um e outro agente: ao homem se devem atribuir os pensamentos expressos, ao passo que ao giz se deve reduzir a forma visível dos mesmos na pedra (cor, grossura, certa graciosidade, etc.); um só pensamento pode mesmo tomar configurações bem diversas conforme os diversos tipos de giz usados. Analogamente se relacionam Deus e o hagiógrafo na composição dos livros sagrados: as ideias ensinadas pela obra provêm primariamente de Deus, Autor principal da Bíblia; todavia a forma literária, a veste, que serve para exprimir tais ideias, é condicionada pelo hagiógrafo; o que quer dizer: fica subordinada à educação e às categorias culturais de um escritor humano; mais precisamente :&#8230; de um judeu que viveu no Oriente há dois ou três milênios atrás, ignorando muita coisa das ciências e das artes que hoje em dia se conhecem, possuindo, não obstante, sua cultura própria e não desprezível. E note-se que cada hagiógrafo, como indivíduo, deu os seus pressupostos pessoais, o seu cabedal, rico ou pobre, de cultura humana, para exprimir a verdade divina na Bíblia.</p>



<p>Assim o profeta Isaias deu o seu ânimo nobre e culto de cortesão dos reis de Judá em Jerusalém; o profeta Jeremias deu a sua têmpera afetiva e sofredora; o profeta Amós, sua Índole de pastor de ovelhas, rústico amigo das cenas da natureza; o Apóstolo São João, a sua mente contemplativa; São Paulo, o seu caráter de mestre e polemista ardoroso, etc.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Em vista da redação dos livros sagrados, Deus se servia de todos os elementos que Lhe eram úteis; em particular, serviu-se das aptidões pessoais dos escritores. Não escolheu um emotivo para escrever os textos jurídicos do Pentateuco, nem um espírito meticuloso para compor o Cântico dos Cânticos. Todas as condições sociais, todas as culturas, todos os temperamentos puderam assim ser aproveitados.</p><cite>(Robert-Feuillet, Introduction à Ia Bible I. 1929, 25)</cite></blockquote>



<p>Destas considerações depreende-se que, na interpretação da Sagrada Escritura, é preciso discernir bem veste, forma literária, e o seu conteúdo, a fim de não se confundir a verdade infalível, divina, com a sua forma contingente de expressão. É mister, pois recorrer às leis de literatura dos antigos povos, a fim de se perceber com exatidão como falavam e apurar o que o hagiógrafo, em nome de Deus, queria dizer na Bíblia. Tenha-se por princípio firme que somente quando entendidas no sentido intencionado pelo autor sagrado (não, pois, como nós, modernos, as poderíamos entender numa leitura superficial) é que as afirmações da Sagrada Escritura são isentas de erro.</p>



<p>Eis a advertência de Pio XII:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Com todo o esmero, recorrendo aos resultados das mais recentes pesquisas científicas, procure o exegeta averiguar o caráter pessoal e as circunstâncias de vida do escritor sagrado; examine a época em que viveu, quais as fontes orais ou escritas que tenha utilizado, quais os modos de expressão de que se tenha servido. Assim poderá o exegeta reconhecer adequadamente quem foi o hagiógrafo e o que intencionou exprimir mediante os seus escritos.</p><cite>(Ene. «Divino afflante Spiritu» n* 19).</cite></blockquote>



<p>Voltemo-nos agora para a consideração de algumas importantes</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>3. Consequências da inspiração bíblica</strong></h2>



<p>De&nbsp;quanto foi até aqui dito, decorrem quatro corolários importantes:</p>



<p><strong>1) Na Sagrada Escritura, existem gêneros literários diversos.</strong></p>



<p>Que se entende por esta expressão?</p>



<p>«<strong>Gênero literário</strong>» é o conjunto de regras de estilo e vocabulário a que os homens de determinada época ou região costumam obedecer quando querem escrever sobre certo assunto. Assim há o gênero literário do jurista (estilo muito conciso, evitando figuras e termos ambíguos), o do historiador (estilo por vezes prolixo, minucioso, destituído de artifícios; vocabulário, por vezes, popular, adaptado ao modo de falar dos personagens da história), o do poeta (extremo oposto ao do jurista: liberdade de expressões, figuras literárias, frases inacabadas, intuições subjetivas&#8230;), etc. — É óbvio que cada um dos gêneros literários deve ser interpretado de modo consentâneo com as suas leis e propriedades: caso o leitor se descuide disto e queira ler um texto de poesia como lê uma página de leis arrisca-se a não perceber a mensagem que o texto quer exprimir.</p>



<p>Quem pela primeira vez propôs a existência de gêneros literários dentro da Sagrada Escritura, foram os críticos racionalistas do século passado, os quais mediante esse recurso visavam afirmar que na Bíblia existem mitos, lendas e outras narrativas que derrogam à autoridade e à dignidade do Livro Sagrado. Daí surgiu entre os exegetas católicos da primeira metade deste século a desconfiança para com a tendência a admitir gêneros literários na Bíblia. Hoje em dia, porém, principalmente após a encíclica «Divino afflante Spiritu» (1943) de Pio XII, vê-se claramente que a inspiração bíblica não exclui, antes mesmo supõe, o uso de gêneros literários; na verdade, os autores sagrados, mesmo sob o influxo da inspiração bíblica, não deixaram de escrever como os demais autores de sua época, adaptando-se, portanto, às convenções de estilo e vocabulário vigentes para cada assunto. A inspiração divina apenas garantiu que nada de indigno, grosseiro ou mentiroso (como lendas e mitos) entrasse na Escritura Sagrada.</p>



<p>2) A inspiração bíblica se estende a&nbsp;<strong>todos os temas</strong>&nbsp;e mesmo a&nbsp;<strong>todos os vocábulos</strong>&nbsp;contidos na Sagrada Escritura.</p>



<p>Nos últimos decênios mais de um exegeta restringia a inspiração bíblica aos trechos concernentes à fé e aos costumes; assuntos profanos, portanto, não teriam sido atingidos pelo influxo da inspiração.</p>



<p>O Cardeal Newmann (+1890), por exemplo, julgava que a alusão ao cão que abanava a cauda, no livro de Tobias 11,9, ficava isenta da inspiração bíblica; da mesma forma, a menção do manto esquecido por São Paulo em Trôade e a ordem, dada a Timóteo, de o levar de novo ao Apóstolo (2 Tim 4,13)&#8230;</p>



<p>Contudo tais distinções são&nbsp;vãs&#8230;&nbsp;Para prová-lo, sirvamo-nos do exemplo já introduzido neste artigo: numa palavra escrita com giz em quadro-negro (como também numa estátua burilada por um artista com cinzel em mármore) não há traço algum que se deva exclusivamente ao autor principal (o homem que escreve ou burila) ou ao instrumento apenas (giz, cinzel&#8230;);&nbsp;mas todo e qualquer aspecto da escritura ou da estátua se deve reduzir integralmente à ação conjunta da causa principal e do instrumento respectivo. Assim também na Sagrada Escritura qualquer passagem, no seu teor preciso, versando sobre tal ou tal tema, com tal ou tal vocabulário, se reduz por inteiro à ação conjunta de Deus e do autor sagrado; nada fica entregue apenas ao autor humano, como nada fica entregue ao instrumento apenas (o cinzel) na confecção de uma estátua.</p>



<p>Então não há na Bíblia tema não inspirado? — Não; não o há. A possível surpresa que esta conclusão talvez provoque, se esvanecerá desde que se tenha em vista que «inspirado» não quer dizer «revelado, comunicado por Deus ao autor humano de maneira extraordinária». «Tema inspirado» quer dizer, no caso, apenas: «tema que, considerado à luz de Deus, apareceu ao hagiógrafo como condizente com a mensagem divina da Bíblia». Assim entraram na Escritura muitos assuntos totalmente indiferentes ou neutros do ponto de vista religioso (árvores genealógicas, mapas geográficos, catálogos de povos, etc.); contudo não ficaram isentos do influxo da inspiração, pois tais assuntos estavam naturalmente ligados com outros temas (temas religiosos) na mente do autor sagrado; servem de vigas ou traves de conexão entre os assuntos religiosos da Bíblia; contribuem destarte para constituir o «arcabouço» da Escritura Sagrada.</p>



<p>Em particular com referência às palavras mesmas da Bíblia, deve-se dizer que não há alguma que haja sido escolhida pelo autor humano apenas, sem a colaboração do Espírito Santo ou do dom da inspiração. Lembremo-nos, porém, mais uma vez de que «palavra inspirada», no caso, não quer dizer «palavra caída do céu» ou «palavra que prorrompe repentinamente no espírito do autor humano», mas apenas «palavra já contida no vocabulário do hagiógrafo, a qual com certeza infalível apareceu ao autor humano como veículo capaz de exprimir a mensagem divina». — Note-se bem que, segundo a psicologia humana, não há na mente verdades dissociadas de determinado vocabulário ou expressionismo; todas as nossas ideias, mesmo quando não proferidas com os lábios, estão sempre unidas a uma linguagem qualquer interior que as suporta e carrega. Por isto será vão ou contrário às leis da psicologia querer distinguir entre ideias e palavras na Bíblia, como se aquelas fossem objeto de inspiração, e estas não. Toda ideia, toda verdade existe no homem associada a palavras mentais, e a ação do Espírito Santo respeita este estado de coisas, apenas garantindo que por essa via não se introduzam erros de doutrina.</p>



<p>3) Não há na Escritura Sagrada páginas «mais inspiradas» e páginas «menos inspiradas». A ação do Espírito Santo e de seu instrumento humano (o autor sagrado) se exerce igualmente em toda e qualquer página da Bíblia, como a ação do artista e a do cinzel se exercem igualmente na configuração de qualquer traço da estátua de mármore.</p>



<p>4) À luz de quanto dissemos, também se percebe não ser incompatível com a inspiração a existência de fontes literárias da Bíblia. Os documentos-fontes terão sido redigidos independentemente da inspiração bíblica por quem quer que seja (judeu, pagão, na Palestina ou no estrangeiro); quando, porém, o autor bíblico resolveu utilizar tais documentos, transcrevendo-os ou adaptando-os de algum modo para redigir uma página da Escritura Sagrada, foi iluminado por Deus, a fim de distinguir com certeza infalível o que havia de verídico e consentâneo com a mensagem divina nessas fontes, e o que havia de não consentâneo ou não autêntico. O que o autor sagrado então tirou dessas fontes, passou a ser garantido pela prerrogativa da inspiração bíblica. Cf. «P. R.» 26/1960, qu. 5.</p>



<p>Admitem-se também acréscimos sucessivamente feitos ao texto de determinados livros bíblicos; tais acréscimos, muitas vezes, passaram a constituir partes do conteúdo oficial ou canônico da Sagrada Escritura (assim, por exemplo, o «estatuto do Rei» em Dt 17,14-20 é pelos críticos modernos atribuído a um autor do tempo da monarquia em Israel, posterior a Moisés, embora o estatuto apareça num discurso de Moisés). À vista disso, deve-se dizer que todos os escritores que de algum modo concorreram para dar a configuração definitiva do texto bíblico canônico gozaram do dom da inspiração bíblica.</p>



<p>As considerações propostas já bastam para evidenciar o sentido das «deficiências» do texto bíblico. Sem afetar de algum modo a verdade (o que é de importância capital), elas constituem a face humana da Palavra de Deus; são consequências do mistério da descida do Divino ao humano, mistério que culminou na Encarnação do Filho de Deus em Jesus Cristo. A Sagrada Escritura é, por isto, dita «um sacramental», ou seja, um sinal sensível que comunica a graça, estendendo os benefícios da Redenção a quem a use com fé e amor.</p>
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		<title>Como Deus pode falar com a criatura?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2020 20:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-Deus-pode-falar-com-a-criatura.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como Deus pode falar com a criatura" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-Deus-pode-falar-com-a-criatura.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-Deus-pode-falar-com-a-criatura-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-Deus-pode-falar-com-a-criatura-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-Deus-pode-falar-com-a-criatura-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-Deus-pode-falar-com-a-criatura-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Como se hão de explicar os colóquios de Deus com o homem narrados pela Bíblia? Como pode Deus falar com a criatura? Em resposta, consideraremos sucessivamente os dados precisos do problema e a sua respectiva solução. 1. O problema Não existe motivo para se negar sistematicamente ou de antemão que Deus tenha manifestado aos homens [&#8230;]</p>
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<p><em>Como se hão de explicar os colóquios de Deus com o homem narrados pela Bíblia? Como pode Deus falar com a criatura?</em></p>



<p>Em resposta, consideraremos sucessivamente os dados precisos do problema e a sua respectiva solução.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. O problema</strong></h2>



<p>Não existe motivo para se negar sistematicamente ou de antemão que Deus tenha manifestado aos homens proposições doutrinárias e desígnios da sua Providência. Essas manifestações por si mesmas seriam algo de muito condizente com a Sabedoria Divina, que destarte teria orientado com segurança as criaturas, a fim de não frustrarem sua missão na terra, mas chegarem mais fàcilmente ao último Fim.</p>



<p>Ora a Sagrada Escritura atesta que Deus de fato dirigiu repetidamente sua palavra («falou») aos homens para os guiar na vida quotidiana. A afirmação talvez surpreenda, porque na verdade Deus é puro Espírito; por conseguinte, não possui boca nem os órgãos corpóreos que possibilitam a locução habitual entre os homens. Surge, portanto, a questão : como explicar que o puro Espírito possa falar a quem só entende mediante sinais sensíveis ou corpóreos ?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2.&nbsp;A solução</strong></h2>



<p>A dúvida é, sem grande embaraço, solucionada pelos teólogos, que indicam três vias pelas quais Deus pode comunicar verdades ou «falar» aos homens.</p>



<p>Para se entenderem devidamente essas vias. será preciso breve. mente enumerar as diversas faculdades de conhecimento de que é dotado o homem:</p>



<p>&#8211; pelos sentidos externos (visão, audição, tato&#8230;)</p>



<p>&#8211; pelos sentidos internos: fantasia, estimativa, memória sensitiva intelectivo: pelo inteligência (raciocínio)</p>



<p>Normalmente todo conhecimento humano começa pelos sentidos externos, que apreendem os objetos existentes fora do homem. As impressões colhidas pelos sentidos externos são levadas aos sentidos internos, que as guardam, associam e reproduzem, ora de maneira livre, ora sob o controle da vontade, interiormente, tais imagens possuídas pelos sentidos externos e internos são elaboradas pela inteligência, que delas abstrai conceitos universais ou definições.</p>



<p>Está claro que o Senhor Deus pode intervir nesse processo ordinário de conhecimento, fazendo que os sentidos internos ou a inteligência concebam noções não recebidas dos sentidos externos. É o que se verificará nas considerações abaixo.</p>



<p>Passemos agora à enumeração das três anunciada» vias de comunicação de Deus aos homens.</p>



<p>2.1) Via da visão ou da locução intrínseca. Deus pode impressionar os olhos ou os ouvidos de certas pessoas mediante imagens ou sons realmente existentes fora delas. Em tal caso, o Altíssimo, para produzir imagens e sons, costuma servir-se de elementos sensíveis existentes na natureza.</p>



<p>Foi o que se deu, por exemplo, quando Moisés no monte Horeb viu a sarça ardente e ouviu a voz do Senhor Deus (cf. Êx 3,4-4,17);</p>



<p>O texto sagrado dá a entender que fora do vidente houve realmente um fenômeno produtor dessas impressões e especialmente suscitado pelo Todo-Poderoso. É neste sentido que se deve interpretar o texto sagrado quando diz que o Senhor falava a Moisés «face a face, como um homem costuma conversar com seu amigo» (Êx 33,11)</p>



<p>ou</p>



<p>&#8211; «boca a boca, deixando-se ver&#8230; de modo que Moisés contemplava a figura de Javé» (Núm 12,8; trata-se aqui não da visão gloriosa da essência divina, mas da percepção de um sinal sensível que manifestava claramente ao olho humano a presença de Deus).</p>



<p>Também se admite locução extrínseca nos casos de Samuel (cf. Sam 3, 1-14) e de Elias no monte Horeb (cf. 3 Rs 19,12s), os quais, como insinua o texto sagrado,, terão ouvido uma voz sensível.</p>



<p>Quanto ao profeta Daniel, teve a visão de uma inscrição misteriosa oriunda na parede do palácio régio e portadora de mensagem divina (cf. Dan 5,5).</p>



<p>Os comentadores, atendendo às narrativas da Sagrada Escritura mesma, julgam que o Senhor Deus não deve ter frequentemente usado de tal via para se comunicar às criaturas.</p>



<p>2.2) Via da visão meramente intrínseca. Neste caso, Deus, dispensando a percepção imediata dos sentidos externos (às vezes, o vidente está arrebatado ou em êxtase), suscita na fantasia ou na imaginação dos homens agraciados imagens tais que representem uma mensagem ou um oráculo do Senhor. Tais figuras podem ser diretamente infundidas pelo Altíssimo, como também podem ser o produto da associação de impressões anteriormente colhidas pelo conhecimento natural sensitivo, associação, porém, que o Senhor provoca em vista de uma mensagem a comunicar.</p>



<p>2.3) Também nós podemos reproduzir simplesmente ou livremente associar imagens adquiridas em nossa vida passada, de modo a conceber uma história imaginária ou a «divagar pelo mundo da fantasia». Acontece, porém, que, quando nós fazemos tal exercício, geralmente fugimos à realidade, e vivemos momentos ilusórios. Contudo, quando Deus suscita esse exercido em nossa imaginação, Ele o utiliza para a comunicação ou para a confirmação de uma verdade. A expressão «ver por fantasia ou imaginação» costuma ter significado pejorativo na linguagem quotidiana; essa nota pejorativa, porém, não lhe é necessária; pode haver genuína intuição da verdade por mera representação da fantasia ou da imaginação, sem que algum objeto impressione simultaneamente os sentidos externos (a visão ou a audição, por exemplo).</p>



<p>Foi por via de visão meramente intrínseca que o profeta Isaías contemplou o Senhor assentado sobre um trono e cercado de serafins que O adoravam (cf. Is 6,1-11). Também foi desse modo que Jeremias viu a vara de amendoeira e a caldeira a fervilhar (cf. Jer 1,11-13).</p>



<p>O sonho não é senão uma modalidade dessa reprodução de imagens contidas dentro da fantasia. Os sonhos podem ser diretamente provocados por Deus ; tornam-se então expressão de um oráculo divino, como foi dito&nbsp;em «P.R.»&nbsp;19/1959, qu. 6 ; o texto sagrado mesmo, em Núm 12,6, enuncia o sonho como recurso habitual mediante o qual o Senhor se comunicava aos profetas do Antigo Testamento. — À guisa de exemplo, cita-se Zac 1,7-6,8, onde se lê o relato de oito visões noturnas, que não poucos comentadores identificam com sonhos suscitados pelo Senhor para desvendar desígnios divinos.</p>



<p>Dado o grande perigo de ilusões na interpretação de imagens meramente intrínsecas (concebidas em vigília ou em sono), as revelações do Senhor feitas por esta via sempre foram acompanhadas das luzes necessárias para que os videntes percebessem o verdadeiro sentido das figuras.</p>



<p>4) Via da revelação intelectual -imediata. Deus pode infundir idéias ou noções à inteligência, dispensando as funções dos sentidos que normalmente deveriam preceder as do intelecto. É o que, conforme S. Tomás (S. Teol.&nbsp;n/IT&nbsp;qu. 174&nbsp;a. 2),&nbsp;se deve ter dado com o profeta Davi, o qual professa haver-lhe o Senhor falado como «a luz da&nbsp;aurora&#8230;,&nbsp;como uma manhã sem nuvens» (2 Sam&nbsp;23,3);&nbsp;a luz pura, sem nuvens,&nbsp;significaria, no caso, o conhecimento intelectual mais puro (ou desembaraçado de imagens concretas e grosseiras) de que o homem seja capaz.</p>



<p>Vão seria pretender definir quais os casos em que esta forma de revelações se terá verificado na história sagrada.</p>



<p>A prudência aconselha que nos detenhamos aqui na explanação do assunto, a&nbsp;fim&nbsp;de não nos arriscarmos a fazer afirmações ousadas ou mesmo errôneas.</p>
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		<title>Qual a doença de São Paulo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2020 00:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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<p>Os santos de Deus são figuras grandiosas, em que muitas vezes os contrastes se associam, de modo a se perceber que não foram eles que se fizeram grandes, mas, sim, a gratuita liberalidade divina. À luz desta afirmação deve ser considerada a personalidade do Apóstolo São Paulo. Realizou grandes viagens missionárias, na primeira das quais [&#8230;]</p>
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<p>Os santos de Deus são figuras grandiosas, em que muitas vezes os contrastes se associam, de modo a se perceber que não foram eles que se fizeram grandes, mas, sim, a gratuita liberalidade divina.</p>



<p>À luz desta afirmação deve ser considerada a personalidade do Apóstolo São Paulo. Realizou grandes viagens missionárias, na primeira das quais deve ter percorrido mais de 1000 km; na segunda, ao menos 1400 km; na terceira, cerca de 1700km (o percurso das viagens apostólicas posteriores, não mais referidas pelos Atos dos Apóstolos, não pode ser devidamente calculado). Essas enormes trajetórias (desde que não fossem marítimas), São Paulo as efetuava geralmente a pé, através de regiões inóspitas e perigosas, comendo o exíguo alimento que podia encontrar, dormindo quando e como lhe era possível; caso fizesse estada mais longa em algum lugar, punha-se a trabalhar com as próprias mãos (era curtidor de peles!) a fim de ganhar o pão cotidiano; além do mais, era solicitado por notícias e preocupação variadíssimas, as quais, embora lhe afetassem diretamente o espírito, não podiam deixar de lhe abater também o corpo. — Pois bem, São Paulo, durante anos a fio, levou tal gênero de vida (de 45 a 67, descontando-se talvez três ou quatro anos de prisão), o que certamente é prova de estupenda força de vontade.</p>



<p>Contudo não é menos certo que desde o ano de 43 o Apóstolo se via minado por moléstia crônica, que muito o fazia sofrer. Longe de se deixar abater, ele via justamente nesse fato a prova de que Deus, e não simplesmente a força humana, sustentava o seu brilhante apostolado: «É na fraqueza do homem que se revela plenamente a força de Deus» (cf. 2 Cor 12,9s).</p>



<p>Interessa-nos averiguar qual tenha sido a famosa enfermidade de S. Paulo, a qual vem sendo explicada dos mais diversos modos possíveis.</p>



<p>Dois são os principais textos que importa analisar: Gál 4,13-15 e 2 Cor 12,2-9. Consideremo-los separadamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Gálatas 4, 13-15</strong></h2>



<p>No ano de 54 aproximadamente, escrevendo aos cristãos da Galácia (Ásia menor), São Paulo lhes lembrava o seguinte:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Sabeis que foi por causa de uma enfermidade que vos anunciei o Evangelho pela primeira vez. E, apesar de meu corpo enfermo ser para vós uma provação, nenhum desprezo ou desgosto manifestastes. Pelo contrário, vós me recebestes como um anjo de Deus, como o Cristo Jesus&#8230; Dou-vos meu testemunho: se fosse possível, teríeis arrancado vossos olhos para mos dar.</p><cite> (Gál 4,13-15)</cite></blockquote>



<p>Estas palavras dão-nos a saber que certa vez, estando o Apóstolo de viagem pela Galácia, foi acometido de grave moléstia, que o obrigou a interromper o seu itinerário; aproveitou então o ensejo para comunicar a mensagem de Cristo à população que o acolhera.</p>



<p>São Paulo não explica qual tenha sido a doença. Certamente reduziu o paciente a situação humilhante, capaz de causar repugnância em quem o visse. Sim, o Apóstolo, no v. 14 acima traduzido, dizia ao pé da letra : «A tentação que o meu estado corporal vos suscitava, não provocou em vós desprezo nem vos fez cuspir = (oudè exeptnsate)».</p>



<p>A origem desta última expressão (oudè exeptúsate) deve-se a um costume pré-cristão: quando viam um enfermo de aspecto degradante, os pagãos cuspiam diante dele, visando com isto afugentar o espírito maligno que devia estar infestando o paciente. Principalmente a epilepsia provocava tais reações; era o «comitialis morbus» ou «a doença dos comícios, a doença que por excelência estragava qualquer comício», pois, se ocorresse um caso de epilepsia durante uma assembleia popular, os maus presságios levavam os chefes a anular as deliberações tomadas e a dispersar o agrupamento.</p>



<p>Pois bem, os gálatas, considerando a coragem e a tranquilidade com que Paulo suportava a moléstia, longe de demonstrar horror, lhe deram as provas da mais ardente caridade; teriam mesmo arrancado os próprios olhos em favor de Paulo, caso isto fosse possível&#8230;</p>



<p>Poder-se-ia concluir desta observação que o Apóstolo na Galácia padeceu de moléstia da vista ?</p>



<p>A ilação seria forçada, pois a expressão «arrancar os próprios olhos em benefício de alguém» tinha outrora (como ainda hoje em algumas línguas modernas) sentido figurado; significava «estar pronto a fazer os mais árduos sacrifícios em proveito do próximo» ; os olhos são, sem dúvida, os mais preciosos órgãos do corpo humano.</p>



<p>Já o exegeta Seligmíiller observou que quem quisesse tomar ao pé da letra a mencionada expressão para daí concluir algo sobre a moléstia de São Paulo, deveria outrossim admitir que o Apóstolo sofria grave enfermidade no pescoço, pois, como diz São Paulo em Rom 16,4, Priscila e Áquila se expuseram a «perder a nuca» para salvar a vida do Apóstolo (o que certamente se deve entender em sentido metafórico).</p>



<p>Também não se poderia afirmar que S. Paulo na Galácia haja sofrido de ataques de epilepsia. Embora esta seja uma das doenças que mais desfiguram o paciente, causando horror nos espectadores, outras realizam semelhante efeito, desde que provoquem febre alta com delírio.</p>



<p>Em conclusão: de Gál 4,13-15 apenas se pode deduzir que São Paulo foi no ano de 51 (aproximadamente) acometido de grave moléstia. Qual terá sido essa enfermidade? Deverá ser identificada com a doença habitual a que o Apóstolo se refere em 2 Cor? — São questões que não é possível elucidar peremptoriamente. Tentemos, porém, aproximar-nos um pouco mais da solução.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>II Coríntios 12, 2-9</strong></h2>



<p>Em 57 S. Paulo, dirigindo-se aos coríntios, aludia mais uma vez a uma enfermidade sua&#8230; Referia-se a um episódio ocorrido havia quatorze anos, ou seja, no ano de 43:</p>



<p>«Conheço um homem em Cristo que, há quatorze anos, foi arrebatado até o terceiro céu — se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe.</p>



<p>E sei que esse homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, que a um homem não é lícito revelar.</p>



<p>Quanto a esse homem, eu me gloriarei; quanto a mim, de coisa alguma me gloriarei, a não ser de minhas fraquezas&#8230; E por causa da sublimidade dessas revelações, para que não me encha de orgulho por causa delas, foi-me posto na carne um espinho — emissário de Satanás para me esmurrar. — a fim de que não me ensoberbeça. A esse respeito, por três vezes roguei ao Senhor que o fizesse afastar-se de mim. Respondeu-me: &#8216;Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que a força se manifesta plenamente&#8217;».</p>



<p>Nesta passagem importam-nos de maneira especial as alusões a «um espinho na carne» e a «um emissário de Satanás que esmurrava (kolaphizein, em grego; não rhapizein, esbofetear) o Apóstolo». Procuremos o sentido de uma e outra dessas locuções:</p>



<p>a) o «espinho na carne» sempre foi entendido, pela tradição cristã grega e latina, como enfermidade corporal que, desde a mencionada época, terá acometido S. Paulo. O vocábulo «carne» no caso não tem sentido pejorativo, mas designa simplesmente o corpo do Apóstolo, que parecia estar sendo continuamente aguilhoado. S. Paulo associa essa doença a uma especial ação de Satanás que destarte visava hostilizar o Apóstolo. Sim; a doença era</p>



<p>b) «um emissário (ángelos) de Satanás que esmurrava&#8230;». O vocábulo grego original «ángelos» não parece neste caso significar propriamente um espírito maligno (demônio) enviado por Satanás, mas deve ter sentido impessoal, designando apenas um efeito produzido por Satanás&#8230; A expressão se explica bem desde que se tenha em vista a opinião, comum entre os judeus antigos, de que as doenças eram provocadas pelo Maligno.</p>



<p>O Gênesis ensina que o sofrimento físico é consequência do pecado e que este, por sua vez, foi desencadeado no mundo por ação de Satanás (cf. Gên 3); daí a associação de «doença» e «demônio» na mentalidade judaica e, de certo modo, também na mentalidade cristã. Jesus ao ver uma mulher paralítica, interrogou: «<em>Essa filha de Abraão, havia dezoito anos, estava presa por Satanás; não devia ela ser libertada dessa prisão em dia de sábado?</em>» (Lc 13,16).</p>



<p>A análise de termos acima leva a concluir que a interpretação de toda a passagem focalizada depende do sentido da expressão «espinho» ou «aguilhão na carne». Ora esta tem índole metafórica e assaz vaga, de sorte a não permitir clara visão do que São Paulo quer dizer.</p>



<p>Algumas observações, porém, serão oportunas.</p>



<p>Certos escritores cristãos antigos e maior número de autores modernos de espiritualidade interpretam o aguilhão no sentido não de doença física, mas de tentações de incontinência continuamente suscitadas contra São Paulo por algum demônio («anjo de Satanás»). Cornélio a Lapide, escritor relativamente recente (+1637), asseverava que tal interpretarão era comum entre os fiéis de seu tempo. Adotando-a, os autores de ascese elaboravam, para as almas castas violentamente tentadas, exortações à perseverança estimulada pelo exemplo de São Paulo; quanto não poderia encorajar as almas a notícia de que o grande Apóstolo também fôra tentado contra a castidade!</p>



<p>Tal interpretação, porém, parece muito mais ditada por preocupações morais e parenéticas (exortatórias) do que pela leitura do texto em si. Note-se também que tal sentença se apoia em grande parte na tradução latina vulgata de 2 Cor 12,7: «stimulus carnis meae — aguilhão da minha carne»; esta tradução dá facilmente a entender que a carne manejava uma arma contra o espírito de S. Paulo, quando, na verdade, conforme o texto grego, o Apóstolo queria dizer que em sua carne (corpo) fôra plantado um aguilhão, ou seja, um motivo de sofrimento físico contínuo. — Também se deve levar em conta que São Paulo não parece ter sido muito sujeito aos pecados da carne: já antes da conversão ao Cristianismo, podia ele dizer que levava vida «irrepreensível conforme a Lei» (Flp 3,6); após a conversão, afirmava viver celibatário ou em perfeita continência, sem .que se possam presumir especiais dificuldades nesse seu gênero de vida (cf. 1 Cor 7,6-9). Ademais, longe de ser útil aos fiéis, São Paulo, mencionando suas tentações à incontinência numa carta dirigida aos cristãos de Corinto, muito assaltados pela corrupção da sua cidade, teria feito obra nociva ; vários dos leitores teriam talvez concluído : «Se o Apóstolo mesmo tanto tem que lutar, como poderemos nós, fracos discípulos, resistir à sedução?».</p>



<p>Na base destas observações, os exegetas em nossos dias já não aceitam a suposição que acabamos de focalizar.</p>



<p>Ficando no plano moral, alguns comentadores julgam que Paulo alude aos remorsos gerados em sua consciência pela recordação de haver perseguido a Cristo no principio de sua vida. Outros pensam tratar-se da dor experimentada pelo Apóstolo em vista da incredulidade de Israel. Há também quem diga que Paulo se referia às injúrias que lhe causava um inimigo seu pessoal, como Alexandre (mencionado em 2 Tim 4,14).</p>



<p>Essas sentenças gozam de pouca probabilidade, pois as imagens do espinho na carne e dos murros desferidos por Satanás sugerem um padecimento físico ou uma doença.</p>



<p>Contudo, ao procurar definir a moléstia corporal, muito divergem uns dos outros os exegetas.</p>



<p>A opinião mais antiga é referida por Tertuliano no séc. III:&nbsp;«&#8230;&nbsp;uma alma que, no Apóstolo, era reprimida por murros, isto é, a quanto dizem, por uma dor de ouvido ou de cabeça» (De pudicitia XIII 16). Outros comentadores sugeriram a doença da gota (Nicetas, no séc. V), uma doença de vísceras (S. Tomás de Aquino), reumatismo (Renan), surdez, violentas dores de dentes, lepra (Preuschen), etc.</p>



<p>Essas conjeturas são todas, em grau mais ou menos acentuado, arbitrárias.</p>



<p>Gozou de mais aceitação, principalmente no século passado, a suposição de epilepsia ou outro desequilíbrio nervoso; aos críticos racionalistas a hipótese era cara, pois explicaria a conversão e as visões do Apóstolo como meros fenômenos de alucinação, destituídos de valor sobrenatural. Apontavam-se, como casos análogos aos de Paulo, grandes heróis da história, os quais teriam sido igualmente epiléticos (assim Júlio César, Maomé, Ferdinando o Católico, Cromwell, Pedro o Grande, Napoleão, muitos artistas e literatos&#8230;); de resto, no fim do século passado predominava a escola de Lombroso, que afirmava haver afinidade entre desequilíbrio mental (epilepsia) e genialidade; São Paulo, por conseguinte, haveria sido um desses grandes desajustados da história&#8230;</p>



<p>Em breve, porém, verificou-se que vã era tal suposição; a tese de Lombroso carece do devido fundamento; além do que, temerário seria querer diagnosticar à distância os varões acima nomeados. Sabe-se outrossim que o epilético não guarda senão recordação confusa do que lhe acontece nos estados de crise; Paulo, ao contrário, conservou sempre consciência muito clara da sua visão em Damasco e do seu arrebatamento místico (cf. At 22, 6-21; 26,12-19; 2 Cor 12,2-9). Mais ainda: está averiguado que cerca de três quartos das pessoas epiléticas sofrem de defeitos intelectuais e morais que as tornam incapazes de dirigir almas; São Paulo, ao invés, comprovou dos mais variados modos a sua têmpera de chefe cheio de coragem e iniciativa.</p>



<p>Mostra-se estéril, por conseguinte, o recurso à hipótese de epilepsia ou mesmo histeria ou ainda outra doença nervosa no grande Apóstolo.</p>



<p>Em termos positivos, dever-se-á dizer que qualquer interpretação verossímil há de levar em conta as seguintes características: tratava-se de doença muito dolorosa («espinhosa»), manifestada em acessos violentos («murros de Satanás») e de índole crônica (cf. 2 Cor 12, 8s).</p>



<p>Ora, na opinião de Alio, Ramsay, Seligmüller, Sickenberger e outros bons autores, dentre todas as conjeturas, a que mais parece satisfazer a essas características é a que atribui a Paulo uma febre malária, também dita «febre de Malta» ou «febre napolitana», não rara na bacia do Mediterrâneo: causa enxaquecas e outras fortes dores, delírios noturnos, esgotamento físico por vezes deprimente, queda dos cabelos (conforme os apócrifos «Atos de Paulo», o Apóstolo era calvo) e pode acarretar a própria morte do paciente.</p>



<p>São Paulo terá contraído tal moléstia na sua pátria mesma, (Cilicia, na Ásia menor) ou em sua primeira viagem missionária (45-48) nos pântanos da Panfilia. Em qualquer caso, o início da doença deve-se ter seguido, sem grande intervalo, à visão de que fala o Apóstolo em 2 Cor 12; São Paulo compreendeu muito bem que a Providência Divina permitira tal enfermidade a fim de o preservar de ilusões a respeito de suas exíguas capacidades humanas: a doença, excitando constantemente no missionário a consciência de sua própria fraqueza, o conservaria humilde, apesar das grandes graças recebidas e dos notáveis sucessos obtidos na tarefa de evangelização. Como sugere São Jerônimo, a moléstia terá desempenhado junto a S. Paulo o papel do escravo que costumava acompanhar o triunfante romano, repetindo-lhe: «Hominem te esse memento. — Lembra-te de que és homem» (cf. S. Jerônimo, epíst. XXXIX 2).</p>



<p>É bem possível que a crise mencionada em Gál 4 não tenha sido senão uma das manifestações do estado patológico habitual do santo pregador. Mais ainda: talvez se deva explicar de modo semelhante o misterioso obstáculo mediante o qual Satanás por duas vezes impediu São Paulo de ir a Tessalonica (cf. 1 Tes 2,18).</p>



<p>Eis o que com verossimilhança se pode dizer a respeito da moléstia do Apóstolo São Paulo&#8230; De novo, sobriedade e reserva se recomendam na explanação do assunto.</p>
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		<title>&#8220;Deixe os mortos sepultarem os seus mortos&#8221; Como entender?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2020 20:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Segue-me.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Segue-me" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Segue-me.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Segue-me-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Segue-me-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Segue-me-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Segue-me-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>O significado dos dizeres acima entende-se bem à luz do respectivo contexto, contexto que no Evangelho de São Lucas (9,57-62) é um pouco mais explícito do que no de São Mateus (8,19-22). Na verdade, os Evangelistas nos apresentam sucessivamente duas atitudes dos homens perante um chamado do Divino Mestre — o chamado a seguirem a [&#8230;]</p>
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<p>O significado dos dizeres acima entende-se bem à luz do respectivo contexto, contexto que no Evangelho de São Lucas (9,57-62) é um pouco mais explícito do que no de São Mateus (8,19-22).</p>



<p>Na verdade, os Evangelistas nos apresentam sucessivamente duas atitudes dos homens perante um chamado do Divino Mestre — o chamado a seguirem a Cristo na qualidade de discípulos.</p>



<p>a) A primeira atitude é a da generosidade aparente, mas superficial. Com efeito, alguém se apresentou ao Divino Mestre, afirmando : «Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que vás» (Mt 8,19 ; Lc 9,57). A esse fervor pouco experimentado, dizem os Evangelistas, Jesus houve por bem responder com reservas, mostrando as dificuldades do propósito : seguir a Cristo seria expor-se a todas as espécies de privações, pois «as raposas têm seus covis, e as aves do céu seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça», advertiu o Senhor (Mt 8,20 ; cf. Lc 9,58).</p>



<p>b) A segunda atitude do homem perante o chamado de Cristo é a da vacilação. Certa vez o Divino Mestre mesmo dirigiu a alguém o convite: «Segue-Me» (Lc 9,59). Ao que o discípulo replicou: «Senhor, permite-me que vá primeiramente sepultar meu pai» (Mt 8,21; Lc 9,59). Não se dando por satisfeito com a resposta, insistiu então Cristo: «Segue-Me, e deixa os mortos sepultarem os seus mortos».</p>



<p>Alguns comentadores julgam que o pai do jovem se achava ainda em vida. se bem que gravemente enfermo. O mancebo teria então pedido ao Senhor o prazo mais ou menos longo que decorreria até a morte e o sepultamento do doente, talvez intencionando esquivar-se definitivamente ao convite de Jesus. A maioria dos exegetas, porém, admite que o ancião já morrera e que o jovem pedia apenas o exíguo tempo necessário para participar dos funerais. Como quer que seja, em um e outro caso, o pedido parecia muito legítimo: prestar assistência aos genitores e sepultar os mortos eram obras altamente estimadas pelos judeus piedosos. Em particular, o sepultamento dos defuntos era tido como dever tão imperioso que os rabinos dispensavam das orações usuais e do estudo da Lei os filhos que tivessem a sepultar pai ou mãe (cf. o tratado do Talmud, Berachot 17,2): ademais a própria Escritura Sagrada, por sua narrativas, muito P<sup>a</sup>/<sup>e</sup>£,&#8217;<sup>a</sup>&nbsp;recomendar aos filhos o cuidado de sepultarem seus pais (cf. Gên 25,9; 50,5; Tob 1,21; 2,3-7; 4,3). Já que os judeus costumavam sepultar no dia mesmo da morte (cf. At 5,5s), o pedido do jovem não implicaria em grande atraso para seguir o Divino Mestre.</p>



<p>Contudo Jesus não quis reconhecer a legitimidade da súplica.</p>



<p>Não porque o cuidado dos mortos não seja em si obra boa, mas porque, no caso focalizado, a atitude do mancebo significava falta de generosidade para com Deus, significava certa covardia ou também um coração dividido entre o amor a Deus e o amor às criaturas. Ora o Senhor quer ser amado acima de tudo; é, aliás, a reta hierarquia dos valores que o exige: ou Deus ocupa o lugar capital na vida do homem, norteando todas as atitudes deste, ou simplesmente dever-se-á dizer que Deus não existe para tal homem; ninguém se iludirá julgando que cultua a Deus pelo fato de Lhe consagrar «algumas» de suas atitudes ou «algumas» de suas horas na vida.</p>



<p>Uma pequena digressão servirá para ilustrar quanto acabamos de afirmar.</p>



<p>Um monge hindu dizia com muito acerto: «Deus é a Unidade sem a qual só existem zeros».</p>



<p>Com efeito. Deus é, por definição, o Ser Absoluto — o que significa: o Valor Absoluto. Deus é, sim, o Valor que torna valiosa toda e qualquer criatura e sem o qual esta é vazia e enganadora.</p>



<p>Imaginemos uma série de três zeros, outra de seis, outra de nove zeros:</p>



<p>000</p>



<p>000 000</p>



<p>000 000 000</p>



<p>Os zeros que se acrescentam aos zeros nada alteram; tudo fica sendo zero&#8230; Mas coloquemos o número Um, uma só unidade, coisa simplicíssima, na série&#8230; Se pusermos o «Um» em último lugar, o conjunto, por mais longo que seja, ficará valendo muito pouco, será ninharia&#8230; Se o colocarmos em penúltimo lugar, já o conjunto valerá dez, o que ainda é muito pouco&#8230; Caso ponhamos a unidade em terceiro, em quarto, em quinto lugar, a série irá aumentando de valor (cem, mil, dez mil&#8230;). Finalmente, dado que se coloque o número Um à frente de cada série acima, ter-se-á:</p>



<p>1.000 = mil</p>



<p>1.000.000 = um milhão</p>



<p>1.000.000.000 = um bilhão.</p>



<p>Coisa estupenda! Os zeros tomam imenso valor desde que o «Um» lhes seja anteposto e os ilumine. Pois bem; Deus é esse «Um» sem o qual as criaturas nada são. Se Deus ficar em último lugar na vida do homem, esta se apresentará sempre como insípida bagatela, ninharia vazia&#8230; Dado, porém, que se ponha Deus incondicionalmente em lugar capita], cada bagatela, cada zero da vida, toma valor imprevistamente grande.</p>



<p>O homem pode acumular mil bens criados no seu tesouro; se chegarem a empalidecer ou remover a face de Deus no horizonte do indivíduo, esses bens, por mais numerosos que forem, equivalerão a longa série de zeros; deixarão o seu possuidor sempre frustrado e insatisfeito&#8230; Dado, porém, que o cristão ponha Deus à frente de cada criatura e procure ver tudo sob a perspectiva d&#8217;Ele, então, e somente então, tal homem começará a compreender o valor das criaturas; começará a compreender também que seguir o Cristo é o maior de todos os bens e que a vida, vivida em fidelidade absoluta ao Senhor, vale, apesar de tudo, a pena de ser vivida !</p>



<p>Voltando ao texto do Santo Evangelho, diremos consequentemente que, no caso do chamado dirigido pessoalmente por Jesus ao jovem, só uma resposta era adequada: a aceitação imediata, não postergada por qualquer outra tarefa; embora esta fosse em si legítima (como o sepultamento dos mortos), naquelas circunstâncias tornava-se condenável porque, em vez de levar o discípulo a mais amar a Deus, servia para diminuir e entibiar sua adesão ao Bem Infinito.</p>



<p>Eis o motivo da insistência apresentada por Cristo. Contudo a segunda parte da frase do Senhor costuma causar estranheza : «Deixa que os mortos sepultem seus mortos»&#8230;</p>



<p>A construção da frase é evidentemente artificiosa, pois, como de antemão se pode conjeturar, faz duplo emprego do termo «mortos». Em suma, Jesus quer dizer que, para sepultar cadáveres materiais (ou os mortos, no sentido físico), há sempre gente suficiente; há, sim, todos aqueles que não são chamados à vida da graça e do apostolado, gente talvez indiferente aos interesses do Reino de Deus. Tais pessoas vivem para o mundo e para as tarefas deste mundo; são por Jesus metaforicamente designadas como «mortos»&#8230; Esta figura de linguagem, forte como é, justifica-se pelo desejo que Jesus tem de realçar a grandeza e a premência da vocação dirigida ao jovem mancebo; chamado a seguir diretamente a Jesus, ele possui o quinhão por excelência, em comparação do qual tudo empalidece ou desaparece, morre; a figura também se explica pelo uso dos rabinos, que costumavam considerar como mortos (em espírito) os indivíduos que viviam alheios ao Reino de Deus (aliás, um eco bem significativo desse uso ressoa no texto de São Paulo, 1 Tim 5,6 : «A viúva que vive em prazeres, está morta, embora pareça viva»). Consequentemente, os mestres de Israel tinham os homens piedosos na conta de «vivos», mesmo que estes se vissem atribulados e condenados à morte (cf.&nbsp;<a href="http://www.pr.gonet.biz/biblia.php?livro=2Cor&amp;cap=4&amp;ver1=7&amp;ver2=12">2 Cor 4,7-12</a>).</p>



<p>Por conseguinte, Jesus quer incutir ao discípulo que ele chama, a preciosa norma : «Deixa o cuidado dos mortos ou, mais amplamente ainda, o cuidado das coisas mortais ou temporais, aos homens que, por desconhecerem mais elevados valores, se dedicam profissionalmente a isso; tu, porém, que recebeste a melhor das vocações, não queiras viver como se não a tivesses, mas volta-te decididamente para os valores eternos».</p>



<p>O Pe. Durand assim comenta as palavras de Jesus:</p>



<p>«Admiramos o soldado que, no caso de extremo perigo da pátria, permanece em seu posto na frente de combate, deixando aos de trás o cuidado de sepultar seu pai. Como então nos contentaríamos com dedicação menor, ao se tratar do Reino de Deus?» (Com. em Mt 133).</p>



<p>Por fim, o episódio que acabamos de analisar, ainda sugere uma reflexão: em dados momentos da vida, a maior graça que Deus possa conceder a uma alma, é a de pedir-lhe um ato de heroísmo. Esse ato, esse arranco forte, ainda que faça sofrer, vem a ser a condição imprescindível para que o cristão se eleve acima de seus interesses temporais ou para que corrobore a sua verdadeira vida e não se torne um morto a sepultar mortos no cemitério das coisas temporais !</p>
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		<title>Onde estão os corpos de Henoque e Elias arrebatados aos céus?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2020 21:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Onde-estão-os-corpos-de-Henoque-e-Elias-arrebatados-aos-céus.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Onde estão os corpos de Henoque e Elias arrebatados aos céus" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Onde-estão-os-corpos-de-Henoque-e-Elias-arrebatados-aos-céus.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Onde-estão-os-corpos-de-Henoque-e-Elias-arrebatados-aos-céus-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Onde-estão-os-corpos-de-Henoque-e-Elias-arrebatados-aos-céus-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Onde-estão-os-corpos-de-Henoque-e-Elias-arrebatados-aos-céus-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Onde-estão-os-corpos-de-Henoque-e-Elias-arrebatados-aos-céus-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Em nossa resposta, deveremos em primeiro lugar notar que a maneira um tanto misteriosa como a S. Escritura se refere a Henoque (cf. Gên 5,22-24; Eclo 44,16; Hebr 11,5) e Elias (3 e 4 Rs), enaltecendo a vida e o transe desses justos, deu lugar a que os pósteros tendessem a acrescentar traços novos à [&#8230;]</p>
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<p>Em nossa resposta, deveremos em primeiro lugar notar que a maneira um tanto misteriosa como a S. Escritura se refere a Henoque (cf. Gên 5,22-24; Eclo 44,16; Hebr 11,5) e Elias (3 e 4 Rs), enaltecendo a vida e o transe desses justos, deu lugar a que os pósteros tendessem a acrescentar traços novos à genuína figura dos dois homens de Deus; principalmente a missão de Elias tornou-se objeto de reflexão e elaboração por parte das gerações judaicas e cristãs. É o que explica, se afirmem hoje em dia a respeito de Henoque e Elias algumas proposições que carecem de fundamento nas fontes bíblicas mesmas e se devem principalmente à piedade popular. Será preciso, portanto, em nosso estudo discernir bem o que está na S. Escritura, daquilo que se narra à margem desta. É o que vamos fazer nos parágrafos abaixo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. Uma nova sentença de exegese</strong></h2>



<p>Os textos de Gên 5,24 e 2Rs 2,11s sugerem que Henoque e Elias foram arrebatados vivos aos céus; daí decorrem as duas questões formuladas no cabeçalho deste artigo.</p>



<p>Eis, porém, que exegetas contemporâneos (católicos e não católicos) julgam dever dar nova interpretação às passagens citadas, nova interpretação que revolve por completo toda a problemática referente aos dois mencionados personagens.</p>



<p>Vejamos, pois, como raciocinam tais comentadores. Começaremos pelo que diz respeito a</p>



<p>1)&nbsp;<strong>ELIAS.</strong>&nbsp;Eis o texto a ser considerado:</p>



<p>4 RS 2,1 «Eis o que se deu no dia em que o Senhor arrebatou Elias ao céu num turbilhão : Elias e Eliseu partiram de Galgala&#8230; 9 — Elias disse a Eliseu : &#8216;Pede-me algo antes que eu seja arrebatado de junto a ti; que poderia eu fazer por ti ?&#8217; — Eliseu respondeu : &#8216;Seja-me concedida dupla porção do teu espírito&#8217;. 10 — &#8216;Pedes coisa difícil, replicou Elias. Entretanto se me vires quando eu for arrebatado de ti, isso te será dado; mas, se não me vires, não te será dado&#8217;. 11 Continuando eles o seu caminho, entretidos a conversar, eis que de repente um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão. 12 Vendo isto, Eliseu exclamou: &#8220;Meu pai, meu pai! Carro e cavaleiros de Israel!&#8217; E não o viu mais. Tomando então as suas vestes, rasgou-as em duas partes. 13 Apanhou o manto que Elias deixara cair, e, voltando até o Jordão, parou à beira do rio».</p>



<p>Os exegetas reconhecem de maneira geral que este texto refere o transe de Elias <strong>tal como Eliseu o viu</strong>. A corrente moderna, porém, acrescenta que se trata de uma visão extática de Eliseu, como parece insinuar o próprio autor sagrado. Sim; quando Eliseu pediu a Elias dupla porção do seu espírito, respondeu Elias : «Se me vires quando eu for arrebatado&#8230;»; a visão condicional aqui mencionada parece ser uma visão gratuita, carismática; em outros termos: significaria um êxtase profético, semelhante ao que tiveram outros homens de Deus. como Miquéias, quando viu os céus abertos (cf. Rs 22,19-22),&#8230; o discípulo de Eliseu, quando percebeu as montanhas cobertas de cavalos e carros de fogo (cf. 2Rs 6,17),&#8230; Isaías, ao contemplar o trono de Deus (cf. Is 6,1-13), ou ainda Amos (cf. Am 9,1). — Verificado isto, concluem os referidos exegetas: do fato de que Eliseu, em êxtase, contemplou Elias elevado aos céus, não se poderia deduzir que paralelamente, na realidade histórica, Elias tenha terminado seus dias na terra por um arrebatamento, escapando assim ao império da morte.</p>



<p>Poder-se-ia então definir o significado exato do episódio de 2Rs 2,12s ?</p>



<p>Eis como o interpreta a sentença mais recente.</p>



<p>Note-se que o cenário de «arrebatamento» de Elias é o cenário simbólico que costuma enquadrar as teofanias ou manifestações de Javé na história sagrada: o fogo e o vento forte denotam, sem dúvida, a presença de Javé em Êx 3,2; 24,17; Jz 13,20 ; Is 30, 27; Ez l,4s ; Dan 7,9s ; o carro de fogo, portanto, em 2Rs 2,11 não parece significar senão a força divina que atraiu Elias. E para que o terá atraído ? — Provàvelmente para um colóquio místico em lugar retirado ou elevado acima da terra, colóquio semelhante aos que se deram na vida dos grandes profetas de Israel, seja no monte Sinai (com Moisés, cf. Êx 3 ; 19; com Elias, cf. Rs 19), seja no templo de Jerusalém (com Isaias, em Is 6), seja no santuário de Betei (com Amós, em Am 9,1). Terminado o êxtase de Elias (que Eliseu, especialmente agraciado por Deus, pôde contemplar), aquele profeta terá voltado ao seu estado normal, vindo a morrer pouco depois disso. A morte de Elias parece insinuada aos mencionados exegetas modernos pelo fato de que Elias rasgou suas vestes e recolheu o manto de Elias, ao verificar o desaparecimento definitivo do mestre, (cf. 2Rs 2,12s). — O Padre Spadafora faz observar que o verbo hebraico laqah, tomar, arrebatar, o qual domina a narrativa de 2Rs 2,3-13, designa «a intervenção de Deus na morte serena do justo» em textos como SI 48,16; Is 53,8 e até mesmo Gên 5,24 (episódio de Henoque); cf. o artigo Elia, em «Enciclopédia Cattolica» V. Roma 1950, 233. — Observam outrossim os comentadores que o trecho de 2Rs 2 de modo nenhum nos diz que Elias não morreu; verdade é que a lacônica e misteriosa construção de frases dessa passagem era apta a sugerir aos leitores tal conclusão (como, aliás, se depreende de passagens bíblicas posteriormente redigidas, como Mal 3,23s [Vg 4,5s] ; Eclo 48,10 ; 1 Mac 2, 58).</p>



<p>2) Quanto a&nbsp;<strong>HENOQUE</strong>, eis o que a Bíblia nos diz a seu respeito:</p>



<p>«Henoque caminhou com Deus&#8230; Toda a duração da vida de Henoque foi de trezentos e sessenta e cinco anos. Henoque caminhou com Deus; a seguir, desapareceu, pois Deus o arrebatou» (Gên 5,&nbsp;<strong>21.23s).</strong></p>



<p>A última frase do texto acima poder-se-ia entender também do seguinte modo : «Após uma de suas comunicações com Deus, Henoque não mais voltou (à companhia dos vivos)».</p>



<p>Alguns exegetas modernos julgam que tais dizeres são demasiado sóbrios para se deduzir algo de certo sobre o fim de vida de Henoque. O verbo laqah, ocorrente em Gên 5,24, significaria apenas, como no caso de Elias, que Henoque gozou de íntima união com Deus, sem que isto implicasse em isenção da morte; essa íntima união é ademais atestada pelo «caminhar com Deus» tão característico de Henoque, assim como pela cifra de 365 anos, que assemelha a vida deste justo à passagem de um sol sobre a terra.</p>



<p>«O arrebatamento de Henoque relatado por fonte antiquíssima do Código Sacerdotal (isto é, por um dos mais antigos documentos que entraram na composição do Gênesis), tem nitidamente o caráter de uma epopeia (poema que decanta o maravilhoso) primitiva. O significado desse texto arcaico permanece obscuro» (J. Steinmann, Élie dans 1&#8217;Ancien Testament, em «Élie le prophète» I. Paris 1956,114).</p>



<p>Steinmann chega a dizer que «lendas semelhantes às que circulavam a propósito de Frederico Barbarroxa (+1190), atribuíram misteriosa sobrevivência física a Henoque e Elias» (ibd. 114).</p>



<p>É nos termos acima que se apresentam duas recentes teses de exegetas católicos a respeito do desfecho da vida de Elias e Henoque nesta terra.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Que dizer de tais explicações?</strong></h3>



<p>Elas têm contra si o testemunho da tradição judaica e cristã, que até o nosso século sempre eximiu da morte Henoque e Elias (verdade é que se trata não de tradição dogmática, mas exegética apenas, a qual por si não se impõe à fé dos cristãos). Além do mais, os argumentos literários<em>&nbsp;e</em>&nbsp;filológicos apresentados pelos autores da inovação não parecem dirimentes. Como quer que seja, o que nos interessa aqui observar, é que a sentença segundo a qual Henoque e Elias já morreram, é aceita dentro dos quadros da exegese católica. Ora quem a aceita, já não propõe as questões formuladas no cabeçalho deste artigo.</p>



<p>Visando, porém, elucidar o mais possível o assunto, consideremos agora a sentença tradicional referente aos dois homens de Deus, e procuremos esclarecer as perguntas que a ela se prendem.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. Onde estarão?</strong></h2>



<p>Os autores judeus e cristãos que asseveram o arrebatamento de Henoque e Elias vivos aos céus, não estão de acordo entre si sobre o local em que se possam encontrar os seus corpos.</p>



<p>Entre os judeus antigos, Elias ocupava lugar importante nas tradições rabínicas, principalmente a partir do séc. IX a.C. Era tido como intercessor junto a Deus em favor do seu povo; os rabinos narravam que ele aparecia muitas vezes sobre a Terra, fosse para instruir os rabinos, fosse para curar os doentes, fosse para punir os pecadores. Contudo o que mais se afirmava, era que voltaria à Terra como Precursor do Messias, a fim de excitar o povo de Israel à penitência (daí as numerosas alusões à vinda de Elias nos SS. Evangelhos; cí. Mt 17,10s; 11,14; 27,47.49; Lc 1,17; Jo 1,21.25).</p>



<p>O companheiro de Elias no desempenho da tarefa de preparar imediatamente a vinda do Messias seria, conforme algumas escolas rabínicas, Moisés. Este não teria morrido (embora a S. Escritura mencione claramente o seu desenlace em Dt 34,5); estaria atualmente vivendo junto de Deus, prestes a voltar ao mundo na era messiânica! Todavia, ao lado de afirmações deste gênero, não se lê, nas tradições rabínicas, indicação precisa sobre o lugar onde possam estar os corpos de Elias, Moisés, Henoque, etc.; apenas alguns mestres ousavam afirmar que esses justos se achavam no paraíso terrestre (de Adão e Eva) transferido pelo Senhor Deus para fora deste mundo.</p>



<p>A tradição cristã não se mostrou mais segura sobre esses assuntos.</p>



<p>Ao passo que o texto hebraico de 2Rs 2,11 diz simplesmente que Elias subiu aos céus, os tradutores gregos desse texto, na edição dos LXX, escreveram «hoos eis ton ouranon» (como que para os céus); por sua vez, os primeiros tradutores latinos puseram «quasl in caelum» (como que&#8230;).</p>



<p>Na Idade Média, São Tomás, retomando a opinião de antigos escritores cristãos (como Tertuliano, S. Ireneu e outros), propunha o paraíso terrestre, transferido para longe deste mundo, qual mansão dos corpos de Elias e Henoque:</p>



<p>«Elias foi arrebatado para o céu aéreo, não, porém, para o céu empírio (de fogo), que é a mansão dos santos. De modo semelhante, foi Henoque arrebatado ao paraíso terrestre, onde se crê que ele viverá com Elias até a vinda do Anticristo» (Suma Teológica III 49, 5 ad 2).</p>



<p>Nesse texto, «céu aéreo» significa o paraíso de Adão e Eva sequestrado pelo Senhor Deus para um lugar qualquer da atmosfera terrestre, ao passo que o «céu empírio ou de fogo» designaria (conforme, aliás, o modo de pensar comum dos medievais) o lugar refulgente (não quente, porém) onde os justos são premiados para todo o sempre.</p>



<p>Não se deve atribuir autoridade decisiva à opinião abraçada por São Tomás, no caso; ela versa sobre um assunto em que não se podem propor senão conjecturas. A existência do paraíso terrestre transferido para longe desta Terra, como, aliás, toda a geografia do Além que é explanada na literatura exegética medieval, exprimem pressupostos e teses dos antigos que hoje em dia estão abandonados pelos teólogos.</p>



<p>Em conclusão: dado que Henoque e Elias existam realmente em corpo e alma fora deste mundo (hipótese que, como vimos, em nossos dias já não encontra unânime aceitação), será necessário renunciar a indicar o lugar de sua atual mansão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>3. Voltarão à Terra?</strong></h2>



<p>É comum dizer-se que Henoque e Elias imediatamente antes do juízo final aparecerão de novo neste mundo, onde darão testemunho a Cristo perante o Anticristo; finalmente pagarão seu tributo à morte, para depois serem ressuscitados e reinarem na glória dos justos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quais os fundamentos dessa crença?</strong></h3>



<p>a) No tocante a Elias, a tradição judaica pré-cristã admitia que Elias voltaria como Precursor do Messias. O texto do profeta Malaquias (3,23s; Vg 4,5s), dava expressão a essa expectativa judaica. Contudo o Senhor Jesus explicou qual o sentido da apregoada volta de Elias à Terra: as qualidades de ânimo do profeta — zelo pela causa de Deus, destemida exortação à penitência — deveriam manifestar-se na pessoa de João Batista, o imediato Precursor do Salvador; de fato, o Batista, pregando energicamente no limiar da era cristã, realizou tarefa paralela à de Elias no séc. IX a. C. Por isto também Cristo houve por bem por o ponto final à expectativa judaica, asseverando, com explícita referência a São João Batista, que Elias já veio; cf. Mt 17,10.12s.</p>



<p>b) Entre os cristãos, apesar das palavras de Cristo, persistiu a crença na volta de Elias, alimentada, em parte, por famoso texto do Apocalipse (11,1-13), ao qual voltaremos agora nossa atenção:</p>



<p>APC 11, 1 «<em>Foi-me dada uma vara semelhante a uma vara de agrimensor, e disseram-me: &#8216;Levanta-te! Mede o templo de Deus e o altar com seus adoradores. 2 O adro, fora do templo, porém, deixa-o de lado e não o meças: foi dado aos gentios, que hão de calcar aos pés a cidade santa por quarenta e dois meses. 3 Mas incumbirei as minhas duas testemunhas vestidas de saco de profetizarem durante mil duzentos e sessenta dias. 4 São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra. 5 Se alguém lhes quiser causar dano, sairá fogo de suas bocas e devorará os inimigos. Com efeito, se alguém os quiser ferir, cumpre que assim seja morto. 6 Esses homens têm o poder de fechar o céu para que não caia chuva durante os dias de sua profecia ; têm poder sobre as águas, para transformá-las em sangue, e poder sobre a terra, para a ferir, sempre que quiserem, com toda espécie de flagelos. 7 Mas, depois de terem terminado o seu testemunho, a Fera que sobe do abismo lhes fará guerra, os vencerá e os matará. 8 Seus cadáveres (jazerão) na praça da grande cidade que se chama espiritualmente&#8217; Sodoma e Egito (onde o seu Senhor foi crucificado). 9 Muitos homens dentre os povos, as tribos, as línguas e as nações virão para ver seus cadáveres por três dias e .meio, e não permitirão que sejam sepultados. 10 Os habitantes da Terra alegrar-se-ão por causa deles, felicitar-se-ão mutuamente e mandarão presentes uns aos outros, porque esses dois profetas tinham sido seu tormento. 11 Mas, depois de três dias e meio, um sopro de vida, vindo de Deus, os penetrou. Puseram-se de pé, e grande terror caiu sobre aqueles que os viam. 12 Ouviram forte voz do céu que dizia : &#8216;Subi aqui!&#8217;. Subiram então para o céu numa nuvem, enquanto seus inimigos os olhavam. 13 Naquela mesma hora produziu-se grande terremoto, caiu uma décima parte da cidade, e pereceram no terremoto sete mil pessoas. As demais, aterrorizadas, deram glória ao Deus do céu</em>».</p>



<p>Como se vê, o autor sagrado, ao descrever uma cena que alguns comentadores (erradamente) julgam ser a do fim do mundo, afirma que</p>



<p>— dois varões aparecerão sobre a Terra e durante 42 meses apregoarão a Verdade;</p>



<p>— possuirão mesmo o poder de realizar prodígios semelhantes aos que Moisés e Elias outrora obtiveram de Deus.</p>



<p>Sim. Elias fez descer fogo do céu sobre os inimigos de Javé (cf. 2Rs 1,10 e Apc 11,5); fechou os céus a fim de que não chovesse (cf. Rs 17,1 e Apc 11,6a); além disto, vestia-se de um saco, como as duas testemunhas (cf. 2Rs 1,8 e Apc 11,3). — A respeito de Moisés, lê-se que converteu águas em sangue e assolou a Terra com pragas diversas; cf. Êx 7,17-11,10 e Apc 11,6b;</p>



<p>— acabarão, porém, vitimados pelo Adversário, que os matará ;</p>



<p>— finalmente, após três dias e meio, ressuscitarão e serão elevados aos céus.</p>



<p>Ao procurar identificar as duas testemunhas anônimas, os exegetas, até nossos tempos, quase unanimemente indicavam ao menos Elias, visto que este profeta foi arrebatado aos céus&#8230; Quanto à outra testemunha, pensaram em Henoque, pois também se lê a seu respeito que deixou este mundo sem ter passado pela morte&#8230; Henoque e Elias, portanto, deveriam voltar à Terra antes da consumação da história ! — Outros exegetas pensaram em Moisés, pois alguns traços das duas testemunhas apocalípticas são, sem dúvida, derivados da figura histórica de Moisés&#8230; Alguns estudiosos ainda propuseram Jeremias, visto que a Escritura não refere a sua morte e assevera que seria um dia «Profeta entre as nações» (fora de Israel), coisa que não coube a Jeremias no Antigo Testamento (cf. Jer 1,5).</p>



<p>Na verdade, o episódio de Apc parece pedir interpretação bem diversa, ou seja, muito mais sóbria. — Sem desenvolver aqui o sistema mais plausível de exegese do Apocalipse, frisaremos apenas que a cena de Apc 11 muito provavelmente se refere à história da Igreja em toda a sua amplidão através dos séculos. Nesse currículo a Esposa de Cristo jamais deixa de proferir ao mundo o testemunho da verdade. Ora esse «testemunhar» da Igreja se acha simbolizado em Apc 11 pelos dois varões misteriosos, pois, conforme a Lei de Moisés, «qualquer afirmação verídica tem que ser expressa pela palavra de duas testemunhas» (cf. Dt 19,15 ; Jo 8,17).</p>



<p>O testemunho da Igreja assim simbolizado em Apc 11 é o testemunho que dão a Cristo os mártires, os confessores, os doutores e os justos em geral, em quem o Espírito Santo vive através dos tempos; tal testemunho pode ser tido como «profecia» (isto é, palavra proferida em nome de Deus) continua (cf. Apc 19,10).</p>



<p>A duração desse pronunciamento é de 1260 dias — o que vem a ser: 42 meses ou 3 1/2 anos, isto é, a metade de 7 anos. Visto que 7 exprimiria, segundo a mentalidade antiga, plenitude e consumação, 3 1/2 designa, no nosso caso, justamente uma época de demanda da plenitude. Tal é, sem dúvida, o período de combate contra o erro em prol da verdade, que caracteriza a história da Igreja entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. — É, pois, durante 1260 dias, isto é, durante toda a sua história, que a Igreja (representada pelas duas testemunhas) apregoa o Evangelho neste mundo. E é durante três dias e meio, isto é, em segmentos de sua história, que a Igreja sucumbe aqui e ali aos golpes do Adversário, em virtude de perseguições, heresias ou cismas nesta ou naquela região. A voz da Igreja, porém, será finalmente vitoriosa.</p>



<p>Note-se ainda que as testemunhas de Apc 11 (ou também o testemunho da verdade e da vida proferido pela Igreja ao mundo) são descritas com traços de Elias, Moisés, Jesus (filho de Josedeque), Zorobabel (cf. Zac 4,2s) e — muito mais duvidosa e pàlidamente — com traços de Henoque, porque nos cristãos continua a viver o Espírito que animou e moveu esses grandes varões do Antigo Testamento. Não se procure outra explicação, mais precisa, (a qual não poderia deixar de ser forçada ou artificial) para os traços característicos das duas testemunhas do Apocalipse. Seria, portanto, gratuito concluir desta passagem que o autor sagrado queria predizer a volta ao mundo e o martírio de Henoque e Elias.</p>



<p>Numa derradeira observação, lembraremos que, se não há fundamento real para sustentar a segunda vinda ao mundo desses dois varões, convém não acentuar tal crença na catequese e na pregação. Antes, chamaremos a atenção dos nossos pupilos para os traços espirituais e religiosos que caracterizam Henoque e Elias; ao contemplá-los, o cristão aprenderá mais e mais a caminhar na presença de Deus, sem divagar inutilmente pelo mundo das conjecturas&#8230;</p>
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