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	<title>Rafael Cronje &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<title>Rafael Cronje &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>Segunda Tábua dos Mandamentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2021 14:53:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei; 2. §§2196-2557 do Catecismo da Igreja Católica. Na última aula falei da mudança que sofreram os mandamentos no Novo Testamento e, também, dos três primeiros mandamentos, que ordenam a relação do homem com Deus. Como disse, eles são a base [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading" id="h-ouca-esta-aula">Ouca esta aula:</h5>



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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei; </em></em><br><em><em>2. §§2196-2557 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></p>



<p>Na última aula falei da mudança que sofreram os mandamentos no Novo Testamento e, também, dos três primeiros mandamentos, que ordenam a relação do homem com Deus. Como disse, eles são a base dos outros sete mandamentos que veremos hoje, que tratam da relação entre os homens.</p>



<p>O fato de a relação humana não ter fundamento moral próprio é consequência da natureza humana, cujo fim último é amar e conhecer a Deus. Nossa vida em comunidade também participa desse fim, e o faz a tal ponto que ignorando-o se degenera. Sem os três primeiros, os outros sete mandamentos facilmente perdem sua justa medida e não se revelam completamente.</p>



<p>Fica claro também que, por tal papel constitutivo e mantenedor, os sete mandamentos não são apenas conselhos dados por Deus aos homens. São condições necessárias para que a vida humana subsista e floresça. Condições que foram reveladas, mas que poderiam ter sido conhecidas unicamente pela investigação humana da estrutura da realidade, especialmente da alma humana e do seu papel duplo de conhecedora da Verdade da existência e de criadora (ou co-criadora ou sub-criadora) da ordem social à luz da Verdade conhecida.</p>



<p>São, portanto, mandamentos de Lei e de direito natural, mas que também são de Lei Divina pelo fato da Revelação Mosaica. Desse modo, sua fundamentação é racional, mesmo que sua retidão seja garantida divinamente.</p>



<p>Hoje veremos como os sete mandamentos da segunda tábua estruturam a vida em comunidade à luz dos da primeira tábua. Ao final, ficará clara qual visão moral a Igreja tem da sociedade: qual o seu fundamento, quais os limites para a ação humana e qual o fim da sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><strong><strong>Honrar pai e mãe</strong></strong></strong></h2>



<p>O mandamento de honrar pai e mãe não tem o sentido restrito que a princípio pode parecer. Sua forma detalhada poderia ser algo como &#8220;preservar a estrutura hierárquica social na medida exigida pela justiça&#8221;.</p>



<p>Sua forma reduzida, porém, revela o primeiro âmbito no qual a preservação da sociedade em estado de justiça se dá: na família, unidade mínima da sociedade. A sociedade começa, e só pode começar, na união frutífera de um homem com uma mulher, união que é a medida do que se chama, do que não se chama e do que se chama por analogia de família.</p>



<p>Ela é unidade mínima da sociedade, em primeiro lugar, pela própria natureza do corpo social, que exige a união do homem e da mulher para o nascimento, o crescimento e o aperfeiçoamento dos seres humanos. Não há outra instituição que supra essas necessidades completamente.</p>



<p>Para que exista a sociedade, portanto, é preciso que pelo menos uma família exista, a partir da qual as gerações humanas surgirão e organização para si governos. Não há outro meio natural – e os meios artificiais perversos, mesmo que possam realizar parte desse processo, não dão conta de tudo que é necessário para o florescimento da vida humana.</p>



<p>O que quer que se pense sobre a aceitação de outros arranjos sociais humanos, um fato não pode ser negado: o que define a forma e o elevado estatuto da família é a natureza. Sem ela não há sociedade humana. Não há sociedade que surja apenas de um indivíduo – motivo pelo qual ele não é a unidade mínima da sociedade como os individualistas pensam.</p>



<p>E é por isso que o primeiro dever de qualquer homem é honrar aqueles que causaram materialmente a sua própria existência. A revolta contra pai e mãe é a rejeição do princípio da sociedade. Por isso o mandamento se estende à honra de todas as autoridades familiares e governamentais naquilo que lhes é devido.</p>



<p>Como limite da honra – ou não propriamente da honra, mas da obediência que decorre dela – estão os deveres de justiça, que se aplicam todas as vezes que a obediência exigida pela autoridade ferirem a consciência da justiça do subordinado. Nesses casos, não há obrigação de obediência, dada a honra superior que se deve a Deus.</p>



<p>Esse mandamento estabelece, em suma, a ordem e a natureza das obrigações que mantêm o corpo social vivo e sadio.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><strong>Não assassinar</strong></strong></h2>



<p>Tradicionalmente traduzido como não matarás, uma forma mais adequada seria dizer &#8220;não assassinarás&#8221;, pelo fato de que o problema central de que ele trata é desejar e realizar o assassinato de outra pessoa tendo a morte como fim.</p>



<p>Essa distinção é importante, pois existem hipóteses nas quais a morte não se configura como assassinato: os casos de legítima defesa pessoal e de terceiro ou do corpo social contra algum de seus membros ou contra outros povos. A primeira hipótese é o que se chama, em sentido estrito, de legítima defesa, a segunda de pena de morte e a terceira de guerra justa.</p>



<p>Estando intimamente ligadas, as três hipóteses partilham o mesmo fundamento: é justo defender a própria vida, a de outra pessoa ou a de uma nação, mesmo quando isso implica a morte do agressor. Para que isso se dê, certas condições precisam se manifestar no caso concreto, sob pena de que o ato de defesa seja tão iníquo e injusto quanto o de ataque.</p>



<p>As condições são as seguintes:&nbsp;<strong>I.&nbsp;</strong>para a legitima defesa pessoal ou de terceiro, que o risco seja iminente, que a defesa se dê com moderação, havendo proporcionalidade no uso da força e que a intenção pessoal seja a de defender, não a de matar, mesmo que esse resultado possa decorrer da defesa;&nbsp;<strong>II.&nbsp;</strong>para a pena de morte, segundo o entendimento milenar da Igreja, é preciso que a identidade e a responsabilidade do culpado sejam comprovadas cabalmente e que a pena de morte seja a &#8220;única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.&#8221;;&nbsp;<strong>III.&nbsp;</strong>para a guerra justa,</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>2309.&nbsp;</strong>Devem ser ponderadas com rigor as estritas condições duma&nbsp;<em>legítima defesa pela força das armas. A&nbsp;</em>gravidade duma tal decisão submete-a a condições rigorosas de legitimidade moral. É necessário, ao mesmo tempo:</p><p>– que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja duradouro, grave e certo; – que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes; – que estejam reunidas condições sérias de êxito; – que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um peso gravíssimo na apreciação desta condição.</p><p>Estes são os elementos tradicionalmente apontados na doutrina da chamada «guerra justa».</p></blockquote>



<p>A submissão da defesa a um princípio de justiça ecoa a percepção platônica, e que é compartilhada pela ética cristã, de que é melhor sofrer um mal do que cometê-lo, pois quem sofre tem o corpo maculado, mas quem comete macula a própria alma. Até para agir em defesa de inocentes é preciso justiça, sob pena de que a defesa cause um mal pior do que o ataque.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>2264.&nbsp;</strong>O amor para consigo mesmo permanece um princípio fundamental de moralidade. E, portanto, legítimo fazer respeitar o seu próprio direito à vida. Quem defende a sua vida não é réu de homicídio, mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um golpe mortal:</p><p>«Se, para nos defendermos, usarmos duma violência maior do que a necessária, isso será ilícito. Mas se repelirmos a violência com moderação, isso será lícito [&#8230;]. E não é necessário à salvação que se deixe de praticar tal acto de defesa moderada para evitar a morte do outro: porque se está mais obrigado a velar pela própria vida do que pela alheia» (41).</p><p><strong>2265.&nbsp;</strong>A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grave dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade têm o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada à sua responsabilidade.</p></blockquote>



<p>O pecado de não assassinar se estende aos atos que, não matando o corpo, maculam a alma do outro, como o escândalo, que é levar o outro a pecar pelos próprios atos pecaminosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Guardar a castidade nas palavras e nas obras, nos pensamentos e nos desejos e Não cobiçar as coisas alheias nem as furtar</strong></h2>



<p>A castidade sexual, que se manifesta na continência visível e invisível é um aspecto da castidade enquanto genuína ordenação das paixões ao amor, entendido primariamente não como um sentimento, mas como uma dedicação intencional de viver para o bem do amado.</p>



<p>Essa castidade da alma é fonte de ordem da sociedade na medida em que impede que as paixões se manifestem excessivamente na comunidade. E as paixões humanas são, quase sempre, a fonte dos conflitos, das disputas, das contendas, das injurias, das guerras e de toda sorte de pecados que agridem com força a estrutura da sociedade.</p>



<p>Os tipos de disputa podem ser reduzidos, basicamente, a dois: disputas por pessoas e por coisas. Se fossemos girardianos, na verdade existiria apenas as disputas por pessoas. E dessas disputas, as amorosas são as mais perigosas. Se lembrarmos que a família é a unidade mínima da sociedade, entenderemos o perigo que a destruição familiar causada pelas paixões sexuais põe para o corpo social.</p>



<p>O mandamento de não cobiçar a mulher do próximo, portanto, não é fruto de qualquer puritanismo. A vida e a ordem das sociedades dependem dele. E da preservação dos patrimônios, como quer que sejam originariamente distribuídos na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Não levantar falso testemunho</strong></h2>



<p>A proibição de levantar falso testemunho também pode ser compreendida de dois modos. Externamente, também visa preservar a ordem social. Internamente, porém, é uma condição para a vida sincera e, em último grau, para a vida verdadeira.</p>



<p>Não mentir é o primeiro grau do conhecer e professar a Verdade, do reconhecer a própria situação e de ser sincero consigo mesmo sobre os próprios pecados. Quem não tem a virtude da sinceridade, vive no autoengano e é incapaz de começar a vida cristã.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia <em>10 de novembro de 2021</em>.</em></em></em></p>
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		<title>O Pecado Pessoal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 17:06:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§2052 – 2195 do Catecismo da Igreja Católica. Na aula passada vimos o papel das virtudes e da graça na vida moral. Ambas ordenam a vida humana à sua possibilidade natural e sobrenatural última que é a participação na natureza [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading" id="h-ouca-esta-aula">Ouca esta aula:</h5>



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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. <em>§§2052 – 2195 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></em></p>



<p>Na aula passada vimos o papel das virtudes e da graça na vida moral. Ambas ordenam a vida humana à sua possibilidade natural e sobrenatural última que é a participação na natureza divina. Ficou claro que não há como ser virtuoso sem a graça divina, nem como participar da natureza divina sem as virtudes.</p>



<p>Veremos hoje como a vida vivida pela fé é o modo justo de viver, pois é apenas na fidelidade para com Deus que o homem tenta dar aquilo que é devido ao seu Criador e Salvador. Todos os outros modos de vida, portanto, são fundamentalmente injustos.</p>



<p>As obrigações humanas para com Deus, que, quando cumpridas, tornam a vida justa, estão declaradas nos dez mandamentos. É com base neles que essa e as próximas duas aulas serão ministradas. Essas obrigações decorrem diretamente do fato de que Deus salvou o homem do pecado.</p>



<p>O homem está, portanto, sempre me dívida para com Deus. Uma dívida eterna que, como já vimos, não poderia nunca ser paga. O perdão divino, que extingue a exigibilidade e redime cada aspecto da vida, foi realizado por Cristo. Resta ao homem viver de acordo com a benefício que recebeu.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><strong>Os dez mandamentos</strong></strong></h2>



<p>Os dez mandamentos são bem conhecidos de todo católico que tenha o hábito da confissão frequente. Eles são a matéria sobre a qual o penitente medita para encontrar na memória o registro dos crimes que cometeu. Todos aqui, espero, os sabem de cor.</p>



<p>Mas a versão dos dez mandamentos que conhecemos não é exatamente a mesma que foi dada a Moisés e ao povo de Israel. A nossa versão é a atualizada à Revelação do Verbo Divino, à lei do amor e da graça. Atualização, diga-se, que começou a ser realizada pelo próprio Cristo no Sermão da Montanha.</p>



<p>É útil ter uma visão comparada do que mudou do Antigo para o Novo Testamento, e mesmo das duas listas de mandamentos que existem na Torá [<a href="https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s1cap3_1949-2051_po.html#OS_DEZ_MANDAMENTOS__" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clique aqui para acessar</a>].</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A primeira tábua: Amar a Deus sobre todas as coisas, Não invocar o nome de Deus em vão e Santificar o Domingo e os dias de guarda</strong></h2>



<p>Data de Santo Agostinho a divisão dos dez mandamentos em duas tábuas, uma significando os deveres diretos para com Deus e outra os diretos para com o próximo. A divisão só faz sentido à luz dos dois princípios da Lei e dos Profetas que Cristo apresentou: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.</p>



<p>A primeira tábua contém os três primeiros mandamentos: I. Amar a Deus sobre todas as coisas, II. Não invocar o nome de Deus em vão e III. Santificar o Domingo e os dias de guarda, enquanto a segunda os outros sete. A divisão serve para demonstrar como o que Cristo fez foi atualizar à Lei Antiga, não a abolir.</p>



<p>Não deve, porém, fazer pensar que os grupos de mandamentos estejam isolados e sejam independentes. A verdade é que todos não passam de desdobramentos do primeiro e a ele se ordenam ultimamente.</p>



<p>Isso é assim por dois motivos: <strong>a. </strong>ontologicamente, toda realidade se ordena a Deus. Isso inclui o homem, que tem como fim amar e conhecer a Deus. Desse fim decorre a obrigação ontológica de obedecê-lo, pois o amor exige uma participação na vontade e na razão do outro e o conhecimento de Deus, enquanto próprio Bem, indica ao homem a que autoridade seguir; <strong>b. </strong>pela revelação sabemos que Deus nos libertou do pecado por meio da obra redentora de Cristo, cujos efeitos são transmitidos até nós pela Igreja. Essa libertação do pecado foi e é gratuita. O homem não paga nada por ela em qualquer sentido do termo &#8220;pagar&#8221;. Mas como responde um homem quando recebe um benefício gratuito? Com fidelidade. A partir do benefício estabelece-se um vínculo de fidelidade entre o que recebeu e o que deu. Esse vínculo implica que o recebedor não trairá a confiança do doador. É, como chamavam os Escolásticos, uma obrigação <em>antidora</em>, que se dá no lugar de um outro presente que pagaria o preço do benefício recebido. A obediência aos mandamentos tem origem na redenção gratuita que recebemos e é aquilo que damos em troca do preço que nos seria exigido pelo pecado: a morte e a condenação eterna.</p>



<p>Assim, o primeiro mandamento é a origem e o fim de todos os mandamentos. Afinal, não faria qualquer sentido seguir a proibição de não tomar o nome de Deus em vão ou guardar o domingo e os dias de festa estabelecidos por Ele ou por sua&nbsp;<em>longa manus&nbsp;</em>senão por amor. Quem cumpre os mandamentos sem amar não os cumpre.</p>



<p>O mesmo pode ser dito sobre os outros. Embora a preservação da boa ordem social seja necessária e boa por si mesmo, não há verdadeira boa ordem longe do próprio Bem. Por isso os sete mandamentos que se dirigem diretamente ao cuidado com o próximo também perdem seu sentido sem o amor a Deus, pois ele é a própria boa ordem e é dele que provém a qualidade da vida social.</p>



<p>Não sem motivo, quando o amor a Deus perde sua aceitação entre os homens, em pouco tempo a sociedade perde seu princípio de ordem e até mesmo os mandamentos da segunda tábua que são postulados da lei natural – logo poderiam ser conhecidos unicamente pela faculdade da razão, sem o auxílio da revelação – começam a ser desprezados e substituídos por anti-mandamentos, causando a anomia e a destruição da sociedade.</p>



<p>Portanto, a divisão dos mandamentos em duas tábuas não pode ser utilizada para significar a separação radical entre amor a Deus e amor aos homens, entre Igreja e poder político, entre ordem da alma e ordem da sociedade.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 13 de outubro de 2021.</em></em></em></p>
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		<title>A Graça e as Virtudes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 17:06:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Catecismo]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§1803 – 2051 do Catecismo da Igreja Católica. Na aula passada iniciamos a terceira parte do Catecismo, que trata da Vida em Cristo, a vida moral (comportamental) do cristão. Foi apresentado qual o fundamento da liberdade humana – a existência [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. <em>§§1803 – 2051 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></em></p>



<p>Na aula passada iniciamos a terceira parte do Catecismo, que trata da Vida em Cristo, a vida moral (comportamental) do cristão. Foi apresentado qual o fundamento da liberdade humana – a existência da alma – e a capacidade humana única de conhecer aquilo que é bom e de viver de acordo com esse conhecimento.</p>



<p>Na aula de hoje veremos duas condições para que o homem possa obedecer a verdade conhecida. Sem elas, ele retornará inevitavelmente à condição de pecado que lhe é originária – depois da queda. Essas condições são as virtudes e a graça divina.</p>



<p>A participação do homem na natureza divina se revela de modo mais claro na ação da graça. Necessária para que o homem se converta – mude de caminho, abandone os próprios pecados –, persevere na nova vida e entre na vida eterna, permite que ele coopere com a obra redentora de Cristo por meio de suas ações.</p>



<p>Apesar de as virtudes serem conhecidas no mundo antigo, especialmente pelos filósofos gregos, apenas com a Encarnação do Verbo Divino receberam sua real posição na vida humana. Tão necessárias o quanto sejam, sem a graça elas facilmente perdem a força, pois o pecado cria vícios com mais eficácia do que a razão consegue direcionar a vontade para longe dos sentidos.</p>



<p>É nessa harmonia das virtudes com a graça que a vida cristã se estrutura.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><strong>O lugar das virtudes na vida humana</strong></strong></h2>



<p>O homem pode conhecer a Verdade pelo seu intelecto. Mas como pode viver de acordo com ela? A passagem da Verdade intelectual para a realidade prática não é fácil. A variedade de circunstâncias da vida humana impede qualquer aplicação direta e não ponderada da verdade intelectual às ações humanas.</p>



<p>Além disso, para que o homem seja bom, não é preciso apenas que ele aja bem uma vez, mas que o faça repetidamente e com constância. A multiplicidade e a perene mutabilidade da vida exigem algo mais do que o conhecimento intelectual da verdade. Esse algo são as virtudes.</p>



<p>A Igreja entende a virtude como &#8220;[&#8230;] uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, o procura e o escolhe na prática. &#8216;O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus&#8217;.&#8221; (§ 1803).</p>



<p>Sendo disposições habituais que encaminham o homem para o bem, é certo que elas também são necessárias para que conhecer o bem. Por isso as virtudes se dividem, tradicionalmente, em intelectuais e morais. As intelectuais são aquelas que dizem respeito à ordenação da alma para fins de conhecimento. As morais, para fins de prática, sendo, assim, também a ordenação do corpo.</p>



<p>Alguns pontos merecem maior atenção.</p>



<p><strong>1.&nbsp;</strong>As virtudes são disposições habituais e firmes que direcionam o homem ao bem. Por &#8220;disposições habituais e firmes&#8221; entendemos que não são apenas bons desejos, bons sentimentos, ou mesmo boas ações individuais. Para que se chame certa disposição de virtude, é preciso que ela esteja presente com constância na vida de uma pessoa.</p>



<p>&#8220;Habitual e firme&#8221; significa que, como uma segunda natureza que inclina com vigor o homem para certa direção, a virtude não é inconstante, mesmo que possa falhar pontualmente. Um exemplo pode ser útil.</p>



<p>Quando um jovem adulto aprende a dirigir, suas ações são, nos primeiros meses, fruto de algum esforço consciente de lembrar o que fazer e de calcular como fazer cada movimento. Depois de alguns anos, porém, dirige-se sem sequer pensar sobre como coordenar a ação do pé esquerdo, que regula a embreagem, e do pé direito, que freia ou acelera. Dirigir torna-se um hábito, uma prática tão consolidada que o corpo &#8220;naturalmente&#8221; realiza o que precisa ser feito.</p>



<p>Com as virtudes é do mesmo modo. Primeiro, é preciso muito estudo e meditação para se compreender o que é a justiça e como praticá-la em cada caso. Depois, porém, ser justo se torna um hábito. Claro, esse hábito não pode ser exercido com o mesmo grau de inconsciência do que o de dirigir. Mas torna-se mais fácil com o tempo.</p>



<p>O homem torna-se habitualmente inclinado para ser justo pelo esforço consciente e constante. Esse hábito dispõe com firmeza esse homem, a tal ponto que agir de outro modo lhe causará um mal-estar espiritual e físico. Isso é a virtude.</p>



<p><strong>2.&nbsp;</strong>São as virtudes que permitem à pessoa praticar atos bons e dar o melhor de si, e que com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, o procura e o escolhe na prática. Praticar atos bons é diferente de ser bom. Bom, conforme afirma o próprio Cristo, é apenas Deus. O homem pode, porém, agir bem, praticar atos bons. O problema é que sem as virtudes esses atos bons podem, na realidade, ser maus.</p>



<p>O problema da adequação das verdades conhecidas à ação concreta se manifesta aqui. Sem a prudência, que corrige o raciocínio prático, é possível que, querendo agir bem, o homem realize um mau, por falta de virtude. Ou que, por falta de justiça, pense que, por exemplo, é sempre justo dar causa aos mais pobres, como se eles sempre pleiteassem justamente.</p>



<p>Não apenas isso, mas é possível também que, por falta de fortaleza, uma pessoa nunca consiga verdadeiramente se esforçar para realizar suas obrigações o melhor que puder. E que, por falta de temperança, confunda sua vocação com aquilo que lhe dá mais prazer corporal.</p>



<p>Sem o estado de caráter que as virtudes permitem existir, as ações de um homem nunca poderão ser chamadas de qualitativamente boas.</p>



<p><strong>3.&nbsp;</strong>Como último ponto, temos que o objetivo último da vida virtuosa é tornar- se semelhante a Deus.</p>



<p>Do ponto de vista clássico, não há uma relação clara entre a divinização do homem e as virtudes, pois não há uma visão clara da divinização do homem. O homem virtuoso é chamado de&nbsp;<em>spoudaios</em>, homem maduro, por Aristóteles, e não de Santo ou de Participante na Natureza Divina.</p>



<p>Só com a Revelação que trouxe Cristo a dimensão divina da vida humana se revelou na sua totalidade, e só com ele a possibilidade da participação na natureza divina se tornou real. As virtudes, agora, não apenas são condições para o homem agir bem, mas para ser santo, para amar a Deus e participar da sua obra.</p>



<p>Essa participação, porém, não é possível sem a graça. E, a bem da verdade, nem mesmo um grau elevado de virtude pode ser mantido sem ela:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Não é fácil para o homem ferido pelo pecado manter o equilíbrio moral. O dom da salvação, trazido por Cristo, nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes. Cada um deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza, recorrer aos sacramentos, cooperar com o Espírito Santo, seguir seus apelos de amar o bem e evitar o mal.</p><cite>§1811</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel da graça</strong></h2>



<p>O equilíbrio moral, como chama o Catecismo, é o meio termo da virtude. É a vida vivida virtuosamente, ao contrário da vida vivida nos extremos do excesso ou da falta de virtude. Ele só pode ser mantido plenamente com o auxílio da graça.</p>



<p>Se é verdade que as virtudes são adquiridas pela &#8220;educação, por atos deliberados e por uma perseverança sempre renovada com esforço&#8221;, é verdade também que, por si só, elas não elevam o homem ao plano divino. É a graça que as purifica e eleva.</p>



<p>Esse movimento de elevação tem como efeito a manutenção do equilíbrio moral. Mas não pára aí. A graça abre para o homem três outras virtudes que não existem naturalmente – não enquanto virtudes. O amor, a fé e a esperança. Essas, que são chamadas as virtudes teologais,</p>



<p>Por meio delas que as virtudes humanas podem ser elevadas e participam da natureza divina. O papel da graça, portanto, é o de aperfeiçoar a natureza, levando-a a seu fim natural e a seu fim sobrenatural.</p>



<p>De modo particular as virtudes teologais estruturam a vida humana. A fé é o fundamento da vida cristã, que permite ao homem crer naquilo que não vê com seus olhos e o orienta para uma relação pessoal com Deus. A esperança sustenta o homem no seu desejo de felicidade orientado pelo conhecimento que traz a fé. E o amor é o vínculo entre o homem e Deus, por meio do qual aquele pode participar da vida íntima da trindade, unida pelo Espírito Santo, que é o amor.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A estrutura da vida humana e a estrutura da sociedade.</strong></h2>



<p>Definição de bem comum: §1906 &#8220;Por bem comum é preciso entender &#8216;o conjunto daquelas condições da vida social que permitem aos grupos e a cada um de seus membros atingirem mais completa e diligentemente a própria perfeição&#8217;.&#8221;</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 27 de setembro de 2021.</em></em></em></p>
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		<title>A moralidade dos Atos Humanos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 17:06:42 +0000</pubDate>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§1690 – 1802 do Catecismo da Igreja Católica. Na última aula terminamos a segunda parte do catecismo, que trata dos sete sacramentos. Vimos que eles são meios de graça, o que quer dizer que por meio deles Deus nos concede [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. <em>§§1690 – 1802 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></em></p>



<p>Na última aula terminamos a segunda parte do catecismo, que trata dos sete sacramentos. Vimos que eles são meios de graça, o que quer dizer que por meio deles Deus nos concede dons espirituais específicos para que vivamos cada aspecto da vida em harmonia com ele.</p>



<p>Mas o que significa viver em harmonia com Deus ou, como se diz, de acordo com Sua vontade? É disso que trata a terceira parte do catecismo, chamada A Vida em Cristo.</p>



<p>Os primeiros pontos exigidos são compreender o que significa agir moralmente, ser livre, medir o próprio comportamento pela consciência e, por último, como formar a própria consciência. Todos eles têm sua raiz em uma questão fundamental: a alma que existe em cada homem. É no problema da alma que a aula de hoje se centrará. Já havia falado disso na primeira aula do curso, mas o foco hoje será diferente.</p>



<p>Enquanto lá a alma foi vista como a parte do homem que o permite conhecer a Verdade, aqui iremos além. Conhecer a Verdade é um chamado a obedecê-la. É aqui que começa a investigação sobre o agir bem.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><strong>A existência da alma</strong></strong></h2>



<p>O exercício filosófico que funda a própria filosofia e a vida moral é o de descoberta da alma humana. É fácil aceitar que temos uma alma quando crescemos em uma cultura – e, ainda mais, em uma Igreja – que a todo momento nos lembra de que somos feitos de corpo e alma. O problema é que, se nos perguntarem o que isso significa, não saberemos apontar as realidades simbolizadas pelas palavras, a menos que tenhamos tido uma experiência pessoal com a existência da alma. E, para isso, de nada adianta repetirmos o Catecismo.</p>



<p>Essa experiência, que é pelo menos tão antiga quanto a filosofia, está descrita, também, na Encíclica do Papa Leão XIII&nbsp;<em>Libertas Praestantissimum&nbsp;</em>(Excelentíssima Liberdade).</p>



<p>O exercício é o seguinte: pensem em um animal qualquer. O que o motiva a agir? O que faz com que ele coma, beba, ande, pule, reproduza-se&nbsp;<em>et cetera</em>? O animal não delibera, não raciocina. Ele não decide fazer uma coisa ou outra depois de considerar as possibilidades. Ele age com base, fundamentalmente, em duas coisas: no seu instinto corporal e na sua memória.</p>



<p>Minha noiva tem duas cachorrinhas, e elas sabem que alguns objetos estão relacionados a certos benefícios que receberão. Toda vez que veem a própria coleira, correm para a porta da cozinha, de onde sempre saem para passear; quando veem alguém se dirigir com uma panela ou com um saco de pão para a mesa, sabem que terão a chance de comer alguma migalha; quando algum de nós se senta no sofá, correm para nossas pernas, pois sabem que receberão algum carinho.</p>



<p>O que é tudo isso? Elas lembram que receberão algum prazer corporal quando alguma dessas realidades aparece, e porque isso já se tornou corporalmente habitual, elas esperam que o passeio, a queda de uma migalha ou o carinho aconteça. Mas elas não decidem esperar. Elas se guiam pelo que é corporalmente prazeroso, não por uma decisão que segue uma deliberação.</p>



<p>Agora olhem para dentro de cada um de vocês. Percebam que, em nós, também existe uma parte que se guia pelo prazer corporal, pelos sentidos. Nós também temos hábitos, bons ou maus. Nós também buscamos aquilo que é agradável e rejeitamos aquilo que é desagradável.</p>



<p>Porém, isso não é tudo: percebam que, em nós, além desse instinto sensorial, existe uma outra coisa, mais sutil, porém inegável. Existe um outro princípio de ação, um princípio que nos permite escolher – em maior ou menor grau – entre seguir nossos instintos ou não. Ele existe em nós mesmo que não estejamos habituados corporalmente a deliberar longamente sobre nossos atos. Ele é uma parte constitutiva e inegável da nossa natureza.</p>



<p>Esse princípio, que no momento nós apenas percebemos que existe, é o que se chama de alma. Por causa dele, nós não agimos como os animais – não apenas. É ele que nos confere a característica fundamental do agir humano: a capacidade de escolha entre duas ou mais possibilidades de ação ou de omissão.</p>



<p>Em outras palavras, é a existência da alma que nos permite ter liberdade. Investigações mais profundas mostrariam que a alma não é feita da mesma substância do corpo, mas é espiritual. E que o intelecto e a vontade são partes da alma, que têm a capacidade de dominar sobre o nosso corpo, mudando até mesmo nossos hábitos mais enraizados e, em alguma medida e com muita dificuldade, nossas sensibilidades aos bens corpóreos do mundo.</p>



<p>Mas é suficiente para nossa investigação perceber o seguinte: a liberdade humana só pode ser conhecida enquanto realidade na medida em que percebemos em nós a existência de dois princípios de ação, o corporal e o espiritual, e na medida em que o espiritual domina ou pode dominar sobre o primeiro, permitindo, assim, que nós escolhamos agir ou não segundo nossos sentidos instintivos.</p>



<p>Vejam que, nisso tudo, não estou falando ainda de bondade ou maldade. Existem instintos bons e maus, assim como decisões boas ou más. O ponto aqui é que a liberdade é possível para nós, homens, pelo fato de termos uma alma espiritual, que pode não se guiar pelas seduções do mundo, e isso permite que possamos escolher como vamos agir, ao invés dos animais.</p>



<p>O ponto da maldade e da bondade das nossas escolhas decorre dessa experiência fundamental com a estrutura do ser humano e da própria realidade. Importa perceber que, como eu disse, a vontade é parte da alma, e não do corpo. Isso significa que, embora seja informada pelos sentidos – pois a alma mesma o é –, a vontade não se guia por eles necessariamente.</p>



<p>Ao contrário, conforme ensina a filosofia clássica e medieval, a vontade é guiada pelo bem conhecido pela razão. Por uma argumentação que, penso eu, não teremos tempo de investigar aqui, é possível compreender que a razão não pode conhecer o mal, pois ele não existe. Ela pode conhecer a ausência de bem, que sempre existe em algo que já é bom. E, desse modo, a vontade nunca poderá se dirigir para o que é mau por uma decisão racional.</p>



<p>Em outras palavras, a nossa capacidade de escolher as nossas ações é sempre uma capacidade para escolher o bem. Por isso se diz, tradicionalmente, que não existe liberdade para escolher o mal, pois, quem age mal, não age de acordo com a própria razão, logo age contra a própria liberdade, escolhendo ser escravo.</p>



<p>Esse é o conteúdo fundamental da liberdade humana. É isso que o Papa Leão XIII explica na encíclica que citei antes, em conformidade com toda a tradição filosófica antiga e medieval. Sabendo que a liberdade existe e que pode ser conhecida como um aspecto da realidade, podemos agora pensar o que significa viver de acordo com a vontade divina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A livre obediência</strong></h2>



<p>Percebam que, uma vez que cada um viu a existência da própria alma em si, não há mais como viver uma vida puramente corporal. Quem, depois de ter visto a Verdade, escolhe rejeitá-la, escolhe se aprisionar. Em outras palavras, &#8220;<em>Omnis qui audit verba mea haec, et non facit ea, similis erit viro stulto, qui aedificavit domum suam super arenam</em>&#8220;: todos que ouvem estas minhas palavras e não as obedecem, são como os homens insensatos que edificam suas casas sobre a areia (Mt. 7, 26).</p>



<p>Quem não serve às verdades conhecidas, age como o primeiro pecador, Satanás, que foi o primeiro a negar obediência à própria Verdade.</p>



<p>O problema fundamental do pensamento moderno – pois existe mais de um – é a recusa em reconhecer o que é verdadeiramente a liberdade humana, e que apenas se guiando pelo bem conhecido na razão o homem pode ser verdadeiramente livre. Esse bem, em última instância, é o próprio Deus, desde Platão e Aristóteles reconhecido com Sumo Bem, como Bem último e mais elevado.</p>



<p>Ora, sem o conhecimento do bem como guia da vontade e da ação, o que resta? Ou uma redução do homem aos seus instintos ou a relativização do bem, que pode agora ser considerado como tudo que o homem desejar. É isso que fizeram muitos pensadores modernos: reduziram o homem a um animal, ao lobo dos outros homens, como disse Hobbes.</p>



<p>A razão, que não serve mais para conhecer o Sumo Bem, serve apenas para planejar os muitos caminhos de buscar a realização dos desejos instintivos do homem. Se o homem tem uma razão meramente técnica, para onde vai sua liberdade? Se antes, como vimos, liberdade significava a capacidade de, apesar dos estímulos sensoriais, escolher o que é bom, agora liberdade não passa da possibilidade de buscar seus próprios desejos sem encontrar impedimentos externos: a capacidade de buscar aquilo que é agradável ao corpo.</p>



<p>Percebam que o sentido do termo foi completamente invertido. Agora ele significa o exato oposto do que antes. E percebam também como a experiência fundamental que antes servia para perceber a existência da alma e da liberdade desapareceu. Tudo que resta agora é a experiência sensorial – é nesse sentido que, desde então, toda a ciência e a filosofia têm usado o termo &#8220;experiência&#8221;.</p>



<p>A ação moral do homem se insere aqui, quando ele reconhece a capacidade que sua alma tem de conhecer aquilo que é a Bom, Justo, Belo e Verdadeiro e decide – pois é necessário decidir – se guiar por esse conhecimento tão bem quanto puder, moldando sua vida de acordo com o quanto conhece da Verdade.</p>



<p>É aqui que os primeiros princípios da Lei Natural podem ser conhecidos conscientemente e formulados em sentenças (processo chamado de&nbsp;<em>sinderese&nbsp;</em>por Santo Tomás de Aquino). O exemplo mais evidente é o de que é preciso &#8220;buscar o bem e evitar o mal&#8221;. Todo homem que reconhece em si a capacidade de conhecer a verdade atesta a veracidade dessa sentença.</p>



<p>Aqueles que não reconhecem em si esses princípios tomam, comumente, o &#8220;buscar o bem&#8221; por buscar o que é agradável ou prazeroso ao corpo, e o &#8220;evitar o mal&#8221; por evitar o que é desagradável – mas é bem possível que, dada a inversão completa que a perversão moral pode causar nos sentidos, que alguém tenha prazer na dor.</p>



<p>O ponto é que o conhecimento da alma e das suas faculdades é a única base sólida para uma moral que se fundamente no bem. E que, assim como é possível perverter- se, é possível elevar-se, educar-se e passar a agir de acordo com o bem. Isso se dá por um processo longo e árduo, e sem muitas chances de sucesso sem o auxílio da Graça divina, de formação da consciência.</p>



<p>Formar a consciência não significa apenas ter ciência da retidão ou imoralidade de certos atos, mas o processo intelectual de conhecer o que é bom para o homem e moral de agir de acordo com essas verdades, corrigindo os vícios pelo cultivo das virtudes opostas.</p>



<p>É daqui que continuaremos na próxima aula.</p>



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<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia <em>15 de setembro</em> de 2021.</em></em></em></p>
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		<title>Ordem Sagrada e Matrimônio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Sep 2021 18:53:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Ordem Sagrada e Matrimônio" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/09/Ordem-Sagrada-e-Matrimônio-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§1533 – 1690 do Catecismo da Igreja Católica. Na última aula vimos os dois sacramentos de cura, a penitência e a unção dos enfermos. Hoje veremos os dois sacramentos do Serviço da Comunhão, conforme chama o Catecismo: a Ordem e [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. <em>§§1533 – 1690 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></em></p>



<p>Na última aula vimos os dois sacramentos de cura, a penitência e a unção dos enfermos. Hoje veremos os dois sacramentos do Serviço da Comunhão, conforme chama o Catecismo: a Ordem e o Matrimônio. São, podemos dizer, os dois grandes caminhos vocacionais dentro da Igreja.</p>



<p>Com isso terminaremos a segunda parte do Catecismo e nosso estudo dos sacramentos. A partir da próxima aula estudaremos a vida moral Cristã.</p>



<p>Os dois sacramentos que veremos hoje são também dois modos de redenção e elevação de duas instituições que já existiam no mundo antigo, e que ainda existem rudimentarmente em outras culturas: o sacerdócio e o casamento.</p>



<p>Se antes existiam enquanto instituições políticas e sociais, que serviam para pôr ordem na vida social e preservar a existência da comunidade, com a Igreja passaram a, além disso, servir para fazer progredir o Reino de Deus na terra por meio da santificação dos homens. Servem agora para a salvação dos outros: são sacramentos de serviço (§1534).</p>



<p>Ambos os institutos foram elevados pela graça, e agora exercem um papel superior, atuando não apenas na ordem humana e social, mas também na ordem espiritual, na ordem divina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O sacramento da Ordem</strong></h2>



<p>O sacramento da Ordem é aquele que não apenas incorpora o indivíduo em um corpo específico da Igreja, o dos sacerdotes, mas que lhe confere um dom do Espírito Santo que lhe permite &#8220;exercer um poder sagrado (<em>sacra potestas</em>), que só pode vir do próprio Cristo, por meio de sua Igreja&#8221; (§1538).</p>



<p>Não é, portanto, apenas uma divisão social entre pastores e membros de uma igreja. A diferença não é apenas a formação e o trabalho exercido, que poderia muito bem ser realizado por qualquer pessoa disponível no momento. Não basta nem mesmo ter um bom conhecimento de filosofia e de teologia, ter uma autoridade natural, ser um bom orador, ser amoroso com o próximo e disposto a aconselhar.</p>



<p>Sem o sacramento da Ordem que transmite ao sacerdote o poder sagrado de Cristo, ninguém pode se chamar, legitimamente, um sacerdote. É útil que seja traçada a distinção entre um intelectual – ou mesmo um filósofo –, um pastor e um sacerdote– especialmente hoje, quando tantos leigos arrogam para si uma autoridade espiritual.</p>



<p>Um intelectual é aquele que deriva sua autoridade principalmente da parte da Verdade que conhece pelo seu intelecto e da transmissão dessa verdade àqueles que aprendem com ele. Claro que, em alguma medida, essa autoridade intelectual é autoridade espiritual, pois aquilo que conhece é importante para que a vida seja vivida corretamente.</p>



<p>Mas sua autoridade espiritual se limita à comunicação das verdades conhecidas. Ele nunca poderá prometer a boa vida, a salvação ou mesmo a iluminação aos que o ouvirem e aprenderem com ele. No máximo pode prometer que será sincero na busca e transmissão, e esse exemplo será mais valioso para os seus discípulos do que qualquer conteúdo transmitido.</p>



<p>Um pastor, no sentido protestante, é um pouco mais difícil de definir, pois podem ser tantos quantos forem as comunidades eclesiais. Mas arrisco dizer que o elemento comum é que ele deriva sua autoridade de duas formas principais: ou de uma liderança carismática, dadas suas características pessoais e sua autoridade natural, ou de uma liderança que se coloca como a pura e tanto quanto possível imaculada transmissão do texto sagrado, das Escrituras.</p>



<p>A liderança carismática é, podemos dizer, semelhante a uma liderança política nos nossos tempos democráticos. Importa que o pastor seja visto como imaculado – mesmo que se professe pecador – pelo seu público, e que seja capaz de infundir as emoções corretas no momento correto. Sua autoridade vem dessa capacidade.</p>



<p>Ela se apoia, é claro, na mensagem dos Evangelhos, mas não se perde na enfadonha tarefa de interpretar e compreender publicamente o que as Escrituras dizem. Seu bom uso do texto sacro para evocar impressões, sentimentos e levar à ação, parece- me, é o elemento principal.</p>



<p>Já a liderança, vamos dizer, escriturística, deriva sua autoridade da pretensão de transmitir a pura mensagem do Evangelho, sem deturpá-la com nada que esteja fora dela e que lhe seja estranha – que isso seja impossível é outra questão. O fato é que o que os membros dessa comunidade esperam não é um líder carismático – embora também exijam que não tenha pecados públicos –, ou um intelectual abrangente e profundo, ou mesmo alguém que prometa milagres.</p>



<p>Esperam unicamente alguém que conheça o texto sagrado e que prometa uma transmissão pura, sem muitas interpretações e sem recursos à conhecimentos alheios ao texto. Esperam um pastor que seja a &#8220;boca das Escrituras&#8221;. Seu papel é transmitir o texto, e só. Todas as outras funções são subsidiárias à essa e não mudam a &#8220;essência&#8221; da sua autoridade. É perfeitamente possível – e me parece ser a regra – que os pastores não sejam intelectuais. São, podemos dizer, operadores das Escrituras, assim como os advogados hoje são operadores da legislação.</p>



<p>Um sacerdote, porém, deriva sua autoridade de Cristo, por meio da Igreja. Sendo intelectual ou não; carismático ou não; grande expositor e intérprete das Escrituras ou não; o sacerdote continua sendo sacerdote, independente de &#8220;aprovação popular&#8221;. Continua tendo o poder sagrado de administrar os sacramentos, especialmente a Eucaristia.</p>



<p>A autoridade espiritual de um sacerdote, embora dependa em alguma medida das suas qualidades humanas, é divina. As graças especiais recebidas pelo sacerdote o configuram mais proximamente a Cristo (§§1585-1589), permitindo que represente a Ele melhor nas funções de sacerdote, profeta e rei.</p>



<p>Essa é a dignidade do sacerdócio, maior do que a de qualquer ofício humano. As funções sacerdotais são insubstituíveis, e não, na realidade, necessárias para a continuação do ministério de Cristo (§1536). Não existe e nunca existirá uma Igreja só de leigos.</p>



<p>Por causa da sua elevação em dignidade, quando um sacerdote abandona suas funções privativas para atuar como se fosse um leigo, ele pode até pensar que está fazendo um bem, mas na realidade está agindo mau e com injustiça. Do mesmo modo, um leigo que tome para si as funções privativas do sacerdote está prejudicando a própria Igreja.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O sagrado matrimônio</strong></h2>



<p>O matrimônio é uma instituição de direito natural. Isso quer dizer que ela decorre, fundamentalmente, da natureza humana, mesmo que sua forma concreta de existência possa variar dependendo da sociedade. Sendo um instituto de direito natural, é constitutivo para a vida em sociedade e é necessário para o aperfeiçoamento da vida humana, compreendido como o crescimento nas virtudes, como a submissão do corpo à alma e da alma ao Bem.</p>



<p>Porém, dado o pecado original, sua capacidade ordenadora ficou prejudicada, de tal modo que o que deveria servir para o aperfeiçoamento humano, muitas vezes serviu para degradar ainda mais a vida individual e em sociedade. A restauração do matrimônio se deu apenas com a Encarnação do Verbo e a fundação da Igreja.</p>



<p>Isso porque ele foi elevado de uma instituição natural a uma, também, divina. O instituto que decorria da natureza humana, necessário para a manutenção da vida humana, da sociedade e para o aperfeiçoamento dos indivíduos, agora se torna símbolo da união mística de Cristo com a Igreja.</p>



<p>Aquilo que Cristo promete para a Igreja, o matrimônio espiritual com ela, que vive se preparando como uma esposa para seu marido (Ap. 21,2), Ele realiza simbolicamente entre os esposos agora, a começar pelos seus próprios pais, a Santa Virgem Maria e São José.</p>



<p>A monogamia, a indissolubilidade, a fidelidade, a liberdade do ato e a fecundidade (corporal e espiritual) são características do matrimônio Cristão que não fazem sentido para aqueles que estão fora da Igreja. E não apenas porque exigem um grau elevado de virtude dos esposos.</p>



<p>É porque todos esses são aspectos da união de Cristo com a Igreja, que podem ser vividos aqui e agora – em grau inferior, certamente – pelos cristãos. Não sem motivo São Paulo explica o matrimônio analogamente à relação entre Cristo e a Igreja:</p>



<p>&#8220;Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres o sejam a seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da igreja e o salvador do Corpo. Como a Igreja está sujeita a Cristo, estejam as mulheres em tudo sujeitas aos maridos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>E vós, maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim também os maridos devem amar suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher ama-se a si mesmo, pois ninguém jamais quis mal à sua própria carne, antes alimenta-a e dela cuida, como também faz Cristo com a Igreja, porque somos membros do seu Corpo. <em>Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher, e serão ambos uma só carne</em>. É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e sua igreja. Em resumo, cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo e a mulher respeite o seu marido.&#8221;</p><cite><br><strong>Carta de São Paulo aos Efésios 5,21-33</strong></cite></blockquote>



<p>O que vivemos há algumas décadas, como o aumento no número de divórcios, a criação de institutos jurídicos análogos ao matrimônio, mas sem as mesmas exigências, a diminuição no número de casamentos e, para a Igreja, a quantidade massiva de casamentos nulos, é consequência do abandono da perspectiva católica, cristã, sobre o matrimônio.</p>



<p>Ele voltou a ser visto como uma instituição puramente humana – pior, virou puramente convencional, não tendo mais nem uma razão na natureza, nem um papel social ou no aperfeiçoamento humano. Escolhe um casamento quem pensa poder tirar dele algum prazer, e o abandona quem percebe que há muito mais prazer em outros modos de vida.</p>



<p>Esquecemos que nenhum matrimônio se sustenta sem um grande grau de virtude, e que mesmo assim ele pode falhar por causa dos nossos muitos pecados. Sem as virtudes e sem as graças que o sacramento concede, então, todo casamento está fadado ao fracasso.</p>



<p>E por fracasso não quero dizer apenas o divórcio, que é o fracasso visível. Quero dizer a degeneração dos esposos, mesmo que o vínculo do matrimônio não seja rompido socialmente. O aprofundamento nos pecados; a degradação moral; as disputas por poder ou por dinheiro; o abandono dos filhos.</p>



<p>Toda essa degradação que é consequência do esquecimento do fato de que o matrimônio, enquanto sacramento, é símbolo da união de Cristo com a Igreja, e por isso é santo e deve ser preservado. Sabendo disso, Deus concede graças específicas aos esposos que se casam validamente, a fim de que o matrimônio prospere. Mas poucos são os que sabem que é o casamento, logo poucos são os que se casam validamente, e poucos os que usufruem das graças divinas.</p>



<p>Os dois sacramentos que tratamos hoje são ordenados para o serviço do outro. O sacerdócio para a salvação de todos os fiéis; o matrimônio para a salvação dos cônjuges, dos filhos e de toda a sociedade. Ambos apresentam a redenção de Cristo em âmbitos diferentes.</p>



<p>O sacerdócio se mostra como a redenção que vem diretamente de Cristo para a sociedade; e o matrimônio a redenção que vem de Cristo no meio da própria sociedade. Ambas as vocações são indispensáveis, embora o celibato e o sacerdócio sejam mais elevados que o matrimônio. Sem elas, porém, a salvação ou não acontece ou fica extremamente prejudicada.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 11 de agosto de 2021.</em></em></em></p>
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		<title>A Penitência e a Unção dos Enfermos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 17:36:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Penitência e a Unção dos Enferemos" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/08/A-Penitencia-e-a-Uncao-dos-Enferemos-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§1420 – 1532 do Catecismo da Igreja Católica. Na última aula terminamos os sacramentos da iniciação cristã, aqueles que, como o nome indica, iniciam a pessoa na fé da Igreja. Vimos também como dentre eles está o principal sacramento, a [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. <em>§§1420 – 1532 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></em></p>



<p>Na última aula terminamos os sacramentos da iniciação cristã, aqueles que, como o nome indica, iniciam a pessoa na fé da Igreja. Vimos também como dentre eles está o principal sacramento, a sagrada Eucaristia, que é o cume da vida cristã, bem como a fonte de todos os bens da Igreja, pois é o próprio Cristo, em corpo e sangue, alma de divindade.</p>



<p>Hoje veremos os dois sacramentos de cura da Igreja – e não os dois do serviço da comunhão (ordem e matrimônio) como erroneamente indiquei na aula passada. Os sacramentos de cura, penitência e unção dos enfermos, só fazem sentido dentro da dinâmica própria da vida cristã.</p>



<p>Apenas pelo movimento diário de queda e conversão, próprio da vida cristã – e, de modo particular, da Igreja católica de das que não surgiram da reforma protestante –, é necessário que existam meios para realizar a conversão pós-batismo do homem.</p>



<p>Para alguém que crê, por exemplo, que a vida cristã se resume a um ato de fé inicial, que revela quem é ou não predestinado ao céu, e a uma vida de cumprimento de regras morais genéricas e medidas, sobretudo, pelo peso relativo que lhe atribuem a sua comunidade, não faz tanto sentido que se fale em sacramentos (meios de graça) que realizam a conversão da alma.</p>



<p>Isso é agravado, ainda, pela inexistência de um real exame de consciência nas comunidades eclesiais modernas não-unidas à Igreja. Sem ele, quem pode perceber os próprios pecados e a iniquidade estrutural da própria vida? Sem ele, aquele que se crê predestinado por até afirmar que é pecador, mas é provável que o faça apenas por dogma, não por ter uma visão clara e sempre presente dos próprios pecados.</p>



<p>Apenas quando a vida cristã é vista como um chamado constante à conversão e à redenção de cada pequeno aspecto da nossa vida, quando o exame de consciência se torna um hábito e quando temos, diante dos nossos olhos, os nossos pecados, é que faz sentido e se torna necessário que existam meios de graça para novamente nos purificar e nos encaminhar para a vida eterna, quando a morte aparece como uma realidade iminente. É disso que falaremos hoje, e de como a Igreja revela sua finalidade última no seu funcionamento: salvar as almas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sacramento-da-penit-ncia"><strong>O sacramento da penitência</strong></h2>



<p>Vimos que quando o homem é batizado todos os seus pecados são perdoados e que o pecado original é apagado. Depois do batismo, o único caminho que leva para a vida eterna, para a contemplação de Deus, pode ser percorrido de dois modos: olhando sempre para o alvo e nunca se distraindo com os prazeres e os desejos que convidam a alma para um falso deleite, ou distraindo-se mil-e-uma vezes, tropeçando a cada passo e demorando para subir mesmo o menor dos degraus – entretanto, sem desistir do caminho. Não falaremos aqui dos que desistem, pois, no momento, nosso foco é no caminho.</p>



<p>Ambos os modos podem levam a Deus. E conquanto o primeiro seja próprio dos santos, é verdade que nem todos viveram retamente desde o momento em que foram batizados. É sempre possível, portanto, passar do caminho distraído, no qual cada pequeno prazer parece um atrativo irresistível, para o caminho concentrado, no qual, como maratonista, o cristão não perde foco do seu objetivo.</p>



<p>Para nós que seguimos pelo caminho distraído surge o seguinte problema: como podemos nos levantar e voltar a caminhar depois de termos pecado? Afinal, sabemos que o pecado &#8220;é, antes de tudo, ofensa a Deus e ruptura da comunhão com ele.&#8221; (§1440).</p>



<p>À rigor, não é apenas de um pequeno tropeço que estamos falando. O pecado mortal é o próprio abandono do caminho, mesmo que momentâneo. Para nós é necessário que exista um modo de nos purificar e, novamente, entrarmos no caminho para a Vida. Mas se já fomos purificados integralmente, e se não podemos tomar outro batismo, o que pode ser feito?</p>



<p>É essa a razão de ser do sacramento da penitência, ou da confissão ou por qualquer outro nome que seja chamado (§§1423-1424).</p>



<p>Esse papel da Confissão se torna claro por meio do comentário que Santo Tomás compilou e organizou dos Evangelhos, a&nbsp;<em>Catena Aurea</em>, especificamente do capítulo 13 do Evangelho de São João, que diz o seguinte:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Evangelho Segundo São João 13, 1-11</strong><br><br>Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.</p><p>Durante a ceia, quando já o diabo pusera no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de entregá-lo, sabendo que o Pai tudo pusera em suas mãos e que ele viera de Deus e a Deus voltava, levanta-se da mesa, depõe o manto e, tomando uma toalha, cinge-se com ela. Depois põe água numa bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.</p><p>Chega, então, a Simão Pedro, que lhe diz: &#8220;Senhor, tu, lavar-me os pés?!&#8221; Respondeu-lhe Jesus: &#8220;O que faço, não compreendes agora, mas o compreenderás mais tarde&#8221;. Disse-lhe Pedro: &#8220;Jamais me lavarás os pés!&#8221; Jesus respondeu-lhe: &#8220;Se eu não te lavar, não terás parte comigo&#8221;. Simão Pedro lhe disse: &#8220;Senhor, não apenas meus pés, mas também as mãos e a cabeça&#8221;. Jesus lhe disse: &#8220;Quem se banhou não tem necessidade de se lavar, porque está inteiramente puro. Vós também estais puros, mas não todos&#8221;. Ele sabia, com efeito, quem o entregaria; por isso, disse: &#8220;Nem todos estais puros&#8221;.</p><p>AGOST. Limpos inteiramente, exceto nos pés. O todo do homem é lavado no batismo, sem exceção dos pés; mas vivendo depois no mundo, nós andamos sobre a terra. Essas afeições humanas, então, sem as quais não podemos viver nesse mundo, são, como se fossem, nossos pés, que nos conectam às coisas humanas, de tal modo que se dissermos que não temos pecado enganamos a nós mesmos (1 Jo. 1,8). Mas se confessarmos os nossos pecados, Ele que lavou os pés dos discípulos, perdoará nossos pecados até à baixeza de nossos pés, nos quais guardamos nossa conversa com a terra.</p><p>ORÍGE. Era impossível que as partes mais baixas e as extremidades da alma escapassem da profanação, mesmo em alguém tão perfeito quanto pode ser o homem; e muitos, mesmo depois do batismo, estão cobertos até suas cabeças com a sujeita da perversão, mas os discípulos reais de Cristo precisam apenas lavar seus pés.</p><p>AGOST. Do que é dito aqui, entendemos que Pedro já era batizado, de fato, que Ele batizou por Seus discípulos, mostra que eles devem ter sido batizados ou com o batismo de João ou, o que é mais provável, com o de Cristo. Ele batizou por meio dos servos batizados; pois Ele não recusou o ministério do batismo, já que teve a humildade de lavar os pés.</p><p>AGOST. E você está limpo, mas não todos: o que isso quer dizer o Evangelista explica imediatamente: pois Ele sabia quem os trairia; portanto Ele disse, vocês não estão todos limpos.</p><p>ORÍGE. vocês estão limpos refere-se aos onze, mas não a todos, à Judas. Ele estava sujo, primeiro, porque não se preocupava com os pobres, sendo ladrão; em segundo lugar, porque o diabo havia colocado no seu coração o trair a Cristo. Lava os seus pés depois de estarem limpos, mostrando que a graça vai além da necessidade, de acordo com o texto que diz: Ele que é santo, que seja ainda santo.</p><p>AGOST. Ou, os discípulos, quando lavados, precisavam apenas lavar seus pés, pois enquanto o homem vive nesse mundo, ele de mistura com a terra por meio das suas afeições humanas, que são como que seus pés.</p><p>CRISÓST. Ou, então: Quando Ele os chama limpos, não deve se supor que eles estavam livres do pecado antes que a vítima fosse oferecida. Ele quer dizer limpeza a respeito do conhecimento, pois eles estavam, agora, livres do erro do Judaísmo.</p><cite>Tradução feita com base na versão inglesa da obra: THOMAS AQUINAS.&nbsp;<strong>Catena Aurea in Ioannem Gospel of Saint John.&nbsp;</strong>Trans. Saint John Henry Newman, except Proemium and bracketed portions by Joseph Kenny, O.P. Disponível em: &lt; https://isidore.co/aquinas/english/CAJohn.htm#13&gt;.</cite></blockquote>



<p>Os comentários, como é perceptível, tentam compreender os diversos aspectos do texto. Não são, porém, contraditórios, senão complementares. O ponto específico que quero enfatizar aqui é a visão de que o lava-pés limpa a parte mais baixa da alma, ou perdoa nossos pecados, se os confessarmos, depois de termos nos batizado.</p>



<p>A metáfora do caminho é propícia, pois é certo que, ao caminharmos para a Vida, andamos em um chão terreno, e nos sujamos ao longo do caminho – mais ou menos, dependendo dos pecados cometidos e das paixões alimentadas. Portanto, é tendo nossos pés lavados por Cristo, por meio dos sacerdotes a quem Ele ordenou que nos lavassem, ficamos limpos dos pecados cometidos pós-batismo e podemos continuar o caminho.</p>



<p>Isso apresenta outro aspecto da vida humana, que a metáfora inicial obscureceu: mesmo aqueles que não caem no caminho precisam se lavar, não apenas por causa dos próprios pecados, mas para que sejam ainda mais santos do que já são.</p>



<p>O sacramento da confissão, portanto, não é apenas para reabilitar os viciados e pecadores, mas para santificar ainda mais os que já gozam de algum grau de santidade. Por isso quem o praticar será feliz, como diz Cristo em seguida.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><span style="font-size: inherit;">Depois que lhes lavou os pés, retomou o manto, voltou à mesa e lhes disse: &#8220;Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais do Mestre e o Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos diz, também vós o façais.</span></p><p>Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que quem o enviou. Se compreenderdes isso e o praticardes, felizes sereis.&#8221;</p><cite><strong>Evangelho Segundo São João 13, 12-17</strong></cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-un-o-dos-enfermos"><strong>A unção dos enfermos</strong></h2>



<p>E quando os males que nos afetam não são espirituais? E quando a corrupção do andar na terra e da própria decadência que o pecado original trouxe debilitam o corpo, encaminhando-o à morte corporal?</p>



<p>Conquanto a morte seja um fim inevitável, ela pode ser uma oportunidade para que a graça atue tanto na alma quanto no corpo; que a morte também seja redimida. Esse é o objetivo do sacramento da Unção dos Enfermos. Pode, é claro, operar a cura do corpo, mas isso não é necessário para que ele tenha efeitos.</p>



<p>O principal é uma &#8220;graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias do estado de enfermidade grave ou da fragilidade da velhice&#8221; (§1520). O principal inimigo do homem que padece não é a morte, mas o desânimo e a angústia, que fazer com que a fé e a confiança em Deus sejam obscurecidas. É esse inimigo que o sacramento pretende combater. Esse e os pecados, que são perdoados por meio dele.</p>



<p>É, também, um sacramento que limpa os pés do viajante ou do peregrino nesta terra desolada, que se contamina com a sujeita e precisa de purificação para que chegue à vida. A morte, portanto, que do ponto de vista da natureza animal que há no homem é o último inimigo, se torna apenas mais uma realidade a ser redimida.</p>



<p>Essa redenção é, como vimos, realizada em primeiro lugar pelo próprio Cristo na sua própria morte. O sacramento da Unção dos Enfermos permite que nós participemos da redenção que Ele operou, que nos unamos à paixão de Cristo, redimindo também a nossa morte – ou melhor, cooperando com a graça para que Ele redima nossa morte.</p>



<p>&#8220;O sofrimento, sequela do pecado original, recebe novo sentido: torna-se participação na obra salvífica de Jesus.&#8221; (§1521).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sistema-de-salva-o"><strong>O sistema de salvação</strong></h2>



<p>Esses dois sacramentos, chamados de cura, apresentam uma face da Igreja e da ação divina na história que nem sempre é percebida: toda ação divina e eclesial tem o sentido de, dispondo de meios humano-divinos, salvar as almas e redimir o mundo. Toda, sem exceção.</p>



<p>Nem sempre é a Igreja que age quando os sacerdotes e bispos agem – às vezes suas ações, boas ou más, são unicamente deles. Mas, quando agem sacramentalmente, utilizando-se dos poderes que Cristo os conferiu, é a Igreja que age por meio deles, e por meio dela o próprio Cristo.</p>



<p>Quando age assim, dispõe de todos os seus instrumentos para que essa obra de redenção e santificação seja realizada. Na realidade, cada pequeno aspecto da vida da Igreja está ultimamente ordenado a esse fim, de tal modo que, desde o começo até o fim da vida católica, temos à nossa disposição o auxílio espiritual – e às vezes material – para nossa redenção.</p>



<p>Os sacramentos são os aspectos mais notáveis dessa verdadeira economia da graça. Mas não são os únicos. Pelo poder das chaves, o Papa e os bispos têm a possibilidade de ligar e desligar a terra e o céu, e isso, longe de ser uma metáfora, é uma realidade que se manifesta nas indulgências.</p>



<p>Dentre as características e os detalhes delas, quero ressaltar o seguinte: seu fundamento é a elevação de atos ordinários de piedade à categoria de atos redentores. E para que? Para que a vida cristã, desde os seus aspectos mais comuns até os mais elevados, seja toda direcionada para a salvação e para o amor a Deus.</p>



<p>É nesse sentido que podemos dizer que tudo na Igreja tem como fim a salvação das almas, pois de fato é tudo.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 11 de agosto de 2021.</em></em></em></p>
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		<title>A Eucaristia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2021 01:24:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§1322 – 1419 do Catecismo da Igreja Católica. O terceiro sacramento que faz parte da iniciação da vida Cristã. Terceiro em ordem de exposição (e, dependendo da época e do lugar, em ordem de recepção), mas primeiro em ordem de [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. §§1322 – 1419</em></em></em> <em><em><em>do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></p>



<p>O terceiro sacramento que faz parte da iniciação da vida Cristã. Terceiro em ordem de exposição (e, dependendo da época e do lugar, em ordem de recepção), mas primeiro em ordem de importância: a Eucaristia, fonte e ápice da vida eclesial.</p>



<p>O papel central da Eucaristia é uma marca da Igreja desde o princípio. Os primeiros documentos eclesiásticos, a começar pelo Novo Testamento, e, também a Didaqué, as primeiras obras da Patrística, demonstram essa centralidade. Claro, como toda doutrina da Igreja, ela se desenvolveu, encontrando seu ápice na formulação do IV Concílio de Latrão (1215), que definiu a transubstanciação. A partir daí, a Eucaristia passou a ser &#8220;explicada&#8221; em termos de forma e substância.</p>



<p>Quero focar nisso hoje: na compreensão, e nos seus limites, da Eucaristia. E, também, no que a Eucaristia significa para a Igreja, como ela revela a sua natureza e garante sua veracidade</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-breve-not-cia-da-eucaristia-na-igreja">Breve notícia da Eucaristia na Igreja</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quando chegou a hora, ele se pôs à mesa com seus apóstolos e disse-lhes: &#8220;Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer; pois eu vos digo que já não a comerei até que ela se cumpra no Reino de Deus&#8221;. Então, tomando uma taça, deu graças e disse: Tomai isto e reparti entre vós; pois eu vos digo que doravante não beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus&#8221;. E tomou um pão, deu graças, partiu e deu-o a eles, dizendo: &#8220;Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória&#8221;. E, depois de comer, fez o mesmo com a taça, dizendo: &#8220;Essa taça é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós.&#8221;</p><cite>Evangelho Segundo São Lucas 22, 14-20</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Disseram-lhe, então: &#8220;Que faremos para trabalhar nas obras de Deus?&#8221; Respondeu-lhes Jesus: &#8220;A obra de Deus é que creiais naquele que ele enviou&#8221;. Então lhe perguntaram: &#8220;Que sinal realizas, para que vejamos e creiamos em ti? Que obra fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes o pão do céu a comer&#8221;.</p><p>Respondeu-lhes Jesus:</p><p>&#8220;Em verdade, em verdade, vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do véu; porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo&#8221;.</p><p>Disseram-lhe: &#8220;Senhor, dá-nos sempre deste pão!&#8221; Jesus lhes disse:</p><p>&#8220;Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede. Eu, porém, vos disse: vós me vedes, mas não credes. Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vem a mim eu não o rejeitarei, pois desci do céu não para fazer minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nada do que ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Sim, esta é a vontade de meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia&#8221;.</p><p>Os judeus murmuravam, então, contra ele, porque dissera: &#8220;Eu sou o pão descido do céu&#8221;. E diziam: &#8220;Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz agora: &#8216;Eu desci do céu&#8217;!&#8221; Jesus lhes respondeu:</p><p>Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair (helkein); e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai; só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade, vos digo: aquele que crê tem vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais no deserto comeram o maná e morreram. Este pão é o que desce do céu para que não pereça quem dele comer. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo&#8221;.</p><p>Os judeus discutiam entre si, dizendo: &#8220;Como esse homem pode dar-nos a sua carne a comer?&#8221; Então Jesus lhes respondeu:</p><p>&#8220;Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes seu sangue, não teres a vida em vós. Quem come minha carte e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Ele não é como o que os pais comeram e pereceram; quem come estão pão viverá eternamente&#8221;.</p><p>Assim falou ele, ensinando na sinagoga em Cafarnaum.</p><p>Muitos de seus discípulos, ouvindo-o, disseram: &#8220;Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?&#8221; Compreendendo que seus discípulos murmuravam por causa disso, Jesus lhes disse: &#8220;Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subir aonde estava antes?…</p><p>O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida.</p><p>Alguns de vós, porém, não creem&#8221;. Jesus sabia, com efeito, desde o princípio, quais os que não criam e quem era aquele que o entregaria. E dizia: &#8220;Por isso vos afirmei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.&#8221;</p><p>A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele.</p><p>Então, disse Jesus aos Doze: &#8220;Não quereis também vós partir?&#8221; Simão Pedro respondeu-lhe: &#8220;Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus&#8221;.</p><cite>Evangelho Segundo São João 6, 28-69</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Com efeito, eu mesmo recebi do Senhor o que vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: &#8220;Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim.&#8221; Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: &#8220;Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim.&#8221; Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis por que todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe para a própria condenação.</p><cite>1ª Carta de São Paulo aos Coríntios 11, 23-29</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Do mesmo modo como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu Reino, porque tua é a glória e o poder, por meio de Jesus Cristo, para sempre”. Ninguém coma nem beba da Eucaristia, se não tiver sido batizado em nome do Senhor, porque sobre isso o Senhor disse: “Não deem as coisas santas aos cães”</p><cite>Didaqué. A celebração eucarística, IX<br>AA. VV. Didaqué: O catecismo dos primeiros cristãos para as comunidades de hoje (Avulso). Paulus Editora. Edição do Kindle.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinamentos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou. De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. Foi isso que os Apóstolos nas memórias por eles escritas, que se chamam Evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse &#8220;Fazei isto em memória de mim, este é o meu corpo&#8221; (Lc 22, 19-20). E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: &#8220;Este é o meu sangue&#8221;, e só participou isso a eles.</p><cite>São Justino de Roma – I Apologia<br>São Justino de Roma. I Apologia. In: I e II Apologia. Diálogo com Trifão. São Paulo: Paulus, 1995, p. 82.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Ora, existe uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém se salva, e na qual o mesmo Jesus Cristo é sacerdote e sacrifício, cujo corpo e sangue são contidos verdadeiramente no sacramento do altar, sob as espécies do pão e do vinho, pois que, pelo poder divino, o pão é transubstanciado no corpo e o vinho no sangue; de modo que, para realizar plenamente o mistério da unidade, nós recebemos dele o que ele recebeu de nós. Este sacramento, não pode celebrá-lo absolutamente ninguém senão o sacerdote que tenha sido regularmente ordenado, segundo o poder das chaves da Igreja que o mesmo Jesus Cristo concedeu aos Apóstolos e aos seus sucessores.</p><cite>IV Concílio de Latrão (1215).<br>DENZINGER, H. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Paulinas/Loyola, 2007, p. 284.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Está o Corpo de Cristo neste sacramento em verdade, ou a modo de figura, ou como num sinal?</strong></p><p>QUANTO AO PRIMEIRO ARTIGO, ASSIM SE PROCEDE: parece que não está em verdade, mas só a modo de figura, ou como num sinal.</p><p>1. Com efeito, no Evangelho se relata: como o Senhor dissesse &#8220;se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue,&#8221; etc., &#8220;muitos dos seus discípulos começaram a dizer: &#8216;Esta palavra é dura!&#8221; E ele lhes replicou: &#8220;é o Espírito que vivifica, a carne para nada serve.&#8221; É como se ele dissesse, explica Agostinho: &#8220;Entendei espiritualmente minhas palavras. Não ireis comer este corpo que vedes, nem bebereis aquele sangue que derramarão os meus algozes. Confiei-vos um mistério. Se o entenderdes espiritualmente, ele vos vivificará, já que a carne não serve para nada&#8221;.</p><p>2. ALÉM DISSO, o Senhor disse: &#8220;Quanto a mim, eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos;&#8221; o que Agostinho explica assim: &#8220;Cristo está nos céus até o fim do mundo; e contudo o Senhor, que é a verdade, está conosco aqui na terra. Pois, o corpo com o qual ele ressuscitou deve estar num só lugar; mas sua verdade está espalhada por todas as partes.&#8221; Portanto, o corpo de Cristo não está neste sacramento em verdade, mas somente como num sinal.</p><p>3. ADEMAIS, nenhum corpo pode estar simultaneamente em vários lugares, já que isso é impossível até mesmo ao anjo, pois, pela mesma razão, ele poderia estar em todas as partes. Ora, o corpo de Cristo é verdadeiro corpo, e está no céu. Logo, ele não pode encontrar-se verdadeiramente no sacramento do altar, mas somente como num sinal.</p><p>4. ADEMAIS, os sacramentos da Igreja têm por finalidade a utilidade dos fiéis. Ora, segundo Gregório, o oficial é repreendido porque &#8220;procurava a presença corpórea de Cristo&#8221;, Os apóstolos também foram impedidos de receber o Espírito Santo, porque estavam presos à presença corporal de Cristo, assim Agostinho comenta o texto de· João: &#8220;se eu não partir, o Paráclito não virá a vós&#8221;. Logo, Cristo não está no sacramento do altar segundo uma presença corporal.</p><p>EM SENTIDO CONTRÁRIO, Hilário diz: &#8220;Não se pode pôr em dúvida a verdade da carne e do sangue de Cristo. De fato, pela declaração do próprio Senhor e por nossa fé, a sua carne é verdadeiramente comida e o seu sangue é verdadeiramente bebida.&#8221; E Ambrósio acrescenta: &#8220;Como o Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro Filho de Deus, assim também é sua verdadeira carne que comemos e seu verdadeiro sangue que é uma bebida.&#8221;</p><p>RESPONDO. Que o verdadeiro corpo e sangue de Cristo estejam no sacramento não se pode apreender pelo sentido, mas somente pela fé, que se apoia na autoridade divina. Por isso, o texto do Evangelho de Lucas &#8220;Isto é o meu corpo dado por vós&#8221; é comentado por Cirilo: &#8220;Não duvides que seja verdade, mas antes aceita as palavras do Salvador na fé: pois; sendo a verdade, não mente&#8221;:</p><p>1°: Isto está de acordo, primeiramente, com a perfeição da Nova Lei. Pois, os sacrifícios da antiga lei continham este verdadeiro sacrifício da paixão de Cristo, somente em figura, como se diz na Carta aos Hebreus: &#8220;Possuindo apenas o esboço dos bens futuros, e não a expressão mesma das realidades&#8221;. Por isso, foi necessário que o sacrifício da Nova Lei, instituído por Cristo, tivesse algo a mais, a saber que ele contivesse a Cristo na sua paixão, não somente no significado e na figura, mas também na verdade da realidade. E, por isso, este sacramento, que contém realmente o próprio Cristo, como diz 6 Dionísio, &#8220;é a perfeição de todos os outros sacramentos&#8221;, nos quais a força de Cristo é participada.</p><p>2º: Isto convém à caridade de Cristo, pela qual ele assumiu um verdadeiro corpo humano em vista de nossa salvação. E porque é muitíssimo próprio da amizade, segundo Aristóteles, conviver com os amigos, ele nos prometeu em recompensa a sua presença corporal, como está no Evangelho de Mateus: &#8220;Onde quer que esteja o cadáver, ali se reunirão os abutres&#8221;. Neste ínterim, porém, não nos privou de sua presença corporal nesta nossa peregrinação, mas pela verdade de seu corpo e sangue uniu-nos a si nesse sacramento. Ele mesmo diz: &#8220;Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele&#8221;. Por isso, este sacramento é o sinal da maior caridade e reconforto de nossa esperança por causa da união tão familiar de Cristo conosco.</p><p>3º: Isto convém à perfeição da fé, que se refere tanto à divindade de Jesus quanto a sua humanidade, como diz o Evangelho: &#8220;Vós credes em Deus, crede também em mim&#8221;. E porque a fé trata de realidades invisíveis, como Cristo nos manifesta invisivelmente a sua divindade, assim também neste sacramento nos manifesta a sua carne de modo invisível.</p><p>Não atinando com isto, alguns afirmaram que o corpo e sangue de Cristo não está nesse sacramento a não ser como em sinal. O que se deve rejeitar como herético, já que contrário às palavras de Cristo. Por isso, Berengário, iniciador desse erro, foi em seguida obrigado a abjurá-lo e confessar a verdadeira fé.</p><p>QUANTO AO 1º, portanto, deve-se dizer que ao entender mal as palavras de Agostinho, os hereges citados nelas encontraram ocasião de engano. Uma vez que, ao dizer &#8220;não comeis este corpo que vedes&#8221;, Agostinho não pretende excluir a verdade do corpo de Cristo, mas somente afirmar que os discípulos não o haveriam de comer sob a mesma forma em que o viam. Assim, quando acrescenta: &#8220;Recomendei-vos um mistério, que, se for entendido espiritualmente, vos vivificará&#8221;, não quer afirmar que o Corpo de Cristo esteja neste sacramento somente em uma significação mística, mas espiritualmente, isto é, invisivelmente e pela força do Espírito. Daí, prosseguir Agostinho, comentando o versículo de João, &#8220;a carne para nada serve&#8221;: &#8220;Sem dúvida, ela não serve para nada no modo que eles entenderam. Pois, entenderam que era preciso comer uma carne semelhante a que se arranca de um cadáver, ou se vende no açougueiro; não entenderam no modo como é vivificada pelo Espírito. Que o Espírito se ajunte à carne, então a carne servirá muito, pois se a carne não servisse para nada, o Verbo não se teria feito carne para habitar entre nós&#8221;.</p><p>QUANTO AO 2°, deve-se dizer que esta palavra de Agostinho e outras semelhantes devem ser entendidas a respeito do corpo de Cristo no que toca à sua aparência, o que aliás o mesmo Senhor disse: &#8220;A mim, porém, não me tereis sempre.&#8221; No entanto, ele se encontra de maneira invisível, sob as aparências deste sacramento, em todas as partes em que este se celebra.</p><p>QUANTO AO 3º, deve-se dizer que o corpo de Cristo não está no sacramento da mesma maneira como um corpo está no lugar, a ele comensurado em suas dimensões: mas segundo um modo especial, que é próprio desse sacramento. Por isso, dizemos que o corpo de Cristo está em diversos altares, não como em diversos lugares, mas como no sacramento. Por esta razão, não entendemos que Cristo esteja aí somente como no sinal, se bem que o sacramento pertença ao gênero do sinal. Más entendemos o corpo de Cristo estar aí, como já se disse, conforme o modo próprio desse sacramento.</p><p>QUANTO AO 4°, deve-se dizer que este argumento provém da presença do corpo de Cristo, à maneira de corpo, isto é, em sua aparência visível: não, 7 porém, de maneira espiritual, isto é invisível, conforme o modo e a força do Espírito. Por isso, Agostinho diz: &#8220;Se entendeste de maneira espiritual as palavras de Cristo a respeito de sua carne, elas te serão espírito e vida: se entendeste de maneira carnal, então elas continuam a ser espírito e vida, mas não para ti.&#8221;</p><cite>Santo Tomás de Aquino – Suma Teológica, IIIª parte, q. 75, art. 1º<br>SANTO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. Os Sacramentos, III parte, questões 60-90, v. IX. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2013, p. 268-271.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Cap. 1. A presença real de nosso Senhor Jesus Cristo no santíssimo sacramento da Eucaristia</strong></p><p>Em primeiro lugar, o santo Sínodo ensina e professa aberta e simplesmente que, no sublime sacra- mento da santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e homem, está contido ver- dadeira, real e substancialmente sob a aparência das coisas sensíveis. Pois não há contradição nisto, que o mesmo nosso Salvador esteja sempre sentado à direita do Pai nos céus, segundo o modo natural de existir, e que, não obstante, esteja para nós sacramentalmente presente em sua substância, em muitos outros lugares, segundo um modo de existência que, embora mal o possamos exprimir em palavras, podemos reconhecer pelo pensamento iluminado pela fé como possível para Deus [cf. Mt 19,26; Lc 18,27], e no qual devemos crer firmemente.</p><p>Assim todos os nossos antepassados que estavam na verdadeira Igreja de Cristo e que trataram deste santíssimo sacramento, professaram muito abertamente que nosso Redentor instituiu este tão admirável sacramento na última Ceia, quando, depois de abençoar o pão e o vinho, testemunhou, com palavras claras e precisas, que lhes estava dando seu próprio corpo e seu sangue. Já que estas palavras, referidas pelos santos Evangelistas [cf. Mt 26,26ss; Mc 14,22ss; Lc 22,19s] e repetidas depois pelo divino Paulo [1Cor 11,23s], comportam aquela significação própria e claríssima segundo a qual os Padres as entenderam, é sem dúvida a mais indigna das vergonhas que, por alguns homens contenciosos e perversos, sejam distorcidas, contra o sentir uni- versal da Igreja, até figuras de estilo fictícias e imaginárias, nas quais se nega a verdade da carne e do sangue de Cristo. Como coluna e fundamento da verdade [1Tm 3,15], repudia como satânicas essas invencionices lucubradas por homens ímpios, reconhecendo com espírito sempre grato e fiel este insigne benefício de Cristo.</p><p><strong>Cap. 4. A transubstanciação</strong></p><p>Ora, porque Cristo, nosso redentor, disse que aquilo que oferecia sob a espécie do pão [cf. Mt 26,26-29; Lc 22,19s; 1 Co 11,24-26] era verdadeiramente seu corpo, existiu sempre na Igreja de Deus a persuasão que este santo Concílio novamente declara: pela consagração do pão e do vinho realiza-se uma mudança de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância de seu sangue. Esta mudança foi denominada, convenientemente e com propriedade, pela santa Igreja católica, transubstanciação [cân. 2].</p><p><strong>Cânones sobre o santíssimo sacramento da Eucaristia</strong></p><p>Cân. 1. Se alguém negar que, no sacramento da santíssima Eucaristia, está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e o sangue, juntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, o Cristo inteiro, mas disser que só estão como que em sinal ou em figura ou na eficácia: seja anátema [cf. *1636; 1640].</p><p>Cân. 2. Se alguém disser que, no sacrossanto sacramento da Eucaristia, permanece a substância do pão e do vinho juntamente com o corpo e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e negar aquela admirável e singular mudança de toda a substância do pão no corpo e de toda a substância do vinho no sangue, permanecendo só as espécies de pão e vinho – mudança que a Igreja católica chama com muita propriedade transubstanciação –: seja anátema [cf. *1642].</p><p>Cân. 3. Se alguém negar que, no venerável sacramento da Eucaristia, depois da separação , está contido o Cristo inteiro sob cada espécie e sob cada parte de cada espécie: seja anátema [cf. *1641].</p><p>Cân. 4. Se alguém disser que, depois da consagração, o corpo e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo não estão no admirável sacramento da Eucaristia, mas somente no uso, enquanto são recebidos, porém não antes nem depois, e que o ver- dadeiro corpo do Senhor não permanece nas hóstias ou partículas consagradas que se guardam ou sobram depois da comunhão: seja anátema [cf. *1639].</p><p>Cân. 5. Se alguém disser ou que o fruto principal da santíssima Eucaristia é a remissão dos pecados ou que dela não provêm outros efeitos: seja anátema [cf. *1638].</p><p>Cân. 6. Se alguém disser que não se deve, no santo sacramento da Eucaristia, adorar com culto de adoração, também exterior, a Cristo, Filho unigênito de Deus, e que, portanto, não deve ser venerado numa solenidade especial, nem levado solene- mente em procissões segundo o rito e uso louvável e universal da Santa Igreja, nem deve ser exposto ao povo publicamente para ser adorado, e que seus adoradores são idólatras: seja anátema [cf. *1643].</p><p>Cân. 7. Se alguém disser que não é lícito conservar a sagrada Eucaristia no sacrário, mas que deve ser necessariamente distribuída aos presentes imediatamente depois da consagração; ou que não é lícito levá-la com honra aos enfermos: seja anátema [cf. *1645]</p><p>Cân. 8. Se alguém disser que Cristo apresentado na Eucaristia só é manducado espiritualmente e não também sacramental e realmente: seja anátema [cf. *1648].</p><p>Cân. 9. Se alguém negar que todos e cada um dos fiéis cristãos, de ambos os sexos, tendo chegado aos anos de discrição, são obrigados a comungar todos os anos, ao menos na Páscoa, segundo o preceito da santa mãe Igreja: seja anátema [cf. *812]. </p><p>Cân. 10. Se alguém disser que não é lícito ao sacerdote celebrante dar-se a comunhão a si mesmo: seja anátema [cf. *1648]. </p><p>Cân. 11. Se alguém disser que a fé, só, é preparação suficiente para receber o sacramento da santíssima Eucaristia [cf. *1646]: seja anátema.</p><p>E, para que tão grande sacramento não seja recebido indignamente e, portanto, para morte e conde- nação, o santo Sínodo determina e declara que, quem tem a consciência agravada por pecado mortal, por mais contrito que se julgue, necessariamente deve antes se confessar, havendo suficiente número de confessores. Porém, se alguém ousar ensinar, pregar ou afirmar pertinazmente o contrário, ou também defendê-lo em disputa pública, seja ipso facto excomungado [cf. *1647].</p><cite>Concílio de Trento (13ª sessão, 1551)<br>DENZINGER, H. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Paulinas/Loyola, 2007, p. 419-426</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-os-limites-na-compreens-o-da-eucaristia">Sobre os limites na compreensão da Eucaristia</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O corpo de Cristo neste sacramento pode ser visto por algum olho, ao menos glorificado?</p><p>QUANTO AO SÉTIMO, ASSIM SE PROCEDE: parece que o corpo de Cristo pode neste sacramento ser visto por algum olho, ao menos glorificado. </p><p>1. Com efeito, os nossos olhos estão impedidos de ver o corpo de Cristo neste sacramento por causa das espécies sacramentais que o encobrem. Ora, os olhos glorificados não podem em nada ser impedidos de ver os corpos tais quais são. Logo, os olhos glorificados podem ver o corpo de Cristo como ele está neste sacramento. </p><p>2. ALÉM DISSO, os corpos gloriosos dos santos &#8220;tornam-se semelhantes ao corpo glorioso de Cristo&#8221; como está em Filipenses. Ora, os olhos de Cristo veem a si mesmo tal qual está neste sacramento. Logo, pela mesma razão, quaisquer olhos glorificados podem vê-lo. </p><p>3. ADEMAIS, diz o Evangelho de Lucas que os santos na ressurreição serão &#8220;iguais aos anjos&#8221;. Ora, os anjos veem o corpo de Cristo tal qual está neste sacramento. Até mesmo os demônios demonstram reverência e temem diante deste sacramento. Logo, pela mesma razão, os olhos glorificados podem vê-lo tal qual está neste sacramento. </p><p>EM SENTIDO CONTRÁRIO, urna mesma coisa não pode ser ao mesmo tempo vista por um mesmo observador sob diversas figuras. Ora, os olhos glorificados estão sempre a ver a Cristo na sua própria figura, como diz o profeta: &#8220;Teus olhos contemplarão o rei na sua beleza&#8221;. Portanto, parece que eles não veem a Cristo como está sob a espécie deste sacramento. </p><p>RESPONDO. Há dois tipos de olhos: os do corpo, os olhos no sentido próprio, e os da inteligência, entendidos de maneira metafórica. Ninguém pode ver o corpo de Cristo com os olhos corporais tal qual está no sacramento. Antes de tudo, porque o corpo se faz visível modificando o meio pelos seus acidentes. Ora, os acidentes do corpo de Cristo estão neste sacramento por meio da substância, de tal maneira que eles não têm nenhuma relação imediata com este sacramento nem com os corpos que o circundam. Por isso, não podem modificar o meio de maneira que pudessem ser vistos por algum olho corporal.</p><p>Em seguida, o corpo de Cristo está neste sacramento a modo de substância. A substância, por sua vez, enquanto tal, não é visível aos olhos do corpo, nem é atingível por algum sentido nem pela imaginação, mas somente pela inteligência, cujo objeto é a &#8220;essência das coisas&#8221;, como ensina Aristóteles. Portanto, falando com propriedade de termos, o corpo de Cristo, segundo a maneira de existir neste sacramento, não é perceptível nem pelos sentidos, nem pela imaginação, mas somente pelo intelecto, chamada de olho espiritual.</p><p>Ele é percebido de modo diferente conforme os diversos tipos de intelectos. Porque a maneira de existir de Cristo neste sacramento é profundamente sobrenatural, torna-se nela mesma visível ao intelecto sobrenatural, isto é, divino e consequentemente ao intelecto bem-aventurado dos anjos e dos seres humanos que, participando da claridade do intelecto divino, veem as realidades sobrenaturais na visão da essência divina. O intelecto do homem nesta terra não pode vê-la a não ser na fé, como aliás as outras realidades sobrenaturais. Nem mesmo o intelecto dos anjos, segundo sua potência natural, é capaz de intuir essa presença. Os demônios, por sua vez, não podem ver a Cristo neste sacramento pelo intelecto a não ser pela fé, a que, aliás, eles não aderem pela vontade, mas simplesmente são convencidos pela evidência dos sinais, como diz a Carta de Tiago: &#8220;Os demônios também creem e tremem.&#8221; </p><p>QUANTO AO 1°, portanto, deve-se dizer que os nossos olhos do corpo não conseguem ver pelas espécies sacramentais o corpo de Cristo que existe sob elas, pois elas não somente o encobrem, assim como não conseguimos ver o que está escondido debaixo de qualquer véu corporal, mas também porque o corpo de Cristo está em relação com o meio que circunda este sacramento, não mediante os próprios acidentes, mas mediante as espécies sacramentais. </p><p>QUANTO AO 2º, deve-se dizer que os olhos corporais de Cristo veem a si mesmo existindo neste sacramento. Contudo não podem ver o seu próprio modo de existir neste sacramento, porque tal pertence ao intelecto. Não se pode falar da mesma maneira dos outros olhos glorificados. Pois os olhos de Cristo estão sob este sacramento, enquanto os outros olhos glorificados não se lhes assemelham neste ponto. </p><p>QUANTO AO 3º, deve-se dizer que o anjo bom ou mau nada pode ver com os olhos corporais, mas somente com os olhos da inteligência. Por isso, não vale o argumento</p><cite>Santo Tomás de Aquino – Suma Teológica, IIIª parte, q. 76, art. 1º<br>SANTO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. Os Sacramentos, III parte, questões 60-90, v. IX. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2013, p. 303-304.</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-eucaristia-como-sinal-da-verdadeira-igreja-ou-do-que-h-de-verdadeiro-mesmo-nas-comunidades-separadas">Sobre a Eucaristia como sinal da verdadeira Igreja (ou do que há de verdadeiro mesmo nas comunidades separadas)</h2>



<p>Entendido que a Eucaristia é central para a Igreja desde sua fundação, e que ela é uma verdade inteligível apenas pela fé – mas sustentada por sólidas razões uma vez que a verdade foi aceita –, podemos agora entrar no último tópico da aula: como a Eucaristia é sinal da verdadeira Igreja.</p>



<p>Existem muitos modos pelos quais Cristo se faz presente na Igreja. Desde o modo mais simples, quando dois ou três se reúnem em seu nome (Mt 18,20) ou quando ele se identifica com os pobres, doentes e necessitados, até modo mais complexos, quando age por meio dos Sacramentos. Dentre os sacramentos, sua presença se revela como mais perfeita na Sagrada Eucaristia, pois nela ele está presente em corpo e sangue, alma e divindade. Dentre todos, é o único modo pelo qual Cristo está inteiramente presente na Igreja (§§ 1373-1374).</p>



<p>Sendo assim, não é de se admirar que a Eucaristia seja um sinal da verdadeira Igreja, e um dos sinais principais, pois ela indica onde Cristo está completamente. Todo Cristão, é certo, quer estar com Cristo. Esse é o fim do homem, afinal, e foi para isso que Ele se encarnou. Portanto, importava também que deixasse sinais da sua presença na Igreja verdadeira, para que todos pudessem reconhecê-la. Como, porém, saber em que Igreja está a Eucaristia?</p>



<p>Primeiro, é necessário observar quais são as condições para que a Eucaristia exista. Quem poderia realizar o milagre da transubstanciação? É certo que apenas Deus. O milagre, afinal, é um sacrifício oferecido por Cristo ao próprio Deus pai, no qual ele é tanto o sacerdote quanto a oferenda. Ele oferece-se a si mesmo em sacrifício para vencer a morte e redimir os homens.</p>



<p>Portanto, ninguém além de Cristo pode realizar esse milagre – ninguém além dele e aqueles a quem ele conferiu esse poder. Esses não são outros senão os Apóstolos, os 12 que estavam no Cenáculo, que receberam a ordem e o poder de repetir o milagre feito por Cristo – aos quais, depois, se acrescentou São Matias e São Paulo.</p>



<p>O sacramento da Ordem, portanto, é uma condição para a manutenção da Eucaristia na Igreja. Sem sucessão apostólica, não haveria Eucaristia hoje. É, portanto, por esses dois fatores – a sucessão apostólica e a Eucaristia – que reconhecemos qual a Igreja verdadeira. </p>



<p>Alguém poderia, nesse momento, perguntar: então as Igrejas orientais que não estão em comunhão são tão verdadeiras quanto a Católica e as que estão em comunhão (§1399)? É aqui que o último fator de reconhecimento se manifesta: o poder divino e humano do sucessor legítimo de São Pedro, líder dos Apóstolos e Bispo de Roma. </p>



<p>Se é verdade, como diz o Catecismo, que a sucessão não foi rompida para essas Igrejas orientais separadas, é verdade também que elas estão separadas por discordarem do ensino da Igreja e não se submeterem ao poder do Papa. A Eucaristia, que é sinal de unidade da Igreja – e que também realiza essa unidade –, indica que apenas aquela Igreja unida no tempo e na história, ainda submetida ao poder instituído por Cristo sobre São Pedro e seguindo a mesma doutrina revelada por Ele, pode ser a verdadeira. </p>



<p>Antes de tudo, portanto, o fato de ela existir nessas Igrejas orientais é um sinal para que a união delas conosco seja alcançada – o que já tem sido feito.</p>



<p>Portanto, é pela Eucaristia, pela sucessão apostólica e pela obediência ao Papa que reconhecemos a verdadeira Igreja, assim como os discípulos de Emaús, que reconheceram a Cristo quando ele celebrou a Eucaristia.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 14 de julho de 2021.</em></em></p>
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		<title>A Liturgia e os Sacramentos em Geral: Batismo e Confirmação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jul 2021 14:11:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§1066 – 1321 do Catecismo da Igreja Católica. Terminamos a primeira parte do Catecismo na aula passada. Vimos, de maneira sumária, o conteúdo da nossa fé, o conteúdo do Credo Apostólico. Ter estudado a fé da Igreja foi a primeira [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading" id="h-ouca-esta-aula">Ouca esta aula:</h5>



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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em><em><em>2. §§1066 – 1321 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></em></p>



<p>Terminamos a primeira parte do Catecismo na aula passada. Vimos, de maneira sumária, o conteúdo da nossa fé, o conteúdo do Credo Apostólico. Ter estudado a fé da Igreja foi a primeira etapa desse curso. Mas conhecer o conteúdo da Revelação é apenas uma parte do que significa ser cristão. Se quisermos tomar esse nome verdadeiramente, precisamos viver a fé, não apenas memorizá-la.</p>



<p>Por isso, o Catecismo continua expondo a prática da fé cristã. Primeiro pela liturgia e pelos sacramentos, depois pela vida moral e, por último, pela oração.</p>



<p>Nos debruçaremos, agora, sobre a liturgia e sobre os sacramentos. Ela é o culto mais excelente a Deus, reunindo em si todos os aspectos que, na vida cristã, existem separadamente. Eles são os meios pelos quais a graça de Deus ordinariamente chega até nós. Entraremos, portanto, na primeira dimensão da vida prática do cristão: a vida na Igreja.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-liturgia-1066-1209"><strong><strong><strong><strong>A Liturgia (§§ 1066-1209)</strong></strong></strong></strong></h2>



<p>Se o sentido da vida humana é conhecer e amar a Deus, importa que o conhecimento e o amor possam ser expressos na vida humana, em corpo e em alma. O conhecimento, nessa vida, se manifesta em parte na Revelação (escrita e não escrita) e em parte na própria realidade criada, que traz em si traços da natureza divina e através dos quais o homem pode, pela sua razão, ascender intelectualmente até Deus.</p>



<p>E o amor? O amor se manifesta, sobretudo, nas ações humanas. E, dentre todos, o maior ato é o culto a Deus. Porém, como podemos adorar a Deus corretamente se nossos pecados nos impedem de chegar a Ele? Sem a redenção, a adoração apropriada não é possível. Apenas o homem que for justo pode adorar a Deus.</p>



<p>Por isso que a liturgia, antes de ser um culto nosso a Deus, é uma obra divina da Santíssima Trindade, da qual nós podemos participar, cada um a seu modo, uma vez que estamos unidos a Cristo. Eis a unidade entre os temas da liturgia e dos sacramentos: para bem adorarmos a Deus, precisamos ser incorporados à Igreja, precisamente o que fazem os sacramentos.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-1-o-que-a-liturgia"><strong>1.1 O que é a liturgia?</strong></h3>



<p>A liturgia é a obra do povo cristão que é participação da obra divina, que inclui tanto o culto divino quanto o anúncio do Evangelho, as ações de caridade para com o próximo e a oração. Não sem motivo, a celebração da missa é o ápice da vida Cristã: nela os quatro aspectos da liturgia (obra humana unida à obra divina) estão presentes e se encontram elevados a sua perfeição (§§1069, 1070, 1074).</p>



<p>Sobre obra humana que participa da obra divina, é certo que ela é, em sentido estrito, obra de Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Ele é quem realiza a liturgia, exercendo, nesse ato, suas funções de sacerdote, profeta e rei. Portanto, quando a missa é celebrada, quando o Evangelho é anunciado, os pobres bem cuidados e a intercessão comum realizada, é Cristo que age, nós apenas participamos da sua ação (§1070).</p>



<p>O Catecismo entra em maiores detalhes sobre como cada pessoa da Santíssima Trindade opera na liturgia: Deus-Pai abençoando os homens, Deus-Filho operando a redenção e Deus-Espírito Santo preparando a Igreja, recordando e manifestando a fé e tornando presente e atualizando o sacrifício de Cristo. Aqui nos debruçaremos especificamente sobre a ação de Cristo.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-2-a-santa-missa"><strong>1.2 A Santa Missa</strong></h3>



<p>Na missa. nós sabemos, Cristo se faz presente em corpo e sangue, alma e divindade. Isso acontece no momento da celebração do sacrifício de Cristo. Mas como isso é possível? Afinal, não aconteceu o sacrifício de Cristo apenas uma vez? Não seria a missa uma recriação desse sacrifício, crucificando a Cristo mais uma vez? Ou, por outro lado, não seria ela uma grande mentira, considerando o sacrifício aconteceu apenas uma vez, e agora apenas pode ser lembrado simbolicamente?</p>



<p>As correntes protestantes se dividem sobre esse assunto – como em quase tudo. Mesmo em sua divisão, todas rejeitam, parcial ou completamente, a visão da Igreja.</p>



<p>Para nós, o sacrifício aconteceu apenas uma vez, e não pode ser repetido. Porém, como Cristo não é apenas temporal, mas também eterno – pois é tanto homem quanto Deus – seus atos não são puramente temporais, mas também eternos. Isso quer dizer que suas ações, mesmo que tenham sido feitas no tempo, não se restringem a ele.</p>



<p>Essa eternidade – entendida como existência fora do tempo – das ações de Cristo é o que permite, por exemplo, que a redenção alcance retroativamente os justos do Antigo Testamento, que já na sua era foram redimidos pela graça de Deus, mediante a fé no Redentor. É o que permite, também, que nós, hoje, sejamos redimidos.</p>



<p>Se os atos de Cristo se restringissem ao seu tempo de vida terrena, apenas aqueles que o conheceram poderiam ser salvos, e a pregação do Evangelho não seria nada mais do que um relato histórico, sem qualquer eficácia redentora atual. Seria apenas o relato de uma grande obra feita por um grande homem, e nada mais.</p>



<p>Assim também com a santa missa. Ela não é um novo sacrifício de Cristo, pois ele não está sendo novamente crucificado no tempo. O que acontece é a atualização do único sacrifício, que é eterno pois Cristo é eterno. Atualizar, portanto, é mais do que meramente lembrar de fatos passados: é tornar presente o único sacrifício, tornando presentes também os seus efeitos.</p>



<p>Essa é a obra que homem algum pode realizar. Apenas Cristo pode. E Ele assim faz por meio dos sacerdotes, ordenados pelos Bispos descendentes dos Apóstolos. Apóstolos que receberam de Cristo o poder de realizar, agindo por Ele, a atualização do sacrifício para benefício da Igreja.</p>



<p>A santa missa, portanto, como sumo exemplo da liturgia, demonstra o que significa – em sua última extensão – a ação humana participante da ação divina. Todos os sacramentos, porém, revelam essa dimensão em seus âmbitos de ação específicos. A eles nos dedicaremos a partir daqui.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-2-o-batismo-1210-1284"><strong>2. O Batismo (§§ 1210-1284)</strong></h2>



<p>Para que nossas ações possam estar unidas às ações divinas, é necessário que participemos na natureza divina por meio da incorporação na Igreja, corpo de Cristo. Essa incorporação acontece com o Batismo.</p>



<p>Todo homem precisa de um pai e de uma mãe para nascer. Quando nasce, é incorporado à sociedade, também chamada analogicamente de corpo social. O nascimento físico e o nascimento social se dão ao mesmo tempo, mesmo que a sociedade a que estamos nos referindo seja unicamente a família.</p>



<p>Uma vez que se nasce, não é possível voltar para a não-existência. Embora a morte traga em si paralelos com o nascimento, ela não significa – não verdadeiramente – deixar de existir, e sim deixar de existir corporalmente (e, para nós, Cristãos, apenas por um tempo). Quem nasce, portanto, não pode deixar de ter nascido.</p>



<p>Com o batismo isso também acontece, mas em um plano puramente espiritual – pelo menos até o final dos tempos e a ressurreição dos corpos. O batismo é chamado, com justiça, de novo nascimento. Confrontado com essa realidade misteriosa, o fariseu Nicodemos perguntou a Cristo:&nbsp;<em>&#8220;Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?&#8221;&nbsp;</em>(Jo 3, 3).</p>



<p>A tarefa que é impossível ao homem, é possível a Deus. Tendo criado o homem, pode também renová-lo, redimindo-o, fazendo com que nasça de novo de uma nova mãe, como que voltando ao ventre.</p>



<p>Quem nasce de novo pelo batismo, também nasce de um pai e de uma mãe: o pai é Deus e a mãe é a Igreja. Quando nasce, se incorpora a um corpo social, que não é apenas social, mas também espiritual: a Igreja, corpo de Cristo. Os dois atos se dão ao mesmo tempo.</p>



<p>Quando nasce, também não pode voltar à não-existência. Sua alma está perpetuamente marcada pelo batismo, e essa marca, que o identifica como cristão, não pode ser apagada. Nem mesmo a morte separa o cristão de Deus, pois a marca do batismo não é corporal, é espiritual.</p>



<p>Assim como o batismo, todos os sacramentos guardam uma analogia com as fases naturais da vida humana. Não poderia ser de outro modo. O Deus que criou o homem, colocou nele sinais da obra de redenção que realizaria quando chegasse o tempo.</p>



<p>O mesmo problema de compreensão que apontei acima quanto à compreensão da santa missa ocorre com o batismo. Por alguns, é visto como uma realidade misteriosa que marca a alma do indivíduo e faz com que ele possa se chamar, legitimamente, cristão; por outros, como mero símbolo memorial, que relembra e professa a morte para o mundo e o novo nascimento para Cristo.</p>



<p>A Igreja o compreende do primeiro modo. É certo que é símbolo, mas é também, e em primeiro lugar, realidade. O batismo opera, desse modo, mudanças na alma e, por consequência, no corpo. Ele&nbsp;<strong>i.&nbsp;</strong>apaga o pecado Original (§ 977),&nbsp;<strong>ii.&nbsp;</strong>torna o homem capaz de crer em Deus e de esperar nele e de amá-lo por meio das virtudes teologais;&nbsp;<strong>iii.&nbsp;</strong>concede-lhe o poder de viver e agir sob a moção do Espírito Santo por seus dons; e&nbsp;<strong>iv.&nbsp;</strong>permiti-lhe crescer no bem pelas virtudes morais (§1266).</p>



<p>Incorporando o homem à Igreja, corpo de Cristo, o batismo realiza a nossa redenção, permitindo que, morrendo em graça, sejamos salvos. E, mais ainda, permitindo que vivamos como Cristo viveu.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-3-a-confirma-o-1285-1321"><strong>3. A Confirmação (§§ 1285-1321)</strong></h2>



<p>O sacramento da Confirmação ou do Crisma é o segundo dos sacramentos da Iniciação Cristã. O primeiro é o que já falamos, o Batismo, e o segundo é o de que falaremos na próxima aula, a Eucaristia. É o segundo sacramento por alguns motivos.</p>



<p>Primeiro, que ele se relaciona analogicamente ao momento de entrada na vida propriamente racional. O batismo, na Igreja Ocidental, é tradicionalmente realizado nos bebês recém-nascidos. Claro, muitos adultos o recebem, mas, uma vez que os cristãos já batizados têm filhos, esses também o serão o quanto antes. Dados seus efeitos espirituais e por ação divina, não é necessário que seja realizado apenas quando a pessoa puder escolher.</p>



<p>A confirmação, porém, é realizada (ordinariamente) quando a criança já entrou na idade da razão, em torno dos 7 anos (embora isso não seja absolutamente necessário). É quando sua faculdade racional atinge um estado de desenvolvimento que a tira da penumbra dos anos da infância propriamente dita. Existe, como aponta o Catecismo, um motivo administrativo por detrás da diferença entre a realização do sacramento no Ocidente e no Oriente. Mas nosso foco é compreender como o sacramento se relaciona com a participação na natureza divina.</p>



<p>O segundo motivo para ele ser o segundo sacramento da Iniciação é que, se o batismo revela a união do fiel com a Igreja local, na figura do sacerdote que o batiza, a confirmação revela a união com o seu pastor, com o Bispo, e, portanto, com a Igreja universal, Católica. Ele, portanto, confirma a fé que seus pais professaram no seu batismo, decidindo, de fato, ser católico.</p>



<p>Assim como o batismo, a confirmação não é mero símbolo. Ela imprime um caráter irremovível na alma e infunde a alma com os dons do Espírito Santo para que o cristão possa defender a fé e a Igreja com maior auxílio divino.</p>



<p>Os efeitos da Confirmação são:&nbsp;<strong>i.&nbsp;</strong>enraizar mais profundamente a filiação divina, que nos faz dizer &#8220;Abba, Pai&#8221; (Rm 8,15), e nos une mais solidamente a Cristo;&nbsp;<strong>ii.&nbsp;</strong>aumenta em nós os dons do Espírito Santo;&nbsp;<strong>iii.&nbsp;</strong>torna mais perfeita nossa vinculação com a Igreja; e&nbsp;<strong>iv.&nbsp;</strong>nos dá a força especial do Espírito Santo, para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br><em>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 14 de julho de 2021.</em></em></p>
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		<title>Comunhão dos Santos, Remissão dos Pecados, Ressurreição e Vida Eterna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jul 2021 02:47:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Catecismo]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§946 – 1065 do Catecismo da Igreja Católica. Na última aula, vimos o porquê a Igreja existe e qual a sua origem. Tendo sido desejada pelo Pai, sendo o Corpo de Cristo e sob a guia do Espírito Santo, Ela [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em>2. <em>§§946 – 1065 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></p>



<p>Na última aula, vimos o porquê a Igreja existe e qual a sua origem. Tendo sido desejada pelo Pai, sendo o Corpo de Cristo e sob a guia do Espírito Santo, Ela é tanto humana quanto divina, tanto instituição quanto realidade espiritual; Ela que permite, realizando a obra de Cristo, que os homens cheguem a Deus.</p>



<p>Hoje veremos um último aspecto da Igreja, já pincelado na aula passada, que é a comunhão de todos os santos que existe nela. Veremos também remissão dos pecados realizada por Cristo por meio da Igreja (tema que será detalhado ao falarmos dos sacramentos), a promessa de ressurreição da carne e de vida eterna. Com isso terminaremos a primeira parte do catecismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigo-9-na-comunh-o-dos-santos"><strong><strong><strong>Artigo 9º: &#8220;na comunhão dos santos&#8221;</strong></strong></strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>§1. Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada.&#8221; Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-Lo, a conhecê-Lo e a amá-Lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família, a Igreja. <strong>Faz isto por meio do Filho, que enviou como Redentor e Salvador, quando os tempos se cumpriram. N&#8217;Ele e por Ele, chama os homens a se tornarem, no Espírito Santo, seus filhos adotivos e, portanto, os herdeiros da sua vida bem-aventurada.</strong><br><br>§2. A fim de que este chamado ressoe pela terra inteira, Cristo enviou os Apóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho: &#8216;Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos&#8217; (Mt 28, 19-20). Fortalecidos com esta missão, os apóstolos &#8216;foram anunciar a Boa Nova por toda a parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam&#8217; (Mc 16, 20).<br><br>§3. Os que, com a ajuda de Deus, acolheram o chamado de Cristo e lhe responderam livremente foram, por sua vez, impulsionados pelo amor de Cristo a anunciar, por todas as partes do mundo, a Boa Notícia. Este tesouro recebido dos Apóstolos foi guardado fielmente por seus sucessores. Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração, anunciando a fé, a vivendo na partilha fraterna e a celebrando na liturgia e na oração.</p></blockquote>



<p>Se a Igreja é o Corpo de Cristo, se é humana e divina, isso quer dizer que ela não existe apenas na realidade temporal, pois Cristo não existe apenas nela. Existe, também, na eternidade. E, se ela é também a mediadora entre a temporalidade e a eternidade, existe no caminho que leva daquela para essa. Existe, portanto, no caminho terreno e espiritual que leva os homens à visão de Deus.</p>



<p>É desse modo que podemos compreender como a Igreja se divide em militante, padecente ou penitente e triunfante. Ela existe aqui, no caminho terreno, no purgatório, a parte exclusivamente espiritual do caminho, e na eternidade, o ponto de chegada. Como Cristo, Ela é Caminho de Verdade que leva à Vida.</p>



<p>A tripartição da Igreja, portanto, não é uma formulação arbitrária. Está intimamente ligada ao modo próprio de existência dela. E serve para revelar a unidade espiritual e institucional de todos os santos conosco, que ainda estamos trilhando o caminho terreno, e com as almas que estão no purgatório, aguardando para ver a Deus.</p>



<p>É essa união de todos os santos na Igreja que permite, por exemplo, que os Santos, que já estão junto de Deus, intercedam por nós. Lá, fazendo parte da Igreja, também cumprem o papel de Cristo, o papel de mediador – não por virtude própria. É o que permite, também, que nós rezemos aqui uns pelos outros e pelas almas do purgatório; que ofereçamos nossos atos em sacrifício uns pelos outros; que a missa seja celebrada pelos sacerdotes e que nós, tomando parte nela, participemos do sacrifício de Cristo.</p>



<p>A comunhão dos santos na Igreja revela o grau de participação na natureza divina que o homem pode atingir.</p>



<p>Mais do que todos, quem revela na sua própria vida o grau de comunhão que pode ser alcançado pela cooperação com graça nesta vida é Nossa Senhora. Nela a plenitude da vida se mostrou, tanto quanto possível, já no caminho terreno. Que peçamos a sua intercessão é consequência da realidade da comunhão dos santos, que a tem como maior dentre os homens, abaixo apenas de Deus, e principal caminho para Cristo. Mais uma vez, não por virtude própria, mas por participar sumamente da natureza divina.</p>



<p>Maria é, dada sua participação suma, seu lugar na revelação e sua vida, imagem da Igreja. Assim como ela deu vida a Cristo, a Igreja dá luz aos cristãos. As graças que lhe foram concedidas por Deus são garantias das graças que são e serão dadas a nós, caso escolhamos viver como Nossa Senhora.</p>



<p>Com isso terminamos o 9º artigo do Credo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigo-10-na-remiss-o-dos-pecados">Artigo 10: &#8220;na remissão dos pecados&#8221;</h2>



<p>O 10º artigo do Credo trata da remissão dos pecados. Esse ponto da fé será explicado em detalhes tanto na segunda parte do Catecismo, quando falarmos do Batismo e da Penitência, quanto na terceira parte, quando falarmos dos atos humanos, da vida moral.</p>



<p>Aqui quero ressaltar apenas um ponto: que a Igreja, e só a Igreja, recebeu de Deus o poder de perdoar os pecados. É o poder das chaves dado por Cristo a São Pedro e aos Apóstolos. Poder dado de maneira explícita e inconfundível.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Jesus, então, lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. 18. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.</p><cite>São Mateus, 16, 17-19</cite></blockquote>



<p>Esse poder, como dito na última aula, não se reduz à pregação do Evangelho, mas inclui o perdão dos pecados, a própria salvação, que é levada pela Igreja por meio dos sacramentos. Isso é fundamental. Doutro modo, aquilo que é próprio da Igreja se perde, pois qualquer um pode – correta ou incorretamente – pregar o Evangelho, como já acontecia na própria época de Cristo.</p>



<p>Ela, porém, é quem pode administrar os sacramentos de maneira ordinária, perdoando os pecados e ordenando todas as realidades humanas a Deus.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigo-11-na-ressurrei-o-da-carne">Artigo 11: &#8220;na ressurreição da carne&#8221;</h2>



<p>Por que o homem foi criado como uma alma encarnada, e não como pura alma ou como puro corpo? Não há uma resposta exata para isso. O fato é que fomos criados assim.</p>



<p>Se essa é a natureza humana, não podemos pensar que existe homem quando a alma está separada do corpo. As partes, uma sem a outra, não são um homem. É necessário que estejam unidas para que o homem exista. Quando Cristo se encarnou, como vimos, ele não apenas tomou a forma externa de homem.</p>



<p>Cristo não era Deus com aparência de homem, um espírito divino que preenchia um involucro de carne, ou um homem que foi grandemente iluminado por Deus. Cristo era tanto homem quanto Deus. Tinha, portanto, corpo e alma. Sua natureza humana não era incompleta. Por isso, quando ressuscitou, dotou de vida e glorificou o próprio corpo – e assim sabemos por causa de São Tomé.</p>



<p>Com essa visão que a Igreja afirma que a ressurreição na carne é uma realidade de fé. Cristo, tendo ressuscitado, tornou-se o primeiro dentre os mortos, no sentido de que foi o primeiro que, tendo morrido, ressuscitou para um corpo glorioso. Foi o único que venceu a morte, a última inimiga do homem.</p>



<p>Sendo o homem constituído de corpo e alma, a promessa de salvação não poderia ser apenas espiritual. Para que a natureza humana seja redimida, é necessário que o seja completamente. A morte e ressurreição de Cristo, que realizam essa redenção, demonstram o que acontecerá a todos os homens que perseverarem até o fim (§992).</p>



<p>A ressurreição, porém, não é apenas uma consequência racional depreendida de certos fatos. Ela foi revelada por Cristo explicitamente e já era conhecida de algum modo na antiguidade. Revelada, como dito, na sua própria vida, mas também pelo que disse e fez: Cristo declarou explicitamente no sermão de João 6 que quem crer nele, comer e beber sua carne e seu sangue, ressuscitará no último dia (§994) e ressuscitou alguns mortos na sua vida, como o filho morto à porta da cidade e seu amigo Lázaro. A crença na ressurreição, portanto, é constitutiva da fé Cristã (§991).</p>



<p>Mas não apenas para a salvação a ressurreição foi revelada. Os que viveram desprezando Cristo também ressuscitarão, mas para a condenação. Portanto, o que essa verdade da fé revela é que a morte é uma inimiga relativa da vida humana. Ela é, de fato, uma consolidação daquilo que o homem escolheu.</p>



<p>Na medida em que fecha ao homem a possibilidade de mudar seu destino, abre a ele aquilo que sempre buscou. Quem sempre buscou os próprios prazeres, desprezando a Deus, viverá a eternidade longe de Deus, no estado de sofrimento que é característico da vida longe do próprio Ser. Quem viveu buscando a Deus, o encontrará. Portanto, cada um receberá aquilo que sempre buscou. De certo modo, podemos dizer que cada homem, ao escolher cooperar ou não com a graça, escolheu seu próprio destino.</p>



<p>Viver para morrer, morrer para viver: esse é um dos aparentes paradoxos da fé cristã.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigo-12-na-vida-eterna">Artigo 12: &#8220;na vida eterna&#8221;</h2>



<p>A vida eterna é a promessa de encontrar a Deus face a face.</p>



<p>O sentido da vida humana é amar e conhecer a Deus. A história da salvação, ou a história sagrada, é o relato de como o homem perdeu a graça e de como Deus agiu para preparar a humanidade para a vinda do redentor, para redimir e para propagar essa redenção até os confins da terra e até o final dos tempos.</p>



<p>A história sagrada é a história da queda e da redenção. De como a graça de Deus, a cada momento, elevou a natureza humana até que, com a Santa Virgem, em menor medida, e com Cristo, ela chegou a seu estado de perfeição. Perfeição que, desde então, é prometida a todos os que escolherem cooperar com a graça, morrer para si e para o mundo e viver para Cristo.</p>



<p>Quem assim viver, pode confiar que Deus manterá sua palavra e dará ao homem a perfeição. Corpo e alma sem a mácula do pecado. A completa atualização de todas as potências e faculdades humanas. Comunhão inabalável com todos os homens e, ainda, comunhão e participação perfeitas com e no próprio Deus.</p>



<p>O 12º artigo do Credo nos informa que essa visão é objeto de fé. Que não é mero desejo humano, mas é revelação. Que o homem realmente verá a Deus na eternidade. O tema da vida eterna e das últimas coisas é o que se chama de Escatologia. É o estudo do <em>eschaton</em>, do último.</p>



<p>O purgatório, o inferno, o juízo particular, o juízo universal, a beatitude e a Nova Jerusalém são os tópicos principais desse campo da teologia. O próprio catecismo não entra em grandes detalhes sobre eles. Nós, aqui, também não entraremos, infelizmente.</p>



<p>Importa, porém, saber que cada uma dessas realidades foi revelada. Todas estão prefiguradas de algum modo na vida humana, mas elas não se reduzem a analogias. São realidades conhecidas pela revelação e que, uma vez aceitas, informam nossa vida.</p>



<p>O que veremos nas próximas aulas depende dessas verdades. Os sacramentos, a vida moral e a oração são realidades que se ordenam à salvação da alma no último dia.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 30 de junho de 2021</em>.</p>
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		<title>Creio na Igreja Católica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Cronje]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jun 2021 18:24:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curso de Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
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<p>Ouca esta aula: Fontes primárias 1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;2. §§748 – 945 do Catecismo da Igreja Católica. Na aula passada falei dos últimos mistérios da vida e obra de Cristo e também do Espírito Santo. Hoje, como dito, falarei do mistério da Igreja, da fé na Igreja. A abordagem [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading" id="h-ouca-esta-aula">Ouca esta aula:</h5>



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<p><strong><em>Fontes primárias</em></strong></p>



<p><em>1. Textos de títulos idênticos no site do Opus Dei;</em><br><em>2. <em>§§748 – 945 do Catecismo da Igreja Católica.</em></em></p>



<p>Na aula passada falei dos últimos mistérios da vida e obra de Cristo e também do Espírito Santo. Hoje, como dito, falarei do mistério da Igreja, da fé na Igreja.</p>



<p>A abordagem que tenho dado à doutrina Católica ressalta o mistério da Participação. Escolhi dar ênfase a essa realidade por dois motivos principais: primeiro, ela é central para compreender a Igreja e a sua relação com Deus, bem como a relação Dele com todas as coisas, e, segundo, ela é o fundamento mesmo da vida Cristã, de tal modo que, não sendo compreendida, gera graves distorções no modo como a moral, os Sacramentos e a oração são compreendidos.</p>



<p>Digo isso hoje, pois a Participação na natureza divina será o eixo da explicação do mistério da Igreja hoje e, à luz do que for dito hoje, das outras três partes do Catecismo, que começaremos nas próximas semanas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigo-9o-na-santa-igreja-cat-lica"><strong><strong><strong>Artigo 9o: &#8220;na Santa Igreja Católica&#8221;</strong></strong></strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>§1. Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada.&#8221; Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-Lo, a conhecê-Lo e a amá-Lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família, a Igreja. <strong>Faz isto por meio do Filho, que enviou como Redentor e Salvador, quando os tempos se cumpriram. N&#8217;Ele e por Ele, chama os homens a se tornarem, no Espírito Santo, seus filhos adotivos e, portanto, os herdeiros da sua vida bem-aventurada.</strong></p></blockquote>



<p>A Igreja não é uma realidade meramente humana. É, também, divina. Sendo o Corpo de Cristo, tem as duas naturezas de Cristo, humana e divina. Isso quer dizer que, </p>



<p>ao mesmo tempo em que é uma instituição humana, que existe no tempo e na história, é uma instituição divina, existindo também fora do tempo e da história. Exemplo dessa realidade é que os Santos, que já estão junto de Deus, também fazem parte da Igreja – a parte chamada de Triunfante –, mesmo não estando mais submetidos à mudança e à corrupção.</p>



<p>A Igreja também é divina em outro sentido, lidado intimamente ao primeiro e principal, mas que pode ser distinguido: ela é guiada pelo Espírito Santo, enviado por Cristo no dia de Pentecostes. Ele é quem dota a Igreja de Santidade; é nela que Ele floresce (§749),</p>



<p>Portanto, ao falarmos de fé na Igreja, estamos antes falando da fé em Deus e age por meio da Igreja, tanto por tê-la constituído com as mesmas naturezas de Cristo – de certo modo –, quanto por guiá-la e dirigi-la por meio do Espírito Santo. Não existe fé na Igreja que não seja fé em Deus, pois ela só existe e age por causa Dele (§750).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-por-que-a-igreja-existe"><strong>Por que a Igreja existe?</strong></h3>



<p>Sendo a Igreja essa realidade tão elevada, que traz consigo as duas naturezas de Cristo, que é guiada pelo Espírito Santo e é instrumento divino, seu propósito deve ser igualmente elevado. Por que, então, existe a Igreja?</p>



<p>Falei de como, por causa do pecado, o homem caiu da graça, bem como que, para redimir os homens, a Segunda Pessoa da Trindade se encarnou e reordenou todos os aspectos da vida humana com sua vida e obra, vencendo, em última instância, a morte, tanto corporal quanto espiritual, e abrindo as portas do Céu para a humanidade.</p>



<p>Porém, como a mensagem dessa salvação – e, também, a própria salvação –, chegaria aos homens? Cristo, depois de ressuscitar, subiu aos Céus. Como sua obra poderia se realizar se Ele não estivesse aqui?</p>



<p>Para esse fim que instituiu a Igreja sobre os Apóstolos, liderados por São Pedro: cumprir sua missão aqui. Missão elevadíssima, que exige não apenas a mão humana, mas também a &#8220;mão divina&#8221;.</p>



<p>Aqui uma digressão se impõe. Se a missão da Igreja fosse apenas pregar o Evangelho, ou seja, publicar oralmente e por escrito aquilo que disse Cristo, alguma medida de ação divina já seria necessária.</p>



<p>Afinal, a mensagem do Evangelho, mesmo se publicada corretamente, já causa certo incômodo na sociedade, mesmo que unicamente pelo fato de quebrar o mito </p>



<p>da sacralidade do corpo político ao afirmar a existência de uma outra ordem social – de muitos modos invisível – dentro da ordem política e que, por ser mais elevada, cria outras responsabilidades para os homens, a ponto que eles passam a oferecer, pela sua própria existência, um risco sensível à ordem social.</p>



<p>Esse risco, muitas vezes materializado no assassinato ou na exclusão e expulsão, exige alguma medida de graça para ser aceito. Nenhum homem &#8220;são&#8221; – por uma visão puramente materialista ou política – aceitaria corrê-lo. A menos que, pela graça, veja mais do que os olhos carnais permitem, esse risco é intolerável.</p>



<p>Por isso, mesmo que a mensagem do Evangelho pudesse ser levada para todos os cantos da terra unicamente por indivíduos, seria necessário que a Igreja fosse guiada pelo Espírito Santo e que, desse modo e nessa medida, fosse tanto humana quanto divina.</p>



<p>Entretanto, como a missão da Igreja vai além da mera publicação do Evangelho, incluindo também a difusão da graça divina por meios específicos (os Sacramentos); Ela não apenas mostra aos homens outro modo de levar suas vidas com base em uma segunda ordem, espiritual e santa, mas confere os meios necessários para que essa vida seja vivida.</p>



<p>E, mais, esses meios elevam essa vida sobremaneira, a tal ponto que ela não pode ser considerada como apenas &#8220;mais um modo de viver&#8221;. Em primeiro lugar, a vida cristã não anula ou despreza a vida humana em um sentido estrito. Seu objetivo é, antes de tudo, conduzir essa vida ordinária à vida divina, de tal modo que ambas convivam em um mesmo indivíduo; que a vida ordinária participe da vida divina, não perdendo aquilo que lhe é próprio nem sendo apenas aquilo que é.</p>



<p>Em segundo lugar, ela não rejeita necessariamente todos os modos de viver. As diferenças de estamento – ou de classe social, como se diz hoje –, de povo, língua, sexo, nacionalidade, riqueza&nbsp;<em>et cetera&nbsp;</em>são todas diferenças acidentais para a vida Cristã, que pode iluminar e elevar todos os modos de vida – salvo aqueles que a negam por princípio.</p>



<p>Portanto, a vida Cristã não é &#8220;mais um modo de viver&#8221;. Ela é O modo de viver que ilumina e eleva todos os modos ordinários, sem destruí-los. Esse modo de viver elevado, Cristão, é o que se chama de Santidade na Igreja, e é esse o seu fim último: levar os homens a mais perfeita participação na natureza divina possível, a fim de que todas as coisas sejam, tanto quanto possível nessa vida, reinstauradas em Cristo.</p>



<p>Sem a &#8220;mão divina&#8221; agindo ativamente na Igreja, como essa missão elevadíssima pode ser realizada? Seria impossível. A graça de Deus, afinal, não pode ser </p>



<p>dispensada sem a ação dele. Se a Igreja pode ser instrumento de graça, não em sentido metafórico, mas realmente, é porque ela é divina também. Para cumprir sua missão, portanto, é necessário que a Igreja seja humana e divina, visível e invisível, institucional e espiritual, corporal e imaterial.</p>



<p>De outro modo, ela não poderia fazer papel de intermediadora entre Deus e os homens – papel que pode cumprir por ser o Corpo de Cristo –, nem poderia levar o Evangelho na sua correta interpretação para nenhum homem, o batismo para todos os que creem, os outros sacramentos para cada homem e mulher nos diversos momentos da sua vida, e a Participação na natureza divina para todos que fazem parte dela.</p>



<p>Desse modo é que a Igreja cumpre a missão de Cristo e leva a redenção – genuinamente – aos homens.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-a-origem-da-igreja"><strong>A origem da Igreja</strong></h3>



<p>Se a Igreja cumpre a missão de Cristo, assim como a vida e obra do Redentor, ela já era esperada e prefigurada no Antigo Testamento. A história da Igreja, para ser bem contada, exige o relato da sua antecipação e prefiguração desde a Criação.</p>



<p>Foi isso que fez Santo Agostinho na segunda parte da sua obra A Cidade de Deus, quando, em primeiro lugar, distinguiu os dois caminhos possíveis para o homem aqui na terra e, depois, detalhou as etapas do caminho Cristão:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Capítulo 28. Da Natureza das duas cidades, a terrena e a celeste.</p><p>Assim, as duas cidades são formadas por dois amores: a terrena pelo amor de si (amor sui), até o desprezo de Deus; a celeste pelo amor a Deus (amor Dei), até o desprezo de si. A primeira, em uma palavra, se gloria em si mesma; a última no Senhor. Uma busca a glória dos homens; mas a maior glória da outra é Deus, a testemunha da consciência. Uma eleva sua cabeça em sua própria glória; a outra diz ao seu Deus: ‘Tu és minha glória e O que eleva minha cabeça.’. Na primeira, os príncipes e as nações que ela subjuga são regidos pelo amor ao poder; na outra, os príncipes e os súditos servem uns aos outros em amor, os últimos obedecendo enquanto os primeiros pensam por todos. A primeira se alegra com a própria força, representada nas pessoas dos seus governantes; a segunda diz ao seu Deus: ‘Eu Te amarei, Ó Senhor, força minha.</p><cite>AGOSTINHO, Santo, Bispo de Hipona. <strong>The city of God</strong>. 31a Edition. Chicago, USA: Encyclopædia Britannica, Inc., 1952. (The Great Books of the Western World, v. 18), p. 397.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A genealogia ancestral da cidade de Deus, no que estima Agostinho, foi narrada explicitamente no Antigo Testamento: de um lado, a linha dos eleitos e abençoados é traçada de um descendente de Adão, Abel, por meio de Noé e seus filhos, Sem e Jafé, até os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, e daí por meio de Jó (um não-Hebreu) e Israel, a Moisés, Josué e Davi até a emergência do Messias, Jesus Cristo, e a Nova Dispensação. De outro lado, a linha da cidade dos homens traça sua ancestralidade de outro descendente de Adão, Caim, por meio do filho de Noé, Cam, e então por meio de Ismael, Esaú, os povos sem Deus que se opunham a Israel – os Canaanitas, Assírios, Babilônicos etc.</p><cite>KAINZ, Howard P. <strong>Democracy and the “Kingdom of God”</strong>. Wisconsin: Marquette University Press, 1993, p. 85.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A primeira se estende de Adão até o Dilúvio; a segunda de Noé até Abraão, e a terceira de Abraão até Davi, com Nimrod e Nimus como seus opostos perversos. A quarta se estende de Davi até o Exílio Babilônico, e a quinta daí até o nascimento de Jesus Cristo. A sexta e última época se estende da primeira até a segunda vinda de Cristo, no fim do mundo.</p><cite><strong>LÖWITH, Karl. <strong>Meaning in History</strong>. Chicago: The University of Chicago Press, 1949, p. 170-171.</strong></cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Os dois primeiros períodos têm dez gerações cada um; o terceiro, o quarto e o quinto têm catorze gerações cada, sendo a sexta idade indeterminada.</p><cite><strong>VOEGELIN, Eric. <strong>História das ideias políticas</strong>: Helenismo, Roma e Cristianismo Primitivo, vol. 01. São Paulo: É Realizações Editora, 2012, p. 275.</strong></cite></blockquote>



<p>A era da Igreja, em sentido estrito, é a sexta, a última da história, que será sucedida pelo fim de tudo, pelo descanso divino, pela eternidade. Sendo a sexta e última, torna-se evidente que é o cume de um longo processo histórico guiado por Deus; que a Igreja não é mais uma das realidades temporais; que tem primazia sobre elas, dada sua missão e suas naturezas; que ela foi e é desejada por Deus e que participa de modo eminente da sua vida, permitindo que nós, por estarmos nela, também participemos.</p>



<p>Ainda sobre a visão agostiniana da Igreja:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A concepção de Cristo como um com a Igreja é a chave para a correta compreensão da psicologia de Santo Agostinho frente a Igreja Católica (a<em>Catholica</em>, como ele a chamava), da qual ele era bispo. Era uma Igreja concebida na Encarnação e nascida da Redenção; animada pela vida divina de Cristo; continuação da Sua vida na terra, ou melhor, era uma com Ele. O Santo não poderia deixar de antever Cristo, Seu trabalho e Sua vida na Igreja. A Igreja como o Corpo de Cristo é trazida ao alto relevo na escolha pela sua concepção institucional; Cristo como a Cabeça é trazido ao foco a partir da concepção completa da Igreja como o Corpo. Pois é a Cabeça que confere sua vida e dignidade aos membros assumidos em união com ela. É a Cabeça que garante um valor inestimável à Igreja como um todo. A atenção em Cristo como a Cabeça não distrai nossa mente do teocentrismo nem menospreza a doutrina da união com Deus. Pois o Bispo Africano está sempre consciente, na sua doutrina, do Corpo Místico, da inseparabilidade da humanidade e da divindade de Cristo, ou, para usar sua própria fala, da ‘divindade humana e humanidade divina’ de Cristo. Na união de Cristo com Seus membros – na vida e santificação de Cristo, que se impregna pelo seu organismo espiritual – repousa a explicação do brilho da devoção, do zelo e do amor de Agostinho pela Igreja, brilho que raramente encontramos.</p><cite>GRABOWSKI, Stanislaus J. St. Augustine and the Doctrine of the Mystical Body of Christ. <strong>Theological Studies</strong>, vol. 7, no. 1, Feb. 1946, pp. 72–125, p. 103-104. Disponível em &lt;https://doi.org/10.1177/004056394600700103>. Acessado em 06 de maio de 2019.</cite></blockquote>



<p>Surge, então, a seguinte questão: como o homem pode participar na história sagrada por meio da Igreja? Santo Agostinho responde com toda a Igreja: por meio do batismo o homem é incorporado na Igreja [1] em Cristo, recebe o perdão dos seus pecados e tem o pecado original apagado – que é a santificação estática. E não apenas isso, mas agora suas obras podem valer como as de Cristo, em virtude da união corporal, e podem contribuir para a salvação e santificação – não mais estática, e sim dinâmica (Cl. 1,24)[2], Desse modo o homem age na história sagrada e participa da natureza divina.</p>



<p>A origem da Igreja, portanto, é a próprio amor de Deus para com os homens, que deseja que cada um de nós o conheça e o ame, que cada um de nós participe da sua divina natureza. Ela é divina e humana, ela é Cristo (§ 795).</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><em>Prof. Rafael Cronje Mateus<br>Dada no Centro Cultural Alvorada, no dia 05 de maio de 2021.</em></p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-refer-ncias">Referências:</h4>



<ol class="wp-block-list"><li>“Hence all such as have received the sacrament of baptism in the Church are said ‘to have been regenerated in Christ and born from above’; as they become new men, renovated by the baptism, and have put on Christ. These effects produced in the baptized subject are concomitant with, and inseparable from, the incorporation into the Body of Christ. For Augustine tells his hearers: ‘When you have been baptized, then you have been born members.’ Just as he pointed out that it is impossible to become a member of the visible Church except by the sacrament of baptism, so the incorporation he now speaks of is impossible unless it be by baptism or martyrdom (<em>passio</em>) in behalf of Christ. So closely united, therefore, in the sacrament of baptism with incorporation into the Body of Christ, that Augustine speaks of baptism as the actual incorporation into the Body of Christ (‘<em>compages Corporis Christi</em>’), which is the effect of baptism, rather than the sacrament which causes that incorporation. ‘For this is to evangelize Christ, no to say only that which is to be believed about Christ, but also that which is to be observed by him who approaches the union of the Body of Christ [<em>ad compagem Corporis Christi</em>].’” <em>Ibid.</em>, p. 84-85.</li><li>“The Head, of course, sanctifies the Body by imparting its own life and power. This sanctification is of a twofold nature, which we may term, in modern nomenclature, static and dynamic. Static sanctification, which may be described as automatic, is that which results from the very union of the Body with Head. Dynamic sanctification, which may be described as meritorious, results from the powers bestowed upon members of the Body by the Head in order that they may sanctify themselves through the actions which they perform with the aid of grace. Whilst the former type of sanctification is common to all who are united in the Body of Christ, the latter is measured according to the degree of co-operation by the members with the powers bestowed upon them by the Head for their self-sanctification. Some, therefore, are more holy, others less, and still others are sinners.” <em>Ibid.</em>, p. 81.</li></ol>
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