<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Escatologia &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
	<atom:link href="https://cooperadoresdaverdade.com/artigos/escatologia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://cooperadoresdaverdade.com</link>
	<description>Apologética Católica</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 Jun 2021 18:44:05 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2022/04/cropped-Escudo-Favico-2-32x32.png</url>
	<title>Escatologia &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
	<link>https://cooperadoresdaverdade.com</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A Redenção</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/a-redencao/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-redencao</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/a-redencao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jun 2021 18:43:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=11295</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Redenção" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A Roma da época de Jesus havia conseguido o que muitos impérios que vieram antes e depois: conquistar todo o mundo conhecido. A relação de Roma com os povos dominados por eles era menos pesada e autoritária do que a de muitos impérios posteriores. Bastava que os povos dominados pagassem os impostos e não criassem [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/a-redencao/">A Redenção</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Redenção" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/A-Redencao-1-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A Roma da época de Jesus havia conseguido o que muitos impérios que vieram antes e depois: conquistar todo o mundo conhecido. A relação de Roma com os povos dominados por eles era menos pesada e autoritária do que a de muitos impérios posteriores. Bastava que os povos dominados pagassem os impostos e não criassem problemas. Havia um governador ou um procônsul, acompanhados de soldados, em cada província; todavia, os povos dominados podiam manter seu governo local.&nbsp;</p>



<p>Os judeus da época de Jesus tinham seu próprio rei, Herodes, e eram governados por um conselho de poderosos, o Sinédrio. A composição política de então se dava pelos sacerdotes judeus, que misturavam a política com a religião; os fariseus; e os escribas. A maioria desse homens não passavam de hipócritas aproveitadores, que impunham em seu povo um fardo muito maior que aquele imposto pelo Império Romano.&nbsp;</p>



<p>Por isso, quando o ministério de Nosso Senhor começou a partir do anúncio do Evangelho, pregando o Reino de Deus, os poderosos passaram a pensar que &nbsp;Jesus estava falando de um reino terreno; um poder político, ao invés de um poder espiritual. Os sacerdotes, fariseus e escribas temeram perder as regalias que possuíam. Esse temor transformou-se em ódio contra Jesus. Diz o Catecismo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Desde o princípio do ministério público de Jesus, fariseus e partidários de Herodes, com sacerdotes e escribas, puseram-se de acordo para lhe dar a morte. Por alguns dos seus atos (expulsões de demônios; perdão dos pecados curas em dia de sábado; interpretação original dos preceitos de pureza legal: trato familiar com publicanos e pecadores públicos, Jesus pareceu a alguns, mal-intencionados, suspeito de possessão diabólica. Foi acusado de blasfémia e de falso profetismo, crimes religiosos que a Lei castigava com a pena de morte por apedrejamento.</p><cite>(CIC, 574)</cite></blockquote>



<p>Passaram então a tentar a matar a Jesus. Enviaram capangas para atirá-lo de precipícios&nbsp;e&nbsp;apedrejá-lo. Mas, Jesus escapou de todas essas tentativas, pois a sua hora ainda não havia chegado. Encontraram um traidor para ajudá-los.&nbsp;</p>



<p>Esse traidor era&nbsp;<strong>Judas&nbsp;</strong><strong>Iscariotes</strong>. Jesus, terminada sua missão de revelar a Verdade aos homens, em grande agonia, suando sangue, esperou a chegada do traidor. &nbsp;Essa angústia era um prenúncio da sua paixão e, além disso, um produto do conhecimento de que, para muitos, seu sacrifício seria em vão.</p>



<p>Diz o Padre Leo Trese:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Judas chega, e os inimigos de Jesus o levam a um julgamento que havia de ser uma paródia da justiça. A sentença de morte já linha sido acertada pelo Sinédrio, mesmo antes de terem prestado declarações certas testemunhas subornadas e contraditórias. A acusação era bem simples: Jesus se&nbsp;proclamava&nbsp;Deus, c isso&nbsp;era uma blasfêmia. E como a blasfêmia era castigada com a morte, para a morte&nbsp;deveria ir. Do Sinédrio seria conduzido a Pôncio Pilatos, o governador romano&nbsp;que devia&nbsp;confirmar a sentença, já que não se&nbsp;permitia às&nbsp;nações subjugadas ditarem uma sentença capital. Só&nbsp;Roma podia tirar&nbsp;a&nbsp;vida a um&nbsp;homem.</p><cite>(TRESE, 1999, p. 81)</cite></blockquote>



<p>Porém,&nbsp;em um primeiro momento,&nbsp;Pilatos se negou a condenar Jesus. Em resposta a isso, os chefes dos judeus ameaçaram-no, dizendo que o denunciariam à Roma. Pilatos teve uma alma pequena e cedeu à chantagem, permitindo que Jesus fosse açoitado, zombado e coroado de espinhos. Por fim, lavando suas mãos, condenou o Filho de Deus à morte. &nbsp;&nbsp;</p>



<p>Enquanto Jesus não morresse na Cruz em resgate pelas almas dos homens, ninguém poderia entrar nos céus. Por isso, as pessoas justas que viveram antes da Redenção viviam em um estado de felicidade puramente natural.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O estado de felicidade natural em que essas almas aguardavam a completa revelação da glória divina chama-se&nbsp;<em>limbo</em>. A estas almas Jesus apareceu enquanto seu corpo jazia na sepultura, para anunciar-lhes a boa nova da sua redenção; para, poderíamos dizer, acompanhá-las e apresentá-las pessoalmente a Deus Pai como suas primícias. A isto nos referimos quando rezamos no Credo que Jesus “desceu à mansão dos mortos”.&nbsp;</p><cite>(TRESE, 1999, p. 81)</cite></blockquote>



<p>Ensina-nos o Catecismo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos,&nbsp;<em>Sheol&nbsp;</em>ou&nbsp;<em>Hades</em>, porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus. Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor, o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no&nbsp;<em>seio de Abraão</em>&nbsp;(cf. Lc 16, 22-26). «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos» (Cat. Rom. 1, 6, 3). Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados, nem para abolir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que O tinham precedido.</p><cite>(CIC, 633)</cite></blockquote>



<p>A morte de Jesus foi real, logo foi sua alma que apareceu no limbo; o seu corpo permanecia no sepulcro. Durante esse período, a sua Pessoa divina permaneceu unida tanto ao corpo como à alma.&nbsp;</p>



<p>Segundo a sua promessa, Jesus ressuscitou dos mortos.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Jesus ressuscitou dentre os mortos com um corpo glorificado idêntico ao que será o nosso depois da nossa ressurreição. Era um corpo “espiritualizado”,&nbsp;livre das limitações impostas pelo mundo físico. Era (e é) um corpo que não pode sofrer ou morrer; um corpo que irradiava a luminosidade e a beleza de uma alma unida a Deus; um corpo que a matéria não podia interceptar, podendo passar através de um sólido muro como se este não existisse: um corpo que não precisava caminhar com passos laboriosos, mas que podia mudar-se de um lugar para outro com a velocidade do pensamento: um corpo livre de necessidades orgânicas como comer, beber ou dormir.&nbsp;</p><cite>(TRESE, 1999, p.&nbsp;82)</cite></blockquote>



<p>Complementa o Catecismo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Jesus Ressuscitado estabeleceu com os seus discípulos relações diretas, através do contato físico e da participação na refeição. Desse modo, convida-os a reconhecer que não é um espírito, e sobretudo a verificar que o corpo ressuscitado, com o qual se lhes apresenta, é o mesmo que foi torturado e crucificado, pois traz ainda os vestígios da paixão. No entanto, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas dum corpo glorioso: não está situado no espaço e no tempo, mas pode, livremente, tornar-se presente onde e quando quer, porque a sua humanidade já não pode ser retida sobre a terra e já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai (569). Também por este motivo, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quer: sob a aparência dum jardineiro (570) ou «com um aspecto diferente» (Mc 16, 12) daquele que era familiar aos discípulos; e isso, precisamente, para lhes despertar a fé (571).</p></blockquote>



<p>Ao ressuscitar&nbsp;dos mortos, Jesus não ascendeu imediatamente aos céus. Fez isso para dar prova e testemunho da veracidade da sua&nbsp;<strong>ressureição.</strong>&nbsp;Diz o Catecismo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Perante estes testemunhos, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não a reconhecer como um facto histórico. Resulta, dos factos, que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte de cruz do seu Mestre, por este de antemão anunciada (558). O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: Lc 24, 17) e apavorados (559). Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e «as suas narrativas pareceram-lhe um desvario» (Lc 24, 11) (560). Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, «censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado» (Mc 16, 14).</p><p>Mesmo confrontados com a realidade de Jesus Ressuscitado, os discípulos ainda duvidam (561) de tal modo isso lhes parecia impossível: julgavam ver um fantasma (562). «Por causa da alegria, estavam ainda sem querer acreditar e cheios de assombro» (Lc 24, 41). Tomé experimentará a mesma provação da dúvida (563), e quando da última aparição na Galileia, referida por Mateus,&nbsp;«alguns ainda duvidavam» (Mt 28, 17).&nbsp;É por isso que a hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a&nbsp;ação&nbsp;da graça divina da experiência&nbsp;direta&nbsp;da realidade de Jesus Ressuscitado (CIC, 643-644).&nbsp;</p><cite>(CIC, 643-644)</cite></blockquote>



<p>Nosso Senhor também usou o tempo&nbsp;de quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão para completar a preparação e a missão de seus Apóstolos.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>«Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus» (Mc 16, 19). O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, ele goza permanentemente. Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos e instruí-los sobre o Reino, a sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal. A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem&nbsp;e pelo céu. onde a partir de então, está sentado à direita de Deus.&nbsp;Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, «como a um aborto» (1 Cor 15, 8), numa última aparição que o constitui Apóstolo.</p><p>O carácter velado da glória do Ressuscitado, durante este tempo, transparece na sua misteriosa palavra a Maria Madalena: « [&#8230;] ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus» (Jo 20, 17). Isto indica uma diferença entre a manifestação da glória de Cristo Ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento da ascensão, ao mesmo tempo histórico e transcendente, marca a transição duma para a outra (CIC, 659-660).</p></blockquote>



<p>No céu, Nosso Senhor está sentado à direita de Deus Pai. Por ser Ele mesmo Deus é igual ao Pai em tudo; como homem está mais próximo de Deus do que todos os santos e detém a autoridade como Rei de toda as criaturas. Por meio de Sua Igreja, Ele rege todas as questões espirituais; mas, mesmo as questões materiais pertencentes à ordem civil ou temporal, estão precedidas por sua vontade e sua lei.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Doravante, Cristo está sentado à direita do Pai: «Por direita do Pai entendemos a glória e a honra da divindade, em cujo seio Aquele que, antes de todos os séculos, existia como Filho de Deus, como Deus e consubstancial ao Pai, tomou assento corporalmente desde que encarnou e o seu corpo foi glorificado».</p><p>Sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: «Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu domínio é um domínio eterno, que&nbsp;não passará jamais, e a sua realeza não será destruída» (Dn 7, 14). A partir deste momento, os Apóstolos tornaram-se as testemunhas do «Reino que não terá fim».</p><cite>(CIC, 663-664)</cite></blockquote>



<p>Depois da Ascenção, Jesus irá aparecerá mais uma vez ao mundo. Na primeira vinda, veio fraco e pequenino em Belém; na segunda virá em glória e majestade, como Rei do Universo, para julgar o mundo que lhe foi dado pelo Pai e ao qual ele comprou com seu próprio sangue.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-refer-ncias"><strong>Referências:</strong></h4>



<ul class="wp-block-list"><li>Catecismo da Igreja Católica;</li><li>TRESE; Leo John.&nbsp;<strong>A fé explicada</strong>&nbsp;/ Leo J. Trese; tradução de Isabel Perez. – 7ª ed. –</li><li>São Paulo: Quadrante, 1999.</li></ul>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/a-redencao/">A Redenção</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/a-redencao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como será a vida no céu?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/como-sera-a-vida-no-ceu/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=como-sera-a-vida-no-ceu</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/como-sera-a-vida-no-ceu/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2020 23:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=9927</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como será a vida no céu" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-1024x576.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Os justos no céu são felizes, antes do mais, por contemplar a Deus face a face. Além disto, gozam de bens acidentais, relativos à inteligência, à vontade e ao corpo. Explanemos sucessivamente o sentido desses diversos motivos de bem-aventurança. A visão de Deus face a face A Sagrada Escritura dá a saber que o cristão [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/como-sera-a-vida-no-ceu/">Como será a vida no céu?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como será a vida no céu" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-será-a-vida-no-céu-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Os justos no céu são felizes, antes do mais, por contemplar a Deus face a face. Além disto, gozam de bens acidentais, relativos à inteligência, à vontade e ao corpo. Explanemos sucessivamente o sentido desses diversos motivos de bem-aventurança.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A visão de Deus face a face</strong></h2>



<p>A Sagrada Escritura dá a saber que o cristão é destinado a ver a Deus face a face como um amigo vê o amigo num colóquio muito cordial.</p>



<p>Um dos textos mais significativos a este propósito é a seguinte passagem de São Paulo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quando chegar o que é perfeito, terá fim o que é parcial&#8230; Atualmente vemos como que num espelho, de modo confuso; havemos de ver, porém, face a face. Agora conheço em parte; hei de conhecer, porém, do mesmo modo como sou conhecido.</p><cite>(1Cor 13, 10.12)</cite></blockquote>



<p>Neste trecho o Apóstolo compara o conhecimento que temos de Deus nesta vida (conhecimento imperfeito) com o que teremos após a morte: então gozaremos da intuição direta, facial (face a face) de Deus. O homem conhecerá o seu Autor como atualmente é por Ele conhecido, o que quer dizer: sem intermediário ou símbolo que empalideça a visão. A diferença entre o conhecimento nesta vida e a intuição na eternidade é indicada pela oposição entre «ver em espelho» (isto é, indiretamente) e «ver face a face» (expressão muito cara aos semitas, que designa intercâmbio direto).</p>



<p>Note-se ainda a seguinte passagem do Apóstolo, em que fé (conhecimento através dos véus) e visão (intuição direta) são contrapostas uma à outra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Cheios de segurança e sabendo que, enquanto permanecemos neste corpo, estamos longe do Senhor — pois caminhamos na fé, e não na visão —, cheios de segurança (digo), preferimos deixar este corpo e habitar junto ao Senhor.</p><cite>(2 Cor 5,6-8)</cite></blockquote>



<p>São João, por sua vez, faz consistir a felicidade eterna na visão de Deus:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Vede de que amor o Pai nos deu provas: trazemos o título de filhos de Deus e, na realidade, o somos!&#8230; Caríssimos, já agora somos filhos de Deus, mas ainda não foi manifestado o que um dia seremos. Sabemos que, quando Ele se manifestar, ser-Lhe-emos semelhantes, porque O veremos tal como Ele é.</p><cite>(1Jo 3,1-2)</cite></blockquote>



<p>Somos filhos de Deus, afirma o Apóstolo. Contudo as condições em que presentemente nos achamos, ainda sujeitos ao pecado, não condizem com a dignidade que trazemos oculta na alma; aguardamos, pois, a revelação da nossa qualidade de filhos de Deus. Isto se dará, continua S. João, quando o Filho Primogênito, Jesus Cristo, se dignar reaparecer neste mundo; então o Senhor nos tornará configurados à sua natureza humana gloriosa, e veremos a Jesus Cristo em sua realidade íntima, divina, «tal como Ele é», e, vendo o Filho, contemplaremos simultaneamente o Pai (cf. Jo 14,6-9; 17,3).</p>



<p>Explicitando estas ideias, o Papa Bento XII escrevia na Constituição «Benedictus Deus», de 1336:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(Os bem-aventurados) viram e veem a essência divina em visão intuitiva ou face e face, sem que a visão de alguma criatura se interponha; a essência divina se lhes mostra imediatamente sem véu, clara e abertamente; vendo-a, nela se deleitam; por tal visão e fruição, as suas almas são realmente felizes, possuem a vida e o repouso eterno.</p><cite>(Denzinger, Enchiridion 530)</cite></blockquote>



<p>Pergunta-se, porém: como entender que o homem, criatura de capacidades tão restritas, possa diretamente ver a Deus, a Perfeição irrestrita?</p>



<p>Para que isto se torne possível, os teólogos ensinam que Deus se digna robustecer a inteligência humana, infundindo&#8211;lhe a chamada «luz da glória»; esta consiste numa qualidade permanente, inerente à alma, que eleva, dilata e corrobora a inteligência, tornando a alma «proporcionada» a ver a Deus como Deus vê a Si mesmo:</p>



<p>Assim escreve Léssio, famoso teólogo do séc. XVI:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Como a luz corporal faz que o olho do corpo se estenda à vastidão deste mundo e de modo admirável como que a apreenda dentro da sua capacidade, assim aquela luz espiritual e divina faz que a mente&#8230; se possa dilatar e como que receber dentro de si toda a imensidão de Deus.</p><cite>(De summo bono 1.2, c. 8, n. 44)</cite></blockquote>



<p>Deve-se todavia observar: nenhuma inteligência criada, nem mesmo a angélica, ainda que robustecida pela luz da glória, está à altura de conhecer a Perfeição divina de maneira exaustiva; somente a Inteligência divina, infinitamente perfeita, é apta a conhecer exaustivamente o Infinito das perfeições divinas. Em consequência, devemos afirmar: os bem-aventurados veem a Deus todo, inteiro, não, porém, totalmente; nada há em Deus que não seja contemplado pelos justos no céu, mas nada há em Deus que seja contemplado tão perfeitamente quanto é contemplável, em toda a Sua riqueza de ser. Os bem-aventurados veem o Infinito, sabem que Ele é o Infinito, mas não O conhecem de maneira infinita.</p>



<p>Ulterior precisão impõe-se agora: a maneira finita segundo a qual os bem-aventurados veem a Deus, admite graus de perfeição diversos; enquanto uns contemplam com grande penetração e nitidez, outros carecem de igual perspicácia; «na casa de meu Pai há muitas mansões», diz o Senhor (Jo 14,2).</p>



<p>E que é que distingue os graus de visão ou os graus de comunicação da luz da glória?</p>



<p>É o grau de caridade sobrenatural com que cada alma deixa esta vida: onde há mais amor a Deus, há mais desejo de ver e possuir a Deus, e é a este desejo que o Senhor Se digna corresponder, manifestando-se e dando-se à criatura no céu. Este principio explica que homens de capacidades naturais muito limitadas possam chegar a eminente grau de glória sobrenatural, de intuição do Divino neste mundo e na vida celeste, ao passo que criaturas talentosas, do ponto de vista humano, pouco entendem das coisas de Deus: a grande caridade existente naqueles, e não nestas, dá a afinidade com Deus que abre o olho da mente para os mistérios da vida divina.</p>



<p>É portanto pelo amor a Deus, pela fidelidade a Deus, que o homem aqui na terra vai adquirindo a capacidade cada vez mais esmerada de conhecer o seu Senhor, capacidade que encontrará sua saciedade na vida póstuma.</p>



<p>Será, porém, que no céu os bem-aventurados só veem à Deus?</p>



<p>É a este quesito que vamos agora voltar a nossa atenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os bens acidentais</strong></h2>



<p>A visão de Deus intuitiva ou face a face é, como dizíamos, um bem cuja riqueza infinita a criatura jamais apreenderá totalmente; constitui por si só motivo sobejo de felicidade sem fim. Contudo é impossível ver a Deus sem ver simultaneamente ao menos algumas de suas criaturas, como quem vê uma causa não pode deixar de ver também ao menos alguns dos efeitos contidos na potencialidade dessa causa. Por isto é que na bem-aventurança celeste, além da visão de Deus (que é o bem essencial), há bens acidentais, que dizem respeito à inteligência, à vontade e ao corpo do homem justo. Consideremo-los de mais perto.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bens da inteligência</strong></h3>



<p>Quem vê a Deus intuitivamente no céu, não vê somente&nbsp;a&nbsp;Perfeição Infinita como tal, mas também os modos finitos pelos quais Ela pode ser participada; em outros termos:&#8230; vê também criaturas, pois estas não são senão modos pelos quais a Perfeição Divina se reflete ou se espelha.</p>



<p>Mais precisamente: os bem-aventurados contemplam em Deus o grande plano de salvação dos homens concebido desde toda a eternidade, plano que compreende a permissão do pecado, a Encarnação, a morte e a ressurreição de Cristo, o dom da Eucaristia, das Escrituras Sagradas, a vida misteriosa da Igreja, a maneira aparentemente desconcertante como Deus provê à Redenção dos homens.</p>



<p>Além disto, leve-se em conta que toda alma justa está envolvida dentro de um enredo de vida pessoal aqui na terra: empreende suas obras, que ela deixa inacabadas ou em curso neste mundo; está vinculada a uma família, a um círculo de amigos e à sociedade, que ela abandona na hora da morte. É natural que a alma do justo no céu deseje conhecer o que diz respeito a tais obras e pessoas no decorrer da história deste mundo, pois o amor que o justo dedica a essas criaturas é amor puro, amor derivado do amor ao próprio Criador. Em consequência, Deus corresponde a essas legítimas aspirações dos bem-aventurados, dando-lhes a conhecer criaturas e acontecimentos que de perto os concernem no decurso da história terrestre.</p>



<p>Alguns de tais acontecimentos e criaturas são contemplados na essência divina mesma, pela intuição imediata de Deus. Acontece, porém, que a visão da essência divina tem sua intensidade e sua extensão limitadas pelo grau de caridade de cada individuo; para que essa limitação não se torne obstáculo a que cada justo veja o que lhe diz respeito aqui na terra, julga-se que, em casos oportunos, Deus supre a limitação, concedendo revelações especiais àqueles a quem isto compete. Parece mesmo de toda conveniência que certos objetos, como são atos contingentes de somenos importância realizados na terra, não sejam contemplados na intuição do objeto transcendente que é a essência divina, mas revelados por comunicação particular.</p>



<p>Difícil seria determinar com precisão quais são tais atos contingentes. Os autores enumeram homenagens e honras tributadas à memória dos justos. Certo é que os bem-aventurados têm conhecimento das preces que neste mundo e no purgatório lhes são dirigidas; apenas resta margem para indagar se as conhecem pela intuição direta de Deus ou por revelação especial (o que é questão de importância secundária).</p>



<p>Além das noções assim contempladas contribuirão para a felicidade dos justos os conhecimentos adquiridos na terra por via de estudo ou de experiência; qualquer verdade, seja de índole científica, seja de índole histórica, conhecida na vida presente, mas obliterada na memória, há de reviver no céu e tornar-se fonte de alegria para quem a possuir. Donde se vê que nenhuma das noções adquiridas na terra, e tão facilmente esquecidas, é perdida; tornar-se-á fonte de gozo imperecível no céu; o estudo da verdade nesta vida, em qualquer setor que seja, tem rendimento muito maior do que comumente se poderia crer (qualquer proposição da verdade é participação da Verdade Subsistente, que é Deus).</p>



<p>Julga-se que também às criancinhas e aos adultos batizados, mas falecidos sem o uso da razão, Deus dará os conhecimentos que deveriam ter chegado a possuir na terra em condições normais.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bens da vontade</strong></h3>



<p>Da contemplação se deriva, na terra e no céu, o deleite da vontade nos objetos contemplados. Tal deleite, na pátria eterna, não será perturbado por contrariedade alguma. Não o diminuirá o fato de não estar a alma unida ao corpo antes da ressurreição final.</p>



<p>As almas conscientes de não ter alcançado a glória a que outros bem-aventurados chegaram por sua luta na terra, não conceberão por isto inveja nem pesar.</p>



<p>Também a sorte menos feliz ou desgraçada de outras almas, quer vivam neste mundo, quer no purgatório ou no inferno, quer sejam parentes, quer sejam estranhos, não afetará a felicidade dos justos no céu; não haverá saudades dos caros familiares ou amigos que estejam ausentes (na terra ou no inferno). A razão disto tudo é que a vontade e as tendências dos justos no céu estarão plenamente identificadas com a santíssima vontade de Deus; tudo que os bem-aventurados conhecem na pátria celeste, conhecem-no como Deus o conhece, ou seja, através do prisma da Justiça perfeita, da Sabedoria infinita, da Misericórdia absoluta; verão, pois, em todos os erros das criaturas algo de abominável, sem dúvida, mas algo que não causa detrimento à perfeição do universo, à harmonia final da história; verão mesmo nessas falhas da liberdade criada algo de que o Deus Santo toma ocasião para manifestar seus atributos sumamente louváveis e adoráveis.</p>



<p>Tenha-se igualmente por certo que nenhum desejo dos habitantes do céu deixa de ser saciado: cada qual é tão feliz quanto é capaz de o ser.</p>



<p>Não se pode dizer que um cálice pequeno, contendo licor até o alto, está menos cheio do que um cálice grande nas mesmas condições; ambos estão simplesmente cheios. Assim no céu todos são simplesmente felizes, cada qual, porém, no seu grau.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bens do corpo</strong></h3>



<p>Após a ressurreição, o corpo permanecerá unido à alma, e esta o fará participar da sua glória. A reconstituição do homem em sua estrutura completa não deixará de acarretar particular alegria para os bem-aventurados. Os sentidos da vista e da audição reconstituídos se deleitarão respectivamente pela contemplação dos corpos gloriosos e pela recepção das melodias celestes, que não serão mentais apenas, mas também vocais.</p>



<p>Tal é ao menos a sentença de S. Tomás, assim formulada:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Na pátria haverá um louvor vocal (embora alguns pensem de outro modo)&#8230;; isto não se verificará por motivo de erudição, como se os bem-aventurados precisassem de adquirir ciência (pelo ouvido), mas para que o sentido da audição tenha a sua perfeição e o seu deleite.</p><cite>(Suma Teológica, Supl. 82, 4 ad 4)</cite></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bens da convivência celestial</strong></h3>



<p>Os justos se regozijarão outrossim por se encontrarem com Cristo (ou seja, com a santíssima humanidade do Redentor), com a Virgem Santíssima, Mãe celeste, e com os santos; alegrar-se-ão por verem de novo seus familiares e amigos, unidos já na intimidade de Deus e na mesma casa paterna; reconhecer-se-ão mutuamente e se comunicarão uns com os outros. O amor que nutriam entre si na terra, será totalmente puro, destituído de qualquer vestígio de egoísmo e corroborado pela visão exata das perfeições naturais e sobrenaturais que ornam o próximo.</p>



<p>Eis, em poucas palavras, o que constitui a bem-aventurança dos justos no céu. Em particular, com referência às orações a eles dirigidas, vê-se com que fundamento lógico são elas formuladas: a Sabedoria Divina não extingue, pela morte, as relações e o intercâmbio de caridade que Ela mesma instituiu aqui na terra, destinando cada homem a se aperfeiçoar e a se salvar em comunhão com os demais homens.</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/como-sera-a-vida-no-ceu/">Como será a vida no céu?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/como-sera-a-vida-no-ceu/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como os corpos humanos irão ressuscitar?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/como-os-corpos-humanos-irao-ressuscitar/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=como-os-corpos-humanos-irao-ressuscitar</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/como-os-corpos-humanos-irao-ressuscitar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2020 19:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=9924</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como os corpos humanos irão ressuscitar" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Duas são as qualidades que se assinalam indistintamente a todos os corpos ressuscitados: imortalidade e integridade. Examinemos cada qual de per si. Imortalidade Após a ressurreição, a vida não terá mais fim, seja a vida bem-aventurada dos justos no céu, seja a triste existência dos réprobos no inferno. É o que se depreende não somente [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/como-os-corpos-humanos-irao-ressuscitar/">Como os corpos humanos irão ressuscitar?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como os corpos humanos irão ressuscitar" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Como-os-corpos-humanos-irão-ressuscitar-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Duas são as qualidades que se assinalam indistintamente a todos os corpos ressuscitados: imortalidade e integridade. Examinemos cada qual de per si.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Imortalidade</strong></h2>



<p>Após a ressurreição, a vida não terá mais fim, seja a vida bem-aventurada dos justos no céu, seja a triste existência dos réprobos no inferno. É o que se depreende não somente dos textos bíblicos que falam da vida póstuma como sendo «vida eterna» (Rom 6,22s; Mt 25,46; 19,16; 1 Jo 5,13; Jo 17,3), mas também da explícita passagem da epístola aos Hebreus: «Foi estabelecido, para os homens, morrer um só vez; depois do que há o julgamento» (9,27).</p>



<p>Da prerrogativa da imortalidade deduz-se que nada que possa ameaçar a vida afetará os ressuscitados; não experimentarão tendência à decrepitude ou ao declínio. Em consequência, tornar-se-ão desnecessárias as funções de nutrição e geração, mediante as quais o indivíduo e a sociedade procuram de certo modo perpetuar-se, suprindo as deficiências do corpo mortal; por não exercerem mais tais funções, os ressuscitados são pelo Senhor comparados aos anjos do céu (cf. Lc 20,35).</p>



<p>Para os justos, a imortalidade gloriosa será um sinal do triunfo que terão obtido com Cristo sobre o pecado. Para os réprobos, ao contrário, a imortalidade não será motivo de regozijo, mas sanção muito aflitiva, pois há de os confirmar sem fim num estado extremamente doloroso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Integridade</strong></h2>



<p>Este predicado significa que todos os ressuscitados, tanto justos como réprobos, possuirão todos os órgãos e membros, todas as faculdades que o corpo humano por sua natureza normalmente possui, embora hajam sido mutilados ou disformes neste mundo. Conservarão outrossim a distinção de sexos.</p>



<p>Estas afirmações decorrem do fato de que o homem ressuscitará, conforme o plano de Deus, a fim de atingir a sua consumação. Por conseguinte, deverá gozar de tudo aquilo que pertence à natureza humana como tal; Deus, portanto, restaurará nos corpos ressuscitados os órgãos amputados ou mutilados nesta vida; dará até mesmo os que o indivíduo nunca tenha possuído (olhos, por exemplo, ao cego de nascimento; o desdentado recuperará todos os dentes). Sto. Agostinho e S. Tomás ensinam que também as unhas e os cabelos integrarão o novo corpo, estes, porém, em quantidade normal, nem deficiente (o que seria a calvície) nem excessiva.</p>



<p>Sto. Agostinho compraz-se em pormenores:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Nada de defeituoso haverá nos corpos ressuscitados. Os que tiverem sido obesos e gordos, não retomarão toda a quantidade de seus corpos, mas o que exceder o normal será tratado como supérfluo. Ao contrário, tudo que a doença ou a velhice tiverem consumido nos corpos, será restaurado por Cristo com poder divino; o mesmo se verificará nos que, por magreza, tiverem sido demasiado esguios; com efeito, Cristo não somente nos restituirá o corpo, mas ainda restaurará tudo que nos houver sido subtraído pelas misérias desta vida.</p><cite>(De civitate Dei 22,19)</cite></blockquote>



<p>É verdade que muitos órgãos só têm função nas circunstâncias da vida terrestre e não serão utilizados após a ressurreição; todavia, já que pertencem à integridade da natureza, não poderão faltar; de resto, não deixará de haver objetos a que se apliquem alguns dos sentidos, principalmente o da vista (que contemplará os corpos transfigurados).</p>



<p>Na antiguidade, houve quem quisesse negar a ressurreição de todos os membros, asseverando que os corpos futuros serão arredondados. Esta sentença dos chamados «origenistas» foi condenada pelo sínodo regional de Constantinopla reunido em 543 (cf. Denzinger, Enchiridion 207). Os mesmos discípulos de Orígenes não queriam admitir distinção de sexos na vida eterna; parecia-lhes que todos os indivíduos ressuscitarão com as características masculinas, já que São Paulo escreve: «&#8230; em vista da edificação do corpo de Cristo, até que cheguemos todos à idade de homens feitos» (Ef 4,12s). Enganavam-se, porém, na interpretação do texto paulino que se quer referir não ao sexo masculino como tal, mas à virilidade de ânimo que possuirão todos os justos ressuscitados, homens e mulheres. Os Padres e os teólogos admitem, a diversidade de sexos na vida futura, já que ela não é consequência do pecado, mas, ao contrário, pertence à natureza humana tal como Deus a criou.</p>



<p>Quanto às características de idade dos corpos ressuscitados, de novo um texto de São Paulo prestou-se a conjeturas: «&#8230; até que cheguemos todos à idade de homens feitos, à medida da estatura perfeita de Cristo, a fim de que não sejamos mais crianças flutuantes» (Ef 4,13). Ora, como se julga que Cristo tenha atingido a idade de trinta anos ou pouco mais, afirmavam não poucos antigos e medievais que os corpos .ressuscitados terão todos indiferentemente o aspecto que em condições normais corresponde a esta idade; por conseguinte, os indivíduos falecidos em idade infantil ou senil ressuscitariam em idade viril. Procuravam corroborar essa tese fazendo notar que é aos trinta anos que o corpo atinge a perfeição das suas formas, começando, logo a seguir, um lento declínio. Esta sentença não é aceita por todos os teólogos recentes; certamente não se pode fundar no texto paulino, que trata de crescimento sobrenatural. Há quem julgue mais conveniente que na aparência externa dos corpos ressuscitados haja algo que lembre a sua vida na terra; assim, S. Estanislau Kostka terá para sempre o seu aspecto sobrenatural gracioso de jovem, ao passo que o Velho Simeão conservará sua aparência majestosa e veneranda, confirmada por novo fulgor da graça.</p>



<p>No tocante à estatura, S. Tomás admite que não será a mesma para todos os indivíduos; nem mesmo os homens normais são todos do mesmo tamanho. Cada qual, portanto, ressurgirá com a estatura que tenha tido ou teria tido na sua idade madura, na plenitude do seu desenvolvimento (ninguém, pois, ressurgirá na estatura de criança ou de ancião); caso, porém, a natureza, num ou noutro individuo, haja produzido, ou tendesse a produzir, algum excesso desarmonioso, quer para mais, quer para menos, Deus reduzirá esse excesso ao grau normal. É, pois, de crer que ninguém ressuscitará num corpo ridiculamente alto ou ridiculamente baixo.</p>



<p>Dada a sobriedade da Revelação no que se refere aos pormenores, não se atribua demasiado peso às conjeturas acima. Contudo não se porá em dúvida que os corpos ressuscitados carecerão de qualquer vestígio de mutilação ou defeitos.</p>



<p>Faz-se mister ainda enumerar as qualidades especiais dos corpos dos justos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os corpos ressurretos</h2>



<p>Quatro predicados devem ser aqui referidos: Impassibilidade, fulgor, agilidade, sutilidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Impassibilidade</strong></h3>



<p>A carne dos justos nada poderá padecer de molesto; nenhum agente lhe poderá incutir alguma dor. É o que se depreende claramente das descrições da Sagrada Escritura; já Isaías profetizava:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Senhor enxugará as lágrimas de todos os olhos&#8230; Não terão mais fome nem sede; nem a areia ardente nem o sol os atingirão.</p><cite>(25,8; 49.10)</cite></blockquote>



<p>O Apocalipse retoma e desenvolve esses dizeres:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Não terão mais fome, não terão mais sede; o ardor do sol não os abaterá, nem algum calor abrasador; pois o Cordeiro que está em meio ao trono, será o seu Pastor e os conduzirá às fontes das águas da vida, e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.</p><cite>(7,16s)</cite></blockquote>



<p>Compreende-se bem essa impassibilidade. O espírito do homem, no paraíso, se rebelou contra Deus ; em consequência, o corpo passou a se insubordinar à alma, e as criaturas inferiores, por sua vez, deixaram de servir devidamente ao homem, *&#8217; ocasionando as desordens e a aflição que caracterizam o atual estado de coisas. Ora na restauração final as almas estarão confirmadas na total adesão a Deus : unidas ao Senhor, possuirão pleno domínio sobre o seu corpo; haverá ordem perfeita entre carne e espírito; a seu turno, as demais criaturas materiais reconhecerão o lugar eminente do homem no plano de Deus e com ele se harmonizarão num único concerto de louvor à Bondade Divina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fulgor</strong></h2>



<p>Os corpos dos justos refletirão a glória da alma; esta redundará sobre a carne tornada translúcida à semelhança de um vidro. Em outros termos: a beleza sobrenatural do espírito, recebida no corpo, tomará aspecto visível, coisa que de certo modo, na medida em que os cristãos possuem a graça santificante, já se deveria dar aqui na terra, caso o corpo não estivesse ainda sujeito às consequências do pecado; coisa também que se devia verificar na carne de Cristo desde o seu nascimento em Belém, dado que o Senhor não o tivesse voluntariamente impedido (apenas na transfiguração sobre o Tabor Jesus permitiu transparecesse pelo corpo a glória que Ele trazia na alma).</p>



<p>Como se entende, o fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma, o que quer dizer: diferirá de justo para justo: «Outro é o esplendor do sol, outro o da lua, outro o das estrelas; mesmo entre as estrelas, uma difere da outra pelo seu esplendor» (1 Cor 15,41).</p>



<p>De resto, uma antecipação do futuro fulgor é por vezes concedida aos justos já nesta vida. Acontece que o rosto ou o olhar de pessoas muito unidas a Deus, ricas de graça, reflete um encanto que dobra vontades rebeldes ou atrai multidões; a graça é, sim, a semente da glória.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Agilidade</strong></h2>



<p>É o dom em virtude do qual os corpos gloriosos se poderão locomover com toda a presteza, sem conhecer cansaço nem obstáculo. No Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina. A agilidade será consequência do pleno domínio que a alma bem-aventurada exercerá sobre o corpo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sutilidade</strong></h2>



<p>Outro dote que dimanará imediatamente deste total domínio, será a absoluta prontidão com que o corpo servirá e se adaptará à alma. Nesta prerrogativa está incluído também o poder de penetração da matéria, de que certamente gozava a carne de Cristo ressuscitada; o Senhor entrou repentinamente no Cenáculo, onde estavam os discípulos reunidos, sem que, para isto, tivesse que abrir as portas da sala (cf.&nbsp;<a href="http://www.pr.gonet.biz/biblia.php?livro=Jo&amp;cap=20&amp;ver1=19&amp;ver2=26">Jo 20,19-26</a>); o corpo glorioso, portanto, poderá ocupar um só e mesmo espaço dimensional juntamente com outro corpo. Todavia S. Tomás julga que isto não se dará de maneira habitual, mas unicamente a título de milagre esporádico.</p>



<p>É bem de notar que a sutilidade, de modo nenhum, Implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres do que as que possui atualmente. A expressão paulina «corpo espiritual» (1 Cor 15,44) não significa senão um corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e a glória de Deus.</p>



<p>Em conclusão, verifica-se que os quatro predicados distintivos dos corpos gloriosos se derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda a inteligência e o afeto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que ela em vão procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo será nobilitado. Destarte se verificará em plenitude o axioma : «Servir a Deus é reinar». O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentemente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no paraíso; ora eis que na restauração final de todas as coisas Deus se dignará não propriamente restituir os dons perdidos, mas ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro paraíso.</p>



<p>Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, possuirão, sim, as duas primeiras qualidades acima enunciadas; contudo recebê-las-ão como fundamento do seu castigo. Esses corpos serão:</p>



<p>— Passíveis, ou sujeitos à dor,</p>



<p>— Obscuros ou tenebrosos, como imagens hediondas do mais obscuro e deplorável estado de alma,</p>



<p>— Pesados, ou dificilmente sujeitos à locomoção, crassos, ou resistentes aos impulsos da alma.</p>



<p>Em uma palavra, serão a expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/como-os-corpos-humanos-irao-ressuscitar/">Como os corpos humanos irão ressuscitar?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/como-os-corpos-humanos-irao-ressuscitar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Se Deus quer que todos se salvem, como alguns se condenam?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/se-deus-quer-que-todos-se-salvem-como-alguns-se-condenam/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=se-deus-quer-que-todos-se-salvem-como-alguns-se-condenam</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/se-deus-quer-que-todos-se-salvem-como-alguns-se-condenam/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2020 20:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=9747</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Se Deus quer que todos se salvem" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p> Se Deus quer que todos os homens se salvem, segundo ensina São Paulo a Timóteo (cf. 1 Tim 2,1-5), como se pode admitir que alguns incorram em condenação eterna? Antes do mais vamos colocar o problema em termos claros ante os nossos olhos; a seguir, analisaremos a sua solução clássica. 1. O problema 1.1.&#160;Consultando a Sagrada [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/se-deus-quer-que-todos-se-salvem-como-alguns-se-condenam/">Se Deus quer que todos se salvem, como alguns se condenam?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Se Deus quer que todos se salvem" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/Se-Deus-quer-que-todos-se-salvem-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p> <em>Se Deus quer que todos os homens se salvem, segundo ensina São Paulo a Timóteo (cf. 1 Tim 2,1-5), como se pode admitir que alguns incorram em condenação eterna?</em></p>



<p>Antes do mais vamos colocar o problema em termos claros ante os nossos olhos; a seguir, analisaremos a sua solução clássica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. O problema</strong></h2>



<p><strong>1.1.</strong>&nbsp;Consultando a Sagrada Escritura, o leitor nela encontra uma série de textos que afirmam a vontade salvífica universal de Deus (ou o desejo que o Senhor tem de salvar todos os homens).</p>



<p>a) Assim desde os inícios do Antigo Testamento ressoa a promessa de um futuro Redentor destinado a todos os homens sem restrição: «Porei inimizades entre a linhagem da mulher e a linhagem da serpente&#8230;» (cf. Gên 3,15s).</p>



<p>Quando em 1800 a. C. Deus escolhe Abraão e seus descendentes para constituírem a estirpe do Messias, prediz que por essa disposição serão largamente agraciados todos os povos: «Todas as nações da Terra serão abençoadas por teu intermédio» (Gên 12,2s; cf. 22,18). Por meio de Israel Deus quis proporcionar a salvação ao gênero humano inteiro, como, aliás, frequentemente inculcam os Profetas: cf. Is 49,6; 53,11; 60,1-4; 66,18-23; Zac 8,20-23; 14,16-19.</p>



<p>Por fim, o Senhor mais de uma vez nas Escrituras Sagradas declarou explicitamente que «não quer a morte do pecador, mas, sim, que se converta e viva» (Ez 33,11; cf. 18,27s), pois Ele ama todas as criaturas, principalmente os pecadores penitentes (cf. Sab ll,24s ; 12,16-22).</p>



<p>b) Muito mais rico em testemunhos congêneres é o Novo Testamento, onde Jesus aparece como «o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo» (cf. Jo 1,29) ou como o Filho que Deus Pai, por amor, entregou para salvar o mundo (cf. Jo 3,16). É São Paulo quem com a máxima clareza desvenda o desígnio divino:</p>



<p>«Antes do mais, exorto a que se façam preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens&#8230; Isto é bom e agradável aos olhos de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem, que se deu em resgate por todos» (1 Tim 2,1-6).</p>



<p>Qualquer interpretação restritiva do texto seria alheia à intenção do Apóstolo: a salvação é universal, porque Cristo, o único Salvador, morreu por todos. Note-se, aliás, a tríplice ocorrência do termo «todos» na passagem acima.</p>



<p>São Pedro, por sua vez, faz observar que «o Senhor&#8230; procede com paciência&#8230;, não querendo que alguém pereça, mas, ao contrário, desejando que todos recorram à penitência» (2 Pdr 3,9).</p>



<p>Em conclusão, os textos até aqui citados dão a ver que da parte de Deus não há restrição alguma à salvação dos homens; todos recebem o mesmo chamado e os mesmos meios para entrarem no gozo da bem-aventurança eterna.</p>



<p><strong>1.2.</strong>&nbsp;É inegável, porém, que, não obstante essa vontade salvífica universal, nem todos os homens de fato se salvam, conforme atesta a Sagrada Escritura mesma.</p>



<p>Chama-nos a atenção, por exemplo, o trecho no qual Cristo descreve o julgamento final, prevendo certo número de homens colocados à sua esquerda, onde ouvirão a sentença de reprovação: «Retirai-vos de Mim&#8230;!» «Estes, diz o Senhor, irão para o castigo eterno, ao passo que os justos entrarão na vida eterna» (cf. Mt 25,41-46).</p>



<p>É notório também o fecho da parábola das dez virgens, das quais cinco, retardatárias por sua negligência, batem à porta do Esposo, ouvindo por resposta : «Em verdade vos digo: não sei quem sois !» (Mt 25,12).</p>



<p>De resto, as parábolas escatológicas (ou concernentes ao fim dos tempos) costumam referir uma sentença de condenação para os que tiverem desprezado a graça de Deus; cf. Mt 25,30 (parábola dos talentos); Lc 19,24-27 (parábola das minas); Mt 24,50s (parábola do servo infiel); Mt 22,13 (parábola dos convidados às núpcias).</p>



<p>São Paulo enumera mesmo algumas categorias de pecadores que não poderão possuir o Reino de Deus :</p>



<p>«Não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos iludais! Nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os infames, nem os fraudulentos, nem os avarentos, nem os ebriosos, nem os caluniadores, nem os ladrões possuirão o Reino de Deus» (1 Cor 6, 9s).</p>



<p>Em outra passagem acrescenta o Apóstolo:</p>



<p>«As obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, magia, inimizades, contenda, ciúme, ira, rixas, discórdias, facções, sentimentos de inveja, embriaguez, orgias e outras coisas semelhantes. Já vos admoestei e de novo admoesto: aqueles que praticam essas coisas, não terão parte no Reino de Deus» (Gál 5,19-21).</p>



<p><strong>1.3.</strong>&nbsp;Recapitulando a doutrina da Sagrada Escritura, verifica-se que duas proposições são, com igual certeza, incutidas pelo texto bíblico:</p>



<p>Deus quer, sim, salvar todos os homens;</p>



<p>na verdade, porém, nem todos se salvarão.</p>



<p>Daí resulta um problema não desprezível. Com efeito; nada acontece em contrariedade à soberana vontade de Deus, nem mesmo a ruína dos pecadores; como então conciliar a vontade salvífica universal do Criador com a perda dos réprobos de que falam Jesus e o Apóstolo ?</p>



<p>A resposta a esta questão foi-se esboçando desde o séc. III (Tertuliano); chegou à sua formulação adequada nos escritos de São João Damasceno (+749), formulação que São Tomás explicitou e sancionou definitivamente. Consideremo-la rapidamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. A solução clássica</strong></h2>



<p><strong>2.1.</strong>&nbsp;Nada acontece sem a participação da vontade de Deus, dizia-se atrás.</p>



<p>Faz-se mister, porém, distinguir entre vontade antecedente e vontade consequente.</p>



<p>Chama-se vontade antecedente a vontade que se aplica ao seu objeto considerado em si mesmo, ou abstração feita das notas concretas acidentais de que esse objeto se possa revestir na realidade. Vontade consequente, ao contrário, é a vontade que visa o seu objeto tal como ele existe na ordem real, concreta, ou tal como ele se apresenta no plano da história. Pode acontecer que certo objeto, considerado em si mesmo ou em suas notas essenciais, deva ser tido como bom; visto, porém, à luz das circunstâncias concretas em que ele realmente existe, poderá merecer apreciação totalmente diversa.</p>



<p>Aplicando a distinção à questão focalizada, diremos:</p>



<p>Deus, em sua vontade antecedente, quer que todos os homens se salvem. Com efeito; Deus outorgou a todos a mesma natureza sequiosa do Bem infinito. Por conseguinte, considerando o homem segundo as notas essenciais da sua natureza, Deus certamente quer a salvação ou a posse da bem-aventurança para todos os homens ; foi em vista da felicidade eterna, e somente em vista desta, que o Senhor criou o gênero humano.</p>



<p>Considerando, porém, cada indivíduo humano de per si, tal como comparece perante o juízo de Deus após o currículo desta vida, o Senhor não pode querer que todos tenham indistintamente a mesma sorte bem-aventurada, pois nisto haveria injustiça. Na realidade, alguns homens, abusando do livre arbítrio, frustram sua vocação para a bem-aventurança eterna, aderindo incondicionalmente às criaturas. Sobre esses o Senhor Deus tem que proferir sentença diversa da que compete às almas retas. Portanto, em sua vontade consequente, Deus, justo como é, não pode querer a salvação de todos os homens, mas há de querer o castigo dos maus (aliás, esse «querer o castigo dos maus», em última análise, não é senão «respeitar a livre opção dos que se quiseram saciar com as criaturas», como ainda mais claramente diremos abaixo).</p>



<p>Um caso análogo ilustra bem a doutrina proposta. Um juiz, antes que se ponha a julgar as causas dos acusados, quer, em vontade antecedente, absolver a todos, se possível. Acontece, porém, que, após examinar processo por processo, em sua vontade consequente, ele tem que querer a punição dos réus. Absolver a todos, sem distinção de inocentes e culpados, não seria justo nem contribuiria para o bem comum.</p>



<p><strong>2.2.</strong>&nbsp;Algumas observações tornam-se agora oportunas a fim de se aprofundar quanto acaba de ser dito.</p>



<p>a) Como se entende, a distinção entre vontade antecedente e vontade consequente não implica imperfeição em Deus. Na verdade, tudo é simultâneo perante o Senhor; contudo as criaturas, às quais se aplica a vontade divina, podem e devem ser consideradas segundo modalidades diversas, ou seja, ora em si mesmas, no plano das meras idéias, ora revestidas de suas notas concretas e contingentes, no plano das realidades históricas, o que nos habilita a falar de vontade antecedente e vontade consequente em Deus.</p>



<p>b) Note-se ainda que a vontade antecedente do Senhor, que quer salvar todos os homens, não é mera veleidade estéril. Não, é vontade eficaz, no sentido de que ela quer e prepara para todos os homens, indistintamente, os meios necessários à salvação; contudo o Senhor dignou-se condicionar os resultados desses meios à aquiescência do livre arbítrio do homem, de sorte que, embora tudo esteja preparado da parte de Deus, nenhum fruto positivo de salvação se obtenha, caso o homem recuse as graças outorgadas pelo Pai do céu.</p>



<p>Em outros termos: Deus, ao querer a salvação de todos os homens em sua vontade antecedente, quer salvar sem extinguir o livre arbítrio do homem; antes, &#8230; envolvendo a livre colaboração da criatura; o Todo-Poderoso não quis dotar o homem de livre arbítrio para reduzi-lo, no momento decisivo, à categoria de autômato.</p>



<p>c) A vontade consequente segundo a qual Deus não quer que tal ou tal indivíduo em particular se salve, é vontade meramente permissiva. Na verdade, o Senhor apenas permite que o homem se condene; nunca decreta a condenação da criatura por um ato positivo e explícito. Todas as vezes que uma alma humana se perde, deve-se dizer que foi essa criatura quem escolheu livremente tal sorte, desprezando os auxílios da graça a ela dispensados pelo Criador. Este apenas reconhece o alvitre do livre arbítrio criado; não o violenta, porque a violentação equivaleria a contradição e incoerência por parte do Criador (é por não levarem em conta este pormenor que tantas pessoas não veem como conciliar a bondade de Deus com a infelicidade póstuma do homem).</p>



<p>d) Naturalmente o estado de condenação não tem fim. Não é necessário que Deus decrete isto por um ato explícito de sua santíssima vontade; a perpetuidade da condenação póstuma é simples consequência do fato de que a alma humana é por si imortal (não consta de partes que se possam decompor, acarretando a morte); ela permanece, portanto, indefinidamente na disposição mesma em que a morte colheu o respectivo indivíduo.</p>



<p>E porque não poderia a alma mudar de disposições após a morte ?</p>



<p>Ela não o pode porque é somente em união com o corpo, nesta vida mortal, que a alma pode adquirir novas idéias e, mediante estas, novos afetos ou novas tendências&#8230; Tal é a psicologia humana.</p>



<p>e) Eis como em poucas palavras São João Damasceno resume toda a doutrina da vontade salvífica de Deus:</p>



<p>«Deus quer, por sua vontade primária e antecedente, que todos os homens sejam salvos e feitos participantes do seu Reino. Com efeito, Ele nos cria, não para nos punir, mas porque é bom, para nos fazer usufruir da sua bondade. &#8230; Essa vontade primária e antecedente coincide propriamente com o desejo de Deus; em Deus está a causa dessa vontade. A outra vontade [ou modalidade do querer] é chamada consequente; consiste apenas numa permissão; ela tem sua raiz em nossos atos» (De fide orthodoxa II 29).</p>



<p>Eis os respectivos textos de São Tomás: In I Sent., dist.&nbsp;XLVT qu. 1, a. 1. ad 2; De verit. qu. XXIII a. 2; S. Theol.&nbsp;I qu. XIX a. 9; qu. XXII a. 2; qu. XXIH a. 5 ad 3.</p>



<p><strong>2.3.</strong>&nbsp;Voltando agora ao texto de São Paulo, 1 Tim 2,1-5, observaremos um pormenor assaz significativo:</p>



<p>Ao afirmar que Deus quer a salvação de todos os homens o Apóstolo emprega o verbo <em>thélo</em> (<em>thélei</em>, em 1 Tim 2,4). Ora tal verbo nos livros do Novo Testamento em geral, significa frequentemente um desígnio que Deus mesmo se digna condicionar a certos fatores sem lhe atribuir eficácia absoluta (cf. Mt 23, 37: «Jerusalém, Jerusalém, &#8230; quantas vezes quis [<em>ethélesa</em>] Eu reunir teus filhos como a galinha reúne os pintinhos debaixo de suas asas&#8230; e tu não o quiseste!»). Ao contrário, quando os escritores sagrados tencionam exprimir um decreto absoluto da vontade divina, usam o verbo <em>boulomai</em>; cf. 1 Cor 12, 11; Lc 10,22; 22,42; Hebr 6,17; Mt 11,27; Mc 15,15; At 13,36; 20,27.</p>



<p>Esta nota filológica corrobora bem a conclusão acima exposta de que a vontade salvífica universal de Deus não é absoluta, mas é, pelo próprio Senhor, condicionada à livre colaboração da criatura humana.</p>



<p><strong>2.4.</strong>&nbsp;A titulo de ilustração, seguem-se algumas sentenças menos felizes, propostas por S. Agostinho para conciliar a vontade salvífica universal de Deus com a perda dos réprobos:</p>



<p>a)&nbsp;<strong>explicação distributiva</strong>: Deus não quer pròpriamente a salvação de cada criatura individual, mas a de representantes de todos os tipos humanos (reis, nobres, plebeus, doutos, indoutos, etc.); cf. Enchir. 103;</p>



<p>b)&nbsp;<strong>explicação restritiva</strong>: Deus quer a salvação de todos os homens que de fato venham a ser salvos; aqueles que se salvam só se salvam porque Deus o quer. —&nbsp;O S.&nbsp;Doutor ilustra esta interpretação mediante a seguinte imagem: dado que numa determinada aldeia só haja um mestre de escola, diz-se que todos os habitantes da aldeia recebem dele a sua instrução; é verdade que nem todos vão à escola, mas o fato é que os que vão à escola e aprendem letras só as aprendem por intermédio de tal mestre&#8230; Ora, de modo semelhante, conforme S. Agostinho, dir-se-ia que Deus quer salvar todos os homens, não porque de fato todos se salvem, mas porque os que se salvam, só se salvam por vontade de Deus; cf. De praedestin. sanct. 8,14;</p>



<p>c)&nbsp;<strong>explicação pedagógica</strong>: Na verdade, São Paulo apenas teria intencionado dizer: Deus quer que nós queiramos a salvação de todos os homens. Cf. de corrept. et gratia 15,47.</p>



<p>S. Agostinho só propôs tais sentenças à guisa de hipóteses e nos últimos escritos de sua vida; visava, com isso, reprimir o otimismo herético dos pelagianos, que atribuíam à natureza humana plena capacidade para se salvar por si mesma, sem o auxílio da graça divina. O S. Doutor, porém, nunca retratou a sentença clássica, que ele mesmo adotara em seus escritos anteriores, sentença segundo a qual a salvação é oferecida por Deus a todos os homens sem exceção. Consequentemente, não se dará grande peso a alguma das hipóteses acima recenseadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>3. Declarações do magistério eclesiástico</strong></h2>



<p>Não se poderia encerrar a presente explanação sem se citarem algumas importantes afirmações de concílios e Sumos Pontífices&#8230; Darão a ver melhor como a Santa Igreja sempre repeliu qualquer concepção pessimista a respeito da salvação eterna, afirmando que só se perdem os homens que livremente resistem à graça divina. Eis os textos que mais interessam ao estudioso da questão:</p>



<p>1) O símbolo niceno-constantinopolitano no séc. IV professa: «O Filho de Deus&#8230;. por causa de nós, homens, e da nossa salvação, desceu dos céus&#8230; também foi crucificado em nosso favor» (Den- zinger, Enchiridion 86).</p>



<p>2) O concilio regional de Aries (475) promulgou uma carta assinada por doze bispos, a qual, entre outras teses, condenava as seguintes: «Aquele que perece, não recebeu os meios para se salvar» (can. 2); «Cristo não morreu por todos, nem quer que todos os homens se salvem» (cân. 6).</p>



<p>3) O concilio regional de Quierzy (853) teve que tomar posição frente a Godescalco, heresiarca segundo o qual Deus desde toda a eternidade predestinou os réprobos para a condenação eterna. Eis como se pronunciaram os Padres conciliares:</p>



<p>«Deus Todo-Poderoso quer que todos os homens, sem exceção, sejam salvos. Se certos dentre eles se salvam, isto se faz por dom d&#8217;Aquêle que salva; se, porém, certos perecem, isto acontece por culpa dos que perecem» (cân. 3);</p>



<p>«Não há, não houve, nem haverá jamais algum homem, do qual Cristo Jesus, Nosso Senhor, não tenha tomado a natureza. Da mesma forma, não há, não houve, nem haverá jamais homem por quem Ele não tenha sofrido, se bem que nem todos se beneficiem do resgate mediante o mistério de sua Paixão. O fato de que nem todos se beneficiam do resgate mediante o mistério de sua Paixão, não afeta de modo algum a grandeza e a abundância do preço, mas deve-se unicamente à atitude de quem não tem fé ou de quem não possui a fé que age pela caridade. O cálice da salvação humana, preparado para a nossa fraqueza pelo poder divino, contém o necessário para aproveitar a todos; mas, se alguém não o beber, não será por ele curado» (cân. 4).</p>



<p>4) Em 855 o concilio de Valença (França) afirmava:</p>



<p>«Ninguém é condenado por um juízo prévio de Deus, mas, sim, porque o mereceu mediante a sua própria iniquidade. Os maus, portanto, perecem não porque não puderam ser bons, mas porque não o quiseram e por sua culpa permaneceram na massa condenada em consequência do seu demérito original ou mesmo atual» (cân. 2).</p>



<p>«Reprovamos<strong>&nbsp;com horror aqueles que creem nessa monstruosidade,</strong>&nbsp;a saber: que alguns tenham sido predestinados ao mal pela potência divina&#8230; de tal sorte que não possam ser senão maus&#8230;» (cân 3).</p>



<p>5) Em 1547, o concilio ecumênico de Trento repetia palavras de S. Agostinho assim concebidas:</p>



<p>«Deus não preceitua coisas impossíveis; sempre que preceitua algo, Ele exorta o homem a fazer o que esteja em seu alcance, e a pedir o que ultrapasse esse seu alcance» (Denzinger, ob. cit. 804).</p>



<p>6) Em 1653, o Papa Inocêncio X condenava, entre outras proposições de Cornélio Jansênio, a seguinte:</p>



<p>«É semipelagiano (isto é, herético) dizer que Jesus Cristo morreu ou que derramou o seu sangue por todos os homens» (Denzinger 1096).</p>



<p>Essa proposição, interpretada no sentido de que Cristo só morreu pelos predestinados, foi tida como ímpia, blasfematória, injuriosa, ofensiva à bondade divina e herética.</p>



<p>7) Em 1690 Alexandre VIII anatematizava mais as seguintes sentenças jansenistas:</p>



<p>«Cristo se ofereceu a Deus Pai em sacrifício por nós, não pelos escolhidos apenas, mas também por todos os fiéis, e somente por estes» (Denzinger 1294).</p>



<p>«Os pagãos, os judeus, os hereges e outros homens semelhantes não recebem influxo algum de Jesus Cristo; donde deduzirás que sua vontade está destituída de todos os recursos para se impor, assim como de toda graça suficiente» (Denzinger 1295).</p>



<p>Os teólogos modernos têm estendido os seus estudos aos mais variados aspectos do problema: salvação dos pecadores obstinados, dos apóstatas, dos pagãos, das crianças falecidas sem batismo, etc. Concordam em afirmar que Deus quer a salvação de todos, concedendo a cada indivíduo as graças suficientes para isso; divergem, porém, entre si, ao tentarem indicar o modo como o Senhor distribui suas graças; em última análise, o motivo dessa divergência acidental é a soberania do comportamento divino, cujas sábias normas o homem jamais poderá discernir cabalmente.</p>



<p>Após quanto foi até aqui ponderado, o cristão fará consequentemente um ato de incondicional entrega às disposições da Providência Divina, que certamente tudo dirige para a santificação dos fiéis. O discípulo de Cristo procurará viver dessa certeza, sabendo que cada um de seus atos o pode e deve encaminhar para a vida eterna. E deixará de lado questões sutis, que só servem para desviar dos verdadeiros valores a atenção dos homens curiosos!</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/se-deus-quer-que-todos-se-salvem-como-alguns-se-condenam/">Se Deus quer que todos se salvem, como alguns se condenam?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/se-deus-quer-que-todos-se-salvem-como-alguns-se-condenam/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como pode haver ressurreição de um corpo decomposto?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/como-pode-haver-ressurreicao-de-um-corpo-decomposto/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=como-pode-haver-ressurreicao-de-um-corpo-decomposto</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/como-pode-haver-ressurreicao-de-um-corpo-decomposto/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2020 16:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=9661</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="2500" height="1667" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como pode haver ressurreição de um corpo decomposto" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash.jpg 2500w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-600x400.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-300x200.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-768x512.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-450x300.jpg 450w" sizes="auto, (max-width: 2500px) 100vw, 2500px" /></div>
<p>Por muito árdua que pareça, esta questão se resolve com clareza desde que o estudioso se disponha a raciocinar lealmente. É o que vamos fazer, explanando em primeiro lugar alguns dos fundamentos revelados do dogma da ressurreição; feito isto, abordaremos as duas explicações que hoje se propõem para as dificuldades daí resultantes. 1. Alguns dados da Revelação É [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/como-pode-haver-ressurreicao-de-um-corpo-decomposto/">Como pode haver ressurreição de um corpo decomposto?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="2500" height="1667" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Como pode haver ressurreição de um corpo decomposto" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash.jpg 2500w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-600x400.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-300x200.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-768x512.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/zac-durant-_6HzPU9Hyfg-unsplash-450x300.jpg 450w" sizes="auto, (max-width: 2500px) 100vw, 2500px" /></div>
<p>Por muito árdua que pareça, esta questão<strong><em><strong><em> </em></strong></em></strong>se<strong><em><strong><em> </em></strong></em></strong>resolve com clareza desde que o estudioso se disponha a raciocinar lealmente. É o que vamos fazer, explanando em primeiro lugar alguns dos fundamentos revelados do dogma da ressurreição; feito isto, abordaremos as duas explicações que hoje se propõem para as dificuldades daí resultantes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. Alguns dados da Revelação</strong></h2>



<p>É dogma de fé cristã que todos os homens ressuscitarão um dia em corpo não só especificamente, mas também numericamente igual ao corpo em que vivem na terra.</p>



<p>Identidade específica significaria, no caso, união da alma com um corpo humano qualquer, exigindo-se apenas que fosse verdadeiro corpo humano. Identidade numérica, porém, diz união com um corpo portador das mesmas notas individuantes ou dos mesmos traços pessoais que hoje o caracterizam.</p>



<p>O dogma cristão, por conseguinte, professa que a carne da qual hoje se serve a alma como de instrumento de méritos e deméritos, compartilhará a sorte eterna dessa alma, unindo-se-lhe de novo.</p>



<p>Esta verdade se deduz de repetidas afirmações do Senhor Jesus, tais como:</p>



<p>«<em>Não vos admireis, pois vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho do Homem, e sairão; os que tiverem praticado o bem, ressuscitarão para a vida; os que tiverem cometido o mal, ressuscitarão para a condenação</em>» (Jo 5,28).</p>



<p>«<em>Os filhos deste século esposam e são esposados; aqueles, porém, que tiverem sido julgados dignos de tomar parte no mundo futuro e na ressurreição dos mortos, não esposarão nem serão esposados; também não poderão morrer, pois serão semelhantes aos anjos e serão filhos de Deus, uma vez ressuscitados</em>» (Lc 20, 34-36).</p>



<p>São Paulo chega a dizer categoricamente:</p>



<p>«<em>Se se apregoa que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas, se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a vossa fé</em>» (1 Cor 15, 12-14; cf. 20-22; 42-49).</p>



<p>Quanto à identidade de corpo mortal e corpo ressuscitado, ela se verificou em Cristo; era condição absolutamente necessária para que houvesse Redenção. Justamente a finalidade da vinda do Senhor à carne humana era colocar a imortalidade na mesma matéria que era portadora da morte, depositar glória nos mesmos corpos marcados pela ignomínia. Realizando tal inversão de sortes em sua carne, Cristo a anunciou a todos os homens.</p>



<p>A Igreja, no decorrer dos tempos, explicitou a mensagem de Jesus:</p>



<p>«<em>Creio também na verdadeira ressurreição da mesma carne de que agora sou portador</em>» (Símbolo de fé redigido pelo Papa São Leão IX em 1053; Denzinger, Enchiridion 347).</p>



<p>«<em>Com o coração cremos e com os lábios professamos a ressurreição desta carne que agora trazemos, e não de outra</em>» (Inocêncio III, em 1208, profissão de fé para os Valdenses; Denzinger 427).</p>



<p>Sto. Agostinho (+430), por sua vez, escrevia:</p>



<p>«<em>Esta carne há de ressuscitar, esta mesma que é sepultada, que morre; esta que se vê, que é apalpada, que precisa de comer e beber, para poder subsistir; esta que conhece a doença, sofre dores, esta mesma há de ressuscitar</em>» (serm. 264,6).</p>



<p>É de toda conveniência a identidade assim apregoada: a alma aqui na terra não decide a sós a sua eterna sorte, mas para isto usa do corpo, o qual de certo modo lhe marca e caracteriza a fisionomia espiritual; é lógico, portanto, que essa alma não participe a sós da sua recompensa eterna, resposta aos atos da vida presente, mas também nisto esteja associada ao corpo.</p>



<p>Eis, porém, que tal doutrina suscita dificuldades desde os inícios do Cristianismo. Pergunta-se, com efeito: como se há de entender a identidade numérica de corpo mortal e corpo ressuscitado, já que o cadáver se dissolve em poeira, a qual se espalha pelos quatro ventos, entrando fàcilmente na composição de outros organismos ?</p>



<p>A esta questão os teólogos propõem duas respostas, que passamos a analisar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. As duas sentenças</strong></h2>



<p><strong>2.1.</strong>&nbsp;A tese aparentemente mais natural afirma que a mesma matéria da qual constava o corpo antes da morte, deverá concorrer para a reconstituição da carne no fim dos tempos. Não será necessário, porém, que todas as cinzas do cadáver sejam recolhidas donde quer que se achem no dia da ressurreição; bastará que uma parte das mesmas, até uma parte muito exígua, entre no novo organismo ; o que, por um motivo qualquer, vier a faltar, Deus o suprirá em sua Onipotência. São Tomás (+1274) acrescentava que, nos casos de antropofagia, a carne humana consumida por outro homem ressuscitará no corpo a que tiver pertencido primeiramente; dado que o indivíduo antropófago só se tenha alimentado de carne humana por todo o decurso da sua vida, ressuscitará com a carne que seus pais lhe tiverem comunicado ao nascer (Suma e Gentios 4,81). — São Tomás, São Boaventura (+1274), Scoto (+1308), Suarez (+1617) eram da opinião de que, conforme Mt 24, 12, os anjos colaborarão para a ressurreição dos mortos, reunindo as cinzas dispersas e preparando-as para a reintegração dos corpos.</p>



<p>A titulo de ilustração, citamos ainda as seguintes considerações de São Tomás sobre a matéria dos corpos ressuscitados.</p>



<p>Estes terão a estatura ou as dimensões que lhes conviriam na idade madura (que seria a idade de Cristo ressuscitado). Ninguém, pois, ressuscitará na estatura de criança ou de ancião. Caso a natureza, num ou noutro indivíduo, haja produzido algum defeito ou algum excesso de crescimento desarmonioso, Deus reduzirá essa anormalidade ao tamanho normal. É, pois, de crer que ninguém ressurgirá num corpo ridiculamente alto ou ridiculamente baixo (cf. Suma c. Gentios 4,81).</p>



<p>Dada a sobriedade da Revelação Divina no que se refere aos pormenores, não se atribuirá demasiado peso a tais conjeturas referentes ao tamanho dos corpos ressuscitados. Contudo não se porá em dúvida que estes carecerão de qualquer vestígio de mutilação ou defeituosidade.</p>



<p>A sentença acima, tendente a explicar a identidade dos corpos ressuscitados, era muito comum entre os teólogos medievais; ainda hoje goza de favor. Parece, aliás, ser a única forma de elucidar o fato de que ressuscitaremos na mesma carne que agora trazemos. Além disto, alguns autores se comprazem em sublinhar que ela muito põe em realce a índole misteriosa da ressurreição: assinala largas partes à Onipotência Divina na reconstituição dos corpos.</p>



<p><strong>2.2.</strong>&nbsp;Contudo é preciso frisar que tal sentença não constitui a única elucidação do problema. Hoje em dia bom número de teólogos dá preferência a outra tese, que parece muito mais condizente tanto com os dados da Teologia como com os da reta Filosofia. Consideremos tal outra sentença, procurando tornar tão claras quanto possível algumas noções especulativas que ela necessariamente pressupõe.</p>



<p>Leve-se em conta a distinção entre forma e matéria, distinção não forjada por teólogos católicos para dar base ao dogma, mas proposta já pelo filósofo Aristóteles (+322 a.C.). Matéria e forma são as duas substâncias incompletas que entram na composição de todo e qualquer corpo. A forma é o elemento ativo, que traz todas as notas positivas e características do sujeito ; a matéria é pura potência, pura capacidade de receber. Esta pura capacidade, porém, não é mero nada.</p>



<p>O fato de que não é mero nada, se pode ilustrar por uma. analogia, que, embora não seja de todo adequada, como não o são em geral as analogias, concorre para elucidar a noção. Tenha-se em vista um pedaço de mármore; nele dizemos que há potência para receber as cinzeladas artísticas ou a atuação que um escultor lhe queira dar, a fim de o tornar bela estátua (de César, por exemplo). Esta mesma potência, porém, não pode ser atribuída a uma quantia de água; esta é de todo incapaz de receber a atuação ou a determinação que um artista, mediante o cinzel, lhe deseje imprimir. Assim, embora o mármore bruto e a água não representem os traços de César, contudo não podem ser equiparados entre si: no mármore há, sim, uma potência real a se tornar estátua de César, coisa que não há na água.</p>



<p>Tal analogia serve ao menos para ilustrar como a potência (na distinção aristotélica entre «potência» e «ato» ou «matéria» e «forma») não é mero nada, mas é parte constitutiva de um ser completo: a estátua de César nunca se concretizaria se só houvesse a arte do artista e não existisse a potência que o mármore oferece (e que a água não oferece).</p>



<p>Pois bem; a alma, em relação ao corpo, se comporta como forma (ou ato) em relação à matéria. A matéria unida à alma traz as notas características de matéria humana, de corpo, e de corpo bem determinado pelos traços individuais de Pedro, Tiago, Maria, etc. É matéria penetrada pela sua forma respectiva, matéria «atuada» ou matéria segunda, como dizia Aristóteles.</p>



<p>Uma vez separada da alma pela morte, não se julgue que essa matéria continuará a guardar as notas características de tal indivíduo (Pedro, Tiago, Maria&#8230;). Não; ela as perde, porque lhe são comunicadas pela alma. Donde se segue que a matéria do corpo, pela morte, volta a ser pura potência, pura capacidade, matéria primeira (diria Aristóteles), aberta para receber outra forma ou outras formas que não a alma humana. Em geral, o cadáver passa a ser cálcio, ferro, hidrogênio, oxigênio, carbono&#8230;; o que quer dizer: a respectiva matéria é reduzida à pura potência e neste estado recebe novas formas (as formas do cálcio, do ferro, do hidrogênio&#8230;) que lhe dão a capacidade de reagir tipicamente como cálcio, ferro, hidrogênio, e não mais como carne ou ossos humanos.</p>



<p>Em vista de maior clareza, poder-se-ia repetir a mesma doutrina do seguinte modo: é a forma que faz que tal matéria seja a matéria correspondente a tal forma. Donde se segue que, por si, a matéria é capaz de receber qualquer forma e assumir, em união com esta, as mais diversas notas especificas e individuais; assim a matéria de per si é indiferente a se tornar a matéria de uma planta (isto é, a ser informada por uma forma vegetativa), a de um animal irracional (isto é, a ser informada por uma forma sensitiva), a de um animal intelectual (isto é, a ser informada por uma alma humana).</p>



<p>De quanto foi dito se depreende que não há motivo para que o Senhor Deus no fim dos tempos recolha as pretensas parcelas do corpo humano esparsas pelo universo, a fim de ressuscitar tal corpo. As parcelas materiais que pertencem a um organismo, pela morte deixam de possuir suas notas individuantes, características de tal organismo; consequentemente qualquer potência, qualquer matéria primeira poderá desempenhar com igual resultado o papel de receptáculo da alma, dando o mesmo corpo, portador das mesmas notas individuais, características do corpo anterior à morte e à ressurreição. Basta, para a identidade do conjunto, que a alma (de Pedro, de Maria&#8230;) se conserve a mesma no intervalo que medeia entre a morte do ser humano e a ressurreição; ora, na verdade, a alma não perde sua identidade ou suas notas determinantes, quando se separa do corpo, de sorte que ela pode perfeitamente reconstituir o mesmo corpo, caso o Senhor Deus no dia da ressurreição a queira de novo associar à matéria ou à pura potência receptiva.</p>



<p>Em consequência destas noções, verifica-se que o dogma da identidade numérica de corpo mortal e corpo ressuscitado de modo nenhum implica que, por ocasião do juízo universal, a Onipotência Divina se ponha a congregar a matéria deste ou daquele ser, de preferência à matéria de outros seres, a fim de reconstituir o corpo de João, Pedro, Maria, etc.. Não; a reconstituição dar-se-á simplesmente desde que o Senhor una de novo a alma de João, Pedro, Maria a uma pura potência (qualquer que tenha sido a história anterior dessa potência), a fim de que tal alma reproduza a individualidade característica do corpo de João, Pedro, Maria&#8230;</p>



<p>Ainda se pode ilustrar esta doutrina pela observação seguinte: o corpo humano vivo está em continuo processo de evolução, de sorte que de sete em sete anos toda a sua matéria se acha renovada, nada ficando da anterior. Ora, não obstante as mudanças, o corpo conserva suas notas típicas por todo o decurso da vida; fala-se do mesmo corpo de Pedro desde o nascimento até a morte. Esta identidade numérica lhe provém não da identidade da matéria, mas da identidade da forma (alma), que anima um corpo sempre em evolução e renovação.</p>



<p>Em conclusão : nada há que obrigue a exigir mais do que identidade de alma, para que haja identidade do indivíduo humano ressuscitado no último dia.</p>



<p>Esta solução pode ser tida como a consequência bem lógica da doutrina de que a alma é a forma substancial do corpo, tal como a entendem unanimemente os teólogos tomistas. Notáveis autores modernos (Billot, Feuling, Michel, Hugueny&#8230;) a professam sem detrimento para a reta fé. Uma vez admitida tal sentença, torna-se vã a pergunta: como reunirá Deus no último dia as partes dos diversos cadáveres dispersas pelos quatro cantos do mundo ou agregadas a outros corpos? Tal questão poria um problema que absolutamente não existe neste novo quadro de idéias.</p>



<p>Apenas com relação às relíquias dos santos (fragmentos dos corpos ou dos ossos) se poderia notar que, conforme julgam os teólogos, o Senhor Deus aproveitará as que subsistirem no dia da ressurreição final, a fim de reconstituir diretamente com elas os corpos dos respectivos justos. Daí especial motivo de veneração às relíquias sagradas!</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/como-pode-haver-ressurreicao-de-um-corpo-decomposto/">Como pode haver ressurreição de um corpo decomposto?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/como-pode-haver-ressurreicao-de-um-corpo-decomposto/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Ressurreição dos Mortos</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/a-ressurreicao-dos-mortos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-ressurreicao-dos-mortos</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/a-ressurreicao-dos-mortos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2020 15:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=9598</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Ressurreição dos Mortos" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Como se explica o texto de São Mateus 27,52s, que refere a ressurreição de defuntos no dia da morte do Senhor? Quem eram esses ressuscitados? Morreram novamente? Terão subido ao céu em corpo e alma com Jesus? A fim de facilitar a compreensão do texto, transcrevemo-lo dentro do respectivo contexto: «No mesmo instante (em que [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/a-ressurreicao-dos-mortos/">A Ressurreição dos Mortos</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Ressurreição dos Mortos" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/05/A-Ressurreição-dos-Mortos-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p><em><em>Como se explica o texto de São Mateus 27,52s, que refere a ressurreição de defuntos no dia da morte do Senhor? Quem eram esses ressuscitados? Morreram novamente? Terão subido ao céu em corpo e alma com Jesus?</em></em></p>



<p>A fim de facilitar a compreensão do texto, transcrevemo-lo dentro do respectivo contexto:</p>



<p>«<em>No mesmo instante (em que Jesus morreu)&#8230; a terra tremeu, as rochas se partiram, abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na Cidade Santa, e apareceram a muitas pessoas</em>» (Mt 27,51-53).</p>



<p>O sentido desta passagem deve ser elucidado por etapas.</p>



<p>1) Em primeiro lugar, impõe-se a pergunta: quando se deu a ressurreição dos mortos de que fala o Evangelista?</p>



<p>— Após uma primeira leitura, dir-se-ia: &#8230; na sexta-feira santa mesma, logo depois do terremoto. Acontece, porém, que esses defuntos só saíram dos sepulcros dois dias mais tarde, isto é, no domingo após a ressurreição de Cristo. Donde a dúvida: terão então ficado vivos nos seus túmulos durante quarenta ou mais horas?</p>



<p>Isso seria pouco provável; a Sabedoria Divina não terá ressuscitado mortos em vão, deixando-os vivos e latentes durante dois dias no sepulcro. Por tal motivo os exegetas em geral julgam que tanto a ressurreição dos justos como a sua saída dos sepulcros e seu aparecimento na Cidade Santa se deram no domingo após a ressurreição do Senhor Jesus. Este fica sendo, como São Paulo assevera, «o Primogênito dos mortos» (Col 1,18) ou «as primícias dentre os mortos» (1 Cor 15,20); o que quer dizer:&#8230; o Primeiro dos ressuscitados na ordem de coisas nova, cristã; a ressurreição de Jesus, Cabeça do Corpo Místico, deve ter precedido a de qualquer dos homens que imediatamente dela se beneficiaram.</p>



<p>É possível, porém, que já na sexta-feira santa os sepulcros tenham sido abertos: o terremoto então registrado haverá removido as respectivas pedras de ingresso.</p>



<p>Assim sendo, verifica-se que São Mateus, conforme a sua índole muito sistemática, ao referir os prodígios ocasionados pela morte de Cristo, quis logo mencionar a ressurreição dos mortos que se deu no domingo. Trata-se de um proceder estilístico que o leitor atento sabe descobrir e interpretar autenticamente, como acabamos de fazer.</p>



<p>2) O Evangelista visa inculcar verdadeira ressurreição dos mortos; em caso contrário, não teria falado de abertura dos sepulcros, mas apenas de aparições dos defuntos na Cidade Santa. Remova-se, portanto, a idéia de que as almas desses justos se manifestaram por meio de figuras corpóreas meramente artificiais.</p>



<p>3) E porque terão realmente ressuscitado tais defuntos? —Para dar aos vivos um testemunho muito evidente da vitória de Jesus sobre a morte; constituíam como que o cortejo solene do Triunfador da morte. Contribuíram assim para realçar a dignidade e a glória de Cristo perante os habitantes de Jerusalém. — Desta observação se seguem mais algumas importantes conclusões:</p>



<p>4) Os ressuscitados deviam ser justos recém-falecidos (não eram pessoas de épocas remotas que os contemporâneos de Jesus não pudessem reconhecer). Com efeito, para que a ressurreição desses justos tivesse significado, era preciso que seus concidadãos os houvessem conhecido em vida e pudessem atestar que de fato tinham estado mortos.</p>



<p>5) A qualidade dos corpos desses ressuscitados devia ser gloriosa, correspondente à que São Paulo descreve em&nbsp;1Cor 15,35-44. Não ressuscitaram, portanto, como Lázaro, num corpo mortal; era, sim, consentâneo que tais justos, constituindo o cortejo do Divino Salvador, tivessem corpo semelhante ao do Senhor ressuscitado. É isto, aliás, o que insinua a expressão «apareceram a muitos na Cidade Santa» utilizada pelo S. Evangelista: o verbo «aparecer» sugere um modo de se tornar presente diverso do modo como habitualmente a matéria se nos torna visível.</p>



<p>6) Por conseguinte, é lógico dizer que os justos ressuscitados de Mt 27, 52 não voltaram ao sepulcro, mas com Cristo subiram diretamente aos céus, em corpo e alma.</p>



<p>É verdade que S. Agostinho (ep. 164,9) e exegetas posteriores julgam haverem tais justos morrido de novo. Esta opinião porém não prevaleceu entre os comentadores, sejam antigos, sejam recentes, os quais ponderam as seguintes razões: os justos de Mt 27,52, tendo ressuscitado para dar testemunho da ressurreição do Senhor, deviam estar plenamente configurados a Cristo; ora Jesus, uma vez ressuscitado, já não morre. Ademais, se a Providência os tivesse chamado à vida de novo para mais uma vez os fazer morrer, ter-lhes-ia com isto infligido uma pena, e não um benefício — o que seria pouco condizente com a Perfeição Divina.</p>



<p>S. Agostinho apoiava sua tese de «condenação à morte» na proposição de Hebr 11,40, segundo a qual os justos da Antiga Lei não devem atingir a sua consumação sem nós, povo da Nova Lei (não se entenderia, portanto, que a ressurreição gloriosa e definitiva já tivesse sido dada a santos do Antigo Testamento). A esta dificuldade, porém replicar-se-á que a afirmação de Hebr 11 não exclui a possibilidade de algumas poucas exceções, como terão sido as que Mt 27 insinua.</p>



<p>7) Fica aberta a questão: onde estão localizados os corpos desses justos, dado que com Cristo tenham subido aos céus no dia da Ascensão solene do Senhor? — Nada de preciso nos diz a Revelação sobre o assunto, como já observamos em «P. R.»&nbsp;27/1960, qu. 3. As conjeturas seriam mais ou menos vãs.</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/a-ressurreicao-dos-mortos/">A Ressurreição dos Mortos</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/a-ressurreicao-dos-mortos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Predestinação e Liberdade</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/predestinacao-e-liberdade/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=predestinacao-e-liberdade</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/predestinacao-e-liberdade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2020 20:30:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=9257</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Predestinação e Liberdade" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A questão da predestinação se prende à do mal, de que trata «Pergunte e Responderemos» No&#160;5/1957, qu. 1. Tenha-se em vista o que aí se diz: 1) a possibilidade de errar é inerente ao conceito mesmo de criatura; 2) esta possibilidade se realizou no mundo quando o primeiro homem cometeu livremente o erro ou o [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/predestinacao-e-liberdade/">Predestinação e Liberdade</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Predestinação e Liberdade" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Predestinação-e-Liberdade-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A questão da predestinação se prende à do mal, de que trata «Pergunte e Responderemos» N<sup>o</sup>&nbsp;5/1957, qu. 1. Tenha-se em vista o que aí se diz: 1) a possibilidade de errar é inerente ao conceito mesmo de criatura; 2) esta possibilidade se realizou no mundo quando o primeiro homem cometeu livremente o erro ou o mal moral, o pecado; 3) os males físicos (misérias e morte) são consequências do pecado; 4) a culpa dessas desordens recai em última análise sobre o livre arbítrio do homem, não sobre Deus; 5) Este se apiedou da criatura, tomando a sua sorte na Encarnação e na morte de cruz, a fim de dar valor salvífico ao sofrimento.</p>



<p>Entremos agora no tema da predestinação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>I. Conceito e existência da predestinação</strong></h2>



<p>Por predestinação entende-se em Teologia o desígnio, concebido por Deus, de levar a criatura racional (o homem) ao fim sobrenatural, que é a vida eterna. Note-se logo que este desígnio tem por exclusivo objeto a bem-aventurança celeste; não há predestinação para o mal ou o inferno.</p>



<p>A Sagrada Escritura atesta amplamente a existência de tal desígnio no Criador. De um lado, ela ensina que a Boa Notícia da salvação deve ser anunciada a todos os povos (cf. Mt 28,19) e que Deus quer «sejam salvos todos os homens e cheguem ao conhecimento da verdade» (cf. 1 Tim 2,4). De outro lado, ela também diz que há homens que se perdem (cf. Jo 17,12) e que o Senhor exerce uma providência especial para salvar os que não se perdem:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Sabemos que, com aqueles que O amam, Deus colabora em tudo para o bem dos mesmos, daqueles que Ele chamou segundo o seu desígnio. Pois, aqueles que de antemão Ele conheceu, Ele também os predestinou a reproduzir a imagem de seu Filho&#8230; E, aqueles que Ele predestinou, Ele também os chamou (à fé); os que Ele chamou, Ele também os justificou (mediante o batismo); os que Ele justificou, Ele também os glorificou”</p><cite>(Rom 8.28-30). Cf, Ef 1,3-6; Rom 9,14; 11,33; Mt 20,23; 22,14; 24,22-24; Jo 6,39; 10,28.</cite></blockquote>



<p>Na base destes textos, não resta dúvida entre os teólogos, desde o início do Cristianismo, sobre o fato da predestinação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>II. O modo como Deus predestina</strong></h2>



<p>Está claro que o homem, como ser essencialmente relativo depende do Criador não somente quanto ao seu existir, mas também quanto ao agir; já que ele nada é por si mesmo, também nada pode por si. É Deus, pois, quem lhe outorga o dom de praticar atos bons e, mediante os seus atos bons, chegar ao último fim, à bem-aventurança eterna. Esta conclusão se torna particularmente imperiosa se tem-se em vista o caso do cristão: este é chamado a um fim sobrenatural (a visão de Deus face a face), objetivo que, ultrapassando todas as exigências da natureza, só por graça de Deus sobrenatural pode ser alcançado.</p>



<p>Estas proposições, claras em si mesmas, suscitam sério problema desde que se indague: como conciliar a primazia da ação de Deus no homem com a liberdade de arbítrio da criatura? Não se torna vã esta última debaixo daquela? Ou, vice-versa, não deve aquela retroceder para que seja esta salvaguardada?</p>



<p>A fim de resolver a questão, dois sistemas são propostos pelos teólogos:</p>



<p>1) o&nbsp;<strong>sistema molinista</strong>: segundo L. Molina S. J. (+1600), Deus oferece a sua graça a todo homem; este, posto diante da oferta, livremente escolhe aceitá-la ou não; caso a aceite, a graça se torna eficiente, operante, e induz o homem a praticar o bem.</p>



<p>Estendendo a sua doutrina à questão da predestinação, Molina ensinava que Deus, desde toda a eternidade, na sua «ciência média», prevê como cada um dos homens se comportaria em relação à graça nas mais variadas circunstâncias da vida. Diante desta visão, o Criador decreta colocar tal indivíduo em tais e tais circunstâncias em que Ele sabe que a criatura aceitará a graça, e assim irá merecendo a salvação eterna. Desta forma, Deus predestina para a glória, mas — note-se bem —<strong>&nbsp;praevisis meritis,</strong>&nbsp;depois de haver previsto os méritos da criatura;</p>



<p>2) o&nbsp;<strong>sistema tomista</strong>&nbsp;(que tem por pioneiro Domingos Bafiez O. P., +1604): partindo do princípio de que nada, absolutamente nada, pode haver na criatura que não lhe venha de Deus, ensina que a graça é eficaz por si mesma, anteriormente a qualquer determinação ou atitude do homem; não é este quem determina aquela, mas é a graça que predetermina a este, não moralmente apenas (por meio de exortação), mas Fisicamente (por sua moção intrínseca, soberana). Contudo a graça por si eficaz não extingue a liberdade de arbítrio do homem; ao contrário, movendo e predeterminando a criatura, move tudo que nesta se encontra, isto é, as faculdades de agir e o livre arbítrio mesmo; ela dá ao homem não somente o agir, e tal agir determinado, mas também a modalidade com que o homem costuma agir, isto é, a&nbsp;<strong>liberdade</strong>; em consequência, sob a graça eficaz (na doutrina tomista) o homem pratica infalivelmente a ação à qual Deus o predetermina, mas pratica-a sem perder a sua liberdade, antes atuando-a plenamente. Como se vê, o tomismo é rigorosamente lógico: partindo dos conceitos de Criador e criatura, ensina que Deus deve ser o Autor de tudo aquilo de que também o homem é autor, até mesmo desta determinação do homem e do modo livre de tal determinação; o homem deve a Deus não somente a sua faculdade de livre arbítrio, mas também o uso preciso (tal e tal modo de usar) dessa faculdade.</p>



<p>No tocante à predestinação, o tomismo consequentemente afirma que Deus a decreta&nbsp;<strong>ante praevisa merita</strong>, antes de prever os méritos do homem: de maneira absoluta e independente, o Criador determina levar tal e tal criatura à glória eterna e, por conseguinte, conferir-lhe os meios necessários para que a alcance. Em consequência desta predestinação é que o homem produzirá atos meritórios no decorrer da sua vida; estes são gratuitos dons de Deus; não desencadeiam o amor divino, mas, ao contrário, são desencadeados pelo liberal beneplácito do Senhor.</p>



<p>Nos séculos XVII/XIX alguns teólogos procuraram sistemas intermediários, conciliatórios entre o tomismo e o molinismo; recaíram, porém, indiretamente neste ou naquele. De fato, os dois sistemas são irredutíveis um ao outro. Quando foram pela primeira vez propostos na história, o Papa Clemente VITI instituiu em Roma uma Comissão ou Congregação dita «de auxiliis» («concernente aos auxílios da graça») a fim de os julgar. As sessões da Congregação prolongaram-se de 2 de janeiro de 1598 a 20 de agosto de 1607, tendo os Soberanos Pontífices tomado parte pessoal nos estudos respectivos. Finalmente o Papa Paulo V resolveu suspender o exame da questão, declarando lícito ensinar qualquer dos dois sistemas, pois nenhum deles envolve heresia (um e outro salvaguardam suficientemente a soberana ação de Deus e o livre arbítrio do homem, embora o tomismo mais acentue aquela e o molinismo mais realce a este). O Papa Bento XIV confirmou esta decisão em um decreto de 13 de julho de 1748.</p>



<p>Fica, portanto, aos teólogos e fiéis católicos a liberdade de optar entre as duas teorias acima propostas. O católico tanto pode ser tomista como pode ser molinista; a ação do Espírito Santo em sua alma, a sua conaturalidade com as coisas de Deus lhe sugerirão a atitude a tomar.</p>



<p>Há, porém, três pontos atinentes à doutrina estudada sobre os quais a Santa Igreja se pronunciou definitivamente, de sorte que tanto molinistas como tomistas os professam indistintamente:</p>



<p>1) a conversão do pecador a Deus, ou seja, o ato inicial da via da salvação já é efeito da graça de Deus; é Deus quem primeiramente se volta para o pecador e lhe dá os meios de se colocar em estado de graça; não é o homem quem por suas forças naturais começa a procurar o Senhor, recebendo d&#8217;Este em resposta a graça sobrenatural;</p>



<p>2) a perseverança final ou a morte em estado de graça (a boa morte) é dom especial de Deus; não decorre dos méritos anteriores da pessoa, mas pode ser implorada pela oração;</p>



<p>3) a predestinação «adequada» (isto é, o desígnio que compreende todos os auxílios sobrenaturais, desde a graça da conversão até a graça da boa morte) é gratuita ou anterior à previsão dos méritos da criatura. E isto, tanto no tomismo como no molinismo&#8230; Também este reconhece que é Deus quem gratuitamente decreta colocar o homem em tais e tais circunstâncias nas quais Ele prevê que a criatura fará bom uso da graça (o tomismo diria&#8230; nas quais Ele predetermina a criatura a fazer livremente bom uso da graça).</p>



<p>As três proposições acima foram definidas por concílios, cujas declarações se encontram em Denzinger-Umberg, Enchiri- dion Symbolorum 176-180; 183-189; 191-193; 200.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>III. Um juízo sobre a questão</strong></h2>



<p>A muitos fiéis impressiona o fato de que Deus predestina positivamente alguns para a glória celeste, deixando que outros se percam — fato firmemente atestado pela Sagrada Escritura e pela Tradição cristã. Perguntam se não haveria nisto injustiça da parte do Senhor.</p>



<p>— Não; em absoluto. Considere-se que</p>



<p>a) Deus a ninguém criou com destino positivo para a perdição ou a condenação.</p>



<p>Ensinava o concilio de Valença (França) em 855 : «In malis ipsorum malitiam (Deum) praescivisse, quia ex ipsis est, non praedestinasse, quia ex illo non est. — Deus viu de antemão a malícia dos maus, porque provém deles, mas não a predestinou, porque não se deriva d&#8217;EIe» (Dz 322).</p>



<p>Foi condenada pelo episcopado da Gália no séc. V a seguinte proposição: «Cristo, Senhor e Salvador nosso, não morreu pela salvação de todos&#8230;; a presciência de Deus impele o homem violentamente para a morte; e todo aquele que se perde, perde-se por vontade de Deus&#8230;; alguns são destinados à morte, outros predestinados à vida» {carta de Fausto de Riez, ed. Mignc lat. t. 53,683).</p>



<p>Outras declarações da Igreja se encontram em Dz 200; 316-318; 321-323 ; 514; 816; 827.</p>



<p>b) Deus, porém, criou seres finitos (só pode haver um Infinito, Deus), aos quais é inerente a falibilidade, o «poder errar».</p>



<p>c) Esta falibilidade, sendo congênita, naturalmente tende a se atuar num ou noutro. Deus concede, sim, a qualquer indivíduo humano os meios necessários para que se salve, pois quer a salvação de todos os homens (cf. 1 Tim 2,4); isto é doutrina frequentemente afirmada pela Escritura e a Tradição (cf. Dz 318); nenhum desses meios de salvação, porém, força a liberdade humana; esta é sempre respeitada por Deus.</p>



<p>d) Por conseguinte, a menos que o Criador intervenha extraordinariamente, algumas criaturas, em virtude da sua falibilidade natural, se encaminham para a ruína eterna; o Criador não lhes faz injustiça se permite que se percam, apesar de terem os meios necessários para não se perderem.</p>



<p>e) Dado, porém, que Deus se empenhe infalivelmente pela salvação de alguns (muitos ou poucos) homens, predestinando-os à glória eterna, Ele faz ato de pura misericórdia; beneficia gratuitamente a estes, sem lesar em absoluto aos outros, que, por sua natural falibilidade e apesar dos auxílios divinos, se perdem (cf. a parábola dos operários na vinha, comentada em «Pergunte e Responderemos»&nbsp;1/1958&nbsp;qu. 8).</p>



<p>O concilio de Quíerzy na Gália em 853 declarava : «Quod quidam salvantur, salvantis est donum; quod autem quidam pereunt, pereun- tium est meritum. — O fato de que alguns se salvam, deve-se a um dom d&#8217;Aquele que os salva; o fato de que outros se perdem, deve-se ao mérito (mérito mau ou demérito) dos que se perdem» (Dz 318).</p>



<p>Deus, no caso de uns, manifesta sua<strong>&nbsp;Bondade</strong>&nbsp;transcendente; no caso de outros patenteia sua<strong>&nbsp;Justiça;</strong>&nbsp;em todo e qualquer caso, porém, faz reluzir sua&nbsp;<strong>soberana Liberdade</strong>, a qual não pode ser necessitada por bem algum criado, pois ela é o princípio e a causa de qualquer bem : «Que é que te distingue dos outros? E que tens que não hajas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias como se não o tivesses recebido?» (1 Cor 4,7).</p>



<p>A predestinação, portanto, não implica injustiça em Deus; não deixa, porém, de constituir um mistério, mistério porque com nosso intelecto finito não vemos plenamente como em Deus se conciliam Justiça, Misericórdia e Liberdade, embora não nos seja plausível duvidar de que de fato se associam em estupenda harmonia (na visão face a face de Deus, no céu, contemplaremos a sábia combinação dos atributos divinos). — Em particular, não podemos assinalar motivo por que Deus escolhe tal homem para a glória, e não tal outro, por que escolheu Pedro e não Judas; lembremo-nos de que não são os méritos do homem que a este atraem o amor de Deus, mas é o amor antecipado de Deus que proporciona à criatura os respectivos méritos. Sto. Agostinho admoestava : «Quare hunc trahat (Deus) et illum non trahat, noli velle diiudicare, si non vis errare. — Porque é que Deus atrai a este e não àquele, não queiras investigar, se não queres errar» (In Io tr. 26 init.). Ante os desígnios do Criador, tome a criatura uma atitude de silêncio reverente; confie em Deus, cuja sabedoria e santidade certamente ultrapassam a de qualquer ser humano.</p>



<p>À luz dos precedentes, vê-se que sentido tem a frase de São Paulo: «Deus quer que todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2,4). São Tomás (I Sent. d. 46, q. 1, a. 1) a distingue nos termos seguintes:</p>



<p>a) Deus quer que se salvem todos os homens, enquanto os considera em si, como criaturas capazes de apreender a vida eterna, abstração feita das circunstâncias particulares em que tal ou tal homem se possa encontrar; Deus a ninguém criou senão para a vida eterna;</p>



<p>b) o Criador, porém, não pode (não pode, por causa de sua Justiça) querer que todos se salvem, se considera cada um nas circunstâncias precisas em que ocorre ao Divino Juiz; alguns, com efeito, se Lhe apresentam como criaturas que deliberadamente rejeitam ser salvas ou recusam estar com Deus, pois se rebelaram conscientemente (por um pecado grave) contra Ele e permanecem impenitentes ou apegados ao pecado; o Senhor respeita o alvitre de tais homens e, em consequência, só pode querer assinalar-lhes a sorte porque optaram (embora tenha feito tudo para se salvarem).</p>



<p>É esta a famosa distinção entre «vontade antecedente» (isto é, que considera seu objeto em si, abstraindo das circunstâncias concretas em que ocorre) e «vontade consequente» (isto é, que considera o mesmo na situação precisa em que se acha). S. Tomás ilustra a doutrina lembrando o que se dá com todo juiz justo : este, em tese, antes de examinar as causas judiciárias, quer que todo e qualquer homem permaneça em vida; dado, porém, que se apresente algum homicida, ele não pode (porque é justo) deixar de querer seja punido (e punido com a pena de morte, onde esta é imposta pela lei).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>IV. A atitude prática do cristão</strong></h2>



<p>O mistério da predestinação dos justos para a glória, embora apresente seus aspectos luminosos, tem suas raízes na insondável Magnificência divina; não podemos sempre assinalar a causa por que Deus outorga tal dom a tal pessoa. A quem o interrogasse a respeito, Ele diria com o senhor da parábola: «Amigo, não cometo injustiça para contigo&#8230; Toma o que te compete, e vai-te&#8230; Não tenho o direito de dispor dos meus bens como me agrada? Ou tornar-se-á mau o teu modo de ver pelo fato de que Eu sou bom?» (Mt 20,13-15).</p>



<p>Consciente disto, o cristão não se detém em perscrutar sutilmente o que está acima do seu alcance, preocupando-se com questões curiosas ou vãs atinentes à predestinação. Na orientação da sua conduta cotidiana, tenha o fiel ante os olhos as três seguintes proposições:</p>



<p>1) Deus a ninguém absolutamente faz injustiça, nem no decorrer desta vida nem no momento do juízo final;</p>



<p>2) Muito ao contrário, o Criador se comporta para com todos qual Pai cheio de amor ou como o primeiro Ator empenhado na salvação dos homens.</p>



<p>Lembra o concilio de Trento, retomando palavras de Sto. Agostinho:</p>



<p>“Deus não manda o impossível, mas, dando os seus preceitos, exorta-te a fazer o que podes e a pedir-Lhe a graça para o que não podes, e auxilia-te para que o possas” (Sto. Agostinho, De natura et gratia 43,50; Denzinger 804).</p>



<p>Mais ainda:</p>



<p>Deus não abandona a não ser que primeiro seja abandonado. — Non deserít nisi prius deseratur» (Dz 804).</p>



<p>3) A atitude prática do cristão encontra ótimo modelo em São Paulo:</p>



<p>a) de um lado, o Apóstolo, consciente da eficácia e da responsabilidade do livre arbítrio, lutava qual bom atleta no estádio para conseguir a incorruptível coroa da vida (cf. 1 Cor 9,24-27). No mistério da predestinação, muita coisa pode ficar oculta ao fiel; contudo nunca lhe restará dúvida sobre o fato de que Deus exige de cada um todo o zelo de que é capaz para chegar à salvação. Nisto se diferencia a doutrina tradicional cristã de qualquer fatalismo ou determinismo: Deus não retira ao homem o dom do livre arbítrio e da responsabilidade própria com que o quis dignificar; nem há força super-humana cega que de antemão torne vãos os esforços da criatura que procura o Criador. Portanto, errado estaria quem, com vistas à vida eterna, tomasse atitude desinteressada e passiva, baseada em raciocínio análogo ao seguinte: «Se tenho que quebrar a cabeça, nada me pode preservar desta desgraça; não importa, pois, que me atire ou deixe de me atirar à rua pela janela do quinto andar de casa». Ó homem, nada há que determine a tua sorte eterna independentemente do teu livre arbítrio! O decreto pelo qual Deus predestina alguém à salvação eterna, implica sempre que esta será obtida mediante a livre cooperação do homem.</p>



<p>b) De outro lado, São Paulo, o lutador de Cristo, era feliz ao pensar na sua sorte póstuma; assim também o cristão. Para o Apóstolo, morrer equivalia a «dissolver-se para estar com Cristo» (cf. Flp 1,23), «deixar de ser peregrino na terra a fim de viver na casa do Senhor» (cf. 2 Cor 5,78). Todo discípulo de Cristo, embora reconheça a possibilidade de frustrar o seu último fim, tem confiança no Pai do céu e sabe que a procura sincera de Deus na terra não poderá ficar vã junto ao Pai; vive, por conseguinte, em demanda otimista da mansão celeste, consciente de que Deus o chama continuamente a esta após lhe ter preparado os meios para a conseguir. E, firme nesta crença, não permite que hipóteses inconsistentes tomem na sua mente o lugar de verdades seguras.</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/predestinacao-e-liberdade/">Predestinação e Liberdade</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/predestinacao-e-liberdade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Há pecados imperdoáveis?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/ha-pecados-imperdoaveis/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ha-pecados-imperdoaveis</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/ha-pecados-imperdoaveis/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2020 20:58:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Penitência]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrada Escritura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=8777</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Há pecados imperdoáveis" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Que dizer dos textos da epístola aos Hebreus (6,4-6; 10,26-31; 12,16s) que parecem denegar todo perdão a certos pecadores? Não haverá realmente culpas tão graves que Deus não as queira mais perdoar? Antes do mais, eis os trechos de que se trata no cabeçalho acima: HEBREUS 6, 4 «Aqueles que foram uma vez iluminados, provaram o [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/ha-pecados-imperdoaveis/">Há pecados imperdoáveis?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Há pecados imperdoáveis" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/04/Há-pecados-imperdoáveis-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p><em><em>Que dizer dos textos da epístola aos Hebreus (6,4-6; 10,26-31; 12,16s) que parecem denegar todo perdão a certos pecadores? Não haverá realmente culpas tão graves que Deus não as queira mais perdoar?</em></em></p>



<p>Antes do mais, eis os trechos de que se trata no cabeçalho acima:</p>



<p><strong>HEBREUS 6, 4</strong> «Aqueles que foram uma vez iluminados, provaram o dom celestial, se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 saborearam também a bela palavra de Deus e as maravilhas do mundo vindouro, 6 e, não obstante, caíram, é impossível renová-los outra vez para a penitência, pois crucificam por sua conta o Filho de Deus e O expõem publicamente à ignomínia».</p>



<p><strong>HEBREUS 10, 26</strong> «Se, depois de ter recebido e conhecido a verdade, a abandonarmos voluntariamente, já não nos restará sacrifício para expiar este pecado; 27 só teremos que esperar um juízo tremendo e o fogo ardente que deve devorar os rebeldes. 28 Se alguém transgride a lei de Moisés — e isto é provado com duas ou três testemunhas —, deve ser morto sem misericórdia (cf. Num 35, 30). 29 Quanto pior castigo então não julgais deverá merecer quem calcar aos pés o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, autor da graça ?! 30 Pois conhecemos aquele que disse: &#8216;Minha é a vingança; eu a exercerei&#8217; (Dt 32,35), e outra vez: &#8216;O Senhor julgará o seu povo&#8217; (SI 134, 14). É horrendo cair nas mãos de Deus vivo».</p>



<p><strong>HEBREUS 12, 16</strong> «Não haja entre vós algum sensual ou profanador como Esaú, que, por um prato de lentilhas, vendeu o seu direito de primogenitura. 17 Sabeis que, desejando ele em seguida receber a bênção de herdeiro, foi rejeitado e não pôde obter mudança de sentimentos, se bem que a tivesse procurado com lágrimas».</p>



<p>Os três textos acima, por sua aparente dureza, muito chamaram a atenção de leitores e comentadores cristãos, principalmente na antiguidade. No séc. III montanistas e novacianos abusavam de tais dizeres para negar pudessem ser perdoados alguns pecados graves, mormente os de apostasia, adultério e homicídio. A fim de evitar esta tese, certos cristãos tinham a epístola aos Hebreus na conta de não canônica ou não inspirada por Deus; em certas regiões, nem era lida em público. Dentre mesmo aqueles que admitiam a autoridade canônica de Hebr, houve exegetas que deram aos textos acima citados interpretações artificiais, pouco condizentes com as regras da sadia hermenêutica.</p>



<p>Nenhuma dessas atitudes pode ser sustentada&#8230; Visto que a epístola aos Hebreus pertence realmente ao patrimônio da Sagrada Escritura, ela tem o valor de autêntica Palavra de Deus e há de ser portadora de ensinamentos profundos e construtivos. Estes, porém, só se apreenderão devidamente caso se analise o texto sagrado à luz tanto da linguística antiga como dos demais escritos do Novo Testamento. É o que nos esforçaremos por fazer nas páginas seguintes, considerando sucessivamente cada uma das três passagens citadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>HEBREUS 6, 4-6</strong></h2>



<p>1. Tenha-se em vista a categoria de leitores aos quais se dirige o hagiógrafo: eram judeus convertidos à fé cristã que atravessavam uma crise religiosa. No início de Hebr c. 6 (vv. 1-3), o Apóstolo diz que não voltará a ensinar os rudimentos da catequese, pois a iniciação na fé e na vida cristã deve ser algo de definitivo, algo que cada fiel percorre uma vez por todas e não repete. E, para provar que não se repete a iniciação, o autor nos vv. 4-6 considera o caso daqueles que apostataram da fé e, por conseguinte, parecem precisar de nova catequese: estes, diz ele, de modo nenhum se beneficiariam de mais uma catequese, pois a sua situação é irremediável !&#8230;</p>



<p>2. É justamente aqui que surge o problema: porque irremediável? Será por que o Senhor não perdoa, não dá aos apóstatas a graça de voltarem à fé e ao amor de Deus? Ou será talvez porque os próprios apóstatas estão de todo insensíveis à graça do Senhor? Ademais, será a situação irremediável de maneira absoluta ou admitirá exceções?</p>



<p>Eis como se delineia a resposta do hagiógrafo:</p>



<p>a) nos vv. 4-5 ele focaliza cristãos que receberam grandes graças e fizeram uma experiência consciente e profunda do que é o Cristianismo.</p>



<p>Quatro são os favores divinos que o autor sagrado se compraz em enunciar, de antemão visando chamar a atenção dos leitores para a gravidade da apostasia:</p>



<p>«<strong>Iluminados</strong>». O verbo «iluminar», photizein, no Novo Testamento refere-se geralmente à luz da verdade e da salvação que Jesus veio trazer ao mundo mergulhado nas trevas do erro (cf. Ef 1,18; 2,9; 2 Tim 5,10; Jo 1,9). Dessa luz os homens participam mediante a fé. A fé, por sua vez, está intimamente associada ao sacramento do batismo, que, por isto, na antiga Igreja era chamado phottsmós ou «iluminação». Em Hebr 6,4, o hagiógrafo parece ter em vista simultaneamente as graças da fé e do batismo.</p>



<p>«<strong>Provaram o dom celestial</strong>». À metáfora da luz sucede-se a do alimento. Alguns comentadores julgam tratar-se aqui da S. Eucaristia. Outros, mais acertadamente, entendem o conjunto dos benefícios messiânicos, ou seja, a vida de filhos de Deus que Cristo trouxe aos homens e da qual um dos mais ricos elementos é, sem dúvida, a S. Eucaristia.</p>



<p>«<strong>Tornaram-se participantes do Espírito Santo</strong>». É assim designada não somente a graça dos sacramentos, mas também a multiplicidade de carismas ou dons extraordinários (profecias, línguas, curas&#8230;) com que frequentemente eram agraciados os cristãos antigos (cf. 1 Cor 12-14).</p>



<p>«<strong>Saborearam a bela palavra de Deus e as maravilhas do mundo vindouro</strong>». A «bela palavra» é a Boa Nova do Evangelho, que desperta nos fiéis o sabor da vida eterna (cf. Zac 1,13: a Palavra de Deus é Palavra boa e consoladora). «As maravilhas (literalmente: as potências) do mundo vindouro» não equivalem propriamente à vida póstuma celeste, mas, por já serem saboreadas na terra, são as energias sobrenaturais que inauguram o Reino de Deus em cada alma justa, Reino que vai desabrochando lentamente dentro do cristão e estará consumado na vida futura.</p>



<p>b) Após descrever tão eloquentemente a riqueza sobrenatural que Deus outorga a seus amigos, no início do v. 6 o autor sagrado admite uma hipótese muito misteriosa, mas bem comprovada pela realidade: imaginemos que um desses amigos do Senhor, apesar das suaves experiências anteriores, venha a cair para o lado ou para fora&#8230; (o texto grego não diz apenas piptein, cair, mas parapiptein, cair para o lado ou para fora), isto é, venha a sair da trilha da fé e da vida cristã, abandonando tudo de maneira consciente e voluntária&#8230;, voltando-se diretamente, face a face, contra Deus Pai, contra Cristo e contra o Espírito Santo. Trata-se, sem dúvida, de uma falta muito grave, comparável ao pecado contra o Espírito Santo, que é o pecado de endurecimento, de obstinação deliberada no erro, com desprezo formal das graças e dos apelos de Deus para a conversão (cf. Mt 12,31s e «P. R.» 12/1958<sub>t</sub> qu. 2).</p>



<p>c) Pois bem; a esses tais (prossegue o autor sagrado no v. 6) é impossível <strong>renová-los de novo para a penitência</strong>&#8230; Esta expressão (redundante, sem dúvida) significa a volta à fé e ao amor de Deus. A conversão para tais apóstatas vem a ser impossível, a menos que Deus queira intervir de maneira extraordinária (coisa que não se pode supor nem prever de antemão); humanamente falando, a reconciliação de tais pecadores não é viável, porque se fecham numa atitude radicalmente contraditória ao chamado e à graça de Deus. Note-se bem que o que o escritor sagrado declara impossível não é o perdão da parte de Deus, mas o arrependimento da parte do pecador; caso este quisesse voltar ao Senhor, seria, por certo, recebido e agraciado, como o filho pródigo (cf. Lc 15,20-24); nas relações de Deus com o homem, portanto, Deus jamais se nega ou se fecha; é, antes, o homem quem se subtrai, com detrimento para si mesmo.</p>



<p>d) Corroborando a sua afirmação, o escritor sagrado, na terceira parte do v. 6, salienta dois aspectos da revolta ou da ingratidão do pecador: aos quatro grandes dons de Deus, este responde «<strong>crucificando</strong>&nbsp;por sua iniciativa o Filho de Deus e expondo-o à burla pública».</p>



<p>Que querem dizer tais expressões ?</p>



<p>«<strong>Crucificam o Filho de Deus</strong>»&#8230; O apóstata imita os judeus infiéis: rejeita Cristo, declara-O impostor, falso Messias, condena-O à cruz e como que aí O prega com suas próprias mãos; o escritor sagrado realça bem essa iniciativa pessoal do pecador ou esses seus sentimentos contrários a Cristo: «&#8230; por sua conta, na medida em que está em seu poder», diz ele. — Assim (mencione-se de passagem) vê-se que a Paixão do Senhor não constitui mero acontecimento passado, mas é um drama que se vai desdobrando no decorrer dos séculos, pois todo homem, em última análise, ou se coloca do lado de Cristo e é crucificado com Ele (cf. Gál 2,19; 4,19) ou toma posição do lado oposto, com os carrascos, reproduzindo então a atitude de quem crucifica o Cristo.</p>



<p>«<strong>Expõem o Filho de Deus à burla pública</strong>»&#8230; Renegar abertamente a Cristo, abandonar a fé são atitudes que o hagiógrafo compara com a dos soldados que escarneceram o Senhor (cf. Mt 26,67 ; 27,38-43); o apóstata é alguém que despreza a Deus.</p>



<p>Os comentadores observam significativa particularidade do texto grego: os verbos «crucificar» e «expor à burla» estão no particípio presente, ao passo que «cair para o lado» se acha no particípio «aoristo» (com significado de pretérito). A mudança de tempos indica bem que a queda ou o ato de apostasia é algo de transitório (aoristo), transitório, porém, que dá origem a um estado de crime ou de revolta permanente (sempre presente) no coração do pecador.</p>



<p>Deve-se notar outrossim a construção da sentença grega que constitui os versículos 6, 4-6 de Hebr: é dominada por duas expressões: adynaton, «impossível», logo no limiar da frase, e purapésontas, «tendo Caído», no meio da mesma. «Do ponto de vista literário, todos os comentadores, desde S. João Crisóstomo (+407), chamam a atenção para o caráter particularmente enérgico de adynaton colocado no início da frase» (Spicq, L/Epitre aux Héhreux II. Paris 1953, 149). Quanto ao particípio «tendo caído», ele se segue à enumeração de quatro dons de Deus; é uma expressão breve que interrompe bruscamente o ritmo da frase solene e harmoniosa; dá assim a impressão de um choque brutal, de uma queda, que significa, no caso, a apostasia ou o abandono total da fé. Toda a passagem é destarte enfática: ela afirma a impossibilidade — existente da parte do homem, não da parte de Deus — de que um pecador&nbsp;deliberadamente obstinado no vício se converta ao Senhor. Seja lícito, porém, repetir: mesmo neste último caso, de acordo com a mensagem geral do Novo Testamento, resta a possibilidade de que Deus tome diretamente a iniciativa de modificar o estado de espírito do apóstata, dando-lhe luz e força especiais para que se salve. A Deus é possível mesmo aquilo que, do&nbsp;ponto&nbsp;de vista humano, é impossível, lembra Jesus no Evangelho (cf. Mt 19,26; Mc 10,27; Lc 1827).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>HEBREUS 10, 26-31</strong></h2>



<p>Esta passagem enuncia as mesmas verdades que as do c. 6,4-6. Acrescenta apenas uma comparação com o regime de salvação do Antigo Testamento, a fim de corroborar a admoestação aos leitores. Aqui procuraremos sublinhar um ou outro tópico da secção 10,26-31 que comprove quanto acabamos de dizer.</p>



<p>No v. 26 o hagiógrafo acentua fortemente o caráter voluntário e plenamente deliberado das faltas que ele focaliza; logo no início do v. 26 está o advérbio «voluntariamente» (ekousioos). Trata-se de faltas contra a luz ou contra a evidência da verdade, contra a Palavra de Vida que cada cristão abraça quando é «iluminado» ou chamado à vida cristã. O hagiógrafo supõe que tais faltas cometidas com toda a advertência sejam pertinazmente reafirmadas pelo pecador; este se fecha então numa atitude de resistência habitual à graça de modo nenhum quer mudar de disposições e render-se à luz (é o que sugere o particípio presente amartanontoon, em vez do aoristo amartontoon).</p>



<p>As consequências práticas desse estado são logo enunciadas pelo autor sagrado: o sacrifício de Cristo, que por si é apto a expiar toda e qualquer culpa, não pode ser aplicado a tal pecador, justamente pelo fato de que este não o quer; não é a gravidade das faltas materialmente consideradas (assassínio, furto, adultério&#8230;) que fecha a via à reconciliação, mas é unicamente a atitude negativa em que se obstina a alma; Deus não lhe força a liberdade de arbítrio; não obriga criatura alguma a se converter.</p>



<p>Endurecendo-se no mal, acrescenta o hagiógrafo no v. 27, o pecador vai experimentando já aqui na terra o terrível tormento de ter abandonado a Deus, tormento que chegará ao auge na vida póstuma ou no inferno, onde não haverá os paliativos ilusórios que as criaturas oferecem neste mundo.</p>



<p>O texto sagrado menciona «fogo ardente que deve devorar os rebeldes». Não se entenda tal fogo estritamente à semelhança do que se vê sobre a terra; já em «P.R.» 3/1957, qu. 5 dissemos que a pena primária do inferno é a «pena de condenação», ou seja, a tremenda dilaceração que as almas dos réprobos experimentam por se perceberem inelutavelmente feitas para Deus, mas, não obstante, incompatibilizadas com esse Supremo Bem por livre alvitre da sua vontade. À pena de condenação sobrevém a chamada «pena dos sentidos», ou seja, a ação de um agente corpóreo, dito «fogo», sobre os réprobos, os quais, pecando, abusaram das criaturas corpóreas. Ulteriores explicações se encontram no citado artigo de «P. R.».</p>



<p>Os vv 28-31 se referem a textos do Antigo Testamento que inculcam, em termos aparentemente indignos de Deus («vingança, sem misericórdia, coisa horrenda»&#8230;), a intervenção do Senhor na punição do pecado. O teor veemente desses dizeres não deve surpreender o leitor: a Bíblia e, no nosso caso, o autor da epístola aos Hebreus, utilizam a linguagem rude dos judeus antigos para dizer verdades grandiosas e perenes. Deus é perfeitíssimo; por isto é justo e, como tal, reprime a injustiça ou o pecado; nunca, porém, deixa de ser Pai bondoso, mesmo quando inflige a devida sanção ao pecado; diante dos juízos do Altíssimo compete à mente humana, limitada como é, uma atitude de entrega confiante, e não de arrogância crítica e de suspeita. Estejamos certos de que, se a criatura tem o senso da justiça, o Criador o tem infinitamente mais apurado.</p>



<p>Consequentemente, dir-se-á que, mesmo nos casos de endurecimento do pecador no mal, a Onipotência Divina possui recursos para o abalar. Já, porém, que tais recursos são extraordinários, ficando fora das vias normais da Providência, a ninguém é licito contar certeiramente com tais meios, pois isto equivaleria ao que se chama «tentar a Deus».</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>HEBREUS<em><strong><em> </em></strong></em>12, 16s</strong></h2>



<p>No v. 16 o autor sagrado, desejando dissuadir os leitores de toda mancha de pecado, cita o caso de Esaú, o qual vendeu por um prato de lentilhas seus direitos de primogênito ou de herdeiro das bênçãos messiânicas; destarte tornou-se desprezador dos preciosos dons que Deus lhe outorgara.</p>



<p>A consequência deste gesto vem exposta no v. 17, texto cujo significado é controvertido pelos exegetas.</p>



<p>Uma corrente numerosa de autores antigos, medievais e modernos julga que o escritor sagrado aludia à penitência de Esaú; este não terá podido conceber verdadeira penitência apesar das suas lágrimas, pois os seus sentimentos não terão sido puros.</p>



<p>Outra sentença, porém, afirma que o hagiógrafo tem em vista a retratação de Isaque. Esaú, arrependido de sua venda interesseira, terá pedido a seu pai, Isaque, retratasse a maldição que merecera, e lhe desse a bênção. Não obteve, porém, retratação, ficando consequentemente excluído da plenitude das bênçãos messiânicas. Este modo de entender o texto é preferível ao anterior, pois respeita melhor a oposição, certamente intencionada pelo hagiógrafo, entre «desejar» e «não conseguir»; parece necessário deixar a estes dois verbos o mesmo objetivo : Esaú desejou, mas não obteve, a retratação da maldição que seu pai lhe infligira.</p>



<p>Contudo, qualquer que seja a interpretação dada ao texto bíblico, seu ensinamento para os cristãos fica sendo sempre o mesmo, a saber: caso os discípulos de Cristo renunciem, como Esaú, aos seus títulos de herdeiros do Pai Celeste e do reino messiânico, arriscam-se a cair numa situação irreparável. Irreparável, sim, no sentido que expusemos ao analisar Hebr 6,4-6 e 10, 26-31: a situação será, humanamente falando, insolúvel; não será, porém, desesperada aos olhos da Onipotência Divina.</p>



<p>Eis o que se pode apurar sobre a pretensa irremissibilidade de pecados na epístola aos Hebreus. Como se vê, só há um obstáculo real ao perdão das culpas humanas: é a recusa que o pecador possa opor à Misericórdia de Deus; desde, porém, que a criatura a deseje com sinceridade, passa a usufruir da Liberalidade das graças do Salvador. É, aliás, neste mesmo sentido que se devem compreender as passagens sobre o pecado contra o Espírito Santo e sobre o pecado para a morte (cf. 1 Jo 5,16s).</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/ha-pecados-imperdoaveis/">Há pecados imperdoáveis?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/ha-pecados-imperdoaveis/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>É possível ter certeza da Salvação Eterna?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/e-possivel-ter-certeza-da-salvacao-eterna/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=e-possivel-ter-certeza-da-salvacao-eterna</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/e-possivel-ter-certeza-da-salvacao-eterna/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 21:20:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=8580</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="É possível ter certeza da Salvação Eterna" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Desenvolvendo a resposta às questões acima, consideraremos sucessivamente: 1) em que consiste a perseverança final; 2) a maneira de obter esta graça e 3) os motivos de confiança do cristão perante o mistério da salvação eterna. 1. Em que consiste a perseverança final 1.1.&#160;Em estrita linguagem teológica, diz-se que a perseverança final é o dom [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/e-possivel-ter-certeza-da-salvacao-eterna/">É possível ter certeza da Salvação Eterna?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="É possível ter certeza da Salvação Eterna" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/É-possível-ter-certeza-da-Salvação-Eterna-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Desenvolvendo a resposta às questões acima, consideraremos sucessivamente: 1) em que consiste a perseverança final; 2) a maneira de obter esta graça e 3) os motivos de confiança do cristão perante o mistério da salvação eterna.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. Em que consiste a perseverança final</strong></h2>



<p><strong>1.1.</strong>&nbsp;Em estrita linguagem teológica, diz-se que a perseverança final é o dom resultante da ocorrência simultânea de dois favores especiais do Senhor:</p>



<p>a) o estado de graça, em que o justo possui a vida sobrenatural e o conjunto de dons (virtudes infusas, dons do Espírito Santo) que ornamentam a alma em tal situação;</p>



<p>b) a coincidência da hora da morte com a posse do estado de graça — o que equivale ao dom de&nbsp;<strong>boa e santa morte</strong>.</p>



<p>Não há dúvida, para que o homem encerre sua peregrinação terrestre precisamente num instante em que sua alma esteja voltada para Deus, requer-se especial disposição da Providência, pois só esta domina soberanamente os termos da vida e da morte. É precisamente na simultaneidade do instante da morte com o estado de graça que consiste a graça da perseverança final.</p>



<p>Os dois elementos acima assinalados são evidentemente dons ou favores do Senhor, já que o livre arbítrio humano, falível como é, não tem em si o poder de permanecer ou de se imobilizar no bem, muito menos tem o poder de se imobilizar no bem em certo momento de sua existência, como é o momento da morte (momento cuja escolha ou determinação escapa totalmente ao nosso alcance).</p>



<p>Por isto o Concilio de Trento fala do «grande dom da perseverança final» (Denzinger, Enchiridion 726); é dom do qual, em última análise, depende toda a salvação eterna do homem (cf. Mt 10,22: «Aquele que perseverar até o fim, será salvo»); por isto deve ser atribuído a especial benevolência do Criador para com a criatura.</p>



<p><strong>1.2.</strong>&nbsp;As páginas bíblicas, em mais de uma passagem, inculcam a soberania de Deus no tocante à salvação humana; esta, de modo geral, deve ser tida como gratuito dom do Altíssimo. É o que S. Paulo ensina com muita ênfase:</p>



<p>«Não somos capazes de atribuir a nós o que quer que seja, como se proviesse de nós mesmos, mas é de Deus que vem a nossa aptidão» (2 Cor 3,5).</p>



<p>«Que é que te distingue? Que é que possuis que não tenhas recebido?» (1 Cor 4,7).</p>



<p>Aliás, o próprio Cristo afirmou:</p>



<p>«Sem Mim nada podeis fazer» (Jo 15,5);</p>



<p>«Ninguém vem a Mim, se o Pai não o atrai» (Jo 6,44).</p>



<p>Explicitamente, a perseverança final é atribuída à soberana graça de Deus no seguinte texto de São Paulo:</p>



<p>«Rendo graças a meu Deus todas as vezes que me lembro de vós&#8230; convicto que de Aquele que iniciou em vós a boa obra prosseguirá no seu aperfeiçoamento até o dia do Cristo Jesus» (Flp 1,3.6).</p>



<p>&#8230;&nbsp;ou ainda nos dizeres de São Pedro:</p>



<p>«O Deus de toda a graça, que por Cristo vos chamou à sua eterna glória, vos aperfeiçoará, vos dará firmeza e vigor, tornando-vos inabaláveis» (1 Pdr 4,10).</p>



<p>No Antigo Testamento, o livro da Sabedoria mostra a Providência Divina a fazer coincidir a hora da morte com o estado de inocência do homem justo:</p>



<p>«Deus transferiu o justo do meio dos pecadores, onde vivia. Foi arrebatado para que a malícia não lhe corrompesse o modo de pensar, nem a astúcia lhe pervertesse a alma&#8230; Sua alma era agradável ao Senhor; e é por isto que Ele sem demora o retirou do meio da perversidade» (Sab 4,10s. 14).</p>



<p><strong>1.3.</strong>&nbsp;Por sua vez, os concílios no decorrer da história da Igreja ensinaram tal doutrina.</p>



<p>Assim o sínodo de Orange (Gália) em 529 inculcava que «os cristãos batizados e os santos deverão sempre implorar o auxílio de Deus, para que possam chegar a santo desenlace e perseverar na prática do bem» (Denzinger 183).</p>



<p>Mais tarde, o Concilio de Trento (1545-1563) declarou solenemente:</p>



<p>«O grande dom da perseverança final não pode provir senão d&#8217;Aquele que é poderoso para corroborar quem está em pé, a fim de que persevere, e&#8230; poderoso para reerguer aquele que cai» (Denzinger 832).</p>



<p>«Se, exceto em caso de especial revelação divina, alguém com absoluta e infalível segurança asseverar que certamente possuirá o grande dom da perseverança final, seja tido como herege» (Denzinger 826).</p>



<p>«Ninguém pode com absoluta certeza prometer a si mesmo o que quer que seja, embora todos devam colocar firmíssima esperança no auxílio divino. Com efeito, se a criatura humana não se furta à graça, Deus leva a bom termo a obra que Ele começou, produzindo no homem tanto o querer como o realizar» (Denzinger 806; cf. Flp 2,13).</p>



<p>Como se vê, o Concilio acentua bem duas verdades capitais, que, embora pareçam antagônicas, se completam mutuamente: de um lado, ninguém pode ter certeza absoluta de que perseverará no bem até o fim de sua vida, pois a adesão ao bem e a coincidência desta com a hora da morte são independentes da vontade e do esforço humanos; ninguém pode garantir para si bom êxito no combate travado contra a carne, o mundo e o demônio. De outro lado, a incerteza assim gerada é cheia de confiança e esperança, pois o Senhor não recusa a nenhum justo sincero o auxílio oportuno; não deixa inacabada a obra que Ele iniciou na sua criatura (e o sinal de que iniciou sua obra, é o próprio desejo sincero que a criatura humana tenha, de perseverar no bem).</p>



<p>Já estas proposições nos incutem a consciência de estarmos focalizando um dos mais insondáveis, mas certamente grandiosos, desígnios da Sabedoria Divina. Contudo, não será ilícito perguntar:</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. Como se poderia obter a graça da perseverança final?</strong></h2>



<p>Em duas sentenças se resume a resposta:</p>



<p>1) O dom da perseverança final não pode ser merecido (ou obtido por merecimento).</p>



<p>Por mérito entende-se a recompensa que Deus dá a alguma boa obra do homem ou<strong>&nbsp;a título</strong>&nbsp;de<strong>&nbsp;justiça</strong>&nbsp;(tal é o mérito dito «de condigno») ou<strong>&nbsp;a título</strong>&nbsp;de caridade, isto é, levando em conta os direitos da amizade que existe entre o Senhor e a alma justa (tal é o mérito dito «de côngruo»).</p>



<p>Pois bem; os teólogos afirmam que a perseverança final não pode, a título algum, ser obtida por mérito. É o que se depreende do seguinte raciocínio:</p>



<p>O dom da perseverança final não é senão o estado de graça conservado ou restaurado no momento da morte.</p>



<p>Ora o estado de graça vem a ser o princípio mesmo de todo e qualquer mérito; vem a ser a condição indispensável para que se possa adquirir algum mérito, pois é a graça que eleva a alma à ordem sobrenatural, habilitando-a a agir no plano da recompensa eterna.</p>



<p>Em outros termos: toda recompensa que o homem possa obter de Deus é de ordem sobrenatural; ora somente a graça coloca o homem na ordem sobrenatural ou à altura de adquirir algum título (ou mérito) na linha sobrenatural.</p>



<p>Está claro, porém, que o princípio ou a condição prévia de qualquer mérito não pode ser simultaneamente objeto adquirido por mérito; a raiz do mérito não pode ser merecida; em caso contrário, ter-se-ia um círculo vicioso. Donde se vê que a posse do estado de graça e, em particular, do estado de graça na hora da morte (= dom da perseverança final) jamais pode ser conquistada por mérito, mas há de ser dom totalmente gratuito da parte de Deus.</p>



<p>Isto equivale a dizer que é a Misericórdia, e não a Justiça de Deus, que coloca o homem em estado de graça e que o conserva neste estado (a conservação não é senão uma criação continuada ou «o ato inicial de colocar em estado de graça» continuado ou prolongado). E, a sua Misericórdia, Deus a exerce para com todo justo que a aceite ou que não lhe ponha obstáculo; Ele só não a exerce (permitindo então que se atue simplesmente a Justiça) no caso em que a criatura a recuse ou lhe resista.</p>



<p>É essa dualidade de procedimento divino que se observa na cena dos dois ladrões crucificados com Cristo: a um, que se mostrou de ânimo bem disposto, embora não tivesse mérito algum, o Senhor outorgou o dom de uma santa morte ou da morte em estado de graça, ao passo que não se pode com certeza dizer o mesmo a respeito do outro malfeitor, que ainda nos últimos instantes de vida blasfemava contra Deus (contudo ninguém ousará afirmar que o mau ladrão haja incorrido na condenação eterna; pode-se ter finalmente arrependido em seu íntimo). — Sobre o valor da fé e das obras na justificação, veja a resposta n<sup>o</sup>&nbsp;6 deste fascículo.</p>



<p>De resto, o concilio regional de Quierzy (França) em 853 inculcava claramente:</p>



<p>«Deus todo-poderoso quer que todos os homens sem exceção se salvem (cf. 2 Tim 2,4), embora nem todos o consigam. O fato de que certo número deles obtém a salvação, deve-se ao dom do Salvador; quanto à perda dos outros, seja ela atribuída à culpa dos mesmos» (Denzinger 318).</p>



<p>2) O dom da perseverança final pode ser obtido pela oração.</p>



<p>É precisamente a oração o recurso que o homem tem para se dirigir à Misericórdia de Deus (ao passo que o mérito se dirige à Justiça Divina).</p>



<p>Não há dúvida de que pela oração os homens podem conseguir graças que eles não obtêm por mérito. Tal é o caso, por exemplo, do pecador que, orando, pode alcançar do Senhor o dom da conversão ou a graça santificante, graça que certamente ele não obtém por mérito, pois tal graça vem a ser o princípio ou a raiz de qualquer mérito. — Ora o mesmo se dá com o dom da boa morte ou da perseverança final.</p>



<p>Disto se depreende a necessidade que a todos os fiéis incumbe, de pedir a Deus uma santa morte; não a pedir constituiria a mais funesta das negligências, ou a negligência da salvação eterna. Eis também porque frequentemente a Igreja coloca nos lábios de seus filhos a prece: «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Tendo em vista o fato de que toda oração feita em nome de Cristo, ou seja, em demanda dos bens da Redenção, jamais é vã (de acordo com a promessa do próprio Jesus em Jo 16,23s), muitos teólogos julgam provável a sentença segundo a qual o dom da perseverança final pode, com sucesso infalível, ser obtido mediante a oração.</p>



<p>São Tomás se compraz em enumerar quatro condições que hão de ser preenchidas para que se possa atribuir plena eficácia à oração: «&#8230;reze o orante por si (em seu favor), pedindo bens necessários à salvação, de maneira piedosa e perseverante» (Suma Teológica II/II 83,15 ad 2).</p>



<p>A primeira condição talvez cause estranheza: reze o orante em seu próprio favor&#8230; A cláusula<em>&nbsp;</em><em>se</em>&nbsp;explica pelo fato de que, quando rezamos por outrem, talvez estejamos intercedendo por alguém cujo coração se ache voluntariamente obstinado no pecado, resistindo, portanto, à graça de Deus; em tal caso, é claro que a nossa oração pode ser frustrada, pois Deus não costuma conceder seus dons a quem não os queira receber. Ao contrário, quando rezamos por nós mesmos, é de supor estejamos sinceramente desejosos de receber a graça do Senhor.</p>



<p>A cláusula «rezar com perseverança» também merece especial atenção. Assim como não é fácil à criatura persistir no cumprimento do bem, também não lhe é fácil persistir na prática da oração. Em vista disto, recomendam os autores, estimemos com particular afinco a graça de perseverar na prece; peçamos ao Senhor, não nos deixe sucumbir à tentação de não orar; livre-nos do mal de perder o prazer de rezar, fazendo-nos, antes, atravessar vitoriosamente as fases de aridez e cansaço que não<strong>&nbsp;raro</strong>&nbsp;acometem as almas de oração.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>3. Os motivos de imperturbada confiança</strong></h2>



<p>Na incerteza em que todo homem se acha perante o mistério da salvação eterna, o cristão vive muito alegre e sereno (basta recordar, por exemplo, a figura otimista e ardorosa de São Paulo refletida nas epístolas do grande Apóstolo).</p>



<p>Três são os pontos aptos a suscitar, no discípulo de Cristo, profunda e tranquila confiança frente aos arcanos da perseverança final.</p>



<p>1) O primeiro desses pontos é — paradoxalmente — o fato mesmo de que a nossa persistência no bem está baseada não no poder e na sabedoria do homem, mas, sim, na transcendente e soberana munificência de Deus. O fato de que tudo depende do Senhor, por muito aterrador que pareça à primeira vista, vem a ser justamente a maior fonte de paz e alegria para o cristão; com efeito, este sabe que a misteriosa Liberalidade de Deus é sempre movida por bondade e amor, nunca por espírito de prepotência ou tirania. Se Deus quer dar e pode dar (como de fato acontece), certamente dará, e dará com muito mais eficácia e abundância do que a criatura daria a si mesma — desde, porém, que se verifique da parte do homem uma condição indispensável: não oponha resistência à graça, seja dócil à ação divina em sua alma. Seja lícito repetir: por depender da Liberalidade divina, a salvação do homem está muito mais garantida do que se dependesse direta e exclusivamente da sabedoria da criatura.</p>



<p>Escrevendo a uma pessoa assaltada por preocupações concernentes à salvação eterna, o famoso bispo e pregador Bossuet (+1704) recomendava:</p>



<p>«Essas preocupações, quando vêm ao espírito, provocando da nossa parte vãos esforços para as dissipar, devem induzir-nos finalmente a um abandono total de nós mesmos a Deus, abandono tranquilo porque nossa salvação está infinitamente melhor nas mãos de Deus do que em nossas próprias mãos; é nesta atitude, e nesta só, que encontramos a paz. É a tal abandono que nos devem provocar toda a doutrina da predestinação, assim como os desígnios misteriosos do Soberano Senhor, desígnios que é preciso adorar sem os pretender perscrutar. É mister que nos percamos nesse abismo e nessa profundidade impenetráveis da Sabedoria de Deus; é necessário que nos lancemos irrestritamente dentro da sua imensa Bondade, esperando tudo de Deus, sem, porém, nos dispensarmos dos esforços para nos salvar que o Senhor exige de nós&#8230; O desfecho de vossas preocupações deve ser o abandono a Deus, que destarte está obrigado, por sua bondade e suas promessas, a vigiar por vós» (Cartas de direção, nas Obras completas de Bossuet. Paris 1846 XI 444).</p>



<p>O mesmo autor, em suas «Meditações sobre o Evangelho» II parte, 72 dia, pondera o seguinte:</p>



<p>«O homem soberbo teme que a sua salvação se torne demasiado incerta, caso não a possua em suas mãos; engana-se, porém. Poderia eu ter segurança em mim mesmo? Meu Deus, sinto que minha vontade me escapa a todo momento; se me quisésseis constituir único senhor da minha sorte, eu recusaria faculdade tão perigosa para a minha fraqueza. Não me digam, portanto, que a doutrina da graça e da livre escolha divina leva as almas boas ao desespero. Julgam os homens que mais me tranquilizarão se me fizerem apoiar-me em mim mesmo e se me entregarem à minha inconstância? Não, meu Deus; não consinto nisso. Não posso encontrar segurança senão abandonando-me a Vós. E tanto maior é a minha paz quanto mais vejo que aqueles a quem dais a confiança de se abandonarem totalmente a vós, recebem &#8230; os melhores sinais de vossa Bondade que se possam ter sobre a terra».</p>



<p>Por conseguinte, entrega confiante a Deus; eis a única atitude que o cristão possa e deva tomar após verificar que a sua salvação depende primariamente da benevolência do Pai Celeste.</p>



<p>2) O segundo motivo de confiança frente ao mistério da salvação é a eficácia mesma da oração, de que tratávamos atrás. O Senhor insistentemente exortou os discípulos a pedir «em nome de Cristo», ou seja, a pedir os bens necessários à vida eterna, prometendo atender benevolamente (cf. Jo 16,23s).</p>



<p>Está claro que a oração sincera é geralmente acompanhada de conduta de vida virtuosa, e, vice-versa, a vida virtuosa está intimamente associada à prática da oração. É o que leva os teólogos a afirmar que de modo geral o exercício assíduo das boas obras é sinal de perseverança final na graça (não em vão se costuma dizer que «cada pessoa morre como viveu»).</p>



<p>Em particular, os autores indicam os seguintes característicos como sinais de perseverança final no bem:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A delicadeza de consciência, que leva o cristão a não condescender com pecado algum, ainda que pareça leve. Cf. 1 Jo 3,21: «Caríssimos, se nosso coração não nos condena, temos plena segurança diante de Deus»;</li><li>O espírito de oração e meditação. Cf. Eclo 7.40: «Em tudo que fizeres, recorda-te do teu fim, e jamais pecarás»;</li><li>Verdadeira humildade, a qual é o melhor penhor da obtenção da graça e da conservação das virtudes. Cf. Tg 4,6: «Deus resiste aos soberbos, e dá a graça aos humildes»;</li><li>Paciência serena nas adversidades. Cf. Rom 8,17: «Sofremos com Cristo para ser glorificados com Ele»; 2 Tim 2,12: «Se sustentarmos com Cristo, com Ele reinaremos»;</li><li>Caridade operosa em favor do próximo e frequente exercício das obras de misericórdia espirituais e corporais. Cf. Tg 5,20: «Aquele que do erro converte um pecador, salvará da morte a sua própria alma. e cobrirá uma multidão de pecados» (cf. também Tob 4,11);</li><li>Devoção sincera a Cristo Redentor, à S. Eucaristia, à Paixão do Senhor, à Ssma. Virgem, refúgio dos pecadores, à Santa Igreja, dispensadora da graça e da verdade.</li></ul>



<p>3) Referem-se revelações, de caráter particular, que prometem a graça da perseverança final a quem pratique tais ou tais obras boas; seriam, por exemplo, a promessa do S. Coração de Jesus em favor de quem receba a S. Comunhão na primeira sexta-feira de nove meses consecutivos, a promessa da Virgem Santíssima em favor dos devotos do escapulário do Carmo, a promessa de Fátima (1).</p>



<p>(1) Aqui se segue, conforme o depoimento de Lúcia, o teor da mensagem que Maria Santíssima terá dirigido a esta vidente em Fátima:</p>



<p>&#8220;Tu, ao menos, procura consolar-mc, e dize que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias à salvação, a todos os que, no primeiro sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando os mistérios do rosário, com o fim de me desagravarem».</p>



<p>Note-se, porém, que estas e outras promessas (as quais não constituem matéria de fé obrigatória) não devem ser tidas como «passaportes» para a eternidade. A eficácia de tais promessas está condicionada ao cumprimento das demais condições impostas a todos os homens para que alcancem a vida eterna (observância dos preceitos de Deus e da Igreja, esforço em prol das virtudes&#8230;); as promessas mencionadas desempenham primariamente o papel de fomentar as práticas de virtude ou de devoção para com a S. Eucaristia ou para com a Ssma. Virgem, &#8230; práticas que, como se dizia atrás, são geralmente consideradas penhores de perseverança final no bem.</p>



<p>São Roberto Belarmino (+1621) propõe no texto abaixo os princípios que servem para se interpretar qualquer promessa de salvação anexa a alguma obra particular:</p>



<p>«Muitas vezes a S. Escritura atribui a alguma prática de piedade o poder de justificar as almas ou mesmo de lhes assegurar a salvação. Isto não quer dizer que tais práticas por si mesmas possam justificar e salvar, mas apenas que possuem<strong>a</strong> eficácia de contribuir para a justificação e a vida eterna, contanto que sejam associadas a outros meios de salvação, como a <a href="https://cooperadoresdaverdade.com/a-fe-e-suficiente-para-salvar/">fé</a>, o estado de graça, a observância dos mandamentos» (De paenitentia 1. II c. VII);</p>



<p>Entendidas dentro deste quadro doutrinário, pode-se reconhecer verdadeiro valor às práticas de devoção recomendadas por revelações particulares feitas a tais e tais santos no decorrer da história.</p>



<p>Em se tratando de motivos de confiança cristã, pode-se por fim mencionar, a titulo de ilustração, uma sentença propalada principalmente por teólogos modernos: julgam, sim, que na hora da morte o Senhor ilumina a mente de toda e qualquer criatura humana, a fim de que conceba clara idéia de Deus e consequentemente opte, com pleno conhecimento de causa, por ou contra o Senhor Deus; a clarividência assim outorgada, acrescentam, poderia mesmo ser tal que provoque necessariamente a conversão do pecador para Deus.</p>



<p>O primeiro esboço de tal hipótese parece ter sido proposto no século XIV:</p>



<p>«Todo ser humano, adulto ou não, Sarraceno, Judeu ou pagão, mesmo que morra no seio materno, recebe, antes da morte, a clara visão de Deus; sob esta visão conserva a liberdade de se converter ao Senhor ou de se afastar d&#8217;Ele; caso se volte para Deus, salva-se; na hipótese contrária, condena-se».</p>



<p>A proposição assim concebida foi condenada em 1368 por Simão Langham, arcebispo de Cantuária (este pronunciamento porém, não significava condenação da tese por parte do magistério infalível da S. Igreja).</p>



<p>No séc. XIX o teólogo alemão Klee formulou semelhante hipótese para o caso das crianças que morram sem batismo: Deus as iluminaria na hora da morte, de modo a poderem conceber ao menos o desejo do batismo (Katholische Dogmatik III. Mogúncia 1835, 119). A sentença foi repetida com ligeiras inovações por Karl-Maria Mayrhofer em 1851 e por Laurent em 1879. Dom Démaret incluiu na sentença o caso mesmo dos adultos (cf. «Les morts peu rassurantes, motifs d&#8217;espérance et de prière». Montligeon 1923).</p>



<p>Sob qualquer das suas modalidades, tal sentença se apresenta pouco verossímil. Não somente não se lhe pode apontar fundamento na Escritura Sagrada ou na tradição oral, mas ao contrário parece pouco condizente com as palavras de Cristo e dos Apóstolos que exortam os discípulos à vigilância continua a fim de não incorrerem em ruína eterna; cf. Mt 24,42.44 ; 25,13; Lc 12,39s; 21,34; 1 Tes 5,2.6; 2 Pdr 3,14; Apc 3,3; 16,15.</p>



<p>De resto, a confiança do cristão na Providência Divina é suficientemente firme para que se possa dispensar de pedir apoio a doutrinas novas e pouco seguras.</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/e-possivel-ter-certeza-da-salvacao-eterna/">É possível ter certeza da Salvação Eterna?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/e-possivel-ter-certeza-da-salvacao-eterna/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual a real necessidade do Purgatório?</title>
		<link>https://cooperadoresdaverdade.com/qual-a-real-necessidade-do-purgatorio/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=qual-a-real-necessidade-do-purgatorio</link>
					<comments>https://cooperadoresdaverdade.com/qual-a-real-necessidade-do-purgatorio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Estevão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2020 13:35:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cooperadoresdaverdade.com/?p=8131</guid>

					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Qual a real necessidade do Purgatório" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A Sagrada Escritura ensina que o homem foi chamado a ver a Deus face a face (cf. Mt 5,8; 1 Cor 13,1 ls; 1 Jo 3,1-3). E&#8217; claro, porém, que só pede conseguir tal fim o indivíduo que, na hora de comparecer finalmente diante do Senhor, esteja livre de qualquer tendência desregrada, incompatível com Deus, [&#8230;]</p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/qual-a-real-necessidade-do-purgatorio/">Qual a real necessidade do Purgatório?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Qual a real necessidade do Purgatório" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Qual-a-real-necessidade-do-Purgatório-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>A Sagrada Escritura ensina que o homem foi chamado a ver a Deus face a face (cf. Mt 5,8; 1 Cor 13,1 ls; 1 Jo 3,1-3).</p>



<p>E&#8217; claro, porém, que só pede conseguir tal fim o indivíduo que, na hora de comparecer finalmente diante do Senhor, esteja livre de qualquer tendência desregrada, incompatível com Deus, que é a Verdade e o Amor subsistentes.</p>



<p>Ora mesmo os homens virtuosos não raro terminam seus dias trazendo na consciência pequenas faltas e, no íntimo de sua natureza, inclinações mais ou menos desregradas (culpadas, porque não suficientemente combatidas).</p>



<p>Em tais condições, a criatura evidentemente não é o receptáculo ao qual Deus se possa comunicar num consórcio pleno; é ontològicamente impossível a conciliação do impuro com o Puro.</p>



<p>Em vista disto, Deus, que não quer rejeitar a sua criatura, lhe proporciona a ocasião póstuma de se habilitar à plena comunhão com o Senhor; tal é o purgatório, favor gratuito e misericordioso do Criador.</p>



<p>E como se dá esta purificação?</p>



<p>A pena primária do purgatório é a chamada<strong>&nbsp;pena de dilação</strong>. A vida terrestre constitui o período normal em que o homem se deve preparar para ver a Deus face a face; terminada a peregrinação neste mundo, a criatura deveria, segundo a ordem reta das coisas, entrar imediatamente no gozo do seu Senhor. Ora a alma que, ao deixar o corpo, verifique não estar habilitada a isto por causa de sua negligência em combater as imperfeições, não pode deixar de experimentar profunda dor por tal motivo; chegou-lhe o tempo de se encontrar diretamente com o Divino Amigo, e eis que ela ainda não pode sustentar a visão imediata desse Amigo! Separada do corpo, a alma compreende muito melhor o valor imenso da visão de Deus face a face, assim como a hediondez que há em todo pecado, em toda leviandade. Em consequência, ela experimenta espontaneamente a necessidade de se purificar, repudia as suas desordens com generosidade nova; separa-se de seu amor próprio para se identificar com a justiça de Deus, sofrendo a dilaceração e a dor daí consequentes. Esta dor vai mais e mais penetrando a alma, libertando-a de todo o egoísmo que o pecado e as más inclinações implicam; figuradamente dir-se-ia: vai raspando, até a mais profunda camada, toda a ferrugem que adere às faculdades da criatura. As almas, portanto, sofrem o seu purgatório voluntariamente: sequiosas de ver a Deus, não são menos sequiosas de se purificar em oportuno estágio.</p>



<p>Além da pena da dilação, que é espiritual, há no purgatório uma pena física, que se costuma chamar<strong>&nbsp;o castigo do fogo.</strong>&nbsp;Não se poderia dizer precisamente em que consista (nem é este o aspecto do purgatório que mais mereça nossa atenção). Não se pense em fogo igual ao deste mundo. Provavelmente, trata-se de um estímulo físico que, por permissão de Deus, age sobre a alma impedindo-lhe o uso das faculdades — inteligência e vontade — tal como ela o quisera; esta coibição, partindo de uma criatura material, tem também o caráter de humilhação para o espírito humano.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os fundamentos bíblicos da doutrina</h2>



<p>A existência do purgatório decorre logicamente das afirmações bíblicas segundo as quais Deus exige do homem a expiação pessoal de faltas cometidas. Com efeito, lê-se em mais de uma passagem da Sagrada Escritura que o Senhor, mesmo depois de perdoar a culpa do pecador, ainda lhe pediu reparasse a ordem violada. Note-se que tal satisfação não era, nem é, algo que Deus imponha arbitrariamente: já que todo pecado consiste na ruptura, mais ou menos violenta, da ordem reta das coisas, ele não pode ser cancelado, caso não se dê a restauração da harmonia por ele burlada. Eis os exemplos bíblicos mais significativos:</p>



<p>Adão foi certamente tirado ou absolvido do seu pecado (cf. Sab 10,2); não obstante, o Criador o quis submeter a graves penas até o fim da vida (cf. Gên. 3,17s);</p>



<p>Moisés e Aarão cederam à pouca fé em dado momento de sua vida; por isto viram-se pelo Senhor privados de entrar na Terra Prometida, embora não haja dúvida de que a culpa lhes tenha sido perdoada (cf. Núm 20,12s; 27,12-14; Dt 34,4s);</p>



<p>Davi, culpado de homicídio e adultério, foi agraciado ao reconhecer o delito; não obstante, teve que sofrer a pena de perder o filho do adultério (cf. 2 Sam 12,13s).</p>



<p>Em outros textos, o perdão é estritamente ligado com obras de expiação; cf. Tob 4,11s; Dan 4,24; Jl 2,12s.</p>



<p>Além destas passagens, que manifestam o princípio geral segundo o qual Deus cancela o pecado, costumam-se citar outros trechos diretamente alusivos ao purgatório:</p>



<p>2 Mac. 12,39-46: Judas Macabeu (+160 a.C.) descobriu, debaixo das túnicas de seus soldados falecidos, pequenos ídolos, objetos impuros dos quais se haviam apoderado no saque de Jâmnia. Em consequência, considerou a morte de seus homens como castigo que Deus lhes infligira. Não obstante, Judas, tendo verificado que os prevaricadores haviam &#8220;morrido piedosamente&#8221; (v. 45) (supunha, por conseguinte, se houvessem arrependido de seus pecados), mandou arrecadar esmolas a fim de se oferecer pelos defuntos um sacrifício expiatório; julgava, pois, que lhes ficavam aderências da culpa, mesmo depois de haverem obtido o perdão e terem passado para outra vida; acreditava outrossim que seriam purificados de tais resquícios e conseguiriam finalmente &#8220;a bela recompensa&#8221; (vers. 45), se os vivos, por seus sufrágios, os ajudassem a prestar expiação.</p>



<p>Mt 5,25 (cf. Lc 12,58s): Jesus recomenda aos seus discípulos, percorram a caminhada desta vida em boa paz com os irmãos; em caso contrário, finda a peregrinação terrestre, terão que responder ao Juiz Supremo, que lhes imporá duro castigo — duro castigo, porém, do qual serão libertados depois de satisfazer à Justiça.</p>



<p>1 Cor 3,10-16: São Paulo distingue entre operários que no reino de Deus trabalham zelosamente, produzindo a melhor obra de que são capazes, e outros que, sem deixar de trabalhar, se mostram negligentes. Diz que os primeiros, no dia do juízo, nada terão a temer, ao passo que os outros (tipo dos homens que servem a Deus com as tibiezas do pecado venial) se salvarão, mas após haver experimentado dores e penas devidas à sua conduta imperfeita. Embora o Apóstolo, como Jesus em Mt 5,25s, se sirva de expressões figuradas, percebe-se com clareza, suficiente que sob as metáforas de Mt 5,25s e 1 Cor 3,10-15 estão contidas as idéias que definem a doutrina do purgatório.</p>



<p>Vê-se destarte que o purgatório, longe de ser invenção humana, é expressão da santidade e da misericórdia de Deus, que, mesmo fora do tempo normal, conciliando justiça e bondade, sabe outorgar à criatura os meios de O possuir eternamente. </p>
<p>The post <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com/qual-a-real-necessidade-do-purgatorio/">Qual a real necessidade do Purgatório?</a> appeared first on <a rel="nofollow" href="https://cooperadoresdaverdade.com">Cooperadores da Verdade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://cooperadoresdaverdade.com/qual-a-real-necessidade-do-purgatorio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
