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A Redenção

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A Roma da época de Jesus havia conseguido o que muitos impérios que vieram antes e depois: conquistar todo o mundo conhecido. A relação de Roma com os povos dominados por eles era menos pesada e autoritária do que a de muitos impérios posteriores. Bastava que os povos dominados pagassem os impostos e não criassem problemas. Havia um governador ou um procônsul, acompanhados de soldados, em cada província; todavia, os povos dominados podiam manter seu governo local. 

Os judeus da época de Jesus tinham seu próprio rei, Herodes, e eram governados por um conselho de poderosos, o Sinédrio. A composição política de então se dava pelos sacerdotes judeus, que misturavam a política com a religião; os fariseus; e os escribas. A maioria desse homens não passavam de hipócritas aproveitadores, que impunham em seu povo um fardo muito maior que aquele imposto pelo Império Romano. 

Por isso, quando o ministério de Nosso Senhor começou a partir do anúncio do Evangelho, pregando o Reino de Deus, os poderosos passaram a pensar que  Jesus estava falando de um reino terreno; um poder político, ao invés de um poder espiritual. Os sacerdotes, fariseus e escribas temeram perder as regalias que possuíam. Esse temor transformou-se em ódio contra Jesus. Diz o Catecismo: 

Desde o princípio do ministério público de Jesus, fariseus e partidários de Herodes, com sacerdotes e escribas, puseram-se de acordo para lhe dar a morte. Por alguns dos seus atos (expulsões de demônios; perdão dos pecados curas em dia de sábado; interpretação original dos preceitos de pureza legal: trato familiar com publicanos e pecadores públicos, Jesus pareceu a alguns, mal-intencionados, suspeito de possessão diabólica. Foi acusado de blasfémia e de falso profetismo, crimes religiosos que a Lei castigava com a pena de morte por apedrejamento.

(CIC, 574)

Passaram então a tentar a matar a Jesus. Enviaram capangas para atirá-lo de precipícios e apedrejá-lo. Mas, Jesus escapou de todas essas tentativas, pois a sua hora ainda não havia chegado. Encontraram um traidor para ajudá-los. 

Esse traidor era Judas Iscariotes. Jesus, terminada sua missão de revelar a Verdade aos homens, em grande agonia, suando sangue, esperou a chegada do traidor.  Essa angústia era um prenúncio da sua paixão e, além disso, um produto do conhecimento de que, para muitos, seu sacrifício seria em vão.

Diz o Padre Leo Trese: 

Judas chega, e os inimigos de Jesus o levam a um julgamento que havia de ser uma paródia da justiça. A sentença de morte já linha sido acertada pelo Sinédrio, mesmo antes de terem prestado declarações certas testemunhas subornadas e contraditórias. A acusação era bem simples: Jesus se proclamava Deus, c isso era uma blasfêmia. E como a blasfêmia era castigada com a morte, para a morte deveria ir. Do Sinédrio seria conduzido a Pôncio Pilatos, o governador romano que devia confirmar a sentença, já que não se permitia às nações subjugadas ditarem uma sentença capital. Só Roma podia tirar a vida a um homem.

(TRESE, 1999, p. 81)

Porém, em um primeiro momento, Pilatos se negou a condenar Jesus. Em resposta a isso, os chefes dos judeus ameaçaram-no, dizendo que o denunciariam à Roma. Pilatos teve uma alma pequena e cedeu à chantagem, permitindo que Jesus fosse açoitado, zombado e coroado de espinhos. Por fim, lavando suas mãos, condenou o Filho de Deus à morte.   

Enquanto Jesus não morresse na Cruz em resgate pelas almas dos homens, ninguém poderia entrar nos céus. Por isso, as pessoas justas que viveram antes da Redenção viviam em um estado de felicidade puramente natural. 

O estado de felicidade natural em que essas almas aguardavam a completa revelação da glória divina chama-se limbo. A estas almas Jesus apareceu enquanto seu corpo jazia na sepultura, para anunciar-lhes a boa nova da sua redenção; para, poderíamos dizer, acompanhá-las e apresentá-las pessoalmente a Deus Pai como suas primícias. A isto nos referimos quando rezamos no Credo que Jesus “desceu à mansão dos mortos”. 

(TRESE, 1999, p. 81)

Ensina-nos o Catecismo: 

A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou Hades, porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus. Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor, o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no seio de Abraão (cf. Lc 16, 22-26). «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos» (Cat. Rom. 1, 6, 3). Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados, nem para abolir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que O tinham precedido.

(CIC, 633)

A morte de Jesus foi real, logo foi sua alma que apareceu no limbo; o seu corpo permanecia no sepulcro. Durante esse período, a sua Pessoa divina permaneceu unida tanto ao corpo como à alma. 

Segundo a sua promessa, Jesus ressuscitou dos mortos. 

Jesus ressuscitou dentre os mortos com um corpo glorificado idêntico ao que será o nosso depois da nossa ressurreição. Era um corpo “espiritualizado”, livre das limitações impostas pelo mundo físico. Era (e é) um corpo que não pode sofrer ou morrer; um corpo que irradiava a luminosidade e a beleza de uma alma unida a Deus; um corpo que a matéria não podia interceptar, podendo passar através de um sólido muro como se este não existisse: um corpo que não precisava caminhar com passos laboriosos, mas que podia mudar-se de um lugar para outro com a velocidade do pensamento: um corpo livre de necessidades orgânicas como comer, beber ou dormir. 

(TRESE, 1999, p. 82)

Complementa o Catecismo: 

Jesus Ressuscitado estabeleceu com os seus discípulos relações diretas, através do contato físico e da participação na refeição. Desse modo, convida-os a reconhecer que não é um espírito, e sobretudo a verificar que o corpo ressuscitado, com o qual se lhes apresenta, é o mesmo que foi torturado e crucificado, pois traz ainda os vestígios da paixão. No entanto, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas dum corpo glorioso: não está situado no espaço e no tempo, mas pode, livremente, tornar-se presente onde e quando quer, porque a sua humanidade já não pode ser retida sobre a terra e já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai (569). Também por este motivo, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quer: sob a aparência dum jardineiro (570) ou «com um aspecto diferente» (Mc 16, 12) daquele que era familiar aos discípulos; e isso, precisamente, para lhes despertar a fé (571).

Ao ressuscitar dos mortos, Jesus não ascendeu imediatamente aos céus. Fez isso para dar prova e testemunho da veracidade da sua ressureição. Diz o Catecismo: 

Perante estes testemunhos, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não a reconhecer como um facto histórico. Resulta, dos factos, que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte de cruz do seu Mestre, por este de antemão anunciada (558). O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: Lc 24, 17) e apavorados (559). Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e «as suas narrativas pareceram-lhe um desvario» (Lc 24, 11) (560). Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, «censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado» (Mc 16, 14).

Mesmo confrontados com a realidade de Jesus Ressuscitado, os discípulos ainda duvidam (561) de tal modo isso lhes parecia impossível: julgavam ver um fantasma (562). «Por causa da alegria, estavam ainda sem querer acreditar e cheios de assombro» (Lc 24, 41). Tomé experimentará a mesma provação da dúvida (563), e quando da última aparição na Galileia, referida por Mateus, «alguns ainda duvidavam» (Mt 28, 17). É por isso que a hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a ação da graça divina da experiência direta da realidade de Jesus Ressuscitado (CIC, 643-644). 

(CIC, 643-644)

Nosso Senhor também usou o tempo de quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão para completar a preparação e a missão de seus Apóstolos. 

«Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus» (Mc 16, 19). O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, ele goza permanentemente. Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos e instruí-los sobre o Reino, a sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal. A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem e pelo céu. onde a partir de então, está sentado à direita de Deus. Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, «como a um aborto» (1 Cor 15, 8), numa última aparição que o constitui Apóstolo.

O carácter velado da glória do Ressuscitado, durante este tempo, transparece na sua misteriosa palavra a Maria Madalena: « […] ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus» (Jo 20, 17). Isto indica uma diferença entre a manifestação da glória de Cristo Ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento da ascensão, ao mesmo tempo histórico e transcendente, marca a transição duma para a outra (CIC, 659-660).

No céu, Nosso Senhor está sentado à direita de Deus Pai. Por ser Ele mesmo Deus é igual ao Pai em tudo; como homem está mais próximo de Deus do que todos os santos e detém a autoridade como Rei de toda as criaturas. Por meio de Sua Igreja, Ele rege todas as questões espirituais; mas, mesmo as questões materiais pertencentes à ordem civil ou temporal, estão precedidas por sua vontade e sua lei. 

Doravante, Cristo está sentado à direita do Pai: «Por direita do Pai entendemos a glória e a honra da divindade, em cujo seio Aquele que, antes de todos os séculos, existia como Filho de Deus, como Deus e consubstancial ao Pai, tomou assento corporalmente desde que encarnou e o seu corpo foi glorificado».

Sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: «Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e a sua realeza não será destruída» (Dn 7, 14). A partir deste momento, os Apóstolos tornaram-se as testemunhas do «Reino que não terá fim».

(CIC, 663-664)

Depois da Ascenção, Jesus irá aparecerá mais uma vez ao mundo. Na primeira vinda, veio fraco e pequenino em Belém; na segunda virá em glória e majestade, como Rei do Universo, para julgar o mundo que lhe foi dado pelo Pai e ao qual ele comprou com seu próprio sangue.


Referências:

  • Catecismo da Igreja Católica;
  • TRESE; Leo John. A fé explicada / Leo J. Trese; tradução de Isabel Perez. – 7ª ed. –
  • São Paulo: Quadrante, 1999.

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