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	<title>Fé pelo Ouvir &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<description>Apologética Católica</description>
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	<title>Fé pelo Ouvir &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>Deus revela o Seu Nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jun 2021 17:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Deus Revela o Seu Nome" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Finalmente voltamos às nossas meditações sobre os mistérios gozosos do Santo Rosário. Quando eu me dei conta que estamos já na quinta parte da série e nem sequer encerramos o primeiro mistério, fiquei um pouco perplexo e receoso. A perplexidade é&#160;autoevidente, ao passo que o receio é de que você considere minhas&#160;reflexões muito prolixas.&#160; Pois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Deus Revela o Seu Nome" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Finalmente voltamos às nossas meditações sobre os mistérios gozosos do Santo Rosário. Quando eu me dei conta que estamos já na quinta parte da série e nem sequer encerramos o primeiro mistério, fiquei um pouco perplexo e receoso. A perplexidade é&nbsp;autoevidente, ao passo que o receio é de que você considere minhas&nbsp;reflexões muito prolixas.&nbsp;</p>



<p>Pois bem, devo dizer&nbsp;que tomei a decisão de deixar este&nbsp;receio de lado. Penso que a mentalidade que deve imperar em um cristão é a de que sua vida de oração deve progredir. É pela oração que nos relacionamos com Deus até que possamos chegar ao fim último de nossas vidas que é conhecer e amar a Deus, alcançando aquela terna e afetuosa união denominada&nbsp;pela Igreja de Caridade.</p>



<p>Nunca é demais, portanto, ler escritos piedosos fundados em boa doutrina para nos aprofundarmos cada vez mais nos mistérios de nossa redenção. Com o passar do tempo, esta prática dá substância aos nossos pensamentos, palavras e ações. O doce nome de Maria tem um sabor muito diferente dependendo do grau de devoção e de intimidade que&nbsp;com Ela temos. Assim acontece também (e principalmente!) com o Santo Nome de nosso Salvador.</p>



<p>Na última meditação contemplamos o mistério d’Aquela que encontrou graça diante de Deus. Compreendemos que a graça que por Maria foi encontrada é a mesma que nossos primeiros pais perderam por não&nbsp;terem faltado com a Fé.&nbsp;A Senhora dos Anjos não encontrou graça para si, pois dela já era plena desde sua Imaculada Conceição. Foi para nós homens e para a nossa salvação que, tendo oferecido sua vida a Deus desde o ventre de sua mãe, alcançou-nos a graça atraindo para o seu puríssimo seio o Verbo Eterno de Deus:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>És&nbsp;um horto cerrado, minha irmã, minha noiva, uma nascente fechada, uma fonte selada.</em></p><cite><em>(Ct&nbsp;4, 12)</em></cite></blockquote>



<p>Agora vejamos como o Anjo prosseguiu seu anúncio:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.&nbsp;</em></p></blockquote>



<p>Vejam que trecho impressionante! O Anjo do Senhor revela a Maria Santíssima o Nome do Salvador, e com isto encerra o ciclo de um mistério muito grande, guardado zelosamente por Deus desde toda a Eternidade. Creio que até aquele momento somente&nbsp;aos&nbsp;Santos Anjos&nbsp;tinha sido dada tal ciência. Digo isto tendo em mente o fato óbvio de que Deus age por muitos caminhos desconhecidos, e sendo Ele o Senhor do Universo, nada o impedia de ter revelado o sacrossanto&nbsp;mistério&nbsp;da Santíssima Trindade a alguns de seus escolhidos mais diletos que precederam a encarnação do Verbo. Não podemos concluir coisa semelhante quando Cristo diz que Abraão viu o seu dia e se alegrou? Especulações, especulações&#8230;</p>



<p>A revelação do Nome de Jesus é&nbsp;algo de suma&nbsp;importância porque, até então, o Nome de Deus era um verdadeiro mistério para o povo judeu. Moisés, estando no monte&nbsp;Horeb, viu uma sarça envolta em chamas que não era consumida pelo fogo. Aproximando-se do curioso objeto, ouviu Deus lhe chamando. O Senhor prometeu a Moisés que libertaria o povo de Israel da escravidão do Egito, e disse-lhe que era ele o escolhido para dizer ao faraó que libertasse os escravos. Moisés, desconfiando de sua própria fraqueza e antevendo os percalços da empresa, perguntou a Deus o que diria aos israelitas quando&nbsp;estes&nbsp;perguntassem qual era o nome da divindade que o havia enviado.&nbsp;Deus então respondeu a Moisés:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Eu sou aquele que sou</em><strong><em>.</em></strong></p><cite><em>(Ex 3, 14)</em></cite></blockquote>



<p>Ó, profundidade dos mistérios de Deus!&nbsp;Oxalá soubessem&nbsp;os grandes sábios da terra que o Deus Vivo e Verdadeiro se manifestou na história como sendo o próprio Ser em essência! Não teria isto impactado desde aquele tempo tudo o que entendemos ser a&nbsp;metafísica de Aristóteles? Sim! O&nbsp;homem é capaz de Deus! Lutero estava errado! A natureza humana não foi corrompida a tal ponto de não poder conhecer a verdade pela luz da razão natural!&nbsp;A&nbsp;razão não é uma prostituta! Sim! A&nbsp;sabedoria humana é capaz de&nbsp;conhecer&nbsp;o ser! A razão humana é capaz de Deus! Aleluia!</p>



<p>Desculpe-me, meu querido irmão, por este rompante de&nbsp;alegria. Eu simplesmente não consigo conter&nbsp;tais impulsos! Ah! Quem me dera eu possuísse uma centelha da sabedoria de um Santo Tomás para ser capaz de ocupar-me muito mais&nbsp;de&nbsp;tão sublime contemplação!</p>



<p>O nome que Deus revelou a Moisés é descrito pelo tetragrama YHWH, que se parece com a expressão “eu sou” em hebraico. Não entendo muito bem sobre o assunto, mas sei que&nbsp;muitos&nbsp;especialistas, como o Papa Bento XVI, afirmam que o tetragrama é um nome incompleto. Veja o que este mesmo teólogo diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>O nome do Sinai [YHWH], que ficou por assim dizer incompleto [&#8230;].</em></p></blockquote>



<p>O Nome de Jesus dá ao tetragrama o seu sentido completo,&nbsp;significando Deus salva. Diz o Papa Bento XVI que o nome que antes tinha ficado incompleto é agora revelado na sua totalidade. Continua dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>O Deus que é, é o Deus presente e salvador. A revelação do nome de Deus, que começou na sarça ardente, é completada em Jesus.</em></p></blockquote>



<p>Temos aqui então uma primeira revelação: Jesus Cristo é Deus.</p>



<p>Isto pode parecer óbvio, mas você já parou para pensar na audácia de nossa Fé? Jesus é Deus! Deus assumiu a forma humana, tornando-se igual a nós em tudo, exceto no pecado! O Deus Todo-Poderoso, Deus de Deus,&nbsp;luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, Aquele que é exaltado acima de&nbsp;todos, Aquele&nbsp;que tem todo o domínio, honra, glória e poder, Aquele que com um&nbsp;ato de vontade criou os Céus,&nbsp;a Terra e tudo o que neles há, Aquele que sustenta todas as coisas pelo seu sumo poder, Aquele para quem nada está em segredo, Aquele que não cabe em palavras humanas, Aquele a quem ninguém pode conhecer com toda a perfeição&nbsp;fez-se homem!</p>



<p>Ah, meu querido irmão! Você tem idéia de quantas pessoas já perderam a vida por confessar tão sublime verdade? Você tem noção no ódio que semelhante declaração produz no inferno, pelo que o diabo move tudo quanto lhe é possível para calar a boca aos que professam esse mistério? Ou você não sabe que os demônios nem sequer podem confessar que Cristo assumiu a forma humana (1Jo&nbsp;4, 1-2)?</p>



<p>Talvez&nbsp;tenha sido&nbsp;no sublime momento da anunciação que Maria Santíssima tomou conhecimento&nbsp;do&nbsp;duplamente santo mistério: Deus é Pai, é Filho e é Espírito Santo. Veja o que lhe disse o Anjo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus [</em><strong><em>Pai</em></strong><em>]. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado&nbsp;</em><strong><em>Filho do Altíssimo</em></strong><em>&nbsp;(&#8230;). O&nbsp;</em><strong><em>Espírito Santo</em></strong><em>descerá sobre ti (&#8230;).&nbsp;</em></p><cite><em>(Lc&nbsp;1, 30-35)</em></cite></blockquote>



<p>Digo talvez porque é bem possível que Maria Santíssima, sendo portadora de santidade tal que a todos os anjos excedia desde a sua Imaculada Conceição, e tendo sido dotada do uso da razão desde que foi concebida no ventre de sua mãe, poderia muito bem ter conhecimento do sacrossanto mistério&nbsp;da Trindade Santa&nbsp;desde muito antes.</p>



<p>Pois bem, que reflexão cabe diante do mistério do Nome de Deus que a nós é revelado em Cristo Jesus?</p>



<p>Devemos antes de tudo compreender o que significa um nome, e poucos há que o façam.</p>



<p>Infelizmente,&nbsp;fogem-me&nbsp;no momento as referências bibliográficas para lhes explicar de onde tirei o que passarei a dizer, e até mesmo por isso estarei sujeito a imprecisões. Portanto, peço condescendência de agora em diante, e também que me corrijam os versados em filosofia para que eu faça os ajustes necessários no futuro.</p>



<p>Quando&nbsp;Deus criou o homem, deu-lhe a terra e tudo o que nela há para que a trabalhasse e contemplasse a criação. Neste&nbsp;<em>ora&nbsp;</em><em>et</em><em>&nbsp;labora</em>, ofereceria o homem culto a Deus, unindo-se cada vez mais a Ele pelos laços da Caridade, até que chegaria o momento&nbsp;em que&nbsp;o Senhor concederia ao homem o dom da visão beatífica, fazendo-o participante de uma felicidade ainda mais perfeita do que a que possuía no paraíso terrestre.</p>



<p>No livro do Gênesis está relatado que Deus, após ter criado o homem, levou as criaturas a sua presença para ver como o homem&nbsp;as&nbsp;haveria de chamar. Continua dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>[&#8230;] e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos,&nbsp;</em><strong><em>esse é o seu verdadeiro nome</em></strong>.</p><cite>(Gn&nbsp;2, 19)</cite></blockquote>



<p>Note bem o que está sendo dito nesta passagem. Tudo aquilo que foi criado por Deus possui um nome próprio, um nome que Deus conhece em sua infinita sabedoria. Ao homem foi dada inteligência para que conhecesse, no uso da razão natural, o nome das criaturas que&nbsp;lheforam submetidas por Deus.</p>



<p>E o que é o nome no mais profundo sentido do termo? É a&nbsp;expressão intelectual daessência de um ser. Se possuíssemos a mesma inteligência de Adão, compreenderíamos as coisas de modo muito diferente. Ouvindo falar sobre um cachorro só pelo nome, não precisaríamos ver um cachorro ou pedir que nos explicassem o que ele é. O nome por si&nbsp;(que não seria “cachorro”)já&nbsp;expressaria&nbsp;a essência daquela criatura, e ela seria perfeitamente compreensível.</p>



<p>Infelizmente no Brasil perdemos essa noção mais acurada do que significa um nome, porque na maioria das vezes as crianças são batizadas pelo critério da moda. Os nomes são atribuídos de modo aleatório, sem pensar no que significam.&nbsp;Nem sempre foi assim. Na&nbsp;verdade, não faz muito tempo que se deu&nbsp;início a este processo que acabou&nbsp;por prejudicar de modo formidável a inteligência.&nbsp;</p>



<p>Para saber mais sobre isso, assista ao&nbsp;vídeo intitulado&nbsp;<em>Top 15 Baby&nbsp;</em><em>Names</em><em>&nbsp;in US&nbsp;</em><em>from</em><em>1880 to 2019&nbsp;</em>no&nbsp;<em>YouT</em><em>ube</em>.&nbsp;É um vídeo rápido e você não precisa saber nada de inglês para entendê-lo.&nbsp;Você vai perceber que até 1920 os nomes mais comuns com que as crianças eram batizadas eram&nbsp;<em>Mary&nbsp;</em>(Maria) e&nbsp;<em>John&nbsp;</em>(João), porque as pessoas tinham a consciência de que era necessário dar aos filhos nomes que indicassem virtudes evangélicas ou que homenageassem os santos. Esta seleção se mantém estável até a ascensão vertiginosa da cultura&nbsp;<em>pop</em>&nbsp;americana, no qual vemos que a cada ano o nome preferido para&nbsp;o batismo das crianças muda&nbsp;conforme o&nbsp;nome&nbsp;artista que está em alta. Você tem idéia de quantos&nbsp;<em>Michaels</em><em>&nbsp;</em>foram registrados nos Estados Unidos durante o tempo em que&nbsp;<em>Michael Jackson&nbsp;</em>figurou como o artista mais influente da nação? Você pode imaginar quantos&nbsp;Enzos&nbsp;e quantas&nbsp;Valentinas&nbsp;foram&nbsp;registrados&nbsp;no Brasil&nbsp;nos últimos anos pelo simples fato de que tais nomes “pegaram” nas redes sociais?</p>



<p>Esse é um dos pontos que reflete a decadência de nossa civilização.&nbsp;Como é triste verque&nbsp;nós, que trouxemos um modo de vida civilizada aos índios, hoje perdemos uma compreensão que eles já tinham antes&nbsp;mesmo de conhecerem a civilização, pois nem mesmo os índios atribuíam nomes aleatórios aos seus filhos.</p>



<p>Embora tenhamos perdido essa ciência, Deus sabe a sua importância, pois criou o homem para a contemplação, e o objeto da contemplação é justamente aquilo que conhecemos do ser contemplado, ou seja, seu nome. E é por isso que é tão importante o segundo mandamento da Lei de Deus (não pronunciar o Nome do Senhor&nbsp;em vão).</p>



<p>O que Deus nos deu a conhecer sobre Si é o seu Santo Nome, e o compreenderemos de modo ainda mais perfeito quando alcançarmos o Céu. Deus é espírito.&nbsp;A Divina Essência não pode ser&nbsp;vista&nbsp;com os olhos&nbsp;da carne.&nbsp;E isto também é verdade&nbsp;quando falamos de Jesus Cristo, que reina glorioso no Céu em corpo, sangue, alma e divindade. Se não fosse assim, todos os que o viram em sua&nbsp;forma humana&nbsp;teriam crido.</p>



<p>Em Cristo, o Nome de Deus nos foi plenamente revelado, tanto quanto nos é possível saber por meio da Fé. E como Deus se revela a nós, até que o possuamos de modo perfeito na glória?&nbsp;Ele se revela como&nbsp;Deus salva. Sim, meu irmão, o&nbsp;nosso&nbsp;Deus é salvação.</p>



<p>Olha agora para o ventre de Maria Santíssima. Vê que dentro dela Deus se fez pequeno, fraco e humilde. Fez isto por amor de você. Sem isto, ainda que você visse a sarça ardendo e Deus lhe declarando amor infinito, não seria suficiente. Então Ele quis aniquilar-se a si mesmo por amor de você. Ele não precisava de nada disso. Ele nada deve a mim ou a você. Ele nos criou por pura bondade e nós o ofendemos. Mesmo depois de termos conhecido a salvação e recebido os Sacramentos, tornamos a ofendê-lo.</p>



<p>E você? Como vai responder a isso de agora em diante?</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao&nbsp;apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Mais confissões de um ex-protestante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jun 2021 18:26:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Mais confissões de um ex-protestante" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Olá, meu caro leitor. Sob os protestos de minha esposa, darei continuidade ao artigo publicado na semana passada. Ela (talvez com razão) me diz para continuar a série sobre o Santo Rosário, mas a quantidade de reflexões a que fui levado pela meditação daquele trecho do Evangelho de São João me impele a falar um [&#8230;]</p>
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<p>Olá, meu caro leitor. Sob os protestos de minha esposa, darei continuidade ao artigo publicado na semana passada. Ela (talvez com razão) me diz para continuar a série sobre o Santo Rosário, mas a quantidade de reflexões a que fui levado pela meditação daquele trecho do Evangelho de São João me impele a falar um pouco mais sobre o assunto.</p>



<p>Uma coisa interessante que percebi somente depois de terminado o primeiro texto é que o título veio bem a calhar. Esse modo de escrever, intercalando memórias e reflexões com preces dirigidas a Deus é muito próprio das Confissões de Santo Agostinho. Quando eu era protestante, tinha o hábito saudável de escrever um diário, e mesmo sem fazer idéia de quem era Santo Agostinho, escrevia do mesmo modo naquela época. A única diferença para os textos que escrevo hoje em dia é a quantidade de “aleluia” e “glória a Deus”.&nbsp;</p>



<p>Ah, se eu soubesse o que estava diante de mim quando uma pessoa apareceu com um livro de Santo Agostinho sugerindo-me que o lesse! Levado pelo temor de ofender a Deus lendo uma obra católica, recusei a oferta. Talvez as coisas tivessem sido bem diferentes se eu houvesse entendido o convite de Deus naquele dia.</p>



<p>Mas não se chora pelo leite derramado. Deus foi bom e com sabedoria me trouxe para a casa Passemos então às confissões.&nbsp;</p>



<p>Uma das coisas que reflito até hoje é como um protestante tem certeza sobre tudo, resposta para tudo. Algo semelhante eu vi apenas no curso de Direito. Para você ter idéia do grau de certeza sobre tudo que tem um protestante pentecostal, pergunte-lhe se está certo da própria salvação. Mesmo os que estão afastados da religião dizem que serão salvos, porque um dia vão voltar para a igreja. Ah, se eles soubessem o que significa pecar por excesso de esperança! Ah, se eles soubessem que isso é pecado contra o Espírito Santo!</p>



<p>Por mais que as Escrituras deixem claro que o homem padece de uma profunda ignorância, eu sempre encontrava uma resposta pronta para todas as objeções que eram opostas às minhas crenças. Procedia desse modo porque julgava ser uma obrigação moral ter essa certeza. Não preciso aqui dizer que o que eu possuía não era Fé, mas uma crença (e muito fraca, diga-se de passagem).&nbsp;</p>



<p>Mas eu percebia que isso não era uma particularidade minha. Todas as pessoas que partilhavam daquelas crenças agiam do mesmo modo. Aliás, foi com elas que aprendi a ser assim. Quantas vezes eu não ouvi (e quantas outras não declarei) que o cristão tem que estar certo de sua própria salvação? Havia verdadeiro repúdio pela expressão “não sei” em matéria de crença.&nbsp;</p>



<p>Lembro-me do dia que tomei consciência desse mal. Eu estava disputando com protestantes sobre um determinado assunto, estando já nessa época afastado da religião. Em determinado momento, a pessoa que comigo debatia perguntou-me como eu podia explicar determinada coisa à luz de minha nova teoria. Eu lhe disse que não sabia. Por incrível que pareça, a pessoa tomou a resposta como um triunfo de sua suposta verdade. Ela não deve ter percebido que eu declarei ignorância não como quem se dá por vencido, mas como quem admite um desconhecimento com paz de espírito.</p>



<p>Hoje eu sei que se eu espremer aquelas mesmas pessoas como um limão, elas terão que se dar por vencidas e declarar ignorância em muitas matérias, ou acabarão por dar respostas incoerentes com declarações anteriores. Antes eu não podia agir de tal modo, pois não tinha o mesmo conhecimento que tenho hoje. Também é verdade que se hoje eu for espremido como um limão por pessoas que entendem muito mais do que eu, terei de confessar ignorância. Mas há duas diferenças: a primeira é a de que eu já aprendi que a ignorância é uma das penas que deverei suportar até o fim dessa vida, e a segunda é a de que a Fé bem fundada não é abalada por coisas desse tipo.</p>



<p>Uma das lições mais valiosas que uma pessoa deve aprender é lidar com a própria ignorância. A quantidade de coisas que são ignoradas é muito, muito maior do que o número de coisas conhecidas. Estamos falando sobre mistérios de Fé, mas não precisamos ir tão longe para compreender isso. Uma das coisas que mais mata no Brasil é acidente de trânsito. Só no ano de 2020, cerca de 29.200 pessoas morreram em decorrência disso. Acidentes de trânsito são ocasionados por diversos fatores (falhas nos veículos, distrações, imprudência, erros humanos etc.). Acontece que as pessoas suportam todos os dias os riscos do trânsito, mesmo não sabendo se serão a próxima vítima. Veja que estamos falando de um dano muito grave, que é a perda da vida! Qualquer um sabe que pode ser a próxima vítima mesmo sendo uma pessoa cautelosa na direção; compreende que não tem como controlar a totalidade dos fatores. Você já deve ter percebido que esse raciocínio não se aplica somente ao trânsito.</p>



<p>Como alguém pode viver tranquilamente sabendo que pode ser a próxima vítima de acidentes (ou incidentes) letais? A maioria das pessoas nunca pensa nisso porque é natural que as coisas sejam desse modo. Quem se prender a esse pensamento não fará mais coisa alguma. Se todos adotarem esse mesmo princípio, a humanidade será extinta. Então é óbvio que existe desordem na falta de ação por medo de algo que é inevitável.&nbsp;</p>



<p>Estou dizendo isso apenas para provar como é grande a capacidade do ser humano em lidar com a ignorância, e como isso não o impede de viver e desfrutar do que há de bom na vida. Não é razoável que o mesmo se dê com o conhecimento que temos das coisas espirituais? Como pode alguém falar que Deus é um Deus de mistérios se não se comporta segundo essa verdade diante da própria ignorância? Como pode alguém pretender uma resposta para todas as objeções? O resultado dessa atitude é o abandono de Deus, porque a pessoa concebeu um arcabouço de idéias que tenta explicar todas as coisas, o que é impossível. A realidade irá mostrar que essas idéias são falsas, e então a pessoa só poderá escolher um dos três caminhos de que falarei.</p>



<p>O primeiro é a negação da realidade. Esse pecado é muito sério. Deus é a verdade, e a verdade se manifesta antes de tudo na realidade. No caso dos seres humanos, estamos literalmente falando da realidade sensível. Nossos pensamentos só são possíveis porque temos contato com as coisas percebidas pelos sentidos. É a partir desses dados que o intelecto opera. Não nego que Deus possa conceder a uma pessoa a experiência inexprimível de sua presença e até mesmo da chamada inabitação trinitária. Mas é fato que Ele mesmo, conhecedor de todas as realidades visíveis e invisíveis, manifesta-se a nós por meio de sinais visíveis. Nós somos seres humanos, é natural que seja assim. Se fosse de outro modo, julgaríamos Deus como imperfeito por nos ter aprisionado em uma matéria que não serve para nada. Se a matéria fosse intrinsecamente má, Deus seria imperfeito por tê-la criado, e mais ainda por ter assumido a matéria quando criou para si um corpo humano.</p>



<p>Há uma coisa que tenho percebido nos últimos anos: é pela negação da realidade que as pessoas se tornam loucas. Não digo isso pejorativamente. Falo sobre loucura clínica que exige tratamento especializado!</p>



<p>O segundo caminho é o abandono de Deus. Certas pessoas por verem derrubados um tijolo do edifício que construíram ao longo dos anos, julgam que tudo está perdido. Revoltam-se contra Deus, e em pouco tempo manifestarão seu ódio por Ele, mesmo sabendo lá no íntimo que Deus existe e que julgará os vivos e os mortos. Acontece que esse ódio teve início em uma frustração com uma coisa que não é Deus! A pessoa mete idéias erradas na cabeça pela fraqueza de sua Fé e depois fica revoltada quando a realidade a desmente! Veja que grande injustiça decorre de não aceitar com paz e humildade a própria ignorância!&nbsp;</p>



<p>Aqui novamente eu vejo a associação entre Cristo e a Igreja. Esta é desprezada pela maioria das pessoas não por aquilo que ela realmente é, mas por aquilo que acreditam que seja. Todas, absolutamente todas as pessoas que eu conheci e que desprezam a Igreja não a conhecem. Os protestantes que conhecem a Igreja não a desprezam de modo algum; são pessoas que têm respeito pela verdade.</p>



<p>Sobre o terceiro caminho já falamos. Grave no seu coração que a ignorância deve ser aceita com paz e humildade. É necessário muita paciência para lidar com ela. É preciso ter confiança para deixar o assunto de lado, suspender o juízo, pedir a Deus luzes para bem compreender as coisas e procurar alguém de critério para conversar, sabendo que mesmo assim pode não ser possível alcançar uma resposta.</p>



<p>Mas antes de tudo a pessoa deve se saber se há um verdadeiro estado de ignorância ou um erro induzido. Isto acontece muito! Nós pensamos que os erros que se espalham no mundo são causados somente pela ignorância. Nada mais falso! Os grandes erros têm origem na malícia. Veja o caso de Karl Marx. Muitos podem pensar que ele cometeu um equívoco. Pensam que ainda que isso tenha resultado em milhões de mortes, foi um equívoco. No entanto, os estudiosos do assunto declaram que Marx não se enganou de modo algum. Ele sabia o que estava fazendo. Uma das evidências é que ele falseava estatísticas em suas obras para adequá-las às teorias que pregava. Nós nunca podemos desprezar o nível da malícia dos filhos do maligno. A mentira descarada é muito mais comum do que imaginamos. É verdadeiro o adágio que diz que uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade.</p>



<p>Ainda esses dias eu estava explicando para um irmão que a superpopulação mundial é um mito. Os adeptos da contracepção falam em quase 8 bilhões de pessoas como se fosse um problema, mentindo descaradamente quando dizem que o planeta Terra não pode suportar todo esse contingente. Se você acredita nisso, eu sugiro que faça uma conta bem simples. Tome o número total de habitantes do Brasil e divida por quatro, para saber mais ou menos quantas famílias existem em nosso país (a média de filhos por casal no Brasil não chega a 2). Agora tente colocar todas essas famílias em um território do tamanho do Estado de São Paulo e veja quantos hectares dariam por família. Depois que se assustar com a quantidade de terra disponível, faça projeções para o resto do mundo, e você vai entender o que eu estou falando.</p>



<p>Esse tipo de engano prejudica a Fé? Mas é claro que sim! Tal mentira coloca em cheque o ensinamento da Igreja de que a maioria das formas de controle de natalidade são imorais e gravemente pecaminosas! Se você se deixa levar por esse tipo de mentira, não tendo a devida paciência para estudar bem as coisas, acabará abandonando a Fé ou vivendo em pecado. Em ambos os casos o diabo já lucrou uma alma. É simples assim.</p>



<p>No entanto, pode ser que a pessoa perceba que realmente estava enganada, pois os fatos que baseiam os argumentos contrários são verdadeiros, e os raciocínios são validamente lógicos, partindo de premissas corretas. Neste caso, a pessoa deve aceitar humildemente o erro, retificar se for preciso e dar graças a Deus por ter se dignado a iluminar as trevas de seu entendimento.</p>



<p>Meu caro irmão, a humildade é a verdade. Essa declaração profunda feita por Santa Teresa D’Ávila é um manancial de meditações. Sob certo ponto de vista, a doutora está nos dizendo que sem humildade não se pode alcançar a verdade, ao passo que também está dizendo que humilde é aquele que sabe a verdade sobre si mesmo. Então tomemos consciência de nossa ignorância, sobretudo em matéria de Fé. Esforcemo-nos por conhecer tudo aquilo que a Igreja ensina como sendo de Fé, mas saibamos que mesmo os dogmas abarcam uma parcela ínfima da realidade invisível, e muito provavelmente só tratam daquilo que é indispensável para que as pessoas não incorram em erros que lhes custem a salvação eterna.</p>



<p>Certa vez, pedi a um Professor por quem tenho grande estima que me esclarecesse algumas coisas sobre o protestantismo. Em determinado momento, ele disse de modo muito incisivo que o protestantismo é a religião da soberba. Eu refleti muito sobre isso, e permaneço refletindo passados já quase dois anos. Cada vez mais vejo que é verdade. Seria custoso relatar para você todas as minhas memórias que confirmam isso, mas posso garantir que é assim mesmo.</p>



<p>Bem por isso tenho pena dos meus irmãos católicos que são visivelmente soberbos, principalmente os que se arrogam exímios conhecedores do magistério da Igreja. O olhar de altivez, a ironia, as falas de menosprezo&#8230; Tudo isso me recorda o que vi e vivi no convívio com os protestantes. Eu tenho pena porque Deus tem um modo muito severo de tratar os soberbos. Ele odeia a soberba mais do que tudo! Não há palavras para exprimir como ela o ofende! O remédio e a pena para a soberba é a humilhação. Então Deus, seja para salvar, seja para punir o soberbo, permite com que ele seja humilhado. Quão amargo o remédio que esses irmãos terão que tomar para se verem curados dessa pecha abominável!</p>



<p>Voltando ao assunto principal, tenho um relato interessante que demonstra o que eu disse até aqui. Certa vez, quando eu era ainda protestante, foi jogado na mesa o assunto da teoria da evolução. A esposa do pastor fez pouco caso, dizendo que era absurdo supor que o homem veio do macaco. Eu já havia estudado o assunto e lido A Origem das Espécies de Charles Darwin de cabo a rabo; eu sabia que tal afirmação era desonesta. Tomei a palavra e disse que na verdade a teoria supõe que o homem e o macaco têm um ancestral comum, e não que o homem procede do macaco. Nunca vou me esquecer da resposta que ouvi: “ah, é tudo a mesma coisa”.&nbsp;</p>



<p>Entenda isto, meu caro irmão: para mim é evidente que a teoria da evolução é errada, e não por motivos de Fé, mas por motivos científicos. No entanto, isso não me dá o direito de mentir a respeito dela e obstinar-me na mentira, ainda que motivado pela defesa da Fé. Esse fato me marcou muito e contribuiu para o enorme desprezo que passei a ter pela religião cristã quando a abandonei. Para mim, o cristianismo havia se tornado uma religião de covardes que tinham medo da verdade, movidos única e exclusivamente pelo temor de receberem a punição eterna.</p>



<p>Ah! Se eu apenas tivesse aceitado ler aquele livro de Santo Agostinho&#8230;&nbsp;</p>



<p>Eu já demonstrei como aquelas passagens do Evangelho de São João me levaram a refletir que o que Jesus sofreu em seu tempo continua a sofrer hoje por meio de seu Corpo que é a Igreja, de modo que interpreto o apelo de Jesus Cristo aos judeus como um apelo da Santa Igreja a todos os incrédulos. De fato, nega a realidade aquele que diz crer em Jesus sem antes ter acreditado na pessoa que lhe comunicou o Evangelho.</p>



<p>Se é verdade que só podemos obter a salvação pela Fé em Jesus Cristo, é verdade que só podemos obter a salvação por meio da Santa Igreja Católica, que é o Corpo de Cristo que continua a agir na história. Quando Cristo diz que é o caminho, está a dizer que sua humanidade é a ponte que conduz o gênero humano à divina essência; a união hipostática é o símbolo disso, porque nela a humanidade e a divindade se unificam, de modo que as duas coexistem perfeitamente em uma mesma pessoa sem anularem-se mutuamente. É um verdadeiro mistério, um grande mistério! Sabemos que é assim porque cremos na Igreja, mas vemos isso como uma imagem em um espelho embaçado. Não é por acaso que, no mesmo discurso em que Cristo se refere a si mesmo como “o caminho”, ele também diz “o Pai e eu somos um”, e também que os discípulos serão um com ele, assim como ele é um com o Pai. Humanidade e divindade unidas por um verdadeiro milagre feito pelo Espírito Santo!</p>



<p>Mas os protestantes levantam objeções em relação a isso. Para eles, essa doutrina é idolátrica por dois motivos: divinização do homem pecador e usurpação do lugar de Cristo pelos homens (a Igreja Católica é para eles apenas uma instituição humana, quando não demoníaca).</p>



<p>À primeira objeção respondo que a divinização do homem não é idolatria, mas a Fé dos Apóstolos. Cristo disse nessa mesma ocasião que a Igreja faria obras maiores do que as dele. As obras de Cristo são obras divinas, pois ele mesmo disse que são feitas pelo Pai. A diferença é que Cristo é verdadeiro Deus, ao passo que os homens não. No entanto, a união da alma com Deus pelas virtudes da Fé, Esperança e Caridade faz com que o homem proceda divinamente, movido livremente pela vontade do Espírito Santo. É por isso que se fala em divinização do homem. O Apóstolo quis dizer isso ao declarar que já não era mais ele que vivia, mas Cristo. Uma pessoa divinizada não é uma pessoa divina. Divinas são somente as pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Elas são divinas desde toda a eternidade. Não passaram de um modo de ser para o outro, portanto seria incorreto referir-se a elas como divinizadas. Uma pessoa divinizada é uma pessoa que, por livre e espontânea vontade, em tudo procede para a maior glória de Deus, segundo o modo pelo qual Ele mesmo quer ser glorificado por meio dela. Os anjos e os seres humanos foram criados para serem divinizados. Nisso consiste a perfeita felicidade para a qual a Santíssima Trindade os criou por pura bondade.</p>



<p>À segunda objeção responderei em um artigo futuro.</p>



<p>Meu caro irmão, sei que todas as coisas que escrevo nesses artigos não são novidades para você, mas meditar essas coisas nos fazem ver diferenças fundamentais que existe entre a verdadeira Fé e todas as demais crenças no mundo. Como diz o Padre Paulo Ricardo: “é lindo ser católico!”. A Igreja é uma fonte inesgotável de sensatez, amor pela verdade, virtude, caridade, presença de Deus.&nbsp;</p>



<p>Realmente, <strong>é lindo ser católico!</strong></p>



<p>Peço para você a caridade de falar sobre esses artigos comigo pelo <em>Instagram </em>(<a href="https://instagram.com/aduccineto" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@aduccineto</a>). Eu realmente preciso saber se tenho entregado um conteúdo de valor para vocês, e se esses <em>pit stops </em>que faço no meio do caminho são aceitáveis. Também preciso saber se vocês gostariam que eu aumentasse a freqüência das publicações ou que tratasse outros temas. Enfim, irmão, a sua opinião é muito valiosa para que eu possa orientar meus passos futuramente.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Confissões de um ex-protestante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jun 2021 16:19:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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<p>Uma das lições mais importantes que aprendi nos últimos anos foi a de ler as Sagradas Escrituras como quem quer ouvir Deus que fala na intimidade do coração. Todas as vezes que abro a Bíblia, faço-o na Fé de Cristo está ali presente tentando me comunicar o que me é necessário naquele momento, e sei [&#8230;]</p>
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<p>Uma das lições mais importantes que aprendi nos últimos anos foi a de ler as Sagradas Escrituras como quem quer ouvir Deus que fala na intimidade do coração. Todas as vezes que abro a Bíblia, faço-o na Fé de Cristo está ali presente tentando me comunicar o que me é necessário naquele momento, e sei que se meditar com diligência ouvirei essa doce voz que me pede mudança de vida.</p>



<p>Um das coisas que me deixa aflito quando leio a Bíblia é a incredulidade dos judeus. Sabemos a história de cor e salteado: Cristo veio ao mundo fazendo só o bem, mas as pessoas não creram nele.&nbsp;</p>



<p>O que me deixa aflito é saber que Cristo dirige aquelas palavras para mim. Quando Cristo diz “homem de pouca Fé”, é para mim que está dizendo. É fácil julgar São Pedro pensando: “Como pôde ele ter duvidado quando Cristo lhe disse que descesse da barca e fosse andando até ele por cima das águas?”. A verdade é que eu também fraquejaria na confiança.</p>



<p>Por vezes é bom tentar compreender a perspectiva dos incrédulos daquele tempo. Esse exercício que pode parecer perigoso é na verdade benéfico. O Espírito Santo inspirou as Escrituras justamente para que tomássemos conhecimento daquilo que Cristo quer dizer a nós, aqui e agora. É por isso que temos que tomar como dirigidas a nós todas as advertências que Cristo deu aos seus discípulos, ao povo que o ouvia e até mesmo aos seus inimigos.&nbsp;</p>



<p>Fazer isso é também um exercício de humildade, pois por ele se adquire a consciência de que a Fé sempre foi e sempre será um desafio. Hoje olhamos para trás e vemos, após dois mil anos, que Cristo falou a verdade. Acontece que naquele tempo, era necessária uma confiança muito mais irrestrita. É só por um milagre do Espírito Santo que os discípulos creram e que os primeiros cristãos acreditaram no anúncio dos apóstolos.</p>



<p>Penso muito em meu tempo de protestante, e hoje vejo como eu era um verdadeiro incrédulo. Eu não conseguia ver o que estava debaixo do meu nariz! As Sagradas Escrituras dizem que a causa da incredulidade é o pecado, pois quem vive no erro não se aproxima da verdade para que ela não denuncie que procede erroneamente (Jo 3, 20). Isso é verdade, pois o pecado é a causa de todo o mal.&nbsp;</p>



<p>No entanto, a análise é mais complexa quando verificamos as causas imediatas da descrença. Muitos não creram em Jesus porque não encontravam em sua história o que os profetas disseram a respeito do Messias. Os Evangelhos relatam que as pessoas indagavam como poderia ser Jesus o Messias se estava escrito que este viria de Belém, ao passo que Jesus vinha da Galiléia. O entendimento era correto, pois de fato o Messias viria de Belém. Eles apenas não sabiam que Jesus nasceu em Belém.&nbsp;</p>



<p>Outro obstáculo muito difícil para eles era o fato de Cristo afirmar a própria divindade. Os Evangelhos relatam que algumas vezes os judeus tentaram matá-lo antes do tempo por conta disso. Chegaram até a pegar em pedras para levar a cabo o intento, e isso sem qualquer julgamento, tamanho o ódio que aquela afirmação despertava em seus corações. Era muito difícil para os judeus aceitarem a idéia de um homem divino. Para eles, Cristo blasmefava quando se passava por Deus, e eram idólatras todos aqueles que lhe prestavam culto.&nbsp;</p>



<p>Quando eu era protestante, poderia responder a essas objeções tranquilamente, mas não posso dizer o mesmo de várias outras, como aquela que se sucede à fala de Jesus sobre a Eucaristia no capítulo 6 do Evangelho de São João. Eu, tal como os discípulos que abandonaram Cristo naquele momento, considerava aquele discurso muito duro, e apelava para a interpretação alegórica. Afinal, “como pode um homem nos dar de comer a sua própria carne” (Jo 6, 52)? Eu não conseguia perceber que Jesus Cristo não fez caso de explicar nada, deixando com que muitos discípulos o abandonassem. Eu não podia ver que isso contrariava o método pedagógico de Cristo. Nosso Senhor sabia que aquelas homens eram ignorantes e quase incapazes de entender uma metáfora. Com efeito, o Senhor várias vezes explicou aos discípulos quando algo ficava mal entendido, dizendo-lhes em que consistia as metáforas que estava usando (Mt 6, 7). Mas dessa vez Cristo não explicou nada e deixou todos debandarem. A coisa era tão literal e séria para Jesus que ele desafiou os discípulos sem dó nem piedade: “quereis também retirar-vos?” (Jo 6, 67). É evidente que não se trata de uma figura de linguagem. Mas também eu não podia com esse discurso tão duro.</p>



<p>Há alguns dias eu estava lendo o capítulo 5 do Evangelho de São João e acabei por me deparar com uma dessas passagens que me fazem ficar perplexo com a minha própria ignorância.&nbsp;</p>



<p>A história começa com Jesus curando um enfermo na piscina de Betesda em um dia de sábado. Jesus ordenou que ele tomasse o leito e caminhasse. O homem, que estava enfermo há trinta e oito anos, sendo provavelmente um coxo ou paralítico, levantou-se imediatamente e saiu a caminhar carregando seu leito. Os judeus repreenderam o pobre homem porque carregar o leito era trabalho proibido no sábado. O homem então deu testemunho de Jesus, dizendo que aquele que o havia curado havia lhe dito que carregasse também o leito. Os judeus, tendo questionado Jesus por que fazia o que era proibido no sábado, receberam a seguinte resposta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Meu Pai continua trabalhando e eu também trabalho.</p><cite>(v. 17)</cite></blockquote>



<p>Os judeus ficaram indignados porque entenderam bem o recado. Aquele homem estava dizendo que possuía os mesmos direitos que Deus. Para possuir os mesmos direitos de Deus, deve a pessoa ser divina. Quando Jesus diz de si mesmo ser o Filho de Deus, está dizendo justamente que partilha da natureza divina. Um simples raciocínio prova isso: o filho da pata é um pato, o filho da gata é um gato, o filho da mulher é um ser humano, e o filho de Deus é Deus. A natureza é a mesma. Mas Deus só há um, como dizem as Escrituras, pelo que entenderam os judeus (e acertadamente, diga-se de passagem) que Jesus Cristo estava dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu sou um ser divino. Portanto, possuo as mesmas prerrogativas de Deus.</p></blockquote>



<p>É por isso que ao ouvir isso o evangelista relata:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por esse motivo os judeus, com mais empenho, tentavam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas além disso chamava a Deus de seu pai, <strong>igualando-se a Deus</strong> (v. 18).</p></blockquote>



<p>Alguns podem objetar que aceitam que o filho da pata é um pato, mas que o patinho não é a pata. Essa objeção tem a sua razão de ser. Ocorre que no dogma da Santíssima Trindade a pessoa do Filho é totalmente distinta da do Pai. O que por eles é compartilhado é a essência. Como só há uma única essência divina, e essa necessidade pode ser verificada racionalmente, compreendemos (ainda que muito imperfeitamente) como pode haver unidade na Trindade. Mas deixemos esse assunto de lado e continuemos a história.</p>



<p>Como não cressem nisso, Jesus começou a falar sobre sua autoridade e poder, e depois deu provas do que disse apelando aos testemunhos.</p>



<p>Jesus inicia apelando à lei de Moisés, dizendo que se desse testemunho em favor de si mesmo, seu testemunho não seria válido (v. 31). A lei disciplinava a prova testemunhal dentro dos processos judiciais, e nesse ponto era brilhantemente pedagógica (como é próprio de Deus), porque o testemunho é a base de todo e qualquer conhecimento.</p>



<p>Aí entra outra ignorância que eu tinha naqueles tempos. Baseado na passagem que diz que em Deus não há mudança (Tg 1, 17), eu não podia compreender como determinados mandamentos da lei não eram mais seguidos, ao passo que outros ainda eram. Entendia que se o próprio Jesus se colocou sob o jugo da lei, era correto que nós fizéssemos o mesmo, porque a lei é santa (Rm 7, 12). Confesso que na época cheguei até a conjectura a hipótese de que os adventistas estavam certos, mesmo sendo eu pentecostal.&nbsp;</p>



<p>Eu estava errado. Jesus disse aquilo por causa da fraqueza daqueles corações. Deus, apesar de ser imutável, sempre se dispõe a usar o remédio adequado à ferida, de modo que por vezes, em vista da dureza do coração do homem, dá a ele o que é necessário para que salve, ainda que aquilo não seja de todo perfeito.</p>



<p>O testemunho pessoal de Cristo é perfeito, mas ele se humilha e se submete à lei movido por seu imenso amor, para de algum modo tentar ganhar o coração dos homens para Deus.</p>



<p>Cristo deixa essa dimensão bem explicada quando fala sobre a carta de divórcio. O divórcio foi autorizado por Moisés não porque fosse segundo a natureza, mas porque o povo não podia suportar o mandamento da castidade. A verdade é que até hoje as pessoas não podem suportá-lo.</p>



<p>Quando protestante, por exemplo, eu não aceitava a segunda união, mas não por uma interpretação pessoal da Bíblia. Eu não aceitava porque o pastor que me ensinava dizia não concordar com isso, mesmo sabendo que na maioria das igrejas pentecostais o divórcio é aceito em caso de adultério. No entanto, eu aceitava os anticoncepcionais, como a quase totalidade dos protestantes (eu ignorava nessa época que mesmo os protestantes eram contra os anticoncepcionais até a década de 1920).</p>



<p>Essa condescendência de Deus nós também testemunhamos em nossas vidas. Ao olharmos para o passado, para aqueles primeiros erros de nossa conversão, vemos como foi necessário passar por aquilo até que as coisas se ajustassem. Por vezes, quando lutamos muito para adquirir uma virtude, acabamos falhando em outra, como se não fosse possível conciliar as duas, mas vemos que ao final foi possível crescer tanto em uma como na outra, porque a infinita misericórdia de Deus se dispôs a nos perdoar.</p>



<p>Para quem achar que estou falando algum absurdo, digo que se lembre dos padres do deserto que exortavam seus filhos espirituais a bem escolherem qual virtude exercitariam em prejuízo da outra, segundo o estágio espiritual em que se encontravam.&nbsp;</p>



<p>Veja se não é isso mesmo o que Jesus ensina:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Vós enviastes uma delegação para João [o Batista], e ele deu testemunho da verdade. E, embora eu não me apóie em testemunho humano, <strong>digo isso para a vossa salvação</strong> (vv. 33-34).</p></blockquote>



<p>Depois Cristo diz que o verdadeiro testemunho de sua divindade são as obras que ele realiza. Diz também que o próprio Pai é sua testemunha, mas ressalta que o testemunho do Pai não pode ser conhecido por aquelas pessoas, porquanto sua voz nunca foi ouvida e sua figura nunca foi vista (v. 37).&nbsp;</p>



<p>Meditando esse texto, eu percebi a dificuldade que tinha o Senhor Jesus de convencer aquelas pessoas do que dizia. E então percebi que essa mesma dificuldade é enfrentada pela Igreja Católica. No entanto, dei-me conta de que o que existe entre ambas as dificuldades não é somente um paralelo, mas que as duas dificuldades são a mesma coisa, separadas entre si somente cronologicamente. A dificuldade que Cristo teve enquanto viveu conosco pessoalmente é a mesma que ele tem enquanto vive conosco por meio da Igreja.&nbsp;</p>



<p>Explico.</p>



<p>S. Paulo Apóstolo ensina que Cristo e todos aqueles que a ele se uniram pela Fé são um mesmo corpo. É por isso que a Igreja denomina-se a si mesma como o Corpo Místico de Cristo (I Co 12, 17).</p>



<p>Não conseguimos compreender isso com clareza, pois esse corpo não encontra os mesmos limites que um corpo humano, embora este seja um símbolo visível daquele. Se pensarmos em um corpo humano, teremos em nosso esquema imaginário uma cabeça, um pescoço, um tronco, dois braços e duas pernas. Se pensarmos no Corpo Místico de Cristo, não conseguimos a mesma imagem, pois muitos são os braços, muitas são as pernas e todos os demais membros, com exceção da cabeça que é uma só: Cristo. O próprio Cristo também ensina isso quando fala sobre a videira, dizendo ser Ele a videira e nós os ramos.</p>



<p>Para conseguir que fizéssemos parte de sua felicidade, Cristo veio ao mundo e com isso obteve méritos para que a Divina Essência concedesse o dom do Espírito Santo a todos os que crêem. É pelo dom do Espírito Santo que as pessoas são feitas filhas de Deus. Não são filhas por um direito natural. São filhas nascidas da vontade e do amor de Deus. É o mesmo que acontece com uma criança abandonada que cativa o coração de um casal. Essa pobre criança não tem qualquer direito de se chamar filha desse casal, mas uma vez que os dois a amem e resolvam adotá-la, ela passa a se tornar filha.</p>



<p>A Igreja bem denomina o Espírito Santo como “Alma da Igreja”. Entendo por isso o seguinte: a alma é a substância imaterial que anima, isto é, que dá vida e movimento ao corpo. Sem a alma, o corpo do ser humano é um animal irracional como outro qualquer. Mas uma vez que está unido a uma alma imortal, o corpo é parte de um verdadeiro ser humano, capaz de Deus. É assim que uma congregação de pessoas que não esteja animada (palavra derivada de anímico, e não do termo vulgar de animação) pelo Espírito Santo não é verdadeiramente Igreja, mas apenas outra agremiação qualquer que não se diferencia muito de uma ONG ou qualquer sociedade entre duas ou mais pessoas.</p>



<p>É assim que a palavra de Cristo se perpetuou na história humana por meio da Igreja. Sem a Igreja, não há que se falar em conhecimento de Deus, pois Deus não quis se dar a conhecer senão por meio da Igreja que instituiu. Tanto é assim que Cristo passou por esse mundo sem nada deixar escrito. Transmitiu os seus ensinamentos e mostrou aos seus discípulos os sinais que operava. Tendo morrido, ressuscitou ao terceiro dia, e para dar prova do que havia anunciado, apareceu aos discípulos e na frente deles foi elevado ao Céu. Antes de subir, porém, disse-lhes:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Ide por todo o mundo, proclamando a boa notícia a toda a humanidade. Quem crer e for batizado se salvará; quem não crer se condenará (Mc 16, 15).</p></blockquote>



<p>Cristo deixou claro que a Fé que pede dos homens para que se salvem é antes uma Fé na Igreja, naqueles homens que por ele foram enviados para anunciar o Evangelho. Não tem como ser de outro modo. Se não crermos no homem que nos anuncia, como creremos no conteúdo que está sendo anunciado?&nbsp;</p>



<p>Eu estava a milhas de distância dessa compreensão quando era protestante, e hoje vejo que tudo o que eu fazia era negar a realidade e fugir da consciência de mim mesmo. Eu tinha por verdade que a autoridade estava na Bíblia Sagrada. Mas hoje eu vejo que, embora defendesse essa verdade com a boca, na realidade dos fatos eu sempre recorria à autoridade do meu pastor para interpretar as Escrituras. Se me perguntavam qual garantia que eu podia dar de que a interpretação por mim assumida como verdadeira era a correta, eu não tinha resposta plausível para dar. Justificava apenas que a letra mata e o Espírito vivifica (II Co 3, 6). Ponto final. Eu não conseguia sequer tomar consciência de que aquela interpretação era a de meu pastor, e que eu, desconhecedor das coisas de Deus, confiava nele, embora hoje eu veja o mal que essa confiança me fez, e não porque ele fosse mal, mas porque era um cego guiando outro cego (Lc 6, 39). &nbsp;</p>



<p>Eu poderia estar em outro grau naquela época, confesso. Ao menos um pouco de humildade eu possuía para saber que eu era um homem carnal que não podia ouvir com clareza a voz de Deus. Mas eu poderia estar em outro grau, que é o da pessoa que se diz espiritual e detentora da correta interpretação das Sagradas Escrituras. Provavelmente em algum ponto eu chegaria lá, e quem sabe até teria fundado a minha própria denominação acreditando piamente que estava atendendo a um chamado da parte de Deus. Bendito seja Deus que me entregou a mim mesmo e pacientemente suportou minha ingratidão enquanto estive em sua inimizade! Quanto peso eu não carregaria hoje em minhas costas se também tivesse eu sido um cego guiando outros cegos?</p>



<p>Mas por que eu aceitava tudo aquilo? Em primeiro lugar, porque eu era ignorante. Apesar de me considerar inteligente, não passava de um pobre coitado que havia recebido formação ideológica desde a infância na escola. Para se ter uma idéia, tamanha era a minha ignorância que eu via perfeita compatibilidade entre os ensinamentos de Cristo e o socialismo. É claro que os professores que falaram da revolução russa nunca contaram a parte do genocídio; fui ter uma vaga idéia disso no último ano do ensino médio, quando um professor de história disse que Hitler era uma mocinha perto de Stálin.</p>



<p>Veja que toda essa ideologia que se ensina hoje nas escolas sedimenta princípios na inteligência que tem por última conseqüência o relativismo. Quando abracei de verdade o protestantismo, eu era relativista e não sabia. Para mim era fácil aceitar que eu tinha que obedecer os mandamentos da lei de Deus pelo simples fato de que Deus havia mandado, ainda que não pudesse explicar a desordem que havia no pecado.&nbsp;</p>



<p>Era fácil aceitar a explicação de Watchman Nee de que Deus só deu um mandamento para Adão e Eva para que eles aprendessem o princípio de autoridade. O mandamento foi para que não comessem do fruto daquela árvore, mas poderia ser qualquer outra coisa, como “não cruze esse rio”. Entristeço-me hoje pelo fato de que aquelas pessoas que eu conheço e que até hoje estão no protestantismo aceitam esse tipo de ensinamento, mas também me entristeço pelo modo como coisas desse tipo me prejudicaram e ao final de tudo me levaram a odiar a Deus (ou o que eu imaginava ser Deus).</p>



<p>Some-se à ideologia de viés marxista as mentiras históricas que os próprios protestantes criaram e propagaram ao longo dos quatro últimos séculos. Como não suspeitava eu, meu Deus, que tu não irias deixar a humanidade perecer em trevas por dezesseis séculos até que viesse Lutero? Como não podia eu enxergar que crer em um absurdo como esse é o mesmo que duvidar de tua sabedoria e misericórdia? Como podia eu rir-me da Igreja Católica sem sequer suspeitar dos motivos pelos quais existia já há dois mil anos?&nbsp;</p>



<p>Ah, meu Deus, tende piedade dessas pessoas que nunca souberam o que era a Fé católica e que, dizendo-se convertidos do catolicismo ao protestantismo, mentiram tanto para mim. Disseram-me, meu Deus, tantas mentiras sobre a Igreja! Tu bem o sabes, Pai Santo; tu és testemunha do que digo. Eu peço que me perdoes a mim, que não podia enxergar a verdade que estava bem debaixo do meu nariz, mas principalmente a eles, pois creio ser maior o pecado daquele que ensina o mau caminho (Mt 8, 7), pois eu sei (e como!) são capazes de fazer um discípulo duas vezes mais merecedor do inferno o que eles mesmos (Mt 23, 15).</p>



<p>Tenho mais a dizer sobre esse assunto, motivo pelo qual pretendo continuar esse artigo na próxima semana.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Grande Alegria — Parte 4</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cooperadores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 May 2021 13:18:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Imaculada Conceição" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
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<p>Prossigamos, meu caro irmão, na meditação do grande mistério da anunciação e da encarnação do Divino Verbo. Esse mistério é repleto de ensinamentos, e não consigo encontrar em todo o Santo Rosário outro mais sublime. Nele se concretiza a promessa que Deus fez aos nossos primeiros pais logo após a queda, porque Deus, em sua infinita bondade, e sem que lhe fosse necessário fazê-lo, resolveu redimir o homem por Ele amado. Deus não se tornou mais perfeito por ter redimido o homem, tampouco exige sua perfeição que tivesse criado todas as coisas. Tudo o que Deus fez foi por pura bondade, para que as criaturas dotada de alma pudessem desfrutar de sua perfeita felicidade. Sim, anjos e humanos, unidos pela Caridade no coração da Santíssima Trindade! As criaturas em nada aumentam a felicidade de Deus, nem seus ultrajes lhe diminuem a glória. Deus basta-se a si mesmo. Deus nos deu a vida para que partilhássemos de sua Vida. Sejamos sempre gratos por isso. Amém.</p>



<p>Já vimos a causa da perturbação de Maria Santíssima ao ouvir tão sublime saudação, e agora meditaremos a resposta do anjo a esse fato. O anjo disse à Maria que não temesse, pois havia encontrado graça diante de Deus.</p>



<p>Aqui se esconde mais um mistério. Que quis o anjo dizer com “encontraste graça diante de Deus”? Pode parecer simples, mas é muito mais profundo do que o que aparenta.</p>



<p>A Igreja afirma algo que todos nós devemos crer como verdade de Fé: Maria Santíssima, no momento de sua concepção no ventre de Santa Ana, foi preservada da mácula do pecado original que pesa sobre todas as criaturas humanas. Deus preservou aquela que estava destinada a ser Mãe do Divino Verbo em atendimento aos próprios méritos de Cristo, pois sabe Deus desde o princípio que o Filho amado em tudo se submeteria a sua santa vontade para redimir os homens decaídos. Assim é que os méritos que Cristo Homem adquiriria no futuro foram aplicados para redimir a Virgem Maria no momento de sua concepção. Sim, pois se redime não somente por levantar o que foi caído, mas também por preservar da queda, pelo que podemos dizer que até os anjos que não pecaram foram redimidos.</p>



<p>Para Deus, não existe o ontem e o amanhã. Ele está acima do tempo; por isso o chamamos de o Eterno. Tudo para Deus se passa num mesmo instante. Deus olhando a realidade temporal é como o homem que contempla um imenso quadro que retrata toda a história das criaturas.&nbsp; Esse quadro é demasiadamente grande! Os seres humanos não são capazes de percorrer a sua totalidade ainda que tentem por toda a vida. Na verdade, um homem de ciência esforça-se a vida toda e considera-se vitorioso se conseguir captar apenas um fragmento disso. E mais vitorioso ainda será se por meio dessa ciência conseguir alcançar aquilo que mais importa, que é a união com Deus. Eis a grandeza da ciência de Deus! Nada há que fuja do seu conhecimento. Todas as coisas existem n’Ele, e toda a realidade se encontra na palma de sua mão.</p>



<p>Santo Afonso de Ligório aponta vários motivos pelos quais convinha à Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, preservar Maria Santíssima da nódoa do pecado original. Julgo que essa meditação é importantíssima. Não que precisemos disso para confessar desde já que Maria foi concebida sem pecado, pois basta-nos a Fé em tudo aquilo que ensina a Santa Mãe Igreja para isso, mas porque a compreensão dos motivos, tanto quanto nos é possível, é um salutar fortificante de nossa Fé e um meio sublime de crescer na contemplação da verdade, que é o fim para o qual fomos criados.</p>



<p>Ao Pai Eterno convinha preservar Maria Santíssima da culpa original por quatro motivos.</p>



<p>O primeiro motivo é que Maria Santíssima é considerada a primogênita dentre todas as criaturas, e isso se fundamenta no livro sapiencial que diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita antes de todas as criaturas.</p><cite>(Eclo 24, 5)</cite></blockquote>



<p>Quando nos divinos decretos estabeleceu Deus que o Verbo Eterno haveria de tomar a forma humana, no mesmo ato decidiu que o Filho haveria de nascer de uma mulher humana, e assim preparou desde toda a eternidade a Virgem Maria. Não importa se isso se deu ou não pela previsão do pecado, pois tanto escotistas como tomistas são acordes em por isso chamar a Virgem de primogênita entre todas as criaturas.</p>



<p>O segundo motivo é que Maria Santíssima foi incumbida de uma missão muito sublime: ser a reparadora do mundo perdido e a medianeira de todas as graças.</p>



<p>Ao longo de toda a história da Igreja, muitos santos se dirigiram à Virgem Maria sob os títulos de reparadora do gênero humano, corredentora e medianeira de todas as graças. O testemunho de tantos santos como S. João Damasceno, S. Bernardo de Claraval, S. Basílio e S. Efrém nos inspira a confiança para crer do mesmo modo.</p>



<p>Sendo a Virgem Maria reparadora e corredentora do gênero humano e medianeira de todas as graças de Deus, é necessário que nunca tivesse Ela mesma estado na inimizade de Deus pelo pecado. A ira de Deus paira sobre todos os homens marcados pela mancha do pecado. Eles estão privados da Graça Santificante. É bem por isso que as crianças devem ser batizadas o mais cedo possível. Tal como no Antigo Testamento a criança recebia o selo da aliança pela circuncisão, na Nova Aliança a criança recebe o selo do Espírito Santo pelo batismo, sendo salva pela Fé de seus pais. Mas como seria a Virgem Maria corredentora do gênero humano se sobre ela estivesse a ira de Deus por um momento sequer de sua existência?</p>



<p>O terceiro motivo é que Maria foi destinada por Deus a triunfar sobre a serpente infernal.</p>



<p>Deus, ao declarar que haveria de conceder à humanidade a reparação dos pecados, disse à serpente infernal que colocaria inimizade entre ela e a mulher (Gn 3, 15). É necessário atentar-se a isso. Deus não disse que colocaria inimizade entre a serpente e o homem. Não há aqui nenhuma sombra de mistério. O termo homem sempre foi usado se referir ao gênero humano como um todo. Com efeito, dizemos que “o homem é mau” ou que “o homem destrói a natureza”, não querendo com isso fazer menção somente aos seres humanos do sexo masculino, mas a todo o gênero humano.&nbsp; Não se ouve dizer “a mulher é má” querendo com isso se referir a todo o gênero humano. Ao se dizer isso, quer referir-se unicamente a uma maldade específica dos seres humanos do sexo feminino. A conclusão que disso se tira é que Deus, ao dizer que colocaria inimizade entre a mulher e a serpente, não se refere a todo o gênero humano, mas a uma mulher especificamente. E quando diz que irá colocar inimizade entre a serpente e a descendência dessa mesma mulher, faz alusão a um grupo específico de seres humanos, isto é, os filhos daquela mulher.&nbsp;</p>



<p>Nos Evangelhos, vemos que Jesus Cristo sempre se dirigiu à Maria Santíssima como mulher, ao passo que os evangelistas a tratavam como mãe de Jesus. Não se encontra nesses escritos uma única vez que Cristo tenha se dirigido a Maria como mãe. Até mesmo na cruz, ao dirigir-se à Maria Santíssima para dá-la em maternidade espiritual a toda a humanidade, Jesus a chama de mulher. É interessante isso, porque o evangelista no mesmo versículo se refere a Maria por duas vezes como mãe de Jesus:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.</p><cite>(Jo 19, 26)</cite></blockquote>



<p>Por que todos chamavam Maria como mãe de Jesus, ao passo que o próprio Cristo a ela se referia somente como mulher? Era tão marcante esse modo de tratar a própria mãe que todos os evangelistas registraram da mesma forma, sem qualquer variação de termo. Cristo se dirigia assim à Maria Santíssima para indicar que ela é a mulher que Deus profetizou logo após a queda do homem. Portanto, Maria é a mulher em quem Deus colocou inimizade contra a serpente, e essa inimizade existe somente entre aqueles que podem ser chamados descendentes de Maria.</p>



<p>Sendo Maria Santíssima essa mulher que tem por selo uma inimizade inconciliável com a serpente infernal, não é possível que creiamos que ela tenha estado por um momento sequer na amizade dessa mesma serpente, o que só é possível pelo pecado. Ou se está em amizade com Deus ou se está em amizade com o diabo. O meio termo não existe. É impossível, pois, que Maria Santíssima tivesse sido manchada pela nódoa do pecado original, ainda que pelo mais breve momento de sua existência. Quando se fala em pecado, não há nem que se pensar no nome de Maria.</p>



<p>O quarto motivo é a eleição da Virgem Santíssima para mãe do Divino Redentor.&nbsp;</p>



<p>Um dos livros sapienciais afirma, e com muita razão, que “a glória dos filhos são os pais” (Pr 17, 6). Ninguém há que, tendo o mínimo de prudência, possa negar que é preferível a uma pessoa nascer de pais pobres ou ignorantes a ser tido por vil de nascença. Ter pais comprometidos com imoralidades conhecidas por todos é uma grande vergonha para qualquer pessoa.&nbsp;</p>



<p>Deus, podendo dar ao amado Filho a criatura mais nobre por Mãe, daria por acaso uma mulher que tivesse sido manchada pelo pecado? Daria Deus a Satanás ocasião de zombar do Divino Salvador acusando-o de vil nascimento? Que aqui ninguém se engane! Nós daríamos graças a Deus se nossa mãe segundo a natureza fosse muito santa, e por certo ignoraríamos o fato de que foi concebida em pecado, porque todos partilhamos da mesma maldição. Mas a Cristo, santo e perfeitíssimo, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, não se daria da mesma forma, pois o que aqui está em jogo é muito mais elevado.</p>



<p>Aqui devemos ir além para compreender que não há graça no mundo que algum santo tenha tido e que Maria Santíssima não teve mil vezes mais. Se quisermos uma comparação, teríamos que a glória de todos os santos, sejam eles humanos ou anjos, diante da glória da Virgem Maria, é como uma fagulha diante da resplandecência do sol. Que pode iluminar uma fagulha em um campo iluminado pelo sol do meio dia? Não podemos fazer ideia da santidade de Maria Santíssima!</p>



<p>Cabe aqui ainda outra reflexão. Deus que preservou os anjos do Céu da ruína e que gerou Adão e Eva sem qualquer mancha de pecado não poderia ter preservado a Virgem Maria no intento de preparar para o seu Filho uma habitação terrena que lhe fosse digna? Não foi o corpo de Maria Santíssima o templo não construído por mãos humanas que abrigou o Divino Verbo por quarenta semanas? Ademais, não foi da carne e do sangue de Maria Santíssima que Deus fez para si um corpo humano? Seria próprio que tal carne e tal sangue tivessem sido manchados pelo pecado?</p>



<p>De fato, é inconcebível que Deus procedesse de modo distinto. Qualquer pensamento em contrário rebaixa Deus em sua perfeição, e por isso mesmo deve ser considerado herético e blasfemo, pelo que devemos professar com toda a Fé que Maria Santíssima foi concebida sem pecado. Amém.</p>



<p>Mas como dissemos, não somente a Deus-Pai convinha preservar Maria da mancha do pecado original. Também o Filho e o Divino Espírito tiveram seus motivos para tal.</p>



<p>O que se pode destacar do Filho é que Ele, podendo fazer para si uma mãe ilibada, certamente não tomaria por mãe aquela que tivesse conhecido o pecado. Há algo em Cristo diferente de todos os demais seres humanos que é a capacidade de ter escolhido para si uma mãe e um pai. Costumamos nos referir a S. José como pai adotivo de Cristo, mas seria mais correto que o chamássemos de pai adotado, pois não foi ele quem escolheu Cristo por filho, mas este que o escolheu por pai. O mesmo se sucede com a Virgem Maria. Cristo não só pôde escolher para si uma mãe, como Ele mesmo a criou, uma vez que Ele é o Verbo Eterno pelo qual todas as coisas foram criadas.&nbsp;</p>



<p>No entanto, o que mais me chama atenção nesse ponto é que Cristo, sendo Deus, é o mesmo que deu ao povo de Israel um mandamento que diz: “honra teu pai e tua mãe”. Esse mandamento é tão importante que a ele está associada a primeira promessa do decálogo, que é “para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus” (Ex 20, 12). Além disso, esse mandamento é o primeiro que versa sobre o amor que é devido ao próximo, e foi disposto por Deus antes mesmo da proibição do assassinato. Deus está nisso mostrando que o que devemos a nossos pais é mais do que o que devemos a todos os demais seres humanos em termos de honra. O motivo é simples: os pais nos deram o dom da vida, e nada há que podemos fazer para recompensá-los na justa medida. Pode se tratar do pior pai do mundo: sem ele, você ainda estaria no nada, sem qualquer esperança de um dia gozar a felicidade de Deus no Céu.</p>



<p>Ora, é possível crer que aquele que escreveu essa lei não honrasse sua mãe tanto quanto lhe fosse possível? Meu caro irmão, responda-me com sinceridade: estando em seu poder preservar sua mãe ou seu pai do pecado original, você teria deixado de fazê-lo? Se você, sendo mal, faria isso por amor de seus pais, o que dizer do Divino Verbo, que sabe amar mais as pedras do que nós seres humanos sabemos amar o nosso semelhante?</p>



<p>Considero que não me é necessário perscrutar os demais motivos apresentados nesse ponto por Santo Afonso de Ligório. Até aqui, somente uma obstinação muito grande ou um medo demoníaco é capaz de mover uma pessoa a permanecer negando essa realidade. Só me restaria rezar por essa alma.&nbsp;</p>



<p>Por fim, devemos dizer que também ao Divino Espírito Santo convinha preservar Maria de toda a mancha do pecado, uma vez que a elegeu por esposa. O Divino Espírito Santo é Deus, Deus puríssimo e santíssimo, amor que emana do coração do Filho para o Pai e do Pai para o Filho. É ele o Espírito que dá a vida e que falou pelos profetas. É Ele a alma da Santa Igreja. É para ter concedido-o por dom a todos aqueles que crêem que Jesus Cristo padeceu os tormentos da cruz.&nbsp;</p>



<p>Esse Divino Espírito aproximou-se de Maria Santíssima quando ela disse o seu <em>fiat</em>. Chamou-a de minha esposa, minha pombinha, minha predileta, e prometeu amá-la para todo o sempre. Disse-lhe coisas misteriosas, de como a havia amado desde o princípio, e de tudo o que fez para naquele momento tê-la toda para si. Vendo o coração da Virgem se dilatar de amor, tocou-a com intimidade. Em um ato misterioso, místico, milagroso, tomou as entranhas de sua doce esposa arrebatada em êxtase e delas criou um corpo para o Divino Redentor. Teria o Divino Espírito Santo feito o mesmo se não a tivesse antes preservado de toda a mácula?&nbsp;</p>



<p>Meu irmão, você já consegue compreender os parâmetros que Deus estabelece? Já consegue entender que Ele, Rei dos reis e Senhor dos senhores, só nos aceita a nós por sua infinita bondade? De fato, somos como que pobres mendigos que clamam pelo pão na frente do palácio. Nunca nos consideremos dignos da presença de Deus, mas tenhamos sempre esperança em sua bondade e não desperdicemos uma oportunidade sequer de retribuir sua generosidade.</p>



<p>O que pretendo eu falando todas essas coisas a respeito da Imaculada Conceição da Virgem Maria? Tento revelar o mistério contido nos dizeres do anjo: “encontraste graça diante de Deus”.</p>



<p>Até aqui ficou claro que Maria sempre foi cheia de graça, pois desde o momento de sua concepção excedeu a todas as demais criaturas em glória, pureza e santidade. Como pôde ter a Santa Mãe de Deus “encontrado” graça se sempre a teve?</p>



<p>Na oração da <em>Salve Regina</em>, a Igreja se refere a Nossa Senhora como vida. O que é a vida, na acepção mais profunda, senão a união com Deus pelo vínculo da perfeita Caridade? É por isso que as Sagradas Escrituras se referem a todos aqueles que vivem em pecado como que mortos. Sobre estes paira a justa ira de Deus, e se morrerem nesse estado, estarão fadados ao inferno, que é a privação de Deus, fonte da vida e tudo o que nela há de bom e belo. Ademais, o homem em pecado está privado da Graça Santificante, que é o dom do Espírito Santo concedido aqueles que crêem. Sem a Graça Santificante, o homem não vive segundo o fim para o qual foi criado, e eu penso que seria melhor a tal homem nunca ter nascido. Quando a Igreja se dirige à Virgem Maria como vida, quer com isso dizer que somente por seu intermédio podemos encontrar a vida, que é a Graça do Espírito Santo pela qual somos feitos filhos e filhas de Deus.&nbsp;</p>



<p>Que aqui ninguém se escandalize! Muitos santos ensinam que somente e tão somente por intermédio da Virgem Maria pode o homem encontrar a vida, que é a Graça do Espírito Santo. O próprio Espírito deixou isso claro quando demonstrou nos Evangelhos que sem o consentimento da Virgem Maria o Divino Verbo não teria vindo ao mundo. Cristo que veio ao mundo por meio de Maria só aceitará aqueles que estão no mundo se estes d’Ele se aproximarem por meio dela. Sendo ela uma pura criatura humana, ao contrário de Cristo que é Deus, é ela a ponte que conecta os homens com a humanidade de Cristo, que é o autor da Graça.&nbsp;</p>



<p>Não sei se é possível responder de forma definitiva porque as coisas foram dispostas desse modo. Quem indaga o porquê de Deus ter procedido dessa forma diante da hipótese de que podemos recorrer diretamente a Cristo está questionando os desígnios do próprio Deus. O mesmo Deus que fez para Adão um corpo do pó da terra, sem que a princípio houvesse nesse corpo qualquer pecado, não poderia ter feito o mesmo em relação ao Verbo Divino? É certo que poderia! Não o fez porque não quis, e esse é o motivo cabal. Mas sabemos que a vontade de Deus não é arbitrária, mas conforme toda a perfeição e bondade, de modo que podemos entender que o modo mais perfeito pelo qual Deus poderia redimir o homem foi por ele adotado.</p>



<p>Pois bem, se a Igreja se refere a Maria Santíssima como vida, ao passo que o anjo disse a ela que havia encontrado graça diante de Deus, temos que a explicação mais razoável para isso é que Maria Santíssima não encontrou graça para si, pois sempre a teve em abundância, mas para todo o gênero humano. É por isso que a Igreja coloca nos lábios de Maria Santíssima as seguintes palavras:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Feliz o homem que me ouve e que vela todos os dias à minha porta e guarda os umbrais de minha casa! Pois quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor.</p><cite>(Pr 8, 34-35)</cite></blockquote>



<p>Disso tudo a lição que nos fica é que se procuramos a Graça de Deus, que é o dom pelo qual alcançamos a salvação e a santificação já nessa vida, devemos recorrer à Maria Santíssima todos os dias de nossa vida, e um dos modos mais perfeitos de fazê-lo é por meio do Santo Rosário, ou ao menos do Santo Terço.</p>



<p>A pobre alma que se vê privada da vida da Graça por algum pecado que tenha cometido, ou mesmo a que esteja vindo de uma longa vida de pecados, não tem o porquê amargar a falta de esperança diante de tão consoladora perspectiva. A essa alma nada mais recomendável que recorrer à Maria Santíssima, honrando-a por meio de leituras espirituais, pequenas preces ao longo do dia e o Santo Terço muito bem meditado. Essa alma deve chamar Maria Santíssima pelos títulos de Mãe de Deus, Advogada dos Pecadores e Mãe Auxiliadora. É certo que a Virgem Maria não tardará em vir para socorrer, alcançando da parte de Deus todas as virtudes necessárias para que a alma possa se desprender dos pecados que a privam da vida da Graça, fazendo n’Ela surgir o mesmo Cristo que o Divino Espírito gerou em seu ventre virginal.</p>



<p>Além disso, todos nós, que embora a caminho da santidade somos pecadores e por vezes levados de um lado para o outro pelos ventos impetuosos das paixões, devemos sempre recorrer a Maria Santíssima se quisermos nos manter na vida da Graça. Sem o auxílio dessa Mãe poderosíssima é quase certo que sucumbiremos diante da prova. Temamos, pois, pelo dia que deixamos de oferecer a Ela nossas preces e de honrá-la com a récita do Santo Terço, pois esse é o dia escolhido pelo diabo para minar o caminho de nossa salvação.</p>



<p>Guardemos sempre no coração as palavras de S. Bernardo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Procuremos a graça, mas a procuremos por meio de Maria”.</p></blockquote>



<p>E você, meu caro irmão, o que tem feito diante da queda? Tem se entregado à tristeza, ao desespero, ao desânimo? Tem aceitado os maus pensamentos de que não há salvação em Deus para você? Tem dado ouvidos às dúvida? Não, meu caro irmão, não aconteça isso com você, pois você é um filho de Maria Santíssima.</p>



<p>Meu amado, eu exorto você a nesses momentos, e até mesmo antes, quando a tentação vier ao seu encontro, invocar a Santa Mãe de Deus. Diga com toda a confiança aquela antiga oração conhecida como a primeira prece da Igreja à Virgem Maria, e que se chama <em>sub tuum praesidium</em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém.</p></blockquote>



<p>Faça isso, invocando também os méritos de Cristo na cruz, e você verá como a Virgem Maria não tardará em vir como Mãe Auxiliadora que é, seja bendita para sempre. Amém.</p>



<p>Espero que com a graça de Deus possamos nos encontrar novamente para prosseguir a meditação desse mistério, e espero que você já tenha conseguido perceber quantas lições importantíssimas devemos aprender na escola do Santo Rosário.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Grande Alegria — Parte 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cooperadores]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 May 2021 11:07:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Virgem Maria" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
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<p>Voltamos&nbsp;à&nbsp;nossa série de meditações sobre o Santo Rosário, nessa jornada que iniciamos com o objetivo de&nbsp;formar&nbsp;um plano de vida espiritual sólido que nos permita bem disputar a grande maratona cujo prêmio é a coroa da glória eterna.&nbsp;Tenhamos sempre no coração que o homem nasceu para conhecer, amar e unir-se a Deus,&nbsp;participando da felicidade&nbsp;perfeita da Santíssima Trindade. Essa&nbsp;felicidade excede todas as demais e não terá fim. Aos eleitos a glória, que perdurará enquanto Deus for Deus!</p>



<p>Voltemos o nosso olhar novamente àquela pobre virgem de Nazaré, que estava recolhida em uma íntima e fervorosa oração, pedindo ao Deus de Israel que enviasse o Messias que haveria de trazer ao mundo o Espírito Santo, dando aos homens o poder de se tornarem filhos de Deus. Old School Bodybuilding Workout Old School Labs <a href="http://erektionsshop.com/tag/wann-fangt-deseo-an-zu-wirken/" title="wann fangt deseo an zu wirken">wann fangt deseo an zu wirken</a> helpyougetgains &#8211; bodybuilding-ergänzungen und training: kreuzheben-krafttraining (größe und kraft in einem training aufbauen). Bodybuilding-Training außerhalb der Saison, um Muskeln aufzubauen <a href="http://onefitpapafitness.ch/ed-pills-schweiz/schweiz-valif-20-mg-ajanta/" title="valif 20">valif 20</a> 2018 sommer herren fitness shorts jogginghose mode freizeit crossfit bodybuilding workout joggersheavengifs. Eis que o Senhor ouve suas preces, e envia o seu mensageiro para lhe anunciar o motivo da grande alegria dos anjos e dos&nbsp;homens. O anjo saúda a humilde&nbsp;virgem dizendo: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo!”.</p>



<p>Meditemos agora a última parte dessa ditosa saudação, início do Novo Testamento, instauração da era da Graça do Espírito Santo sobre a humanidade.</p>



<p>O anjo disse à Maria: “O Senhor é contigo!”.</p>



<p>Essa palavra de confiança que o Senhor Deus dirigiu a muitos dos seus servos&nbsp;épenhor das divinas promessas. Pelos últimos milênios, desde que a religião foi instaurada no meio dos filhos de Israel por Moisés, Deus confirmou tudo o que havia prometido para Abraão e toda a sua descendência por meio dessa palavra.</p>



<p>Estando Moisés para morrer, já contando cento e vinte anos de vida, garantiu aos filhos&nbsp;de Israel que haveriam de herdar&nbsp;a terra prometida, ainda que ele mesmo não pudesse acompanhá-los nessa&nbsp;jornada.&nbsp;</p>



<p>Os habitantes&nbsp;das&nbsp;terras por possuir&nbsp;eram homens guerreiros e muito violentos, ao passo que o povo de Israel, apesar de muito numeroso, vinha de 400 anos de escravidão da terra do Egito&nbsp;e outros 40 anos como peregrino no deserto. Não era&nbsp;um povo&nbsp;composto por&nbsp;homens preparados para a guerra; não tiveram ao longo desse&nbsp;tempo uma terra que pudessem chamar de sua e proteger. Era&nbsp;um povo&nbsp;composto&nbsp;de&nbsp;escravos que haviam chegado&nbsp;até ali com o auxílio&nbsp;do braço forte de Deus.&nbsp;Tivessem&nbsp;eles&nbsp;contado com&nbsp;as&nbsp;próprias forças para libertarem-se do jugo do faraó,&nbsp;certamente&nbsp;teriam sido&nbsp;exterminados; e se tivessem se julgado capazes de sobreviver àinospitalidade&nbsp;do deserto,&nbsp;é certo&nbsp;que após 40 anos estariam à míngua, tendo&nbsp;talvez até voltado ao Egito e se submetido voluntariamente à escravidão.</p>



<p>Deus, que&nbsp;compreendia toda a realidade de seu povo, e que conhecia sua desconfiança,&nbsp;inspirou em seu servo Moisés&nbsp;as seguintes palavras:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Coragem!&nbsp;Sede fortes! Nada vos atemorize, e não os temais, porque é o Senhor, vosso Deus, que marcha à vossa frente; ele não vos deixará nem vos abandonará.</p><cite>(Dt&nbsp;31, 6)</cite></blockquote>



<p>Mesmo assim, não foi sem muitas contrariedades que Josué, encarregado por Deus para conduzir o povo à terra prometida após a morte de Moisés, conseguiu convencer o povo a tomar posse do que havia lhe sido prometido. A palavra de Deus se dirigiu a Josué do seguinte modo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Isto é uma ordem: sê firme e corajoso! Não te atemorize, não tenhas medo, porque o Senhor está contigo em qualquer parte para onde fores.</p><cite>(Js&nbsp;1, 9)</cite></blockquote>



<p>O que podemos verificar nas Sagradas Escrituras é que essa é uma palavra que Deus dirige aos seus servos quando eles estão por enfrentar a grande prova da Fé. Assim também podemos interpretar as palavras que Deus dirigiu à Virgem Maria no grande mistério da Anunciação.</p>



<p>E nisso vemos, como em tantos outros mistérios, revelada a virtude da Fé de Maria Santíssima. Dentre todas as criaturas humanas, não há outra que tenha recebido tão dura provada Fé, e isso será compreendido perfeitamente enquanto prosseguirmos em nossas meditações sobre os mistérios do Santo Rosário&nbsp;neste e nos próximos artigos.</p>



<p>O que devo destacar desde já é o contraste entre Maria Santíssima, Mãe de Deus e dos homens nascidos da vontade do Espírito, e Eva, mãe de todos os homens nascidos da vontade da carne. Sendo a Fé um tipo de conhecimento, que é&nbsp;o conhecimento do próprio Deus (nos limites daquilo que nos é possível enquanto privados da visão beatífica), temos que antes de tudo o que faltou à nossa primeira mãe foi Fé.</p>



<p>Eva, tendo sido avisada por Deus que haveria de morrer se provasse do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, deu ouvidos à serpente infernal&nbsp;que lhe disse que não morreria se provasse do fruto, mas que seria&nbsp;como Deus, conhecedora do bem e do mal.</p>



<p>Veja que aquela árvore e aquele fruto se afiguravam como um mistério para Adão e Eva, mesmo com toda a inteligência que possuíam antes da queda.&nbsp;Tudo o que eles tinham era o mandamento que Deus havia lhes&nbsp;dado.&nbsp;Tinham, pois,&nbsp;de confiar&nbsp;em&nbsp;Deus. Essa confiança naquilo que por Deus foi revelado, apesar da deficiência da inteligência em compreender as coisas com perfeição, só é possível por meio da&nbsp;Fé.&nbsp;Mas&nbsp;a Fé&nbsp;exige de todos os homens aquele ato que é próprio da vontade. A luz da Fé ilumina a inteligência e convida a vontade, mas nunca se impõe de modo a anular aquilo que nos seres dotados de&nbsp;alma&nbsp;se chama liberdade de escolha. Há um “sim” por se dizer; há um “aceite”, sem o qual a Fé não produzirá seus efeitos.</p>



<p>Assim também acontece conosco. Lembro-me que há alguns anos eu não podia compreender coisas elementares que somos obrigados a crer por Fé, como, por exemplo, a proibição do sexo fora do matrimônio. Parece bobo, mas fato é que em meio a todos os meus amigos eu não podia encontrar alguém que me respondesse de modo satisfatório as razões de ser daquela proibição.&nbsp;Eu não&nbsp;enfrentava&nbsp;a autoridade da Igreja, tampouco argumentava como quem quer triunfar ao fim e ao cabo.&nbsp;Do contrário, considerava estar&nbsp;provavelmente errado, pois não era possível que homens tão santos e sábios não estivessem falando a verdade.&nbsp;Devo dizer-lhe, meu caro leitor,&nbsp;apenas para que você não se&nbsp;escandalize,&nbsp;que eu não era louco de na época aproximar-me dos Sacramentos da Igreja em tal condição. Deus já havia me infundido temor suficiente para que não cometesse tal sacrilégio.</p>



<p>Mas fato é que só pude compreender isso muito mais tarde, e quando já estava resolvido a viver a castidade independentemente de qualquer compreensão mais apurada por parte da inteligência. Creio que essa disposição de aceitar&nbsp;a castidade&nbsp;não precedeu a compreensão&nbsp;da proibição do sexo antes do casamento&nbsp;pelo acaso; era necessário que antes eu me dispusesse a crer e a viver segundo a verdade para que então eu pudesse compreender as razões de ser daquilo.</p>



<p>O dogma da Santíssima Trindade se me afigura como um mistério. Represento-o mais por meio da imaginação do que por meio do intelecto. Devo dizer com franqueza que a explicação padrão que é dada pelo Catecismo não me é suficiente para compreender tudo isso de modo cabal.&nbsp;Certo dia, estando eu perdido em minhas especulações a respeito desse mistério, fiquei angustiado. Pelo que me lembro, pedi a Deus a graça necessária para sempre&nbsp;crer em tudo aquilo que ensina a Santa Igreja, sobretudo na Santíssima Trindade. Aconteceu-me que&nbsp;um pouco&nbsp;depois, ainda no mesmo dia,&nbsp;tive a vontade de iniciar um curso de teologia que estava na gaveta há muito tempo. Creia-me, meu caro leitor, que essa vontade não surgiu de um raciocínio, como quem julga poder encontrar ali alguma resposta. Eu apenas senti aquela vontade. Tendo iniciado o curso, o professor disse que era necessário aprofundar-se muito na metafísica, a parte mais elevada da filosofia, para por meio dela compreender com mais clareza o maior mistério da Fé Católica, que era a Santíssima Trindade.</p>



<p>Bastou-me ouvir aqueles&nbsp;3&nbsp;ou 4 minutos de exposição para entender o que estava acontecendo. Não posso dizer hoje que tenha superado essa ignorância (até mesmo porque nunca mais retomei aquele curso), mas sei que Deus deu a compreensão desse mistério a muitos santos que alcançaram a perfeita união com Ele nessa vida. É o que Santa Teresa de Jesus relata no Livro da Vida.&nbsp;Eu acredito mais em Santa Teresa do que nos meus próprios raciocínios, que tantas vezes já me traíram e me encerraram em um abismo de tristezas.</p>



<p>O que quero dizer com isso é que a Fé exige esse assentimento da vontade, esse por assim dizer “querer crer” – coloco isso entre aspas para que você&nbsp;não pense que estou a ensinar uma das heresias do pobre Lutero. E isso muitas deverá ser feito em meio à escuridão do intelecto. Muitas vezes, tudo o que sobra para a pessoa é a firme confiança em Jesus Cristo, naquele homem que revelou aos seus discípulos a sua divindade. E o pior é que essa confiança é por vezes “mediata” (e devo colocar aspas aqui também), pois o que temos de imediato para crer é na Santa Igreja que diz de si&nbsp;mesma&nbsp;ter sido instituída por esse mesmo Jesus, e que tem por prova as boas obras que realizou nos últimos dois&nbsp;mil&nbsp;anos. E quais&nbsp;são essas boas obras? As almas que se santificaram e testemunharam o cumprimento das promessas que Cristo fez. Por vezes, meu&nbsp;caro irmão, é isso o que sobra. Sem a Graça do Espírito Santo, certamente abandonaríamos a Fé, pois ninguém pode confiar na loucura da linguagem da Cruz (para citar o Apóstolo) por suas próprias forças.&nbsp;Mas é necessário querer.</p>



<p>Por que nossa primeira mãe caiu? Porque&nbsp;não deu o seu assentimento. Acreditou na serpente. Desconfiou daquele que havia lhe dado a vida, daquele que só havia lhe mostrado bondade. Vivia em um paraíso. Ali não havia dor e sofrimento, e tudo&nbsp;estava disposto&nbsp;na mais perfeita ordem. Mesmo assim ela desconfiou.&nbsp;Aí&nbsp;vemos que erram aqueles que justificam a própria desconfiança por causa da maldade que existe no mundo. &nbsp;Quem não está disposto a dar o passo da Fé, a ouvir o chamado de Deus que diz “Coragem! Eu, o Senhor, sou contigo!”, certamente desconfiaria do mesmo modo que nossa primeira mãe.</p>



<p>Maria Santíssima, ao contrário de Eva, creu. Crendo, recebeu a plenitude do Espírito Santo, que fez encarnar em seu seio o Divino Verbo. Sendo agora Mãe de Deus, é Mãe de todos aqueles que pelo poder do mesmo Espírito foram feitos filhos de Deus. Sendo Mãe de todos eles, os dizeres&nbsp;que a Ela foram dirigidos pelo anjo&nbsp;ecoam ao longo dos tempos para encontrar cada um&nbsp;deles: “O Senhor é contigo!”.</p>



<p>Eis o motivo pelo qual não podemos conceber a dificuldade pela qual foi provada a Fé de Maria Santíssima, desde o momento da anunciação até a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se pela prova de Fé a que foi submetida nossa primeira mãe toda a humanidade pereceu, era necessário que por outra prova de Fé a humanidade pudesse ser redimida. Sabemos que essa não foi&nbsp;a&nbsp;prova de Cristo, pois ele é Deus e conhece o Pai perfeitamente, unidos que estão na Divina Essência. Sendo assim, a Divina Majestade estabeleceu que outra criatura humana e não divina&nbsp;padecesse essa prova. Dependeria&nbsp;de seu assentimento e confiança em Deus a redenção da humanidade, pois sem isso o Verbo Eterno não haveria de se encarnar.&nbsp;</p>



<p>Não é outro o motivo pelo qual os Evangelhos não fazem nenhuma menção de que Nosso Senhor Jesus Cristo tenha aparecido a sua Mãe Santíssima após a ressurreição. O evangelista que elenca por nome as mulheres que foram ao sepulcro na manhã de domingo deixa claro que lá não estava a Mãe de Jesus.&nbsp;Mas lá ela não estava porque disso não necessitava. Desde o primeiro instante sabia que o Cristo devia padecer na mão dos sumos sacerdotes e letrados, ser entregue aos pagãos para ser crucificado, e que ressuscitaria ao terceiro dia.&nbsp;Ainda que Deus tivesse resolvido não aparecer a nenhum dos outros discípulos, o mundo teria uma testemunha da ressurreição: Maria Santíssima.&nbsp;Naquele&nbsp;momento sublime e misterioso em que&nbsp;Cristo ressuscitou, tenho como piedosa crença que&nbsp;a Virgem Maria, recolhida em oração, sentiu como que um estremecer de suas próprias entranhas: Vivia a Carne de sua carne, o Sangue de seu sangue. Aleluia!</p>



<p>O Santo Rosário se torna assim a devoção daqueles que têm Fé, daqueles que a cada dia crescem nessa virtude sem a qual ninguém pode ver a Deus.</p>



<p>O Senhor está com Maria. Considere isso, meu caro irmão. O Senhor está com Maria e de um modo muito mais especial e sublime do que quando estava com o povo de Israel. Com Maria Santíssima, Deus não se valeu de juízes, reis ou profetas. O próprio Espírito Santo veio e gerou&nbsp;em seu seio o Verbo Eterno, Sabedoria encarnada, depositário de todos os mistérios da ciência divina.&nbsp;Agora o&nbsp;Senhor está com Maria pela mais magnífica união;&nbsp;está com Maria em&nbsp;repouso no seu ventre&nbsp;castíssimo. Tomando sua carne e seu sangue, fez para si um Corpo humano. Seja adorado para sempre em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Amém.&nbsp;</p>



<p>Se quisermos, pois, que o Senhor esteja desse modo tão sublime também conosco, na medida do que nos é possível, aproximemo-nos da Virgem Mãe&nbsp;de Deus. Ela nos conduzirá à Sagrada Comunhão, na qual nos uniremos a Cristo e teremos o penhor da vida eterna, onde enfim felizes poderemos gozar por toda a eternidade livres de qualquer temor ou receio.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao&nbsp;apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Que eles sejam um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 May 2021 16:39:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um-1536x864.jpg 1536w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2020/03/Que-eles-sejam-um-600x338.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Compreendendo o escândalo da Igreja da Alemanha Com a publicidade que foi dada aos acontecimentos dos dois últimos anos envolvendo a Igreja da Alemanha, julguei oportuno escrever um artigo sobre o assunto. A princípio tentei fazê-lo breve, mas a autocobrança por proporcionar um conteúdo de qualidade, digno da atenção de meus leitores, fez-me ocupar generosas [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading" id="h-compreendendo-o-esc-ndalo-da-igreja-da-alemanha">Compreendendo o escândalo da Igreja da Alemanha</h2>



<p>Com a publicidade que foi dada aos acontecimentos dos dois últimos anos envolvendo a Igreja da Alemanha, julguei oportuno escrever um artigo sobre o assunto. A princípio tentei fazê-lo breve, mas a autocobrança por proporcionar um conteúdo de qualidade, digno da atenção de meus leitores, fez-me ocupar generosas páginas.&nbsp;</p>



<p>Partindo dos fatos, farei uma análise das causas do escândalo e das possíveis conseqüências que podemos esperar, indicando o que a situação exige especificamente de nós, os fiéis leigos. O artigo serve também como uma boa catequese sobre temas importantes, e muitas são as referências que deixei para o aprofundamento do estudo. De tudo o que será dito, julgo que o mais importante será a breve reflexão sobre a importância da unidade da Igreja para a nossa própria salvação, pois infelizmente ainda há quem julgue que um fato dessa natureza não é um chamado à conversão.</p>



<p>Tomei conhecimento desse assunto na noite de sábado, após ter assistido a <em>live </em>de fechamento da jornada de apologética promovida pelo apostolado Cooperadores da Verdade. Maravilhado pelo testemunho do ex-pastor protestante Eduardo Faria, que ouviu o chamado do Espírito Santo para converter-se à Fé Católica, não podia eu imaginar que um contra-testemunho tão grande estava prestes a ocupar a maior parte de meus pensamentos pelos dias que se seguiram.</p>



<p>Movido que sou por uma tendência de sempre procurar estar atento aos “sinais da figueira”, conforme o ensinamento do Divino Mestre, vejo-me como que vivendo duas vidas quando me deparo com situações como a que está acontecendo na Igreja da Alemanha: Por fora, vou vivendo e cumprindo todas as minhas obrigações, mas por dentro não cesso de ruminar toda aquela realidade e invariavelmente me vejo conjecturando o que eu poderia fazer a respeito.</p>



<p>Aqui é necessário cautela, tanto para que você, meu caro leitor, não pense ser esse o modo mais correto de se proceder e também para que você tenha bem claro o conteúdo desses pensamentos.&nbsp;</p>



<p>Em primeiro lugar, deve-se ter cuidado com o julgamento que todos os fatos terríveis que acontecem anunciam a iminente volta do Messias. Esse tipo de pensamento é temerário porque Jesus nos disse que não nos é dado conhecer os momentos que o Pai fixou em seu poder (At 1, 7), embora tenha nos exortado a sempre estarmos atentos aos sinais para tomarmos as medidas que os tempos exigem, segundo a sabedoria do Evangelho (Lc 21 29-31).&nbsp;</p>



<p>Lendo-se atentamente o Novo Testamento, perceberemos que sempre foi uma constante entre os fiéis, incluindo os próprios Apóstolos, que era iminente a volta de Cristo. Dois mil anos se passaram, e ainda esperamos o Divino Salvador. Esse pensamento, no entanto, não nos abandonou, e o milenarismo que da esperança messiânica se segue é origem de muitos erros (alguns deles heréticos, diga-se de passagem).&nbsp; Também é por uma desordem nesse tipo de pensamento que se dá voz a muitos que se apresentam como profetas e que acabam por serem desacreditados na prova do tempo.</p>



<p>Em segundo lugar, note que meus pensamentos não divagam sobre o que deve o Santo Padre ou as demais autoridades da Igreja fazerem, mas àquilo que <strong>eu</strong> posso fazer. Não cabe a mim (e provavelmente também não cabe a você) deliberar sobre as medidas que devem ser tomadas por tais pessoas, pois nós ignoramos a maior parte das circunstâncias concretas que envolvem decisões dessa natureza. Há um grande mal que encontra abrigo nos corações zelosos pela Fé: Achar que tudo deve ser resolvido com maior rigor, “como era lá atrás”.</p>



<p>Tenho aprendido que a humildade tem seu lugar quando não pensamos no que faríamos em uma posição que jamais ocuparemos. Já ouvi de recém-convertido leigo que faria isto ou aquilo se estivesse no lugar do Papa para tomar esta ou aquela decisão. Confesso que ouvir uma coisa dessas me faz arregalar os olhos. Penso comigo: Será que ele não enxerga a vanglória em uma fala desse tipo? Em bom português: “Quem ele pensa que é?”.</p>



<p>Que contra-testemunho é esse a que eu me referi no início? Depois de ter assistido a <em>live </em>dos Cooperadores, acessei o <em>YouTube </em>para assistir um vídeo com tarja de urgência de um instituto católico chamado Centro Dom Bosco. O título do vídeo é “O clero alemão incorre em cisma ao promover a ‘bênção dos apaixonados’”?&nbsp;</p>



<p>Vamos entender um pouco melhor.</p>



<p>Em 2019, teve início na Alemanha o que foi chamado Caminho Sinodal. A primeira distinção que deve ser feita é entre um denominado caminho sinodal e um Sínodo propriamente dito. O Sínodo, segundo a Constituição Dogmática <em>Lumen Gentium</em>, n. 22, é a reunião dos Bispos que, tendo à frente o Bispo de Roma (o Papa), deliberam sobre questões que devem vincular toda a Igreja Universal. Aqui ganham especial relevo as matérias de fé (o que se deve crer) e de moral (o que é lícito ou não fazer), mas não somente isso. As questões de maior relevância da Igreja são geralmente decididas através dos Sínodos, uma vez que compete aos Bispos da Igreja em união ao Bispo de Roma o exercício dos poderes conferidos à Igreja pelo próprio Senhor Jesus Cristo, segundo o que dispõe o Evangelho:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu.</p><cite>(Mt 16, 19)</cite></blockquote>



<p>Essa participação no Bispo do múnus conferido por Cristo a S. Pedro está presente na referida Constituição, embora ela mesma ressalte por diversas vezes que a primazia sempre foi a de S. Pedro, e que os Bispos do mundo todo nada podem definir se não forem para isso convocados e presididos pelo Santo Padre. Mesmo nesse caso, é necessário que o Santo Padre confirme o Concílio:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>[&#8230;] é sabido que o encargo de ligar e desligar conferido a Pedro (Mt. 16,19), foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unido à sua cabeça (Mt. 18,18; 28, 16-20).<br><br>Nunca se dá um Concílio Ecumênico sem que seja como tal confirmado ou pelo menos aceite pelo sucessor de Pedro; e é prerrogativa do Romano Pontífice convocar estes Concílios, presidi-los e confirmá-los.</p></blockquote>



<p>Se estamos falando na Constituição <em>Lumen Gentium</em>, é necessário deixar claro desde já que um Sínodo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“enquanto composto por muitos, exprime a variedade e universalidade do Povo de Deus e, enquanto reunido sob uma só cabeça, revela a unidade do redil de Cristo”.</p></blockquote>



<p>Tão grande é a importância dada pela Igreja ao tema, que no Concílio Vaticano I a primazia de S. Pedro foi declarada dogma de Fé, deixando claro que aquele que contrariar tal realidade incorre no terrível pecado de heresia. É o que está escrito na Constituição Dogmática <em>Pastor Aeternus</em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra, seja excomungado.</p></blockquote>



<p>Eis aí demonstrado o motivo da necessidade da primazia do sucessor de S. Pedro: a unidade da Igreja. Sobre esse assunto, que para mim é o que tem maior importância em toda essa discussão, falarei ao final.</p>



<p>Espero que até aqui você, meu caro leitor, tenha entendido que o que teve início na Alemanha no ano de 2019 não é um Sínodo, mas sim um movimento de membros do Clero e fiéis leigos para deliberarem alguns assuntos que julgam importantes. O nome dado por eles mesmos ao movimento é Caminho Sinodal. Nesse nome eu vejo uma intenção: Fazer com que os temas propostos fossem levados à discussão da Igreja Universal por meio de um Sínodo. Longe de mim afirmar que essa intenção exista na cabeça do Santo Padre! Só ao Papa Francisco compete hoje convocar um Sínodo e, como veremos, ele agiu conforme o Magistério da Igreja em todos os pronunciamentos que fez a respeito do Caminho Sinodal da Alemanha.</p>



<p>Veja o que diz um excerto de uma matéria da Unisinos publicada no dia 3 de julho de 2019, intitulada “Carta do Papa à Igreja alemã: elogio e leve crítica”:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Sob a pressão do&nbsp;escândalo dos abusos, os bispos católicos finalmente deram início de um &#8220;<strong>percurso sinodal vinculante</strong>&#8221; para a renovação da Igreja.</p></blockquote>



<p>O Professor Pedro Affonseca, no vídeo do Centro Dom Bosco que mencionei anteriormente, relata que o Papa Francisco, vários Cardeais e vários Bispos alertaram, no ato de convocação do Caminho Sinodal, “que não poderiam ser discutidos assuntos relacionados e da competência da Igreja Universal” [4:40]. No entanto, em um ato de loucura (e que não me censurem os que são mais cautelosos que eu no uso das palavras, pois para mim desafiar os dogmas da Igreja é loucura), o Caminho Sinodal se pôs a discutir quatro temas que não poderiam, de modo algum, ser objeto de deliberação pelo Clero local. São eles:</p>



<ol class="wp-block-list"><li>O poder na Igreja</li><li>A moral sexual</li><li>O celibato sacerdotal</li><li>A ordenação de mulheres</li></ol>



<p>Veja o que está na mesma matéria da Unisinos que mencionei acima:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Deveremos tratar principalmente dos temas:&nbsp;poder,&nbsp;moral sexual&nbsp;da Igreja e forma de vida dos sacerdotes</p></blockquote>



<p>Tentarei falar em poucas linhas o que pretende o Caminho Sinodal alcançar nesses quatro pilares de discussão, demonstrando como todas as inovações pretendidas são impossíveis pelo fato de se levantarem contra dogmas já estabelecidos pela Igreja que são, por sua própria natureza, impassíveis de modificação.</p>



<p>Na discussão sobre o poder, o questionamento se levanta contra a estrutura hierárquica em vigor desde o nascimento da Igreja. Como sabemos, a Igreja não é uma oligarquia, muito menos uma democracia, e sim uma monarquia. Do Santo Padre sempre será a palavra final, e não somente quando se pronunciar <em>ex cátedra </em>a respeito da fé e da moral, mas em qualquer circunstância e sobre qualquer assunto. O Santo Padre tem o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja! É o que diz a Constituição Dogmática <em>Pastor Aeternus</em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo;ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis, seja excomungado.</p></blockquote>



<p>O que se pretende com esse questionamento? Instaurar um regime análogo ao democrático dentro da Igreja, de modo que as decisões sejam tomadas conjuntamente entre todos os fiéis. Não sei dizer ao certo como isso se daria no pensamento deles – se por representação, voto direto ou até mesmo ambos – mas fato é que o sistema monárquico é considerado pelos defensores dessa pauta como “ultrapassado”.</p>



<p>Acontece que o exercício do poder na Igreja não é algo que pode ser modificado, segundo o que eu entendo, embora eu devo confessar que não sou um grande estudioso do assunto. Nem por isso tomo a minha opinião por indigna de crédito, pois eu a julgo bem consistente. Jesus Cristo, após a profissão de Fé de S. Pedro, concedeu-lhe primeiramente o que chamamos “o poder das chaves”, conforme o trecho do Evangelho de S. Mateus que citei anteriormente. Mesmo tendo o Concílio Vaticano II definido na Constituição <em>Lumen Gentium </em>que esse poder se estende aos demais Apóstolos, a mesma Constituição não pode contrariar o que está disposto na <em>Pastor Aeternus</em>, de modo que fica subentendido, pela hermenêutica da continuidade, que a palavra final sempre será a do sucessor de S. Pedro.</p>



<p>Uma objeção que levantam contra isso é a de que Cristo agiu segundo os costumes da época. Os defensores dessa tese dizem que a democracia moderna era um regime impensável à época, pelo que Cristo teve de dispor as coisas de tal modo, como muitas vezes vemos nas Sagradas Escrituras medidas que foram tomadas por questões circunstanciais, mais notadamente no Antigo Testamento.&nbsp;</p>



<p>Acontece que somente o próprio Deus pode revogar aquilo que foi por ele disposto outrora, não cabendo a ninguém, nem mesmo ao Santo Padre e a todos os Bispos do mundo em união a ele, colocar-se acima da Palavra do próprio Deus. Por maior que tenha sido o poder confiado a S. Pedro, nunca puderam ele e seus sucessores, segundo o Mgistério da Igreja, acrescentar, suprimir ou alterar qualquer texto das Sagradas Escrituras, tampouco alterar a Lei Natural (apenas para citar duas dentre todas as limitações).</p>



<p>A Lei de Moisés foi revogada no que diz respeito às leis cerimoniais, aos ritos, aos sacrifícios expiatórios e à observância estrita do sábado, mas isso tudo porque Jesus Cristo revogou todas essas coisas expressamente, sendo Ele mesmo Deus. No entanto, o mesmo Cristo foi claro quando disse que a Lei em seu conteúdo estritamente moral não foi abolida, tendo recebido seu pleno sentido no mandamento do amor (Mt 22 37-40).&nbsp; S. Paulo explica o motivo de modo bem sucinto: Aquele que ama não mata, não rouba, não comete adultério, não levanta falso testemunho etc. (Rm 13, 9 e Gl 5, 14).</p>



<p>Parece-me que o modo como Cristo organizou sua Igreja é definitivo e acabado, devendo permanecer assim por toda a Eternidade. Parece extremo falar isso, uma vez que não podemos compreender com clareza como se darão as coisas na Vida Eterna, mas fato é que a interpretação anagógica de um dos dizeres de Jesus Cristo dá uma idéia disso:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Em verdade vos digo: No dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que haveis me seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (Mt 19, 28).</p></blockquote>



<p>Portanto, para mim é impossível modificar a monarquia eclesial, pois ela foi instituída de modo definitivo pelo próprio Cristo.</p>



<p>O segundo ponto de discussão é a moral sexual. O questionamento que se levanta é sobre a possibilidade de concessão de bênção sacerdotal e recepção da comunhão eucarística por parte de pessoas que mantém relações sexuais ilícitas. Como sabemos, a relação sexual entre duas pessoas do mesmo sexo e qualquer relação sexual fora do matrimônio legítimo são consideradas pela Igreja como um pecado grave, não havendo parvidade de matéria nesse assunto.&nbsp;</p>



<p>Em relação ao casamento, a Igreja entende ser impossível a dissolução de um matrimônio contraído validamente, tendo Nosso Senhor Jesus Cristo dito que “são os dois uma só carne” e que “o que Deus uniu não separe o homem” (Mt 19, 6).&nbsp;</p>



<p>Novamente, voltamos às limitações dos poderes conferidos a S. Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja tem poder de disciplinar as condições necessárias para a celebração do Sacramento do Matrimônio, como de fato o faz, mas não tem o poder de desfazer o caráter que é imprimido na pessoa pelo mesmo Sacramento. Se o fizesse, estaria contrariando a própria realidade criada por Deus. Nesse ponto, espero que não haja confusão entre o divórcio e a anulação de um casamento.</p>



<p>Isso quer dizer que as pessoas casadas que, tendo se separado (ou até mesmo divorciado pela lei civil), relacionam-se com outras, estão em pecado de adultério, independentemente de terem se casado novamente pela lei civil. Jesus Cristo deixou isso bem claro quando disse:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, exceto no caso de matrimônio ilegítimo, e desposa outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério (Mt 19, 9).</p></blockquote>



<p>Sobre a homossexualidade, claras são as palavras do Apóstolo, sagradas como canônicas pela Igreja:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? <strong>Não vos enganeis:</strong> nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, <strong>nem os efeminados</strong>, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus (I Co 6 9-10).&nbsp;</p></blockquote>



<p>Isso quer dizer que todos os que se sentem sexualmente atraídos por pessoas do mesmo sexo estão condenados ao inferno? Jamais! Lembremos sempre que só há pecado onde há consentimento. Um heterossexual entregue às paixões sexuais e que morra sem arrependimento será condenado ao inferno, ao passo que um homossexual casto que morra em estado de graça será admitido no Reino de Deus.</p>



<p>Em resumo, a Santa Lei de Deus proíbe toda e qualquer relação sexual fora do matrimônio legítimo, e tal matrimônio só pode existir entre homem e mulher. Vários são os motivos para isso, que estão inclusive ancorados na própria Lei Natural, mas não é o objetivo desse artigo dar uma explicação detalhada sobre o assunto. Aos que se interessarem pelo aprofundamento na matéria, peço que falem comigo pelo <em>direct </em>do <em>Instagram </em>(@aduccineto) para que eu encaminhe os bons materiais de que disponho.&nbsp;</p>



<p>O que se pretende com o questionamento da moral? A modificação do núcleo básico da sociedade e da própria Igreja, que é a família. Modificação é uma palavra suave, para dizer bem a verdade. A conseqüência de semelhante “moral” é a destruição completa da família. A história do mundo nos últimos 100 anos não me deixa mentir: Inicia-se com o divórcio, termina-se em genocídio (eutanásia, aborto etc.).</p>



<p>Novamente eu digo: Isso talvez não fique claro pelos poucos argumentos que estou apresentando nesse artigo. É necessário aprofundar-se no assunto. Por isso sugiro aos que ainda não compreendem bem a razão de ser de todas essas coisas que me procurem no <em>Instagram</em>.</p>



<p>A comunhão eucarística por pessoas que vivem em pecado grave é um pecado de sacrilégio, isto é, pecado gravíssimo. Sempre se entendeu dessa maneira. Os Santos Padres eram inclusive resistentes à ideia da comunhão diária, tamanho o zelo que tinham pelo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo. Desde o início da cristandade os Apóstolos ensinam isso, como podemos ver na exortação de S. Paulo aos Coríntios:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Essa é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos (I Co 11 27-30). &nbsp;</p></blockquote>



<p>Como são peremptórias as palavras do Apóstolo! É muito semelhante ao que Deus disse a Adão e Eva no Jardim do Éden: “Se comerdes dele [do fruto da árvore da ciência do bem e do mal], certamente morrereis” (Gn 2, 17). Imagine você que há um alimento no mundo que todo aquele que come torna-se imediatamente réu do fogo do inferno. Esse alimento existe, e é a Hóstia consagrada para aqueles que a recebem tendo na consciência pecado grave. Evidentemente que para tudo há perdão até o último suspiro, mas ai daquele que morrer nesse estado!</p>



<p>Sobre a bênção sacerdotal aos pares homoafetivos, a Congregação pela Doutrina da Fé manifestou-se dizendo que não há qualquer possibilidade. A explicação dada é que as bênçãos sacerdotais são sacramentais que, “instituídas de certo modo à imitação dos sacramentos, reportam-se sempre e principalmente a efeitos espirituais, que se obtêm por impetração da Igreja”.</p>



<p>Continua dizendo que tais bênçãos, para guardar coerência com a natureza própria dos sacramentais, “devem ser aplicadas somente sobre aquilo que é objetiva e positivamente ordenado a receber a exprimir a graça, em função dos desígnios de Deus inscritos na criação e plenamente revelados por Cristo Senhor”. Sendo assim, “não é possível conceder uma bênção a relações, ou mesmo a parcerias estáveis, que implicam uma prática sexual fora do matrimônio, como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo”.</p>



<p>Em suma, a Carta Resposta conclui dizendo que não é possível à Igreja abençoar o pecado, o que é evidente. Para ler a íntegra do documento acesse: <a href="https://bit.ly/resposta-cdf">https://bit.ly/resposta-cdf</a>.</p>



<p>No final da Carta está escrito o seguinte:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Sumo Pontífice Francisco, no curso de uma Audiência concedida ao abaixo assinado Secretário desta Congregação, foi informado e deu seu assentimento à publicação do mencionado&nbsp;<em>Responsum ad dubium</em>, com a&nbsp;Nota explicativa&nbsp;anexa.</p><p>Dado em Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 22 de fevereiro de 2021, Festa da Cátedra de São Pedro, Apóstolo.</p></blockquote>



<p>Duas coisas são dignas de nota. A primeira é que o Sumo Pontífice foi informado do conteúdo da Carta e deu seu assentimento para que fosse publicada. A segunda é que a data parece ser providencial, pois nesse dia é comemorada a Festa da Cátedra de São Pedro, Apóstolo, aquele mesmo que recebeu de Cristo o poder de governar a Santa Igreja e dar a palavra final.&nbsp;</p>



<p>O terceiro ponto de discussão foi nomeado “a forma de vida dos sacerdotes”. Resolveram apresentar por meio desse eufemismo o questionamento sobre a obrigatoriedade do celibato sacerdotal. Não é a primeira ou a segunda e nem a terceira vez que o assunto é objeto de discussão. As justificativas que usam para o fim da obrigatoriedade do celibato sacerdotal são as mais diversas, transitando entre razoáveis e dignas de explicação até as mais incoerentes e maliciosas, as quais não mereceriam sequer uma resposta não estivesse o mundo submergido em tanto erro.</p>



<p>O que se pretende com isso é a abolição do celibato sacerdotal tal como foi instituído por Cristo. Como são muitos os argumentos que eu teria de levantar sobre esse assunto a fim de defender a necessidade do celibato dos sacerdotes, prefiro remeter você, meu caro leitor, a um documento da Igreja que deve servir como pontapé inicial para o aprofundamento da matéria. Trata-se do Decreto <em>Presbyterorum Ordinis</em>, n. 16, do Papa S. Paulo VI. Sugiro que, após ler o texto, pesquise pelas abundantes referências constantes das notas de rodapé.&nbsp;</p>



<p>O quarto ponto de discussão é sobre a “participação da mulher na Igreja”. Novamente se trata de um eufemismo, pois o que realmente está sendo questionado é a proibição de ordenação de mulheres para o diaconato e o presbiterato. A intenção é fazer surgir as figuras da “diaconisa” e da “presbítera”.&nbsp;</p>



<p>Sabemos que isso não é possível, pois nos dizeres do Papa S. João Paulo II, “a ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens”. Mais sobre o assunto pode ser consultado na Carta Apostólica <em>Ordinatio Sacerdotalis</em>, do Papa S. João Paulo II e na Declaração <em>Inter Insigniores</em>, do Papa S. Paulo VI.</p>



<p>Fato é que com a Igreja construindo a sociedade a partir da difusão do Evangelho, as mulheres foram aos poucos vendo reconhecida a sua dignidade no meio de uma sociedade para a qual eram ontologicamente inferiores aos homens. Os Evangelhos mencionam continuamente as santas mulheres que seguiam Jesus Cristo, prestando-lhe inestimáveis serviços em seu apostolado. Referem-se também à primeira aparição de Cristo após a ressurreição, demonstrando que foram as mulheres as escolhidas para dar início ao testemunho desse fato central de nossa Fé. Acima de tudo isso, temos a figura de Maria Santíssima, a Grande Mulher, a Medianeira de todas as Graças, aquela foi assunta ao Céu em corpo e alma e que é venerada como Rainha do Céu e da Terra, partilhando o reinado de seu Filho e tida pelos fiéis de toda a Igreja como Co-redentora do gênero humano.&nbsp;</p>



<p>A criatura que está sobre todas as criaturas, sejam elas angélicas ou humanas, é uma mulher (seja bendita para sempre. Amém)!</p>



<p>No entanto, os mesmos Evangelhos deixam claro que Nosso Senhor Jesus Cristo constituiu o colégio Apostólico somente de homens, pelo que não pode a Igreja – novamente pelas limitações dos poderes a ela conferidos – insurgir-se contra aquilo que foi determinado por seu Divino Fundador.</p>



<p>Até aqui explicamos em síntese tudo o que está se passando e os fundamentos pelos quais os anseios de parte do Clero da Igreja da Alemanha não podem de modo algum encontrar abrigo seguro.</p>



<p>No entanto, devemos falar em bom português o que significaria a aceitação de qualquer uma dessas propostas:&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-aceita-o-de-qualquer-uma-das-propostas-do-caminho-sinodal-significaria-destrui-o-da-igreja"><strong>A aceitação de qualquer uma das propostas do Caminho Sinodal significaria destruição da Igreja.</strong></h2>



<p>Você deve se questionar se eu estou afirmando ser essa a intenção das pessoas que estão promovendo o Caminho Sinodal. Meu caro irmão, você sabe que é difícil julgar intenções, pois temos de reconhecer que mesmo no Clero, com toda a formação disponível, abunda a ignorância sobre os temas mais elementares, como por exemplo a moral sexual (quantos são os Padres que não consideram os pequenos prazeres venéreos consentidos como pecado grave?). Mas penso que não podemos ser ingênuos o bastante para acreditar que todos eles não sabem para quem estão trabalhando – e novamente em bom português é necessário dizer: para o diabo. É razoável crer, portanto, que parte dessas pessoas age com conhecimento de causa e propósito deliberado.</p>



<p>Acontece que nessa segunda-feira, no dia 10 de maio de 2021, às 19h (horário de Berlim), cerca de 2.500 membros do Clero da Igreja da Alemanha, em flagrante desobediência à resposta dada pela Congregação pela Doutrina da Fé (cujo conteúdo obteve anuência e autorização para a publicação por parte do Santo Padre), levou a efeito uma campanha chamada “bênção dos apaixonados”. Essa campanha consistiu em um mutirão de bênçãos concedidas às uniões homoafetivas e contou com a participação de diversas Paróquias.</p>



<p>Esse verdadeiro escândalo promovido por parte do Clero da Igreja da Alemanha levou autoridades eclesiásticas e um grande número de fiéis a pedirem ao Papa que tome providências urgentes. Como eu disse, não cabe a mim julgar qual é a medida mais prudente a ser tomada pelo Santo Padre. Quando eu digo isso, não é falsa modéstia: Eu realmente não faço ideia! Mas uma coisa é certa: A opinião que tem circulado de que o ato de desobediência caracteriza um ato cismático parece correta, não só pela tipificação do ato naquilo que prescreve o Código de Direito Canônico (CDC, Cânon 751), mas pela própria intenção dos agentes. Veja o que Michael Schromin escreveu para o <em>Publik-Forum</em>, publicado no dia 02 de julho de 2019:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Disputa monástica&#8221;: com essas palavras, um papa,&nbsp;Leão X, havia liquidado os pedidos de&nbsp;Martim Lutero. Um erro fatal de avaliação, como mostra a história. A disputa monástica levou à divisão da Igreja, uma divisão que &#8211; apesar de todos os&nbsp;esforços ecumênicos&nbsp;&#8211; presumivelmente não poderá mais ser anulada.</p><p>Que as mudanças religiosas e a pesquisa teológica da&nbsp;Alemanhanão sejam favoravelmente acolhidas no&nbsp;Vaticano, é uma tradição. Em um período que vai de&nbsp;Lutero, do infeliz&nbsp;dogma da infalibilidade&nbsp;e da cisão dos vétero-católicos, até a falta de respeito do&nbsp;sínodo de Würzburg&nbsp;(1971-1975). <strong>Amargas rupturas e emigrações internas poderiam ter sido evitadas.</strong></p></blockquote>



<p>Em seguida, o autor do artigo infame fala sobre a importância de discutir os assuntos até aqui tratados. Para mim, o tom de ameaça é claro: Ou o Papa aceita a discussão de tais assuntos, ou a Igreja da Alemanha pode dar o seu grito de independência ou morte. É digno de lamentação que essas pessoas parecem não saber que nesse caso a “independência” significa escravidão e morte.</p>



<p>Vale ressaltar que tive acesso a essa matéria por uma tradução disponível no <em>site </em>do Instituto Humanitas Unisinos, que é um desses institutos da ala progressista da Igreja (refiro-me a eles assim apenas para me fazer entender, pois de modo algum esse instituto pode ser considerado “da Igreja”, tal como a quase totalidade dos membros da ala progressista).</p>



<p>Antes de prosseguirmos para a meditação que deve servir de desfecho para esse artigo, deixo aqui uma passagem das Escrituras que sempre me vem à mente quando penso nos poderosos que parecem trabalhar dia e noite pela destruição da Igreja e de seus filhos mais fiéis:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por que se tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações? Erguem-se juntos os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Ungido. “Quebremos o seu jugo – dizem eles – e sacudamos para longe de nós suas cadeias!” (Sl 2, 1-3).</p></blockquote>



<p>Jesus cuida de sua Igreja. É certo que no final recompensará a cada um segundo suas obras. <em>Maran atah</em>!</p>



<p>E nós?</p>



<p>Em primeiro lugar, devemos rezar, e rezar muito! Devemos pedir a Maria Santíssima que peça a seu Divino Filho pela unidade da Igreja. A humanidade bem merece todos os castigos da parte de Deus, porque nos dois últimos Séculos aumentou o número e gravidade de seus delitos de forma nunca antes vista em toda a sua história. Mas Maria Santíssima, que tudo pode junto a seu Filho, é capaz de lhe aplacar a justa ira, desde que nós façamos tudo o que ela nos pediu em Fátima. Rezemos, pois, e façamos penitência na intenção da unidade da Igreja e da conversão do Clero desviado. Lembremos sempre que os presbíteros sofrem provações que nós leigos sequer podemos imaginar. Não são eles as pessoas de quem o diabo realmente tem medo? É certo que sim, pois um santo Sacerdote é capaz de derrotar legiões e mais legiões vindas do inferno. Bem por isso o diabo não poupa esforços para desviar um Sacerdote do reto caminho.</p>



<p>Reze o Terço todos os dias. Não se considere imune a tais erros. Sem a ajuda de Nossa Senhora, que prometeu proteção contra as heresias para quem praticasse essa devoção, você não poderá avançar muito. A Igreja a chama de “sede da Sabedoria”. É a excelsa virtude da Sabedoria que torna o homem capaz de debelar o erro, sem o que não há triunfo contra a heresia. Se você deseja se aprofundar para rezar melhor o Santo Terço, leia os últimos artigos que o Petter tem publicado em minha coluna Fé pelo ouvir, disponível no <em>site </em>dos Cooperadores da Verdade.</p>



<p>Em segundo lugar, devemos conhecer, amar e defender a Fé Católica, inclusive dos falsos católicos, sejam eles Bispos, Sacerdotes, Diáconos, religiosos ou leigos! E se você acha que é temerário de minha parte dizer isso, deixe-me refrescar sua memória com alguns nomes: Ário, Pelágio, Apolinário, Macedônio, Nestório, Lutero. Não preciso de muito para lhe dizer que os maiores traidores da Igreja de Cristo foram os próprios Bispos da Igreja, e isso já estava anunciado no próprio Judas Iscariotes. O Corpo deverá padecer tudo o que Cristo Cabeça padeceu.</p>



<p>Por fim, é necessário que divulguemos os acontecimentos e os bons materiais que têm sido produzidos sobre o assunto. É por isso que aqui vai o meu apelo para que esse humilde artigo seja compartilhado com o maior número de pessoas possível, não tanto pela profundidade de seu conteúdo, mas por servir como uma boa introdução, um bom ponto de partida. O Centro Dom Bosco tem gravado vídeos nos últimos dias sobre o assunto; vale muito a pena conferir. Por fim (e não estou sendo pago para isso!), adquira o <a href="https://escoladeapologetica.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">curso de apologética dos Cooperadores da Verdade.</a> Quem assistiu as <em>lives </em>sabe a diferença que faz um conhecimento mais profundo da nossa Fé!</p>



<p>Se você já desenvolve um trabalho nas redes sociais produzindo conteúdos dessa natureza, faça também você textos ou vídeos para dar publicidade ao fato. Se você desempenha alguma função de ensino dentro da Igreja, seja você Padre, Diácono, religioso ou até mesmo catequista, não se esqueça de tratar desse assunto com as pessoas que foram confiadas aos seus cuidados. É muito importante uma orientação lúcida e prudente, tanto para mostrar o erro como para corrigir os excessos nascidos do zelo dos fiéis.&nbsp;</p>



<p>Julgo necessário encerrar esses artigos com uma breve reflexão sobre a unidade da Igreja. Jesus Cristo, na Última Ceia, pediu isto ao Pai:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21).</p></blockquote>



<p>Veja que da unidade da Igreja depende a salvação do mundo, pois sem Fé em Jesus Cristo é impossível alcançar a salvação, pelo que o diabo sempre fez e sempre fará ao longo do nosso tempo grandes apostas pela divisão da cristandade por meio de heresias e escândalos. Não pense somente em você e na sua família. Tenha amor pelo próximo. Ame até mesmo o inimigo. Que recompensa tem aquele que só ama aqueles que o amam? Pense, por tudo o que é mais sagrado, nas inúmeras almas que podem se perder se você não agir! Saia imediatamente da bolha do egoísmo e, a exemplo de Maria Santíssima, enxergue o mundo ao seu redor e trabalhe pela salvação dele!</p>



<p>Tenhamos coragem! Combatamos o bom combate! Cristo venceu e os que permanecerem fiéis até o fim ganharão a coroa da glória eterna!</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Grande Alegria — Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cooperadores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 May 2021 16:42:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Virgem Maria" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Grande-Alegria-—-Parte-2-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Encerrei a primeira parte&#160;fazendo uma breve meditação sobre a pureza virginal da Santíssima Virgem Maria. Não é por acaso que o Evangelho faz questão de dizer que o Anjo do Senhor foi ter com uma virgem. Mas aqui tu podes notar que o Mensageiro dos Céus não foi a uma virgem qualquer. O Evangelho, como [&#8230;]</p>
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<p>Encerrei a primeira parte&nbsp;fazendo uma breve meditação sobre a pureza virginal da Santíssima Virgem Maria. Não é por acaso que o Evangelho faz questão de dizer que o Anjo do Senhor foi ter com uma virgem.</p>



<p>Mas aqui tu podes notar que o Mensageiro dos Céus não foi a uma virgem qualquer. O Evangelho, como que prenunciando um nome humano que seria doravante invocado e glorificado até o fim dos tempos, diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“E o nome da virgem era Maria”.</p><cite>(Lc&nbsp;1,27)</cite></blockquote>



<p>Pode parecer um exagero de minha parte,&nbsp;mas&nbsp;a mim se afigura que o evangelista, estando movido pelo Divino Espírito Santo, compôs esse versículo do Evangelho de modo a destacar a Virgem Santíssima, pelo que o trecho citado é o desfecho do intróito. Schocken Sie Ihre Muskeln mit diesen intensiven Bodybuilding-Workout-Routine-Fitness-Junkies <a href="http://onefitpapafitness.ch/ed-pills-schweiz/schweiz-snovitra-pro-tab-dharam-distributors/" title="snovitra">snovitra</a> shorts beach man herren. Leia esse breve versículo várias vezes e medite-o em conjunto com a passagem do profeta Isaías de que falei no último artigo, e talvez então&nbsp;entenderás&nbsp;o que pretendo dizer com isso.</p>



<p>O nome da Santíssima Virgem a mim se afigura como que um mistério. De fato, ele não tem um significado preciso; não podemos&nbsp;dizer que o nome Maria quer dizer definitivamente isto ou aquilo. Certa vez eu li, mas&nbsp;não me lembro&nbsp;onde,&nbsp;que o nome Maria tem mais de 70 significados possíveis.</p>



<p>Bem, de fato não é a isso que desejo me referir, embora até a multiplicidade de significados tenha para mim um único significado bem importante, que é a multiplicidade das graças que podemos obter de Nossa Senhora, a&nbsp;qual se dá a conhecer à humanidade sob as mais diversas&nbsp;aparições. Mas realmente não é a isso que eu desejo me referir.</p>



<p>Se te aplicares em saborear bem esse trecho do Evangelho após ter meditado por algum tempo da vida nas glórias de Maria Santíssima, e após ter&nbsp;decidido a confiar inteiramente o seu coração a Ela, sentirás o delicioso sabor daquilo que é o nome de Maria Santíssima para ti mesmo.</p>



<p>“Maria! Ah&#8230; Maria!”. Sim, uma exclamação semelhante a essa deve sair de tua boca, pois esse nome&nbsp;soará para ti muito doce; Esse consolo é um fruto de que goza a alma que aprendeu a&nbsp;depositar confiança irrestrita na Santa Mãe de Deus. Obterás essa graça&nbsp;quando, tendo passado por tribulações e noites escuras, confiares tudo à Maria Santíssima, pedindo a ela ajuda e declarando partilhar da Fé dos Santos e da Igreja em tudo o que diz respeito a Ela.</p>



<p>“E o nome da virgem era Maria”. Não há muito mais o que eu possa dizer em relação a isso. Tal como o sabor que sinto ao provar de um delicioso manjar, tudo o que posso recomendar-te a ti é que experimentes para também saboreares.</p>



<p>Seguindo o relato, conta-nos o Evangelho que o Anjo entrou no lugar em que estava a Virgem.</p>



<p>Onde estava a Virgem Maria? O que fazia naquele momento da sublime visitação?</p>



<p>Há dois modos pelos quais gosto de&nbsp;compor o local. O primeiro,&nbsp;o qual&nbsp;me parece mais condizente com a literalidade do texto, é que estava a Virgem Maria dentro de casa, trancada em seu quarto (como ensinaria o Divino Salvador décadas mais tarde); a segunda, e que me parece mais sugestiva, sendo também a mais rica em frutos para a meditação, é que estava a Virgem no jardim de sua casa, de joelhos sobre a relva e rodeada pelas árvores do horto.</p>



<p>Este último modo é muito sugestivo,&nbsp;porque nos remete a outro jardim, aquele jardim de delícias que Deus criou para que o ser humano gozasse a paz de seu Criador e se deleitasse com os frutos de todas as árvores, exceto da árvore da ciência divina do bem e do mal. No primeiro jardim, Eva pecou, fazendo recair&nbsp;a ira de Deus&nbsp;sobre toda a humanidade; no segundo jardim, a Nova Eva, a Mulher profetizada pela Santíssima Trindade&nbsp;no Gênesis, dava início à obra de redenção de toda a humanidade, reparando o erro de sua primeira mãe.</p>



<p>Entenda,&nbsp;meu prezado irmão em Cristo, que não há mal algum em meditar uma mesma realidade sob formas distintas, por mais que não uma delas não seja totalmente condizente com a realidade estrita do que se passou. Também não há mal algum em complementar os elementos que na narrativa foram sonegados, preenchendo com conteúdo da própria imaginação, desde que haja aí um profundo respeito por todo o depósito da Fé e um modo tal de se proceder que&nbsp;confira a&nbsp;maior glória possível&nbsp;a Deus.</p>



<p>É nesse espírito que respondo o segundo questionamento, isto é, o que fazia Maria Santíssima naquele momento sublime da visitação? Tenho para mim&nbsp;que é certo aquilo queespeculam&nbsp;Santo Afonso de&nbsp;Ligório&nbsp;e tantos outros: Maria Santíssima, partilhando das esperanças do povo de Israel, e sempre fazendo memória das maravilhas que Deus operou em&nbsp;favor de seus eleitos, desde a promessa feita à Abraão até o livramento do povo da escravidão do Egito,&nbsp;estava naquele momento&nbsp;clamando&nbsp;a Deus pela vinda do Messias.</p>



<p>Nisso há uma escola de oração na qual Maria Santíssima se apresenta como mestra suprema, abaixo somente de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vivendo uma vida contemplativa, nãopodia sonegar a realidade na qual Deus se dá a conhecer. Apertava-lhe o&nbsp;Imaculado coração ver o&nbsp;sofrimento de seu povo pela opressão dos romanos; doía-lhe a tentativa nefasta de&nbsp;PôncioPilatos de se apropriar&nbsp;do tesouro do templo e de introduzir os ídolos romanos na Terra Santa; angustiava-lhe o fato de que os guias do povo, pelos quais nutria o profundo respeito exigido pela ordem natural das coisas, eram cegos que guiavam outros cegos, caindo todos no buraco.</p>



<p>Ela, a pobre&nbsp;Virgem&nbsp;de Nazaré, nada podia em relação a tudo isso, por&nbsp;mais grandeque fosse a sua santidade e mesmo tendo a consciência de que nunca havia ofendido a Deus com o mais mínimo pecado que fosse. Clamava, pois, pela vinda do Messias, o Salvador que, antes de tudo, haveria de&nbsp;mostrar aos homens o caminho da salvação, construindo um mundo novo não pela força da espada, mas pelo poder da Verdade e do Amor.</p>



<p>Mas Santo Afonso de&nbsp;Ligório&nbsp;faz notar que tamanha era a humildade dessa Virgem que não chegou perto de se passar em seu coração que&nbsp;Ela era&nbsp;a escolhida para ser Mãe do Salvador.&nbsp;Maria sabia,&nbsp;em sua profunda sabedoria, que o&nbsp;Messias deveria nascer de uma virgem, mas&nbsp;não podia suspeitar ser Ela mesma a escolhida para Mãe do Salvador, ofuscada que estava a sua visão por um ato da Divina Providência. Com efeito, desde sua Imaculada Conceição, preparou-se&nbsp;Maria&nbsp;sem dar-se&nbsp;qualquer&nbsp;descanso para ser apenas uma&nbsp;das virgens&nbsp;dignas&nbsp;de estar ao serviço da Virgem das virgens.</p>



<p>Isso não é&nbsp;fruto de uma imaginação piedosa;&nbsp;é&nbsp;o que a própria Virgem Maria revelou em uma de suas aparições à Santa Brígida. Disse assim&nbsp;a Imaculada:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Determinei consagrar a Deus minha virgindade, e não possuir coisa alguma do mundo, entretanto ao Altíssimo toda a minha vontade.</p></blockquote>



<p>À Santa Isabel&nbsp;de&nbsp;Turíngia&nbsp;revelou a Virgem, como que em um complemento a esta última fala:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Entre todos os preceitos, tinha particularmente diante de mim o de amar a Deus. Levantava-me à meia noite e ia ao templo orar ao Senhor, diante do altar, para que me concedesse a graça de observar os&nbsp;preceitos e de contemplar a mãe do Redentor. Roguei-lhe que me conservasse os olhos para vê-la, a língua para louvá-la, as mãos e os pés para&nbsp;a servir, e os joelhos para adorar em seu seio o Divino Filho.&nbsp;</p></blockquote>



<p>Tenho para mim que a Santíssima Virgem vivia imersa nessa profunda devoção. Contemplava a glória de Deus, compadecia-se do sofrimento do povo, fortalecia a Fé por meio da memória dos prodígios da Divina Majestade, e&nbsp;crescia a cada dia na Esperança&nbsp;de contemplar o Divino Salvador e sua Mãe Santíssima. Por esse motivo, creio que nesse mesmo tipo de oração simples e da mais sublime sabedoria é que estava Maria Santíssima ocupada no momento em que o Anjo lhe interrompeu para comunicar a mensagem.</p>



<p>A saudação do Anjo segundo a língua em que foi escrito o Evangelho de S. Lucas é&nbsp;<em>khaire</em>, palavra grega que quer dizer “alegra-te”. Em nossas preces, substituímos o “alegra-te” por “ave”, que quer dizer a mesma coisa. Há alguns autores que&nbsp;crêem&nbsp;piedosamente que a palavra ave é um anagrama de Eva, simbolizando que Maria Santíssima é a Nova Eva que redimiu o mundo pelo seu sim.</p>



<p>Eu, no entanto, sempre me atenho ao&nbsp;<em>khaire</em><em>&nbsp;</em>em seu significado literal. O que mais me impressiona nessa saudação é o fato de que o Anjo não se valeu da saudação que era comum ao povo de Israel, o famoso&nbsp;<em>Shalom</em>, que quer dizer “a paz esteja contigo”, conforme faz notar o Papa Bento XVI. Aqueles que estão familiarizados com os Santos Evangelhos sabem que o próprio Cristo usava ordinariamente desta última saudação, e ensinou aos discípulos que fizessem o mesmo ao entrar em uma casa. Mesmo depois de ressuscitado, continuou Cristo a saudar os discípulos dizendo: “A paz esteja convosco!”.</p>



<p>Deves imaginar que era conveniente e sábio que Deus mandasse ao Anjo introduzir sua mensagem dizendo&nbsp;<em>khaire</em>, pois estava então para&nbsp;acontecer&nbsp;o motivo de maior alegria para todas as criaturas, tanto as celestiais&nbsp;como as terrenas. Em outras palavras, antecipou o Anjo sua mensagem, como quem&nbsp;quer&nbsp;dizer:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Alegra-te, Virgem Maria, Rainha de todos os anjos! O Senhor Deus ouviu tuas preces, pelo que agora envia ao mundo, pelo poder do Espírito Santo, aquele que irá salvar o povo de seus pecados e que instaurará o Reinado de Justiça e de Paz”.</p></blockquote>



<p>É bem por isso que todos os artigos que versam sobre os mistérios gozosos foram intitulados até aqui como a Grande Alegria. Apesar de ser a Páscoa a grande solenidade da&nbsp;cristandade, é no mistério da Anunciação&nbsp;que tem&nbsp;início efetivo a obra da salvação. É acerca desse mistério que faz referência o próprio Jesus quando diz a Nicodemos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Por que Deus amou o mundo de tal modo que lhe deu seu Filho único para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo&nbsp;3, 16).</p></blockquote>



<p>Em complemento da&nbsp;saudação, o Anjo faz o uso do vocativo para dirigir-se à Virgem, chamando-a “cheia de graça”. Tenho por certo que o que de fato perturbou o coração de Maria Santíssima em toda a saudação foi justamente esse nome que Deus acabara de manifestar acerca de sua criatura predileta: Cheia de Graça. Como faz notar S. Bernardino, se o Anjo tivesse dito que era a maior pecadora do mundo, não teria a Virgem Maria se admirado; mas não sem perturbação pôde suportar todos aqueles louvores. Prossegue o Santo dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Isso porque, sendo tão cheia de humildade, aborrecia todo elogio e desejava que só o Criador, fonte e origem de todo bem,&nbsp;fosse louvado e bendito.&nbsp;</p></blockquote>



<p>A própria Virgem Maria deixou isso claro ao dizer certa vez para Santa Brígida:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por que me humilhei tanto ou por que mereci, minha filha, uma tão extraordinária graça? Só porque estava plenamente convencida de não valer nada, de não possuir algo de mim mesma. Procurava por isso o louvor de meu Criador e Benfeitor e nunca o meu próprio.</p></blockquote>



<p>Não posso ir contra Santo Afonso de&nbsp;Ligório&nbsp;quando diz que a Virgem Maria se via como uma mendiga revestida de vestes caríssimas&nbsp;que lhe foram dadas, e que&nbsp;por ter sido tão agraciada, não sabia fazer&nbsp;mais nada além de&nbsp;contemplar seu Divino Benfeitor.</p>



<p>Para arrematar essa meditação sobre a humildade de Maria, deixo-te com as palavras que o próprio Cristo pronunciou quando apareceu à Santa Brígida para louvar sua Mãe Santíssima. Santo Afonso relata a história nos seguintes termos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Senhor também mostrou um dia a S. Brígida duas mulheres: uma toda luxo e vaidade. Está – disse ele – é a Soberba. Da outra, disse: Contempla essa que tem a cabeça baixa, que é serviçal para com todos, pensando em Deus unicamente e convencida de seu nada; é a Humildade e chama-se Maria.</p></blockquote>



<p>Veja,&nbsp;meu caro irmão, que do mesmo modo como Deus anuncia a Sabedoria não como um conceito abstrato, mas como um ser humano de carne e osso, segundo os escritos sapienciais e os Santos Evangelhos, anuncia também a Humildade não como uma virtude etérea, mas como a criatura humana que mais lhe agrada: A Santíssima Virgem Maria.&nbsp;Digo eu que tamanha é a humildade dessa Rainha que S. Miguel Arcanjo cora de vergonha, considerando sua própria virtude como nada.</p>



<p>Reflita agora, meu irmão,&nbsp;sobre aquilo que mais se opõe à Santíssima Virgem Maria, que é a soberba.&nbsp;</p>



<p>Todas&nbsp;as&nbsp;vezes que optas por fazer a tua vontade, seja ela pecaminosa ou não, deixando de lado a Santa Vontade de Deus,&nbsp;estás&nbsp;a seguir o teu próprio coração, colocando tua vontade em um Trono que foi criado&nbsp;por Deus para que Ele, e somente Ele, nele se assentasse. Entendes agora por que a soberba é também chamada de idolatria pelos Santos Padres? Das idolatrias é&nbsp;ela&nbsp;a pior, pois tem por objeto o próprio homem, tornando-o o mais semelhante que pode ser com Satanás.</p>



<p>Não deixe de pensar em todas as vezes que desprezaste a opinião alheia ou que travaste disputas agindo de maus modos, com a voz cheia de arrogância e escárnio, ainda que a razão&nbsp;estivesse do&nbsp;teu lado naquele momento. &nbsp;E quantas vezes não te iraram tuas próprias quedas, como se fosse coisa surpreendente que mais uma vez tivesses caído? Não quero nem pensar se nesse momento tu te iraste&nbsp;também&nbsp;com teu próximo, como se fosse por culpa dos outros, e não exclusivamente tua, que tenhas caído; com efeito, peca-se duas vezes ao se proceder dessa maneira.</p>



<p>E&nbsp;quantas vezes não te deixaste&nbsp;dominar pelo desânimo? Pensas que o desânimo é filho somente da acídia, pois eu te digo que tem ele várias mães, e que a principal delas é a soberba.&nbsp;Se estás&nbsp;resistente em seguir o caminho da virtude é porque&nbsp;perdeste&nbsp;o gosto&nbsp;pelas coisas que são de Deus, mas é certo que não perdeste o gosto por todas as demais coisas que têm por finalidade unicamente o teu deleite.</p>



<p>Tantos são os filhos desse pecado maldito (a soberba), que páginas e mais páginas precisariam ser escritas com perguntas&nbsp;como essas para que pudesses examinar bem tua consciência. Deves, pois, tomar isto como propósito urgente e fundamental em tua vida: Reconhecer a soberba em teu coração, nomear os filhos que&nbsp;ela&nbsp;gerou até aqui, e empreender o bom combate para derrotar essa tirana, mãe de todo o mal e rainha do inferno.</p>



<p>Não&nbsp;anseies,&nbsp;meu irmão, por nenhuma outra virtude se ainda não tiveres em teu coração e de modo muito sólido as virtudes da humildade e da Fé.&nbsp;Elas&nbsp;são o fundamento da vida espiritual, e sem elas nada&nbsp;do&nbsp;que fizeres terá méritos para a vida eterna. É bem por isso que diz S. Bernardo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Se não podes imitar a humilde Virgem em sua pureza, imita ao menos a pura Virgem em sua humildade. Ela aborrece os soberbos e chama a si os humildes.</p></blockquote>



<p>Peça, pois, à Santíssima Virgem Maria um coração humilde. Diga várias vezes ao dia:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.</p></blockquote>



<p>Quanto te elogiarem, lembra-te imediatamente dos teus pecados, sobretudo os mais impuros e infamantes, e assim a vanglória não encontrará o nutriente&nbsp;que necessita para crescer. Esse nutriente é&nbsp;a consciência da&nbsp;virtude&nbsp;de teus atos. Oferece também a Deus todo o louvor, lembrando-te que no princípio era o Verbo, enquanto tu ainda eras nada.</p>



<p>Em nosso próximo encontro continuaremos a meditação desse sublime mistério. Espero de todo o coração que os bons frutos já estejam sendo colhidos.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao&nbsp;apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Grande Alegria — Parte 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Grande Alegria" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Lembra-te de algumas leituras da Santa Missa nas grandes solenidades do ano, como o Natal e a Páscoa? São palavras que, quando ditas com fé e devoção, fazem o coração incendiar de alegria e de esperança na salvação. É normal que em pleno entusiasmo saiamos compartilhando esses belíssimos trechos das Sagradas Escrituras em nossas redes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Grande Alegria" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Lembra-te de algumas leituras da Santa Missa nas grandes solenidades do ano, como o Natal e a Páscoa? São palavras que, quando ditas com fé e devoção, fazem o coração incendiar de alegria e de esperança na salvação. É normal que em pleno entusiasmo saiamos compartilhando esses belíssimos trechos das Sagradas Escrituras em nossas redes sociais.</p>



<p>Confesso que, de todas essas passagens, a que mais enche meu coração de alegria e de assombro é aquela que está no livro do Profeta Isaías e que ouvimos na Missa da noite de Natal do Senhor:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Porque nasceu para nós <a href="http://muskel-matrix.de/produkt/deca-300/" title="deca 300 side effects">deca 300 side effects</a> um menino, foi-nos dado um filho.</p><cite>(Is 9, 5)</cite></blockquote>



<p>Não me é difícil compreender o Santo Padre Pio quando diz que o Natal é sua solenidade favorita. Sabemos que a Páscoa é o dia mais importante do ano para nós Católicos, mas há uma ternura, uma alegria, um entusiasmo tão grande no Natal, que é bem possível que nos sintamos por vezes mais atraídos por ele do que pela Páscoa do Senhor.</p>



<p>Creio que seja por esse espírito de alegria que marca o nascimento do Salvador que os primeiros cinco mistérios do Santo Rosário sejam chamados gozosos. Sabemos que a encarnação, nascimento e infância do Divino Menino são permeadas por um fundo sombrio de dor e sofrimento. Refiro-me à profecia de Simeão, ao martírio dos Santos Inocentes e dos Magos do Oriente, à fuga da Sagrada Família para o Egito e à perda de Jesus Menino na cidade de Jerusalém. Mas mesmo tudo isso não é capaz de sufocar a alegria que emana da contemplação do Divino Menino na manjedoura.</p>



<p>Ah, ali está nosso Deus, nosso Senhor, nosso Amor. Tão lindo, tão puro, tão inocente, tão humilde! Está deitado em uma manjedoura, dormindo em paz, gozando da mais plena impassibilidade. Bodybuilding-Symbole: Charles Atlas inspirierte Trainingsroutine <a href="http://manomnipotent.com/kaufen/avana-200-mg-tab/" title="avana 200 mg tab">avana 200 mg tab</a> elisabeths perfektes bodybuilding-training: leichte gewichte gegen schwere gewichte erklärten, dass dein training falsch ist. Ignora desde já a pobreza, os farrapos que cobrem seu corpinho santo, o frio que lhe maltrata as parcas carnes e que o faz merecer nossa salvação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Sendo ele de condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas humilhou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens.</p><cite>(Fp 2, 6-7)</cite></blockquote>



<p>Deves estar pensando por que estou te dizendo todas essas coisas. Deixe-me dar-te um conselho, e então entenderás meus motivos. É certo que o Santo Rosário deve acompanhar-te até o fim de tua vida, por tudo o que foi dito até aqui. Portanto, é necessário que nunca desperdices uma oportunidade de aprofundar-te mais nos mistérios que são contemplados conjuntamente com a récita do Saltério.</p>



<p>Procure, pois, ler todas essas obras de piedade escritas pelos bons filhos de Maria Santíssima; elas compõem um depósito de inesgotáveis riquezas gratuitas. Basta que te disponhas e voltarás para o teu descanso cheio de dádivas maravilhosas!</p>



<p>Digo isso para que tua meditação tenha conteúdo. Um dia, contemplando o mistério da anunciação, ficarás absorto ao meditar a humildade da Virgem Maria. Como pôde ela, que tinha a plena consciência de nunca ter ofendido a Deus com o mais mínimo pecado que fosse, ficar perturbada com a saudação do anjo? Apesar de ser a Santíssima Virgem Maria, considerava-se a mais vil entre todas as criaturas, e isso Ela mesmo revelou à Santa Brígida. Ao contemplar isso, é certo que perguntarás à tua alma:</p>



<p>&#8211; E tu, alma soberba? Quantas vezes já ofendeste a Deus! Como podes ainda somar às tuas iniqüidades o orgulho? Não tens razão senão para humilhar-te por todo mal que fizeste! Vamos, então, humilhemo-nos ao nosso Deus. Quem sabe ele esqueça nossas transgressões. Digamos, pois, como o salmista:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Dos meus pecados desviai os olhos, e minhas culpas todas apagai. Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis do vosso Santo Espírito. Restitui-me a alegria da salvação, e sustentai-me com uma vontade generosa.</p><cite>(Sl 50, 11-14)</cite></blockquote>



<p>Mas se pensas que isso é tudo o que podes meditar a partir desse mistério, devo dizer-te que ainda não compreendeste bem quando eu disse que são inesgotáveis os mistérios contidos nos Evangelhos. Veja o que diz o Profeta Rei sobre os ensinamentos do Messias:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Abrirei os lábios, pronunciarei sentenças, desvendarei o mistério das origens.</p><cite>(Sl 77, 2)</cite></blockquote>



<p>Os Evangelhos contêm, segundo o que posso entender, mistérios que compreendem toda a realidade do Céu e da Terra. Ali está tudo, desde o princípio, desde que Deus Eterno gera o Verbo no seio da Santíssima Trindade que é desde todo o sempre, ao que escreve novamente o Profeta Rei:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Tu és meu filho, eu hoje te gerei”.</p><cite>(Sl 2, 7)</cite></blockquote>



<p>Ouso dizer, e peço-te que me corrijas caso estiver sendo exagerado em minha interpretação, que nem a sabedoria de todos os anjos é capaz de abarcar a totalidade dos mistérios que Deus comunicou. Ainda, segundo o que penso, somente a Divina Sabedoria é capaz de compreender tudo isso, pois quem é que existia antes de Deus para que pudesse explicar o próprio Deus?</p>



<p>Portanto, nada que leias, ouças ou medites em relação aos mistérios do Santo Rosário chegará perto da profundidade que ali está encerrada, pelo que podes alegrar-te pelo fato de que a Virgem Maria te concedeu uma fonte inesgotável de bênçãos, consolações e sabedoria.</p>



<p>O que pretendo, pois, para esse e para os próximos artigos? Trazer meditações como essas para que possas tirar cada vez mais frutos do Santo Rosário. Espero, com isso, auxiliar-te no aprofundamento dessa devoção, confiante na promessa de que a Santíssima Virgem alcança o perdão para os pecadores apóstolos do Santo Rosário.</p>



<p>&nbsp;Vamos então continuar a meditar nesse belíssimo mistério da anunciação do Anjo à Maria e da encarnação do Verbo Eterno de Deus. O texto de base para a meditação é o capítulo primeiro do Evangelho de S. Lucas, versículos 26 a 38.</p>



<p>Apenas como nota, o Evangelho de S. Lucas deixa entendido que o autor coletou o depoimento da própria Virgem Maria para escrever seus primeiros capítulos. Isso se conclui porque o autor, endereçando o escrito a um homem chamado Teófilo, diz que lhe pareceu bem escrever um Evangelho que partisse de uma criteriosa investigação de todos os fatos acerca da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo desde o princípio (Lc 1, 3).</p>



<p>Como sabemos, S. Lucas era médico (Cl 4, 14), pelo que podemos imaginar que aplicou em sua investigação critérios semelhantes aos utilizados em seus estudos de medicina. Ademais, sabemos também que S. Lucas era um colaborador direto de S. Paulo (Fm 1, 24); deve, pois, ter aproveitado as oportunidades das viagens apostólicas para coletar o máximo número possível de depoimentos, pois ele mesmo não foi uma testemunha direta dos fatos narrados.</p>



<p>Em uma dessas viagens, é quase certo que S. Lucas esteve na Palestina e se encontrou com a Virgem Maria e S. João (devo lembrar-te que Maria passou a morar com S. João após a morte de Jesus Cristo), pois por duas vezes ele se refere à intimidade do pensamento de Nossa Senhora escrevendo que “Maria guardava todas essas coisas em seu coração” (Lc 2, 19 e 51).</p>



<p>Confesso que algumas vezes meditei os mistérios gozosos apenas indiretamente. O verdadeiro conteúdo representado em minha imaginação era a Santíssima Virgem em companhia de S. João e S. Lucas, em uma casinha simples, narrando os acontecimentos a este último. Eu podia até imaginar S. João dizendo à Maria: “Mãe, conta para ele aquele caso que se passou quando vocês estavam de Jerusalém”. Maria, com um sorriso bobo e meneando a cabeça enquanto olha para S. João, começa a rememorar aquela história tão cheia de dores e alegrias. Imaginei então S. Lucas, na calada da noite, tendo em sua frente o pergaminho, o tinteiro e a pena, e ao lado a pequena lamparina a óleo, rememorando os fatos narrados por Maria e sendo inspirado pelo Espírito Santo enquanto escrevia.</p>



<p>Que com isso percebas, meu irmão, que todo o conhecimento, por mais “histórico” ou “banal” que possa parecer, serve de fundamento para uma meditação frutuosa.</p>



<p>O mistério da anunciação tem início com tempo e lugar. A história se passa no sexto mês de gravidez de S. Isabel, parenta de Maria e mãe de S. João Batista, em uma cidade chamada Nazaré da Galiléia. Estando em casa, absorta em profunda oração, meditando a grandeza do Deus Todo-Poderoso que livrou o povo da escravidão do Egito e prometeu um Salvador para o povo de Israel, suspirando a Deus pela vinda desse mesmo Salvador, Maria recebe um anjo de Deus que vem para lhe comunicar uma notícia.</p>



<p>O Evangelho diz que o anjo foi a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de Davi, e que <strong>o nome da virgem era Maria</strong>. Seja este, pois, o primeiro ponto de nossa meditação.</p>



<p>No livro do profeta Isaías, está escrito que o Senhor Deus, a fim de dissuadir o rei Acaz de seu intento de buscar aliança com o rei da Assíria (o que teria por conseqüência a obrigação de prestar culto aos deuses daquela nação), disse-lhe que pedisse um sinal, fosse do fundo da habitação dos mortos ou do alto, para que o rei tivesse certeza da promessa que Deus lhe fazia de triunfar sobre os inimigos que haviam lhe declarado guerra. Tudo isso se passou 733 anos antes de Cristo. O rei Acaz hipocritamente respondeu que não iria por o Senhor à prova, ao que Deus respondeu pela boca do profeta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará luz a um filho, e o chamará Emanuel (que quer dizer Deus Conosco).</p><cite>(Is 7, 14)</cite></blockquote>



<p>Essa profecia, segundo o entendimento dos eruditos em Sagradas Escrituras, não poderia se referir a nenhuma virgem existente na época, nem mesmo alegoricamente; nenhum indício histórico é capaz de endossar a tese, pelo que se conclui que é uma profecia que não se dirige somente ao rei incrédulo, mas a toda a humanidade, conforme ensina o Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI).</p>



<p>Que quis dizer, pois, o Espírito Santo? Por certo que, chegada à plenitude dos tempos, uma virgem seria agraciada de maneira nunca antes vista em toda a humanidade: De sua carne e de seu sangue, Deus tiraria a carne e o sangue com que formaria o corpo do Divino Verbo, passando a viver entre nós em condição humana.</p>



<p>Para tanto, era necessário que essa virgem fosse preservada da nódoa do pecado original, pois está escrito que Cristo foi igual aos homens em tudo, exceto no pecado. Sendo assim, Deus aplicou os méritos da Cruz de Cristo para redimir essa Virgem de um modo singular, não permitindo com que ela fosse escrava por um momento sequer do pecado e do diabo.</p>



<p>Podemos dizer ainda mais: Essa virgindade permaneceu intacta e perfeita por toda a vida de Maria Santíssima, pelo que a Igreja lhe dá o título de Sempre Virgem, querendo com isso dizer que Nossa Senhora manteve-se virgem antes, durante e depois do parto.</p>



<p>Na Virgem Maria encontra-se, pois, uma completude de que nenhum outro ser humano pode gozar. À virgindade, por mais pura e bela que seja, falta a fecundidade; é como se algo estivesse incompleto, como se não tivesse se exaurido todo o potencial daquilo que é ser mulher. Na maternidade natural, por mais nobre e fonte de alegrias que possa ser, há um quê de imperfeição, de entrega incompleta a Deus.</p>



<p>É assim, pois, que começa a meditação da anunciação. O começo não fala de Jesus, embora esteja sempre subentendido, origem que é de todo o bem e de toda a graça, mas sim de Maria e de sua glória. Sendo a Sempre Virgem, é Mãe de um Filho que saiu de suas entranhas. Que grande mistério!</p>



<p>Contempla, pois, a Virgem Maria. Tamanha era a sua inocência, que nada no mundo podia incutir-lhe na imaginação uma cena impura. Era inocente, cândida como uma pomba. De sua boca nunca se ouviu coisa alguma que pudesse causar escândalo. Sua beleza era sumamente encantadora, puríssima. Por onde passava, desarmava toda a luxúria e fornicação. Não houve homem no mundo que, tendo visto a Virgem Maria, pôde desejá-la com lascívia; do contrário, à vista daquela Virgem os homens se envergonhavam de seus pecados contra a castidade e sentiam um firme desejo de fazerem-se eunucos por amor da santa pureza. O próprio S. José, sendo justo e castíssimo, valeu-se da virtude que lhe comunicava a Virgem Santíssima para preservar a própria virgindade.</p>



<p>E quem pode falar do Menino Jesus? Ó, afortunada criança! Não te bastava ter Deus por Pai? Cresceu contemplando esse lírio tão belo; foi educado pela beleza e pela modéstia de sua Mãe Santíssima. Olhava para as outras mulheres com seus olhos infantis, e via o contraste: “Como é linda a minha mamãe!”.</p>



<p>Bem-aventurado o Apóstolo amado, que desse manancial de pureza pôde beber até o dia da Assunção! Não trazendo consigo mulher, pôde amar a Deus servindo a mais santa e pura das mulheres, aquela que com razão é chamada de A Mulher, pois é virgem e também é mãe. É mulher perfeita, tal como nenhuma outra pode ser.</p>



<p>E tu, meu irmão, que podes dizer? Quando é que te tornaste escravo da luxúria, olhando aquelas que outrora eram apenas amiguinhas como objetos de teus desejos egoístas? Quanto tempo desperdiçaste, meu amigo pecador, tomando o veneno mortífero da pornografia e da masturbação? Quantas mulheres usaste, tanto em teus pensamentos como em teus atos, sem com elas te comprometeres pelos vínculos do Santo Matrimônio? E, não bastando tamanha podridão, quantas vezes te orgulhaste disso? Quem sabe até as abominações mais pérfidas praticaste, e não as quero mencionar – que Deus tenha bem ocultados teus pecados e tua vergonha!</p>



<p>Clama, pois, à Virgem Maria para que alcance o perdão e a reparação por teus pecados contra a castidade e contra a santa pureza. Chora pelo dia que caíste nessa cilada do demônio; amaldiçoa o dia que cedeste à pressão daqueles coleguinhas que hoje não pesam mais que uma pena na balança. Depois disso, faz o firme propósito de nunca mais pecar contra a castidade e de guardares todos os teus sentidos de tudo aquilo que possa acender o fogo da luxúria em teu coração. Lembra-te que se pôr em ocasião de pecar gravemente é por si só um pecado grave. A Virgem Santíssima há de vir ao teu socorro, colocando-te no caminho para que alcances a Graça e com ela permaneças até o fim.</p>



<p>Continuarei no próximo artigo a tecer meditações como essas para que possas aprofundar-te cada vez mais nos mistérios do Santo Rosário. Pode ser que demoremos a concluir essa etapa, mas creio que não há nada melhor que eu possa oferecer nesses artigos; não que eu não pretenda falar sobre muitas outras coisas nos próximos anos, porém creio que a de maior valor é esta, pelo que lhe dou a primazia.</p>



<p>Espero que o mesmo espírito de devoção habite em teu coração, pois aquele que aprendeu a colocar a sua esperança na Virgem Maria tem em sua fronte o sinal da predestinação.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Pobres e Vencedores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2021 14:27:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Pobres e Vencedores" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Tudo o que se pode falar sobre o Santo Rosário não é suficiente para exaurir o mistério dessa sublime devoção. De agora em diante, deve fazer parte de tua vida o aprofundar-se cada vez mais nesse mistério, tomando nota de todas as profundas meditações que fizeram os santos a seu respeito, e buscando conhecer a [&#8230;]</p>
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<p>Tudo o que se pode falar sobre o Santo Rosário não é suficiente para exaurir o mistério dessa sublime devoção. De agora em diante, deve fazer parte de tua vida o aprofundar-se cada vez mais nesse mistério, tomando nota de todas as profundas meditações que fizeram os santos a seu respeito, e buscando conhecer a vida das pessoas que foram por ele transformadas.</p>



<p>O que estou tentando por meio desses artigos, e espero com a ajuda da Santíssima Virgem consegui-lo, é despertar-te para essa realidade, pois estou convicto de que dificilmente conseguirás alcançar a linha de chegada se não te preparares por meio do Santo Rosário. Não digo que as linhas que escrevo são de pequena monta, mas é certo que a grandeza de tudo o que vai escrito não advém de meus méritos. O que tenho dito nada mais é do que aquilo que ouvi da Santa Mãe Igreja por meio de seus filhos mais especiais e amados, que são aqueles que alcançaram a união com Nosso Senhor Jesus Cristo.</p>



<p>Alguns católicos, sobretudo aqueles que encontraram a Barca de S. Pedro depois de terem estado no protestantismo, têm dificuldades para se relacionar com Maria Santíssima. É certo que se sentem constrangidos com isso, e assumem com franqueza a miséria de seus corações. Há algo de pernicioso incrustado em seus corações, que nada mais é do que os erros que se sedimentaram na alma ao longo de anos ou até décadas acerca da comunhão dos santos e da glória da Santíssima Virgem Maria.</p>



<p>No entanto, tenho por certo que essas almas já estão vivendo na Verdade; o constrangimento que têm é um sinal claro disso. De fato, crêem na Santa Igreja Católica, e desejam profundamente um relacionamento íntimo com Nossa Senhora. Querem crer com cada vez mais convicção, trilhando o mesmo caminho de tantos santos que devotaram suas vidas ao serviço da Grande Rainha. Essa Fé acompanhada da boa vontade é tudo aquilo de que necessita o Espírito Santo para fazer crescer uma alma na vida da Graça.</p>



<p>Se esse for o teu caso, não nego que é necessário que estudes mais, que procures tomar conhecimento das obras clássicas que versam sobre a Santa Mãe de Deus, que busques enfim todo material condizente com a santa doutrina que possa auxliar-te no crescimento da vida devota.</p>



<p>Mas o que realmente te é necessário nesse momento é abrir teu pobre coração para a Santa Mãe de Deus. Diga a Ela com toda a confiança a dificuldade que tens para n’Ela confiar:&nbsp;</p>



<p>— Minha Santa Mãe, eu creio! Alcançai-me junto a Jesus Cristo o aumento da Fé. Curai minha desconfiança!</p>



<p>Ah, meu irmão! Fazendo isso imitarás a humildade daquele pobre pai que, tendo levado seu filho que era atormentado por um demônio para Jesus o libertasse, confessou sua Fé, mas lhe pediu que o ajudasse em sua desconfiança. É certo que nessa linda passagem do Evangelho, tão carregada de realidade, foi o pai muito mais abençoado do que o filho, porquanto este foi liberto de um espírito que o atormentava, mas aquele recebeu o dom da Fé que salva, cura e liberta!</p>



<p>Para corroborar o que digo a respeito da necessidade que tens de pedir à Virgem Maria que te alcance uma Fé maior e que te mostre o amor que tem por ti, ouve o que Maria Santíssima respondeu a Santa Matilde quando esta perguntou àquela como poderia testemunhar a ternura de sua devoção:</p>



<p>— Saiba, minha filha, que ninguém pode me honrar com uma saudação mais agradável do que aquela que a tão adorável Santíssima Trindade mandou que a mim se apresentasse, e pela qual a mesma Trindade me elevou à dignidade de Mãe de Deus. Com a palavra “Ave”, que é o nome de Eva, aprendi que Deus, em sua onipotência, me preservou de todo pecado e das misérias às quais a primeira Eva estava sujeita. O nome de “Maria”, que significa Senhora da Luz, significa que Deus me cumulou de sabedoria e de luz, como uma estrela fulgurante, para iluminar o céu e a terra. As palavras “cheia de graça” significam que o Espírito Santo infundiu em mim tantas graças que posso transmiti-las abundantemente àqueles que as pedirem por minha mediação. Quando a mim se diz “o Senhor é convosco”, se está renovando a alegria inefável que senti quando o Verbo Eterno se encarnou em meu seio. Quando se dirigem a mim as palavras “bendita sois vós entre as mulheres”, eu louvo a divina misericórdia que me elevou a tamanho grau de felicidade. Com as palavras “bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”, todo o céu rejubila comigo por ver Jesus, meu Filho, adorado e glorificado por ter salvado os homens!</p>



<p>Isso tudo Maria Santíssima revelou à Santa Matilde estando esta em êxtase místico.</p>



<p>Uma das coisas que mais chama atenção em se tratando da devoção à Santíssima Virgem Maria é o fato de não se tratar de uma devoção qualquer. Tal devoção é, na verdade, segundo a opinião de muitos santos, um sinal claro de predestinação, ao passo que a resistência ou negligência nessa matéria é um sinal de condenação.</p>



<p>Veja o que a Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano de la Roche:</p>



<ol class="wp-block-list"><li>É sinal provável e próximo de reprovação eterna manifestar negligência, tibieza ou aversão pela Saudação Angélica, que reparou o mundo;</li><li>Aqueles que têm devoção por essa admirável saudação são portadores de um enorme sinal de predestinação;</li><li>Aqueles que receberam do céu o favor de amar a Santíssima Virgem e servi-la com afeição devem ser extremamente cuidadosos em continuar a amá-la e a servi-la até que Ela alcance de seu Filho um lugar para eles no Céu.</li></ol>



<p>S. Luís de Montfort diz palavras duríssimas contra aqueles que de alguma forma combatem essa devoção. Começa dizendo que “todos os hereges, que são filhos do diabo e trazem as marcas evidentes da reprovação, têm horror à Ave-Maria”. O que me impressiona nisso é o fato de que muitas dessas pessoas lêem a Bíblia, mas não conseguem participar da alegria de todos os santos quando lêem a Saudação do Anjo. Creio que a eles se aplica os dizeres do profeta: “Ouvireis com os vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração desse povo se endureceu”.</p>



<p>No então, duras são também as palavras que dirige aos próprios católicos que dão pouco valor à devoção devida à Santa Mãe de Deus: “Entre os católicos, os que trazem a marca da reprovação não dão importância alguma ao terço, nem ao Rosário, negligenciando recitá-lo, ou recitando-o com desânimo e pressa”.</p>



<p>Percebemos que o santo menciona três categorias de pessoas.</p>



<p>A primeira é a das pessoas que não dão a mínima importância ao Santo Rosário. São as almas soberbas que por vezes dizem que não se pode exagerar na devoção à Santíssima Virgem Maria, e que é preferível esta ou aquela prática ao Santo Rosário. Dizem também ao próximo que tenha cautela para que a devoção à Maria Santíssima não ponha obstáculos ao amor que é devido a Deus (como se fosse possível haver contradição entre Jesus e Maria). O espírito ao qual pertencem é identificável na altivez de seus olhos, na jactância de suas palavras, e pela repugnância que causa sua falsa humildade. Por mais doutos que sejam e ainda que possuam tantas outras virtudes, falta-lhes a humildade, e sem elas viverão uma vida douta e virtuosíssima no inferno por toda a eternidade.</p>



<p>O que fazer em relação a esses pobres miseráveis? Maria Santíssima ensinou a São Domingos de Gusmão e ao Beato Alano de la Roche que o Santo Rosário é como que uma arma poderosíssima para a conversão dos hereges e dos pecadores, e a vida desses santos é testemunha de que tal revelação é verdadeira.</p>



<p>&nbsp;Também, e na medida do possível, podes demonstrar como tantos santos refutam tais afirmações, ao passo que nenhum santo do mundo, por menos devoto que parecesse, proferiu os mesmos ultrajes contra Maria Santíssima, ainda que disfarçados de teologia. Sim, pois quem recomenda cautela sob a justificativa que a devoção mariana pode conflitar com o amor que é devido a Deus, ultraja a Santíssima Virgem e por conseqüência a própria Santíssima Trindade. Como são almas soberbas, dificilmente serão convencidas pela razão, mas é necessário que saibam, pois não poderão alegar ignorância diante do Justo Juiz.</p>



<p>A segunda categoria é a das pessoas que reconhecem o valor do Santo Rosário e até gostariam de recitar ao menos o Terço diariamente, mas movidos que são pelas paixões desordenadas e acometidos sobretudo do mal da acídia e da tibieza, não dispõem de suas vidas em ordem para lisonjear a Santa Mãe de Deus diariamente com sua devoção favorita. Por vezes, são capazes de se entregar em um mesmo dia a mil e uma atividades diferentes e até muito nobres: ajudam os pobres, servem no altar, lêem muitos livros e ouvem muitas aulas. Com isso somente se enganam, pois não reconhecem o ativismo preguiçoso.</p>



<p>A estes só posso aconselhar os remédios típicos contra a preguiça: Fazer aquilo que é mais difícil por primeiro, sem perder qualquer tempo que seja com outra atividade. Na primeira oportunidade, antes mesmo de conferir as últimas mensagens no celular, tomar o tercinho nas mãos e traçar o sinal da cruz, custe o que custar.</p>



<p>A terceira categoria é a das pessoas que reconhecem o valor do Santo Rosário e o recitam regularmente, mas não se esforçam por colher dele os frutos espirituais. São as pessoas que não fazem esforço para meditar os mistérios, que recitam as preces rapidamente apenas para se verem livres da obrigação o quanto antes etc. Evidentemente, essa última categoria está muito mais próxima da redenção do que as demais, pois o que lhes falta é somente um pequeno ajuste. Se fazes parte desse grupo, reflete por um momento:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list"><li>Quantos minutos a mais ganharás por recitar o Santo Terço na máxima velocidade que te é possível? Cinco? Realmente vale a pena? Um Terço bem feito costuma levar entre 25 a 30 minutos quando rezado sozinho. Vale a pena desperdiçar esse tempo precioso por cinco minutos?</li><li>Já que te dispuseste a rezar o Santo Terço ou o Rosário, por que não aproveitar a ocasião para colher dele a maior quantidade de frutos possível? Por que não atentar com toda seriedade ao mistério contemplado, valendo-se do auxílio de todos os recursos possíveis para manter a concentração? Tens ainda um dia inteiro para ocupar-te de outros pensamentos.</li></ol>



<p>Responde a essas perguntas, meu irmão, e verás que por uma ninharia estás a desperdiçar um grande manancial de graças e favores do Céu. Mas tu não tens motivo algum para desesperar, pois estás próximo do reinado de Deus.</p>



<p>Não ignoro que algumas pessoas podem pensar que o Santo Rosário é uma devoção simplória. Com efeito, muito pouco se exige do intelecto e da disposição daquele que deseja honrar a Santíssima Trindade por meio dessa devoção. Basta apenas que se saiba recitar o Credo, a Oração do Senhor, a Saudação Angélica e o Glória. Muitos também gostam de acrescentar ao Glória a oração que Nossa Senhora revelou aos pastorinhos de Fátima (“Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno&#8230;”), o que é muito recomendado.</p>



<p>De fato, existe um paradoxo no Santo Rosário. Ao mesmo tempo que é uma devoção simplória, dada pelas Mãos da Virgem Santíssima aos pobres, ignorantes e desvalidos, é também uma devoção muito profunda, pois encerra todos os mistérios da redenção, desde a anunciação do Verbo até a coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra.</p>



<p>O Santo Rosário é, pois, o modo pelo qual Maria Santíssima enriqueceu os pobres, fazendo-os ter acesso aos grandes mistérios da Sabedoria Divina apesar de toda a ignorância. Certa vez um Padre disse que a Eucaristia é a democratização da mística, pois, por meio da Comunhão Sacramental, qualquer pessoa em estado de Graça tem acesso à intimidade da Santíssima Trindade, o que só é possível aos santos. Pois bem, eu creio que o mesmo se aplica ao Santo Rosário, guardadas as devidas proporções.</p>



<p>Bem por isso alguns podem pensar que devido ao seu grau de estudo ou ao seu tempo de vivência na vida da Graça, o Santo Rosário é mais um adorno que uma necessidade. Mas fato é que dificilmente se encontra nessa geração alguém que hoje possa ser considerado sábio. Por mais que conheças o Magistério da Igreja, por mais que leias os grandes doutores como Santo Tomás e Santo Agostinho, por mais que refutes brilhantemente tantos erros que hoje devastam a humanidade, eu aposto que também tu estás contado no grupo dos pobres, pequenos e ignorantes.</p>



<p>És tentado a pensar o contrário, porque olhas em volta e vês ignorância por toda a parte. Sabes que és possuidor de um conhecimento que se perdeu. Mas o conhecimento que de fato tens é muito elementar; é um conhecimento que um religioso pouco dado aos estudos de antigamente tinha, e este o tinha de modo muito mais puro, pois não viveu em uma época em que o erro foi institucionalizado propositalmente e globalmente para a consolidação do império da morte.</p>



<p>Aos próprios camponeses ignorantes e analfabetos da Idade Média, os quais nunca tinham lido sequer um livro na vida, não se fazia necessário explicar o porquê de ser o aborto ou a relação homossexual pecaminosa, e tu te maravilhas por saber essas coisas?</p>



<p>Examina com olhos abertos para a verdade e verás que não podes ser contado no número dos sábios. Eu já ouvi palavras de um homem sábio, e sei que todas as demais pessoas que ouvi na vida não são verdadeiramente sábias, pois sua sabedoria não é fundada na contemplação infusa que é puro dom de Deus.</p>



<p>Mas digo isso para que te alegres! Conhecer a verdade é crescer na humildade, e esta virtude tem por fruto a santa alegria e a santa confiança em Deus.&nbsp;</p>



<p>Somos pobres?<br>— Sim! </p>



<p>Somos infelizes?<br>— Jamais!</p>



<p>Maria Santíssima nos deu tudo na medida certa para que fôssemos ricos em nossa pobreza e sábios em nossa ignorância, e isto Ela nos deu por meio do Santo Rosário.</p>



<p>Concluindo nosso encontro, exemplifico esses dizeres com um fato interessante. Certa vez, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu a Santa Gertrudes contando moedas de ouro. A santa, em um ato de ousadia, perguntou ao Senhor o que estava fazendo. O Divino Mestre respondeu:</p>



<p>— Estou contando suas Ave-Marias, que são as moedas com as quais se compra o meu paraíso.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Coroa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Apr 2021 16:44:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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<p>O Santo Rosário é uma devoção verdadeiramente sublime. É necessário que medites essa realidade sob os mais diversos ângulos possíveis, pois só uma devoção há que possa agradar mais o coração da Virgem Maria, que é a devoção ao Santíssimo Sacramento. Esse é o primeiro ponto a ser meditado. A Igreja existe para que o [&#8230;]</p>
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<p>O Santo Rosário é uma devoção verdadeiramente sublime. É necessário que medites essa realidade sob os mais diversos ângulos possíveis, pois só uma devoção há que possa agradar mais o coração da Virgem Maria, que é a devoção ao Santíssimo Sacramento.</p>



<p>Esse é o primeiro ponto a ser meditado. A Igreja existe para que o sacrifício da Cruz possa ser atualizado na Santa Missa a fim de alcançar para o mundo pecador a misericórdia de Deus e dar aos fiéis acesso ao Autor da Graça, que é Jesus Cristo, em um verdadeiro ato místico de união com Deus, que é a comunhão sacramental. Na fila da comunhão, somos como que mendigos desprezíveis esperando para receber a ração diária das mãos de um benfeitor. A nossa condição pelo pecado é a total miséria. Não fosse por Cristo, o que seria de nós?</p>



<p>Estando no Santíssimo Sacramento o próprio Autor da Graça, que outra devoção poderia ser mais agradável a Deus e a sua Mãe Santíssima do que aquela que se tem ao Santíssimo Sacramento? Diante do Santíssimo Sacramento, Maria Santíssima se prostra e rende adoração perfeita; contempla ali a Carne de sua carne, o Sangue de seu sangue, mas também contempla a Alma humana perfeitíssima de Cristo que pelo Pai foi criada e a Santa Divindade que é por toda a eternidade.</p>



<p>A grande Graça que a Mãe Santíssima quer comunicar aos seus filhos é a devoção ao Santíssimo Sacramento. Tanto mais ama a Jesus Cristo aquele que cresce em amor à Virgem Santíssima; nada pode agradar mais à Mãe do que ver o Filho sendo verdadeiramente adorado.</p>



<p>Como segundo ponto, podes perceber como a récita do Santo Rosário significa rezar com as palavras do próprio Deus. O Santo Rosário é composto essencialmente de três orações vocais: A Oração do Senhor, a Saudação Angélica e o Glória.&nbsp;</p>



<p>A Oração do Senhor é aquele que foi ditada pelo próprio Deus por meio da humanidade de Cristo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Nela estão contidos o fim último do homem, a síntese da vida moral e os pedidos que devemos fazer a Deus. É oração de perfeita humildade, pois retrata a grandeza de Deus e a impotência do homem. É, em suma, oração perfeita em todos os sentidos, da qual a Igreja extrai toda a doutrina sobre a oração cristã.</p>



<p>São João Crisóstomo disse certa vez que “aquele que não ora como o Divino Mestre orou e ensinou a orar não é seu discípulo; Deus Pai não se agrada em ouvir as orações que o espírito humano formou, mas exatamente aquelas que seu Filho nos ensinou”. Isso não quer dizer que não possamos formular preces e Deus com nossas próprias palavras, mas sim que jamais devemos desprezar a supremacia da oração que nos foi ensinada por Cristo. As orações vocais ensinadas pela Santa Igreja (que é antes divina que humana) devem ser sempre o selo que sucede nossas preces íntimas; são como que uma garantia de que seremos ouvidos por Deus em nossos pedidos e que nossos louvores e ações de graças serão por Ele aceitos.</p>



<p>É por isso que é sempre bom terminarmos nossas preces com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.</p>



<p>S. Luís de Montfort ensina que ao recitar a Oração do Senhor, deve o fiel ater-se maximamente ao significado das palavras ali contidas. A Oração do Senhor é como que uma síntese do Evangelho, de modo que bem rezada conduz a uma apropriação singular de todo o mistério da redenção humana.</p>



<p>A Saudação Angélica é aquela que foi revelada pelo Divino Espírito Santo. É um perfeito ato de louvor e veneração à Santíssima Virgem, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao aparecer para a Virgem Maria em Nazaré, o Mensageiro de Deus lhe disse:</p>



<p>— Alegra-te, cheia de graça! O Senhor é contigo!</p>



<p>Tendo aceitado o desígnio de Deus e oferecido-se a Si mesma para Mãe do Divino Verbo, Maria Santíssima foi outra vez glorificada pelo Espírito Santo, dessa vez por boca de Santa Isabel, a qual exclamou em voz forte ao ouvir a saudação da Imaculada:</p>



<p>— Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!</p>



<p>Tudo aquilo que podemos dizer à Santíssima Virgem, por mais santo, piedoso e por Deus inspirado que seja, não pode sobrepujar em valor o que o próprio Deus disse quando era Ela ainda a pobre virgem de Nazaré. Hoje, louvamos e bendizemos a Virgem Maria enquanto Rainha do Céu e da Terra, grande em poder e majestade, depositária de todas as Graças de Deus. No entanto, lá Ela foi louvada por Deus em sua humildade, pobreza, simplicidade e ignorância. Não teríamos também nós ignorado com todos os demais transeuntes a humilde virgem que por nós passou no caminho das regiões montanhosas da Judéia carregando em seu ventre o Divino Salvador?</p>



<p>Diferentemente do que ocorre com o Pai-Nosso, não é de todo necessário que as Ave-Marias sejam recitadas com máxima concentração no significado das palavras enquanto se reza o Santo Rosário.</p>



<p>Digo isso porque existem pessoas que preferem meditar os mistérios ao longo das Ave-Marias, e isso não pode ser feito sem prejuízo da atenção no significado das palavras. Não há qualquer problema em rezar desse modo, pois é intenção da Santíssima Virgem Maria que na récita dessas preces meditemos com a simplicidade típica das almas pobres os mistérios de nossa redenção. As Ave-Marias compõem como que uma música de fundo para a meditação, e os frutos que disso se colhe são sublimes.</p>



<p>Existem outras pessoas que, dispondo de mais tempo, optam por meditar o mistério proposto antes de iniciar a dezena. Nesse caso, ao recitarem as Ave-Marias, devem ater-se mais ao significado das palavras, a fim de que a imaginação não perturbe o recolhimento.</p>



<p>A récita das Ave-Marias costuma ser o momento de maior dispersão na oração do Santo Rosário, pois temos dificuldades para concentrarmo-nos no mesmo objeto por um período mais prolongado. Há, portanto, um método que consiste em inserir pequenas cláusulas em meio às Ave-Marias para auxiliar no foco da meditação. É assim que ao meditar o mistério da ressurreição, reza-se da seguinte maneira:</p>



<p>— Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus, <strong>que ressuscitou dentre os mortos</strong>. Santa Maria, Mãe de Deus&#8230;</p>



<p>Podes encontrar as cláusulas em vários sites da <em>internet</em>. Há inclusive Rosários que são rezados tendo uma cláusula diferente por Ave-Maria, a fim de auxiliar mais ainda na concentração e proporcionar uma meditação linear ao longo da dezena. Nada impede, no entanto, que formules tuas próprias cláusulas. Na verdade, é bem simples fazê-lo. Usemos, a título de exemplo, os mistérios gloriosos. Eu mesmo formularei cinco cláusulas:</p>



<p>1º Mistério (ressurreição): “[&#8230;] Jesus, que ressuscitou ao terceiro dia [&#8230;]”.</p>



<p>2º Mistério (ascensão): “[&#8230;] Jesus, que subiu ao Céu [&#8230;]”.</p>



<p>3º Mistério (pentecostes): “[&#8230;] Jesus, que enviou o Espírito Santo [&#8230;]”.</p>



<p>4º Mistério (assunção de Nossa Senhora): “[&#8230;] Jesus, que vos elevou ao Céu [&#8230;]”.</p>



<p>5º Mistério (coroação de Nossa Senhora): “[&#8230;] Jesus, que vos coroou de glória [&#8230;]”.</p>



<p>Viu como é fácil? Recomendo-te que testes conforme a necessidade, e não me importaria que te valesses ora de um modo ora de outro como uma “quebra de rotina”, se fores do tipo de pessoa que disso necessita para manter a constância. O importante é que não pares.</p>



<p>O Glória, por sua vez, assinala de modo preciso o fim para o qual todas essas coisas existem, que é a Glória de Deus, Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, aquele era, que é e que há de vir. Nada é digno de Deus senão sua própria Glória. Sendo o ser em essência, sumamente perfeito, adorável, amável, belo, verdadeiro, sem qualquer nódoa, totalmente auto-suficiente, assustadoramente poderoso, não lhe seria próprio existir e agir para nada que não fosse sua própria Glória. Nós, miseráveis criaturas, reconhecendo isso e gratos por sua bondade para conosco, exclamamos, pois:</p>



<p>— Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!</p>



<p>É nesse mesmo espírito que se propõe, no início do Santo Rosário, a oração de três Ave-Marias. A primeira delas para dar glória a Deus Pai; a segunda, a Deus Filho; a terceira, a Deus Espírito Santo.</p>



<p>Lembremos do que aconteceu quando Nossa Senhora adentrou em casa de Santa Isabel. Esta, ao ouvir a saudação da Santíssima Virgem, ficou cheia do Espírito Santo. São João Batista, o precursor, também ficou cheio do Espírito, dando um salto de alegria por estar na presença do Divino Redentor e de sua Mãe Santíssima.</p>



<p>Santa Isabel, tendo recebido a Graça do Espírito Santo, compreendeu pela virtude infusa da Fé o que se passava naquele momento. Compreendeu que lhe saudava a Santa Mãe de Deus, a que seria coroada Rainha do Céu e da Terra, e que já carregava em seu ventre puríssimo o Autor de toda a Graça. Não fazendo caso de sua condição nobre, pois era esposa de Zacarias, sacerdote do Altíssimo, integrante de casta privilegiado do povo de Israel, prostrou-se diante da Divina Mãe e perguntou com humildade:</p>



<p>— De onde me vem a honra de ser visitada pela Mãe de meu Senhor?</p>



<p>Ó, que sublime ato Fé! Estando impossibilitada de ver até mesmo a humanidade de Cristo oculta no seio de Maria, confessou Santa Isabel que ali estava o seu Deus! Não é essa a Fé que Deus espera de nós quando contemplamos a Eucaristia? Ali não vemos sequer a humanidade de Cristo, pois tudo está oculto, mas confessamos dizendo “meu Senhor e meu Deus!”.</p>



<p>Então Santa Isabel, que recebeu a Graça do Espírito Santo e o dom da Fé pelo mistério da visitação, louva e bendiz a Virgem Santíssima, que por seus méritos e por sua própria Fé mereceu que tudo aquilo acontecesse, e já iniciava desde então o sublime apostolado de distribuir a Graça de Deus pelo mundo:</p>



<p>— Bem-aventurada és tu que creste, pois se cumprirão todas as coisas que o Senhor te prometeu!&nbsp;</p>



<p>E o que faz a Santíssima Virgem ao presenciar todas essas coisas? Eleva o coração a Deus e diz:</p>



<p>— Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta em Deus, meu Salvador! Pois olhou para a pobreza de sua escrava&#8230;</p>



<p>No mundo, só houve um que ofereceu a Deus prece mais sublime de entrega e abandono: Cristo Jesus. Mas o próprio Cristo, naquele sublime momento, rendia louvor e adoração perfeita ao Pai desde as entranhas de sua Mãe Santíssima. Ó, que sublime adoração! Foi ela tão perfeita que calou as vozes dos Céus, pois os anjos consideraram todos os seus louvores como nada diante da grandeza do que estava ali sendo a Deus oferecido por Jesus e Maria.</p>



<p>É assim, pois, que a cada Ave-Maria que rezas, a Virgem Santíssima entoa sua mais sublime ação de graças a Deus, de modo que já não sejas mais visto por Deus como o pecador que lhe rendeu um ato de louvor, mas sim como o filho amado que moveu o coração da Virgem Santíssima a prestar-lhe um culto perfeito. Que poderia agradar mais a Deus do que isso?</p>



<p>Já paraste para pensar por qual motivo a Igreja chama o saltério da Virgem Maria de Santo Rosário? Se o denominasse simplesmente por saltério de Nossa Senhora, entenderíamos perfeitamente. Mas&#8230; Santo Rosário?&nbsp;</p>



<p>S. Luís de Montfort explica que esse nome surgiu depois da restauração da devoção pelo Beato Alano de la Roche (1.428 – 1.475), tendo sido dado pelo próprio povo.&nbsp;</p>



<p>Como nota explicativa, diz-se restauração da devoção porque, após um século de recitação fervorosa do Santo Rosário, que iniciou com a revelação feita por Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão, caiu a devoção no esquecimento, até que foi restaurada novamente pelo Beato Alano, o qual foi instruído em visões por Jesus e Maria e tornar-se um apóstolo do Santo Rosário.</p>



<p>Voltando ao nome, rosário significa coroa de rosas. Tal nome surgiu da crença comum do povo de que ao se recitar o saltério da Virgem Maria, estava a se coroar a Santíssima Virgem e seu Divino Filho com uma mística coroa de rosas que perdura por toda a eternidade.</p>



<p>Acredite se quiser, mas um religioso de nome Alfonso Rodriguez, da Companhia de Jesus, recitava o Santo Rosário com tamanho fervor que via sair de sua própria boca rosas de grande beleza e agradabilíssimo odor. A cada Pai-Nosso, via sair uma rosa vermelha; a cada Ave-Maria, uma branca.</p>



<p>Há nas crônicas de S. Francisco outro relato surpreendente. Um jovem muito devoto tinha por costume recitar a coroa de Nossa Senhora antes das refeições. Certo dia, deixou de fazê-lo. Tendo ouvido tocar o sino para se dirigir ao refeitório, foi ter com o superior para obter permissão de recitá-la antes de se sentar a mesa. Tendo obtido a permissão, dirigiu-se ao seu quarto a fim de fazê-lo. Como demorasse, ordenou o superior a outro irmão que fosse lhe chamar. O outro irmão, tendo se dirigido ao local em que estava o devoto, presenciou um fato surpreendente: Viu o corpo da alma devota envolto por uma luz celeste e junto dele a Santíssima Virgem acompanhada por dois anjos. A cada Ave-Maria recitada, uma bela rosa lhe saía da boca; os anjos tomavam a rosa e a colocavam sobre a cabeça da Rainha, a qual demonstrava satisfação.</p>



<p>Na demora desse segundo irmão que estava absorto na contemplação de tão grande mistério, ordenou o superior a outros dois irmãos que fossem ver o que se passava. Também estes foram agraciados com a sublime visão, e deram testemunho de que a Santíssima Virgem permaneceu ali até que a coroa tivesse sido completada.&nbsp;</p>



<p>Não é maravilhoso tomar conhecimento de fatos como esse? Consegues perceber em que realidade se fundam as representações pictóricas dos santos envoltos em uma luz que vem do céu e como o Espírito Santo vai conduzindo a história da Igreja por meio desses mesmos fatos que são levados ao conhecimento dos pobres e ignorantes?</p>



<p>Agora, meu irmão, não deixes de coroar essa Mãe Santíssima com esse presente que lhe é tão doce e agradável. Se não podes oferecer a ela uma grande coroa, que é o Santo Rosário, oferece ao menos um pequeno chapéu de rosas, que é o Santo Terço, e verás derramadas sobre tua própria cabeça as Graças que foram confiadas à administração dessa Rainha Prudentíssima.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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