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	<title>Aducci Correia Neto &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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	<description>Apologética Católica</description>
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	<title>Aducci Correia Neto &#8211; Cooperadores da Verdade</title>
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		<title>Deus revela o Seu Nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jun 2021 17:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Deus Revela o Seu Nome" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Finalmente voltamos às nossas meditações sobre os mistérios gozosos do Santo Rosário. Quando eu me dei conta que estamos já na quinta parte da série e nem sequer encerramos o primeiro mistério, fiquei um pouco perplexo e receoso. A perplexidade é&#160;autoevidente, ao passo que o receio é de que você considere minhas&#160;reflexões muito prolixas.&#160; Pois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Deus Revela o Seu Nome" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Deus-Revela-o-Seu-Nome-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Finalmente voltamos às nossas meditações sobre os mistérios gozosos do Santo Rosário. Quando eu me dei conta que estamos já na quinta parte da série e nem sequer encerramos o primeiro mistério, fiquei um pouco perplexo e receoso. A perplexidade é&nbsp;autoevidente, ao passo que o receio é de que você considere minhas&nbsp;reflexões muito prolixas.&nbsp;</p>



<p>Pois bem, devo dizer&nbsp;que tomei a decisão de deixar este&nbsp;receio de lado. Penso que a mentalidade que deve imperar em um cristão é a de que sua vida de oração deve progredir. É pela oração que nos relacionamos com Deus até que possamos chegar ao fim último de nossas vidas que é conhecer e amar a Deus, alcançando aquela terna e afetuosa união denominada&nbsp;pela Igreja de Caridade.</p>



<p>Nunca é demais, portanto, ler escritos piedosos fundados em boa doutrina para nos aprofundarmos cada vez mais nos mistérios de nossa redenção. Com o passar do tempo, esta prática dá substância aos nossos pensamentos, palavras e ações. O doce nome de Maria tem um sabor muito diferente dependendo do grau de devoção e de intimidade que&nbsp;com Ela temos. Assim acontece também (e principalmente!) com o Santo Nome de nosso Salvador.</p>



<p>Na última meditação contemplamos o mistério d’Aquela que encontrou graça diante de Deus. Compreendemos que a graça que por Maria foi encontrada é a mesma que nossos primeiros pais perderam por não&nbsp;terem faltado com a Fé.&nbsp;A Senhora dos Anjos não encontrou graça para si, pois dela já era plena desde sua Imaculada Conceição. Foi para nós homens e para a nossa salvação que, tendo oferecido sua vida a Deus desde o ventre de sua mãe, alcançou-nos a graça atraindo para o seu puríssimo seio o Verbo Eterno de Deus:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>És&nbsp;um horto cerrado, minha irmã, minha noiva, uma nascente fechada, uma fonte selada.</em></p><cite><em>(Ct&nbsp;4, 12)</em></cite></blockquote>



<p>Agora vejamos como o Anjo prosseguiu seu anúncio:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.&nbsp;</em></p></blockquote>



<p>Vejam que trecho impressionante! O Anjo do Senhor revela a Maria Santíssima o Nome do Salvador, e com isto encerra o ciclo de um mistério muito grande, guardado zelosamente por Deus desde toda a Eternidade. Creio que até aquele momento somente&nbsp;aos&nbsp;Santos Anjos&nbsp;tinha sido dada tal ciência. Digo isto tendo em mente o fato óbvio de que Deus age por muitos caminhos desconhecidos, e sendo Ele o Senhor do Universo, nada o impedia de ter revelado o sacrossanto&nbsp;mistério&nbsp;da Santíssima Trindade a alguns de seus escolhidos mais diletos que precederam a encarnação do Verbo. Não podemos concluir coisa semelhante quando Cristo diz que Abraão viu o seu dia e se alegrou? Especulações, especulações&#8230;</p>



<p>A revelação do Nome de Jesus é&nbsp;algo de suma&nbsp;importância porque, até então, o Nome de Deus era um verdadeiro mistério para o povo judeu. Moisés, estando no monte&nbsp;Horeb, viu uma sarça envolta em chamas que não era consumida pelo fogo. Aproximando-se do curioso objeto, ouviu Deus lhe chamando. O Senhor prometeu a Moisés que libertaria o povo de Israel da escravidão do Egito, e disse-lhe que era ele o escolhido para dizer ao faraó que libertasse os escravos. Moisés, desconfiando de sua própria fraqueza e antevendo os percalços da empresa, perguntou a Deus o que diria aos israelitas quando&nbsp;estes&nbsp;perguntassem qual era o nome da divindade que o havia enviado.&nbsp;Deus então respondeu a Moisés:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Eu sou aquele que sou</em><strong><em>.</em></strong></p><cite><em>(Ex 3, 14)</em></cite></blockquote>



<p>Ó, profundidade dos mistérios de Deus!&nbsp;Oxalá soubessem&nbsp;os grandes sábios da terra que o Deus Vivo e Verdadeiro se manifestou na história como sendo o próprio Ser em essência! Não teria isto impactado desde aquele tempo tudo o que entendemos ser a&nbsp;metafísica de Aristóteles? Sim! O&nbsp;homem é capaz de Deus! Lutero estava errado! A natureza humana não foi corrompida a tal ponto de não poder conhecer a verdade pela luz da razão natural!&nbsp;A&nbsp;razão não é uma prostituta! Sim! A&nbsp;sabedoria humana é capaz de&nbsp;conhecer&nbsp;o ser! A razão humana é capaz de Deus! Aleluia!</p>



<p>Desculpe-me, meu querido irmão, por este rompante de&nbsp;alegria. Eu simplesmente não consigo conter&nbsp;tais impulsos! Ah! Quem me dera eu possuísse uma centelha da sabedoria de um Santo Tomás para ser capaz de ocupar-me muito mais&nbsp;de&nbsp;tão sublime contemplação!</p>



<p>O nome que Deus revelou a Moisés é descrito pelo tetragrama YHWH, que se parece com a expressão “eu sou” em hebraico. Não entendo muito bem sobre o assunto, mas sei que&nbsp;muitos&nbsp;especialistas, como o Papa Bento XVI, afirmam que o tetragrama é um nome incompleto. Veja o que este mesmo teólogo diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>O nome do Sinai [YHWH], que ficou por assim dizer incompleto [&#8230;].</em></p></blockquote>



<p>O Nome de Jesus dá ao tetragrama o seu sentido completo,&nbsp;significando Deus salva. Diz o Papa Bento XVI que o nome que antes tinha ficado incompleto é agora revelado na sua totalidade. Continua dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>O Deus que é, é o Deus presente e salvador. A revelação do nome de Deus, que começou na sarça ardente, é completada em Jesus.</em></p></blockquote>



<p>Temos aqui então uma primeira revelação: Jesus Cristo é Deus.</p>



<p>Isto pode parecer óbvio, mas você já parou para pensar na audácia de nossa Fé? Jesus é Deus! Deus assumiu a forma humana, tornando-se igual a nós em tudo, exceto no pecado! O Deus Todo-Poderoso, Deus de Deus,&nbsp;luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, Aquele que é exaltado acima de&nbsp;todos, Aquele&nbsp;que tem todo o domínio, honra, glória e poder, Aquele que com um&nbsp;ato de vontade criou os Céus,&nbsp;a Terra e tudo o que neles há, Aquele que sustenta todas as coisas pelo seu sumo poder, Aquele para quem nada está em segredo, Aquele que não cabe em palavras humanas, Aquele a quem ninguém pode conhecer com toda a perfeição&nbsp;fez-se homem!</p>



<p>Ah, meu querido irmão! Você tem idéia de quantas pessoas já perderam a vida por confessar tão sublime verdade? Você tem noção no ódio que semelhante declaração produz no inferno, pelo que o diabo move tudo quanto lhe é possível para calar a boca aos que professam esse mistério? Ou você não sabe que os demônios nem sequer podem confessar que Cristo assumiu a forma humana (1Jo&nbsp;4, 1-2)?</p>



<p>Talvez&nbsp;tenha sido&nbsp;no sublime momento da anunciação que Maria Santíssima tomou conhecimento&nbsp;do&nbsp;duplamente santo mistério: Deus é Pai, é Filho e é Espírito Santo. Veja o que lhe disse o Anjo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus [</em><strong><em>Pai</em></strong><em>]. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado&nbsp;</em><strong><em>Filho do Altíssimo</em></strong><em>&nbsp;(&#8230;). O&nbsp;</em><strong><em>Espírito Santo</em></strong><em>descerá sobre ti (&#8230;).&nbsp;</em></p><cite><em>(Lc&nbsp;1, 30-35)</em></cite></blockquote>



<p>Digo talvez porque é bem possível que Maria Santíssima, sendo portadora de santidade tal que a todos os anjos excedia desde a sua Imaculada Conceição, e tendo sido dotada do uso da razão desde que foi concebida no ventre de sua mãe, poderia muito bem ter conhecimento do sacrossanto mistério&nbsp;da Trindade Santa&nbsp;desde muito antes.</p>



<p>Pois bem, que reflexão cabe diante do mistério do Nome de Deus que a nós é revelado em Cristo Jesus?</p>



<p>Devemos antes de tudo compreender o que significa um nome, e poucos há que o façam.</p>



<p>Infelizmente,&nbsp;fogem-me&nbsp;no momento as referências bibliográficas para lhes explicar de onde tirei o que passarei a dizer, e até mesmo por isso estarei sujeito a imprecisões. Portanto, peço condescendência de agora em diante, e também que me corrijam os versados em filosofia para que eu faça os ajustes necessários no futuro.</p>



<p>Quando&nbsp;Deus criou o homem, deu-lhe a terra e tudo o que nela há para que a trabalhasse e contemplasse a criação. Neste&nbsp;<em>ora&nbsp;</em><em>et</em><em>&nbsp;labora</em>, ofereceria o homem culto a Deus, unindo-se cada vez mais a Ele pelos laços da Caridade, até que chegaria o momento&nbsp;em que&nbsp;o Senhor concederia ao homem o dom da visão beatífica, fazendo-o participante de uma felicidade ainda mais perfeita do que a que possuía no paraíso terrestre.</p>



<p>No livro do Gênesis está relatado que Deus, após ter criado o homem, levou as criaturas a sua presença para ver como o homem&nbsp;as&nbsp;haveria de chamar. Continua dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>[&#8230;] e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos,&nbsp;</em><strong><em>esse é o seu verdadeiro nome</em></strong>.</p><cite>(Gn&nbsp;2, 19)</cite></blockquote>



<p>Note bem o que está sendo dito nesta passagem. Tudo aquilo que foi criado por Deus possui um nome próprio, um nome que Deus conhece em sua infinita sabedoria. Ao homem foi dada inteligência para que conhecesse, no uso da razão natural, o nome das criaturas que&nbsp;lheforam submetidas por Deus.</p>



<p>E o que é o nome no mais profundo sentido do termo? É a&nbsp;expressão intelectual daessência de um ser. Se possuíssemos a mesma inteligência de Adão, compreenderíamos as coisas de modo muito diferente. Ouvindo falar sobre um cachorro só pelo nome, não precisaríamos ver um cachorro ou pedir que nos explicassem o que ele é. O nome por si&nbsp;(que não seria “cachorro”)já&nbsp;expressaria&nbsp;a essência daquela criatura, e ela seria perfeitamente compreensível.</p>



<p>Infelizmente no Brasil perdemos essa noção mais acurada do que significa um nome, porque na maioria das vezes as crianças são batizadas pelo critério da moda. Os nomes são atribuídos de modo aleatório, sem pensar no que significam.&nbsp;Nem sempre foi assim. Na&nbsp;verdade, não faz muito tempo que se deu&nbsp;início a este processo que acabou&nbsp;por prejudicar de modo formidável a inteligência.&nbsp;</p>



<p>Para saber mais sobre isso, assista ao&nbsp;vídeo intitulado&nbsp;<em>Top 15 Baby&nbsp;</em><em>Names</em><em>&nbsp;in US&nbsp;</em><em>from</em><em>1880 to 2019&nbsp;</em>no&nbsp;<em>YouT</em><em>ube</em>.&nbsp;É um vídeo rápido e você não precisa saber nada de inglês para entendê-lo.&nbsp;Você vai perceber que até 1920 os nomes mais comuns com que as crianças eram batizadas eram&nbsp;<em>Mary&nbsp;</em>(Maria) e&nbsp;<em>John&nbsp;</em>(João), porque as pessoas tinham a consciência de que era necessário dar aos filhos nomes que indicassem virtudes evangélicas ou que homenageassem os santos. Esta seleção se mantém estável até a ascensão vertiginosa da cultura&nbsp;<em>pop</em>&nbsp;americana, no qual vemos que a cada ano o nome preferido para&nbsp;o batismo das crianças muda&nbsp;conforme o&nbsp;nome&nbsp;artista que está em alta. Você tem idéia de quantos&nbsp;<em>Michaels</em><em>&nbsp;</em>foram registrados nos Estados Unidos durante o tempo em que&nbsp;<em>Michael Jackson&nbsp;</em>figurou como o artista mais influente da nação? Você pode imaginar quantos&nbsp;Enzos&nbsp;e quantas&nbsp;Valentinas&nbsp;foram&nbsp;registrados&nbsp;no Brasil&nbsp;nos últimos anos pelo simples fato de que tais nomes “pegaram” nas redes sociais?</p>



<p>Esse é um dos pontos que reflete a decadência de nossa civilização.&nbsp;Como é triste verque&nbsp;nós, que trouxemos um modo de vida civilizada aos índios, hoje perdemos uma compreensão que eles já tinham antes&nbsp;mesmo de conhecerem a civilização, pois nem mesmo os índios atribuíam nomes aleatórios aos seus filhos.</p>



<p>Embora tenhamos perdido essa ciência, Deus sabe a sua importância, pois criou o homem para a contemplação, e o objeto da contemplação é justamente aquilo que conhecemos do ser contemplado, ou seja, seu nome. E é por isso que é tão importante o segundo mandamento da Lei de Deus (não pronunciar o Nome do Senhor&nbsp;em vão).</p>



<p>O que Deus nos deu a conhecer sobre Si é o seu Santo Nome, e o compreenderemos de modo ainda mais perfeito quando alcançarmos o Céu. Deus é espírito.&nbsp;A Divina Essência não pode ser&nbsp;vista&nbsp;com os olhos&nbsp;da carne.&nbsp;E isto também é verdade&nbsp;quando falamos de Jesus Cristo, que reina glorioso no Céu em corpo, sangue, alma e divindade. Se não fosse assim, todos os que o viram em sua&nbsp;forma humana&nbsp;teriam crido.</p>



<p>Em Cristo, o Nome de Deus nos foi plenamente revelado, tanto quanto nos é possível saber por meio da Fé. E como Deus se revela a nós, até que o possuamos de modo perfeito na glória?&nbsp;Ele se revela como&nbsp;Deus salva. Sim, meu irmão, o&nbsp;nosso&nbsp;Deus é salvação.</p>



<p>Olha agora para o ventre de Maria Santíssima. Vê que dentro dela Deus se fez pequeno, fraco e humilde. Fez isto por amor de você. Sem isto, ainda que você visse a sarça ardendo e Deus lhe declarando amor infinito, não seria suficiente. Então Ele quis aniquilar-se a si mesmo por amor de você. Ele não precisava de nada disso. Ele nada deve a mim ou a você. Ele nos criou por pura bondade e nós o ofendemos. Mesmo depois de termos conhecido a salvação e recebido os Sacramentos, tornamos a ofendê-lo.</p>



<p>E você? Como vai responder a isso de agora em diante?</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao&nbsp;apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Mais confissões de um ex-protestante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jun 2021 18:26:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Mais confissões de um ex-protestante" decoding="async" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/06/Mais-confissoes-de-um-ex-protestante-1536x864.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Olá, meu caro leitor. Sob os protestos de minha esposa, darei continuidade ao artigo publicado na semana passada. Ela (talvez com razão) me diz para continuar a série sobre o Santo Rosário, mas a quantidade de reflexões a que fui levado pela meditação daquele trecho do Evangelho de São João me impele a falar um [&#8230;]</p>
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<p>Olá, meu caro leitor. Sob os protestos de minha esposa, darei continuidade ao artigo publicado na semana passada. Ela (talvez com razão) me diz para continuar a série sobre o Santo Rosário, mas a quantidade de reflexões a que fui levado pela meditação daquele trecho do Evangelho de São João me impele a falar um pouco mais sobre o assunto.</p>



<p>Uma coisa interessante que percebi somente depois de terminado o primeiro texto é que o título veio bem a calhar. Esse modo de escrever, intercalando memórias e reflexões com preces dirigidas a Deus é muito próprio das Confissões de Santo Agostinho. Quando eu era protestante, tinha o hábito saudável de escrever um diário, e mesmo sem fazer idéia de quem era Santo Agostinho, escrevia do mesmo modo naquela época. A única diferença para os textos que escrevo hoje em dia é a quantidade de “aleluia” e “glória a Deus”.&nbsp;</p>



<p>Ah, se eu soubesse o que estava diante de mim quando uma pessoa apareceu com um livro de Santo Agostinho sugerindo-me que o lesse! Levado pelo temor de ofender a Deus lendo uma obra católica, recusei a oferta. Talvez as coisas tivessem sido bem diferentes se eu houvesse entendido o convite de Deus naquele dia.</p>



<p>Mas não se chora pelo leite derramado. Deus foi bom e com sabedoria me trouxe para a casa Passemos então às confissões.&nbsp;</p>



<p>Uma das coisas que reflito até hoje é como um protestante tem certeza sobre tudo, resposta para tudo. Algo semelhante eu vi apenas no curso de Direito. Para você ter idéia do grau de certeza sobre tudo que tem um protestante pentecostal, pergunte-lhe se está certo da própria salvação. Mesmo os que estão afastados da religião dizem que serão salvos, porque um dia vão voltar para a igreja. Ah, se eles soubessem o que significa pecar por excesso de esperança! Ah, se eles soubessem que isso é pecado contra o Espírito Santo!</p>



<p>Por mais que as Escrituras deixem claro que o homem padece de uma profunda ignorância, eu sempre encontrava uma resposta pronta para todas as objeções que eram opostas às minhas crenças. Procedia desse modo porque julgava ser uma obrigação moral ter essa certeza. Não preciso aqui dizer que o que eu possuía não era Fé, mas uma crença (e muito fraca, diga-se de passagem).&nbsp;</p>



<p>Mas eu percebia que isso não era uma particularidade minha. Todas as pessoas que partilhavam daquelas crenças agiam do mesmo modo. Aliás, foi com elas que aprendi a ser assim. Quantas vezes eu não ouvi (e quantas outras não declarei) que o cristão tem que estar certo de sua própria salvação? Havia verdadeiro repúdio pela expressão “não sei” em matéria de crença.&nbsp;</p>



<p>Lembro-me do dia que tomei consciência desse mal. Eu estava disputando com protestantes sobre um determinado assunto, estando já nessa época afastado da religião. Em determinado momento, a pessoa que comigo debatia perguntou-me como eu podia explicar determinada coisa à luz de minha nova teoria. Eu lhe disse que não sabia. Por incrível que pareça, a pessoa tomou a resposta como um triunfo de sua suposta verdade. Ela não deve ter percebido que eu declarei ignorância não como quem se dá por vencido, mas como quem admite um desconhecimento com paz de espírito.</p>



<p>Hoje eu sei que se eu espremer aquelas mesmas pessoas como um limão, elas terão que se dar por vencidas e declarar ignorância em muitas matérias, ou acabarão por dar respostas incoerentes com declarações anteriores. Antes eu não podia agir de tal modo, pois não tinha o mesmo conhecimento que tenho hoje. Também é verdade que se hoje eu for espremido como um limão por pessoas que entendem muito mais do que eu, terei de confessar ignorância. Mas há duas diferenças: a primeira é a de que eu já aprendi que a ignorância é uma das penas que deverei suportar até o fim dessa vida, e a segunda é a de que a Fé bem fundada não é abalada por coisas desse tipo.</p>



<p>Uma das lições mais valiosas que uma pessoa deve aprender é lidar com a própria ignorância. A quantidade de coisas que são ignoradas é muito, muito maior do que o número de coisas conhecidas. Estamos falando sobre mistérios de Fé, mas não precisamos ir tão longe para compreender isso. Uma das coisas que mais mata no Brasil é acidente de trânsito. Só no ano de 2020, cerca de 29.200 pessoas morreram em decorrência disso. Acidentes de trânsito são ocasionados por diversos fatores (falhas nos veículos, distrações, imprudência, erros humanos etc.). Acontece que as pessoas suportam todos os dias os riscos do trânsito, mesmo não sabendo se serão a próxima vítima. Veja que estamos falando de um dano muito grave, que é a perda da vida! Qualquer um sabe que pode ser a próxima vítima mesmo sendo uma pessoa cautelosa na direção; compreende que não tem como controlar a totalidade dos fatores. Você já deve ter percebido que esse raciocínio não se aplica somente ao trânsito.</p>



<p>Como alguém pode viver tranquilamente sabendo que pode ser a próxima vítima de acidentes (ou incidentes) letais? A maioria das pessoas nunca pensa nisso porque é natural que as coisas sejam desse modo. Quem se prender a esse pensamento não fará mais coisa alguma. Se todos adotarem esse mesmo princípio, a humanidade será extinta. Então é óbvio que existe desordem na falta de ação por medo de algo que é inevitável.&nbsp;</p>



<p>Estou dizendo isso apenas para provar como é grande a capacidade do ser humano em lidar com a ignorância, e como isso não o impede de viver e desfrutar do que há de bom na vida. Não é razoável que o mesmo se dê com o conhecimento que temos das coisas espirituais? Como pode alguém falar que Deus é um Deus de mistérios se não se comporta segundo essa verdade diante da própria ignorância? Como pode alguém pretender uma resposta para todas as objeções? O resultado dessa atitude é o abandono de Deus, porque a pessoa concebeu um arcabouço de idéias que tenta explicar todas as coisas, o que é impossível. A realidade irá mostrar que essas idéias são falsas, e então a pessoa só poderá escolher um dos três caminhos de que falarei.</p>



<p>O primeiro é a negação da realidade. Esse pecado é muito sério. Deus é a verdade, e a verdade se manifesta antes de tudo na realidade. No caso dos seres humanos, estamos literalmente falando da realidade sensível. Nossos pensamentos só são possíveis porque temos contato com as coisas percebidas pelos sentidos. É a partir desses dados que o intelecto opera. Não nego que Deus possa conceder a uma pessoa a experiência inexprimível de sua presença e até mesmo da chamada inabitação trinitária. Mas é fato que Ele mesmo, conhecedor de todas as realidades visíveis e invisíveis, manifesta-se a nós por meio de sinais visíveis. Nós somos seres humanos, é natural que seja assim. Se fosse de outro modo, julgaríamos Deus como imperfeito por nos ter aprisionado em uma matéria que não serve para nada. Se a matéria fosse intrinsecamente má, Deus seria imperfeito por tê-la criado, e mais ainda por ter assumido a matéria quando criou para si um corpo humano.</p>



<p>Há uma coisa que tenho percebido nos últimos anos: é pela negação da realidade que as pessoas se tornam loucas. Não digo isso pejorativamente. Falo sobre loucura clínica que exige tratamento especializado!</p>



<p>O segundo caminho é o abandono de Deus. Certas pessoas por verem derrubados um tijolo do edifício que construíram ao longo dos anos, julgam que tudo está perdido. Revoltam-se contra Deus, e em pouco tempo manifestarão seu ódio por Ele, mesmo sabendo lá no íntimo que Deus existe e que julgará os vivos e os mortos. Acontece que esse ódio teve início em uma frustração com uma coisa que não é Deus! A pessoa mete idéias erradas na cabeça pela fraqueza de sua Fé e depois fica revoltada quando a realidade a desmente! Veja que grande injustiça decorre de não aceitar com paz e humildade a própria ignorância!&nbsp;</p>



<p>Aqui novamente eu vejo a associação entre Cristo e a Igreja. Esta é desprezada pela maioria das pessoas não por aquilo que ela realmente é, mas por aquilo que acreditam que seja. Todas, absolutamente todas as pessoas que eu conheci e que desprezam a Igreja não a conhecem. Os protestantes que conhecem a Igreja não a desprezam de modo algum; são pessoas que têm respeito pela verdade.</p>



<p>Sobre o terceiro caminho já falamos. Grave no seu coração que a ignorância deve ser aceita com paz e humildade. É necessário muita paciência para lidar com ela. É preciso ter confiança para deixar o assunto de lado, suspender o juízo, pedir a Deus luzes para bem compreender as coisas e procurar alguém de critério para conversar, sabendo que mesmo assim pode não ser possível alcançar uma resposta.</p>



<p>Mas antes de tudo a pessoa deve se saber se há um verdadeiro estado de ignorância ou um erro induzido. Isto acontece muito! Nós pensamos que os erros que se espalham no mundo são causados somente pela ignorância. Nada mais falso! Os grandes erros têm origem na malícia. Veja o caso de Karl Marx. Muitos podem pensar que ele cometeu um equívoco. Pensam que ainda que isso tenha resultado em milhões de mortes, foi um equívoco. No entanto, os estudiosos do assunto declaram que Marx não se enganou de modo algum. Ele sabia o que estava fazendo. Uma das evidências é que ele falseava estatísticas em suas obras para adequá-las às teorias que pregava. Nós nunca podemos desprezar o nível da malícia dos filhos do maligno. A mentira descarada é muito mais comum do que imaginamos. É verdadeiro o adágio que diz que uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade.</p>



<p>Ainda esses dias eu estava explicando para um irmão que a superpopulação mundial é um mito. Os adeptos da contracepção falam em quase 8 bilhões de pessoas como se fosse um problema, mentindo descaradamente quando dizem que o planeta Terra não pode suportar todo esse contingente. Se você acredita nisso, eu sugiro que faça uma conta bem simples. Tome o número total de habitantes do Brasil e divida por quatro, para saber mais ou menos quantas famílias existem em nosso país (a média de filhos por casal no Brasil não chega a 2). Agora tente colocar todas essas famílias em um território do tamanho do Estado de São Paulo e veja quantos hectares dariam por família. Depois que se assustar com a quantidade de terra disponível, faça projeções para o resto do mundo, e você vai entender o que eu estou falando.</p>



<p>Esse tipo de engano prejudica a Fé? Mas é claro que sim! Tal mentira coloca em cheque o ensinamento da Igreja de que a maioria das formas de controle de natalidade são imorais e gravemente pecaminosas! Se você se deixa levar por esse tipo de mentira, não tendo a devida paciência para estudar bem as coisas, acabará abandonando a Fé ou vivendo em pecado. Em ambos os casos o diabo já lucrou uma alma. É simples assim.</p>



<p>No entanto, pode ser que a pessoa perceba que realmente estava enganada, pois os fatos que baseiam os argumentos contrários são verdadeiros, e os raciocínios são validamente lógicos, partindo de premissas corretas. Neste caso, a pessoa deve aceitar humildemente o erro, retificar se for preciso e dar graças a Deus por ter se dignado a iluminar as trevas de seu entendimento.</p>



<p>Meu caro irmão, a humildade é a verdade. Essa declaração profunda feita por Santa Teresa D’Ávila é um manancial de meditações. Sob certo ponto de vista, a doutora está nos dizendo que sem humildade não se pode alcançar a verdade, ao passo que também está dizendo que humilde é aquele que sabe a verdade sobre si mesmo. Então tomemos consciência de nossa ignorância, sobretudo em matéria de Fé. Esforcemo-nos por conhecer tudo aquilo que a Igreja ensina como sendo de Fé, mas saibamos que mesmo os dogmas abarcam uma parcela ínfima da realidade invisível, e muito provavelmente só tratam daquilo que é indispensável para que as pessoas não incorram em erros que lhes custem a salvação eterna.</p>



<p>Certa vez, pedi a um Professor por quem tenho grande estima que me esclarecesse algumas coisas sobre o protestantismo. Em determinado momento, ele disse de modo muito incisivo que o protestantismo é a religião da soberba. Eu refleti muito sobre isso, e permaneço refletindo passados já quase dois anos. Cada vez mais vejo que é verdade. Seria custoso relatar para você todas as minhas memórias que confirmam isso, mas posso garantir que é assim mesmo.</p>



<p>Bem por isso tenho pena dos meus irmãos católicos que são visivelmente soberbos, principalmente os que se arrogam exímios conhecedores do magistério da Igreja. O olhar de altivez, a ironia, as falas de menosprezo&#8230; Tudo isso me recorda o que vi e vivi no convívio com os protestantes. Eu tenho pena porque Deus tem um modo muito severo de tratar os soberbos. Ele odeia a soberba mais do que tudo! Não há palavras para exprimir como ela o ofende! O remédio e a pena para a soberba é a humilhação. Então Deus, seja para salvar, seja para punir o soberbo, permite com que ele seja humilhado. Quão amargo o remédio que esses irmãos terão que tomar para se verem curados dessa pecha abominável!</p>



<p>Voltando ao assunto principal, tenho um relato interessante que demonstra o que eu disse até aqui. Certa vez, quando eu era ainda protestante, foi jogado na mesa o assunto da teoria da evolução. A esposa do pastor fez pouco caso, dizendo que era absurdo supor que o homem veio do macaco. Eu já havia estudado o assunto e lido A Origem das Espécies de Charles Darwin de cabo a rabo; eu sabia que tal afirmação era desonesta. Tomei a palavra e disse que na verdade a teoria supõe que o homem e o macaco têm um ancestral comum, e não que o homem procede do macaco. Nunca vou me esquecer da resposta que ouvi: “ah, é tudo a mesma coisa”.&nbsp;</p>



<p>Entenda isto, meu caro irmão: para mim é evidente que a teoria da evolução é errada, e não por motivos de Fé, mas por motivos científicos. No entanto, isso não me dá o direito de mentir a respeito dela e obstinar-me na mentira, ainda que motivado pela defesa da Fé. Esse fato me marcou muito e contribuiu para o enorme desprezo que passei a ter pela religião cristã quando a abandonei. Para mim, o cristianismo havia se tornado uma religião de covardes que tinham medo da verdade, movidos única e exclusivamente pelo temor de receberem a punição eterna.</p>



<p>Ah! Se eu apenas tivesse aceitado ler aquele livro de Santo Agostinho&#8230;&nbsp;</p>



<p>Eu já demonstrei como aquelas passagens do Evangelho de São João me levaram a refletir que o que Jesus sofreu em seu tempo continua a sofrer hoje por meio de seu Corpo que é a Igreja, de modo que interpreto o apelo de Jesus Cristo aos judeus como um apelo da Santa Igreja a todos os incrédulos. De fato, nega a realidade aquele que diz crer em Jesus sem antes ter acreditado na pessoa que lhe comunicou o Evangelho.</p>



<p>Se é verdade que só podemos obter a salvação pela Fé em Jesus Cristo, é verdade que só podemos obter a salvação por meio da Santa Igreja Católica, que é o Corpo de Cristo que continua a agir na história. Quando Cristo diz que é o caminho, está a dizer que sua humanidade é a ponte que conduz o gênero humano à divina essência; a união hipostática é o símbolo disso, porque nela a humanidade e a divindade se unificam, de modo que as duas coexistem perfeitamente em uma mesma pessoa sem anularem-se mutuamente. É um verdadeiro mistério, um grande mistério! Sabemos que é assim porque cremos na Igreja, mas vemos isso como uma imagem em um espelho embaçado. Não é por acaso que, no mesmo discurso em que Cristo se refere a si mesmo como “o caminho”, ele também diz “o Pai e eu somos um”, e também que os discípulos serão um com ele, assim como ele é um com o Pai. Humanidade e divindade unidas por um verdadeiro milagre feito pelo Espírito Santo!</p>



<p>Mas os protestantes levantam objeções em relação a isso. Para eles, essa doutrina é idolátrica por dois motivos: divinização do homem pecador e usurpação do lugar de Cristo pelos homens (a Igreja Católica é para eles apenas uma instituição humana, quando não demoníaca).</p>



<p>À primeira objeção respondo que a divinização do homem não é idolatria, mas a Fé dos Apóstolos. Cristo disse nessa mesma ocasião que a Igreja faria obras maiores do que as dele. As obras de Cristo são obras divinas, pois ele mesmo disse que são feitas pelo Pai. A diferença é que Cristo é verdadeiro Deus, ao passo que os homens não. No entanto, a união da alma com Deus pelas virtudes da Fé, Esperança e Caridade faz com que o homem proceda divinamente, movido livremente pela vontade do Espírito Santo. É por isso que se fala em divinização do homem. O Apóstolo quis dizer isso ao declarar que já não era mais ele que vivia, mas Cristo. Uma pessoa divinizada não é uma pessoa divina. Divinas são somente as pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Elas são divinas desde toda a eternidade. Não passaram de um modo de ser para o outro, portanto seria incorreto referir-se a elas como divinizadas. Uma pessoa divinizada é uma pessoa que, por livre e espontânea vontade, em tudo procede para a maior glória de Deus, segundo o modo pelo qual Ele mesmo quer ser glorificado por meio dela. Os anjos e os seres humanos foram criados para serem divinizados. Nisso consiste a perfeita felicidade para a qual a Santíssima Trindade os criou por pura bondade.</p>



<p>À segunda objeção responderei em um artigo futuro.</p>



<p>Meu caro irmão, sei que todas as coisas que escrevo nesses artigos não são novidades para você, mas meditar essas coisas nos fazem ver diferenças fundamentais que existe entre a verdadeira Fé e todas as demais crenças no mundo. Como diz o Padre Paulo Ricardo: “é lindo ser católico!”. A Igreja é uma fonte inesgotável de sensatez, amor pela verdade, virtude, caridade, presença de Deus.&nbsp;</p>



<p>Realmente, <strong>é lindo ser católico!</strong></p>



<p>Peço para você a caridade de falar sobre esses artigos comigo pelo <em>Instagram </em>(<a href="https://instagram.com/aduccineto" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@aduccineto</a>). Eu realmente preciso saber se tenho entregado um conteúdo de valor para vocês, e se esses <em>pit stops </em>que faço no meio do caminho são aceitáveis. Também preciso saber se vocês gostariam que eu aumentasse a freqüência das publicações ou que tratasse outros temas. Enfim, irmão, a sua opinião é muito valiosa para que eu possa orientar meus passos futuramente.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Confissões de um ex-protestante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jun 2021 16:19:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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<p>Uma das lições mais importantes que aprendi nos últimos anos foi a de ler as Sagradas Escrituras como quem quer ouvir Deus que fala na intimidade do coração. Todas as vezes que abro a Bíblia, faço-o na Fé de Cristo está ali presente tentando me comunicar o que me é necessário naquele momento, e sei [&#8230;]</p>
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<p>Uma das lições mais importantes que aprendi nos últimos anos foi a de ler as Sagradas Escrituras como quem quer ouvir Deus que fala na intimidade do coração. Todas as vezes que abro a Bíblia, faço-o na Fé de Cristo está ali presente tentando me comunicar o que me é necessário naquele momento, e sei que se meditar com diligência ouvirei essa doce voz que me pede mudança de vida.</p>



<p>Um das coisas que me deixa aflito quando leio a Bíblia é a incredulidade dos judeus. Sabemos a história de cor e salteado: Cristo veio ao mundo fazendo só o bem, mas as pessoas não creram nele.&nbsp;</p>



<p>O que me deixa aflito é saber que Cristo dirige aquelas palavras para mim. Quando Cristo diz “homem de pouca Fé”, é para mim que está dizendo. É fácil julgar São Pedro pensando: “Como pôde ele ter duvidado quando Cristo lhe disse que descesse da barca e fosse andando até ele por cima das águas?”. A verdade é que eu também fraquejaria na confiança.</p>



<p>Por vezes é bom tentar compreender a perspectiva dos incrédulos daquele tempo. Esse exercício que pode parecer perigoso é na verdade benéfico. O Espírito Santo inspirou as Escrituras justamente para que tomássemos conhecimento daquilo que Cristo quer dizer a nós, aqui e agora. É por isso que temos que tomar como dirigidas a nós todas as advertências que Cristo deu aos seus discípulos, ao povo que o ouvia e até mesmo aos seus inimigos.&nbsp;</p>



<p>Fazer isso é também um exercício de humildade, pois por ele se adquire a consciência de que a Fé sempre foi e sempre será um desafio. Hoje olhamos para trás e vemos, após dois mil anos, que Cristo falou a verdade. Acontece que naquele tempo, era necessária uma confiança muito mais irrestrita. É só por um milagre do Espírito Santo que os discípulos creram e que os primeiros cristãos acreditaram no anúncio dos apóstolos.</p>



<p>Penso muito em meu tempo de protestante, e hoje vejo como eu era um verdadeiro incrédulo. Eu não conseguia ver o que estava debaixo do meu nariz! As Sagradas Escrituras dizem que a causa da incredulidade é o pecado, pois quem vive no erro não se aproxima da verdade para que ela não denuncie que procede erroneamente (Jo 3, 20). Isso é verdade, pois o pecado é a causa de todo o mal.&nbsp;</p>



<p>No entanto, a análise é mais complexa quando verificamos as causas imediatas da descrença. Muitos não creram em Jesus porque não encontravam em sua história o que os profetas disseram a respeito do Messias. Os Evangelhos relatam que as pessoas indagavam como poderia ser Jesus o Messias se estava escrito que este viria de Belém, ao passo que Jesus vinha da Galiléia. O entendimento era correto, pois de fato o Messias viria de Belém. Eles apenas não sabiam que Jesus nasceu em Belém.&nbsp;</p>



<p>Outro obstáculo muito difícil para eles era o fato de Cristo afirmar a própria divindade. Os Evangelhos relatam que algumas vezes os judeus tentaram matá-lo antes do tempo por conta disso. Chegaram até a pegar em pedras para levar a cabo o intento, e isso sem qualquer julgamento, tamanho o ódio que aquela afirmação despertava em seus corações. Era muito difícil para os judeus aceitarem a idéia de um homem divino. Para eles, Cristo blasmefava quando se passava por Deus, e eram idólatras todos aqueles que lhe prestavam culto.&nbsp;</p>



<p>Quando eu era protestante, poderia responder a essas objeções tranquilamente, mas não posso dizer o mesmo de várias outras, como aquela que se sucede à fala de Jesus sobre a Eucaristia no capítulo 6 do Evangelho de São João. Eu, tal como os discípulos que abandonaram Cristo naquele momento, considerava aquele discurso muito duro, e apelava para a interpretação alegórica. Afinal, “como pode um homem nos dar de comer a sua própria carne” (Jo 6, 52)? Eu não conseguia perceber que Jesus Cristo não fez caso de explicar nada, deixando com que muitos discípulos o abandonassem. Eu não podia ver que isso contrariava o método pedagógico de Cristo. Nosso Senhor sabia que aquelas homens eram ignorantes e quase incapazes de entender uma metáfora. Com efeito, o Senhor várias vezes explicou aos discípulos quando algo ficava mal entendido, dizendo-lhes em que consistia as metáforas que estava usando (Mt 6, 7). Mas dessa vez Cristo não explicou nada e deixou todos debandarem. A coisa era tão literal e séria para Jesus que ele desafiou os discípulos sem dó nem piedade: “quereis também retirar-vos?” (Jo 6, 67). É evidente que não se trata de uma figura de linguagem. Mas também eu não podia com esse discurso tão duro.</p>



<p>Há alguns dias eu estava lendo o capítulo 5 do Evangelho de São João e acabei por me deparar com uma dessas passagens que me fazem ficar perplexo com a minha própria ignorância.&nbsp;</p>



<p>A história começa com Jesus curando um enfermo na piscina de Betesda em um dia de sábado. Jesus ordenou que ele tomasse o leito e caminhasse. O homem, que estava enfermo há trinta e oito anos, sendo provavelmente um coxo ou paralítico, levantou-se imediatamente e saiu a caminhar carregando seu leito. Os judeus repreenderam o pobre homem porque carregar o leito era trabalho proibido no sábado. O homem então deu testemunho de Jesus, dizendo que aquele que o havia curado havia lhe dito que carregasse também o leito. Os judeus, tendo questionado Jesus por que fazia o que era proibido no sábado, receberam a seguinte resposta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Meu Pai continua trabalhando e eu também trabalho.</p><cite>(v. 17)</cite></blockquote>



<p>Os judeus ficaram indignados porque entenderam bem o recado. Aquele homem estava dizendo que possuía os mesmos direitos que Deus. Para possuir os mesmos direitos de Deus, deve a pessoa ser divina. Quando Jesus diz de si mesmo ser o Filho de Deus, está dizendo justamente que partilha da natureza divina. Um simples raciocínio prova isso: o filho da pata é um pato, o filho da gata é um gato, o filho da mulher é um ser humano, e o filho de Deus é Deus. A natureza é a mesma. Mas Deus só há um, como dizem as Escrituras, pelo que entenderam os judeus (e acertadamente, diga-se de passagem) que Jesus Cristo estava dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu sou um ser divino. Portanto, possuo as mesmas prerrogativas de Deus.</p></blockquote>



<p>É por isso que ao ouvir isso o evangelista relata:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por esse motivo os judeus, com mais empenho, tentavam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas além disso chamava a Deus de seu pai, <strong>igualando-se a Deus</strong> (v. 18).</p></blockquote>



<p>Alguns podem objetar que aceitam que o filho da pata é um pato, mas que o patinho não é a pata. Essa objeção tem a sua razão de ser. Ocorre que no dogma da Santíssima Trindade a pessoa do Filho é totalmente distinta da do Pai. O que por eles é compartilhado é a essência. Como só há uma única essência divina, e essa necessidade pode ser verificada racionalmente, compreendemos (ainda que muito imperfeitamente) como pode haver unidade na Trindade. Mas deixemos esse assunto de lado e continuemos a história.</p>



<p>Como não cressem nisso, Jesus começou a falar sobre sua autoridade e poder, e depois deu provas do que disse apelando aos testemunhos.</p>



<p>Jesus inicia apelando à lei de Moisés, dizendo que se desse testemunho em favor de si mesmo, seu testemunho não seria válido (v. 31). A lei disciplinava a prova testemunhal dentro dos processos judiciais, e nesse ponto era brilhantemente pedagógica (como é próprio de Deus), porque o testemunho é a base de todo e qualquer conhecimento.</p>



<p>Aí entra outra ignorância que eu tinha naqueles tempos. Baseado na passagem que diz que em Deus não há mudança (Tg 1, 17), eu não podia compreender como determinados mandamentos da lei não eram mais seguidos, ao passo que outros ainda eram. Entendia que se o próprio Jesus se colocou sob o jugo da lei, era correto que nós fizéssemos o mesmo, porque a lei é santa (Rm 7, 12). Confesso que na época cheguei até a conjectura a hipótese de que os adventistas estavam certos, mesmo sendo eu pentecostal.&nbsp;</p>



<p>Eu estava errado. Jesus disse aquilo por causa da fraqueza daqueles corações. Deus, apesar de ser imutável, sempre se dispõe a usar o remédio adequado à ferida, de modo que por vezes, em vista da dureza do coração do homem, dá a ele o que é necessário para que salve, ainda que aquilo não seja de todo perfeito.</p>



<p>O testemunho pessoal de Cristo é perfeito, mas ele se humilha e se submete à lei movido por seu imenso amor, para de algum modo tentar ganhar o coração dos homens para Deus.</p>



<p>Cristo deixa essa dimensão bem explicada quando fala sobre a carta de divórcio. O divórcio foi autorizado por Moisés não porque fosse segundo a natureza, mas porque o povo não podia suportar o mandamento da castidade. A verdade é que até hoje as pessoas não podem suportá-lo.</p>



<p>Quando protestante, por exemplo, eu não aceitava a segunda união, mas não por uma interpretação pessoal da Bíblia. Eu não aceitava porque o pastor que me ensinava dizia não concordar com isso, mesmo sabendo que na maioria das igrejas pentecostais o divórcio é aceito em caso de adultério. No entanto, eu aceitava os anticoncepcionais, como a quase totalidade dos protestantes (eu ignorava nessa época que mesmo os protestantes eram contra os anticoncepcionais até a década de 1920).</p>



<p>Essa condescendência de Deus nós também testemunhamos em nossas vidas. Ao olharmos para o passado, para aqueles primeiros erros de nossa conversão, vemos como foi necessário passar por aquilo até que as coisas se ajustassem. Por vezes, quando lutamos muito para adquirir uma virtude, acabamos falhando em outra, como se não fosse possível conciliar as duas, mas vemos que ao final foi possível crescer tanto em uma como na outra, porque a infinita misericórdia de Deus se dispôs a nos perdoar.</p>



<p>Para quem achar que estou falando algum absurdo, digo que se lembre dos padres do deserto que exortavam seus filhos espirituais a bem escolherem qual virtude exercitariam em prejuízo da outra, segundo o estágio espiritual em que se encontravam.&nbsp;</p>



<p>Veja se não é isso mesmo o que Jesus ensina:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Vós enviastes uma delegação para João [o Batista], e ele deu testemunho da verdade. E, embora eu não me apóie em testemunho humano, <strong>digo isso para a vossa salvação</strong> (vv. 33-34).</p></blockquote>



<p>Depois Cristo diz que o verdadeiro testemunho de sua divindade são as obras que ele realiza. Diz também que o próprio Pai é sua testemunha, mas ressalta que o testemunho do Pai não pode ser conhecido por aquelas pessoas, porquanto sua voz nunca foi ouvida e sua figura nunca foi vista (v. 37).&nbsp;</p>



<p>Meditando esse texto, eu percebi a dificuldade que tinha o Senhor Jesus de convencer aquelas pessoas do que dizia. E então percebi que essa mesma dificuldade é enfrentada pela Igreja Católica. No entanto, dei-me conta de que o que existe entre ambas as dificuldades não é somente um paralelo, mas que as duas dificuldades são a mesma coisa, separadas entre si somente cronologicamente. A dificuldade que Cristo teve enquanto viveu conosco pessoalmente é a mesma que ele tem enquanto vive conosco por meio da Igreja.&nbsp;</p>



<p>Explico.</p>



<p>S. Paulo Apóstolo ensina que Cristo e todos aqueles que a ele se uniram pela Fé são um mesmo corpo. É por isso que a Igreja denomina-se a si mesma como o Corpo Místico de Cristo (I Co 12, 17).</p>



<p>Não conseguimos compreender isso com clareza, pois esse corpo não encontra os mesmos limites que um corpo humano, embora este seja um símbolo visível daquele. Se pensarmos em um corpo humano, teremos em nosso esquema imaginário uma cabeça, um pescoço, um tronco, dois braços e duas pernas. Se pensarmos no Corpo Místico de Cristo, não conseguimos a mesma imagem, pois muitos são os braços, muitas são as pernas e todos os demais membros, com exceção da cabeça que é uma só: Cristo. O próprio Cristo também ensina isso quando fala sobre a videira, dizendo ser Ele a videira e nós os ramos.</p>



<p>Para conseguir que fizéssemos parte de sua felicidade, Cristo veio ao mundo e com isso obteve méritos para que a Divina Essência concedesse o dom do Espírito Santo a todos os que crêem. É pelo dom do Espírito Santo que as pessoas são feitas filhas de Deus. Não são filhas por um direito natural. São filhas nascidas da vontade e do amor de Deus. É o mesmo que acontece com uma criança abandonada que cativa o coração de um casal. Essa pobre criança não tem qualquer direito de se chamar filha desse casal, mas uma vez que os dois a amem e resolvam adotá-la, ela passa a se tornar filha.</p>



<p>A Igreja bem denomina o Espírito Santo como “Alma da Igreja”. Entendo por isso o seguinte: a alma é a substância imaterial que anima, isto é, que dá vida e movimento ao corpo. Sem a alma, o corpo do ser humano é um animal irracional como outro qualquer. Mas uma vez que está unido a uma alma imortal, o corpo é parte de um verdadeiro ser humano, capaz de Deus. É assim que uma congregação de pessoas que não esteja animada (palavra derivada de anímico, e não do termo vulgar de animação) pelo Espírito Santo não é verdadeiramente Igreja, mas apenas outra agremiação qualquer que não se diferencia muito de uma ONG ou qualquer sociedade entre duas ou mais pessoas.</p>



<p>É assim que a palavra de Cristo se perpetuou na história humana por meio da Igreja. Sem a Igreja, não há que se falar em conhecimento de Deus, pois Deus não quis se dar a conhecer senão por meio da Igreja que instituiu. Tanto é assim que Cristo passou por esse mundo sem nada deixar escrito. Transmitiu os seus ensinamentos e mostrou aos seus discípulos os sinais que operava. Tendo morrido, ressuscitou ao terceiro dia, e para dar prova do que havia anunciado, apareceu aos discípulos e na frente deles foi elevado ao Céu. Antes de subir, porém, disse-lhes:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Ide por todo o mundo, proclamando a boa notícia a toda a humanidade. Quem crer e for batizado se salvará; quem não crer se condenará (Mc 16, 15).</p></blockquote>



<p>Cristo deixou claro que a Fé que pede dos homens para que se salvem é antes uma Fé na Igreja, naqueles homens que por ele foram enviados para anunciar o Evangelho. Não tem como ser de outro modo. Se não crermos no homem que nos anuncia, como creremos no conteúdo que está sendo anunciado?&nbsp;</p>



<p>Eu estava a milhas de distância dessa compreensão quando era protestante, e hoje vejo que tudo o que eu fazia era negar a realidade e fugir da consciência de mim mesmo. Eu tinha por verdade que a autoridade estava na Bíblia Sagrada. Mas hoje eu vejo que, embora defendesse essa verdade com a boca, na realidade dos fatos eu sempre recorria à autoridade do meu pastor para interpretar as Escrituras. Se me perguntavam qual garantia que eu podia dar de que a interpretação por mim assumida como verdadeira era a correta, eu não tinha resposta plausível para dar. Justificava apenas que a letra mata e o Espírito vivifica (II Co 3, 6). Ponto final. Eu não conseguia sequer tomar consciência de que aquela interpretação era a de meu pastor, e que eu, desconhecedor das coisas de Deus, confiava nele, embora hoje eu veja o mal que essa confiança me fez, e não porque ele fosse mal, mas porque era um cego guiando outro cego (Lc 6, 39). &nbsp;</p>



<p>Eu poderia estar em outro grau naquela época, confesso. Ao menos um pouco de humildade eu possuía para saber que eu era um homem carnal que não podia ouvir com clareza a voz de Deus. Mas eu poderia estar em outro grau, que é o da pessoa que se diz espiritual e detentora da correta interpretação das Sagradas Escrituras. Provavelmente em algum ponto eu chegaria lá, e quem sabe até teria fundado a minha própria denominação acreditando piamente que estava atendendo a um chamado da parte de Deus. Bendito seja Deus que me entregou a mim mesmo e pacientemente suportou minha ingratidão enquanto estive em sua inimizade! Quanto peso eu não carregaria hoje em minhas costas se também tivesse eu sido um cego guiando outros cegos?</p>



<p>Mas por que eu aceitava tudo aquilo? Em primeiro lugar, porque eu era ignorante. Apesar de me considerar inteligente, não passava de um pobre coitado que havia recebido formação ideológica desde a infância na escola. Para se ter uma idéia, tamanha era a minha ignorância que eu via perfeita compatibilidade entre os ensinamentos de Cristo e o socialismo. É claro que os professores que falaram da revolução russa nunca contaram a parte do genocídio; fui ter uma vaga idéia disso no último ano do ensino médio, quando um professor de história disse que Hitler era uma mocinha perto de Stálin.</p>



<p>Veja que toda essa ideologia que se ensina hoje nas escolas sedimenta princípios na inteligência que tem por última conseqüência o relativismo. Quando abracei de verdade o protestantismo, eu era relativista e não sabia. Para mim era fácil aceitar que eu tinha que obedecer os mandamentos da lei de Deus pelo simples fato de que Deus havia mandado, ainda que não pudesse explicar a desordem que havia no pecado.&nbsp;</p>



<p>Era fácil aceitar a explicação de Watchman Nee de que Deus só deu um mandamento para Adão e Eva para que eles aprendessem o princípio de autoridade. O mandamento foi para que não comessem do fruto daquela árvore, mas poderia ser qualquer outra coisa, como “não cruze esse rio”. Entristeço-me hoje pelo fato de que aquelas pessoas que eu conheço e que até hoje estão no protestantismo aceitam esse tipo de ensinamento, mas também me entristeço pelo modo como coisas desse tipo me prejudicaram e ao final de tudo me levaram a odiar a Deus (ou o que eu imaginava ser Deus).</p>



<p>Some-se à ideologia de viés marxista as mentiras históricas que os próprios protestantes criaram e propagaram ao longo dos quatro últimos séculos. Como não suspeitava eu, meu Deus, que tu não irias deixar a humanidade perecer em trevas por dezesseis séculos até que viesse Lutero? Como não podia eu enxergar que crer em um absurdo como esse é o mesmo que duvidar de tua sabedoria e misericórdia? Como podia eu rir-me da Igreja Católica sem sequer suspeitar dos motivos pelos quais existia já há dois mil anos?&nbsp;</p>



<p>Ah, meu Deus, tende piedade dessas pessoas que nunca souberam o que era a Fé católica e que, dizendo-se convertidos do catolicismo ao protestantismo, mentiram tanto para mim. Disseram-me, meu Deus, tantas mentiras sobre a Igreja! Tu bem o sabes, Pai Santo; tu és testemunha do que digo. Eu peço que me perdoes a mim, que não podia enxergar a verdade que estava bem debaixo do meu nariz, mas principalmente a eles, pois creio ser maior o pecado daquele que ensina o mau caminho (Mt 8, 7), pois eu sei (e como!) são capazes de fazer um discípulo duas vezes mais merecedor do inferno o que eles mesmos (Mt 23, 15).</p>



<p>Tenho mais a dizer sobre esse assunto, motivo pelo qual pretendo continuar esse artigo na próxima semana.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Que eles sejam um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 May 2021 16:39:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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<p>Compreendendo o escândalo da Igreja da Alemanha Com a publicidade que foi dada aos acontecimentos dos dois últimos anos envolvendo a Igreja da Alemanha, julguei oportuno escrever um artigo sobre o assunto. A princípio tentei fazê-lo breve, mas a autocobrança por proporcionar um conteúdo de qualidade, digno da atenção de meus leitores, fez-me ocupar generosas [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading" id="h-compreendendo-o-esc-ndalo-da-igreja-da-alemanha">Compreendendo o escândalo da Igreja da Alemanha</h2>



<p>Com a publicidade que foi dada aos acontecimentos dos dois últimos anos envolvendo a Igreja da Alemanha, julguei oportuno escrever um artigo sobre o assunto. A princípio tentei fazê-lo breve, mas a autocobrança por proporcionar um conteúdo de qualidade, digno da atenção de meus leitores, fez-me ocupar generosas páginas.&nbsp;</p>



<p>Partindo dos fatos, farei uma análise das causas do escândalo e das possíveis conseqüências que podemos esperar, indicando o que a situação exige especificamente de nós, os fiéis leigos. O artigo serve também como uma boa catequese sobre temas importantes, e muitas são as referências que deixei para o aprofundamento do estudo. De tudo o que será dito, julgo que o mais importante será a breve reflexão sobre a importância da unidade da Igreja para a nossa própria salvação, pois infelizmente ainda há quem julgue que um fato dessa natureza não é um chamado à conversão.</p>



<p>Tomei conhecimento desse assunto na noite de sábado, após ter assistido a <em>live </em>de fechamento da jornada de apologética promovida pelo apostolado Cooperadores da Verdade. Maravilhado pelo testemunho do ex-pastor protestante Eduardo Faria, que ouviu o chamado do Espírito Santo para converter-se à Fé Católica, não podia eu imaginar que um contra-testemunho tão grande estava prestes a ocupar a maior parte de meus pensamentos pelos dias que se seguiram.</p>



<p>Movido que sou por uma tendência de sempre procurar estar atento aos “sinais da figueira”, conforme o ensinamento do Divino Mestre, vejo-me como que vivendo duas vidas quando me deparo com situações como a que está acontecendo na Igreja da Alemanha: Por fora, vou vivendo e cumprindo todas as minhas obrigações, mas por dentro não cesso de ruminar toda aquela realidade e invariavelmente me vejo conjecturando o que eu poderia fazer a respeito.</p>



<p>Aqui é necessário cautela, tanto para que você, meu caro leitor, não pense ser esse o modo mais correto de se proceder e também para que você tenha bem claro o conteúdo desses pensamentos.&nbsp;</p>



<p>Em primeiro lugar, deve-se ter cuidado com o julgamento que todos os fatos terríveis que acontecem anunciam a iminente volta do Messias. Esse tipo de pensamento é temerário porque Jesus nos disse que não nos é dado conhecer os momentos que o Pai fixou em seu poder (At 1, 7), embora tenha nos exortado a sempre estarmos atentos aos sinais para tomarmos as medidas que os tempos exigem, segundo a sabedoria do Evangelho (Lc 21 29-31).&nbsp;</p>



<p>Lendo-se atentamente o Novo Testamento, perceberemos que sempre foi uma constante entre os fiéis, incluindo os próprios Apóstolos, que era iminente a volta de Cristo. Dois mil anos se passaram, e ainda esperamos o Divino Salvador. Esse pensamento, no entanto, não nos abandonou, e o milenarismo que da esperança messiânica se segue é origem de muitos erros (alguns deles heréticos, diga-se de passagem).&nbsp; Também é por uma desordem nesse tipo de pensamento que se dá voz a muitos que se apresentam como profetas e que acabam por serem desacreditados na prova do tempo.</p>



<p>Em segundo lugar, note que meus pensamentos não divagam sobre o que deve o Santo Padre ou as demais autoridades da Igreja fazerem, mas àquilo que <strong>eu</strong> posso fazer. Não cabe a mim (e provavelmente também não cabe a você) deliberar sobre as medidas que devem ser tomadas por tais pessoas, pois nós ignoramos a maior parte das circunstâncias concretas que envolvem decisões dessa natureza. Há um grande mal que encontra abrigo nos corações zelosos pela Fé: Achar que tudo deve ser resolvido com maior rigor, “como era lá atrás”.</p>



<p>Tenho aprendido que a humildade tem seu lugar quando não pensamos no que faríamos em uma posição que jamais ocuparemos. Já ouvi de recém-convertido leigo que faria isto ou aquilo se estivesse no lugar do Papa para tomar esta ou aquela decisão. Confesso que ouvir uma coisa dessas me faz arregalar os olhos. Penso comigo: Será que ele não enxerga a vanglória em uma fala desse tipo? Em bom português: “Quem ele pensa que é?”.</p>



<p>Que contra-testemunho é esse a que eu me referi no início? Depois de ter assistido a <em>live </em>dos Cooperadores, acessei o <em>YouTube </em>para assistir um vídeo com tarja de urgência de um instituto católico chamado Centro Dom Bosco. O título do vídeo é “O clero alemão incorre em cisma ao promover a ‘bênção dos apaixonados’”?&nbsp;</p>



<p>Vamos entender um pouco melhor.</p>



<p>Em 2019, teve início na Alemanha o que foi chamado Caminho Sinodal. A primeira distinção que deve ser feita é entre um denominado caminho sinodal e um Sínodo propriamente dito. O Sínodo, segundo a Constituição Dogmática <em>Lumen Gentium</em>, n. 22, é a reunião dos Bispos que, tendo à frente o Bispo de Roma (o Papa), deliberam sobre questões que devem vincular toda a Igreja Universal. Aqui ganham especial relevo as matérias de fé (o que se deve crer) e de moral (o que é lícito ou não fazer), mas não somente isso. As questões de maior relevância da Igreja são geralmente decididas através dos Sínodos, uma vez que compete aos Bispos da Igreja em união ao Bispo de Roma o exercício dos poderes conferidos à Igreja pelo próprio Senhor Jesus Cristo, segundo o que dispõe o Evangelho:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu.</p><cite>(Mt 16, 19)</cite></blockquote>



<p>Essa participação no Bispo do múnus conferido por Cristo a S. Pedro está presente na referida Constituição, embora ela mesma ressalte por diversas vezes que a primazia sempre foi a de S. Pedro, e que os Bispos do mundo todo nada podem definir se não forem para isso convocados e presididos pelo Santo Padre. Mesmo nesse caso, é necessário que o Santo Padre confirme o Concílio:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>[&#8230;] é sabido que o encargo de ligar e desligar conferido a Pedro (Mt. 16,19), foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unido à sua cabeça (Mt. 18,18; 28, 16-20).<br><br>Nunca se dá um Concílio Ecumênico sem que seja como tal confirmado ou pelo menos aceite pelo sucessor de Pedro; e é prerrogativa do Romano Pontífice convocar estes Concílios, presidi-los e confirmá-los.</p></blockquote>



<p>Se estamos falando na Constituição <em>Lumen Gentium</em>, é necessário deixar claro desde já que um Sínodo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“enquanto composto por muitos, exprime a variedade e universalidade do Povo de Deus e, enquanto reunido sob uma só cabeça, revela a unidade do redil de Cristo”.</p></blockquote>



<p>Tão grande é a importância dada pela Igreja ao tema, que no Concílio Vaticano I a primazia de S. Pedro foi declarada dogma de Fé, deixando claro que aquele que contrariar tal realidade incorre no terrível pecado de heresia. É o que está escrito na Constituição Dogmática <em>Pastor Aeternus</em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra, seja excomungado.</p></blockquote>



<p>Eis aí demonstrado o motivo da necessidade da primazia do sucessor de S. Pedro: a unidade da Igreja. Sobre esse assunto, que para mim é o que tem maior importância em toda essa discussão, falarei ao final.</p>



<p>Espero que até aqui você, meu caro leitor, tenha entendido que o que teve início na Alemanha no ano de 2019 não é um Sínodo, mas sim um movimento de membros do Clero e fiéis leigos para deliberarem alguns assuntos que julgam importantes. O nome dado por eles mesmos ao movimento é Caminho Sinodal. Nesse nome eu vejo uma intenção: Fazer com que os temas propostos fossem levados à discussão da Igreja Universal por meio de um Sínodo. Longe de mim afirmar que essa intenção exista na cabeça do Santo Padre! Só ao Papa Francisco compete hoje convocar um Sínodo e, como veremos, ele agiu conforme o Magistério da Igreja em todos os pronunciamentos que fez a respeito do Caminho Sinodal da Alemanha.</p>



<p>Veja o que diz um excerto de uma matéria da Unisinos publicada no dia 3 de julho de 2019, intitulada “Carta do Papa à Igreja alemã: elogio e leve crítica”:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Sob a pressão do&nbsp;escândalo dos abusos, os bispos católicos finalmente deram início de um &#8220;<strong>percurso sinodal vinculante</strong>&#8221; para a renovação da Igreja.</p></blockquote>



<p>O Professor Pedro Affonseca, no vídeo do Centro Dom Bosco que mencionei anteriormente, relata que o Papa Francisco, vários Cardeais e vários Bispos alertaram, no ato de convocação do Caminho Sinodal, “que não poderiam ser discutidos assuntos relacionados e da competência da Igreja Universal” [4:40]. No entanto, em um ato de loucura (e que não me censurem os que são mais cautelosos que eu no uso das palavras, pois para mim desafiar os dogmas da Igreja é loucura), o Caminho Sinodal se pôs a discutir quatro temas que não poderiam, de modo algum, ser objeto de deliberação pelo Clero local. São eles:</p>



<ol class="wp-block-list"><li>O poder na Igreja</li><li>A moral sexual</li><li>O celibato sacerdotal</li><li>A ordenação de mulheres</li></ol>



<p>Veja o que está na mesma matéria da Unisinos que mencionei acima:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Deveremos tratar principalmente dos temas:&nbsp;poder,&nbsp;moral sexual&nbsp;da Igreja e forma de vida dos sacerdotes</p></blockquote>



<p>Tentarei falar em poucas linhas o que pretende o Caminho Sinodal alcançar nesses quatro pilares de discussão, demonstrando como todas as inovações pretendidas são impossíveis pelo fato de se levantarem contra dogmas já estabelecidos pela Igreja que são, por sua própria natureza, impassíveis de modificação.</p>



<p>Na discussão sobre o poder, o questionamento se levanta contra a estrutura hierárquica em vigor desde o nascimento da Igreja. Como sabemos, a Igreja não é uma oligarquia, muito menos uma democracia, e sim uma monarquia. Do Santo Padre sempre será a palavra final, e não somente quando se pronunciar <em>ex cátedra </em>a respeito da fé e da moral, mas em qualquer circunstância e sobre qualquer assunto. O Santo Padre tem o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja! É o que diz a Constituição Dogmática <em>Pastor Aeternus</em>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo;ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis, seja excomungado.</p></blockquote>



<p>O que se pretende com esse questionamento? Instaurar um regime análogo ao democrático dentro da Igreja, de modo que as decisões sejam tomadas conjuntamente entre todos os fiéis. Não sei dizer ao certo como isso se daria no pensamento deles – se por representação, voto direto ou até mesmo ambos – mas fato é que o sistema monárquico é considerado pelos defensores dessa pauta como “ultrapassado”.</p>



<p>Acontece que o exercício do poder na Igreja não é algo que pode ser modificado, segundo o que eu entendo, embora eu devo confessar que não sou um grande estudioso do assunto. Nem por isso tomo a minha opinião por indigna de crédito, pois eu a julgo bem consistente. Jesus Cristo, após a profissão de Fé de S. Pedro, concedeu-lhe primeiramente o que chamamos “o poder das chaves”, conforme o trecho do Evangelho de S. Mateus que citei anteriormente. Mesmo tendo o Concílio Vaticano II definido na Constituição <em>Lumen Gentium </em>que esse poder se estende aos demais Apóstolos, a mesma Constituição não pode contrariar o que está disposto na <em>Pastor Aeternus</em>, de modo que fica subentendido, pela hermenêutica da continuidade, que a palavra final sempre será a do sucessor de S. Pedro.</p>



<p>Uma objeção que levantam contra isso é a de que Cristo agiu segundo os costumes da época. Os defensores dessa tese dizem que a democracia moderna era um regime impensável à época, pelo que Cristo teve de dispor as coisas de tal modo, como muitas vezes vemos nas Sagradas Escrituras medidas que foram tomadas por questões circunstanciais, mais notadamente no Antigo Testamento.&nbsp;</p>



<p>Acontece que somente o próprio Deus pode revogar aquilo que foi por ele disposto outrora, não cabendo a ninguém, nem mesmo ao Santo Padre e a todos os Bispos do mundo em união a ele, colocar-se acima da Palavra do próprio Deus. Por maior que tenha sido o poder confiado a S. Pedro, nunca puderam ele e seus sucessores, segundo o Mgistério da Igreja, acrescentar, suprimir ou alterar qualquer texto das Sagradas Escrituras, tampouco alterar a Lei Natural (apenas para citar duas dentre todas as limitações).</p>



<p>A Lei de Moisés foi revogada no que diz respeito às leis cerimoniais, aos ritos, aos sacrifícios expiatórios e à observância estrita do sábado, mas isso tudo porque Jesus Cristo revogou todas essas coisas expressamente, sendo Ele mesmo Deus. No entanto, o mesmo Cristo foi claro quando disse que a Lei em seu conteúdo estritamente moral não foi abolida, tendo recebido seu pleno sentido no mandamento do amor (Mt 22 37-40).&nbsp; S. Paulo explica o motivo de modo bem sucinto: Aquele que ama não mata, não rouba, não comete adultério, não levanta falso testemunho etc. (Rm 13, 9 e Gl 5, 14).</p>



<p>Parece-me que o modo como Cristo organizou sua Igreja é definitivo e acabado, devendo permanecer assim por toda a Eternidade. Parece extremo falar isso, uma vez que não podemos compreender com clareza como se darão as coisas na Vida Eterna, mas fato é que a interpretação anagógica de um dos dizeres de Jesus Cristo dá uma idéia disso:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Em verdade vos digo: No dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que haveis me seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (Mt 19, 28).</p></blockquote>



<p>Portanto, para mim é impossível modificar a monarquia eclesial, pois ela foi instituída de modo definitivo pelo próprio Cristo.</p>



<p>O segundo ponto de discussão é a moral sexual. O questionamento que se levanta é sobre a possibilidade de concessão de bênção sacerdotal e recepção da comunhão eucarística por parte de pessoas que mantém relações sexuais ilícitas. Como sabemos, a relação sexual entre duas pessoas do mesmo sexo e qualquer relação sexual fora do matrimônio legítimo são consideradas pela Igreja como um pecado grave, não havendo parvidade de matéria nesse assunto.&nbsp;</p>



<p>Em relação ao casamento, a Igreja entende ser impossível a dissolução de um matrimônio contraído validamente, tendo Nosso Senhor Jesus Cristo dito que “são os dois uma só carne” e que “o que Deus uniu não separe o homem” (Mt 19, 6).&nbsp;</p>



<p>Novamente, voltamos às limitações dos poderes conferidos a S. Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja tem poder de disciplinar as condições necessárias para a celebração do Sacramento do Matrimônio, como de fato o faz, mas não tem o poder de desfazer o caráter que é imprimido na pessoa pelo mesmo Sacramento. Se o fizesse, estaria contrariando a própria realidade criada por Deus. Nesse ponto, espero que não haja confusão entre o divórcio e a anulação de um casamento.</p>



<p>Isso quer dizer que as pessoas casadas que, tendo se separado (ou até mesmo divorciado pela lei civil), relacionam-se com outras, estão em pecado de adultério, independentemente de terem se casado novamente pela lei civil. Jesus Cristo deixou isso bem claro quando disse:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Eu vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, exceto no caso de matrimônio ilegítimo, e desposa outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério (Mt 19, 9).</p></blockquote>



<p>Sobre a homossexualidade, claras são as palavras do Apóstolo, sagradas como canônicas pela Igreja:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? <strong>Não vos enganeis:</strong> nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, <strong>nem os efeminados</strong>, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus (I Co 6 9-10).&nbsp;</p></blockquote>



<p>Isso quer dizer que todos os que se sentem sexualmente atraídos por pessoas do mesmo sexo estão condenados ao inferno? Jamais! Lembremos sempre que só há pecado onde há consentimento. Um heterossexual entregue às paixões sexuais e que morra sem arrependimento será condenado ao inferno, ao passo que um homossexual casto que morra em estado de graça será admitido no Reino de Deus.</p>



<p>Em resumo, a Santa Lei de Deus proíbe toda e qualquer relação sexual fora do matrimônio legítimo, e tal matrimônio só pode existir entre homem e mulher. Vários são os motivos para isso, que estão inclusive ancorados na própria Lei Natural, mas não é o objetivo desse artigo dar uma explicação detalhada sobre o assunto. Aos que se interessarem pelo aprofundamento na matéria, peço que falem comigo pelo <em>direct </em>do <em>Instagram </em>(@aduccineto) para que eu encaminhe os bons materiais de que disponho.&nbsp;</p>



<p>O que se pretende com o questionamento da moral? A modificação do núcleo básico da sociedade e da própria Igreja, que é a família. Modificação é uma palavra suave, para dizer bem a verdade. A conseqüência de semelhante “moral” é a destruição completa da família. A história do mundo nos últimos 100 anos não me deixa mentir: Inicia-se com o divórcio, termina-se em genocídio (eutanásia, aborto etc.).</p>



<p>Novamente eu digo: Isso talvez não fique claro pelos poucos argumentos que estou apresentando nesse artigo. É necessário aprofundar-se no assunto. Por isso sugiro aos que ainda não compreendem bem a razão de ser de todas essas coisas que me procurem no <em>Instagram</em>.</p>



<p>A comunhão eucarística por pessoas que vivem em pecado grave é um pecado de sacrilégio, isto é, pecado gravíssimo. Sempre se entendeu dessa maneira. Os Santos Padres eram inclusive resistentes à ideia da comunhão diária, tamanho o zelo que tinham pelo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo. Desde o início da cristandade os Apóstolos ensinam isso, como podemos ver na exortação de S. Paulo aos Coríntios:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Essa é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos (I Co 11 27-30). &nbsp;</p></blockquote>



<p>Como são peremptórias as palavras do Apóstolo! É muito semelhante ao que Deus disse a Adão e Eva no Jardim do Éden: “Se comerdes dele [do fruto da árvore da ciência do bem e do mal], certamente morrereis” (Gn 2, 17). Imagine você que há um alimento no mundo que todo aquele que come torna-se imediatamente réu do fogo do inferno. Esse alimento existe, e é a Hóstia consagrada para aqueles que a recebem tendo na consciência pecado grave. Evidentemente que para tudo há perdão até o último suspiro, mas ai daquele que morrer nesse estado!</p>



<p>Sobre a bênção sacerdotal aos pares homoafetivos, a Congregação pela Doutrina da Fé manifestou-se dizendo que não há qualquer possibilidade. A explicação dada é que as bênçãos sacerdotais são sacramentais que, “instituídas de certo modo à imitação dos sacramentos, reportam-se sempre e principalmente a efeitos espirituais, que se obtêm por impetração da Igreja”.</p>



<p>Continua dizendo que tais bênçãos, para guardar coerência com a natureza própria dos sacramentais, “devem ser aplicadas somente sobre aquilo que é objetiva e positivamente ordenado a receber a exprimir a graça, em função dos desígnios de Deus inscritos na criação e plenamente revelados por Cristo Senhor”. Sendo assim, “não é possível conceder uma bênção a relações, ou mesmo a parcerias estáveis, que implicam uma prática sexual fora do matrimônio, como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo”.</p>



<p>Em suma, a Carta Resposta conclui dizendo que não é possível à Igreja abençoar o pecado, o que é evidente. Para ler a íntegra do documento acesse: <a href="https://bit.ly/resposta-cdf">https://bit.ly/resposta-cdf</a>.</p>



<p>No final da Carta está escrito o seguinte:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Sumo Pontífice Francisco, no curso de uma Audiência concedida ao abaixo assinado Secretário desta Congregação, foi informado e deu seu assentimento à publicação do mencionado&nbsp;<em>Responsum ad dubium</em>, com a&nbsp;Nota explicativa&nbsp;anexa.</p><p>Dado em Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 22 de fevereiro de 2021, Festa da Cátedra de São Pedro, Apóstolo.</p></blockquote>



<p>Duas coisas são dignas de nota. A primeira é que o Sumo Pontífice foi informado do conteúdo da Carta e deu seu assentimento para que fosse publicada. A segunda é que a data parece ser providencial, pois nesse dia é comemorada a Festa da Cátedra de São Pedro, Apóstolo, aquele mesmo que recebeu de Cristo o poder de governar a Santa Igreja e dar a palavra final.&nbsp;</p>



<p>O terceiro ponto de discussão foi nomeado “a forma de vida dos sacerdotes”. Resolveram apresentar por meio desse eufemismo o questionamento sobre a obrigatoriedade do celibato sacerdotal. Não é a primeira ou a segunda e nem a terceira vez que o assunto é objeto de discussão. As justificativas que usam para o fim da obrigatoriedade do celibato sacerdotal são as mais diversas, transitando entre razoáveis e dignas de explicação até as mais incoerentes e maliciosas, as quais não mereceriam sequer uma resposta não estivesse o mundo submergido em tanto erro.</p>



<p>O que se pretende com isso é a abolição do celibato sacerdotal tal como foi instituído por Cristo. Como são muitos os argumentos que eu teria de levantar sobre esse assunto a fim de defender a necessidade do celibato dos sacerdotes, prefiro remeter você, meu caro leitor, a um documento da Igreja que deve servir como pontapé inicial para o aprofundamento da matéria. Trata-se do Decreto <em>Presbyterorum Ordinis</em>, n. 16, do Papa S. Paulo VI. Sugiro que, após ler o texto, pesquise pelas abundantes referências constantes das notas de rodapé.&nbsp;</p>



<p>O quarto ponto de discussão é sobre a “participação da mulher na Igreja”. Novamente se trata de um eufemismo, pois o que realmente está sendo questionado é a proibição de ordenação de mulheres para o diaconato e o presbiterato. A intenção é fazer surgir as figuras da “diaconisa” e da “presbítera”.&nbsp;</p>



<p>Sabemos que isso não é possível, pois nos dizeres do Papa S. João Paulo II, “a ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens”. Mais sobre o assunto pode ser consultado na Carta Apostólica <em>Ordinatio Sacerdotalis</em>, do Papa S. João Paulo II e na Declaração <em>Inter Insigniores</em>, do Papa S. Paulo VI.</p>



<p>Fato é que com a Igreja construindo a sociedade a partir da difusão do Evangelho, as mulheres foram aos poucos vendo reconhecida a sua dignidade no meio de uma sociedade para a qual eram ontologicamente inferiores aos homens. Os Evangelhos mencionam continuamente as santas mulheres que seguiam Jesus Cristo, prestando-lhe inestimáveis serviços em seu apostolado. Referem-se também à primeira aparição de Cristo após a ressurreição, demonstrando que foram as mulheres as escolhidas para dar início ao testemunho desse fato central de nossa Fé. Acima de tudo isso, temos a figura de Maria Santíssima, a Grande Mulher, a Medianeira de todas as Graças, aquela foi assunta ao Céu em corpo e alma e que é venerada como Rainha do Céu e da Terra, partilhando o reinado de seu Filho e tida pelos fiéis de toda a Igreja como Co-redentora do gênero humano.&nbsp;</p>



<p>A criatura que está sobre todas as criaturas, sejam elas angélicas ou humanas, é uma mulher (seja bendita para sempre. Amém)!</p>



<p>No entanto, os mesmos Evangelhos deixam claro que Nosso Senhor Jesus Cristo constituiu o colégio Apostólico somente de homens, pelo que não pode a Igreja – novamente pelas limitações dos poderes a ela conferidos – insurgir-se contra aquilo que foi determinado por seu Divino Fundador.</p>



<p>Até aqui explicamos em síntese tudo o que está se passando e os fundamentos pelos quais os anseios de parte do Clero da Igreja da Alemanha não podem de modo algum encontrar abrigo seguro.</p>



<p>No entanto, devemos falar em bom português o que significaria a aceitação de qualquer uma dessas propostas:&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-aceita-o-de-qualquer-uma-das-propostas-do-caminho-sinodal-significaria-destrui-o-da-igreja"><strong>A aceitação de qualquer uma das propostas do Caminho Sinodal significaria destruição da Igreja.</strong></h2>



<p>Você deve se questionar se eu estou afirmando ser essa a intenção das pessoas que estão promovendo o Caminho Sinodal. Meu caro irmão, você sabe que é difícil julgar intenções, pois temos de reconhecer que mesmo no Clero, com toda a formação disponível, abunda a ignorância sobre os temas mais elementares, como por exemplo a moral sexual (quantos são os Padres que não consideram os pequenos prazeres venéreos consentidos como pecado grave?). Mas penso que não podemos ser ingênuos o bastante para acreditar que todos eles não sabem para quem estão trabalhando – e novamente em bom português é necessário dizer: para o diabo. É razoável crer, portanto, que parte dessas pessoas age com conhecimento de causa e propósito deliberado.</p>



<p>Acontece que nessa segunda-feira, no dia 10 de maio de 2021, às 19h (horário de Berlim), cerca de 2.500 membros do Clero da Igreja da Alemanha, em flagrante desobediência à resposta dada pela Congregação pela Doutrina da Fé (cujo conteúdo obteve anuência e autorização para a publicação por parte do Santo Padre), levou a efeito uma campanha chamada “bênção dos apaixonados”. Essa campanha consistiu em um mutirão de bênçãos concedidas às uniões homoafetivas e contou com a participação de diversas Paróquias.</p>



<p>Esse verdadeiro escândalo promovido por parte do Clero da Igreja da Alemanha levou autoridades eclesiásticas e um grande número de fiéis a pedirem ao Papa que tome providências urgentes. Como eu disse, não cabe a mim julgar qual é a medida mais prudente a ser tomada pelo Santo Padre. Quando eu digo isso, não é falsa modéstia: Eu realmente não faço ideia! Mas uma coisa é certa: A opinião que tem circulado de que o ato de desobediência caracteriza um ato cismático parece correta, não só pela tipificação do ato naquilo que prescreve o Código de Direito Canônico (CDC, Cânon 751), mas pela própria intenção dos agentes. Veja o que Michael Schromin escreveu para o <em>Publik-Forum</em>, publicado no dia 02 de julho de 2019:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Disputa monástica&#8221;: com essas palavras, um papa,&nbsp;Leão X, havia liquidado os pedidos de&nbsp;Martim Lutero. Um erro fatal de avaliação, como mostra a história. A disputa monástica levou à divisão da Igreja, uma divisão que &#8211; apesar de todos os&nbsp;esforços ecumênicos&nbsp;&#8211; presumivelmente não poderá mais ser anulada.</p><p>Que as mudanças religiosas e a pesquisa teológica da&nbsp;Alemanhanão sejam favoravelmente acolhidas no&nbsp;Vaticano, é uma tradição. Em um período que vai de&nbsp;Lutero, do infeliz&nbsp;dogma da infalibilidade&nbsp;e da cisão dos vétero-católicos, até a falta de respeito do&nbsp;sínodo de Würzburg&nbsp;(1971-1975). <strong>Amargas rupturas e emigrações internas poderiam ter sido evitadas.</strong></p></blockquote>



<p>Em seguida, o autor do artigo infame fala sobre a importância de discutir os assuntos até aqui tratados. Para mim, o tom de ameaça é claro: Ou o Papa aceita a discussão de tais assuntos, ou a Igreja da Alemanha pode dar o seu grito de independência ou morte. É digno de lamentação que essas pessoas parecem não saber que nesse caso a “independência” significa escravidão e morte.</p>



<p>Vale ressaltar que tive acesso a essa matéria por uma tradução disponível no <em>site </em>do Instituto Humanitas Unisinos, que é um desses institutos da ala progressista da Igreja (refiro-me a eles assim apenas para me fazer entender, pois de modo algum esse instituto pode ser considerado “da Igreja”, tal como a quase totalidade dos membros da ala progressista).</p>



<p>Antes de prosseguirmos para a meditação que deve servir de desfecho para esse artigo, deixo aqui uma passagem das Escrituras que sempre me vem à mente quando penso nos poderosos que parecem trabalhar dia e noite pela destruição da Igreja e de seus filhos mais fiéis:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por que se tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações? Erguem-se juntos os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Ungido. “Quebremos o seu jugo – dizem eles – e sacudamos para longe de nós suas cadeias!” (Sl 2, 1-3).</p></blockquote>



<p>Jesus cuida de sua Igreja. É certo que no final recompensará a cada um segundo suas obras. <em>Maran atah</em>!</p>



<p>E nós?</p>



<p>Em primeiro lugar, devemos rezar, e rezar muito! Devemos pedir a Maria Santíssima que peça a seu Divino Filho pela unidade da Igreja. A humanidade bem merece todos os castigos da parte de Deus, porque nos dois últimos Séculos aumentou o número e gravidade de seus delitos de forma nunca antes vista em toda a sua história. Mas Maria Santíssima, que tudo pode junto a seu Filho, é capaz de lhe aplacar a justa ira, desde que nós façamos tudo o que ela nos pediu em Fátima. Rezemos, pois, e façamos penitência na intenção da unidade da Igreja e da conversão do Clero desviado. Lembremos sempre que os presbíteros sofrem provações que nós leigos sequer podemos imaginar. Não são eles as pessoas de quem o diabo realmente tem medo? É certo que sim, pois um santo Sacerdote é capaz de derrotar legiões e mais legiões vindas do inferno. Bem por isso o diabo não poupa esforços para desviar um Sacerdote do reto caminho.</p>



<p>Reze o Terço todos os dias. Não se considere imune a tais erros. Sem a ajuda de Nossa Senhora, que prometeu proteção contra as heresias para quem praticasse essa devoção, você não poderá avançar muito. A Igreja a chama de “sede da Sabedoria”. É a excelsa virtude da Sabedoria que torna o homem capaz de debelar o erro, sem o que não há triunfo contra a heresia. Se você deseja se aprofundar para rezar melhor o Santo Terço, leia os últimos artigos que o Petter tem publicado em minha coluna Fé pelo ouvir, disponível no <em>site </em>dos Cooperadores da Verdade.</p>



<p>Em segundo lugar, devemos conhecer, amar e defender a Fé Católica, inclusive dos falsos católicos, sejam eles Bispos, Sacerdotes, Diáconos, religiosos ou leigos! E se você acha que é temerário de minha parte dizer isso, deixe-me refrescar sua memória com alguns nomes: Ário, Pelágio, Apolinário, Macedônio, Nestório, Lutero. Não preciso de muito para lhe dizer que os maiores traidores da Igreja de Cristo foram os próprios Bispos da Igreja, e isso já estava anunciado no próprio Judas Iscariotes. O Corpo deverá padecer tudo o que Cristo Cabeça padeceu.</p>



<p>Por fim, é necessário que divulguemos os acontecimentos e os bons materiais que têm sido produzidos sobre o assunto. É por isso que aqui vai o meu apelo para que esse humilde artigo seja compartilhado com o maior número de pessoas possível, não tanto pela profundidade de seu conteúdo, mas por servir como uma boa introdução, um bom ponto de partida. O Centro Dom Bosco tem gravado vídeos nos últimos dias sobre o assunto; vale muito a pena conferir. Por fim (e não estou sendo pago para isso!), adquira o <a href="https://escoladeapologetica.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">curso de apologética dos Cooperadores da Verdade.</a> Quem assistiu as <em>lives </em>sabe a diferença que faz um conhecimento mais profundo da nossa Fé!</p>



<p>Se você já desenvolve um trabalho nas redes sociais produzindo conteúdos dessa natureza, faça também você textos ou vídeos para dar publicidade ao fato. Se você desempenha alguma função de ensino dentro da Igreja, seja você Padre, Diácono, religioso ou até mesmo catequista, não se esqueça de tratar desse assunto com as pessoas que foram confiadas aos seus cuidados. É muito importante uma orientação lúcida e prudente, tanto para mostrar o erro como para corrigir os excessos nascidos do zelo dos fiéis.&nbsp;</p>



<p>Julgo necessário encerrar esses artigos com uma breve reflexão sobre a unidade da Igreja. Jesus Cristo, na Última Ceia, pediu isto ao Pai:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21).</p></blockquote>



<p>Veja que da unidade da Igreja depende a salvação do mundo, pois sem Fé em Jesus Cristo é impossível alcançar a salvação, pelo que o diabo sempre fez e sempre fará ao longo do nosso tempo grandes apostas pela divisão da cristandade por meio de heresias e escândalos. Não pense somente em você e na sua família. Tenha amor pelo próximo. Ame até mesmo o inimigo. Que recompensa tem aquele que só ama aqueles que o amam? Pense, por tudo o que é mais sagrado, nas inúmeras almas que podem se perder se você não agir! Saia imediatamente da bolha do egoísmo e, a exemplo de Maria Santíssima, enxergue o mundo ao seu redor e trabalhe pela salvação dele!</p>



<p>Tenhamos coragem! Combatamos o bom combate! Cristo venceu e os que permanecerem fiéis até o fim ganharão a coroa da glória eterna!</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>O Evangelho que se Atualiza em Lourdes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 May 2021 14:49:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé e Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="O Evangelho se Atualiza em Lourdes" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/05/O-Evangelho-se-Atualiza-em-Lourdes-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
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<p>“Há um grito de angústia”.&nbsp;Não tenho como não ficar impressionado com isso. Por vezes, lendo as páginas dos Santos Evangelhos, com aquele modo tão sintético que é próprio dos evangelistas, não conseguimos nos dar conta de tudo o que se passava&nbsp;nos fatos narrados.</p>



<p>Tenhamos sempre em mente que os evangelistas, enquanto escreviam&nbsp;seus relatos,tomavam&nbsp;por pressuposto o conhecimento mais ou menos certo de que tinham as pessoas acerca das circunstâncias da época. É&nbsp;por isso&nbsp;que certos&nbsp;elementos&nbsp;passam despercebidos&nbsp;ao leitor de ouros tempos.</p>



<p>Veja, por exemplo, o caso emblemático de uma disputa do Senhor Jesus Cristo com os fariseus. Estes costumam ser conhecidos&nbsp;entre nós&nbsp;pela&nbsp;hipocrisia. Embora eu tenha motivos suficientes para concluir que a maior&nbsp;parte das pessoas não medita&nbsp;a fundo o significado dessa hipocrisia&nbsp;(com efeito,&nbsp;interpretam segundo o conceito atual de hipocrisia,&nbsp;conceito este degenerado por&nbsp;dois mil longos anos de uso&nbsp;corriqueiro do termo), chamar alguém de fariseu é o mesmo que chamá-lo de hipócrita. Nesse caso específico que quero relatar, falaremos de um aspecto&nbsp;ao qual&nbsp;se dá atenção&nbsp;pouca atenção&nbsp;acerca de tais homens, que é a avareza.</p>



<p>No capítulo 16 do Evangelho de S. Lucas, Nosso Senhor Jesus Cristo conta a parábola do administrador infiel. Arremata o Senhor o seu ensinamento com uma das sentenças mais conhecidas dos Santos Evangelhos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.</p><cite>(Lc 16, 13)</cite></blockquote>



<p>Logo após, em um curtíssimo versículo, S. Lucas faz notar que os fariseus começaram a zombar de Jesus Cristo.&nbsp;O evangelista&nbsp;explica que o motivo de tal acinte era a avareza daqueles homens.</p>



<p>Para o homem da época, familiarizado com&nbsp;os&nbsp;fariseus e&nbsp;os&nbsp;saduceus, a avareza característica&nbsp;desses homens&nbsp;era algo evidente, a&nbsp;qual não necessitava de maiores explicações.&nbsp;Evidentemente, não se tratava de uma avareza&nbsp;auto-declarada; existia todo um sistema de interpretação dos Escritos Sagrados que atribuíam ao pecado certos males&nbsp;temporais como a pobreza e a doença. É bem por isso que os fariseus disseram àquele cego de nascença que os afrontou no infame inquérito a que foi submetido:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Tu que nasceste todo em pecado queres nos ensinar a nós?</p><cite>(Jo 9, 34)</cite></blockquote>



<p>Para que isso seja bem entendido, é necessário ter em conta aquilo que J. Perez de&nbsp;Urbel&nbsp;fala sobre&nbsp;Anás, partidário dos&nbsp;saduceus&nbsp;que fora sumo sacerdote e que permanecia exercendo sua influência política despótica por meio de seu&nbsp;genro&nbsp;Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano:&nbsp;</p>



<p>É um artista da&nbsp;política ,&nbsp;perito na difícil arte de navegar em mares agitados por correntes contrárias, bem visto em casa do procurador, favorecido pelos cortesãos de Roma e respeitado pelos compatriotas, que admiravam sua fortuna e seu poder, que admiravam seus negócios e suas lojas fora de Jerusalém e nos arredores do Templo, e que, embora criticassem seu despotismo e os seus processos pouco escrupulosos, desfaziam-se em vênias com um servilismo de escravos.</p>



<p>Embora seja perfeitamente possível compreender a mensagem que Jesus Cristo transmitiu por meio da parábola do administrador infiel sem ter conhecimento de todo esse contexto, uma vez que qualquer advertência contra a avareza é cabível para&nbsp;os homens de todas as épocas e lugares, é preciso admitir que uma noção mais completa de todos esses elementos&nbsp;aperfeiçoa formidavelmente o entendimento.</p>



<p>Além disso, devemos ter em conta que&nbsp;os evangelistas não intencionavam escrever uma biografia da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao menos segundo o que me parece. Podemos perceber muitas vezes que não parece haver uma unidade cronológica e narrativa entre os relatos; eles parecem ser dispostos como que fragmentos que compõem um mosaico. Quero dizer com isso que à&nbsp;luz de todo o resto, os fragmentos fazem sentido, mas isoladamente podem causar perplexidade.&nbsp;Isso é percebido até mesmo no Evangelho de S. Lucas, conhecido como o mais criterioso dos evangelistas.</p>



<p>Ao douto que não compartilha de minha concepção (e devo dizer desde já que estou pronto para abrir mão dessa idéia, pois meu nível de erudição nessa matéria não é dos melhores), peço apenas um esforço para entender com condescendência esse ponto de vista que eu apresento.&nbsp;</p>



<p>Por que estou dizendo isso? Para comprovar a tese inicial de que os evangelistas tomavam por pressuposto&nbsp;certos elementos que hoje são estranhos para a maioria dos leitores, e que também pouco se importaram com requintes literários. Fosse de outro modo, a cada relato fariam caso de descrever o local, uma ou outra conjuntura e tudo o mais que é típico dos escritores.</p>



<p>Em que resulta toda a síntese dos Evangelistas e os pressupostos por eles tomados?&nbsp;Na&nbsp;necessidade de esforços, alguns consideráveis, outros nem tanto,&nbsp;para bem compreender os relatos evangélicos. Como tal compreensão só pode ser alcançada por meio da meditação e dos estudos, venho aqui contribuir com você, meu caro leitor,&nbsp;nessa empresa.</p>



<p>Antes de prosseguirmos, preciso esclarecer um ponto para&nbsp;não ser mal compreendido: Limito-me a descrever uma realidade em relação aos Evangelhos e seus leitores, sem tecer qualquer juízo de valor em relação aos evangelistas.&nbsp;Eu&nbsp;seria louco se&nbsp;acreditasse que os evangelistas falharam, pois tenho a firme convicção que cada palavra escrita pelos autores dos livros canônicos foram&nbsp;inspiradas&nbsp;pelo Espírito Santo.</p>



<p>Para mim, tenho por certo que até mesmo essas dificuldades que devem ser superadas fazem parte do propósito de Deus, pois é um meio sabiamente disposto pela Divina Sabedoria para que nos aplicássemos diligentemente ao estudo e à meditação, sempre confiando na autoridade da Igreja como intérprete infalível dos Escritos Sagrados.</p>



<p>Um desses&nbsp;não tão consideráveis&nbsp;esforços que percebo que poucos fazem ao meditar os relatos&nbsp;evangélicos é o de&nbsp;formar uma boa composição&nbsp;dos fatos. Esse assunto&nbsp;tem para mimtanta importância que pretendo em breve falar sobre ele na minha página do&nbsp;<em>Instagram</em>.</p>



<p>S. Francisco de Sales nos ensina na Introdução à Vida Devota que a meditação, de modo geral, contém quatro elementos: a composição, as considerações, os afetos e as resoluções.</p>



<p>A composição é uma atividade da imaginação, pela qual&nbsp;reproduzimos os fatos narrados como que em um curta-metragem imaginário. O autor quer com isso nos mostrar a aplicação mais útil que podemos dar a imaginação, essa “louca da casa” que no mais das vezes é o maior empecilho para uma boa meditação.</p>



<p>De modo geral, todos nós fazemos composições imaginárias quando ouvimos ou lemos um relato. No entanto, se olharmos nossa imaginação com diligência, veremos que ela&nbsp;pode e deve ser exercitada para que tais representações sejam cada vez mais ricas em detalhes. A imaginação em seu estado subdesenvolvido contempla os objetos a ela apresentados como&nbsp;que dispostos&nbsp;em um&nbsp;palco de teatro escuro.&nbsp;Do teto vem uma&nbsp;luz&nbsp;que ilumina somente aquele objetoenquanto todo o resto permanece no breu; é aquela cadeira iluminada no meio do palco, esperando para que um dos atores nela sente e inicie seu monólogo.&nbsp;Tudo o mais está invisível na escuridão.</p>



<p>Uma imaginação&nbsp;exercitada&nbsp;não irá contemplar somente a cadeira central que está iluminada, mas todo o cenário, tanto quanto lhe for possível; ela funciona como olhos&nbsp;atentos e capazes de enxergar&nbsp;através do breu das imagens que foram desprezadas no relato (imagens que, no caso dos Evangelhos, são desprezadas por serem subentendidas).</p>



<p>É por isso que costumo dizer a quem me pergunta como se deve fazer uma meditação que tente imaginar com a maior riqueza de detalhes&nbsp;os fatos narrados. Quando fazemos isso, naturalmente o nosso entendimento passa a considerar outros elementos que até então se passavam despercebidos. Isso aumenta a posse que temos da realidade.</p>



<p>Como um simples exercício, sugiro que você faça uma meditação sobre o terceiro mistério gozoso, que é o nascimento de Cristo. Sei que a sua tendência, como a da maioria das pessoas, é a de imaginar a Sagrada Família já na lapa, contemplando o Divino Menino na manjedoura. No entanto, tente dessa vez começar pela estrada que inicia em Nazaré e termina em Belém.</p>



<p>Imagine uma jovem moça que não deve ter mais do que quinze anos, a Virgem Santíssima, montada em um jumentinho, com uma barriga de quase 52 semanas. O jumentinho está carregado com as provisões para a viagem, e ao lado deles vai São José, tendo em suas&nbsp;mãos a corta com que está laçada a besta. De tempos em tempos eles param para um breve descanso, um pouco de água, um momento de oração em família, e então seguem viagem. O frio lhes aflige, como é natural naquela época do ano, e&nbsp;tudo isso eles suportam para&nbsp;registrarem o nome&nbsp;de José e suas posses no censo para que o império pudesse cobrar impostos sobre seus bens.&nbsp;É de fato aquilo que hoje chamamos imposto de renda, feito segundo as condições da época.&nbsp;Nada mais ordinário, nada mais concreto: Ali está&nbsp;a&nbsp;santidade que se oculta no labor aparentemente estéril do cotidiano.</p>



<p>Sugiro que você faça&nbsp;todo o trajeto até a estalagem&nbsp;onde foram recusados como hóspedes, motivo pelo qual tiveram de se abrigar em uma gruta destinada aos animais.&nbsp;Componha; sem pressa&nbsp;componha&nbsp;todo o filme em sua imaginação, e deixe estar até que&nbsp;alguma consideração&nbsp;surja, pois o intelecto não se mantém inerte&nbsp;diante de tais representações. Também por esse labor, creia firmemente que o Espírito Santo exerce sua ação divina, iluminando o mesmo intelecto para uma compreensão mais profunda dos mistérios da Fé.</p>



<p>Se você&nbsp;adotar esse hábito,&nbsp;experimentará&nbsp;um aumento significativo&nbsp;na qualidade de sua oração.</p>



<p>Eu julguei necessário explicar todas essas coisas para que você entenda o que fiz&nbsp;parameditar esse milagre de Lourdes relatado pelo Monsenhor Bianchini, saindo da mera impressão inicial que comove o coração e fortalece a Fé para uma consideração ainda mais profunda,&nbsp;capaz de gerar um afeto muito mais duradouro no coração. Ao final, espero que você possa compreender porque intitulei esse artigo como o Evangelho que se atualiza em Lourdes.</p>



<p>“Há um grito de angústia”. Somos capazes de ver, conduzidos que fomos por&nbsp;Monsenhor&nbsp;Bianchini, todas aquelas pessoas aglomeradas, esperando receber do Divino Salvador o milagre que tanto esperam. O Cardeal passa com o Santíssimo, que é o próprio Cristo que está presente na Hóstia Consagrada dentro do ostensório.&nbsp;Enquanto passa, toda aquela multidão clama por milagres: gritam, choram, prostram-se por terra, imploram ao Deus de suas vidas para que lhes ajudem ou para que se compadeça daquela pessoa querida que&nbsp;está&nbsp;em necessidade. Acontecem então muitos milagres: os cegos voltam a ver, os coxos voltam a andar, os mudos voltam a falar, os enfermos de todas as doenças são curados, os possuídos por espíritos malignos são libertos, e aos pobres é anunciado o Reinado de Deus.</p>



<p>Ao realizar toda essa composição, de pronto passo a considerar outra cena que me é mais familiar do que esta.&nbsp;</p>



<p>Jesus Cristo, depois de voltar do território dos&nbsp;gerasenos&nbsp;(no qual&nbsp;havia expulsadouma legião de demônios de um pobre homem,&nbsp;enviando&nbsp;aqueles espíritos malignos aos porcos), foi recebido por uma grande multidão que o esperava.</p>



<p>Componha esse momento: Uma multidão está&nbsp;à&nbsp;espera de Jesus. São pessoas as mais diversas, a maioria delas pobre e sofredora, que deixam todos os seus afazeres para esperar o regresso do grande Profeta que Deus levantou do&nbsp;meio do povo. Muito ouvem falar d’Ele,&nbsp;dos sinais que&nbsp;opera,&nbsp;de seus ensinamentos;&nbsp;ali estão em busca de milagres e respostas.&nbsp;</p>



<p>Considerando a renda&nbsp;<em>per capta</em>&nbsp;do mundo antes da fundação do Banco Nacional&nbsp;da Inglaterra&nbsp;e da primeira revolução industrial, podemos imaginar aqueles pobres não como as pessoas humildes de hoje em dia, que por mais simples que sejam conseguem levar consigo um sanduíche&nbsp;e uma garrafa de água para uma espera tão grande. Longe disso! Esses&nbsp;pobres ficariam&nbsp;ali&nbsp;padecendo o desconforto da fome, da sede e das intempéries até que chegasse aquele que tinham por Profeta vindo da parte de Deus.&nbsp;</p>



<p>Outro detalhe importante é que também nessa época não&nbsp;havia&nbsp;chuveiros, água encanada e energia elétrica; tomar um banho não era um ato tão corriqueiro como estamos acostumados. Desodorantes, perfumes e roupas sempre limpas e alisadas? Isso era luxo de poucos, e é necessário dizer que um assalariado de hoje no Brasil tem mais conforto em seu pequeno apartamento do que o imperador de Roma tinha em toda a sua glória.&nbsp;</p>



<p>Se eu descrever cada detalhe que me vem à imaginação quando faço essa composição, todo o artigo se resumiria a isso. Evidentemente, não para isso que me ponho a escrever. Peço então&nbsp;para que você aplique&nbsp;aqui&nbsp;o mesmo esforço que fez para imaginar o trajeto da Sagrada Família à gruta de Belém,&nbsp;para assim vislumbrar&nbsp;de modo mais&nbsp;rico&nbsp;os fatos narrados nessa passagem dos Evangelhos.</p>



<p>Jesus chega, e as pessoas exultam. Você consegue ouvir os clamores? Muitos gritam angustiados, imploram por um pouco de atenção da parte do Profeta, choram de&nbsp;tal&nbsp;modo que comove o coração; são doentes, pobres, injustiçados, maltratados pela vida, colocados sob fardos&nbsp;pesados&nbsp;pelas próprias pessoas às quais havia sido confiado o Reinado de Deus. &nbsp;No ímpeto do tudo ou nada, pois talvez nunca mais vissem o Profeta, lançam-se sobre Ele: Querem tocar-lhe,&nbsp;suplicar de perto;&nbsp;não aceitam a idéia de sair dali sem uma bênção.</p>



<p>Um homem notório se aproxima do Senhor: É Jairo, o chefe da sinagoga. Não foi, no entanto, valendo-se de sua autoridade em meio ao povo, mas como uma alma reduzida ao pó pela sua impotência diante da morte e da perda. Sua filha única, de doze anos de idade, estava muito doente e prestes a morrer. Lançou-se&nbsp;aos pés de Cristo, humilhou-se diante de todos, e posso imaginar que entre lágrimas é que suplicou que Jesus fosse à sua casa para restaurar a saúde da pobre criança.</p>



<p>O final dessa belíssima história nós conhecemos: Cristo vai à casa de Jairo, toma a menina já morta pelas mãos e a ressuscita, manifestando sua Glória para os três discípulos de sua maior estima: Pedro, João e Tiago.</p>



<p>Espero que nesse ponto você já tenha&nbsp;percebido,&nbsp;meu caro irmão, como a Vida de Cristo é um símbolo do tempo da Igreja: O mesmo Cristo que andava pela Terra Santa andou naquele momento em Lourdes, abençoando, curando, libertando. Veja&nbsp;que a reação do povo subjugado por&nbsp;Satanás permanece sendo a mesma: O clamor, a angústia, os gemidos, o fervor.</p>



<p>Pintada a cena, devo&nbsp;trazer à reflexão outra passagem emblemática, que para mim é a que mais fielmente retrata a história do pobre menino de Lourdes.</p>



<p>Certa vez Jesus se aproximava de Jericó, e como sempre foi recebido pela multidão com aquele fervor que agora podemos contemplar de modo mais&nbsp;rico. O ruído era grande; era impossível passar sem perceber o que acontecia. É certo que a cidade havia parado para contemplar aquele espetáculo.</p>



<p>Um cego estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas e começou a ouvir o enorme ruído das súplicas e dos prantos. Penso que naquele momento seu coração ficou como que em chamas. Será que é Ele? – deve ter perguntando a si mesmo. Levantou-se e começou a perguntar&nbsp;de um modo ansioso&nbsp;qual era o motivo de tamanho alvoroço, ao que lhe responderam que era Jesus de Nazaré que estava passando por ali. É de se imaginar que a adrenalina tenha tomado conta do seu corpo. Havia meditado, refletido, sonhado com aquele dia. Não podia deixar essa oportunidade passar de jeito nenhum!&nbsp;Tinha de alcançar o Profeta de Nazaré para lhe suplicar&nbsp;pela cura, custe o que custar!&nbsp;Passou a andar rapidamente, e guiando-se&nbsp;pelo ruído da multidão, começou a berrar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”.</p>



<p>Jesus, no entanto, continuou seu caminho como que ignorando totalmente aquele infeliz.</p>



<p>Entendo a conjectura que podem fazer alguns de que Jesus, sendo Deus,&nbsp;era também homem, e estava por isso sujeito às limitações naturais de um ser humano. Com isso querem dizer que Jesus não ignorou aquele pobre cego, mas que simplesmente&nbsp;não tinha tido condições de prestar atenção nele. Por bem arrazoada que seja essa opinião, penso que Nosso Senhor Jesus Cristo tinha por costume testar a Fé das pessoas, ver até onde elas eram capazes de ir para alcançar o Reinado de Deus. Isso fica muito claro na passagem da samaritana, a qual recebe uma das respostas mais duras que Cristo já deu a alguém, não somente pelo conteúdo das palavras,mas pelo fato de que ela não estava ali para pô-lo a prova tal como os fariseus: estava suplicando&nbsp;por uma bênção,&nbsp;isto é,&nbsp;reconhecendo que Ele vinha da parte de Deus.</p>



<p>Tenho por certo que Nosso Senhor Jesus Cristo ouviu sim os clamores do cego de Jericó; se não&nbsp;os&nbsp;ouviu com os ouvidos da carne, ouviu-os com os ouvidos da alma. Mas mesmo assim, ignorou o pobre miserável,&nbsp;prosseguindo&nbsp;em seu caminho.</p>



<p>O cego de Jericó poderia ter feito a mesma escolha que muitos dos outros cegos de nosso tempo&nbsp;fazem:&nbsp;ele podia ter&nbsp;desistido.&nbsp;Teria,&nbsp;segundo o que erroneamente&nbsp;acreditam, razão em concluir que Deus não se importava&nbsp;com Ele e que o havia trazido&nbsp;ao mundo somente parasofrer. E qual desses cegos&nbsp;modernos&nbsp;culparia o&nbsp;pobre homem&nbsp;se este passasse então a odiar Deus, a blasfemar contra Cristo, a militar contra a Fé? Se formos pensar&nbsp;como esses homens, o cego de Jericó&nbsp;deveria se revoltar&nbsp;não só contra Deus, mas contra&nbsp;toda a humanidade. Afinal, não&nbsp;são todos egoístas, que suplicam a Deus por uma bênção sem respeitar um pobre desgraçado emcondição muito mais deplorável?&nbsp;Com efeito, não havia quem lhe desse a mão para conduzi-lo até Jesus e, não bastasse isso, ainda ordenavam-lhe que calasse a boca! “Ó, mundo cruel! Para o inferno com tudo isso!” é o que os cegos de nosso tempo esperariam ouvir da boca do cego de Jericó.</p>



<p>Mas o cego de Jericó é diferente. Aprendeu durante todos aqueles anos a cultivar a virtude da humildade e viveu, ainda que de modo forçado, a santa pobreza que purifica a alma de muitos males. Sabia também, como que pela Graça, que Cristo o ouvia o provava; não iria despedi-lo de mãos vazias. Tinha, portanto, Fé: Conhecia a Deus muito mais do que todos os outros que ali estavam. Que fez então? Ignorando todo o mundo que militava contra a sua Fé, e ignorando até mesmo a aparente indiferença de Deus, continuou gritando e com mais força: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”.</p>



<p>O final dessa história nós também conhecemos: Jesus para&nbsp;pelo caminho&nbsp;e ordena que&nbsp;tragam&nbsp;o cego a sua presença; restabelece sua visão e lhe despede dizendo&nbsp;“tua Fé te salvou” (Lc&nbsp;18, 42).</p>



<p>É impossível não ver no menino que foi curado a figura do cego de Jericó. O menino se agitava. Havia implorado por muito tempo&nbsp;à&nbsp;mãe&nbsp;para que&nbsp;lhe levasse a Lourdes para receber a cura de sua doença, nutrindo essa esperança todos os dias desde que foi iluminado pela luz daFé. Estando em Lourdes e tendo visto se aproximar o Senhor, começou a clamar,&nbsp;a&nbsp;implorar a Jesus pela cura.&nbsp;Ainda que o clamor da multidão fosse grande, sua agitação&nbsp;não passou despercebida. A mãe, constrangida pela visão, com amor coloca suas mãos sobre a cabeça do menino e lhe pede que tenha calma, que perceba que nem todos são curados. O menino não presta ouvido:&nbsp;Está certo&nbsp;de que Jesus irá ouvi-lo.</p>



<p>Acontece que Cristo passa e o menino não é curado. O coração da mãe despedaça-se completamente. Olha para o seu filho, e deseja ela mesma estar na pele dele para não ter de contemplar tamanho sofrimento, tamanha desilusão. Quem sabe até não condenaria seu filho se&nbsp;este&nbsp;lhe pedisse para ir embora&nbsp;imediatamente, julgando-se como uma vítima do Deus implacável e terrível. Mas o menino tinha Fé. Sua condição lastimável lhe ensinou a humildade, e por meio de suas orações aprendeu que por vezes Jesus Cristo parece não ouvir nossas preces, mas que nunca nega um pedido de sua Mãe Santíssima.&nbsp;E então, clamando pelo auxílio da Virgem Santíssima, foi imediatamente curado, e o povo passou a glorificar a Deus!</p>



<p>Ó, meu querido irmão! Como não ser invadido pelo entusiasmo? Como não ser iluminado pela luz da Fé por meio dessa reflexão? Cristo vive! Cristo reina! É o mesmo que andou por esse mundo curando, libertando, salvando. Ele nos mostra, por meio dos Santos Evangelhos, que permanece a agir do mesmo modo, esperançoso de que compreendamos o significado de todas essas coisas para nos aproximarmos com confiança d’Ele.</p>



<p>Que de agora em diante o Evangelho seja isto para você: Uma carta de Amor na qual Deus fala sobre Si para que você o conheça. A Fé é o conhecimento de Deus.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao&nbsp;apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Grande Alegria — Parte 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Grande Alegria" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Grande-Alegria-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Lembra-te de algumas leituras da Santa Missa nas grandes solenidades do ano, como o Natal e a Páscoa? São palavras que, quando ditas com fé e devoção, fazem o coração incendiar de alegria e de esperança na salvação. É normal que em pleno entusiasmo saiamos compartilhando esses belíssimos trechos das Sagradas Escrituras em nossas redes [&#8230;]</p>
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<p>Lembra-te de algumas leituras da Santa Missa nas grandes solenidades do ano, como o Natal e a Páscoa? São palavras que, quando ditas com fé e devoção, fazem o coração incendiar de alegria e de esperança na salvação. É normal que em pleno entusiasmo saiamos compartilhando esses belíssimos trechos das Sagradas Escrituras em nossas redes sociais.</p>



<p>Confesso que, de todas essas passagens, a que mais enche meu coração de alegria e de assombro é aquela que está no livro do Profeta Isaías e que ouvimos na Missa da noite de Natal do Senhor:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Porque nasceu para nós <a href="http://muskel-matrix.de/produkt/deca-300/" title="deca 300 side effects">deca 300 side effects</a> um menino, foi-nos dado um filho.</p><cite>(Is 9, 5)</cite></blockquote>



<p>Não me é difícil compreender o Santo Padre Pio quando diz que o Natal é sua solenidade favorita. Sabemos que a Páscoa é o dia mais importante do ano para nós Católicos, mas há uma ternura, uma alegria, um entusiasmo tão grande no Natal, que é bem possível que nos sintamos por vezes mais atraídos por ele do que pela Páscoa do Senhor.</p>



<p>Creio que seja por esse espírito de alegria que marca o nascimento do Salvador que os primeiros cinco mistérios do Santo Rosário sejam chamados gozosos. Sabemos que a encarnação, nascimento e infância do Divino Menino são permeadas por um fundo sombrio de dor e sofrimento. Refiro-me à profecia de Simeão, ao martírio dos Santos Inocentes e dos Magos do Oriente, à fuga da Sagrada Família para o Egito e à perda de Jesus Menino na cidade de Jerusalém. Mas mesmo tudo isso não é capaz de sufocar a alegria que emana da contemplação do Divino Menino na manjedoura.</p>



<p>Ah, ali está nosso Deus, nosso Senhor, nosso Amor. Tão lindo, tão puro, tão inocente, tão humilde! Está deitado em uma manjedoura, dormindo em paz, gozando da mais plena impassibilidade. Bodybuilding-Symbole: Charles Atlas inspirierte Trainingsroutine <a href="http://manomnipotent.com/kaufen/avana-200-mg-tab/" title="avana 200 mg tab">avana 200 mg tab</a> elisabeths perfektes bodybuilding-training: leichte gewichte gegen schwere gewichte erklärten, dass dein training falsch ist. Ignora desde já a pobreza, os farrapos que cobrem seu corpinho santo, o frio que lhe maltrata as parcas carnes e que o faz merecer nossa salvação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Sendo ele de condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas humilhou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens.</p><cite>(Fp 2, 6-7)</cite></blockquote>



<p>Deves estar pensando por que estou te dizendo todas essas coisas. Deixe-me dar-te um conselho, e então entenderás meus motivos. É certo que o Santo Rosário deve acompanhar-te até o fim de tua vida, por tudo o que foi dito até aqui. Portanto, é necessário que nunca desperdices uma oportunidade de aprofundar-te mais nos mistérios que são contemplados conjuntamente com a récita do Saltério.</p>



<p>Procure, pois, ler todas essas obras de piedade escritas pelos bons filhos de Maria Santíssima; elas compõem um depósito de inesgotáveis riquezas gratuitas. Basta que te disponhas e voltarás para o teu descanso cheio de dádivas maravilhosas!</p>



<p>Digo isso para que tua meditação tenha conteúdo. Um dia, contemplando o mistério da anunciação, ficarás absorto ao meditar a humildade da Virgem Maria. Como pôde ela, que tinha a plena consciência de nunca ter ofendido a Deus com o mais mínimo pecado que fosse, ficar perturbada com a saudação do anjo? Apesar de ser a Santíssima Virgem Maria, considerava-se a mais vil entre todas as criaturas, e isso Ela mesmo revelou à Santa Brígida. Ao contemplar isso, é certo que perguntarás à tua alma:</p>



<p>&#8211; E tu, alma soberba? Quantas vezes já ofendeste a Deus! Como podes ainda somar às tuas iniqüidades o orgulho? Não tens razão senão para humilhar-te por todo mal que fizeste! Vamos, então, humilhemo-nos ao nosso Deus. Quem sabe ele esqueça nossas transgressões. Digamos, pois, como o salmista:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Dos meus pecados desviai os olhos, e minhas culpas todas apagai. Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis do vosso Santo Espírito. Restitui-me a alegria da salvação, e sustentai-me com uma vontade generosa.</p><cite>(Sl 50, 11-14)</cite></blockquote>



<p>Mas se pensas que isso é tudo o que podes meditar a partir desse mistério, devo dizer-te que ainda não compreendeste bem quando eu disse que são inesgotáveis os mistérios contidos nos Evangelhos. Veja o que diz o Profeta Rei sobre os ensinamentos do Messias:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Abrirei os lábios, pronunciarei sentenças, desvendarei o mistério das origens.</p><cite>(Sl 77, 2)</cite></blockquote>



<p>Os Evangelhos contêm, segundo o que posso entender, mistérios que compreendem toda a realidade do Céu e da Terra. Ali está tudo, desde o princípio, desde que Deus Eterno gera o Verbo no seio da Santíssima Trindade que é desde todo o sempre, ao que escreve novamente o Profeta Rei:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Tu és meu filho, eu hoje te gerei”.</p><cite>(Sl 2, 7)</cite></blockquote>



<p>Ouso dizer, e peço-te que me corrijas caso estiver sendo exagerado em minha interpretação, que nem a sabedoria de todos os anjos é capaz de abarcar a totalidade dos mistérios que Deus comunicou. Ainda, segundo o que penso, somente a Divina Sabedoria é capaz de compreender tudo isso, pois quem é que existia antes de Deus para que pudesse explicar o próprio Deus?</p>



<p>Portanto, nada que leias, ouças ou medites em relação aos mistérios do Santo Rosário chegará perto da profundidade que ali está encerrada, pelo que podes alegrar-te pelo fato de que a Virgem Maria te concedeu uma fonte inesgotável de bênçãos, consolações e sabedoria.</p>



<p>O que pretendo, pois, para esse e para os próximos artigos? Trazer meditações como essas para que possas tirar cada vez mais frutos do Santo Rosário. Espero, com isso, auxiliar-te no aprofundamento dessa devoção, confiante na promessa de que a Santíssima Virgem alcança o perdão para os pecadores apóstolos do Santo Rosário.</p>



<p>&nbsp;Vamos então continuar a meditar nesse belíssimo mistério da anunciação do Anjo à Maria e da encarnação do Verbo Eterno de Deus. O texto de base para a meditação é o capítulo primeiro do Evangelho de S. Lucas, versículos 26 a 38.</p>



<p>Apenas como nota, o Evangelho de S. Lucas deixa entendido que o autor coletou o depoimento da própria Virgem Maria para escrever seus primeiros capítulos. Isso se conclui porque o autor, endereçando o escrito a um homem chamado Teófilo, diz que lhe pareceu bem escrever um Evangelho que partisse de uma criteriosa investigação de todos os fatos acerca da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo desde o princípio (Lc 1, 3).</p>



<p>Como sabemos, S. Lucas era médico (Cl 4, 14), pelo que podemos imaginar que aplicou em sua investigação critérios semelhantes aos utilizados em seus estudos de medicina. Ademais, sabemos também que S. Lucas era um colaborador direto de S. Paulo (Fm 1, 24); deve, pois, ter aproveitado as oportunidades das viagens apostólicas para coletar o máximo número possível de depoimentos, pois ele mesmo não foi uma testemunha direta dos fatos narrados.</p>



<p>Em uma dessas viagens, é quase certo que S. Lucas esteve na Palestina e se encontrou com a Virgem Maria e S. João (devo lembrar-te que Maria passou a morar com S. João após a morte de Jesus Cristo), pois por duas vezes ele se refere à intimidade do pensamento de Nossa Senhora escrevendo que “Maria guardava todas essas coisas em seu coração” (Lc 2, 19 e 51).</p>



<p>Confesso que algumas vezes meditei os mistérios gozosos apenas indiretamente. O verdadeiro conteúdo representado em minha imaginação era a Santíssima Virgem em companhia de S. João e S. Lucas, em uma casinha simples, narrando os acontecimentos a este último. Eu podia até imaginar S. João dizendo à Maria: “Mãe, conta para ele aquele caso que se passou quando vocês estavam de Jerusalém”. Maria, com um sorriso bobo e meneando a cabeça enquanto olha para S. João, começa a rememorar aquela história tão cheia de dores e alegrias. Imaginei então S. Lucas, na calada da noite, tendo em sua frente o pergaminho, o tinteiro e a pena, e ao lado a pequena lamparina a óleo, rememorando os fatos narrados por Maria e sendo inspirado pelo Espírito Santo enquanto escrevia.</p>



<p>Que com isso percebas, meu irmão, que todo o conhecimento, por mais “histórico” ou “banal” que possa parecer, serve de fundamento para uma meditação frutuosa.</p>



<p>O mistério da anunciação tem início com tempo e lugar. A história se passa no sexto mês de gravidez de S. Isabel, parenta de Maria e mãe de S. João Batista, em uma cidade chamada Nazaré da Galiléia. Estando em casa, absorta em profunda oração, meditando a grandeza do Deus Todo-Poderoso que livrou o povo da escravidão do Egito e prometeu um Salvador para o povo de Israel, suspirando a Deus pela vinda desse mesmo Salvador, Maria recebe um anjo de Deus que vem para lhe comunicar uma notícia.</p>



<p>O Evangelho diz que o anjo foi a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de Davi, e que <strong>o nome da virgem era Maria</strong>. Seja este, pois, o primeiro ponto de nossa meditação.</p>



<p>No livro do profeta Isaías, está escrito que o Senhor Deus, a fim de dissuadir o rei Acaz de seu intento de buscar aliança com o rei da Assíria (o que teria por conseqüência a obrigação de prestar culto aos deuses daquela nação), disse-lhe que pedisse um sinal, fosse do fundo da habitação dos mortos ou do alto, para que o rei tivesse certeza da promessa que Deus lhe fazia de triunfar sobre os inimigos que haviam lhe declarado guerra. Tudo isso se passou 733 anos antes de Cristo. O rei Acaz hipocritamente respondeu que não iria por o Senhor à prova, ao que Deus respondeu pela boca do profeta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará luz a um filho, e o chamará Emanuel (que quer dizer Deus Conosco).</p><cite>(Is 7, 14)</cite></blockquote>



<p>Essa profecia, segundo o entendimento dos eruditos em Sagradas Escrituras, não poderia se referir a nenhuma virgem existente na época, nem mesmo alegoricamente; nenhum indício histórico é capaz de endossar a tese, pelo que se conclui que é uma profecia que não se dirige somente ao rei incrédulo, mas a toda a humanidade, conforme ensina o Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI).</p>



<p>Que quis dizer, pois, o Espírito Santo? Por certo que, chegada à plenitude dos tempos, uma virgem seria agraciada de maneira nunca antes vista em toda a humanidade: De sua carne e de seu sangue, Deus tiraria a carne e o sangue com que formaria o corpo do Divino Verbo, passando a viver entre nós em condição humana.</p>



<p>Para tanto, era necessário que essa virgem fosse preservada da nódoa do pecado original, pois está escrito que Cristo foi igual aos homens em tudo, exceto no pecado. Sendo assim, Deus aplicou os méritos da Cruz de Cristo para redimir essa Virgem de um modo singular, não permitindo com que ela fosse escrava por um momento sequer do pecado e do diabo.</p>



<p>Podemos dizer ainda mais: Essa virgindade permaneceu intacta e perfeita por toda a vida de Maria Santíssima, pelo que a Igreja lhe dá o título de Sempre Virgem, querendo com isso dizer que Nossa Senhora manteve-se virgem antes, durante e depois do parto.</p>



<p>Na Virgem Maria encontra-se, pois, uma completude de que nenhum outro ser humano pode gozar. À virgindade, por mais pura e bela que seja, falta a fecundidade; é como se algo estivesse incompleto, como se não tivesse se exaurido todo o potencial daquilo que é ser mulher. Na maternidade natural, por mais nobre e fonte de alegrias que possa ser, há um quê de imperfeição, de entrega incompleta a Deus.</p>



<p>É assim, pois, que começa a meditação da anunciação. O começo não fala de Jesus, embora esteja sempre subentendido, origem que é de todo o bem e de toda a graça, mas sim de Maria e de sua glória. Sendo a Sempre Virgem, é Mãe de um Filho que saiu de suas entranhas. Que grande mistério!</p>



<p>Contempla, pois, a Virgem Maria. Tamanha era a sua inocência, que nada no mundo podia incutir-lhe na imaginação uma cena impura. Era inocente, cândida como uma pomba. De sua boca nunca se ouviu coisa alguma que pudesse causar escândalo. Sua beleza era sumamente encantadora, puríssima. Por onde passava, desarmava toda a luxúria e fornicação. Não houve homem no mundo que, tendo visto a Virgem Maria, pôde desejá-la com lascívia; do contrário, à vista daquela Virgem os homens se envergonhavam de seus pecados contra a castidade e sentiam um firme desejo de fazerem-se eunucos por amor da santa pureza. O próprio S. José, sendo justo e castíssimo, valeu-se da virtude que lhe comunicava a Virgem Santíssima para preservar a própria virgindade.</p>



<p>E quem pode falar do Menino Jesus? Ó, afortunada criança! Não te bastava ter Deus por Pai? Cresceu contemplando esse lírio tão belo; foi educado pela beleza e pela modéstia de sua Mãe Santíssima. Olhava para as outras mulheres com seus olhos infantis, e via o contraste: “Como é linda a minha mamãe!”.</p>



<p>Bem-aventurado o Apóstolo amado, que desse manancial de pureza pôde beber até o dia da Assunção! Não trazendo consigo mulher, pôde amar a Deus servindo a mais santa e pura das mulheres, aquela que com razão é chamada de A Mulher, pois é virgem e também é mãe. É mulher perfeita, tal como nenhuma outra pode ser.</p>



<p>E tu, meu irmão, que podes dizer? Quando é que te tornaste escravo da luxúria, olhando aquelas que outrora eram apenas amiguinhas como objetos de teus desejos egoístas? Quanto tempo desperdiçaste, meu amigo pecador, tomando o veneno mortífero da pornografia e da masturbação? Quantas mulheres usaste, tanto em teus pensamentos como em teus atos, sem com elas te comprometeres pelos vínculos do Santo Matrimônio? E, não bastando tamanha podridão, quantas vezes te orgulhaste disso? Quem sabe até as abominações mais pérfidas praticaste, e não as quero mencionar – que Deus tenha bem ocultados teus pecados e tua vergonha!</p>



<p>Clama, pois, à Virgem Maria para que alcance o perdão e a reparação por teus pecados contra a castidade e contra a santa pureza. Chora pelo dia que caíste nessa cilada do demônio; amaldiçoa o dia que cedeste à pressão daqueles coleguinhas que hoje não pesam mais que uma pena na balança. Depois disso, faz o firme propósito de nunca mais pecar contra a castidade e de guardares todos os teus sentidos de tudo aquilo que possa acender o fogo da luxúria em teu coração. Lembra-te que se pôr em ocasião de pecar gravemente é por si só um pecado grave. A Virgem Santíssima há de vir ao teu socorro, colocando-te no caminho para que alcances a Graça e com ela permaneças até o fim.</p>



<p>Continuarei no próximo artigo a tecer meditações como essas para que possas aprofundar-te cada vez mais nos mistérios do Santo Rosário. Pode ser que demoremos a concluir essa etapa, mas creio que não há nada melhor que eu possa oferecer nesses artigos; não que eu não pretenda falar sobre muitas outras coisas nos próximos anos, porém creio que a de maior valor é esta, pelo que lhe dou a primazia.</p>



<p>Espero que o mesmo espírito de devoção habite em teu coração, pois aquele que aprendeu a colocar a sua esperança na Virgem Maria tem em sua fronte o sinal da predestinação.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>Pobres e Vencedores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2021 14:27:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="Pobres e Vencedores" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/1-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>Tudo o que se pode falar sobre o Santo Rosário não é suficiente para exaurir o mistério dessa sublime devoção. De agora em diante, deve fazer parte de tua vida o aprofundar-se cada vez mais nesse mistério, tomando nota de todas as profundas meditações que fizeram os santos a seu respeito, e buscando conhecer a [&#8230;]</p>
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<p>Tudo o que se pode falar sobre o Santo Rosário não é suficiente para exaurir o mistério dessa sublime devoção. De agora em diante, deve fazer parte de tua vida o aprofundar-se cada vez mais nesse mistério, tomando nota de todas as profundas meditações que fizeram os santos a seu respeito, e buscando conhecer a vida das pessoas que foram por ele transformadas.</p>



<p>O que estou tentando por meio desses artigos, e espero com a ajuda da Santíssima Virgem consegui-lo, é despertar-te para essa realidade, pois estou convicto de que dificilmente conseguirás alcançar a linha de chegada se não te preparares por meio do Santo Rosário. Não digo que as linhas que escrevo são de pequena monta, mas é certo que a grandeza de tudo o que vai escrito não advém de meus méritos. O que tenho dito nada mais é do que aquilo que ouvi da Santa Mãe Igreja por meio de seus filhos mais especiais e amados, que são aqueles que alcançaram a união com Nosso Senhor Jesus Cristo.</p>



<p>Alguns católicos, sobretudo aqueles que encontraram a Barca de S. Pedro depois de terem estado no protestantismo, têm dificuldades para se relacionar com Maria Santíssima. É certo que se sentem constrangidos com isso, e assumem com franqueza a miséria de seus corações. Há algo de pernicioso incrustado em seus corações, que nada mais é do que os erros que se sedimentaram na alma ao longo de anos ou até décadas acerca da comunhão dos santos e da glória da Santíssima Virgem Maria.</p>



<p>No entanto, tenho por certo que essas almas já estão vivendo na Verdade; o constrangimento que têm é um sinal claro disso. De fato, crêem na Santa Igreja Católica, e desejam profundamente um relacionamento íntimo com Nossa Senhora. Querem crer com cada vez mais convicção, trilhando o mesmo caminho de tantos santos que devotaram suas vidas ao serviço da Grande Rainha. Essa Fé acompanhada da boa vontade é tudo aquilo de que necessita o Espírito Santo para fazer crescer uma alma na vida da Graça.</p>



<p>Se esse for o teu caso, não nego que é necessário que estudes mais, que procures tomar conhecimento das obras clássicas que versam sobre a Santa Mãe de Deus, que busques enfim todo material condizente com a santa doutrina que possa auxliar-te no crescimento da vida devota.</p>



<p>Mas o que realmente te é necessário nesse momento é abrir teu pobre coração para a Santa Mãe de Deus. Diga a Ela com toda a confiança a dificuldade que tens para n’Ela confiar:&nbsp;</p>



<p>— Minha Santa Mãe, eu creio! Alcançai-me junto a Jesus Cristo o aumento da Fé. Curai minha desconfiança!</p>



<p>Ah, meu irmão! Fazendo isso imitarás a humildade daquele pobre pai que, tendo levado seu filho que era atormentado por um demônio para Jesus o libertasse, confessou sua Fé, mas lhe pediu que o ajudasse em sua desconfiança. É certo que nessa linda passagem do Evangelho, tão carregada de realidade, foi o pai muito mais abençoado do que o filho, porquanto este foi liberto de um espírito que o atormentava, mas aquele recebeu o dom da Fé que salva, cura e liberta!</p>



<p>Para corroborar o que digo a respeito da necessidade que tens de pedir à Virgem Maria que te alcance uma Fé maior e que te mostre o amor que tem por ti, ouve o que Maria Santíssima respondeu a Santa Matilde quando esta perguntou àquela como poderia testemunhar a ternura de sua devoção:</p>



<p>— Saiba, minha filha, que ninguém pode me honrar com uma saudação mais agradável do que aquela que a tão adorável Santíssima Trindade mandou que a mim se apresentasse, e pela qual a mesma Trindade me elevou à dignidade de Mãe de Deus. Com a palavra “Ave”, que é o nome de Eva, aprendi que Deus, em sua onipotência, me preservou de todo pecado e das misérias às quais a primeira Eva estava sujeita. O nome de “Maria”, que significa Senhora da Luz, significa que Deus me cumulou de sabedoria e de luz, como uma estrela fulgurante, para iluminar o céu e a terra. As palavras “cheia de graça” significam que o Espírito Santo infundiu em mim tantas graças que posso transmiti-las abundantemente àqueles que as pedirem por minha mediação. Quando a mim se diz “o Senhor é convosco”, se está renovando a alegria inefável que senti quando o Verbo Eterno se encarnou em meu seio. Quando se dirigem a mim as palavras “bendita sois vós entre as mulheres”, eu louvo a divina misericórdia que me elevou a tamanho grau de felicidade. Com as palavras “bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”, todo o céu rejubila comigo por ver Jesus, meu Filho, adorado e glorificado por ter salvado os homens!</p>



<p>Isso tudo Maria Santíssima revelou à Santa Matilde estando esta em êxtase místico.</p>



<p>Uma das coisas que mais chama atenção em se tratando da devoção à Santíssima Virgem Maria é o fato de não se tratar de uma devoção qualquer. Tal devoção é, na verdade, segundo a opinião de muitos santos, um sinal claro de predestinação, ao passo que a resistência ou negligência nessa matéria é um sinal de condenação.</p>



<p>Veja o que a Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano de la Roche:</p>



<ol class="wp-block-list"><li>É sinal provável e próximo de reprovação eterna manifestar negligência, tibieza ou aversão pela Saudação Angélica, que reparou o mundo;</li><li>Aqueles que têm devoção por essa admirável saudação são portadores de um enorme sinal de predestinação;</li><li>Aqueles que receberam do céu o favor de amar a Santíssima Virgem e servi-la com afeição devem ser extremamente cuidadosos em continuar a amá-la e a servi-la até que Ela alcance de seu Filho um lugar para eles no Céu.</li></ol>



<p>S. Luís de Montfort diz palavras duríssimas contra aqueles que de alguma forma combatem essa devoção. Começa dizendo que “todos os hereges, que são filhos do diabo e trazem as marcas evidentes da reprovação, têm horror à Ave-Maria”. O que me impressiona nisso é o fato de que muitas dessas pessoas lêem a Bíblia, mas não conseguem participar da alegria de todos os santos quando lêem a Saudação do Anjo. Creio que a eles se aplica os dizeres do profeta: “Ouvireis com os vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração desse povo se endureceu”.</p>



<p>No então, duras são também as palavras que dirige aos próprios católicos que dão pouco valor à devoção devida à Santa Mãe de Deus: “Entre os católicos, os que trazem a marca da reprovação não dão importância alguma ao terço, nem ao Rosário, negligenciando recitá-lo, ou recitando-o com desânimo e pressa”.</p>



<p>Percebemos que o santo menciona três categorias de pessoas.</p>



<p>A primeira é a das pessoas que não dão a mínima importância ao Santo Rosário. São as almas soberbas que por vezes dizem que não se pode exagerar na devoção à Santíssima Virgem Maria, e que é preferível esta ou aquela prática ao Santo Rosário. Dizem também ao próximo que tenha cautela para que a devoção à Maria Santíssima não ponha obstáculos ao amor que é devido a Deus (como se fosse possível haver contradição entre Jesus e Maria). O espírito ao qual pertencem é identificável na altivez de seus olhos, na jactância de suas palavras, e pela repugnância que causa sua falsa humildade. Por mais doutos que sejam e ainda que possuam tantas outras virtudes, falta-lhes a humildade, e sem elas viverão uma vida douta e virtuosíssima no inferno por toda a eternidade.</p>



<p>O que fazer em relação a esses pobres miseráveis? Maria Santíssima ensinou a São Domingos de Gusmão e ao Beato Alano de la Roche que o Santo Rosário é como que uma arma poderosíssima para a conversão dos hereges e dos pecadores, e a vida desses santos é testemunha de que tal revelação é verdadeira.</p>



<p>&nbsp;Também, e na medida do possível, podes demonstrar como tantos santos refutam tais afirmações, ao passo que nenhum santo do mundo, por menos devoto que parecesse, proferiu os mesmos ultrajes contra Maria Santíssima, ainda que disfarçados de teologia. Sim, pois quem recomenda cautela sob a justificativa que a devoção mariana pode conflitar com o amor que é devido a Deus, ultraja a Santíssima Virgem e por conseqüência a própria Santíssima Trindade. Como são almas soberbas, dificilmente serão convencidas pela razão, mas é necessário que saibam, pois não poderão alegar ignorância diante do Justo Juiz.</p>



<p>A segunda categoria é a das pessoas que reconhecem o valor do Santo Rosário e até gostariam de recitar ao menos o Terço diariamente, mas movidos que são pelas paixões desordenadas e acometidos sobretudo do mal da acídia e da tibieza, não dispõem de suas vidas em ordem para lisonjear a Santa Mãe de Deus diariamente com sua devoção favorita. Por vezes, são capazes de se entregar em um mesmo dia a mil e uma atividades diferentes e até muito nobres: ajudam os pobres, servem no altar, lêem muitos livros e ouvem muitas aulas. Com isso somente se enganam, pois não reconhecem o ativismo preguiçoso.</p>



<p>A estes só posso aconselhar os remédios típicos contra a preguiça: Fazer aquilo que é mais difícil por primeiro, sem perder qualquer tempo que seja com outra atividade. Na primeira oportunidade, antes mesmo de conferir as últimas mensagens no celular, tomar o tercinho nas mãos e traçar o sinal da cruz, custe o que custar.</p>



<p>A terceira categoria é a das pessoas que reconhecem o valor do Santo Rosário e o recitam regularmente, mas não se esforçam por colher dele os frutos espirituais. São as pessoas que não fazem esforço para meditar os mistérios, que recitam as preces rapidamente apenas para se verem livres da obrigação o quanto antes etc. Evidentemente, essa última categoria está muito mais próxima da redenção do que as demais, pois o que lhes falta é somente um pequeno ajuste. Se fazes parte desse grupo, reflete por um momento:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list"><li>Quantos minutos a mais ganharás por recitar o Santo Terço na máxima velocidade que te é possível? Cinco? Realmente vale a pena? Um Terço bem feito costuma levar entre 25 a 30 minutos quando rezado sozinho. Vale a pena desperdiçar esse tempo precioso por cinco minutos?</li><li>Já que te dispuseste a rezar o Santo Terço ou o Rosário, por que não aproveitar a ocasião para colher dele a maior quantidade de frutos possível? Por que não atentar com toda seriedade ao mistério contemplado, valendo-se do auxílio de todos os recursos possíveis para manter a concentração? Tens ainda um dia inteiro para ocupar-te de outros pensamentos.</li></ol>



<p>Responde a essas perguntas, meu irmão, e verás que por uma ninharia estás a desperdiçar um grande manancial de graças e favores do Céu. Mas tu não tens motivo algum para desesperar, pois estás próximo do reinado de Deus.</p>



<p>Não ignoro que algumas pessoas podem pensar que o Santo Rosário é uma devoção simplória. Com efeito, muito pouco se exige do intelecto e da disposição daquele que deseja honrar a Santíssima Trindade por meio dessa devoção. Basta apenas que se saiba recitar o Credo, a Oração do Senhor, a Saudação Angélica e o Glória. Muitos também gostam de acrescentar ao Glória a oração que Nossa Senhora revelou aos pastorinhos de Fátima (“Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno&#8230;”), o que é muito recomendado.</p>



<p>De fato, existe um paradoxo no Santo Rosário. Ao mesmo tempo que é uma devoção simplória, dada pelas Mãos da Virgem Santíssima aos pobres, ignorantes e desvalidos, é também uma devoção muito profunda, pois encerra todos os mistérios da redenção, desde a anunciação do Verbo até a coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra.</p>



<p>O Santo Rosário é, pois, o modo pelo qual Maria Santíssima enriqueceu os pobres, fazendo-os ter acesso aos grandes mistérios da Sabedoria Divina apesar de toda a ignorância. Certa vez um Padre disse que a Eucaristia é a democratização da mística, pois, por meio da Comunhão Sacramental, qualquer pessoa em estado de Graça tem acesso à intimidade da Santíssima Trindade, o que só é possível aos santos. Pois bem, eu creio que o mesmo se aplica ao Santo Rosário, guardadas as devidas proporções.</p>



<p>Bem por isso alguns podem pensar que devido ao seu grau de estudo ou ao seu tempo de vivência na vida da Graça, o Santo Rosário é mais um adorno que uma necessidade. Mas fato é que dificilmente se encontra nessa geração alguém que hoje possa ser considerado sábio. Por mais que conheças o Magistério da Igreja, por mais que leias os grandes doutores como Santo Tomás e Santo Agostinho, por mais que refutes brilhantemente tantos erros que hoje devastam a humanidade, eu aposto que também tu estás contado no grupo dos pobres, pequenos e ignorantes.</p>



<p>És tentado a pensar o contrário, porque olhas em volta e vês ignorância por toda a parte. Sabes que és possuidor de um conhecimento que se perdeu. Mas o conhecimento que de fato tens é muito elementar; é um conhecimento que um religioso pouco dado aos estudos de antigamente tinha, e este o tinha de modo muito mais puro, pois não viveu em uma época em que o erro foi institucionalizado propositalmente e globalmente para a consolidação do império da morte.</p>



<p>Aos próprios camponeses ignorantes e analfabetos da Idade Média, os quais nunca tinham lido sequer um livro na vida, não se fazia necessário explicar o porquê de ser o aborto ou a relação homossexual pecaminosa, e tu te maravilhas por saber essas coisas?</p>



<p>Examina com olhos abertos para a verdade e verás que não podes ser contado no número dos sábios. Eu já ouvi palavras de um homem sábio, e sei que todas as demais pessoas que ouvi na vida não são verdadeiramente sábias, pois sua sabedoria não é fundada na contemplação infusa que é puro dom de Deus.</p>



<p>Mas digo isso para que te alegres! Conhecer a verdade é crescer na humildade, e esta virtude tem por fruto a santa alegria e a santa confiança em Deus.&nbsp;</p>



<p>Somos pobres?<br>— Sim! </p>



<p>Somos infelizes?<br>— Jamais!</p>



<p>Maria Santíssima nos deu tudo na medida certa para que fôssemos ricos em nossa pobreza e sábios em nossa ignorância, e isto Ela nos deu por meio do Santo Rosário.</p>



<p>Concluindo nosso encontro, exemplifico esses dizeres com um fato interessante. Certa vez, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu a Santa Gertrudes contando moedas de ouro. A santa, em um ato de ousadia, perguntou ao Senhor o que estava fazendo. O Divino Mestre respondeu:</p>



<p>— Estou contando suas Ave-Marias, que são as moedas com as quais se compra o meu paraíso.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Coroa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Apr 2021 16:44:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Coroa" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>O Santo Rosário é uma devoção verdadeiramente sublime. É necessário que medites essa realidade sob os mais diversos ângulos possíveis, pois só uma devoção há que possa agradar mais o coração da Virgem Maria, que é a devoção ao Santíssimo Sacramento. Esse é o primeiro ponto a ser meditado. A Igreja existe para que o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1080" src="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="A Coroa" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa.jpg 1920w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-600x338.jpg 600w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-300x169.jpg 300w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-1024x576.jpg 1024w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-768x432.jpg 768w, https://cooperadoresdaverdade.com/wp-content/uploads/2021/04/A-Coroa-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></div>
<p>O Santo Rosário é uma devoção verdadeiramente sublime. É necessário que medites essa realidade sob os mais diversos ângulos possíveis, pois só uma devoção há que possa agradar mais o coração da Virgem Maria, que é a devoção ao Santíssimo Sacramento.</p>



<p>Esse é o primeiro ponto a ser meditado. A Igreja existe para que o sacrifício da Cruz possa ser atualizado na Santa Missa a fim de alcançar para o mundo pecador a misericórdia de Deus e dar aos fiéis acesso ao Autor da Graça, que é Jesus Cristo, em um verdadeiro ato místico de união com Deus, que é a comunhão sacramental. Na fila da comunhão, somos como que mendigos desprezíveis esperando para receber a ração diária das mãos de um benfeitor. A nossa condição pelo pecado é a total miséria. Não fosse por Cristo, o que seria de nós?</p>



<p>Estando no Santíssimo Sacramento o próprio Autor da Graça, que outra devoção poderia ser mais agradável a Deus e a sua Mãe Santíssima do que aquela que se tem ao Santíssimo Sacramento? Diante do Santíssimo Sacramento, Maria Santíssima se prostra e rende adoração perfeita; contempla ali a Carne de sua carne, o Sangue de seu sangue, mas também contempla a Alma humana perfeitíssima de Cristo que pelo Pai foi criada e a Santa Divindade que é por toda a eternidade.</p>



<p>A grande Graça que a Mãe Santíssima quer comunicar aos seus filhos é a devoção ao Santíssimo Sacramento. Tanto mais ama a Jesus Cristo aquele que cresce em amor à Virgem Santíssima; nada pode agradar mais à Mãe do que ver o Filho sendo verdadeiramente adorado.</p>



<p>Como segundo ponto, podes perceber como a récita do Santo Rosário significa rezar com as palavras do próprio Deus. O Santo Rosário é composto essencialmente de três orações vocais: A Oração do Senhor, a Saudação Angélica e o Glória.&nbsp;</p>



<p>A Oração do Senhor é aquele que foi ditada pelo próprio Deus por meio da humanidade de Cristo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Nela estão contidos o fim último do homem, a síntese da vida moral e os pedidos que devemos fazer a Deus. É oração de perfeita humildade, pois retrata a grandeza de Deus e a impotência do homem. É, em suma, oração perfeita em todos os sentidos, da qual a Igreja extrai toda a doutrina sobre a oração cristã.</p>



<p>São João Crisóstomo disse certa vez que “aquele que não ora como o Divino Mestre orou e ensinou a orar não é seu discípulo; Deus Pai não se agrada em ouvir as orações que o espírito humano formou, mas exatamente aquelas que seu Filho nos ensinou”. Isso não quer dizer que não possamos formular preces e Deus com nossas próprias palavras, mas sim que jamais devemos desprezar a supremacia da oração que nos foi ensinada por Cristo. As orações vocais ensinadas pela Santa Igreja (que é antes divina que humana) devem ser sempre o selo que sucede nossas preces íntimas; são como que uma garantia de que seremos ouvidos por Deus em nossos pedidos e que nossos louvores e ações de graças serão por Ele aceitos.</p>



<p>É por isso que é sempre bom terminarmos nossas preces com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.</p>



<p>S. Luís de Montfort ensina que ao recitar a Oração do Senhor, deve o fiel ater-se maximamente ao significado das palavras ali contidas. A Oração do Senhor é como que uma síntese do Evangelho, de modo que bem rezada conduz a uma apropriação singular de todo o mistério da redenção humana.</p>



<p>A Saudação Angélica é aquela que foi revelada pelo Divino Espírito Santo. É um perfeito ato de louvor e veneração à Santíssima Virgem, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao aparecer para a Virgem Maria em Nazaré, o Mensageiro de Deus lhe disse:</p>



<p>— Alegra-te, cheia de graça! O Senhor é contigo!</p>



<p>Tendo aceitado o desígnio de Deus e oferecido-se a Si mesma para Mãe do Divino Verbo, Maria Santíssima foi outra vez glorificada pelo Espírito Santo, dessa vez por boca de Santa Isabel, a qual exclamou em voz forte ao ouvir a saudação da Imaculada:</p>



<p>— Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!</p>



<p>Tudo aquilo que podemos dizer à Santíssima Virgem, por mais santo, piedoso e por Deus inspirado que seja, não pode sobrepujar em valor o que o próprio Deus disse quando era Ela ainda a pobre virgem de Nazaré. Hoje, louvamos e bendizemos a Virgem Maria enquanto Rainha do Céu e da Terra, grande em poder e majestade, depositária de todas as Graças de Deus. No entanto, lá Ela foi louvada por Deus em sua humildade, pobreza, simplicidade e ignorância. Não teríamos também nós ignorado com todos os demais transeuntes a humilde virgem que por nós passou no caminho das regiões montanhosas da Judéia carregando em seu ventre o Divino Salvador?</p>



<p>Diferentemente do que ocorre com o Pai-Nosso, não é de todo necessário que as Ave-Marias sejam recitadas com máxima concentração no significado das palavras enquanto se reza o Santo Rosário.</p>



<p>Digo isso porque existem pessoas que preferem meditar os mistérios ao longo das Ave-Marias, e isso não pode ser feito sem prejuízo da atenção no significado das palavras. Não há qualquer problema em rezar desse modo, pois é intenção da Santíssima Virgem Maria que na récita dessas preces meditemos com a simplicidade típica das almas pobres os mistérios de nossa redenção. As Ave-Marias compõem como que uma música de fundo para a meditação, e os frutos que disso se colhe são sublimes.</p>



<p>Existem outras pessoas que, dispondo de mais tempo, optam por meditar o mistério proposto antes de iniciar a dezena. Nesse caso, ao recitarem as Ave-Marias, devem ater-se mais ao significado das palavras, a fim de que a imaginação não perturbe o recolhimento.</p>



<p>A récita das Ave-Marias costuma ser o momento de maior dispersão na oração do Santo Rosário, pois temos dificuldades para concentrarmo-nos no mesmo objeto por um período mais prolongado. Há, portanto, um método que consiste em inserir pequenas cláusulas em meio às Ave-Marias para auxiliar no foco da meditação. É assim que ao meditar o mistério da ressurreição, reza-se da seguinte maneira:</p>



<p>— Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus, <strong>que ressuscitou dentre os mortos</strong>. Santa Maria, Mãe de Deus&#8230;</p>



<p>Podes encontrar as cláusulas em vários sites da <em>internet</em>. Há inclusive Rosários que são rezados tendo uma cláusula diferente por Ave-Maria, a fim de auxiliar mais ainda na concentração e proporcionar uma meditação linear ao longo da dezena. Nada impede, no entanto, que formules tuas próprias cláusulas. Na verdade, é bem simples fazê-lo. Usemos, a título de exemplo, os mistérios gloriosos. Eu mesmo formularei cinco cláusulas:</p>



<p>1º Mistério (ressurreição): “[&#8230;] Jesus, que ressuscitou ao terceiro dia [&#8230;]”.</p>



<p>2º Mistério (ascensão): “[&#8230;] Jesus, que subiu ao Céu [&#8230;]”.</p>



<p>3º Mistério (pentecostes): “[&#8230;] Jesus, que enviou o Espírito Santo [&#8230;]”.</p>



<p>4º Mistério (assunção de Nossa Senhora): “[&#8230;] Jesus, que vos elevou ao Céu [&#8230;]”.</p>



<p>5º Mistério (coroação de Nossa Senhora): “[&#8230;] Jesus, que vos coroou de glória [&#8230;]”.</p>



<p>Viu como é fácil? Recomendo-te que testes conforme a necessidade, e não me importaria que te valesses ora de um modo ora de outro como uma “quebra de rotina”, se fores do tipo de pessoa que disso necessita para manter a constância. O importante é que não pares.</p>



<p>O Glória, por sua vez, assinala de modo preciso o fim para o qual todas essas coisas existem, que é a Glória de Deus, Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, aquele era, que é e que há de vir. Nada é digno de Deus senão sua própria Glória. Sendo o ser em essência, sumamente perfeito, adorável, amável, belo, verdadeiro, sem qualquer nódoa, totalmente auto-suficiente, assustadoramente poderoso, não lhe seria próprio existir e agir para nada que não fosse sua própria Glória. Nós, miseráveis criaturas, reconhecendo isso e gratos por sua bondade para conosco, exclamamos, pois:</p>



<p>— Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!</p>



<p>É nesse mesmo espírito que se propõe, no início do Santo Rosário, a oração de três Ave-Marias. A primeira delas para dar glória a Deus Pai; a segunda, a Deus Filho; a terceira, a Deus Espírito Santo.</p>



<p>Lembremos do que aconteceu quando Nossa Senhora adentrou em casa de Santa Isabel. Esta, ao ouvir a saudação da Santíssima Virgem, ficou cheia do Espírito Santo. São João Batista, o precursor, também ficou cheio do Espírito, dando um salto de alegria por estar na presença do Divino Redentor e de sua Mãe Santíssima.</p>



<p>Santa Isabel, tendo recebido a Graça do Espírito Santo, compreendeu pela virtude infusa da Fé o que se passava naquele momento. Compreendeu que lhe saudava a Santa Mãe de Deus, a que seria coroada Rainha do Céu e da Terra, e que já carregava em seu ventre puríssimo o Autor de toda a Graça. Não fazendo caso de sua condição nobre, pois era esposa de Zacarias, sacerdote do Altíssimo, integrante de casta privilegiado do povo de Israel, prostrou-se diante da Divina Mãe e perguntou com humildade:</p>



<p>— De onde me vem a honra de ser visitada pela Mãe de meu Senhor?</p>



<p>Ó, que sublime ato Fé! Estando impossibilitada de ver até mesmo a humanidade de Cristo oculta no seio de Maria, confessou Santa Isabel que ali estava o seu Deus! Não é essa a Fé que Deus espera de nós quando contemplamos a Eucaristia? Ali não vemos sequer a humanidade de Cristo, pois tudo está oculto, mas confessamos dizendo “meu Senhor e meu Deus!”.</p>



<p>Então Santa Isabel, que recebeu a Graça do Espírito Santo e o dom da Fé pelo mistério da visitação, louva e bendiz a Virgem Santíssima, que por seus méritos e por sua própria Fé mereceu que tudo aquilo acontecesse, e já iniciava desde então o sublime apostolado de distribuir a Graça de Deus pelo mundo:</p>



<p>— Bem-aventurada és tu que creste, pois se cumprirão todas as coisas que o Senhor te prometeu!&nbsp;</p>



<p>E o que faz a Santíssima Virgem ao presenciar todas essas coisas? Eleva o coração a Deus e diz:</p>



<p>— Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta em Deus, meu Salvador! Pois olhou para a pobreza de sua escrava&#8230;</p>



<p>No mundo, só houve um que ofereceu a Deus prece mais sublime de entrega e abandono: Cristo Jesus. Mas o próprio Cristo, naquele sublime momento, rendia louvor e adoração perfeita ao Pai desde as entranhas de sua Mãe Santíssima. Ó, que sublime adoração! Foi ela tão perfeita que calou as vozes dos Céus, pois os anjos consideraram todos os seus louvores como nada diante da grandeza do que estava ali sendo a Deus oferecido por Jesus e Maria.</p>



<p>É assim, pois, que a cada Ave-Maria que rezas, a Virgem Santíssima entoa sua mais sublime ação de graças a Deus, de modo que já não sejas mais visto por Deus como o pecador que lhe rendeu um ato de louvor, mas sim como o filho amado que moveu o coração da Virgem Santíssima a prestar-lhe um culto perfeito. Que poderia agradar mais a Deus do que isso?</p>



<p>Já paraste para pensar por qual motivo a Igreja chama o saltério da Virgem Maria de Santo Rosário? Se o denominasse simplesmente por saltério de Nossa Senhora, entenderíamos perfeitamente. Mas&#8230; Santo Rosário?&nbsp;</p>



<p>S. Luís de Montfort explica que esse nome surgiu depois da restauração da devoção pelo Beato Alano de la Roche (1.428 – 1.475), tendo sido dado pelo próprio povo.&nbsp;</p>



<p>Como nota explicativa, diz-se restauração da devoção porque, após um século de recitação fervorosa do Santo Rosário, que iniciou com a revelação feita por Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão, caiu a devoção no esquecimento, até que foi restaurada novamente pelo Beato Alano, o qual foi instruído em visões por Jesus e Maria e tornar-se um apóstolo do Santo Rosário.</p>



<p>Voltando ao nome, rosário significa coroa de rosas. Tal nome surgiu da crença comum do povo de que ao se recitar o saltério da Virgem Maria, estava a se coroar a Santíssima Virgem e seu Divino Filho com uma mística coroa de rosas que perdura por toda a eternidade.</p>



<p>Acredite se quiser, mas um religioso de nome Alfonso Rodriguez, da Companhia de Jesus, recitava o Santo Rosário com tamanho fervor que via sair de sua própria boca rosas de grande beleza e agradabilíssimo odor. A cada Pai-Nosso, via sair uma rosa vermelha; a cada Ave-Maria, uma branca.</p>



<p>Há nas crônicas de S. Francisco outro relato surpreendente. Um jovem muito devoto tinha por costume recitar a coroa de Nossa Senhora antes das refeições. Certo dia, deixou de fazê-lo. Tendo ouvido tocar o sino para se dirigir ao refeitório, foi ter com o superior para obter permissão de recitá-la antes de se sentar a mesa. Tendo obtido a permissão, dirigiu-se ao seu quarto a fim de fazê-lo. Como demorasse, ordenou o superior a outro irmão que fosse lhe chamar. O outro irmão, tendo se dirigido ao local em que estava o devoto, presenciou um fato surpreendente: Viu o corpo da alma devota envolto por uma luz celeste e junto dele a Santíssima Virgem acompanhada por dois anjos. A cada Ave-Maria recitada, uma bela rosa lhe saía da boca; os anjos tomavam a rosa e a colocavam sobre a cabeça da Rainha, a qual demonstrava satisfação.</p>



<p>Na demora desse segundo irmão que estava absorto na contemplação de tão grande mistério, ordenou o superior a outros dois irmãos que fossem ver o que se passava. Também estes foram agraciados com a sublime visão, e deram testemunho de que a Santíssima Virgem permaneceu ali até que a coroa tivesse sido completada.&nbsp;</p>



<p>Não é maravilhoso tomar conhecimento de fatos como esse? Consegues perceber em que realidade se fundam as representações pictóricas dos santos envoltos em uma luz que vem do céu e como o Espírito Santo vai conduzindo a história da Igreja por meio desses mesmos fatos que são levados ao conhecimento dos pobres e ignorantes?</p>



<p>Agora, meu irmão, não deixes de coroar essa Mãe Santíssima com esse presente que lhe é tão doce e agradável. Se não podes oferecer a ela uma grande coroa, que é o Santo Rosário, oferece ao menos um pequeno chapéu de rosas, que é o Santo Terço, e verás derramadas sobre tua própria cabeça as Graças que foram confiadas à administração dessa Rainha Prudentíssima.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A arma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 14:18:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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<p>Com muito proveito se compara a vida espiritual a uma batalha. Com efeito, a vida espiritual é uma verdadeira batalha que é travada diariamente e a todos os momentos contra os três grandes inimigos da alma de que já falamos: o diabo, o mundo e a carne. Imagina que estás em uma arena de gladiadores. Tens ao teu lado alguns companheiros, uma [&#8230;]</p>
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<p>Com muito proveito se compara a vida espiritual a uma batalha. Com efeito, a vida espiritual é uma verdadeira batalha que é travada diariamente e a todos os momentos contra os três grandes inimigos da alma de que já falamos: o diabo, o mundo e a carne.</p>



<p>Imagina que estás em uma arena de gladiadores. Tens ao teu lado alguns companheiros, uma prateleira com alguns tipos de armas, e do outro lado da arena podes avistar teus inimigos nas mesmas condições. Tens pela frente uma luta sangrenta, na qual deves proteger-te a ti mesmo e a teus companheiros e desferir golpes mortais para pôr fim à vida de teus inimigos; se não os&nbsp;matares por piedade ou por qualquer outra paixão humana, serás morto por ordem do imperador.</p>



<p>Veja como tal imagem se coaduna perfeitamente com a vida espiritual. A arena em que se desenrola essa batalha é a alma humana. Teus companheiros de batalha são as boas pessoas que Deus colocou em tua vida para lutarem ao teu lado: tua família, teus bons amigos, teu diretor espiritual, os santos que por ti intercedem, São José, a Santíssima Virgem Maria e, acima de todos, Jesus Cristo.&nbsp;As armas são todos os recursos de que devemos nos valer para viver a virtude: as orações, as leituras espirituais, as devoções aprovadas pela Santa Igreja e, acima de tudo, a participação na Santa Missa. Todas essas armas nada mais são do que recursos pelos quais tu te apropriarás cada vez mais da Verdade, pois é pela força da Verdade que a salvação é alcançada. Teus inimigos, avistados do outro lado, e que também de certa forma habitam em tua alma, têm a sua disposição as armas do erro.&nbsp;</p>



<p>O que quero dizer com isso? Toda a batalha espiritual é uma luta que se passa dentro da alma humana. De um lado, o Espírito de Deus tenta iluminar a alma para que conheça a Verdade e seja por ela liberta, e isso é feito pela tomada de posse da própria Verdade; é&nbsp;obedecendo-se a Verdade&nbsp;que já se conhece&nbsp;que se alcança a Verdadeque não se conhece. Do outro lado, o demônio tenta obscurecer o entendimento por meio do erro, fazendo o que lhe é próprio, que é mentir.&nbsp;</p>



<p>Em favor&nbsp;do demônio milita&nbsp;o mundo, que nada mais é do que a influênciaque em teu&nbsp;interior&nbsp;habita&nbsp;de&nbsp;todas as pessoas&nbsp;em volta que&nbsp;vivem no erro.&nbsp;Podemos&nbsp;dizer que enquanto o demônio trabalha&nbsp;mais focado&nbsp;no intelecto, o mundo trabalha&nbsp;predominantemente&nbsp;na zona passional, fazendo com que a pessoa tema buscar a Verdade pelas conseqüências que disso possam advir. Aí é que está o medo da solidão, de ser mal-visto e mal-falado, de ser deixado de lado, de perder oportunidades as mais diversas&nbsp;(inclusive os próprios meios de subsistência), de ser ridicularizado, desmoralizado etc.</p>



<p>No fim das contas, é o mesmo demônio, mas com atuações distintas.</p>



<p>Por fim, em favor do demônio milita a nossa própria carne, que nesse caso é um nome que representa as potências humanas que foram feridas pelo pecado e já não mais desejam se submeter à Santa Lei de Deus. É necessário que entendas que&nbsp;carne&nbsp;não é&nbsp;sinônimo de&nbsp;corpo, como pretendem alguns. Longe disso! É bom que te afastes dessa concepção como o diabo foge da cruz, pois isso pode te levar para um caminho herético muito sórdido: o maniqueísmo.&nbsp;</p>



<p>A carne deve ser entendida como o composto do corpo e da alma. O ser humano não é somente corpo ou somente alma, tampouco é uma alma que possui um pedaço descartável de matéria que só serve para atrapalhar as coisas. O ser humano é corpo e alma em uma só unidade.&nbsp;Imagine&nbsp;duas peças de quebra-cabeças: uma é o corpo e outra é a alma. Elas se encaixam perfeitamente. Bem, se entendeste isso, jogue essa imagem fora, pois&nbsp;ela&nbsp;não representa o ser humano. Por quê? Porque as duas peças podem ser desencaixadas novamente, separando perfeitamente o corpo da alma. Então para bem entender o que é o composto, imagine duas substâncias levadas ao fogo que se fundem e&nbsp;formam&nbsp;uma terceira substância a qual já não pode mais&nbsp;voltar a ser os elementos que lhe deram origem. Isso representa mais fielmente o que&nbsp;o&nbsp;composto: a unidade que se forma entre o corpo e a alma humana.</p>



<p>Deves estar pensando no porquê de toda a explicação, se já não estás a me corrigir em alguns pontos, pois confesso que esse não é o meu forte. Explico isso para que entendas que o corpo, tal como a alma, é uma realidade criada por Deus. Após ter criado o homem, Deus olhou para tudo o que fez e viu que era muito bom. Esse é, pois, o julgamento que Deus faz do corpo humano: é bom. De fato, sabemos que o corpo humano é mais do que bom: é perfeito, é sagrado. Pode ser que hoje não esteja perfeito porque foi ferido pelo pecado, mas um dia haverá de ressuscitar em uma forma gloriosa, servindo unicamente o fim para o qual foi criado.</p>



<p>Entenda, pois, o que é a carne, a última das inimigas da alma: A carne nada mais é do que a desordem interior do homem, conseqüência do pecado. Na ordem original das coisas, o corpo foi feito para servir a alma, tal como o servo que com alegria serve a uma justa e boa&nbsp;senhora.&nbsp;Diz-se de S. Francisco de Assis que, estando já&nbsp;alquebrado&nbsp;pelas duras penitências a que se submetia, e já não agüentando mais o corpo tantas privações, ordenava a este que prosseguisse dizendo:</p>



<p>— Vamos, minha mulinha! Só mais um pouco&#8230; Vamos!</p>



<p>Por sua vez a&nbsp;alma, dotada de intelecto e vontade, foi feita para conhecer&nbsp;a Deus, servindo somente a Ele. É assim que Deus, ao ter criado o homem e a mulher, disse-lhes: “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Eis que vos dou&nbsp;toda a erva&nbsp;que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas a sua semente, para que vos sirvam de alimento”.</p>



<p>Contemple o mistério&nbsp;contido nesse escrito tão antigo.&nbsp;Deus submete o homem a si, dizendo ao homem que pratique certas ações (frutificar, multiplicar, encher a terra e submetê-la, dominar obre todas as demais criaturas inferiores). O homem, submetendo-se voluntariamente a Deus, precisa&nbsp;agora&nbsp;submeter seu próprio corpo, pois é por meio dele&nbsp;que irá realizar todas as ações por Deus prescritas.&nbsp;Como poderá o homem dominar sobre as criaturas demais criaturas se não for por meio do seu corpo? Não é pelo corpo que o homem age sobre a natureza? Saiba que desde o princípio foi assim.&nbsp;</p>



<p>Por fim, a natureza deve servir ao homem, sendo para ele de alimento, pelo qual o corpo poderá continuar a operar na obra que à alma foi designada por Deus.</p>



<p>Que fez, pois, o pecado?&nbsp;Introduziu no cosmos a desordem. Hoje, a mesma terra que dava ao homem os frutos de que necessitava para sobreviver, hoje o faz ao preço do suor, posto que não&nbsp;produz&nbsp;somente seus frutos, mas outras coisas&nbsp;indesejáveis. E quem dirá dos animais? Não fosse o poder da lança, o que impediria o lobo de atacar o homem?&nbsp;Mas a&nbsp;mais significativa de todas&nbsp;as desordens que se originaram no pecado&nbsp;é a desordem interior.&nbsp;</p>



<p>O corpo já não quer mais obedecer&nbsp;a&nbsp;alma. Ele conheceu o prazer de se saciar do fruto proibido, e parece ter adquirido uma vontade própria que, quando não respeitada, gera sofrimento ao homem. A alma por sua vez já não quer mais obedecer a Deus. Ela conheceu a satisfação de servir-se a si mesma, de ser a deusa de si mesma por assim dizer. Mas há ainda no homem a consciência de Deus, porque o próprio Deus continua a “arranhar” aquilo que há de mais íntimo no ser humano, chamando-o de volta para a comunhão com Ele. Então o homem, a despeito de toda a desordem, volta-se para Deus.&nbsp;Mas&nbsp;o que acontece? Percebe o homem que seu corpo e sua alma lutam contra a ordem natural das coisas: O corpo rejeita o jugo da alma, e&nbsp;a alma rejeita o jugo de Deus;&nbsp;o “eu” deve lutar contra essa rebelião constante, fazendo&nbsp;a todo momentoforça para restaurar e manter a unidade do ser na ordem natural das coisas.</p>



<p>O suor físico que escorre da testa enquanto se está debaixo do sol tirando da terra as ervas daninhas que impedem o crescimento do fruto é o símbolo do suor imaterial que escorre na luta por remover do composto todos os elementos que impedem o homem de bem servir a Deus. Servir a Deus é o alimento da alma, é a vida propriamente dita.</p>



<p>Digo-te que com segurança que, de todos os inimigos do homem, a carne (ou&nbsp;a desordem do composto) é o&nbsp;mais perigoso. O diabo e o mundo não têm o poder de condenar o homem. O homem condena-se a si mesmo quando voluntariamente e advertidamente fere a Santa Lei de Deus.&nbsp;O diabo, experiente conhecedor da natureza humana, sabe o modo como se dão as coisas, e age por meio tal que busca convencer o homem a fazer o que é contrário à Santa Lei de Deus, mas no final das contas, só há o pecado grave onde há o pleno consentimento.</p>



<p>Surgiu-me, enquanto revisava esse último parágrafo, uma comparação que me parece interessante para ilustrar o que estou dizendo. Imagine&nbsp;novamente a arena. Lá estás tu, em uma das extremidades, avistando na outra os inimigos, isto é,&nbsp;os demônios, essas criaturas disformes de pura maldade, blasfêmia e orgulho. A&nbsp;multidão que assiste ao espetáculo é o mundo, que torce pelo triunfo do&nbsp;mal, sendo ele mesmo escravo dos demônios.&nbsp;Mas contra tudo isso tu estás vacinado. Não&nbsp;prestas ouvidos&nbsp;ao mundo, nem mesmo àquelas pessoas cujas opiniões te são&nbsp;mais caras;&nbsp;tampouco temes os demônios, pois sabes que Cristo prometeu vitória contra eles.&nbsp;</p>



<p>É dado o comando para que se inicie a luta.&nbsp;</p>



<p>Com vigor vais ao meio da arena, e empunhado espada e escudo, começas a ferir mortalmente os primeiros demônios, sentindo o gosto da vitória de Cristo. De repente, vês um demônio asqueroso que vem rastejando pelo chão. A única coisa que ele sabe fazer é desferir um golpe na perna direita. É risível a condição humilhante da criatura diabólica. Esperas pacientemente que ele se aproxime, pretendendo lançar um contra-ataque mortal após desviar de seu primeiro golpe.&nbsp;Sabes que, por mais fraco que pareça, seu golpe pode causar grandes prejuízos para você, impedindo-o talvez de continuar a luta.</p>



<p>Acontece que, aproximando-se ele, tua perna paralisa. Em um instante, perdes o controle sobre ela, e não consegues mais movê-la. Que desespero! O demônio continua avançado. Desesperado, socas tua coxa que mesmo assim recusa responder; passas então a correr para longe tal como um coxo, usando tua espada como uma bengala para te afastares da criatura infernal. O fim parece próximo para aquele que iniciou a batalha de modo tão triunfante.</p>



<p>Deves ter entendido que essa perna que recusa a obediência simboliza&nbsp;a carne&nbsp;que se recusa submissão&nbsp;à Santa Lei de Deus. É o paladar ávido por comida, o corpo ávido por conforto, os olhos ávidos por pornografia, a imaginação ávida por informações, curiosidades, redes sociais,&nbsp;a alma ávida por dinheiro, sucesso, reconhecimento, o intelecto ávido por conhecimentos contrários à Fé etc.&nbsp;Em suma, é&nbsp;o inimigo interior, o mais poderoso de todos eles. Ainda que não houvesse no mundo demônios ou pessoas que contra nós lutassem,&nbsp;a carne&nbsp;ainda estaria presente, recalcitrando contra a Santa Lei de Deus.</p>



<p>Convenhamos que isso por si só já&nbsp;seria&nbsp;difícil.&nbsp;Acontece que o mundo&nbsp;está&nbsp;de fato repleto de demônios, que são esses seres espirituais que pairam nas regiões celestes e que estão&nbsp;a todo momento&nbsp;influenciando os seres humanos para que&nbsp;façam as coisas erradas e se condenem ao inferno. Por iniciativa desses espíritos malignos e pelo mistério da divina providência, temos por destino certo a luta contra&nbsp;o diabo&nbsp;até o nosso último suspiro nesse desterro, quando enfim&nbsp;livres de toda a maldade&nbsp;poderemos servir a Deus em paz por toda a eternidade. E&nbsp;é justamente nessa luta&nbsp;que encontramos um poderoso meio de&nbsp;santificação. Penso que, não fosse por esse motivo, não permitiria Deus que fôssemos tentados.</p>



<p>Pretendo aprofundar mais sobre esse tema interessantíssimo da batalha espiritual e da santificação da alma humana em nossos próximos encontros. Mas por ora, devo introduzir o tema principal.</p>



<p>Se é&nbsp;certo que devemos lutar contra o diabo, que é um inimigo muito mais poderoso e inteligente do que nós, é certo também que precisamos dispor das armas corretas para que alcançarmos a vitória. Eu, particularmente, não conheço arma que seja mais eficiente para isso do que o Santo Rosário.</p>



<p>Conta-se da vida de Padre Pio que certa vez, estando em evidente agonia em sua cama, pediu ao frade que lhe assistia que lhe entregasse “la&nbsp;arma”. Segundo o relato, o frade não entendeu o que&nbsp;Piuccio&nbsp;queria. Então, como o santo&nbsp;continuasse a pedir&nbsp;com visível&nbsp;impaciência&nbsp;“la&nbsp;arma!”, entendeu o&nbsp;assistente&nbsp;que&nbsp;S. pio&nbsp;se referia&nbsp;ao Santo Rosário.</p>



<p>Deves conhecer a vida de S. Pio de&nbsp;Pietrelcina, e como esteve em luta com Satanás desde que era criança. Desde muito cedo aprendeu aquela alma sofredora o segredo para triunfar sobre o diabo: recorrer “alla&nbsp;Madonna”. E qual não seria o poder de a Ela recorrer por meio do Santo Rosário, uma vez que para vencer o principal ardil do diabo, que é a heresia, é que deu Nossa Senhora o Rosário a São Domingos de Gusmão?</p>



<p>Conta-nos S. Luís de&nbsp;Montfort&nbsp;que certo Padre de nome João&nbsp;Amat,&nbsp;O. P.,&nbsp;estava&nbsp;dando uma série de sermões quando lhe trouxeram uma garota possuída pelo demônio. Após várias tentativas de exorcismo sem sucesso, o Padre colocou no pescoço da garota,&nbsp;tal como um colar de contas, o Rosário que trazia consigo. Tão logo começou a colocar, o demônio começou a clamar pela boca da pobre garota:</p>



<p>&#8211; Tire-as de mim! Tire-as de mim! Essas contas estão me torturando!</p>



<p>O Padre, compadecido da pobre criança que já havia sofrido demais naquele dia, tirou o objeto sagrado de seu pescoço.</p>



<p>Na noite seguinte, estando o Padre já deitado, os mesmos demônios que haviam possuído a menina vieram cheios de ódio contra ele e tentaram possuí-lo.&nbsp;Mas, estando o Padre com o Rosário em suas mãos, não obtiveram&nbsp;êxito os demônios. O piedoso Sacerdote, erguendo-se, começou a bater nas aparições infernais com o objeto sagrado enquanto clamava assim:</p>



<p>— Ave Maria, Nossa Senhora do Rosário, vinde em meu auxílio!</p>



<p>Desistiram os demônios, e pôs-se a descansar o Padre para mais um dia de pregações.</p>



<p>Estando no dia seguinte na Igreja, encontrou o&nbsp;Sacerdote&nbsp;a pobre menina. Ela estava possessa, e o miserável demônio, por meio de sua boca, começou a zombar dizendo:</p>



<p>— Se você estivesse sem esse Rosário teríamos acabado com você!</p>



<p>Então o Padre, penetrando com profundidade nas verdades da Fé e do sobrenatural,&nbsp;empunhou&nbsp;seu Rosário, colocou-o no pescoço da pobre garota, e disse cheio de autoridade e de Espírito Santo:</p>



<p>— Pelo santo Nome de Jesus pelo nome de Maria, sua Santa Mãe, e pelo poder do Santíssimo Rosário, eu vos ordeno, espíritos malignos, que deixem o corpo dessa menina!</p>



<p>Os demônios foram imediatamente subjugados por aquela palavra de autoridade, e se retiraram da pobre garota.</p>



<p>Queres uma arma verdadeiramente poderosa contra os demônios e um dos mais santos remédios contra a tentação?&nbsp;A Igreja te apresenta o Santo Rosário.&nbsp;Sobre ele, há muito o que deve ser dito.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao&nbsp;apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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		<title>A Sabedoria das Beatas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aducci Correia Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Mar 2021 16:14:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fé pelo Ouvir]]></category>
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<p>Santo Afonso de Ligório conta uma história muito interessante. Lá pelo ano de 1.604, na região flamenga da Bélgica, dois jovens estudantes viviam em devassidão. Certa noite, foram os dois a uma casa de tolerância, deixando um palmo mais funda a cova em que buscavam ser enterrados por toda a eternidade. Um desses jovens, chamado Ricardo, voltou para casa mais cedo, pois estava bem cansado, enquanto o outro lá permaneceu. Este Ricardo, abatido pelo cansaço e já prestes a dormir, lembrou-se que não tinha rezado algumas Ave-Marias como era de costume (muito provavelmente, aprendeu essa devoção de alguém e a carregou consigo como uma espécie de idiossincrasia no meio em que vivia). Com muito sono e sem qualquer vontade de rezar (quantas vezes isso já não te aconteceu?), fez um último esforço e rezou, ainda que sem devoção e por entre os desvarios que precedem o sono profundo. Depois disso, deitou-se e adormeceu.</p>



<p>Passado pouco tempo, ouviu o jovem fortes batidas na porta de seu quarto. Imediatamente despertou, e sem que houvesse tido a oportunidade de abrir a porta, viu diante de si seu companheiro de farras, totalmente desfigurado, tal como um cadáver horrendo.</p>



<p>Tomado pelo espanto, perguntou quem era, ao que a aparição lhe indagou: “Não me conheces?”. Ricardo, que sabia que era seu companheiro que lhe falava, perguntou: “Como mudaste tanto? Pareces um demônio!”, ao que o condenado respondeu: “Ai de mim! Ao sair daquela casa, veio um demônio e me sufocou. Meu corpo jaz no meio da rua e minha alma está no inferno. O mesmo castigo tocava a ti, mas foste salvo pela Bem-Aventurada Virgem Maria pelo pequeno obséquio que a Ela prestas. Bem-aventurado serás tu se souberes aproveitar este aviso que a Mãe de Deus te dá por meu intermédio”. Depois de dizer isso, entreabriu a capa que vestia, ao que Ricardo viu seu corpo atormentado por chamas e serpentes. Logo, teve fim a terrível visão.</p>



<p>Ricardo, tomado pelo santo temor de Deus, prostrou-se ao chão e chorando copiosamente rendeu graças à Santa Mãe de Deus que o havia livrado do mesmo destino. Enquanto deliberava em como mudar de vida, ouviu soar o sino de um convento da Ordem dos Frades Menores que havia por ali. Tomou o fato por sinal de que ali era o lugar que Deus lhe tinha preparado para que se penitenciasse de sua má vida.</p>



<p>Tendo ido ao frades para que o recebessem, foi por eles rejeitado, pois conheciam sua má vida. Então, entre lágrimas, contou-lhes tudo o que havia se passado na madrugada. Dois religiosos foram à rua indicada para verificar o que havia sido dito, e se surpreenderam ao ver o cadáver do companheiro de Ricardo, que estava com aspecto negro como carvão e que parecia ter sido sufocado. Admitiram, pois, a entrada de Ricardo no convento, e este levou uma vida penitente e exemplar.</p>



<p>Ricardo foi enviado como missionário nas Índias e depois ao Japão, onde recebeu a palma do martírio sendo queimado vivo por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.</p>



<p>Esse breve relato deve servir para ti, meu caro irmão, como uma fonte de esperança no patrocínio da Santa Mãe de Deus. Se soube a Virgem Maria recompensar tão bem um pecador que em meio a uma vida devassa não esqueceu de obsequiá-la com a saudação angélica, quem dirá tu, que já te dispuseste a romper definitivamente e para todo sempre com tudo aquilo que é contrário à vida da Graça?</p>



<p>Mas que não peques pelo excesso de esperança! Para tanto, grava em teu coração o seguinte: É certo que, não houvesse Ricardo dado ouvidos à mensagem da Santa Mãe de Deus, é bem provável que teria por destino um lugar ainda pior no inferno, pois teve mais oportunidade de se converter, o que agrava ainda mais a culpa pelo pecado.</p>



<p>Entenda, pois, que és Ricardo, e que hoje a Santíssima Virgem te mostra isso para que possas trilhar pelo mesmo caminho de santidade que trilhou o santo missionário.</p>



<p>Disse isso como complemento de nosso encontro passado, e creio que não te perturbas por isso, pois é sempre bom conhecer e rememorar esses fatos extraordinários que revelam a ação de Deus no mundo e que justificam a santa doutrina.</p>



<p>Mas quero hoje falar-te sobre outra devoção que é muito agradável à Santa Mãe de Deus. Esse artigo leva por título “A Sabedoria das Beatas”, pois é quase impossível tratar desse tipo de devoção sem que nos venha à memória as velhas senhoras da Igreja e a devoção que mais parecem apreciar. Sim, eu me refiro às novenas!</p>



<p>Muito agradam a Nossa Senhora essas novenas que se fazem em sua honra, geralmente precedidas das importantes solenidades marianas. Não quero aqui me deter nas principais solenidades em honra à Mãe de Deus, tampouco nas orações indicadas para cada um dos dias, pois essas coisas bem podes consultar facilmente na <em>internet</em>. Quero é indicar-te algumas devoções que podes praticar no período das novenas, a fim de torná-las ainda mais agradáveis ao Imaculado Coração de Maria.</p>



<p>De todas as práticas que listarei, peço-te que faça uma escolha prudente. Não é necessário praticá-las todas. Deves, pois, escolher aquela que mais coaduna com teu estado de vida e compromissos diários.</p>



<p>Podes todos os dias da novena dedicar-te a um período de oração mental, meditando as glórias de Nossa Senhora. Isso pode ser feito pela manhã e pela tarde, e nada que precise exceder a dez ou quinze minutos. Para bem fazer isso, aconselho-te a usar desses bons livros dedicados às glórias de Maria. Bom seria que ao menos uma dessas orações fosse feita diante do Santíssimo Sacramento.</p>



<p>Também podes alternativamente visitar todos os dias uma imagem de Nossa Senhora, agradecendo a Deus todas as graças com que cumulou sua Mãe Santíssima. Após isso, peça à Maria um favor especial para si ou para outrem.</p>



<p>Outra prática muito agradável a Nossa Senhora é que durante os nove dias dirijas muitas jaculatórias a Ela e a seu Divino Filho.</p>



<p>Além dessas práticas, podes fazer em honra à Santa Mãe de Deus alguns exercícios de penitência ao longo dos nove dias. Tenha, no entanto, prudência ao escolher penitências corporais e, se for o caso, aconselha-te com teu diretor espiritual para que te indique penitência suficiente para o fim proposto.&nbsp;</p>



<p>Há, no entanto, um tipo de penitência que é muito mais agradável a Nossa Senhora, e que pode ser praticada com menor perigo de orgulho, dispensando até mesmo a autorização de um diretor espiritual. Trata-se da mortificação interior. Podes, ao longo dos nove dias, abster-te do uso de redes sociais, de televisão, de ouvir músicas etc. Podes entregar-te com mais zelo ao silêncio, evitar este ou aquele tipo de pensamento ou conversa vã, este ou aquele lazer etc. Faz tudo isso discretamente, de modo que ninguém perceba tua mortificação, e a Santa Mãe vai saber dar a recompensa.</p>



<p>Posso dizer ainda que o mais agradável a Nossa Senhora seria que empreendesses nos nove dias uma luta específica contra um dos vícios de tua alma. Se és uma pessoa irascível, comprometa-te firmemente a lutar nesses nove dias contra a murmuração, os xingamentos, as queixas etc. Aproveite a ocasião das visitas ao Santíssimo ou à imagem de Nossa Senhora para pedir perdão pelas vezes que pecou por conta de tal vício, comprometa-te firmemente a abandonar o mau hábito e implore o auxílio de Maria Santíssima para o fazê-lo.</p>



<p>Esse tipo de propósito é como uma moeda com dois lados. No aspecto negativo, buscamos lutar contra um vício, mas no aspecto positivo, podemos buscar imitar ao longo dos nove dias e de uma maneira especial alguma das virtudes de Nossa Senhora (humildade, caridade, pobreza, pureza etc.). Escolha a virtude mais adaptada ao mistério que será celebrado na solenidade que está sendo preparada.</p>



<p>Então tenhamos como exemplo o dia 25 março, em que comemoramos a Anunciação do Anjo e a Encarnação do Verbo de Deus. A mim parece que a virtude de Maria que mais chama atenção nesse dia é sua humildade e sua Fé. Portanto, na novena que precede essa solenidade, podes dedicar-te à prática dos atos próprios da humildade como forma de imitar Nossa Senhora nessa virtude.&nbsp;</p>



<p>Ao longo dos nove dias, procura dispor de teu tempo em ordem para comungar diariamente, ou ao menos com a máxima freqüência possível. Saiba que Jesus Cristo criou a Igreja para que por meio dela tivessem as pessoas acesso à Eucaristia, sendo este o bem mais precioso de nossas vidas, porque é o próprio Cristo. Portanto, nada pode agradar mais a Santa Mãe de Deus do que uma alma que comunga do Corpo e Sangue do Senhor, pois é para esse fim que se ordena toda a devoção a Nossa Senhora.</p>



<p>No dia da solenidade, depois da comunhão, oferece-te ao serviço da Santa Mãe de Deus. Pede-lhe a virtude por que tanto te esforçaste por adquirir durante a novena, ou alguma outra graça que te seja muito importante, como a salvação de uma pessoa, a libertação de uma alma do purgatório etc.</p>



<p>Santo Afonso recomenda que é bom que escolhas, dentre todas as solenidades do ano, uma para a qual te prepares com maior fervor. Faz dessa solenidade um marco anual no qual examinarás como procedeste no último ano. Após esse exame, pede perdão por tuas faltas e consagra-te novamente ao serviço de Nossa Senhora, prometendo a Ela uma maior fidelidade no ano vindouro.</p>



<p>Em tudo isso, pede sempre à Mãe de Deus que te aceite por servo e por filho, embora sejas indigno. Devo ainda lembrar-te, meu caro irmão, que o mesmo Santo Afonso tem uma célebre frase que diz: “Quem reza se salva, quem não reza é condenado”. Portanto, todos os dias de tua vida deves pedir à Santa Mãe de Deus que te alcance perdão de teus pecados e misericórdia no dia do julgamento de tua alma.</p>



<p>Pense nisso como alguns períodos do ano em que te dedicas a um treino diferenciado, sob orientação de tua Treinadora. Lembro-me que quando praticava artes marciais, o mestre costumava por vezes a dedicar toda uma sessão de treino a um golpe específico. Lá ficávamos nós, por mais de uma hora dedicando-nos a repetir o mesmo movimento ou a mesma série de golpes. Pode parecer duro praticar aquele mesmo <em>armlock </em>100, 200, 300 ou até 1.000 vezes num dia, mas eu te digo por experiência que depois disso o golpe nunca mais será o mesmo.</p>



<p>Há na vida espiritual, e o próprio calendário litúrgico contempla essa dimensão, momentos em que nos dedicamos de um modo especial a esta ou àquela prática, a esta ou àquela virtude, a este ou àquele trabalho. A própria quaresma que estamos vivendo é um exemplo claro disso. Portanto, aproveite bem essas solenidades de Nossa Senhora, tal como as beatas que ainda perseveram rumo ao Céu, para dedicar-te de modo especial à devoção e à imitação de uma das virtudes da Santa Mãe de Deus.&nbsp;</p>



<p>Em nosso próximo encontro, pretendo iniciar a devoção que a mim se afigura como a mais preciosa, que é o Santo Rosário. Tendo essa devoção se agigantado em meu coração desde o princípio, às graças obtidas por meio dela é que atribuo o fato de estar aqui hoje conversando contigo.</p>



<p>Que Deus abençoe a todos e ao Apostolado Cooperadores da Verdade.</p>
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