Os votos de ano novo e a finalidade da vida

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Muito habitualmente, durante os últimos dias de um ano e os primeiros do que se segue, escutamos – e também dizemos – muitos votos de “felicidade, saúde, paz, fortuna…” e tudo o mais que possa vir a ser considerado bom. Tais sentimentos, se observados e analisados em outra ótica, demonstram, por fim, uma sede e uma busca intrínseca ao homem: a busca por uma razão, por uma finalidade.

O homem moderno, infantilizado pelo relativismo, trocou a verdade das coisas pela máxima dos estúpidos, o “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos” e, assim, sem um eixo e um norte, já não busca o conhecimento, já não se conhece a si nem ao mundo, não busca sua utilidade e, tampouco, sua finalidade; sendo assim – um inútil – experimenta, ainda que cercado de “realizações pessoais”, um denso e desesperador vazio existencial.

Se voltarmos alguns séculos na história e nos fixarmos no século XII, em um personagem decisivo para aquele tempo e toda a posteridade, o pálido e austero monge Cisterciense de Claraval, São Bernardo, poderemos encontrar, bem ali, em seus colóquios de amor – e certa aflição – para com Deus, o método ideal e ainda válido para encontrarmos nossa finalidade real, autêntica e completa.

O Doutor Melífluo constantemente interpelava a si mesmo com a seguinte pergunta: “Bernarde, ad quid venisti? – Bernardo, para que viestes?”, e eis aqui, em tão curta interrogação, toda uma escola de sabedoria e santidade: Pôr-se humildemente na presença de Deus e, constantemente questionar-se sobre sua finalidade e sua razão de ser – certamente, os tempos da “virada de ano” são bastante oportunos para tais questionamentos. Pedro, Camilla, Gabriel, Ana, João…, para que viestes?

A resposta para tal pergunta não poderia ser outra – e não há outra tão completa – como a que a Igreja no primeiro parágrafo do Catecismo nos dá: “Deus, infinitamente perfeito e Bem-aventurado em Si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo para participar de sua vida bem-aventurada”.

Sim! é esta a nossa finalidade não há outra, são estes os nossos “votos de ano novo”: conhecer e Amar este Deus infinitamente perfeito e Bem-aventurado e nos unirmos a Ele – que nos criou – de modo tão íntimo que possamos merecer participar de Sua vida bem-aventurada nos Céus.

Este é o segredo, nem sete ondinhas, lentilhas, nem nada do tipo. A única coisa que, de fato, te dará um próspero ano novo, ou melhor, uma próspera vida na Graça, é aquilo que fez prosperar a Santidade em tantos homens e mulheres no decurso dos séculos: o amor a Cristo e sua Igreja e nada mais.

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