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Purgatório, uma breve explicação.

Por Steve Ray

Este texto é uma tradução livre de um artigo escrito pelo americano Steve Ray, onde responde as indagações de um de seus leitores protestantes sobre o purgatório. Esperamos que lhe ajude a compreender sobre esta realidade na perspectiva da doutrina católica.

Este não é um assunto muito difícil de se falar, mas muitos protestantes tem tentado torná-lo complicado durante os últimos séculos. Na verdade, a Igreja primitiva e os Apóstolos já criam no Purgatório, basta estudar os primeiros escritos (dos Santos Padres) para atestar. Veremos que a doutrina protestante, que se opõe ao purgatório, tem origem bem mais recente.

Purgatório significa simplesmente “purgar, limpar” e se refere à limpeza final dos nossos pecados e do nosso amor próprio, antes de encontrar-mo-nos face a face com Deus. Estes parágrafos do Catecismo nos dão uma excelente definição:

§1030 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.

§1031 A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador:

No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro.

Hebreus 12, 14 nos dá uma base bíblica clara sobre a necessidade da purificação final. O autor diz: “Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor.” Agora, será que esta paz e santidade, as recebemos somente pela fé? Se é, porque o autor sagrado está falando a estes crentes que atinjam um grau de santidade “para ver o Senhor”? Perdão dos pecados é uma coisa, tornar-mo-nos Santos é outra.

Não existem “dias” no purgatório. Nunca existiram, mesmo que muitos protestantes afirmem que os católicos ensinem isto. Os ditos “dias” são dias passados na terra fazendo penitência previamente prescrita. A Enciclopédia Católica diz: “Nem a natureza, nem a duração do purgatório é especificado na doutrina Católica; entretanto, a existência do purgatório é um dogma da Fé” (Rev. Peter Stravinskas, Our Sunday Visitor’s Catholic Dictionary).

Um ponto que deve ser compreendido é que a Igreja não tem jurisdição sobre as almas no purgatório, só sobre aquelas na Terra. À Igreja não foi dada nenhuma revelação sobre os detalhes do Purgatório. É algo mencionado nas Escrituras, então nós sabemos que existe, mas o que realmente é, não nos foi dito. Alguns teólogos tentaram descrevê-lo como um “lugar” ou um “período de tempo”, mas a realidade é que não sabemos. A Igreja não diz que o Purgatório envolve o mesmo tipo de tempo que experimentamos aqui na terra, ou mesmo se envolve qualquer tipo de tempo. O Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI), um grande teólogo, diz que o Purgatório pode ter uma duração “existencial” em vez de uma duração “temporal”. Pode ser a experiência de uma pessoa, em vez de sua duração no tempo.

Um amigo Protestante recentemente admitiu que ele pensa que uma pessoa deve, de fato, tornar-se justa (não apenas ser “declarada” justa) para estar diante de Deus e Sua santidade. Eu lhe perguntei se ele era justo o bastante naquele momento — de maneira que se sofrêssemos um acidente ele estaria pronto pra ver a Deus face a face. Ele disse “Não”. Então comentou que isso o fez pensar que o Purgatório pode ser uma possibilidade real. Ele está certo.

Os protestantes normalmente acreditam na santificação, mas o que exatamente significa isso para eles ainda é algo muito nebuloso ou incerto. O que faz alguém pensar que a morte de alguma maneira torna-nos instantaneamente santos, mesmo que tenhamos morrido cheios de amor próprio, pensamentos maus, ganância e medo? O purgatório é o estágio final de santificação. Santificação sem a qual ninguém verá a Deus (Hebreus 12, 14). “Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21, 27).

São Paulo nos diz: “Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna.” (Romanos, 6, 22). A santificação segue o perdão dos pecados. O resultado dessa santificação é a vida eterna. O escritor sagrado do livro de Hebreus nos diz como se dá a santificação: “Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade.” (Hebreus 12, 10). Se o processo de santificação é incompleto na terra, se nós ainda estamos cheios de amor próprio e desejos desordenados, Deus, em Sua misericórdia, continua o processo após a morte para nos preparar para a Sua presença gloriosa.

Vou finalizar esta breve explicação com um exemplo que me ajudou a compreender a realidade do purgatório quando entrei na Igreja. Quando era mais novo, fiz uma viagem à Europa, por uma semana. Deixei minha esposa e família em nosso chalé, na Suíça. Para economizar dinheiro e tempo eu dormi em trens, não tomei banho, etc. Quando voltei, uma semana depois, sujo e com a barba por fazer, minha esposa se recusou a deixar-me entrar no chalé. Eu era esposo! Era parte de família e pertencia àquela casa! Mas eu não estava limpo o bastante para entrar. É o mesmo para o céu.

Minha esposa me fez tomar banho de esponja na varanda antes que eu pudesse entrar pela porta. Eu tive que fazer uma limpeza final antes de ser admitido na plena alegria do meu lar. Jesus disse aos seus discípulos: “Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos.” (João 13, 10). O Purgatório é simplesmente o estágio final da santificação. O Purgatório é a varanda do céu!

Tradução: Flavio Ayres

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