A Mente de Cristo

575

(Por: Mark Danis, Integrated Catholic Life. Traduzido por Petter Martins

Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.

Filipenses 2, 5-8

É de suprema importância que entendamos como nos preparar e nos dispor para tirar o máximo proveito do nosso tempo de oração. O mestre e o modelo da nossa vida de oração é, obviamente, Jesus Cristo. Portanto, devemos examinar a própria vida de Cristo para ver o que podemos aprender para melhorar estes nossos momentos.

Em sua carta aos filipenses, São Paulo nos dá conselhos muito claros sobre como podemos imitar a própria vida de Cristo. E, na medida do possível, devemos tentar imitar as ações de Cristo.

Primeiro, devemos nos esforçar para nos tornar mansos e humildes de coração:

Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.

Mateus 11, 29

Também devemos nos empenhar para nos tornar servos um do outro:

Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão

Mateus 20, 28

E devemos lembrar que todos nós recebemos a vida como um presente para fazermos apenas uma coisa:

Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

João 6, 38

Todos esses são exemplos que podemos adotar da própria mente de Cristo para conduzir nossas ações externas. Podemos agir com humildade, podemos procurar servir uns aos outros e podemos desejar e nos empenhar para cumprir a vontade de Deus em todas as coisas. Mas a oração é menos uma atividade exterior e muito mais uma atividade interior. Portanto, precisamos entender as disposições interiores de Cristo, tanto se não mais, quanto Suas ações externas.

Certa vez, tive o grande privilégio de entrevistar uma pessoa convertida à fé católica, uma mulher chamada Sally Reed. Ela é autora de um livro intitulado Night’s Bright Darkness. Sally cresceu em uma casa com pessoas que não criam em Deus. Seu pai, segundo ela, foi ao túmulo negando que Deus existia. Talvez como consequência de sua jornada única ao Senhor, ela colocou uma perspectiva muito interessante sobre a oração.

Sally compartilhou comigo que, quando não era crente, tinha uma desconfiança especial de pessoas que constantemente lhe diziam que tudo o que ela precisava fazer era orar a Deus que Ele lhe concederia o que ela queria. No entanto, enquanto ela ainda estava no processo de sua conversão, ainda nos estágios iniciais de aprendizado sobre a oração, ela se viu em uma capela um dia implorando a Deus, exigindo mesmo, que Ele se revelasse de alguma maneira. Ela não queria uma luz brilhante ou um coro angelical, mas estava à beira da fé e sentia que precisava de alguma garantia.

De repente, explicou ela, experimentou uma presença profunda lá naquela capela, algo que ela disse que nunca poderia explicar adequadamente, mas também nunca duvidou por nenhum momento. Não foi nada que ela viu ou ouviu, mas que ela descreve como uma profunda consciência interior de uma presença real. Ela disse que era mais claro e real para ela do que se outra pessoa tivesse subitamente entrado na capela e falado com ela.

A partir desse ponto, o principal objetivo de Sally na oração era tornar-se disponível para aquela presença. Até esse momento em sua vida, ela vivia sem acreditar que havia algo ou alguém ali, mas a partir de então sabia que, de fato, Deus era real e que Ele sempre estava lá com ela. Sua única motivação para a oração era responder à Sua presença e deixá-lo saber que ela estava lá também. Seu único desejo era estar com ele. Ela disse que o pensamento de pedir qualquer coisa a Deus lhe parecia estranho e é assim até hoje. Sem dúvida, como reação aos anos em que não acreditou na presença de Deus, a partir de então, Sally explicou que acredita que a oração é principalmente o ato de passar tempo com quem amamos. E seu principal objetivo na oração é simplesmente estar tão unida ao Pai quanto ela pode estar.

Coloquemo-nos então à disposição de Cristo em oração, conforme refletido no versículo de Paulo aos Filipenses. Este é o versículo que todos devemos meditar para chegarmos a um entendimento mais profundo e ali estão os atos de Cristo que precisamos imitar. Felizmente, podemos encontrar elementos consistentes da explicação de Paulo em qualquer relacionamento verdadeiramente amoroso entre duas pessoas. Geralmente, os indivíduos em um relacionamento profundo e permanente parecem saber o que o outro está pensando. Eles podem terminar as frases ou pensamentos um do outro e realmente não desejam nada mais do que estar juntos, mesmo quando a a melhor comunicação é simplesmente silêncio.

Observando a natureza de um relacionamento amoroso, podemos começar a entender a disposição interior que devemos ter em relação à oração, a quem Cristo nos chama. Essa é uma disposição interior em que o próprio Cristo nos oferece uma visão. Podemos ouvir a disposição interior de Cristo em oração refletida nas seguintes palavras:

Eu e o Pai somos um.

João 10, 30

O que este versículo sugere é que nossa oração deve nos levar a um lugar onde simplesmente desejamos tudo o que o Pai deseja, e o desejamos simplesmente porque Ele deseja. Quando chegarmos a este lugar, onde nossa mente esteja totalmente em Cristo, então começaremos a entender e experimentar alguma pequena medida da intimidade do relacionamento que existe entre o Pai e o Filho.

Por favor, ore nesta semana para que todos sigamos Jesus nessa profunda disposição interior de nos tornarmos um com o Pai em oração.

Deus abençoe.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.