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Espírito Santo Fonte de Vida

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A graça divina advém de duas fontes: a oração e os sacramentos. Depois de recebermos a graça santificante em nosso Batismo, devemos fazer que ela cresça em nós, por meio dos outros seis sacramentos e da oração. 

Chamamos de oração o ato de “elevar a mente e o coração a Deus para adorá-lo, dar-lhe graças e pedir-lhe o que necessitamos” (Catecismo Maior, 253). Esse elevação pode dar-se através de palavras nossas ou escritas por outros, mas que representem aquilo que desejamos dizer a Deus. 

As fórmulas de oração podem ser aquelas que encontramos nos livros de oração e devocionários, bem como as orações litúrgicas (as orações da Missa ou da Liturgia das Horas, por exemplo).

Davi é, por excelência, o rei «segundo o coração de Deus», o pastor que ora pelo seu povo e em nome dele, aquele cuja submissão à vontade de Deus, cujo louvor e cujo arrependimento serão o modelo da oração do povo. Ungido de Deus, a sua oração é adesão fiel à promessa divina, confiança amorosa e alegre n’Aquele que é o único Rei e Senhor. Nos salmos, inspirado pelo Espírito Santo, Davi é o primeiro profeta da oração judaica e cristã. A oração de Cristo, verdadeiro Messias e Filho de Davi, há-de revelar e dar pleno sentido dessa oração.

Os salmos nutrem e exprimem a oração do povo de Deus enquanto assembleia, por ocasião das grandes festas em Jerusalém e em cada sábado nas sinagogas. Esta oração é inseparavelmente pessoal e comunitária; diz respeito aos que a fazem e a todos os homens; sobe da Terra Santa e das comunidades da Diáspora, mas abraça toda a criação; recorda os acontecimentos salvíficos do passado, mas estende-se até à consumação da história; faz memória das promessas de Deus já realizadas, mas espera o Messias que as cumprirá definitivamente. Rezados por Cristo e n’Ele realizados, os salmos continuam a ser essenciais para a oração da sua Igreja.

(CIC, 2579 e 2586)

Esse rezar fazendo uso das palavras é o que chamamos de oração vocal. Ela ocorre não só quando rezamos em voz alta, mas todas as vezes que as palavras predominarem em nossas orações, mesmo que as digamos no silêncio de nossa intimidade.

A Oração Mental

Há, porém, um outro tipo de oração: aquela que chamamos de mental. Nela, a mente e o coração fazem todo o trabalho sem que as palavras sejam usadas. O Padre Leo Trese dá-nos um exemplo prático desta oração: 

Se eu vejo um crucifixo e me vem ao pensamento o muito que Jesus sofreu por mim, ou como são pequenas as minhas contrariedades comparadas com os seus padecimentos, e resolvo ter mais paciência de hoje em diante, estou fazendo oração mental.

(TRESE, 1999, p. 100)

O nosso crescimento espiritual está intimamente ligado à oração mental, sem ela não podemos mergulhar com profundidade no Mistério divino, o que fazemos a partir da meditação de alguma verdade revelada. Sobre a necessidade da oração, ainda que de forma geral, nos ensina o Concílio de Trento: 

De mais a mais. sendo tantos os bens e auxílios de que havemos necessidade para a salvação do corpo e da alma, devemos recorrer à oração como única e melhor intérprete de nossa indigência, como nossa intermediária em todas as nossas necessidades. 

Uma vez que Deus a ninguém deve coisa alguma , não nos resta outro recurso senão impetrar, por meio de orações, aquilo de que necessitamos. Pois Deus nos deu a oração como meio indispensável para logramos o objeto de nossos desejos.

(Catech. Romano 4,1,3)

Um meio simples para se fazer a oração mental é a leitura das passagens da Liturgia daquele dia ou de um capítulo do Evangelho. “Terá que procurar uma hora e um lugar livres de ruídos e distrações, e proceder à leitura com pausada meditação. Depois, dedicará alguns minutos a ponderar em sua mente o que leu, fazendo que cale fundo e aplicando-o à sua vida pessoal, o que o levará ordinariamente a formular algum propósito” (TRESE, 1999, p. 101).

A Contemplação

Existe outra forma de oração mental, mais elevada, chamada de contemplação. Podemos dizer que a oração contemplativa é aquela que eleva o coração e a mente para Deus, dando a estes descanso. A mente fica inativa; os poucos movimentos do ser encontram-se no coração (vontade) que se deleita naquela união intima com Deus. Todos nós já experimentamos a oração contemplativa em algum grau; ao contemplar o Sacrário, por exemplo, sem nada pensar ou dizer, mas com um forte desejo anterior que, após aquele momento, renovou todas as nossas forças.

Os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia

Não só a oração é responsável por fazer crescer a graça santificante em nós, o sacramento da Penitência também faz isso. Apesar de seu fim primário ser a devolução da vida àquela alma em pecado mortal, para aqueles que estão em estado de graça, a confissão serve como revigorante. 

Contudo, o sacramento que é fonte de vida por excelência é o da Sagrada Eucaristia. Na Eucaristia, Deus vem até nós como alimento. Se a vida da graça santificante é a vida de união da alma com Deus, não há realidade que a melhor a represente senão a da Eucaristia. 

Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência quotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem-se e fortificam-se os que vivem a vida de Cristo: «ela é o antídoto que nos livra das faltas quotidianas e nos preserva dos pecados mortais».

(Conc. De Trento; DS 1638) (CIC, 1436)

Na Missa, nossa alma se ergue até à intimidade da Trindade. Nos integramos ao amor doador do Cristo. Mais ainda, quando as espécies do pão e do vinho são consagradas, a nossa união com Deus torna-se um mistério ainda maior: se antes havíamos alcançado Deus através do Cristo, agora Ele desce a nós por meio do Cristo e o recebemos. 

Somente a participação na Santa Missa já é para nós uma fonte inesgotável de graças e méritos, mesmo que nela não recebamos a Eucaristia. As graças da Missa crescem em nós na medida em que nos unimos ao Seu oferecimento de Si mesmo. Mas, nos ensina o Padre Trese: 

Porém, é de notória evidência que o católico sinceramente interessado no crescimento da sua vida interior deverá completar o ciclo da graça recebendo a Sagrada Eucaristia. “Cada Missa, uma Missa de comunhão”, deveria ser o lema de todos. Há um triste desperdício da graça nas Missas daquele que, por indiferença ou apatia não abre o coração ao dom de Si mesmo que Deus lhe oferece. E é um equívoco, que beira a estupidez, considerar a Sagrada Comunhão como um “dever” periódico que precisa ser cumprido uma vez por ano. 

(TRESE, 1999, p. 103)

Devemos aproveitar todas as oportunidades de conseguir méritos que Deus nos concede. Mas devemos, de igual modo, ter claro em nossas mentes que a graça é um dom gratuito de Deus. Por mais heroica que seja a ação realizada, quem salva é a graça. 

Da mesma forma, não podemos cair no erro contrário; isto é, de achar que o simples participar do sacramento e o orar são suficientes para nossa salvação, sem que ela dependa de nós. Não somos formalistas. Não acreditamos que somente repetir ações, sem que delas saibamos o significado, irá nos salvar.


Referências

  • Catecismo da Igreja Católica;
  • Catecismo Maior de São Pio X; 
  • Catecismo Romano;
  • TRESE; Leo John. A fé explicada / Leo J. Trese; tradução de Isabel Perez. – 7ª ed. –
  • São Paulo: Quadrante, 1999

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