Liturgia das Horas: O que é? Por que rezar? Como rezar?

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Muitos dos leitores já devem ter ouvido falar da Liturgia das Horas como a oração oficial da Igreja. Todavia, o contato que os fiéis têm com ela é pouquíssimo, quando não inexistente. Logo, cabe a nós desvendarmos o que é a Liturgia das Horas, como ela surgiu e como e por que devemos rezá-la.

Para aprofundar-se ainda mais no tema ouça nosso podcast sobre o assunto.

Origem da Liturgia das Horas

Diz a Introdução Geral sobre a Liturgia das Horas (Doravante abreviado como IGLH) em seu número 1: 

“A oração pública e comunitária do povo de Deus é com razão considerada uma das principais funções da Igreja. Daí que, logo no princípio, os batizados ‘eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações’” (At 2, 42). Continua a IGLH: “Que também os fiéis se costumavam entregar à oração individual em determinadas horas do dia, provam-no igualmente os documentos da primitiva Igreja. Depois foi-se introduzindo muito cedo, aqui e além, o costume de consagrar à oração comunitária alguns tempos especiais, por exemplo, a última hora do dia, ao entardecer, no momento em que se acendiam as luzes, e a primeira hora da manhã, quando, ao despontar o astro do dia, a noite chega ao seu termo”.

Fica claro que a origem de uma Liturgia das Horas primordial remonta à Igreja Primitiva. Essas orações que se davam no nascimento da Igreja foram passando por processos organizatórios, formando-se um ciclo horário bem definido, tornando-se a Liturgia das Horas a oração da Igreja com Cristo e a Cristo [1].

Não iremos nos delongar no aspecto histórico da Liturgia das Horas. Passemos, pois, para o significado da oração e por que devemos rezá-la. 

Significado 

 A Oração das Horas tem por função a santificação do nosso dia, diz o IGLH:

A Liturgia das Horas alarga aos diferentes momentos do dia o louvor e ação de graças, a memória dos mistérios da salvação, as súplicas, o antegozo da glória celeste, contidos no mistério eucarístico, centro e vértice de toda a vida da comunidade cristã.” 

 IGLH 12

Essa santificação se dá, pois, ao recitarmos o Ofício Divino, estamos rezando com toda a Igreja; ou seja, estamos nos unindo ao Corpo Místico de Cristo. Diz Dom Chautard em sua famosa obra “A Alma de Todo Apostolado”:

Unir-se, mesmo de longe, com a Igreja, pelo pensamento e pela intenção, ao vosso sacrifício, ó Jesus; fundir a própria oração com a oração oficial e incessante da vossa Igreja, como isto já é sublime! O coração do simples batizado voa mais seguramente para Deus, assim levado pelos vossos louvores, adorações, ações de graças, reparações e súplicas.

Tomar parte ativa, são as próprias palavras de s. Pio X, e cooperar nos sagrados mistérios e na oração pública e solene pela assistência piedosa e esclarecida, pela avidez em tirar proveito das festas e das cerimônias, ou melhor ainda ajudando a missa, respondendo a ela, ou prestando o concurso próprio, à recitação ou ao canto dos ofícios, não é porventura o meio de entrar em comunicação mais direta com o pensamento de vossa Igreja, e de haurir na sua fonte primária e indispensável: o verdadeiro espírito cristão?

Mas, ó santa Igreja, apresentar-se cada dia, em virtude da ordenação ou da profissão religiosa, unido aos anjos e aos eleitos, como vosso embaixador oficial, perante o trono de Deus, para exprimir a oração oficial, que nobre missão esta!

A Alma de Todo Apostolado, edição de 1962, p. 193. (Destaques nossos). Disponível em Alexandria Católica.

Nobre missão esta! A recita do Ofício Divino é um presente da Mãe Igreja para nosso caminho de santificação, presente de uma mãe que quer ajudar seus filhos ao longo do dia a lembrarem o sentido de suas vidas. Um dia que não seja vivido para Deus é um dia desperdiçado, jogado fora, que não deveria existir. Sabendo disso, a Igreja não nos deixa desamparados. 

Vejamos agora como se estrutura o Ofício ao longo do dia:

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Estrutura da Liturgia das Horas

A Oração das horas estruturas da seguinte forma: 

Vésperas 

Recitada ao pôr do sol, como ação de graças. A oração de Vésperas é composta por dois salmos que são seguidos por um cântico do Novo Testamento, além de uma Leitura Breve das Escrituras, que pode ser trocada por uma Leitura Longa retirada do lecionário para o dia em questão. Em Vésperas também se canta o Magnificat, o cântico de Maria. 

Laudes 

Recitada pela manhã, como forma de consagrar o dia e o trabalho. A oração de Laudes é composta por dois salmos, que estão intercalados por um cântico do Antigo Testamento, além da Leitura Breve aos mesmos moldes de Vésperas. O cântico evangélico de Vésperas é o Benedictus

Ofício das Leituras

O Ofício das Leituras é um grande louvor noturno, tradicionalmente rezado de madrugada, antes do nascer do sol. Todavia, como forma de adaptação à rotina do homem moderno, a Igreja permite que ele seja recitado a qualquer momento do dia, desde que seja mantido o espírito de vigília próprio deste Ofício. É composto por três salmos, uma leitura das Sagradas Escrituras e um comentário retirado da tradição. 

Horas Menores (Horas Médias)

Há ainda três Horas Menores durante o dia: terça (9h), sexta (12h) e nona (15h). Essas três horas poder ser rezadas como uma só durante um desses horários. São compostas por três salmos e uma Leitura Breve. A série de textos retiradas da semana do Saltério é rezada somente em uma das três horas, caso o fiel opte por rezar as outras duas, deverá utilizar a série complementar que é composta por salmos fixos. 

Completas 

Rezada antes de deitar-se. Composta por um ou dois salmos – conforme o dia da semana – e uma leitura breve. Em Completas também reza-se um Cântico Evangélico, o Cântico de Simeão – Nunc dimíttis

Como rezar a Liturgia das Horas?

Por fim, esclareçamos quais as posições dos orantes durante o Ofício Divino: 

Vésperas e Laudes

Inicia-se o Ofício, em pé, rezando o versículo “Vinde, ó Deus…”, seguido pelo “Socorrei-me, sem demora”, “Glória ao Pai…” e o “Aleluia” – que é omitido durante a Quaresma. Ainda em pé, canta-se o Hino introdutório. Durante a salmodia, conforme costume,  quem reza pode estar em pé ou sentado. Durante as leituras, o fiel fica sentado e assim permanece até o Cântico Evangélico, que deve ser rezado em pé, como também as Preces, o Pai Nosso e a Oração do Dia. Encerra-se a hora com a oração “O Senhor nos abençoe, nos livre de todo mal…”

Observação: Quando Laudes for a primeira oração do dia, o versículo “Vinde, ó Deus…” e o que se segue são substituídos pelo Invitatório.

Ofício das Leituras 

Inicia-se com o Invitatório, quando for a primeira oração do dia; ou com o versículo “Vinde, ó Deus…”, seguido pelo “Socorrei-me, sem demora”, “Glória ao Pai…” e o “Aleluia”, quando não for. A salmodia procede da mesma forma que em Vésperas e Laudes, de igual modo as leituras, pondo-se o fiel de pé para o “Te Deum”  e para a Oração do Dia. Encerra-se a hora com a oração “Bendigamos ao Senhor…”

Horas Menores 

Inicia-se o Ofício, em pé, rezando o versículo “Vinde, ó Deus…”, seguido pelo “Socorrei-me, sem demora”, “Glória ao Pai…” e o “Aleluia” – que é omitido durante a Quaresma. Ainda em pé, canta-se o Hino introdutório, conforme Vésperas e Laudes. Durante a salmodia, o fiel pode ficar em pé ou sentado, durante leitura senta-se; tornando a levantar-se para a Oração do Dia. Encerra-se a hora com a oração “Bendigamos ao Senhor…”

Completas

Inicia-se o Ofício de igual modo às outras horas, todavia, antes do Hino faz-se o Exame de Consciência e o Ato Penitencial. Segue a salmodia, a leitura, o Responsório, o Cântico de Simeão e a Oração. Encerra-se a hora com “O Senhor nos conceda…” e, ainda estando todos de pé, recita-se ou canta-se a Antífona Mariana, que pode ser escolhida dentre aquelas presentes no Ordinário das Completas, excetuado tempo Pascal, quando se canta o Regina Coeli. [2]

Quando se persignar durante o Ofício?

Conforme o IGLH [3], devemos traçar o Sinal da Cruz nas seguintes ocasiões:

Todos fazem o sinal da cruz, da fronte ao peito e do ombro esquerdo ao direito:

a) no princípio das Horas, ao “Deus, vinde”;

b) ao começar os cânticos evangélicos, Benedictus, Magnificat, Nunc dimíttis.

Faz-se o sinal da cruz sobre os lábios, no princípio do Invitatório, às palavras “Abri, Senhor, os meus lábios”.

Considerações Finais 

Não pretendemos com este texto esgotar o assunto, ademais demos ênfase na Celebração do Ofício Divino pelos fiéis em sua particularidade. Para mais informações e detalhes, recomendamos a série de livros Entrarei no Altar de Deus. Estamos abertos para a solução de dúvidas em nossos stories do Instagram.

Salve Maria. 


  1. IGLH 2
  2. SILVA, Michel Pagiossi. Entrarei no altar de Deus: Cerimonial da Sagrada Liturgia – volume I / Michel Pagiossi Silva – São Paulo; Cultor de Livros, 2014.
  3. IGLH 266

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