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Deus e seus atributos

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Quem é Deus?

Quem é Deus? Essa é uma pergunta comum àqueles que creem. Vivemos a nos indagar sobre a natureza de Deus e suas prerrogativas ou perfeições. São Pio X, em seu Catecismo Menor, responde: 

2. Quem é Deus?
Deus é o Ser perfeitíssimo, Criador e Senhor do Céu e da Terra.  

Deus é Criador e Perfeitíssimo e umas das principais provas dessa verdade está em que nada acontece sem que exista uma coisa anterior que o cause. Em outras palavras, não é possível que uma  árvore cresça, sem que antes sua semente seja depositada no solo. Um objeto não vai de um lugar ao outro, sem que alguém o mova. Em linguagem filosófica, dizemos que cada efeito deve ter uma causa

Por isso, se voltarmos o Universo até sua origem, até o que a Ciência Moderna chama de Big Bang, precisaremos dizer que houve Alguém que desse início ao seu movimento. Alguém que a tudo criasse do nada; pois do nada, por si, nada pode vir. Diz o Padre Leo Trese: 

Há de haver alguém não feito por outro, há de haver alguém que tenha existido sempre, alguém que não teve começo. Há de haver alguém com poder e inteligência sem limites, cuja a própria natureza seja existir.

TRESE; 1999; p. 20

Esse alguém, por obviedade, é Aquele a quem chamamos de Deus. Aquele que existe por natureza própria. Aquele que É. 

Deus é o Ser Supremo, origem de todos os seres; ou seja, de tudo aquilo que existe. Por consequência lógica de Deus ser o Ser Supremo, não podemos falar na existência de mais de um Deus. Se alguém é supremo, não se pode falar de outro igual a ele. Caso contrário, cairemos em contradição. O Catecismo da Igreja Católica, sobre esse assunto, diz: 

A confissão da unicidade de Deus, que tem sua raiz na Revelação divina da Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus e igualmente fundamental como ela. Deus é único: só existe um Deus: «A fé cristã crê e professa que há um só Deus, por natureza, por substância e por essência.

Catecismo Romano 1, 2, 2 » CIC, 200

Portanto, se Deus é único e Supremo, conclui-se que Ele também é perfeitíssimo; isto é, que Ele possuí em Si, por natureza Sua, todas as perfeições. Mais uma vez, vejamos o que diz São Pio X: 

3. O que significa “perfeitíssimo”?
Perfeitíssimo significa que há em Deus toda a perfeição, sem defeito e sem limite, ou seja, que ele é poder, sabedoria e bondade infinitos. 

Falemos sobre outro atributo divino: Deus é Espírito. Na filosofia, distinguem-se dois tipos de substância: as espirituais e as físicas. As substâncias físicas são aquelas que são compostas; isto é, que são divididas em partes. A água que bebemos, por exemplo, é composta de hidrogênio e oxigênio; estes dois elementos, por sua vez são compostos de moléculas, e moléculas de átomos, o átomo de nêutrons, prótons e elétrons. Os pequenos fragmentos do mundo material são compostos de substâncias físicas.

Já uma substância espiritual não possui partes. Não há nela nada que possa corromper-se, dividir-se, quebrar-se; como há nas substâncias físicas. Filosoficamente, dizemos que uma substância espiritual é simples. Por conseguinte, as substâncias espirituais são imortais; isto é, elas não podem destruir-se; o que acontece com as substâncias físicas, pois estas, ao conterem em si divisões, podem ter suas partes separadas, seja por corrupção ou destruição. Uma substância espiritual só pode deixar de existir por um ato de Deus. 

Três são os tipos de substâncias espirituais: i) a do próprio Deus; ii) a dos anjos e iii) a das almas humanas. Qualquer uma dessas três substâncias espirituais possui inteligências própria e não precisa da ajuda de qualquer substância física para atuar. Mas nós não somos feitos de corpo e alma? Não depende, então, nossa alma de nosso corpo? Sim, nesta vida terrena nossa alma depende de nosso corpo para realizar suas atividades, mas não é uma dependência absoluta. Quando morremos, nossa alma separa-se do corpo e continua a atuar, de maneira ainda mais livre do que o faz agora. Diz o CIC: 

A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. A narrativa bíblica exprime esta realidade numa linguagem simbólica, quando afirma que «Deus formou o homem com o pó da terra, insuflou-lhe pelas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se num ser vivo (Gn 2, 7)» 

CIC, 362

Imaginar um espírito é uma tarefa difícil, pois o ato de imaginar implica a formação de uma imagem em nossa mente, mas como formar uma imagem de algo que não possui uma imagem? O que podemos formar é a ideia daquilo que é um espírito: pensemos em nós mesmo, mas de maneira incorpórea; ou seja, pensemos naquilo que somos, mas sem incluir nosso corpo; conservaríamos aquilo que sabemos e nossos afetos. Ainda seríamos o que somos (um “eu”), mas sem corpo. Seríamos, pois, espírito. 

Mais acima foi dito que Deus possuí poder e bondade infinitos. Contudo, o conceito de infinito também é de difícil imaginação, haja vista sermos nós seres finitos. De qualquer forma, podemos explicar o infinito como aquilo que não tem limites. Tudo o que é criado possuí limites, mas Deus não está limitado em nenhum sentido. Dessa forma, tudo o que vemos de bom, belo e verdadeiro na criação é reflexo da Bondade, Beleza e Verdade de Deus. 

Em todas as suas obras, Deus mostra a sua benevolência, a sua bondade, a sua graça, o seu amor; mas também a sua credibilidade, a sua constância, a sua fidelidade, a sua verdade.

CIC, 214

As perfeições ou atributos de Deus são da mesma substâncias que Ele. Isto é, Deus não é bom somente, mas Deus é a Bondade; não é somente justo, mas a própria Justiça. Não é possível falar sobre todas as perfeições de Deus, mas há algumas que merecem ser destacadas. Uma delas, já mencionada, é a eternidade. Homens e anjos também podem ser considerados “eternos”, pois não irão morrer jamais – no caso do ser humano, sua alma não morrerá e seu corpo será ressuscitado na Parúsia -, contudo ambos anjos e homens possuem um início. Somente Deus é eterno por natureza, em sentido absoluto; não irá morrer e não existe um tempo no qual Ele não existisse.

Também já mencionamos mais acima que Deus é bondade infinita. Não há limites para a Sua bondade. E essa bondade é-nos dada continuamente, de maneira gratuita. 

Mas, se Deus é bondade, como explicar o problema do mal no mundo, aquilo que em Filosofia e Teologia chamamos de Teodiceia? Muitas obras já foram escritas sobre o tema, portanto não é possível esgotá-lo em uma catequese. Mas podemos dar uma resposta abreviada: o mal existente no mundo, seja ele físico ou moral, veio como consequência do pecado de Adão e Eva. O Padre Leo Trese diz em seu A Fé Explicada:

Deus, que deu ao homem o livre-arbítrio e pôs em marcha o seu plano para a humanidade, não anda interferindo continuamente para arrebatar-lhe esse dom da liberdade. Com esse livre-arbítrio que Deus nos deu, temos que lavrar nosso destino até o final – até a felicidade eterna, se a escolhermos como meta e se quisermos aceitas e utilizar o auxílio da graça divina -, mas livres até o fim.

TRESE; 1999; p. 23

O mal é uma ideia humana e Deus nada tem a ver com ela. Se os inocentes padecem com a maldade dos maus, serão recompensados na vida futura. O seu sofrimento não se compara com a alegria da vida no Céu. 

A fé em Deus Pai todo-poderoso pode ser posta à prova pela experiência do mal e do sofrimento. Por vezes, Deus pode parecer ausente e incapaz de impedir o mal. Ora, Deus Pai revelou a sua omnipotência do modo mais misterioso, na humilhação voluntária e na ressurreição de seu Filho, pelas quais venceu o mal. (CIC, 272)

Ainda sobre o problema do mal, nos diz São Pio X:

11. Deus pode fazer inclusive o mal?
Deus não pode fazer o mal porque, sendo bondade infinita, não pode querer; porém o tolera para deixar livres as criaturas, sabendo depois tirar o bem inclusive do mal. 

Deus possui conhecimento infinito, a este atributo divino chamamos onisciência. Todo o tempo, passado, presente e futuro; todas as coisas que são e que poderiam ser, tudo aquilo que é passível de ser conhecido, tudo está contido na mente divina. 

Se Deus de tudo sabe, então sabe o que farei durante toda minha vida? A resposta é sim. Logo, se Deus sabe o que farei, significa que terei de fazê-lo? Essa é uma pergunta que em um primeiro momento pode parecer de difícil resposta, mas não é. Não podemos confundir o Deus conhecedor com o causador. Deus saber que comerei cuscuz no café da manhã de domingo, não é a causa que me faz comer. Quando, depois de um dia muito abafado, sabemos que irá chover, não quer dizer que somos aqueles que deram causa à chuva. Mais uma vez, recorramos aos ensinamentos do Padre Leo Trese: 

Para sermos teologicamente exatos, convém dizer que falando em termos absolutos, Deus é a causa de tudo o que acontece. Deus é por natureza a Primeira Causa. Isto quer dizer que nada existe nem acontece que não tenha sua origem no poder infinito de Deus. 

TRESE; 1999; p. 24

Deus também está presente em todos os lugares; isto é, não há limites para sua presença. Está presente em toda a parte. Explicamos isso pelo fato de nada estar fora de Deus, pois, como já vimos acima, Deus é o Ser Supremo e sustenta tudo o que existe no ser, na existência. A essa perfeição divina chamamos de onipresença

Outra perfeição divina é o seu infinito poder. Deus tudo pode fazer: é onipotente. Pode Deus fazer um círculo quadrado? Uma pedra tão grande que não possa levantar? A resposta é não. Porque tanto um círculo quadrado, como uma pedra tão grande que Deus não a possa levantar, não são algo, elas são nada, são contradições nos seus próprios termos. Deus pode fazer tudo menos o que é não-ser, nada. 

Poderia Deus pecar? Também não. Pois o pecado não é um ser, ele não tem existência própria, também é nada. Sobre isso, São Pio X diz, dessa vez em seu Catecismo Maior: 

27. Deus não pode pecar nem morrer; como é então que se diz que Ele pode fazer tudo?
Diz-se que Deus pode fazer tudo, embora não possa pecar nem morrer, porque o poder pecar ou morrer não é eleito de potência mas de fraqueza, a qual não pode existir em Deus, que é perfeitíssimo.

Deus é infinitamente sábio, a própria Sabedoria. Ele fez tudo; logo, sabe qual a melhor maneira de usar aquilo que fez e qual o melhor caminho para sua criação. Por isso não temos o mínimo direito de criticar Deus naquilo que Ele decide. 

Por fim, Deus é a santidade e todo misericórdia. Toda santidade provém de Deus, não é possível ser santo, senão em Deus. Por ser a própria santidade, também é todo misericordioso. O perdão de Deus não tem limites. Mas não podemos confundir a misericórdia divina com uma “inocência” divina, Deus também é todo justo. Logo, se não o amarmos, não entraremos em sua visão beatífica. 

Portanto, é isso que significa – isto é, tudo que fora dito acima – quando dizemos que Deus é um espírito infinitamente perfeito


  • Catecismo da Igreja Católica; 
  • Catecismo Menor de São Pio X; 
  • Catecismo Maior de São Pio X; 
  • TRESE; Leo John. A fé explicada / Leo J. Trese; tradução de Isabel Perez. – 7ª ed. – São Paulo: Quadrante, 1999.    

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